A

Airdrop

Airdrop é um mecanismo de distribuição gratuita de tokens de determinado projeto. A fim de atrair usuários e investimento, os protocolos oferecem uma porcentagem dos criptoativos para quem se inscreveu numa lista ou até mesmo fez parte do período de testes, antes do lançamento.

Altcoin

Também chamada de moeda alternativa, é toda criptomoeda diferente do Bitcoin. Como a primeira criptmoeda é a maior e mais relevante no setor, todas as outras criadas após ela recebem esse título.

ASIC

Application-specific integrated circuit (ASIC na sigla em inglês), é um equipamento utilizado para mineração de criptomoedas, principalmente o Bitcoin (BTC).

B

Baleias

Termo usado para representar grandes investidores. Podem ser pessoas físicas, fundos de investimento, ou até mesmo bancos, que possuem enormes quantias da criptomoeda em questão em suas carteiras.

Blockchain

De maneira geral, é uma base de dados descentralizada, que permite a transferência, registro e rastreio de informações digitais dos usuários, por meio de criptografia. É parecida com um banco de dados tradicional, mas as informações são gravadas em blocos (block) que estão ligados entre si por meio de “correntes” (chain) com o objetivo de se certificar que são à prova de fraudes.

Bloco Gênesis

Esse termo se refere ao primeiro bloco criado em uma blockchain, também chamado de bloco 0. No caso do Bitcoin, o primeiro bloco com 50 moedas de BTC foi minerado em 3 de janeiro de 2009.

Block Explorer

Block Explorer é uma ferramenta que permite pesquisar informações sobre uma blockchain, como endereços, transações e muito mais. O Etherscan.io é um exemplo de block explorer para a Ethereum.

Bridges

Também chamadas de “Pontes”, elas são plataformas que conectam blockchains, permitindo a transferência de dados e ativos digitais. Como as blockchains são desenvolvidas em ambientes isolados, com regras e mecanismos de consenso diferentes, as bridges foram criadas para resolver a comunicação entre elas.

BIP

BIP é uma sigla para Bitcoin Improvement Proposal (Proposta de melhoria de Bitcoin). Se trata de um documento para comunicar novas propostas de melhorias ou recursos para o Bitcoin.

C

Carteira Digital

Uma carteira digital é um programa que armazena suas chaves e permite que você acesse seus criptoativos. As carteiras contêm uma chave pública (endereço da carteira) e suas chaves privadas necessárias para assinar as transações.

Central Bank Digital Currency (CBDC)

Central Bank Digital Currency (CBDC) é uma versão digital de moeda fiduciária apoiada pelo governo, normalmente emitido por um banco central e vinculado à moeda nacional do país.

Chave pública (Public Key)

Chave pública é um endereço (código criptográfico) compartilhável que permite o envio e recebimento de criptoativos. Ela é gerada pela chave privada, o que as torna um par correspondente.

Chave privada (Private Key)

A chave privada é como se fosse uma senha, que permite a você acessar e gerenciar suas criptomoedas.

D

dApps

dApps são aplicativos descentralizados que têm seu código baseado em contratos inteligentes (smart contracts) e executados em uma blockchain para armazenamento de dados.

DAO

Decentralized Autonomous Organization (DAO) é uma organização liderada pelos próprios membros. As regras e interações entre eles são feitos por smart contracts. Existem DAOs específicos para projetos segmentos específicos como DeFi e NFTs.

DeFi

DeFi (Decentralized Finance) se refere ao conjunto de produtos e serviços financeiros que utilizam a tecnologia blockchain, visando retirar os intermediários das transações — como bancos, corretoras e outras instituições.

E

Endereço

Endereço é a identificação de uma carteira para mandar e receber criptoativos em uma rede blockchain. Os endereços usam o método criptográfico de chave pública.

Exchange

Exchanges são corretoras digitais que ajudam na intermediação das negociações de criptoativos.

EIP

EIPs são propostas de melhorias, apresentadas pelos membros da comunidade da Ethereum. Uma EIP é um documento parecido com artigo de pesquisa, contendo um resumo, motivação e especificações técnicas.

EVM

Conhecido como o “coração da Ethereum”, EVM é o software que executa todos os tipos de transação na blockchain da Ethereum. Ele é usado para a criação de aplicativos descentralizados (dApps), bem como para implantar os contratos inteligentes (smart contracts) na rede.

F

Fan Token

Os Fan Tokens são ativos digitais relacionados aos times e grupos esportivos, que possuem determinada utilidade. Detentores tem o poder de voto em decisões de marketing, descontos nos ingressos de jogos, entre outras formas que incentive a interagir e apoiá-los.

FOMO

Acrônimo de Fear of Missing Out, ou “Medo de ficar de fora”, é um termo utilizado no ramo de investimentos como uma reação emocional por não estar posicionado em um determinado ativo.

FUD

Fear, Uncertainty and Doubt (Medo, Incerteza e Dúvida) é um termo usado para definir o sentimento de insegurança dos investidores em momentos de alta volatilidade nos preços de criptoativos, causado por notícias negativas, sejam elas verdadeiras ou baseadas em rumores.

Fork

Fork é essencialmente uma modificação no código da rede blockchain. Como se trata de um software de open source, que está disponível gratuitamente, qualquer pessoa pode propor melhorias. No entanto, para que uma atualização entre em vigor, deve passar antes pela aprovação da maioria dos membros da comunidade.

Existem 2 tipos de Forks:

  • Hard Fork: É uma mudança tão significativa na blockchain que a torna incompatível com sua versão anterior, se tornando um protocolo diferente.
  • Soft Fork: Neste caso, funcionam como se fossem atualizações em nossos computadores. Ou seja, são alterações que permanecem compatíveis com a versão atual da rede blockchain.

G

Gas

Refere-se ao valor cobrado nas transações com a criptomoeda Ether, em contratos inteligentes ou tokens. Como há interações entre usuários e aplicações na rede Ethereum, cada uma delas requer uma taxa.

Gwei

Gwei é uma das unidades de medida da criptomoeda Ether. Trata-se da quantidade de Gas cobrada em Wei, a menor fração da moeda.

H

Hash

Hash é uma função que transforma qualquer informação em uma série de caracteres de tamanho fixo.

Hashrate

Hashrate é uma medida de poder computacional para resolver problemas matemáticos criptográficos, a fim de adicionar os blocos na rede blockchain.

HOLDers

HOLDers é uma expressão utilizada no mercado de cripto, que representam investidores que acreditam no investimento a longo prazo dos ativos digitais.

I

ICO

A oferta inicial de moedas, ou ICO (Initial Coin Offering), é um processo que coloca à venda ativos digitais pela primeira vez, para que uma empresa consiga arrecadar capital para criar sua nova criptomoeda.

L

Layer 1

Dentro da arquitetura da tecnologia blockchain, Layer 1, também chamado de Primeira Camada, são as redes capazes de validar e finalizar as transações sem a necessidade de outras soluções. Ethereum, Bitcoin e Solana são exemplos de Layer 1.

Layer 2

As soluções de segunda camada se apresentam como boas alternativas frente as redes de primeira camada, para os diversos tipos de aplicações que existem no mercado de criptoativos, dado que a tecnologia é capaz de torná-los mais escaláveis e acessíveis.

Lightning Network

Lightning Network é um protocolo que permite processar um número alto de transações comparado ao blockchain do Bitcoin. Os usuários criam canais de pagamento (payment channels) onde as transações ocorrem fora da rede principal, mas ainda se beneficiam da segurança e descentralização do Bitcoin.

Liquidity Pool

Também chamado de Pool de Liquidez, refere-se a uma quantidade de criptoativos bloqueados em um smart contract, para facilitar as negociações e outras operações nas Exchanges Descentralizadas (DEX).

M

Mainnet

Mainnet, ou rede principal, é o termo usado para descrever uma blockchain independente executando as aplicações na sua própria rede. É onde as transações de criptoativos são processadas e verificadas.

Memecoin

Memecoin são criptoativos relacionados a memes ou piadas da internet. Eles acabam ganhando popularidade por terem diversos entusiastas nas redes sociais. Geralmente são ativos altamente especulativos e arriscados. Dogecoin e Shiba Inu são exemplos de memecoins.

Mempool

O mempool é um banco de dados de transações não confirmadas ou pendentes na blockchain, que cada nó mantém. Quando uma transação é confirmada por ser incluída em um bloco, ela é removida da mempool.

Mineração

Mineração é o processo de validar as transações em uma blockchain através do mecanismo Proof-of-Work (PoW). Os mineradores recebem recompensas da própria criptmoeda em questão, pelo poder de processamento computacional.

N

NFTs

Os Tokens Não Fungíveis, em tradução para o português, representam digitalmente qualquer coisa a partir da tecnologia blockchain que traz originalidade àquele ativo. Artes digitais e músicas são alguns dos mercados que estão explorando os NFTs.

Um nó representa um computador que se conecta a uma rede da criptomoeda, suportando e validando as transações.

O

Oráculos

Oráculos são softwares que ajudam na conexão entre as informações de dentro e fora de uma blockchain.

P

P2P

Peer-to-peer (P2P) é uma arquitetura de rede de computadores sem a necessidade de um servidor central. Os arquivos, documentos e informações são transacionados entre os participantes dessa rede.

Proof-of-Stake

Proof of Stake (PoS) é um mecanismo de consenso de uma criptomoeda, usado para confirmar transações e criar novos blocos por meio de validadores selecionados aleatoriamente.

Proof-of-Work

Proof of work (PoW) é um mecanismo de consenso usado nas aprovações das transações e criação de blocos, que utilizam mineração, como o caso do Bitcoin.

Protocolo

Protocolo é um conjunto de regras que permite o compartilhamento de dados entre computadores de uma rede blockchain.

R

Roadmap

Roadmap é um resumo visual de como o projeto pretende adiconar novas melhorias e recursos ao longo do tempo.

Rollups

Estes protocolos envolvem o agrupamento (rolling up) de transações e depois são transmitidos à cadeia principal de uma única vez em intervalos de tempo, com um mecanismo de prova que atesta a validade das transações. Existem dois tipos principais de rollups, que são os Optimistic Rollups e Zero-Knowledge Rollups.

S

Satoshis

São a menor fração do Bitcoin. A moeda digital é formada por 100 milhões de satoshis (ou sats), ou seja, 0,00000001 Bitcoin é igual a 1 Satoshi.

Stablecoins

Stablecoins são um tipo de token, criados para lastrear digitalmente outros ativos, normalmente moedas fiduciárias, como dólar e euro, refletindo menos impacto da volatilidade do mercado cripto.

Smart contract

Smart Contracts (Contratos Inteligentes) são programas auto-executáveis que utilizam a tecnologia blockchain para assegurar o cumprimento do acordo firmado e para que as operações não precisem de intermediários.

Sataoshi Nakamoto

Satoshi Nakamoto é um codinome usado pela pessoa ou grupo de criadores do Bitcoin.

Staking

Staking é o processo de “travar” suas criptomoedas e obter uma renda passiva sem precisar vendê-las.

Security token

Representam algum valor mobiliário, como uma ação negociada na Bolsa de Valores. Dado que eles estão relacionados ao mercado tradicional, sua volatilidade é menor comparada aos outros tipos de tokens.

Side Chain

Sidechains são cadeias que rodam paralelamente a uma blockchain (mainchain) via a tecnologia de bridges, normalmente usadas para transações em massa. Validadores dessas redes são responsáveis por confirmar e processar transações, adicionar blocos e manter a própria regra do mecanismo de consenso, que é independente da cadeia principal.

T

Tokens

Tokens são a representação digital de um ativo, que se encontra numa rede blockchain.

Token de Governança

Esses tokens oferecem direitos de governança, podendo contribuir diretamente no futuro e projetos de um determinado aplicativo descentralizado (dApp), protocolo, solução DeFi ou jogo. Uniswap e MakerDAO, são exemplos dessa categoria.

Token de Utilidade

Possuem determinada utilidade, como troca por produtos, acesso a um serviço exclusivo ou benefícios. Esses tokens também podem ser utilizados como forma de pagamento na plataforma desenvolvida pela empresa emissora.

Tokenização

É o processo de transformar ativos físicos ou produtos financeiros tradicionais em ativos digitais, promovendo maior eficiência e agilidade nas transações, que passam a ser realizadas de forma digital, facilitando a negociação entre pessoas e empresas. Ativos tokenizados fazem uso da tecnologia blockchain, que garante a segurança e imutabilidade das transações.

Tokenomics

Tokenomics é uma área dentro do universo cripto, onde é possível analisar quais são os princípios e modelos pelos quais os tokens sustentam o projeto.

TVL

Total Value Locked é métrica que mostra quanto é o valor “travado” de um determinado ativo em um protocolo.

W

Web 3.0

Vista como a terceira geração da internet, a Web 3.0 é um ecossistema descentralizado online baseado na tecnologia de blockchain. Ou seja, os serviços e páginas online serão produzidos em uma rede de computadores imutável e que garantirá a funcionalidade deles sem censura e restrições por parte de uma única instituição.

Whitepaper

Um whitepaper é um documento que explica o propósito de um projeto e como ele funciona. Para o mercado cripto, o whitepaper é um guia para sua tecnologia, recursos e objetivos, projetado para apresentar o projeto aos possíveis usuários e investidores.

Apesar das incertezas nesse começo de 2023, os ativos de risco surpreenderam até agora.

Enquanto os mercados ficaram de olho na elevação da taxa de juros por bancos centrais, nos riscos de recessão ainda elevados, na continuação da guerra na Ucrânia, e, mais recentemente, em uma crise bancária nos EUA e na Europa, as bolsas globais se mantiveram resilientes em 2023, devolvendo parte das fortes perdas de 2022.

Veja abaixo quem foram os ganhadores (e quem ficou pra trás) no desempenho entre janeiro e março:

O índice de ações globais, medido pelo MSCI All Country World, subiu 7,4% em dólares no primeiro trimestre, em linha com a bolsa americana. Já a Europa surpreendeu sendo a melhor bolsa do ano até agora, depois de um inverno bem mais ameno do que esperado, evitando uma crise energética muito profunda, e uma economia mais resiliente também.

O Brasil, por sua vez, ficou pra trás no rali. O Ibovespa registrou queda de -3,1% em dólares, e em reais, caiu -7,2% pressionado pelas incertezas domésticas em relação à política econômica. A tão aguardada proposta do arcabouço fiscal foi finalmente anunciada, mas ainda restam várias questões a serem endereçadas.

E o destaque do ano ficou por conta do Bitcoin, que disparou +71,3% nos primeiros três meses de 2023 e superou todos os outros ativos. A alta da criptomoeda foi catalisada por expectativas de um Federal Reserve menos duro, em meio à sinais de desaceleração econômica e também temores de uma deterioração do setor bancário depois do colapso do Silicon Valley Bank. Incertezas em relação ao sistema financeiro mais tradicional também ajudaram a impulsionar a tese de descentralização do Bitcoin.

Parece que foi ontem que estávamos pulando as sete ondinhas, mas o ano de 2023 começou há 100 dias. Naturalmente, o início do ano é marcado por promessas e metas que nem sempre vão adiante conforme saímos do estado de contemplação e encaramos a realidade do dia a dia.

Mas isso não significa que é tarde para tirar aquela meta do papel. Abaixo, te mostramos como 100 dias podem fazer uma grande diferença nas suas finanças. Mas antes disso, é claro, você precisa começar!

O começo é sempre mais difícil

Já reparou como iniciar uma tarefa que estamos procrastinando é sempre mais difícil no começo? Seja o começo do seu treino na academia, os primeiros segundos quando você começa a lavar a louça, ou os seus primeiros investimentos. Começar qualquer atividade exige sempre um grau extra de força de vontade.

Algumas teorias podem explicar o motivo desse fenômeno. Entre os vários motivos, um deles costuma ser mais comum quando falamos sobre o universo dos investimentos: a Teoria da hiperbólica temporal.

Esta teoria sugere que as pessoas tendem a dar mais peso às recompensas imediatas do que às recompensas futuras, o que pode levar à procrastinação.

O conceito da hiperbólica temporal tende a se destacar quando falamos de investimentos especialmente por conta do efeito dos juros compostos nas recompensas de longo prazo aos investidores.

Juros compostos: O Efeito bola de neve

Como contamos aqui, os juros compostos podem ser um grande aliado para aqueles que evitam dívidas e aplicam o seu dinheiro em investimentos.

Isso porque, quando aplicado no crescimento do seu patrimônio, os juros compostos oferecem um efeito exponencial que acelera os rendimentos ao longo do tempo. No gráfico abaixo demostramos como uma aplicação mensal de R$500,00 cresceria sob uma rentabilidade de 1% ao mês – taxa próxima ao rendimento do Tesouro Selic atualmente.

Nesse exemplo, em 240 meses (20 anos), enquanto uma pessoa sem investir acumularia R$120.000,00, um investidor alcançaria R$500.073,96 graças aos juros compostos.

100 dias fazem muita diferença

Muitas vezes achamos que essa demora em iniciar algo não é tão prejudicial para os nossos resultados. Mas a realidade é que cada dia a mais pode fazer uma grande diferença.

Utilizando o mesmo exemplo acima, simulamos qual a diferença de 100 dias no patrimônio desse investidor.

Taxa de juros ao mês 1% 1%
Investimento inicial R$ 500 R$ 500
Tempo investido 20 anos 20 anos + 100 dias
Aporte mensal R$ 500 R$ 500
Valor final R$    500.073,96 R$ 518.124,44

O que vemos nesse exemplo é justamente o poder dos juros compostos: o rendimento é calculado em cima do valor total dos aportes somado aos rendimentos passados, o que multiplica exponencialmente seus ganhos.

Você também deve ter notado que, enquanto o adicional de 100 dias ao final dos 20 anos causa um impacto de R$ 16.550,48 no patrimônio, os primeiros 100 dias geram pouco mais de R$30,00 de rendimentos.

Mas esse não deveria ser um fator para te desanimar de começar, pelo contrário. Afinal, apenas quem começou, mesmo que com pouco, conseguiu colher os bons frutos do longo prazo.

Teoria da autoeficácia

Outra teoria para explicar o motivo pelo qual as pessoas evitam iniciar tarefas é a teoria da autoeficácia. Essa teoria sugere que a crença de uma pessoa em sua própria capacidade de realizar uma tarefa afeta sua motivação para iniciar essa mesma atividade.

Em outras palavras, se uma pessoa não se sentir confiante em suas habilidades para realizar a tarefa, pode ser mais difícil para ela começar.

Se essa for a barreira que impede você de iniciar nos investimentos, nossos conteúdos, como carteiras recomendadas e relatórios sobre onde investir, devem ajudar bastante a entender onde é melhor alocar o seu dinheiro.

100 dias ou 730: a poupança segue perdendo

Outra questão essencial na hora de começar a investir para atingir suas metas é não cair armadilhas de “um único investimento vencedor”. Escolher investimentos para montar uma carteira diversificada será quase tão importante quanto começar.

Na simulação abaixo, ilustramos como diferentes investimentos (mesmo que conservadores) podem trazer resultados bem distintos ao investidor no longo prazo.

taxa anualizada investimento retorno em 2 anos
8,29% Poupança  R$  11.726,72
13,81% Tesouro Selic após imposto  R$  12.509,81
13,20% CDB 100% CDI após imposto  R$  12.392,10
13,20% LCI 90% CDI isento  R$  12.517,13
13,20% LCI 100% CDI Isento  R$  12.814,24

Como podemos ver na tabela acima, um investimento de R$ 10.000 na Poupança (de acordo com a rentabilidade atual) teria um retorno aproximadamente R$ 800 mais baixo em um período de dois anos do que um investimento em Tesouro Selic – já descontando os impostos.

Na mesma linha, investir na poupança por dois anos renderia ao investidor aproximadamente R$ 1.000 a menos do que um investimento em uma LCA (título emitido por bancos).

Aliás, se você tivesse investido R$ 10.000 na poupança em 02 de janeiro, você teria visto apenas R$168,88 de retorno até o dia 100 de 2023.  

Uma diferença considerável quando comparada aos R$273,25 (já descontados os impostos) do Tesouro Selic que será ainda mais ampliada ao longo do tempo como já demonstramos anteriormente.

Nesse cenário, vale destacar também os retornos que um investidor hipotético que começou com R$ 10.000 em 2 anos teria obtido, se optasse por seguir nossas recomendações para cada política de investimento – que você encontra mensalmente no “Onde Investir”.

Não espere os próximos 100 dias

Como vimos nos dados e simulações acima, esteja você começando com muito ou pouco dinheiro, fazer boas escolhas e iniciar o quanto antes pode fazer uma grande diferença para o seu patrimônio.

Por isso, não deixe nem mais um dia seu dinheiro sem render e invista com a Rico – Abra sua conta gratuitamente aqui.

(Por: Gustavo Senday – Analista de Varejo XP Inc)

Os ovos de Páscoa talvez sejam o principal símbolo da data comemorativa celebrada em abril, movimentando anualmente mais de R$6 bilhões em vendas, segundo estimativas da Neotrust. Contudo, a experiência de comprá-lo poderá ser diferente em 2023 – e, acredite se quiser, devido aos recentes acontecimentos envolvendo a varejista Americanas – que já explicamos aqui.

A Americanas possui uma relação histórica com a Páscoa, sendo até 2022 a principal vendedora de ovos de chocolate do país, com mais de 10 milhões de produtos vendidos por ano. A conexão da varejista com a data remonta à década de 1980, quando o modelo de vendas de ovos pendurados em parreiras foi idealizado e implementado nas Lojas Americanas em conjunto com a marca de chocolates Lacta.

Na época, as negociações entre a indústria e o varejo esbarravam na falta de espaço para a armazenagem dos chocolates nas lojas, até que Magrim Rodriguez, então presidente da Lacta, ao visitar uma unidade das Americanas, teve a ideia de aproveitar o teto utilizando caramanchões de madeira para pendurar os ovos. A iniciativa acabou se provando um enorme sucesso, se tornando um modelo de vendas adotado até hoje.

Americanas pode baratear seu ovo de páscoa

Diante dos problemas e instabilidades financeiras enfrentadas pela Americanas por conta da descoberta de inconsistências contábeis no início de janeiro, a varejista trouxe um desafio de para o comércio dos tão queridos ovos de chocolate.

Isso porque fabricantes de ovos de Páscoa e chocolates precisarão reequilibrar seus canais de vendas em 2023. Primeiro, terão de redistribuir sua produção para outros varejistas. Segundo, diante das incertezas, tenderão a cortar condições comerciais especiais normalmente concedidas à Americanas que, segundo notícias, já teve de pagar seus principais fornecedores de ovos à vista este ano.

Assim, é possível que a Páscoa desse ano seja marcada por promoções mais fortes em outras redes de supermercado, com maior participação de lojas nem sempre “famosas” por sua presença no ramo, bem como um maior estímulo à compra de ovos online.

A própria Lacta inclusive, estreou sua página oficial no Mercado Livre, e já espera que 20% das vendas da marca para o feriado venham dos canais digitais. No varejo, notícias indicam que o Roldão Atacadista planeja um crescimento de +40% nas vendas de itens como bombons e tabletes de chocolate em comparação com o mesmo período de 2022, certamente beneficiadas pela fragilidade da Americanas.

Chocolate Salgado: enquanto isso, a inflação também pode pesar

À parte das mudanças relacionadas ao Caso Americanas, as vendas de Páscoa em 2023 enfrentam uma velha conhecida da economia brasileira: a inflação. Na contramão do índice geral de preços (IPCA), que vem arrefecendo consistentemente mês a mês, os preços de chocolates e bombons apresentaram forte aceleração nos últimos meses, e apresentam aumento acumulado de +11% nos últimos 12 meses.

Neste cenário de inflação elevada e renda disponível pressionada, é possível que os consumidores optem pela compra de ovos menos premium e mais baratos, ou até migrem para alternativas de presente, como barras de chocolate e bombons.

Enquanto isso, fabricantes podem passar a disponibilizar alternativas mais acessíveis, com tamanhos e gramaturas reduzidas, ou então optar por segurar o aumento de preços, apostando no crescimento do volume de vendas – como é o caso da Dengo, que manteve os preços estáveis vs. 2022, mas ainda espera um crescimento de receita de 30% na Páscoa 2023.

Assim como na Páscoa, nos investimentos, nunca coloque os ovos na mesma cesta

O cenário para a Páscoa de 2023 comprovou o famoso ditado “nunca coloque todos os ovos na mesma cesta”, que mais do nunca, também pode ser aplicado para o mundo dos investimentos.

O ditado resume bem a importância da diversificação de uma carteira de investimentos. Evitando que toda a sua rentabilidade esteja exposta ao mesmo tipo de risco de um segmento, mercado, indexador. As estratégias de diversificação de investimentos representam o equilíbrio entre diferentes ativos; eles podem ser atrelados à inflação, CDI, Ibovespa, dólar, Tesouro prefixado e Fundos Multimercado.

Confira aqui nossas recomendações por perfil de investidor com sugestão de alocação para cada classe de ativo e com múltiplas opções de investimento para proteger sua carteira.

O universo dos investimentos é conhecido por ser uma verdadeira “sopa de letrinhas” que pode confundir muitas pessoas, cheio de conceitos e definições distintas.  

É por isso que hoje usamos uma série de “caixinhas” para facilitar o entendimento dos principais investimentos existentes, com base em suas semelhanças.

A renda fixa, por exemplo, é a classe de investimento que engloba dívidas – e na qual o retorno ao investidor é fixo, considerando sua data de vencimento. Investindo em títulos de renda fixa, o investidor recebe juros que são fixados de acordo com algum índice – como a taxa Selic, o CDI e o IPCA (índice de inflação).

Enquanto isso, a renda variável é um “outro bicho” – que, como sinaliza o nome, tem o retorno ao investidor sem estar atrelado a nenhum índice específico, e sim, varia de acordo com os movimentos de mercado e características do investimento, como a ação de uma empresa. Ou seja, ao investir em renda variável, o investidor está aplicando em algo que oferecerá uma renda variável de acordo com o desempenho futuro daquele ativo.

Entre tantos tipos de investimentos também existe o COE, que é um verdadeiro ornitorrinco dos investimentos. Tão distinto quanto um mamífero que bota ovos, o COE apresenta características que podem trazer oportunidades tanto para investidores agressivos em busca de maior retorno, como por investidores em busca de preservação de capital – com o perfil menos arrojado os investimentos.

Entretanto, esse investimento também apresenta riscos e pontos de atenção.

Neste texto, iremos explorar mais sobre o COE, suas características e vantagens, além de fornecer algumas dicas para quem está pensando em investir nesse produto.

O que é um COE?

O Certificado de Operações Estruturadas (COE) não era muito conhecido pela maior parte dos brasileiros até pouco tempo atrás, quando o seu acesso foi facilitado ao público de investidores gerais em 2016.

Da mesma forma que acontece com LCIs, LCAs e CDBs, os bancos também utilizam o COE como forma de captar dinheiro de investidores para financiar suas operações – para que ele siga emprestando dinheiro (com juros) para seus correntistas, e tocando suas operações.

Porém, o COE funciona diferente dos títulos de renda fixa.

Essas operações estruturadas são combinações de investimentos que, geralmente, envolvem o mercado de derivativos. Ou seja, é um investimento composto de outros investimentos – cada qual selecionado com um fim específico.

Um COE pode, pode exemplo, ser estruturado para criar proteções capazes de permitir ao investidor acessar investimentos de renda variável (exposição em fundos de investimento, ações negociadas em bolsas internacionais ou no próprio Ibovespa por exemplo), com um risco reduzido.

Assim, esse tipo de estrutura acaba sendo procurado por investidores que desejam investir em uma determinada classe de ativos, mas não tem grande convicção para investir diretamente sem uma proteção – caso algo não ocorra conforme o esperado.

As duas modalidades do COE

O Certificado de Operações Estruturadas (COE) é um investimento que poderá ter uma rentabilidade ou não, de acordo com uma condição.

Quando falamos de proteção, isso ocorre uma vez que cada operação possui uma regra tanto para casos de perdas, quanto para casos de ganhos. E o investidor sabe desses cenários antes mesmo de investir.

Já em termos de modalidades de índices aos quais os COEs são normalmente atrelados, esses podem ser bastante variados: como inflação, ações, bolsas ou o próprio dólar. Ou seja, a estrutura do COE pode considerar investimentos com base em índices e naturezas diversas.

Porém, existem dois tipos de Certificado de Operações Estruturadas: O valor nominal em risco ou valor nominal protegido.

1) Valor nominal em Risco

Nesse tipo de COE, você não encontra a proteção em caso do cenário negativo do seu investimento, estando exposto ao risco de perda integral de seu valor aplicado. Em contrapartida, essa modalidade costuma oferecer maior rentabilidade, dado o maior risco ao investidor.

2) Valor Nominal Protegido

No COE com valor nominal protegido, você terá seu capital investido mesmo que o pior cenário de rentabilidade aconteça com seu investimento. Dando um exemplo hipotético, digamos que você aplique em um COE dessa modalidade, que seja composto por investimentos em um índice de bolsa americana. Mesmo que esse índice caia 100%, seu valor investido será devolvido integralmente na data do vencimento do COE.

Inclusive, dependendo da estrutura de seu COE, você poderá ter lucro mesmo em caso de queda do ativo investido (estrutura que explicaremos mais a seguir).

Assim, o COE com valor nominal protegido permite que o investidor se exponha a uma classe de ativo com risco mais alto do que o tradicional (em busca de maiores retornos), mas sem correr o risco de perder o seu capital inicial pelas proteções que são criadas nesse investimento.

Características de um COE

Existem mais algumas características que você precisa conhecer antes de investir em um COE, que são:

Valor mínimo: varia de acordo com a instituição financeira que distribui o COE. De maneira geral, o valor mínimo costuma ser de R$5.000,00, eventualmente encontrados a partir de R$1.000,00.

Vencimento (Prazo): Da mesma forma que o valor mínimo de investimento varia de acordo com o COE, os prazos de vencimentos também se distinguem. A maior parte das operações possui prazo entre um e cinco anos. Vale destacar que, a depender do COE, não será possível vender o título antes do prazo (como detalhamos adiante).

Venda antecipada do COE: Uma das principais desvantagens do COE é sua falta de liquidez. Em alguns casos, você pode vender o seu COE de forma antecipada. Mas isso não é muito recomendado, já que você pode acabar perdendo dinheiro.

É importante que você sempre mantenha uma reserva de emergência ao fazer investimentos com baixa liquidez. Uma boa opção para isso é fazer investir no Tesouro Selic, por exemplo.

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Risco de crédito do banco emissor: apesar do COE possuir capital protegido na modalidade de Valor nominal protegido, o investidor estará exposto ao risco de crédito do Banco que emite esse certificado da operação estruturada – assim como acontece em investimentos em títulos bancários, do tipo CDBs e LCAs, além da própria poupança.

Desta forma, procure por bancos com boas notas de crédito. O COE também não é garantido pelo Fundo Garantidor de Créditos, o que significa que o seu capital não será devolvido em caso de falência do banco no qual você realizou o investimento.

Imposto: o COE possui a mesma tributação da renda fixa. Assim, a sua tributação se baseia na tabela regressiva ilustrada abaixo, que altera a cobrança de acordo com o tempo de aplicação do investimento:

Período de aplicação Alíquota
até 6 meses 22,5%
de 6 meses a 1 ano 20%
de 1 a 2 anos 17,5%
mais de 2 anos 15%

Custos e Taxas: Os custos e taxas de aplicação em um COE são embutidos nos próprios custos de criação daquela estrutura de investimento. Isso significa que o investidor não perceberá essa cobrança em seus extratos de investimento.

Rentabilidade: o COE é um tipo de investimento onde você conhece os cenários de ganhos e perdas, mas não é possível prever qual o retorno que ele trará em seu vencimento, já que isso envolve diferentes fatores e cenários.

Por projetar ganhos conforme movimentos de mercado, o ganho de um COE irá variar conforme o ativo que possui em sua estrutura (também chamado de “Ativo Subjacente”). Assim, o valor exato de sua rentabilidade só é conhecido no momento de seu vencimento.

Nesse ponto, o COE difere de títulos de renda fixa tradicionais.

Estruturas mais comuns de COEs

  1. COE Bidirecional: essa estrutura permite que o investidor participe dos ganhos tanto em momentos de alta quanto de baixa no mercado em questão. Em um COE Bidirecional, o retorno pode ser limitado em ambos os cenários ou ser ilimitado em um dos lados.
  2. COE de Alta Ilimitada: nesta estrutura, o retorno para o investidor é ilimitado em um mercado em alta, mas é limitado em uma eventual queda do mercado. Em geral, esse tipo de COE é adequado para investidores que acreditam em um forte desempenho de um determinado ativo subjacente (ou seja, daquele ativo que compõe a estrutura do COE).
  3. COE Auto Call: nessa estrutura, o investidor tem a oportunidade de ganhos com a valorização de um ativo subjacente específico ou uma cesta de ativos, que é conhecido como “ativo referência” ou “ativo alvo”. Se o ativo alvo atingir um preço pré-determinado na data de observação (que também é definida antes), o investidor recebe um pagamento adicional ao valor investido. No entanto, se o preço do ativo alvo não atingir o nível pré-determinado nas observações, o investidor pode não receber nenhum pagamento adicional. É comum que essa estrutura seja realizada com duas ou mais ações como ativos subjacentes. Também são previstas datas de observação em que serão verificados se os ativos atingiram a alta esperada da estrutura antes do vencimento. Em caso positivo, o COE será encerrado antes do previsto pagando a rentabilidade ao investidor.
  4. COE de taxa Fixa com Alta Ilimitada: essa estrutura de COE oferece uma taxa fixa de retorno ao investidor durante um determinado período, independentemente do desempenho do ativo subjacente. Algumas vezes, essa taxa pode ser fixada em um índice, como o IPCA, para proteger o investidor da Inflação no período. Além disso, se o ativo subjacente tiver um bom desempenho, o investidor pode receber um retorno adicional, que é ilimitado.
  5. COE Bond Repack: É um tipo novo de estrutura, que se assemelha muito a um título de renda fixa tradicional. Ao investir no COE de estrutura Bond Repack, o investidor possuirá uma rentabilidade pré-determinada, como uma taxa pré-fixada por exemplo, seja por um fluxo de pagamento de cupons fixos/variáveis, ou por diferentes indexadores. O COE Bond Repack é classificado na modalidade Valor Nominal em Risco. Ou seja, corre risco de crédito do (i) banco emissor do COE, e do (ii) ativo subjacente (Bond).

Essas são apenas algumas de muitas estruturas possíveis de COEs oferecidas no mercado.

Abaixo, listamos algumas dicas sobre como decidir se há um COE adequado para a sua carteira de investimentos.

 Como investir em COE?

Investir em COE é um processo um pouco complexo, já que esse título pode conter derivativos (que são a parcela de renda variável) e ativos de renda fixa. Assim, é preciso conhecer esse tipo de investimento antes de investir nele.

Mas não se preocupe! Estamos aqui para descomplicar, apresentando algumas dicas que recomendamos antes da tomada de qualquer decisão sobre o investimento em COEs:

  1. Avalie o tipo de estratégia adotada por um determinado COE para ter certeza que esse ativo se encaixará na sua estratégia de investimentos a longo prazo.
  2. Escolha o tipo de COE que mais se adequa aos seus objetivos, prazo e ao seu perfil de investidor (lembrando que, dado o risco, esse tipo de investimento é recomendado para investidores de perfil arrojado).
  3. Observe todas as variáveis envolvidas, como prazo de validade, teto máximo de rendimento e valor do aporte e outros.
  4. Vale a pena considerar o custo de oportunidade. Ou seja, quanto renderia o seu dinheiro se estivesse aplicado em outro produto mais conservador como o Tesouro Selic ou IPCA+ no mesmo período.
  5. É fundamental que você também confira o Documento de Informações Essenciais (DIE). É obrigatório que o emissor do COE entregue esse documento, na forma física ou digital, para o investidor interessado. Ele resume todas as informações necessárias para que você possa investir em um COE, como: banco emissor; cenários de rentabilidade do investimento; data de início e final; regras para ganhos e perdas; se o valor investido é protegido ou não; e outros detalhes.

Esse investimento estará disponível para você em sua área logada da Rico, acessando o menu investimentos na versão desktop do site.

Lembre-se que por ser uma operação estruturada, possui uma data limite para que você realize seu investimento. Assim, o valor precisará estar disponível na conta até o último dia disponível para a aplicação, podendo ser rejeitado por falta de saldo.

Março foi mais um mês de forte volatilidade, fechando o primeiro trimestre do ano no tom de cautela.

No mundo, o assunto de março foi uma crise do sistema bancário global. Entre a quebra de dois bancos americanos e a crise do Credit Suisse, que culminou na sua venda para o UBS, os investidores ficaram de olho nos passos dos reguladores. As reações do ponto de vista regulatório, no geral, foram bem recebidas — e receios de que esses problemas reverberassem em outras instituições financeiras foram perdendo força ao longo do mês, embora tenham trazido bastante volatilidade aos mercados no período.

No Brasil, a questão chave continuou a ser o cenário político, com foco no risco fiscal. Investidores passaram a maior parte de março aguardando a proposta do Executivo de um novo arcabouço fiscal para substituir a regra do teto de gastos, que finalmente foi anunciado no dia 30. Apesar da reação inicialmente positiva de investidores, a falta de detalhamento da proposta — em especial, como o governo pretende aumentar as receitas para alcançar resultados positivos anunciados — indica que a questão segue em aberto, mantendo o nível de incerteza elevado.  

Essas incertezas voltaram a pressionar o Ibovespa ao final do mês, e encerrou março com desempenho negativo de -2,9%. Com uma valorização do Real em relação ao Dólar, o índice Ibovespa terminou o mês praticamente de lado em dólares, mas ainda abaixo das fortes altas registradas nas bolsas globais.

No que vamos ficar de olho em abril?

Com a base de novo arcabouço fiscal apresentada, investidores agora aguardam detalhes sobre os planos do governo para fechar as contas no azul — o que pode incluir formas de aumento de tributação, com potenciais impactos em empresas listadas por aqui.

Ainda assim, vemos uma melhora no cenário interno por dois principais motivos:

  1. As estimativas de lucro futuro para as empresas pararam de cair e começaram a ser revisadas pra cima, chegando a subir 30% desde as mínimas recentes
  2. Taxas de juros de longo prazo estabilizaram e começaram a cair desde os picos recentes

As incertezas locais, principalmente o risco fiscal, e globais (em especial, temores de recessão e de uma crise bancária mais ampla) ainda nos levam a preferir um posicionamento mais defensivo, focando em empresas de alta qualidade.

Como se posicionar?

No geral, continuamos a preferir ações ligadas aos temas: 1) commodities; 2) histórias de crescimento secular; e 3) empresas de qualidade a um preço razoável.

Ainda vemos oportunidades em empresas exportadoras com receita em dólar, como as de commodities, que ainda possuem um perfil mais defensivo.

Continuamos a evitar ações com altos valuations — ações de empresas conhecidas como de “Crescimento”, que tem grande parte do seu lucro projetado para o futuro, como tecnologia e e-commerce, além do setor de Varejo — em meio a um cenário econômico ainda muito desafiador, e empresas altamente alavancadas ou que estão passando por uma grande reestruturação do negócio.

Empresas de qualidade

Trazemos nesse mês uma lista de empresas de qualidade que vemos como boas opções para investir nesse momento.

Selecionamos as empresas a partir de filtros quantitativos (baseado em margem de lucro, retorno sobre investimentos e endividamento) e qualitativos (recomendação de compra do nosso time de Research).

Pagadores de dividendos

Também continuamos preferindo empresas pagadoras de dividendos. Segundo um estudo que fizemos recentemente, existe uma tendência de que as ações pagadoras de dividendos passem a superar o desempenho de ações que não pagam dividendos em ciclos de alta da Selic (e de manuntenção da Selic elevada).

Acesse a RICO11, nossa carteira recomendada de ações e BDRs para abril de 2023.

Você compra guarda-chuva em dia de sol ou deixa para o momento de desespero? Investir bem é como se precaver de mudanças bruscas no tempo, sempre de olho na previsão antes de sair de casa ou fazer planos ao ar livre.

Nesse conteúdo, trazemos a meteorologia para as principais classes de investimento disponíveis no mercado e a nossa dose recomendada para todas elas de acordo com o cenário atual. Assim, evitamos que uma frente fria pegue a sua carteira desprevenida.

Para começar, a tabela abaixo traz nossa sugestão atualizada de alocação para cada classe de ativos como proporção do total de uma carteira de investimentos, de acordo com cada perfil de investidor. Ou seja, nossa sugestão de como cada tipo de investidor deve diversificar seus investimentos – lembrando que a diversificação é a melhor amiga dos bons retornos no longo prazo.

Ao final, trazemos uma sugestão de produtos sugeridos para cada uma das classes abaixo, para que você possa investir agora mesmo da sua conta da Rico.

Lembre-se: conhecer seu perfil de investidor, seus objetivos e seu horizonte de investimento são atitudes essenciais na hora de escolher onde e como investir.

Entenda nossas políticas de investimento aqui.

Mundo

Céu encoberto

O mês de março foi marcado por bastante volatilidade tanto no cenário global quanto no doméstico. Lá fora, uma nova crise de confiança em relação ao setor bancário pressionou os mercados, que se iniciou com a intervenção de reguladores no banco americano Silicon Valley Bank, e depois o Signature Bank. Poucos dias depois, na Europa, o gigante Credit Suisse foi vendido às pressas ao UBS com o apoio do Banco Central da Suíça.

No Brasil, os riscos fiscais e políticos permaneceram no radar, com investidores no aguardo do anúncio do arcabouço fiscal, que foi finalmente divulgado no fim do mês – como te contamos aqui em detalhes.

Nesse cenário ainda altamente incerto, seguimos recomendando cautela, ativos de boa qualidade e defensivos para sua carteira e investimentos, além de – claro – a diversificação.

Confira os detalhes de cada classe de ativos abaixo.

Renda Fixa Local

Ensolarado

O clima de sol segue na renda fixa local, embora nuvens apareçam nas redondezas. Com os problemas recentes dos bancos no exterior e reflexos dos eventos de crédito no Brasil (alimentados pelo o caso da Americanas), o mercado de renda fixa local ainda sentiu algumas variações ao longo do mês de março.

Entretanto, outro fator promete ser protagonista no mês de abril – o arcabouço fiscal. No final de março, o governo anunciou sua proposta para a nova regra fiscal em substituição da regra do teto de gastos. O anúncio da proposta deve reduzir parte da incerteza recente, mas a falta de um melhor detalhamento da proposta inicial mantém o cenário incerto e o risco fiscal ainda nos holofotes.

Como contamos aqui em detalhes, a gestão das contas públicas e do endividamento do país no longo prazo é um fator essencial para a percepção de risco em relação a investimentos por aqui, impactando desde os mercados de renda fixa e ações, até a nossa moeda e – de modo geral – todos os ativos brasileiros e a economia como um todo.   

No mês passado, também tivemos a reunião do nosso Comitê de Política Monetária (o Copom), que decidiu manter a taxa básica de juros por aqui em 13,75% ao ano – diante do cenário ainda incerto para a inflação tanto no Brasil quanto no mundo.

A taxa segue, assim, no patamar que chamamos de “contracionista” – em que os juros altos encarecem o crédito, desincentivam o consumo e desaquecem a economia como um todo, buscando reduzir a inflação.

Vale destacar que vemos espaço para o Banco Central começar a baixar os juros gradualmente na segunda metade do ano, mas a Selic deve seguir historicamente alta – com projeção de 11,00% para o fim de 2024, com os juros altos mantendo elevado os retornos esperados ao investidor.

Nesse cenário, reforçamos a importância de uma carteira diversificada que se beneficie tantos dos juros altos, quanto proteja seu patrimônio de uma inflação ainda incerta.

Os títulos atrelados ao IPCA (os famosos IPCA+) ajudam a proteger o seu patrimônio dessa “frente fria”, por acompanharem a alta de preços.

Já os títulos atrelados ao CDI ou à Selic (os chamados “pós fixados”), permitem uma boa rentabilidade da sua reserva de emergência e do seu “caixa” – aquela quantia que você pode usar para fazer frente a gastos inesperados ou aproveitar oportunidades de investimento.

Finalmente, vale lembrar que até mesmo o clima “ensolarado” requer os seus cuidados, como um bom protetor solar: lembre-se de coordenar o prazo do seu investimento com o vencimento do título, se for optar por títulos prefixados ou atrelados à inflação. Além disso, sugerimos ainda limitar os prefixados a objetivos de curto prazo (até 2 anos). Isso porque o preço desses títulos poderá variar conforme movimentos de mercado até a data de vencimento.

Explicamos essa dinâmica nesse vídeo.

Bolsa Brasileira

Tempo nublado

O clima dos investimentos na bolsa brasileira no mês que se inicia deve continuar sendo impactado por  fatores observados no mês de março, especialmente ,: (i) a aversão a risco de investidores estrangeiros, agravada por problemas bancários no exterior; (ii)o risco fiscal doméstico; e (iii)os juros ainda altos para controle da Inflação – que impactam tanto a performance esperada para empresas em uma economia mais fraca, quanto a avaliação do preço justo de empresas na bolsa (valuation) – como contamos em detalhes nesse texto.

Dito isso, outros importantes fatores ainda justificam a exposição a bolsa brasileira para investidores de perfil mais arrojado e com perspectivas de longo prazo. Sendo eles:

  • A economia brasileira se beneficia da reabertura chinesa, impulsionando principalmente empresas do setor de commodities;
  • O país segue relativamente isolado de eventos geopolíticos, como a guerra do leste europeu e a tensão entre China e EUA; e
  • Ativos brasileiros continuam descontados em relação ao seu histórico, apesar da piora recente que aproximou as ações da sua média histórica.  

Além disso, o prêmio de risco, que compara rendimento de renda variável com as taxas de juros reais, mostra que as ações brasileiras estão baratas mesmo considerando o alto nível das taxas de juros. O nível atual de prêmio de risco está em 8,7%, superando sua média histórica. Vale destacar que as taxas de longo prazo se estabilizaram e começaram a cair com uma melhora marginal do cenário interno, reduzindo essa pressão negativa a nossa bolsa brasileira.

Assim, seguimos recomendando posições defensivas para a bolsa brasileira em abril. Empresas que tenham receita dolarizada, como exportadoras de commodities, assim como empresas sólidas e de qualidade (a um preço razoável) são boas alternativas para o momento, assim como empresas boas pagadoras de dividendos.

Do outro lado, evitamos empresas que possuam indicadores de valor altos no mercado, por conta do risco de novas revisões de lucros diante de uma desaceleração na economia. 

Também não indicamos exposição a empresas com maior exposição política, especialmente estatais, frente ao quadro político incerto.

Renda Fixa Global

Sol entre nuvens

Diante da recente turbulência no setor bancário americano e europeu – como falamos acima – e de dados mais comportados no campo da inflação, o Banco Central Americano (Fed) pode estar se aproximando do fim do ciclo de altas de juros. Esse movimento reduziria a volatilidade observada nos últimos meses na renda fixa global. Nesse cenário, a renda fixa global deverá seguir oferecendo bons prêmios aos investidores que tenham perfil para assumir o risco desse tipo de investimento, respeitando sempre o percentual de alocação recomendado no início desse texto.

Além disso, existe uma diversidade maior de subclasses de ativos soberanos, bancários e corporativos que permite aos gestores de fundos de investimento dessa categoria diversificar seus portfólios com estratégias bastante distintas do que vemos nos fundos de renda fixa por aqui no Brasil. 

Por outro lado, o mercado de trabalho aquecido nos Estados Unidos, a inflação ainda acima da meta do Banco Central, além da incerteza sobre o desenrolar da crise bancária, colocam dúvidas sobre o início do afrouxamento dos juros na maior economia do mundo.  Assim, investimentos nessa classe de ativos seguem exigindo bastante cautela.  Isso porque o vai e vem de expectativas sobre o rumo dos juros tende a impactar os próprios prêmios oferecidos em dívidas corporativas, especialmente as mais arriscadas – mantendo o preço de títulos dessa natureza bastante voláteis.

Quando investimentos em renda fixa global são realizados realizado via fundos de renda fixa internacional, podem ser feitos na modalidade com ou sem hedge (proteção) da moeda. Isso significa que, caso você escolha investir em renda fixa internacional sem hedge, estará exposto tanto às oscilações dos preços dos ativos de renda fixa internacional quanto à oscilação do dólar em relação ao real.

Te contamos mais sobre o que esperar para o dólar aqui.

Investimentos internacionais dão acesso a setores que muitas vezes não existem por aqui, além de proteger seu patrimônio de eventos puramente domésticos, como incertezas políticas. Além disso, se realizados em moeda estrangeira – como  o dólar, que é considerado um “porto seguro” global –  ajudam a proteger sua carteira em momentos de grande incerteza global.

Bolsa Internacional

Chuvas fracas e localizadas

Diante do aumento da aversão ao risco e investidores prevendo uma recessão afrente enfraquecendo a demanda, uma fraca chuva começa a ganhar força nas principais bolsas do mundo.

Nos Estados Unidos, além de um cenário marcado por juros historicamente altos e inflação ainda acima da meta, empresas listadas na bolsa negociam em múltiplos de valor acima de sua média histórica.

Por lá, a temporada de resultados confirmou uma queda na lucratividade das empresas listadas. Além disso, a expectativa de lucros ainda segue elevada – o que parece não condizer com o cenário macroeconômico desafiador pela frente. Assim, destacamos o risco de novas revisões de lucros diante de uma desaceleração na economia.

Em bom português: as bolsas americanas ainda podem cair.

Enquanto isso, a Europa e a China têm crescido como destaque. A melhora de dados de inflação e perspectiva de crescimento no velho continente, e dados animadores da reabertura pós-covid-19 no gigante oriental alimentam visões cautelosamente otimistas com as regiões.

Entretanto, apesar da incerteza de curto prazo, diversificar seus investimentos em outras geografias se torna ainda mais importante nesses momentos de incerteza.

 Desta forma, seguimos recomendando a exposição à renda variável internacional (mesmo que atualmente com baixos percentuais) para nossos perfis de investidores mais arrojados, com maior diversificação entre países e regiões além de Estados Unidos, e geralmente em moeda estrangeira.

Finalmente, lembre-se sempre de respeitar o percentual indicado para seu perfil de investidor e horizonte de investimento. Confira nossa tabela de alocação para saber qual a mais indicada para o seu perfil de investidor.

“Leva o casaco”: sugestões de ativos em cada classe

Agora que você já sabe nossa alocação recomendada (o peso de cada classe de ativos ideal para cada perfil investidor nesse momento) e nossa previsão do tempo, separamos algumas sugestões de investimentos recomendados em cada um desses tipos de ativos.

Vale lembrar que as recomendações sinalizadas na tabela não são as únicas possíveis, mas sim alternativas viáveis selecionadas pelos nossos especialistas para você.

ClasseOpção de investimentoOpção de investimento2Mínimo da opção mais acessível
Renda fixa pós-fixadaTesouro Selic 2029Banco Pan 2025 CDI +114%R$ 100,00
InflaçãoTesouro IPCA+/NTN-B Maio/2025 IPCA+5,36%CRA Minerva AAA IPCA + 7,05% 07/2029R$ 31,27
Renda Fixa PrefixadaTesouro Prefixado/LTN Jun/25 12,7%Banco Pan 2026 CDI + 1,85% R$ 31,56
Renda Fixa GlobalTrend High Yield Americano FIMTrend Crédito Global FIMR$ 100,00
MultimercadoSelection Multimercado FIC FIMXP Macro FIMR$ 100,00
Renda variável internacionalCarteira de ETFs RicoWellington US BDR Advisory Dólar  NívelR$ 500,00
Renda variável internacional hedgeadaM Global BDR Advisory FIC FIA BDR Nível IWellington US BDR Advisory  BDR Nível IR$ 100,00
AlternativosTrend Commodities FIMRBR Reits US Em Reais FIC FIA BDRR$ 100,00

Acesse ou abra sua conta na Rico.

A temporada de resultados do 4º trimestre de 2022 nos EUA confirmou uma queda na lucratividade das empresas americanas, porém menor do que o esperado.

Analistas já haviam feito cortes nas expectativas no fim do ano passado devido ao cenário mais pressionado — maior probabilidade de uma recessão econômica a caminho, atividade econômica dando sinais de desaceleração e política monetária mais contracionista.

Os números, no entanto, vieram “menos piores” que o esperado: 68% das companhias do S&P 500 (principal índice acionário dos EUA) superaram as expectativas de lucros, com uma surpresa agregada de 0,7%. Já em termos de crescimento, houve uma contração nos lucros de -2,5%, sugerindo que os impactos macroeconômicos já começam a ser refletidos nos resultados.

A surpresa de lucro (ou earnings surprise) acontece quando os ganhos reportados pela empresa superam a expectativa dos analistas de mercado, construídas a partir dos números da empresa e das perspectivas macroeconômicas e do setor. Uma surpresa positiva pode levar a uma valorização das ações da companhia, enquanto uma surpresa negativa tende a pressionar os preços para baixo.

Apesar dos números acima do consenso, em termos absolutos eles seguiram a tendência de contração que já vinha apontando em meio ao cenário desafiador e diante de riscos de uma recessão global.

Consumo Discricionário e Energia foram destaques

Dentre os setores, o de Consumo Discricionário registrou a maior surpresa positiva, reportando lucros 9,3% acima do esperado e um crescimento de 24% em comparação ao 4º trimestre de 2021. Com o consumidor americano cada vez mais pressionado, as empresas ainda assim conseguiram superar as expectativas, puxadas pelos nichos de e-commerce e turismo. Na frente de e-commerce, a Amazon surpreendeu ao aumentar a eficiência de seus negócios através de cortes de custos e redução de mão de obra. Já na parte de turismo, vimos as companhias dos nichos mais afetados pela pandemia como Royal Caribbean, Hilton Worldwide e MGM registrando uma forte recuperação na demanda.

Olhando para o crescimento agregado dos lucros, o setor de Energia foi destaque mais uma vez, com um salto de 55% nos lucros na comparação anual. Na ponta oposta, os setores de Comunicação e Materiais foram os que mais sofreram na temporada, com contrações de -28% e -24%, respectivamente.

O pior já passou?

Continuamos esperando uma queda de lucratividade das empresas americanas, por conta de uma combinação de 3 fatores:

  • inflação pressionando as linhas de custos;
  • demanda mais fraca em meio a uma economia global em desaceleração;
  • a forte base de comparação do ano passado.

Notamos que a margem de lucro das empresas do S&P 500 já recuou das máximas, mas se encontra ainda próxima dos patamares elevados do pré-pandemia. Olhando para períodos recessivos anteriores, vemos que ainda tem espaço para contração de margens por parte das empresas.

Já no campo positivo, vemos as empresas também mais capitalizadas (e menos endividadas) do que em períodos recessivos anteriores, como ilustrado pelo múltiplo de Dívida Líquida/EBITDA. Sendo assim, um salto em insolvências ou inadimplências das companhias do S&P 500 parece um cenário menos provável na configuração atual vs. períodos recessivos anteriores.

Em linhas gerais, seguimos ainda bem cautelosos quando ao posicionamento em bolsa americana e achamos que o prêmio de risco do mercado acionário ainda não é condizente com as incertezas do cenário. Ou seja, ainda podemos ver impactos negativos nas empresas (e, consequentemente, nos preços das ações) devido a perspectivas piores.

Nossa visão vs. consenso

Vemos que os maiores consensos do mercado para compra estão entre os setores de Energia, Comunicação e Tecnologia. Em contraste, vemos o consenso mais negativo com os setores de Materiais (commodities, exceto petróleo), Indústria e Consumo Básico.

Na nossa visão, mesmo que alguns setores já tenham sofrido grandes correções, ainda é cedo para ficar otimista e aumentar exposição a setores mais cíclicos. Seguimos favorecendo setores mais defensivos como Consumo Básico, Utilidades Públicas e Saúde.

O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) manteve a Selic, taxa básica de juros do Brasil, em 13,75% ao ano em sua reunião de 22 de março.

Acreditamos que o Banco Central manterá a Selic em 13,75% ao ano até o final desse ano, mas deve continuar monitorando o cenário para uma reação mais rápida de política monetária, caso necessário.

Como se posicionar na Bolsa

Nossa visão para a bolsa brasileira também é a mesma: com riscos fiscais e políticos no radar, as perspectivas daqui pra frente seguem mais negativas, o que aponta para um posicionamento mais cauteloso quando o assunto é ações.

Como falamos no nosso panorama mensal de ações, as incertezas sobre a trajetória da política fiscal e riscos políticos continuam a trazer volatilidade para os mercados.

Esperando uma volatilidade maior, preferimos nos posicionar de forma mais defensiva. A aversão a risco dos investidores locais, motivada por uma visão mais cuidadosa para a nossa bolsa, segue deixando o Brasil para trás no rali dos ativos de risco. Uma mudança nas taxas de juros pode mudar essa dinâmica, principalmente caso tenhamos quedas nas taxas de mercado de longo prazo (que refletem a expectativa dos investidores).

Ações que pagam dividendos podem ser oportunidade

Um dos maiores interesses de investidores, além do ganho com a valorização de preços das ações, é a possibilidade de receber uma rentabilidade adicional na forma de dividendos. Essa rentabilidade adicional é contabilizada no que chamamos de retorno total, que junta a variação dos preços dos papéis com o valor pago em dividendos.

Analisamos os retornos totais das ações do Ibovespa desde 2002 para mapear possíveis diferenças nos retornos entre ações que pagam dividendos e as que não pagam.

Não só vimos que a diferença no desempenho dos dois grupos é significativa à primeira vista, como percebemos uma relação aparente entre o ciclo de alta da taxa Selic e qual dos dois grupos tem retornos maiores.

No geral, em ciclos de alta da Selic, existe uma tendência de que as ações pagadoras de dividendos passem a superar o desempenho do outro grupo. Esse comportamento fica mais evidente durante o último período de aperto na política monetária, entre 2013 e 2015, e vem se repetindo nos últimos anos — quando o Copom começou a elevar a taxa básica de juros novamente.

Essa leitura conversa com nossa preferência por ações mais defensivas dada a visão mais cautelosa para a Bolsa brasileira, com investidores avessos ao risco. Por outro lado, quando entrarmos em um ciclo de queda de juros, o desempenho entre pagadoras de dividendos e não pagadoras pode mudar.

Acreditamos que a Bolsa continua oferecendo boas oportunidades apesar do cenário mais volátil em 2023. Em particular, ações pagadoras de dividendos seguem sendo atrativas olhando para seus ganhos acumulados ao longo do tempo.

Como as pirâmides do Egito se assemelham às pirâmides financeiras? Os golpes financeiros são uma inspiração dos golpes das lutas?

Assim como um lutador de boxe se prepara para enfrentar seu oponente no ringue, é importante que os investidores também se preparem para enfrentar os golpistas que estão à espreita no mundo dos investimentos.

Apenas um telefonema e as economias viraram pó.

O telefone de João toca, um grande amigo ligando. Ele estranha, há algum tempo não falava com o amigo. Do lado de lá da linha, cheio de entusiasmo, ele começa a contar uma história aparentemente maravilhosa: Um clube de investimentos onde ele havia entrado e que estava rendendo resultados espetaculares. “Mas retorna quanto?”, João retruca. “Ao menos 10% ao mês!”, o amigo efusivo grita.

João sempre foi desconfiado, mas o amigo tinha credibilidade, são mais de 20 anos de amizade. Mesmo que os 10% ao mês a princípio parecessem muito, João havia ficado sabendo de um primo que investiu em bitcoin e que havia dobrado o seu dinheiro em algumas semanas. Então, impossível isso não parecia ser.

Pois o amigo, muito persuasivo, convenceu João a entrar no “clube”. João acabou investindo TODO o dinheiro que havia guardado: R$ 10 mil. Não é necessário dizer que o amigo de João, sabendo disso ou não, o colocou em um esquema de pirâmide financeira.

Só bastava uma calculador para salvar o patrimônio de João. Se logo antes de entrar ele tivesse feito conta, provavelmente teria saído ileso – no caso, nem entrado. Afinal, o que é 10% ao mês? Com a conta feita, ele iria perceber que os seus R$ 10 mil virariam, se aplicados a uma taxa de 10% ao mês por 10 anos, algo próximo a 1 BILHÃO de reais! Para ser mais preciso, R$927.080.688,18.

Triste história, mas muito mais comum do que você possa pensar. A verdade é que grande parte das pessoas não olha para esse tipo de cálculo ou qualquer indicativo de promessas que parecem “boas demais para ser verdade”.

Em uma pesquisa recente feita pela CVM e pela Anbima, que funcionou como um esquema de pirâmide financeira falso, cerca de 885 mil pessoas foram “fisgadas” por promessas mirabolantes de rendimentos muito acima da realidade do mercado. 

O golpe vem sem avisar

Você já assistiu a uma luta de boxe? Sabe quando o boxeador aparentemente menos habilidoso surge do nada com um golpe e derruba o adversário em nocaute?

Em muitos aspectos, é mais ou menos assim que acontece: um dos lutadores tenta enganar o outro com truques e artimanhas para vencer a luta.

Porém, nos golpes financeiros o jogo é desleal. O golpista tenta enganar seus investidores com promessas falsas, informações enganosas e técnicas de persuasão para obter ganhos financeiros.

Assim como na luta de boxe, os golpes financeiros envolvem uma série de movimentos e estratégias que são projetados para enganar o investidor e levá-lo a acreditar que está investindo em um esquema legítimo. O golpista pode usar técnicas de vendas agressivas, táticas de pressão psicológica e promessas de altos retornos para convencer o investidor a investir seu dinheiro em seu esquema fraudulento.

Os golpes financeiros são frequentemente projetados para desmoronar em pouco tempo, deixando muitas pessoas com grandes perdas financeiras.

Mas, por que esses golpes se chamam pirâmides?

Do Egito a Wall Street

Pirâmides são estruturas que crescem de forma exponencial em direção ao topo. Mas há uma clássica diferença entre as egípcias – que foram construídas para durar séculos e projetadas para suportar o peso de enormes blocos de pedra – e as financeiras, que crescem rapidamente e são projetadas para desmoronar em pouco tempo.

Uma pirâmide financeira é um modelo comercial não sustentável. São esquemas que têm como principal objetivo a remuneração pela indicação de novos membros, por meio de uma taxa de entrada no negócio.

Assim como as pirâmides egípcias foram construídas por muitos trabalhadores, as pirâmides financeiras também dependem do trabalho de muitas pessoas para crescer.

Tanto as pirâmides financeiras quanto as pirâmides egípcias dependem da entrada constante de recursos. Nas egípcias, era necessário obter mais pedras para continuar a construção da pirâmide. Já as pirâmides financeiras dependem da entrada constante de novos investidores para pagar os “lucros” dos investidores antigos.

Mas a pirâmide financeira é projetada para desmoronar. E ela começa a ruir quando acontece ao menos uma das situações abaixo:

  • Um número maior de participantes que estão mais perto do topo da pirâmide tenta resgatar o dinheiro;
  • O fluxo de novos entrantes começa a diminuir, fazendo com que o volume de dinheiro disponível não seja suficiente para pagar todo mundo que tenta sacar.

Mas então, como lutar? 

Assim como um lutador de boxe se prepara para enfrentar seu oponente no ringue, é importante que os investidores também se preparem para enfrentar os golpistas que estão à espreita no mundo dos investimentos.

Para não cair em golpes e pirâmides financeiras, é necessário estar sempre atento e preparado para identificar as técnicas e estratégias utilizadas pelos golpistas.

Seguem algumas dicas de como se esquivar de golpes e fugir de pirâmides:

  • Estude os investimentos que você está interessado(a), conhecendo as empresas e os negócios que estão por trás delas. Se prepare para reagir rapidamente aos sinais de alerta.
  • Investimentos legítimos têm retornos realistas e sustentáveis e os ganhos financeiros devem ser obtidos a longo prazo, com base em um plano de investimento sólido e bem fundamentado.
  • Os golpistas usam a criação de um senso de urgência, dizendo que a oportunidade de investimento é por pouco tempo, que há apenas um número limitado de vagas disponíveis ou que o preço das ações está prestes a subir drasticamente. Sempre evite tomar decisões sob pressão e urgência e busque investir com base em informações precisas e confiáveis.
  • Para isso, pesquise intensivamente. Os golpistas também criam uma atmosfera de confiança e credibilidade, usando celebridades ou personalidades famosas para endossar seu produto ou serviço, ou fornecer informações falsas e enganosas para criar a aparência de sucesso e credibilidade.
  • Não aceite a primeira informação que receber. Confirme as fontes, o histórico e demais informações. Uma regra clássica para qualquer investimento é verificar as informações e as fontes antes de tomar qualquer decisão.

Ah, e mesmo se você nunca tenha sofrido algum golpe ou tenha caído em uma pirâmide, sabemos que o cenário para a economia e o mercado financeiro globais tem sido marcado por forte volatilidade nos últimos meses, e que muitos desafios seguirão presentes em 2023.

Assim, para enfrentar com destreza (e sem falsas promessas) esse momento de incerteza, você precisa buscar estratégias capazes de apresentar – ao mesmo tempo – resiliência, consistência de retornos e volatilidade reduzida.

Com o intuito de auxiliar na construção de uma carteira que mais se aproxime desses objetivos, selecionamos 6 fundos de investimentos que possuem como característica principal a baixa volatilidade. Clique aqui e confira quais são eles.