Scott Galloway é uma figura controversa. Nesse texto aqui, o Stock Pickers conta que ele é avesso à máxima “siga a sua paixão” como conselho profissional. Aparentemente, em uma palestra no passado, ele avisou a uma plateia de estudantes que fazer o que se ama é receita para não amar mais nada pelo resto da vida — com outras palavras, é claro.

Segundo ele, que é empreendedor e um dos nomes mais bem quistos no Vale do Silício, além de autor de vários livros, a recomendação “siga sua paixão” é repetida à exaustão por pessoas ricas e que geralmente fizeram fortuna fazendo coisas sem nenhum glamour como metalurgia ou fundição. O segredo, defende ele, não está em paixão, mas sim em ser bom em algo e trabalhar com afinco e dedicação.

Faz sentido?

Essa não foi a única declaração de impacto que Galloway deu nos últimos tempos. O professor da Universidade de Nova York disse que o “segredo sujo” da Covid-19 é que as pessoas mais ricas estão vivendo seu melhor momento por conta da pandemia.

A lógica é a seguinte: com menos gastos e mais dinheiro na economia, graças aos estímulos de bancos centrais, essas pessoas podem investir mais. O Neofeed contou mais sobre isso.

Com esses dois exemplos de falas impactantes, inevitável pensar: o que será que Scott Galoway vai dizer na sua próxima oportunidade de polemizar?

Bom, você pode descobrir hoje mesmo. O professor, empreendedor e autor é um dos convidados do primeiro dia da Expert 2021 aberto ao público, às 13h. E quem vai entrevistá-lo e debater com ele são nossa Chefe de Economia, Rachel de Sá, o Estrategista Chefe da XP, Fernando Ferreira, e o CIO Global da XP Private, Artur Wichman. Um time de peso.

Para se inscrever (de graça), é só clicar aqui!

  • O “rolê alternas” do mercado de investimentos alternativos é muito curioso
  • A verdade é que esse mundo guarda diversas oportunidades “diferentonas” de investimentos
  • E já que é diferentão, também se parece pouco com o resto da sua carteira — mas tem um grau de risco mais elevado
  • Confira aqui mais sobre esse mundo dos investimentos alternativos!

“Mêo, esse rolê é mó alternas”, uma das frases que a galera que veste a camisa da Faria Lima fala quando sai da zona da bolha do condado. É a expressão que vem na minha cabeça quando eu penso no mercado dos investimentos alternativos.

Talvez nem todas as 13 pessoas que leem o Rico Matinal estejam familiarizados com esse mundo, aliás. É novidade para boa parte dos investidores(as) no Brasil. Hoje eu trago um conteúdo especial sobre essa indústria e como incluir na sua carteira.

A realidade é que esse grupo dos investimentos “alternas” pode ser formado por diversas classes de ativos, como por exemplo: empresas de capital fechado (private equity), dívidas de empresas em processo de recuperação judicial, criptoativos, e por ai vai.

São ativos que saem do comum ou mais tradicional (como as ações e fundos imobiliários negociados na bolsa, aquela boa e velha renda fixa, os fundos de investimento com estratégias historicamente estabelecidas). Então o alternativo é diferentão? Se fossemos resumir, essa seria uma conclusão mais justa, e é aqui que encontramos uma de suas principais vantagens.

Já que é diferente, também é pouco correlacionado com essa parte mais tradicional do mercado, onde provavelmente os(as) investidores(as) vão concentrar suas carteiras. Dentro do contexto da diversificação, isso se torna uma vantagem, já que é sempre bom seus investimentos caminharem em estradas distintas.

Porém, é claro, assim como é pro “Faria limer” que sai da bolha do Condado em São Paulo, esses investimentos possuem um grau de risco mais elevado e demandam um entendimento mais profundo. A realidade é que esse mercado é muito curioso e entrega possibilidades de retornos bem atraentes no longo prazo.

Com o intuito de entender isso melhor, a gente convidou nosso amigo Alexandre Cruz, sócio fundador da Jive Investments, uma gestora especializada em ativos “alternas”, para falar mais sobre esse mundo no Coffee & Stocks desta última terça-feira (20/08). Ele explicou melhor sobre esse mercado e contou histórias mais do que peculiares de casos de investimentos que já fizeram por lá, confere o resultado do papo aí:

  • Apesar de muito “vai e vem”, os principais fatores que afetam o câmbio seguiram e seguirão os mesmos: o que compramos e vendemos ao mundo, a diferença entre as taxas de juros no Brasil e no mundo, o “seguro Brasil” para investidores.
  • Mas nem sempre tudo corre conforme a teoria, e o dólar segue muito acima do que preveem os modelos.
  • Incertezas políticas e o famoso risco fiscal (ele, de novo) são o motivo por trás disso.
  • Para frente? Esperamos um arrefecimento do clima de Brasília, que leve a percepção de risco junto, e o real para cima. Mas o cenário de risco existe, podendo manter o dólar em patamares elevados.
  • O que fazer? Há oportunidades e proteção em momentos como esse, inclusive em ativos internacionais – uma parcela essencial para diversificar sua carteira diante de movimentos inesperados no câmbio, por exemplo.

Para os nossos queridos leitores assíduos, o tema desse artigo não é grande novidade: o câmbio. Afinal, já falei sobre o movimento do dólar pra vocês aqui há alguns meses, e também lá no ano passado – por aqui.

“Mas já faz muito tempo que você escreveu esses dois artigos, não vale mais nada”, você pode estar pensando. Na realidade, mais ou menos. É claro que muito aconteceu no Brasil e no mundo de lá para cá, especialmente desde novembro do ano passado. Isso fica claro no próprio movimento do real, como podemos ver no gráfico abaixo.

Mas os principais fatores que afetam o câmbio (ou seja, o valor do real em relação a outras moedas) invariavelmente seguiram e seguirão os mesmos.  

Por que (e como) o dólar varia?

Como assim os fatores que afetam o valor do dólar são os mesmos, ele valendo R$ 6,00 ou R$ 3,00? Isso ocorre porque o valor da nossa moeda se movimenta seguindo uma série de variáveis macroeconômicas, e é isso que fará a nossa moeda valer mais ou menos em relação a outras.

Esse movimento de sobe e desce no câmbio só é possível por vivermos em um regime de câmbio flutuante e de livre fluxo de capitais. Ou seja, o nosso câmbio aprecia e deprecia e o dinheiro é praticamente livre para entrar e sair do país. Do contrário, em um regime de câmbio fixo, o valor do real em relação ao dólar seria sempre o mesmo, mas acabaríamos tendo outros enormes desafios, como a necessidade de manter uma taxa de juros muito elevada.

Mas que variáveis são essas, que empurram o câmbio pra lá e pra cá? Como o valor de uma moeda em relação a outra é uma questão primordial de oferta e demanda (quanto mais dólares aqui dentro, menos reais precisaremos para comprar um dólar), o resultado das nossas contas externas (ou seja, nossas transações comerciais e financeiras com o mundo) é um dos principais fatores que explicam para qual direção se move o câmbio.

Quando vendemos mais (e/ou mais caro) ao mundo, o fluxo de moeda estrangeira que entra no país ajuda o nosso câmbio a valorizar. Assim, o preço do que vendemos comparado ao preço do que compramos também é uma variável bastante usada para projetar o valor do câmbio – são os termos de troca. Quanto melhor os termos de troca, mais apreciada a moeda.

Outro fator relevante para determinar o câmbio é a diferença entre os juros praticados no Brasil e aqueles observados no restante do mundo, especialmente nos EUA. O chamado “diferencial de juros” é importante, pois é uma comparação de quanto um investidor ganharia com juros por aqui e quanto ganharia em um país considerado menos arriscado, como os EUA ou outros desenvolvidos. Quanto maior a diferença (entre as taxas de juros), mais dinheiro atraído ao Brasil, e mais apreciado o câmbio.

Assim, colocando esses e alguns outros elementos, como a medida de risco país por meio do CDS (espécie de seguro contra a variação da moeda), em um modelo matemático, tentamos projetar para onde vai caminhar o real. Ou, olhando do outro lado, o dólar.

Brasília, de novo

Mas nem sempre tudo corre conforme a teoria. Com mais frequência do que desejamos, aqueles indicadores que são normalmente incluídos nos complexos modelos matemáticos indicam um valor diferente daquele observado na realidade. No caso atual, essa realidade é um valor bastante abaixo do que sinalizam as principais variáveis macroeconômicas. Em outras palavras, o dólar poderia (ou deveria, para alguns) estar mais baixo.

Assim, fica fácil concluir que há outras explicações para o real (ou o dólar, se preferir) estar onde está hoje. E, surpresa!, essas começam e terminam por aqui mesmo; mais especificamente, nos movimentos, ruídos e incertezas que partem de Brasília.  

Por quê? Porque, apesar de o câmbio ser uma variável macroeconômica, que em teoria se move de acordo com todos os fatores que descrevi logo acima, ele também é um instrumento financeiro. Portanto, ele é precificado assim como os outros ativos financeiros: de acordo com a percepção de risco (em ter aquele ativo) investidores. No caso, o risco de se comprar reais, ou mesmo outros ativos (como ações e títulos) que são precificados em reais.

E é aí que entram Brasília, os ruídos políticos e, em especial, o risco fiscal. Como contei pra vocês essa semana, o risco fiscal engloba todo o risco que agentes de mercado precificam para emprestar dinheiro ao Brasil. Seja por meio de títulos públicos, títulos privados, ações, ou voilá, nossa moeda.

E como também já contamos para vocês, por exemplo aqui, a percepção do risco fiscal em relação ao Brasil aumentou muito nos últimos meses. Por conta de uma série de fatores que sambam em torno de uma simples questão: gastar mais, com um orçamento apertado. Nisso, entram discussões sobre o parcelamento de dívidas judiciais (os famosos precatórios), potenciais flexibilizações na regra do teto de gastos, e a criação de um novo e maior programa de transferência de renda.

Assim, temos a tempestade formada: a elevada percepção de risco por parte de investidores procura onde se alocar, e encontra ninho confortável no câmbio. O valor do Real, então, sobe como consequência do aumento da percepção de risco sobre o Brasil e da efetiva compra de dólares e venda de reais no mercado.

Quanto maior a percepção de risco, mais baixo falam as questões estruturais, e mais longe ficamos do valor “modelado” de onde deveríamos ver o dólar.

E agora, o que esperar?

Diante de tudo isso, o que esperar para o dólar olhando pra frente? Bora quebrar o cofrinho e preparar as malas pra Disney pós pandemia, ou segurar as pontas e aguentar um real mais fraquinho por um tempo?

Infelizmente, como você deve ter percebido nessa longa história que contei aqui, projetar para onde vai o dólar é um trabalho bastante ingrato para nós, pobres economistas. Mas o que posso te contar é que esperamos que essa elevação de percepção de risco mais aguda perca força nos próximos meses, caso o desfecho das discussões em Brasília caminhe para a manutenção das nossas regras fiscais atuais. Ou seja, caso não seja decidido que haverá mais gastos para o ano eleitoral de qualquer maneira por meio de soluções mirabolantes, que levariam o teto de gastos “para o beleléu”.  

Deste modo, o real poderia seguir seu caminho de apreciação, levado pelos benditos fatores estruturais, chegando em R$ 4,90 até o final do ano.

Porém, um cenário de risco contrário também é possível, o que poderia elevar ainda mais a percepção de risco, carregando junto nossa moeda e a mantendo em patamares elevados como o atual.  

E essa seria a hora de jogar tudo pro alto, especialmente investimentos em real, ou esquecer ativos internacionais, com o dólar assim tão alto? Não, e também não. Porque, como sempre, o seu dinheiro pode sim encontrar oportunidades e proteção em momentos de estresse como esse, inclusive em ativos internacionais – uma parcela essencial para diversificar sua carteira diante de movimentos inesperados no câmbio, por exemplo. A gente conta tudo por aqui!

  • O Ibovespa desabou dos 130 para 117 mil pontos, chegando a bater em 115 mil
  • O cenário está estressado lá fora, com a variante Delta impactando as economias e os EUA falando sobre diminuição de estímulos
  • Mas a Bolsa no Brasil está especialmente volátil, graças a alguns riscos domésticos (a saber: fiscal e político)
  • Entenda como investir nesse cenário

Nos últimos (vários) dias, estamos falando sem parar sobre alguns assuntos negativos para os mercados. Dos 130 mil, o Ibovespa, nosso índice de referência, caiu para 115 mil pontos com um misto entre cautela global e esses riscos domésticos. Vimos um alívio no pregão de quinta-feira e voltamos aos 117 mil pontos antes do fechamento, mas a situação segue bastante incerta.

O que aconteceu nessas semanas?

No cenário internacional, a preocupações sobre o avanço da variante Delta em diversos países crescem conforme alguns dados e indicadores enfraquecem: confiança do consumidor, confiança de empresários e vendas de varejistas entre eles. No Afeganistão, a tomada de poder pelo Talibã cria um cenário de mudança na ordem global, como mencionamos neste outro texto. Além disso, o banco central americano volta a falar em diminuição nos estímulos, o que significa, em última instância, menos dinheiro para a bolsa, como comentamos neste resumo do dia.

E tem também a China. A segunda maior economia do mundo tem um objetivo muito forte de redução de gases do efeito estufa — e quer endereçar essa questão, entre outras atitudes, por meio de uma menor produção de aço, o que atingiu em cheio o preço do minério de ferro.

E o Brasil tem suas próprias preocupações. A bolsa brasileira, especificamente, vem sofrendo revés após revés com uma série de riscos domésticos, da situação fiscal (leia o nosso texto sobre precatórios e Bolsa Família) ao clima político (com desentendimentos entre o presidente e tribunais superiores), além de uma inflação persistentemente alta e impactada pelo clima desfavorável, sem chuvas. Os juros na renda fixa demonstram o nível de incerteza, com taxas acima dos níveis mais agudos da pandemia em 2020 — o Tesouro prefixado já paga mais de 10% a.a.

A pergunta mais frequente nestes cenários é: o que fazer com meus investimentos? É o que respondemos nos itens a seguir, seguindo a premissa mais importante para qualquer carteira de investimentos.

O que fazer na bolsa brasileira

Em momentos desafiadores para a macroeconomia, o melhor a se fazer é buscar empresas que dependem menos dos rumos do país. Aqui, falamos de companhias de alta qualidade, com grande potencial de crescimento pelos seus fundamentos e teses próprias.

Também é hora de ter mais atenção a empresas líderes de seus setores, que sejam “donas dos preços”: quem tem grande fatia do mercado e grande relevância em seu setor consegue repassar a inflação aos seus produtos e serviços, protegendo a margem de lucro.

Também é interessante manter na carteira nomes que sofrem menos em cenários de stress, como as da nossa seleção gratuita de ações com baixa volatilidade histórica.

No fim das contas, lembre-se: se você tem convicção na tese, a baixa é justamente o melhor momento para comprar!

O que fazer na renda fixa

Como mencionamos, os juros estão estressados no Brasil, o que se traduz em boas oportunidades na renda fixa. No ciclo atual, de aumento da taxa Selic, os pós-fixados trazem boas oportunidades com e sem liquidez diária. Os títulos indexados ao IPCA são excelentes para proteger da inflação pressionada. Por fim, pré-fixados de prazo mais curto ainda representam oportunidades, na nossa opinião, mas é importante lembrar que eles tendem a perder valor caso haja novas altas nas expectativas de mercado para os juros.

Há poucos dias, publicamos um Insight com diversas recomendações em renda fixa: todas ainda estão valendo! Acesse aqui.

O que fazer para se proteger do risco-país

Essa é provavelmente a parte mais importante desse Insight. Como sempre defendemos, a diversificação internacional é a melhor forma de se proteger de riscos domésticos, e momentos como o atual são grandes exemplos da sua importância.

Investimentos internacionais estão em praticamente todas as nossas carteiras recomendadas para agosto. Indicamos principalmente posições em empresas estrangeiras, por meio de fundos, ETFs e BDRs (este último nas Estrelas Globais).

Se os ativos em que você investe fora do país têm proteção contra as oscilações cambiais (o famoso “hedge”) comprar dólar em si (por meio do Trend Dólar, por exemplo) também pode ser um caminho: a moeda americana tende a se valorizar frente ao real em ocasiões turbulentas no Brasil. Confira os ativos recomendados para agosto nos perfis conservadoresmoderados agressivos.

*Por Sol Azcune, analista de política internacional da XP Inc.

No último fim de semana, o grupo fundamentalista Islâmico Talibã tomou poder no Afeganistão 20 anos depois de ser expulso por uma intervenção liderada pelos Estados Unidos. A crise amplia riscos geopolíticos e desgasta a liderança global dos Estados Unidos, assim acelerando um processo de reorganização das dinâmicas internacionais. 

Pela primeira vez desde novembro de 2001, as tropas do Talibã entraram em Cabul, iniciando uma onda de pânico no país e colocando a região em alerta. Em imagens e vídeos que repercutiram no mundo inteiro, foi capturada a tentativa de centenas de pessoas de fugir do país em aviões diplomáticos. O próprio presidente afegão, Ashaf Ghani, escapou e hoje se refugia nos Emirados Árabes com a família.

O Talibã começou a recuperar força com a retirada de forças americanas, um movimento acertado entre o grupo fundamentalista e os Estados Unidos durante o governo Trump em 2020 e implementado por Joe Biden. A decisão é fortemente criticada por todas as forças políticas americanas.

EUA, China, diplomacia e economia

Sob pressão, Biden fez um pronunciamento na segunda-feira (16) na qual defendeu a sua decisão, apesar de reconhecer que os eventos desenrolaram mais rápido do que esperado. “Os EUA não podem participar e morrer em uma guerra em que nem o próprio Afeganistão está disposto a lutar”, disse o presidente americano. Mesmo assim, os eventos devem se tornar uma mancha em sua trajetória política.

Para os Estados Unidos, a crise significa um revés relevante na sua estratégia diplomática, com o enfraquecimento de sua liderança. Os eventos geram desgaste da imagem internacional e levam a questionamentos sobre a sua capacidade de liderança internacional, abrindo espaço para que outros poderes, especialmente a China, assumam maior protagonismo.

Nessa linha, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Hua Chunying, disse nesta segunda-feira (16)  que a China respeitará as escolhas do povo afegão, sinalizando até que o país poderia reconhecer um possível governo do Talibã. A segunda maior economia do mundo não tem grandes interesses em ampliar sua influência no Afeganistão, mas deve procurar crescer seus investimentos em minerais na região.

Vale destacar que o Afeganistão não é um grande produtor de nenhum commodity atualmente — logo, os preços das commodities no mercado não devem ser afetados pelos eventos. No entanto, o país controla uma das reservas mais ricas do mundo de cobre ouro e lítio, minerais importantes para o desenvolvimento de energia limpa.

O próprio Afeganistão

Para a região, os desafios serão numerosos. Conforme destacado pelo primeiro ministro britânico, Boris Johnson, existe a possibilidade que a chegada do Talibã ao poder impulsione o extremismo no Oriente Médio e crie “solo fértil” para o terrorismo — algo que não gera preocupação apenas no país em si, mas cria também maior risco de desestabilização para países vizinhos.

Vale notar ainda que, conforme ilustrado pelas imagens e vídeos de aeroportos em dias recentes, se espera um grande fluxo de saída de afegãos do país nos dias e semanas por vir, o que deve também afetar principalmente países vizinhos, como Turquia, China, Paquistão e Irã.

O que esperar de um governo Talibã?

Ainda é cedo para fazer determinações sobre o caminho a ser tomado pelo novo governo afegão, assim como para entender todas ramificações dos eventos recentes para as dinâmicas internacionais.

De toda forma, o risco geopolítico gerado pela tomada de poder do grupo fundamentalista e o enfraquecimento da liderança americana em meio a uma disputa maior por poder entre os Estados Unidos e a China, amplia incertezas sobre dinâmicas globais. O movimento gera preocupação tanto no curto-prazo, principalmente somado à ameaça da variante Delta da Covid-19, assim como no longo-prazo.

  • Um terço do volume investido no Brasil no primeiro semestre foi para aquela aplicação que é famosa por nos fazer perder dinheiro
  • Por outro lado, a relação da nossa população com os investimentos parece estar melhorando, e estamos começando principalmente pela renda fixa
  • O lado bom é que a renda fixa está num momento muito vantajoso, com o ciclo de alta dos juros
  • Conheça nossas principais recomendações para começar a ganhar dinheiro com mais previsibilidade desde já!

Tenho uma boa e uma má notícia.

A boa é que a relação da nossa população com as finanças parece estar melhorando.

A má é que um terço do país ainda está aplicando dinheiro no produto errado.

É claro que eu estou falando da poupança. Segundo a Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), ao longo do primeiro semestre de 2021, a caderneta representou 36,9% de todo o volume financeiro investido no país. É muito, mas ao menos representa uma queda em relação aos 38,8% de dezembro de 2020.

Esses dados dizem respeito aos primeiros seis meses do ano, período em que a poupança rendeu 0,83%, e, ao mesmo tempo, a inflação (IPCA) cresceu 4,31%. Todo esse dinheiro da caderneta, portanto, está valendo 3,48% MENOS do que valia antes de ser aplicado.

É claro que estamos em um momento atípico, com a inflação pressionada por diversos motivos temporários, como um choque entre oferta e demanda causado pela pandemia e a falta de chuvas, que pressiona a conta de energia, por exemplo. Mas a realidade em que a poupança vencia da inflação ficou para trás no Brasil. Se você quer investir de forma inteligente, fazendo com que o rendimento do seu dinheiro supere o aumento dos preços na economia, é necessário rever sua carteira.

Os dados da Anbima já mostram um movimento nesse sentido. “Percebemos, contudo, que, à medida que a economia cresce e mais recursos são injetados, os clientes têm uma evolução de jornada, acumulando mais reservas técnicas e criando o espírito de busca de novos ativos, com mais apetite ao risco – por isso que tem aumentado o número de investidores e a participação nos fundos de investimento”, disse José Ramos Rocha, presidente do fórum de distribuição da Anbima, à imprensa quando esses dados foram divulgados.

O volume de investimentos cresceu em investimentos como fundos multimercados, ações, fundos de ações e fundos imobiliários, por exemplo. Mas os investimentos favoritos continuam sendo os de renda fixa: CDBs representam 17,2% do volume investido semestre passado, o segundo produto mais buscado depois da poupança, e fundos de renda fixa têm 13,3%, bem à frente da próxima colocada: a categoria de ações, com 8,1%.

Mas onde investir em renda fixa?

Pois bem, se é de renda fixa que os brasileiros querem, temos inúmeras alternativas de investimentos muito melhores do que a “danada” da poupança dando sopa por aí. Inclusive, com a alta de juros, mais aplicações se tornaram interessantes. E o momento de aumento do risco fiscal (que a Rachel explica o que é neste Insight) melhora a rentabilidade da maioria dos títulos de renda fixa (como eu expliquei neste outro).

Duvida? Hora de mostrar alguns deles para vocês.

1. Para a reserva de emergência

Aqui não tem muito jeito de garantir ganhos acima da inflação, mas os melhores destinos para a sua reserva de emergência rendem 100% do CDI (bem melhor que os 70% da caderneta).

Eles são o Tesouro Selic; o fundo Trend DI Simples ou CDBs de liquidez diária rendendo 100% do CDI.

Nos mesmos 6 meses que a poupança rendeu 0,83%, essas alternativas renderam 1,28%. Outra vantagem é a liquidez diária de verdade: enquanto a poupança só rende uma vez ao mês, esses investimentos rendem todos os dias — você não perde nada caso resgate antes da “data de aniversário”.

2. Para superar a inflação

Investimento com remuneração IPCA + taxa é uma invenção e tanto, principalmente para períodos como o atual, em que não há como saber exatamente até quando (e quanto) os preços ficarão pressionados.

Como acreditamos que o Banco Central vai conseguir trazer o IPCA para mais perto da meta a partir do ano que vem, não recomendamos títulos com vencimento tão distante nesse momento, mas eles também funcionam como forma de preservar seu patrimônio de maneira conservadora no longo prazo. Algumas das nossas principais recomendações:

  • Tesouro IPCA+ 2026
  • Fundo XP Debêntures Incentivadas FIC FIM CP (um fundo que investe em debêntures isentas de imposto de renda com prazo de vencimento curto)
  • CDB Original – 3 anos
  • CDB Agibank – 4 anos

3. Para aproveitar o ciclo de alta dos juros

A Selic está em 5,25% ao ano, mas nosso time de economia calcula que a taxa básica de juros deve subir mais um ponto percentual na próxima reunião do Copom e passar por outras duas altas de 0,5 ponto percentual este ano, fechando 2021 em 7,25% a.a.

Com isso, a renda fixa pós-fixada se beneficia, já que ela rende um percentual da Selic ou do CDI (uma taxa interbancária que caminha muito próxima à Selic).

Nossas principais recomendações nessa categoria são

  • Tesouro Selic 2024 (para curtíssimo prazo)
  • CDB Facta – 1 ano (138% CDI)
  • Fundo Selection FIC RF CP LP (um fundo que investe em outros fundos de crédito privado, com risco baixo)
  • Fundo SPX Seahawk Advisory FIC RF CP LP (um fundo que investe em títulos de crédito privado pós-fixados de longo prazo)
  • Fundo XP Corporate Top FIRF CP LP (um fundo que investe em títulos de crédito privado pós-fixados com baixo risco)
  • Fundo Augme 45 Advisory FIC RF CP (que investe em ativos de renda fixa com baixo risco de crédito)

4. Para saber exatamente quanto vai receber

Os investimentos prefixados são mais indicados em períodos que antecedem um ciclo de queda da taxa de juros — não é o caso agora. Mesmo assim, podem funcionar para quem tem um objetivo e sabe exatamente o quanto quer sacar no momento do vencimento, ou para quando acreditamos que a curva de juros (a expectativa do mercado para os juros nos próximos anos) está precificando juros exageradamente altos.

Nossas indicações nessa categoria são:

  • Tesouro Prefixado 2024
  • CDB Banco Original 4 anos

Não negligencie a diversificação!

E lembre-se: nada disso deve ser lido como um passe para deixar de diversificar a sua carteira. A renda fixa é um ótimo complemento para um “prato colorido” entre os seus investimentos, mas a melhor maneira de fazer seu dinheiro trabalhar para você é descobrir o seu perfil e alocar seus investimentos de acordo com a sua tolerância ao risco. Conheça nossas recomendações atuais para os perfis conservadoresmoderados agressivos.

por Zé Rico, analista técnico da Rico

  • Depois de um estudo da FGV, muita gente se pergunta se day trade é uma furada
  • Na verdade, temos que olhar esse tipo de operação como um esporte de alta performance: altos riscos, possibilidade de altos retornos e poucos de fato tem sucesso
  • Fazendo a gestão do risco das operações e com preparo técnico e emocional, dá pra ter bons resultados
  • Explicamos mais sobre o que esperar do day trade

Muito tem se falado dos riscos das operações de day trade, chegando a ser divulgado um estudo realizado pela FGV apontando que apenas 3% das pessoas que se aventuram nesse mercado ganham dinheiro.

Afinal, o que são as operações de day trade? Esse estudo realmente representa a realidade? Se sim, esse dado estatístico é o suficiente para desabonar a operações de day trade?

Nesse texto vamos buscar responder a esses questionamentos e apresentar uma nova análise sobre o tema, incentivando que o leitor observe esse universo com pensamento crítico.

Primeiramente, day trade são operações realizadas na Bolsa de Valores que são determinadas pelo tempo da operação, ou seja, são operações com início e encerramento dentro do período do pregão de determinado ativo, por isso, dentro um dia.

Assim, o day trade é caracterizado por operações rápidas, podendo ser de segundos ou até de horas, porém jamais passando de um dia de operação.

No começo de 2020 foi publicado um estudo da FGV sobre o mercado de day trade, mostrando que apenas 3% das pessoas que operaram nessa modalidade entre os anos 2012 e 2017 foram vitoriosos ou obtiveram algum lucro.

No entanto, o fato de saber que apenas 3% ganham dinheiro com o day trade é suficiente para desabonar esse tipo de investimento?

Alta performance

Conforme a pesquisa analisou, os anos foram entre 2012 e 2017, ou seja, a atividade era extremamente recente no Brasil, e por isso faltavam informações e conhecimentos sobre tais operações.

Ainda, como dizem por aí, o day trade é a “Fórmula 1” das modalidades de especulação na Bolsa, ou  seja, é uma atividade de alta performance, devido à necessidade de se acertar em um curto espaço de tempo a direção do mercado, estando muito mais sujeito à aleatoriedade do mercado.

Por outro lado, em sua maioria, a modalidade de day trade é desenvolvida em mercados de grande alavancagem como mini índice e mini dólar que, além da capacidade de gerar ganhos rápidos, possuem alto potencial de lucro.

Sendo assim, fazendo uma análise comparativa, grande parte das profissões de alta performance que envolvem riscos altos de fracasso e, consequentemente, possibilidades de altos retornos, possuem algo em comum: a ínfima porcentagem de sucesso entre aqueles que enfrentam tais desafios.

Segundo informações do site Futdados, o número de jogadores de futebol nos Estados Unidos que chegam a jogar na National Collegiate Athletic Association (NCAA) e se tornam profissionais é de 1,4%.

Já na Europa, segundo dados da  Business Insider UK, menos de 1% de jogadores que ingressam em escolas de futebol chegam a se tornar profissionais.

Por aqui, de acordo com a CBF, do total de jogadores profissionais (que já são uma minoria): 82,40% recebem salários de até R$ 1 mil reais; 13, 68% ganham entre R$ mil e R$ 5 mil; 1, 35% entre R$ 5mil e R$ 10 mil reais; e 1,77% entre R$ 10 mil e R$ 50 mil reais.

No mesmo passo podemos pensar em quantas pessoas conseguem se tornar pilotos de Fórmula 1, ou atletas olímpicos, entre outras profissões que exijam uma alto grau de comprometimento, disciplina e esforço.

Trazendo esses dados a você, minha intenção é deixar claro que qualquer atividade de alta performance envolverá uma quantidade mínima de pessoas que realmente obterão êxito, não podendo desabonar a atividade em si em razão do alto grau de fracasso.

Nessa mesma linha de raciocínio está o empreendedorismo no Brasil. Segundo levantamento realizado pelo SEBRAE (Serviço de Apoio Brasileiro às Micro e Pequenas Empresas), no ano de 2008, a taxa de mortalidade de empresas foi de 45,8%.

Apesar do número expressivo acima, não entendo que se deva considerar que empreender seria um erro, muito pelo contrário, apenas que somente os mais resilientes e com um alto grau de conhecimento sobre o assunto terão chance de sucesso.

Tanto é verdade que, após o ano de 2008, a taxa de sobrevivência das empresas no Brasil aumentou consideravelmente, devido a diversos fatores macroeconômicos, bem como ao maior acesso a informação e conhecimento.

Falando de day trade

Voltando para a modalidade do day trade, ressalto que, a meu ver, em nada se diferencia do contexto aqui traçado.

Realmente, se trata de uma modalidade de especulação extremamente arriscada, porém com possibilidade de grandes ganhos.

O fato de se tratar de uma modalidade relativamente nova no Brasil, aliado à falta de planejamento, conhecimento sobre a estrutura de cada ativo operado, gestão ou gerenciamento de risco, estatística e falta de controle emocional são aspectos que trazem a quase certeza do insucesso, assim como acontece na atividade empreendedora.

Mesmo com os riscos e chance mínima de sucesso, trata-se de uma modalidade extremamente atrativa, pois para o seu desenvolvimento o operador não dependerá de clientes, necessitará de uma estrutura simples, não precisará lidar com grandes passivos trabalhistas, terá sua liberdade geográfica e autonomia – características tão almejadas por muitos brasileiros.

Porém, foram justamente essas características que fizeram com que existissem hoje tantos traders mal sucedidos. Em busca desse “sonho”, muitos deixam de se preparar adequadamente e vão atrás de ganhos rápidos e milagrosos, querendo obter em um dia a rentabilidade de capital que não obtiveram em 10 anos em um investimento mais conservador.

Sendo assim, entende-se que o day trade é apenas mais uma ferramenta de rentabilização na Bolsa de Valores e, para se ter sucesso nessa modalidade, além de muito preparo técnico e emocional, deve-se tratá-la muito mais como um investimento do que como uma fonte de renda.

Deve-se evitar a tentativa de viver única e exclusivamente dessa modalidade, ou seja, ter o day trade como única fonte de renda, pois confiar a sua vida financeira em algo extremamente volátil representa um risco além do aceitável.

Quando se analisa a possibilidade de rentabilização do capital investido no day trade, logicamente impulsionado pela alavancagem, nota-se que não há qualquer outro tipo de investimento que se equipare a tal modalidade, que pode chegar a um percentual de mais de 100% de retorno do capital investido em um único dia.

O que muitas pessoas esquecem é que o inverso também é verdadeiro, ou seja, da mesma forma como pode-se buscar 100% de rentabilização em um único dia, também pode-se perder 100% do capital investido igualmente em um único dia.

Dessa forma, e respondendo diretamente ao questionamento levantado no título desse texto, a conclusão que trago a você, leitor, é de que o day trade não é uma furada.

Na verdade, é uma poderosa ferramenta de rentabilização do capital. Para isso, porém, deve ser usada com moderação, aliando-se conhecimento técnico e preparo psicológico e buscando-se uma rentabilização factível de investimento, sempre com foco no longo prazo.

  • Na época de escola ou faculdade, certamente você já frequentou o famoso “Xerox”
  • No mercado, uma novidade aparece com esse gostinho de tirar cópias: fundos internacionais que replicam carteiras do exterior para as BDRs negociadas no Brasil
  • O objetivo é trazer a gestão ativa de casas renomadas para o ambiente dos investidores em geral
  • Conheça 3 deles nesse Insight

Talvez as gerações futuras nem saibam o que é isso, mas aposto que parte das 13 pessoas que acompanham o Rico Matinal todos os dias já gastaram algum tempo no Xerox da escola ou da faculdade. No fim do semestre, então, era uma mistura de alegria por entregar o trabalho e dor por gastar tanto assim em folhas… Pelo menos era mais barato que comprar os livros inteiros.

Pois bem, no mercado financeiro também apareceu uma solução com gostinho de fotocópia. Mas não de trabalhos ou resumos para provas, mas sim copiar carteiras de fundos!

Nosso time já falou inúmeras vezes sobre investimentos internacionais e como acessá-los por aqui. O problema é que, das várias opções, uma das mais interessantes é travada para boa parte das pessoas: os fundos de investimento internacionais de gestão ativa.

Não, não é porque eles são veículos ruins, muito pelo contrário. A ideia de investir fora do Brasil por meio das mãos de um time de profissionais que fazem isso há anos é ótima. O problema aqui é a regulamentação: esses fundos são restritos para investidores qualificados, ou seja, pessoas com R$ 1 milhão ou mais em aplicações financeiras e que concordam com os termos de investimento qualificado, ou que possuam certificações específicas do mercado financeiro.

Isso limita a acessibilidade, já que não é a situação da maioria dos(as) brasileiros(as). E é aqui que entra a solução “alá Xerox”.

Os fundos de investimento em BDRs (Brazilian Depositary Receipts). Como assim? Bom, esses recibos que representam ativos no exterior (BDRs) foram liberados para investidores no geral e deixaram de carregar as restrições de investimento qualificado.

Então, por provocação da área de fundos da XP Inc., algumas gestoras gringas renomadas começaram a estudar a possibilidade de replicar estratégias antes realizadas apenas no exterior para o mercado de BDRs negociados na B3. São “fundos-espelho” que basicamente copiam carteiras de fundos dessas casas geridos lá fora para esses recibos negociados em terra verde e amarela.

Dessa forma, brasileiros(as) podem acessar gestão ativa em investimentos internacionais sem sofrer com a limitação da instrução de investimento qualificado. A Western Asset já fazia isso com seu fundo Western Asset BDR, o veículo internacional com o maior número de CPFs aqui no Brasil.

Nessa linha, nasce agora o Wellington US BDR, uma estratégia focada em grandes empresas americanas (large caps) e que tem como objetivo bater o S&P 500, principal índice de ações da terra do Tio Sam, no longo prazo. O fundo já está disponível para investimento na plataforma da Rico.

A gestora do banco de investimento Morgan Stanley também está preparando um fundo como esse (spoiler alert), mas com viés global para superar o MSCI ACWI, principal índice de ações globais, no longo prazo, que deve subir na plataforma na terça (17 de agosto).

Conversei com um dos responsáveis pela plataforma de fundos internacionais da XP Inc, Mateus Biazzi, para entendermos tudo sobre essas novidades e suas características! O papo aconteceu no Coffee & Stocks, do Stock Pickers, na última sexta-feira, e está disponível no player abaixo:

Esse é um tipo de cópia muito mais interessante que as do Xerox da escola ou da faculdade!

  • A renda fixa é uma forma de investir com maior previsibilidade de retornos
  • Mas isso não significa que não existem riscos associados a alguns tipos de títulos
  • Entenda a lógica entre os juros do Tesouro Direto e os preços dos títulos, que pode levar o seu patrimônio a perder valor temporariamente

A renda fixa é uma forma de investir com previsibilidade de retornos, em uma lógica de “emprestar” dinheiro e receber de volta, com juros, como explicamos neste outro texto.

Dentro dessa categoria mais previsível de investimentos, o Tesouro Direto, ferramenta do Tesouro Nacional criada para emprestarmos dinheiro para o governo Brasileiro, é considerado o mais seguro pelo risco de crédito (o risco de não receber o seu dinheiro de volta). Então, por que os títulos do Tesouro Direto em que investimos perdem valor em algumas janelas de tempo?

Essa é a pergunta mais comum que recebemos em períodos de incertezas macroeconômicas. Sim, porque a macroeconomia tem tudo a ver com o que vamos explicar agora.

A lógica dos juros

Se você leu nosso Insight que descomplica a renda fixa, sabe que pensar nesses investimentos tem tudo a ver com a possibilidade de tomar um calote. Se você for a pessoa mais bem de vida da sua turma de amigos, pode emprestar dinheiro para os demais, mas provavelmente vai ter mais desconfiança naqueles que demoram para devolver ou gastam de uma forma mais irresponsável, certo?

Você prefere emprestar para o seu primo que recebe um salário todos os meses e vai usar para trocar a geladeira (um item de primeira necessidade) ou para o vizinho, que largou o emprego e quer o dinheiro para curtir uma rave? Se emprestar para o vizinho, você vai cobrar mais ou menos juros?

É a mesma lógica para os títulos de renda fixa, inclusive o Tesouro Direto. Por vezes, os investidores enxergam os títulos públicos como o primo responsável. Em outros momentos, desconfiam que o governo terá dificuldade para pagar quando voltar da rave trançando as pernas (e essa desconfiança afeta todos os outros investimentos em renda fixa do país, mas isso é outro papo).

Um exemplo da vida real: entre o final de julho e meados de agosto de 2021, a discussão sobre o pagamento de precatórios (as dívidas judiciais da União), previsto em um valor muito mais alto que a média, somada à vontade do governo de ampliar o programa Bolsa Família. Basicamente, a previsão dos gastos do governo aumentou muito, em pouquíssimo tempo, e ficamos na dúvida sobre como o país conseguiria resolver esse pepino. Com isso, o valor dos títulos do tesouro desabou.

Foi como se, de repente, o vizinho que usou seu dinheiro para ir à rave descobrisse que a geladeira também quebrou. Você já ia ficar com medo de ele pedir mais dinheiro seu e, principalmente, de ele ter muito mais dificuldade para pagar. No caso do Brasil, isso é o famoso risco fiscal:

Tá, e por que o valor do meu título caiu?

Agora vamos ao que mais interessa: como esse movimento afeta o investimento que você já realizou e, principalmente, por que você não precisa se preocupar com isso.

Os títulos do Tesouro são emitidos com um valor pré-definido para a data de vencimento. Uma unidade do Tesouro Prefixado 2026 (o mencionado no gráfico acima) vale exatamente R$ 1.000 na data em que ele “expira”, em 2026.

Isso significa que a pessoa que comprou um título vai receber de volta exatamente mil reais nessa data (é possível comprar frações do título também, então, se você comprou metade de um título, vai receber R$ 500, por exemplo, e assim sucessivamente).

Agora, suponha que você comprou o título hoje por R$ 950 e que ele vence daqui um ano. Para valer R$ 1.000 em 12 meses, o título precisa remunerar a uma taxa de 5,26% a.a.

Só que, no dia seguinte, “a geladeira do governo quebrou”: os riscos fiscais aumentaram, e o mercado passou a acreditar menos na capacidade de o Tesouro pagar a dívida sem precisar emitir mais moeda. A taxa, então, sobe muito, para 8% a.a.

Para continuar valendo R$ 1.000 em 12 meses, esse título, que agora paga 8% a.a., precisa valer muito menos. Ele passa a custar R$ 925.

É por isso que, no mesmo período que a taxa do Tesouro Prefixado 2026 subiu (como vimos acima), o seu preço no mercado fez isso aqui:

O nome disso é “marcação a mercado”. É o ato de colocar um preço naquele título para o caso de você querer vendê-lo hoje. É como se você tivesse um imóvel e pudesse ver todos os dias o valor de venda dele no mercado — ele com certeza oscilaria.

De todos os títulos do Tesouro, o Tesouro Selic é o que menos sofre esse efeito (praticamente não sofre, aliás), por isso, ele é o mais indicado para investimentos de curtíssimo prazo e para a sua reserva de emergência.

E por que não se preocupar com isso?

Assim como no caso do imóvel, se você não tem intenção de vender os seus títulos do Tesouro hoje, não precisa se preocupar com o valor de mercado atual dele.

Como falamos alguns parágrafos acima, o valor do seu título do Tesouro na data de vencimento já está definido no dia em que você faz a compra. Se você não vender antes, vai receber exatamente a rentabilidade que contratou. No caso do nosso exemplo fictício, o seu lucro de R$ 50, ou 5,26% a.a., estaria garantido.

Aliás, o contrário também é verdadeiro!

Caso a taxa do Tesouro caia muito, o seu título vai se valorizar no mercado. Nesse cenário, pode ser vantajoso vender antes, porque você teria mais rentabilidade em menos tempo!

No nosso exemplo, se o título que você comprou por R$ 950 valorizasse para R$ 990 um ano antes do vencimento, poderia fazer sentido vender e aplicar em outros investimentos mais vantajosos (já que no Tesouro você só vai receber mais R$ 10 ao longo desse ano).

Não leu tudo?

Também explicamos essa dinâmica no vídeo abaixo!

  • Todo mês a plataforma da Rico se atualiza e traz novas oportunidades de investimento para seus clientes
  • Nesse último mês, os fundos temáticos (que são como feijões mágicos do Harry Potter) foram os protagonistas
  • Além deles, fundos de gestão ativa internacionais e locais também pintaram na telinha da Rico
  • Leia para saber mais sobre as novidades!

Nessa “potterheads” — ou mesmo quem nunca assistiu (ou leu) Harry Potter — vão pirar. As 13 pessoas que leem assiduamente o Rico Matinal sabem que eu, Betina, Paula, Júlia e Rachel nos esforçamos sempre para descomplicar as questões mais complexas do mercado. Pois bem. A questão é que o assunto do insight de hoje se parece muito com as caixinhas de feijõezinhos de todos os sabores do Harry Potter.

Para você que não tem familiaridade: era uma guloseima famosa entre os bruxos e bruxas, uma caixa repleta de feijões de sabores sortidos, que poderiam variar desde uma fruta docinha até sabores nada agradáveis como vômito ou cera de ouvido (desculpa por essa logo de manhã)…

Essa caixinha maluca me remete na hora a investimentos temáticos. Já falamos deles algumas vezes por aqui: são mercados muito diferentes uns dos outros, muitas vezes com aquele gostinho de investimentos alternativos, mas que em não muito tempo podem se tornar assuntos muito em voga e gerar bons retornos para aqueles(as) que investiram no passado.

Embalados nos “temáticos” (sem o gosto de cera) que venho falar sobre as principais novidades do último mês na plataforma da Rico. Ah, e se teve um tema que foi muito falado do ano passado pra cá: Biotecnologia.

Os avanços na corrida para o desenvolvimento das iniciativas vacinais e demais drogas para combate da Covid-19 geraram muitos retornos para as farmacêuticas e companhias de biotecnologia que obtiveram êxito no desenvolvimento das soluções. Depois dessa pandemia, com certeza a preocupação sanitária seguirá em pauta e no radar de muitos participantes do mercado, até por conta de outras tecnologias em desenvolvimento, que não têm nada a ver com coronavírus.

O fundo Trend Biotecnologia FIM vem para dar acesso a esse mercado, que ainda não possui muitos participantes brasileiros de capital aberto, mas que fora daqui já é vastamente conhecido. Ele compra um dos principais índices de empresas que atuam nesse setor! A nossa querida Paula Zogbuy falou no detalhe nesse insight.

Além da Biotecnologia, tecnologia para água? Sim. Mais um tema que com toda certeza se tornará cada vez mais relevante: o uso, tratamento, distribuição… Enfim, a eficiência na utilização do principal patrimônio natural do mundo: a água.

O fundo Trend ÁguaTech dá acesso a um dos principais índices de ações de companhias que atuam com foco na geração de tecnologias e soluções para melhor utilização da água, em diversos pontos de vista. Convidamos a Beatriz Vergueiro, Head de produtos ESG da XP Inc, para falar mais sobre o tema neste texto.

E como todo o resto da família Trend, esses fundos possuem aplicação mínima acessível de 100 reais.

As novidades não param por aqui! Ainda tivemos esses nomes pintando na sua tela da Rico:

  • Chilton US Long & Short (multimercado americano)
  • Claritas FIRF (renda fixa brasileira)
  • BlackRock ESG Multi-Asset (multimercado ESG global)
  • Sul América Crédito ESG FIRF (renda fixa ESG brasileira)
  • Aviva Inv. Global Credit ESG (renda fixa ESG internacional)
  • Bridgewater All Weather Sustainability (multimercado ESG internacional)

Que outras surpresas essa caixinha de feijões mágicos vai nos trazer? Só o que posso adiantar é que a agenda de novidades está bem ousada e traremos muitas oportunidades novas ainda por aqui.

Para conferir, acesse sua conta na Rico.

Você quer saber mais sobre algum dos outros novos fundos que chegaram por aqui? Responda o e-mail do Rico Matinal com seu pedido!