*por Pedro Simonetti, sócio da Giant Steps

No segundo artigo da parceria entre a Rico e a Giant Steps, vamos analisar um mantra clássico do mercado de fundos:  “É necessário avaliar a performance do fundo no longo prazo”.

Certo, mas isso é sempre verdade? E se for, após quanto tempo o prazo se torna longo?

Boa Leitura!

Se você já investiu (ou considerou investir) em um fundo de renda variável como multimercado, ações etc, com certeza já ouviu a seguinte frase: “é necessário avaliar a performance do fundo no longo prazo”.

Mesmo que essa frase já tenha se tornado senso comum, resta a dúvida: isso é “papo de vendedor” ou o longo prazo realmente descreve melhor a capacidade do gestor de entregar resultado?
           
E, ainda, o que é longo prazo? 6 meses? 1 ano? 2 anos? Uma década?

Neste artigo tentaremos responder às seguintes perguntas usando os números de alguns dos principais fundos da indústria brasileira:

  1. O investidor realmente se beneficia em manter sua posição por um período mais longo?
  2. Se sim, quanto tempo é necessário para que o timing do investimento e o ruído do mercado deixem de ser relevantes para se analisar o resultado?

Metodologia

Para obtermos uma amostra representativa da indústria de fundos multimercado brasileiros, utilizamos a carteira do segundo trimestre de 2021 do Índice de Hedge Funds da Anbima – IHFA.

O IHFA é uma carteira teórica composta pelos maiores fundos multimercado da indústria brasileira, re-balanceada trimestralmente.

A carteira selecionada é composta por 244 fundos. Para esse estudo, dada a necessidade de testarmos o efeito de históricos longos, utilizamos apenas os fundos abertos há 9 anos ou mais. Após esse filtro a amostra ficou com 44 fundos. Essa amostra chamaremos de amostra total.

Aplicamos uma metodologia de médias móveis para calcular a probabilidade que um investidor teria de obter um resultado maior que o CDI caso investisse nestes fundos em algum momento dos 9 anos.

Para visualizar o efeito da duração do investimento, variamos (no eixo horizontal) o período que o investidor fictício deixou seu dinheiro no fundo – de 10, 20, 30, 40… até 1600 dias úteis.

A ideia era encontrar evidências de que ao aumentar o número de dias que o investidor fica no fundo, aumentam-se as chances de obter resultados acima do CDI (não importando a data de entrada).

Longo prazo: balela ou benefício?

Abaixo estão os resultados encontrados.

  • Eixo vertical: probabilidade de o investimento estar acima do CDI.
  • Eixo horizontal: tempo (em dias) que o investidor segura a alocação no fundo.

*cada linha representa o percentual de janelas móveis acima do CDI de cada um dos 44 fundos da amostra da análise.

À primeira vista, não encontramos nenhum padrão significativo, o que poderia indicar que não há relação entre a duração de um investimento e o resultado obtido. Essa seria uma conclusão bastante contraintuitiva, que invalidaria a máxima citada no início do artigo de que um investimento deve ser analisado a longo prazo.

Entretanto, uma análise mais cuidadosa torna evidente um outro fator: existem diferenças gritantes de resultado nos fundos dessa amostra, por isso é difícil identificar um padrão claro no gráfico acima. Em outras palavras, estão na mesma amostra fundos que performaram bem e fundos que performaram mal.

No gráfico abaixo separamos apenas os 5 melhores e os 5 piores fundos da amostra. Foram considerados da categoria “melhores”, os 5 fundos que atingiram mais rapidamente o resultado de 100% das janelas acima do CDI. Chamaremos este grupo de TOP 5. Foram considerados “piores” os fundos que chegaram ao pior percentual de janelas acima do CDI ao final da análise.

Nesta segunda análise, fica clara a diferença no padrão de comportamento entre os melhores e piores fundos da amostra.

*cada linha representa o percentual de janelas móveis acima do CDI de cada um dos 10 fundos da amostra da análise.

No caso dos piores, quanto maior o período investido, maior a chance de se obter um resultado abaixo do CDI. Em outras palavras, insistir em um fundo desse grupo apenas piora as chances de um investidor de obter resultados satisfatórios, o que, após breve reflexão, é uma conclusão bastante óbvia. Nesse caso, o argumento do longo prazo não só é inválido, como também prejudica o investidor.

Por outro lado, para o TOP 5, a análise confirma a tese mais intuitiva apresentada no início do artigo. Em todos os casos há um aumento da probabilidade de se ganhar dinheiro com o fundo à medida que a janela de investimento cresce.

É interessante notar também que, para janelas muito pequenas, a probabilidade de se ganhar dinheiro – analisando qualquer fundo da amostra total – é pouco maior do que 50% (quase como jogar uma moeda para cima). Isto se dá pelo fato de que, para janelas pequenas, o timing do investimento e os ruídos do mercado influenciam demais na performance, atribuindo um caráter praticamente aleatório ao resultado final. Conforme a janela aumenta, a capacidade do gestor ganha relevância, minimizando os impactos de fatores randômicos no resultado.

O que podemos concluir com isso tudo?

Para bons fundos, confirmando o “senso comum” do mercado, temos fortes evidências de que o longo prazo beneficia significativamente os resultados obtidos pelo investidor. É importante notar que, neste estudo, não estamos levando em consideração os benefícios adicionais do longo prazo, como a redução tributária, por exemplo.

Para fundos que performam mal, surpreendentemente, o oposto se torna verdade. Quanto maior for a janela de investimento em um fundo underperformer, piores as chances de se obter resultados acima do CDI. O longo prazo, nesse caso, prejudica o investidor.

Quão longo é o longo prazo?

Estabelecemos que investimentos mais longos aumentam as chances de um investidor ganhar dinheiro em um bom fundo. Resta a definição: quanto tempo configura uma janela razoável de investimento para potencializar os bons resultados?

Para responder essa pergunta, filtramos da amostra total apenas os fundos que atingiram 100% de probabilidade para resultados acima do CDI, em algum momento. Nesta nova amostra, qualificam-se 19 fundos. Chamaremos esta amostra de TOP 19.

Dentro dessa nova amostra, nota-se novamente uma grande diferença entre os fundos. Enquanto alguns levam pouco tempo para atingir o patamar de 100% de probabilidade, alguns levam muitos anos.

Para efeito de comparação, fizemos a média do TOP 19 (azul escuro) e comparamos com a média do TOP 5 (verde).

Ao observarmos a média do TOP 19, janelas de 1 ano entregam uma probabilidade de 70% de se atingir um resultado acima do CDI. Janelas de 2 anos aumentam essa probabilidade para quase 78%, janelas de 3 anos para 86%, janelas de 4 anos para 93%, janelas de 5 anos para 98% e janelas de 6 anos para 100%

Analisando a média do TOP 5, janelas de 1 ano entregam probabilidade de 80%, janelas de 2 anos de 88% e janelas de 3 anos ou mais de 100%.

Esse estudo procura deixar claro que janelas de tempo maiores melhoram as probabilidades do investidor de obter bons resultados. Para fins práticos, é razoável (e significativamente benéfico) para um investidor estipular um horizonte mínimo de 2 a 3 anos para aplicações em fundos – isto é, desde que o trabalho de escolha do fundo/gestora tenha sido bem feito.

Resultados mais ambiciosos

No caso de fundos multimercado, resultados acima do CDI não são o bastante, em boa parte das vezes, para atender às expectativas dos cotistas. Isso é natural, uma vez que os investidores aceitam volatilidades maiores pela perspectiva de obter excesso de resultado contra o CDI.

Isto posto, nos indagamos: as análises feitas até agora neste artigo seriam capazes de demonstrar os mesmos efeitos do longo prazo para targets de retorno maiores?

Uma vez que a metodologia deste artigo não faz distinção entre meta de retorno e risco, não é justo comparar, por exemplo, um fundo com meta de retorno de CDI+2% com vol. 3% e outro com meta CDI+5% e vol. 8%.

Por essa razão, replicamos essa metodologia para um único fundo, o Zarathustra, que é um dos fundos da amostra total e possui um target de retorno compatível com o estudo. No gráfico a seguir, os eixos vertical e horizontal continuam representando, respectivamente, a probabilidade do investimento estar acima do CDI e o tempo (em dias) que o investidor segura a alocação no fundo. As três linhas nos ajudam a visualizar as performances acima de 100%, acima de 150% e acima de 200% do CDI.

Nesta nova análise, podemos perceber que o “efeito longo prazo” persiste, mesmo para objetivos de retorno maiores.

Vale ressaltar, no entanto, que os dados indicam que, quanto maior a meta de retorno do fundo, maior tende a ser o período mínimo necessário que o investidor deve manter a posição para conseguir maximizar a probabilidade de atingir seu target.

Conclusão

O argumento de que um investidor deve analisar uma aplicação no longo prazo, em detrimento de horizontes mais curtos, realmente faz sentido. Esse argumento, no entanto, deve sempre vir acompanhado de um asterisco: antes de definir a sua janela de investimento, esteja seguro de que você escolheu um bom fundo.

Considerando bons fundos, temos evidências suficientes de que, quanto maior for o horizonte do investimento, melhor representada no resultado estará a capacidade de geração de alpha do gestor – e menor a influência dos ruídos.

Tais conclusões se mantêm verdadeiras independente do target de retorno esperado.

  • A inflação acumulada alcançou quase 9% em julho, puxada por todos os cantos.
  • Bens industriais com falta de insumos como chips para carros; falta de chuvas e excesso de frio; além da parte boa, mas que também pressiona os preços, que é a retomada da economia.
  • Mas sem motivo para desespero! Vários desses fatores devem enfraquecer e não podemos esquecer dos juros em alta.
  • O tom duro com a inflação reforçado hoje pelo Banco Central indica que devemos voltar a ter juros reais (valor da Selic menos a inflação) no ano que vem.

O IPCA, nosso principal índice de inflação ao consumidor do país, registrou alta de 0,96% em julho, levando o acumulado em doze meses (medida normalmente referida no dia a dia dos consumidores) para 8,99%, uma aceleração da taxa de 8,35% registrada em junho, mas bastante em linha com o esperado pelo mercado.

O resultado seguiu refletindo a dinâmica dos últimos meses. Bens industriais ainda em alta, puxados por desequilíbrios na cadeia de produção no Brasil e no mundo (como visto na falta de chips para automóveis), por commodities minerais ainda pressionadas, além da alta da energia e da própria retomada econômica.

Enquanto isso, alimentos (apesar de terem vindo um pouco abaixo do esperado no mês) e energia elétrica aceleram por questões climáticas, e a volta mais forte dos serviços com a reabertura econômica alavanca a retomada de margem. Ou seja, aqueles que ficaram muito tempo fechados e/ou sem reajustes, entendem que agora já conseguem também retomar o equilíbrio de seus custos (ou ao menos parte dele).

Para o dia a dia do brasileiro e do investidor, a inflação de quase 9% assusta, especialmente por ser sentida em atividades cotidianas como uma ida ao mercado ou em investimentos que hoje perdem da inflação (como a poupança ou o próprio Tesouro Selic hoje).

Apesar do contexto desafiador e de provavelmente encerramos o ano com o IPCA bem acima da meta do Banco Central (de 3,75%), a tendência é que a inflação perca força ao longo dos próximos meses, e especialmente durante o ano que vem. A queda deverá vir tanto de movimentos climáticos e globais (volta ao normal da produção global e chuvas/clima mais ameno no Brasil), quanto da política monetária mais restritiva – ou seja, o aumento dos juros por parte do Banco Central.

A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária, divulgada também nessa manhã corrida para os economistas, reforça essa visão. Para os diretores do Banco Central, o objetivo de trazer a inflação de volta para a meta (de 3,5%) será perseguido com todas as ferramentas necessárias.

Em outras palavras, a taxa Selic será elevada para até o nível que for preciso para que a inflação retome à meta, podendo até superar os 7,25%, que projetamos para o fim do ano. Isso significa que provavelmente voltaremos a ter juros reais positivos no ano que vem, ou seja, os juros básicos (valor nominal que vemos na taxa Selic) voltando a rodar acima da inflação.

(por Zé Rico, analista técnico da Rico)

Na terça passada, foi realizada uma análise conjunta da formação da figura gráfica: topo duplo, com a técnica de trading location, conforme se observa da figura abaixo:

Hoje, estudaremos a junção da análise de fluxo em relação à mesma figura gráfica aqui citada e trading location.

Nota-se que, para se deslocar o preço de um determinado ativo, os players devem consumir liquidez ou gastarem lotes, através da agressão ou ordens a mercado.

Nesse sentido, caso os players que estiverem atuando a favor do movimento prévio não conseguirem romper o último topo formado, seja em razão de uma exaustão (falta de interesse) ou absorção (ordens passivas impedindo o deslocamento do preço), tais players tenderam, muitas vezes, a realizar parte do lucro ou simplesmente deixar para fazer nova defesa em um próximo ponto de interesse.

Dessa situação, resulta no retorno do preço ao próximo ponto de suporte dinâmico, conforme citado anteriormente, local em que, caso não seja defendido ou retorne o interesse dos big players, após o rompimento desse suporte, poderá coincidir com o stop loss de players menores que acreditaram no rompimento frustrado, bem como, na continuidade da pressão dos institucionais que defenderam o rompimento frustrado do topo, forçando o mercado a caminhar até a próxima região de interesse no VAP.

Vale lembrar que, tais semelhanças de análises sempre deverão ser verificadas com o mercado aberto e não podem ser encaradas como uma regra exata, porém é recorrente a ocorrência simultânea dos movimentos descritos aqui pela análise de fluxo, movimento de trading location, na formação do topo duplo.

Assim caros leitores, percebe-se que, por diversas vezes, independente da escola técnica escolhida, os operadores estão analisando a mesma situação por ângulos diferentes, recomendando-se, portanto, a abrangência do estudo e o mínimo preconceito em relação aos diferentes tipos de análises ou operacionais no mercado financeiro.

Os dados de mercado de trabalho divulgados hoje nos EUA surpreenderam positivamente, ao registrarem queda da taxa de desemprego de 5,9% em junho para 5,4% em julho, após a criação de 943 mil ocupações. Ou seja, 5,4% do total de americanos que trabalham ou querem trabalhar, mas não encontram emprego, estão desempregados.

Os dados do payroll (folha de pagamentos dos empregados no país) também mostraram uma alta levemente acima do esperado no salário médio, atingindo quase 4% no comparado com o mesmo mês no ano passado.

Já a força de trabalho ficou praticamente estável no período, o que significa que a quantidade de pessoas que pode trabalhar, e está procurando emprego, não mudou. Nesse contexto, crescem as preocupações sobre o cenário de baixa oferta de mão de obra como barreira à recuperação econômica, dado que muitos americanos seguem sem procurar emprego (no caso, fora da força de trabalho), especialmente se comparado à taxa anterior a pandemia.

Essa realidade foi também ilustrada no resultado divulgado essa semana de criação de vagas no setor privado – que veio consideravelmente abaixo do consenso. A dinâmica sinaliza que o ritmo da economia pede mais vagas, mas com frequência empresas não tem encontrado trabalhadores aptos e dispostos a assumir tais vagas.

A recuperação do mercado de trabalho também tem importantes efeitos na política monetária implementada pelo Banco Central dos EUA, o FED, que tem em seu mandato dual a responsabilidade de controlar a taxa de desemprego, além da inflação. Assim, com o mercado de trabalho retomando, crescem as expectativas de redução de estímulos monetários um pouco antes do que o anteriormente esperado.

Para o Brasil, o cenário de recuperação sólida americana é positivo, mas a expectativa de elevação de juros e redução de estímulos também deve balançar os mercados por aqui (elevando as taxas de juros futuras de longo prazo, por exemplo), especialmente ao de juntarem com preocupações fiscais crescentes vindas dos corredores de Brasília.

  • Um papo entre Rachel de Sá e Natalie Victal, economista da Garde? Temos!
  • Inflação, ruídos políticos e o cenário fiscal estão no topo da lista de preocupações da economista, que agora espera que a Selic chegue em 7,5% no final desse ano.
  • Confira no Coffee and Stocks.

No episódio da última sexta-feira (06), o Coffee & Stocks com apresentação do time Rico recebeu Natalie Victal, economista da Garde Asset, para uma conversa com nossa Chefe de Economia, Rachel de Sá, sobre a última decisão do Copom e perspectivas para a economia brasileira.

O tom de cautela e preocupação com o crescente risco fiscal são os principais destaques da conversa, em que Natalie destacou que a recente decisão de elevação da taxa Selic acompanhada de um tom mais hawkish pelo Banco Central não surpreendeu suas expectativas, dado a forte alta recente nos preços.

Foi na realidade o crescente risco fiscal que fez a economista elevar sua projeção de Selic para 7,5% (de 7,0%) para o final deste ano. Para a economista, discussões sobre um aumento no programa Bolsa Família, aliadas a questão recente dos precatórios e crescentes ruídos políticos, podem fazer com que a economia penda para um novo equilíbrio, com “mais política fiscal e maiores juros”.

Essa discussão ainda deve dar bastante pano pra manga, e devemos passar por algumas “ideias brilhantes” no meio do caminho. Por isso, o tema fiscal deve seguir ditando o tom da percepção de risco e preços de ativos no país, incluindo bolsa, renda fixa e câmbio – tudo isso em um cenário internacional “ok”, mas que não está mais tão positivo para o Brasil quanto há alguns meses atrás.

Confira os detalhes desse papo incrível no vídeo completo aqui ou no player abaixo!

  • Os Jogos Olímpicos estão chegando e eu aposto que você gostaria de acompanhar de pertinho as Olimpíadas de Paris.
  • E se eu falar que você pode?
  • Nesse Insight, fazemos um planejamento completo para você poder torcer para os esportes aquáticos à beira do Rio Sena, com a Torre Eiffel ao fundo e comendo uma baguette.

Pense só nessa situação: Rio Sena, Torre Eiffel ao fundo, os melhores atletas de esportes aquáticos outdoor do planeta dentro dele e você assistindo a tudo de pertinho. Ou uma prova de ciclismo em plena Champs-Elysees. Ou ainda hipismo no Palácio de Versalhes. Sim, a organização da Paris-2024 prevê usar espaços como esses para sediar as provas, conforme conta o UOL. E sim, com planejamento, é possível que você consiga realizar o sonho de não apenas assistir, mas VIVER, os jogos olímpicos na Europa, daqui 1 ano.

O tempo é curto, é claro. Mas nesse Insight mostramos o passo a passo do planejamento para realizar esse verdadeiro sonho desportivo.

Tabela de gastos

Aqui, fizemos duas simulações: uma viagem mais baratinha e outra um pouco mais luxuosa. A nossa chefe de economia, Rachel de Sá, que já morou em Paris, me ajudou a estimar quanto uma pessoa gasta por dia para se alimentar e se locomover na cidade-luz. A hospedagem foi estimada com base em viagens na alta temporada e também numa pesquisa pelos sites que oferecem reservas, do Airbnb aos hotéis tradicionais. Já os ingressos foram estimados a partir dos valores de outras edições dos jogos.

StandardConforto
PassagemR$ 6.000*R$ 15.000
Hospedagem**R$ 5.000R$ 11.000
Alimentação e deslocamentoR$ 3.000R$ 5.000
Ingressos para os jogosR$ 2.000R$ 2.000
TotalR$ 16.000R$ 33.000
*Conversão Euro/Real: 5,25
**Para 6 noites, por pessoa, considerando valores de alta temporada

Fora isso, a sua viagem pode ser diferente da minha: não posso afirmar aqui que seus gastos vão ser exatamente X euros ao dia. Então, a partir daqui, assuma que você precisa fazer seus próprios cálculos a partir das suas preferências. Use os números acima como um ponto de partida para fazer seu próprio planejamento.

Como temos aproximadamente 1 anos até o evento, poucos são os tipos de investimentos recomendados para prazos tão curtos. Considerando que você precisa ter uma rentabilidade positiva no curto prazo e com liquidez para resgatar a qualquer momento (caso uma promoção surja), o bom e velho investimento conservador será a melhor opção.

O Tesouro Selic, que é um investimento de baixo risco e alta liquidez, está no pódio das nossas recomendações para investimentos de prazo inferior a 1 ano. Como ele, CDBs de liquidez diária e fundos de renda fixa conservadores (como o Trend Cash) também serão boas alternativas.

Considerando uma Selic média em cerca de 12% a.a., o retorno seria de aproximadamente 0,95% ao mês.

StandardConforto
Valor inicialR$ 0R$ 0
Rentabilidade0,95% a.m0,95% a.m
Prazo12 meses12 meses
Valor do aporte mensal
(arredondado para cima)
 R$  1.265,17R$ 2.609,00
Valor investido R$  15.182,07 R$  31.313,02
Objetivo final**R$ 16.000R$ 33.000

Caso você aplicasse tudo em Tesouro Selic, considerando uma taxa básica de juros média em 12% a.a. ao longo desse 1 ano, precisaria investir cerca de R$ 1.265,17 ao mês para a primeira alternativa, ou R$ 2.609,00 no segundo caso. Na poupança, R$ 1.297,06 e  R$ 2.675,19, respectivamente (considerando a TR zerada em ambos os investimentos).

Importante lembrar que todas as simulações foram feitas com valores estimados: o cenário pode mudar muito até lá. Sempre planeje com folga financeira! Além disso, quem se planeja com antecedência, paga menos.

1 ano2 anos3 anos4 anos
aporte R$ 2.609  R$1.231  R$ 773 R$ 546
valor investido R$ 31.313  R$29.541  R$27.839  R$ 26.207
valor final R$ 33.000 R$ 33.000 R$ 33.000 R$ 33.000

Quanto mais cedo investimos para nossos objetivos, menos valor é necessário guardar. Isso ocorre pelo efeito dos juros compostos que contribuem cada vez mais positivamente em seus investimentos ao longo do tempo.

Para o croissant ser mais amanteigado

A simulação acima dá conta de dois tipos de viagem, ambas por sete dias, mas considerando gastos básicos (alimentação, transporte e, no caso, apenas a ida aos jogos como passeio). Quanto mais dinheiro você incluir nos aportes, mais “mimos” poderá se dar nas férias.

Uma dica aos viajantes de plantão é guardar parte do seu dinheiro reservado para o uso durante a viagem em um fundo cambial, como o Trend Euro: ele replica exatamente a movimentação do real contra o euro, a moeda da sua viagem de destino. Tudo o que você aplicar aqui estará preservado do ponto de vista de variação cambial — seja para mais ou para menos, claro.

A moral da história aqui é: quanto mais planejamento e antecedência você tiver, melhor preparado(a) vai estar para assistir à próxima edição dos jogos não do conforto do seu sofá, mas diretamente de Parrí, monamu!

O Comitê de Política Monetária do Banco Central elevou a taxa Selic em 1pp, para 5,25% ao ano. Em um comunicado mais hawkish (referência usada no mercado para um posicionamento mais duro em relação à inflação por Bancos Centrais), o Copom explicitou que deverá levar a taxa básica de juros além do nível neutro – calculada em torno de 6,5% ao ano. Ou seja, aquele nível em que os juros não estão estimulando nem desestimulando a economia.

Entre as razões destacadas pela autoridade monetária, destaca-se a preocupação com a alta recente de preços, não somente sobre bens industriais fruto majoritariamente de desequilíbrios da pandemia (algo já destacado na última reunião), mas também do nível acima do esperado da alta nos preços de serviços, além de novas pressões sobre alimentos e energia, ambos ligados a questões climáticas.

De fato, apesar de questões como a alta do preço da energia e de alimentos estarem mais fora do controle do Banco Central, cresce a preocupação de que uma inflação que deve terminar o ano muito acima da meta (de 3,75%), sem uma mensagem de juros mais altos adiante, acabe deteriorando as expectativas para o ano que vem.

Diante da postura mais dura do Banco Central sobre o comprometimento de ancorar as expectativas e levar a inflação à meta no ano que vem, entendemos que a Selic deve seguir em elevação até atingir 7,25% ao ano em dezembro (com 1pp na próxima reunião, seguido de duas altas de 0,5pp).

Para o investidor pessoa física, a decisão não deve trazer grandes mudanças, dado já ser amplamente esperada. Já a perspectiva de uma Selic um pouco mais alta para o fim do ano (de 6,75% para 7,25%) pode trazer preocupações sobre qual seria o limite desse ciclo de alta. Estaríamos abrindo a porta para os dois dígitos?

Por ora (felizmente) não. É claro, vale destacar que essa visão considera a manutenção do cenário fiscal atual. Ou seja, se o cenário fiscal se deteriorar, com por exemplo mudanças ao arcabouço fiscal vigente, entendemos que o Banco Central pode se ver obrigado a ir além – dos 7,25%. Dito isso, diante da credibilidade da atual autoridade monetária (agora também formalmente autônoma), um mundo de Selic a dois dígitos segue ainda distante do cenário base, ao menos no curto prazo.

  • Traga o seu Gin Tônica com limão, e vamos ao que interessa: Esquenta pro Copom!
  • De um lado: economia se recuperando, vacinas avançando e real um pouco mais forte.
  • De outro: preços correntes pressionados, riscos de perda de controle de expectativas sobre inflação no futuro, e riscos fiscais à vista.
  • Tudo junto e misturado, o heatmap da economia aponta um Copom mais duro na decisão de hoje, subindo não somente a Selic (em 1pp, para 5,25%), mas também o tom do comunicado que acompanha a decisão.
  • Não percam nossa cobertura da reunião! Hoje, as 19:00. Não esqueça do gelo, máscara e investimentos.

Chegou a hora daquela quarta-feira mais aguardada e animada dos últimos 45 dias. Aquela em que eu levo o Gin, você a tônica, e esperamos ansiosamente a decisão do nosso Comitê de Política Monetária – o Copão, ou melhor, Copom.

Como contei para vocês há 45 dias, a cada reunião dos diretores do Banco Central do Brasil, vocês poderão esquentar por aqui na Riconnect, muito bem informados sobre o que esperar da decisão que afetará a nossa taxa básica de juros, a Selic.

A tabela de nome chique: Heatmap do Copom

O primeiro passo para nos prepararmos para a decisão do Copom, é entender o que aconteceu de importante na economia do Brasil e no mundo desde a última reunião do Copom, e que será analisado pelos membros do comitê.

Por isso, aquecendo meus vocais em espanhol, conto abaixo o “que passó” nos últimos 45 dias de relevante para a política monetária e que certamente estará estampado nos “PPTs” dos diretores do Banco Central nesse exato momento em que vos escrevo para determinar o rumo da taxa Selic.

Quem leu nosso último esquenta, já está familiarizado com a tabela abaixo, que apresenta o comportamento recente das principais variáveis macroeconômicas que afetam a política monetária. Como vocês podem ver, ela tem uma coloração diferenciada. E não, não é só pra ficar menos entediante! É um mapa de calor, ou heatmap, para os íntimos.

O heatmap serve para indicar a nossa leitura do que cada um dos indicadores representa no mundo da política monetária. Quanto mais vermelho (azul), mais a variável está atuando para piorar (melhorar) a perspectiva da inflação.

Já os belos pássaros estampados no alto indicam uma nomenclatura curiosa sobre política monetária no mundo: os Hawks (falcões) e os Doves (pombas). Quanto mais vermelho, mais o comportamento do indicador aponta a decisão de política monetária para um lado hawkish; do outro lado, quanto mais azul, mais o indicador aponta a decisão para o lado dovish.

Falcões X Pombas

Hawkish – Aparentemente relacionado ao comportamento de soldados na Guerra da Independência dos EUA, a figura de um falcão está associada à coragem, força, rigidez. Em política monetária, faz referência a um comportamento de banqueiros centrais mais preocupados com o controle da inflação, menos lenientes com a alta de preços e o potencialmente distanciamento de sua meta.

Dovish – Já as pombas são relacionadas a…acho que apenas pombas mesmo, na tranquilidade, de boa esperando seu pãozinho no parque! Em política monetária, as pombas então são associadas a autoridades monetárias mais lenientes com a inflação. Para os quais “um pouquinho de alta de preços não faz mal a ninguém”, mesmo que se distancie da meta almejada.

Daniela Mercury ou Tim Maia?

Como vocês podem ver, o heatmap atualizado desde a última decisão do Copom está pendendo mais para Daniela Mercury do que para Tim Maia. “Vermelhou” e “Azul da Cor do Mar”, para quem não entendeu minhas super claras referências musicais, para confundir ainda mais a história maluca dos pássaros.

Voltando para a economia e à taxa Selic, isso significa que a maior parte dos indicadores macroeconômicos está pendendo para uma decisão de política monetária mais rígida contra a alta dos preços.

Entendendo os números

Se olharmos o IPCA dos últimos meses, por exemplo, esse segue muito acima da meta do Banco Central para o ano, apesar da relativa estabilização recente. No caso, por mais que uma alta de juros não altere as pressões sobre a inflação corrente, hoje muito puxadas por questões como o clima e desequilíbrios causados pela pandemia (como descasamento entre oferta e demanda na indústria), a Selic mais alta ajuda a controlar o quanto essa alta corrente impacta a percepção dos agentes econômicos (eu, você e todo mundo) sobre para onde vão os preços no futuro. E voilá – faz-se a magia do canal de expectativas da política monetária.

Outros dois indicadores apontados no mapa na cor vermelha são o PIB e o Hiato do produto. Aqui, é importante dizer que o vermelho não é negativo, e sim significa que a política monetária deve se tornar menos “estimulativa”. Ou seja, como a recuperação econômica em curso está ganhando força, na esteira da vacinação contra a Covid-19 e a normalização da atividade e retomada da confiança, além de programas de auxílio a renda, os juros não precisam estar mais tão baixos – estimulando a economia. Da mesma forma, o hiato do produto “fechando” significa que a economia se aproxima mais rapidamente do que se esperava do potencial de crescimento – necessitando, aí, de menos estímulos.

Aqui, é importante lembrar que estímulos demais a uma economia aquecida pode gerar mais inflação. Esse risco é menor, quanto mais a economia se torna mais produtiva ao longo desse processo (o que não é o caso do presente momento no Brasil, mas já é assunto pra outro dia!).

Por outro lado, temos poucos elementos no campo azul, o que é o caso do câmbio. Tendo apreciado relativo ao patamar que estava há 45 dias, o câmbio é um fator que ajuda no argumento mais “dovish”, pois uma moeda mais valorizada tem menos efeitos inflacionários nos preços da economia. Pense na farinha importada para o pãozinho francês. Com dólar mais baixo, o preço final fica menos pressionado.

E o que isso tudo quer dizer sobre a decisão de hoje?

Com tudo isso junto e misturado, além da crescente incerteza fiscal que começou a nos assombrar novamente, devemos esperar um Copom mais duro na decisão de hoje, subindo não somente a Selic (em 1pp, para 5,25%), mas também o tom do comunicado que acompanha a decisão.

Após essa decisão, os próximos eventos no cenário político econômico serão essenciais para determinar o rumo da Selic nesse ano. Por ora, entendemos que o BC elevará a taxa até 6,75% nesse ano – um pouco acima do patamar neutro, aquele que não estimula nem desestimula a atividade (tipo em cima do muro mesmo). Mas, se a percepção de risco fiscal se deteriorar ao longo das próximas semanas, no meio de todo esse rolo fiscal como a potencial flexibilização do teto de gastos, a alta pode não parar por aí, e podemos ver uma Selic um pouco mais alta ao fim desse ciclo (nesse ano, ou início do ano que vem).

Mas devagar com o andor! Um pouco mais alta não significa dois dígitos, como muitos de nós brasileiros costumamos associar. Por ora, esse cenário ainda segue (felizmente) improvável, especialmente dado a alta credibilidade desse Banco Central, hoje formalmente autônomo.

Por isso, sigam atentos nos nossos conteúdos por aqui! Vamos te contar tudo sobre a decisão (estávamos certos, será?), o que achamos para os próximos passos, e o que considerar para seus investimentos nesse cenário!

  • O risco fiscal voltou ao centro do debate econômico e a impactar os mercados por aqui.
  • O motivo? Discussões sobre a extensão do Bolsa Família, o espaço (ou melhor, ausência dele) no teto de gastos para aumento de despesas, e um pepino que voltou à cena: pagamento de dívidas judiciais da União – famosos precatórios.
  • Para mais enredo do “De volta para o Futuro”, mas é novamente a piora da percepção de risco fiscal.
  • Mas assim como Marty e Doc, não te deixaremos presos a um futuro incerto, e indicamos onde investir em agosto!

Como você deve ter notado, o mercado deu uma bela balançada por aqui na última sexta-feira, com impactos na renda fixa (taxas de juros fecharam a semana em alta) e no mercado de ações – com o Ibovespa encerrando a semana com queda de 2,6%.

Apesar de termos observado uma ligeira recuperação hoje (ao que escrevo, segunda-feira, 02 de agosto), a preocupação fiscal voltou ao centro das atenções dos investidores no país. De um dia para o outro, só passamos a falar de Bolsa Família e pagamento de precatórios….de novo? Não estávamos falando disso há um ano atrás?

Parece mais o enredo do “De volta pro Futuro” ou “Efeito Borboleta”, e vários outros filmes de vai e vem entre passado e futuro. Mas é só o fiscal no Brasil.

Comecemos do (novo) começo.

Voltamos ao Bolsa Família

O governo já praticamente dá como anunciado que o programa Bolsa Família deve ser ampliado – tanto em valor médio do benefício, quanto no número de beneficiários. Seguindo o espaço trazido pela alta da inflação na regra do teto de gastos, teríamos uma “brechinha” no orçamento do ano que vem que poderia caber um aumento do programa.

Nesse sentido, caso fosse encontrada uma fonte viável de recursos de modo permanente para o novo gasto, e essa solução não envolvesse a quebra das regras fiscais vigentes – como retirar o Bolsa Família da contabilização do teto de gastos – um “Bolsa Família turbinado” poderia trazer impactos positivos para a economia.

O espaço cada vez menor no teto de gastos

Em meio à discussão de quais seriam as mudanças ao Bolsa Família, e se essas seriam feitas por emenda constitucional (o que daria mais chances para movimentos levando à flexibilização da regra constitucional do teto de gastos) ou não, surgiu um outro verdadeiro pepino.

Mas antes, lembram daquele espaço no teto que mencionei no artigo recente, que chegava perto dos R$ 32 billhões? Pois é. Primeiro, ele foi reduzido pela inflação mais alta de alimentos esperada pare esse ano, que aumenta a correção esperada para o salário mínimo e outras despesas no fim do ano. Depois, o aumento do fundo eleitoral tirou mais um pouquinho (se aprovado) – levando a aproximadamente R$ 25 bilhões.

Precatórios – por que voltamos a falar disso?

Depois disso tudo, chegamos ao mais novo pepino. Esse em forma de decisões judiciais: os famosos precatórios.

O precatório é um instrumento jurídico que formaliza um pagamento devido pelo governo (seja a União, estados ou municípios), em decorrência de uma condenação judicial após o trânsito em julgado – ou seja, a decisão definitiva por cortes judiciais.

De onde eles vêm? De processos abertos por empresas ou indivíduos contra o Estado, que por algum motivo entendem que o governo deve ressarci-los em uma quantia. Por exemplo, um indivíduo que teve seu imóvel desapropriado para a construção de um metrô, ou uma empresa que busca ressarcimento de tributos que julga indevidos.

Assim, no orçamento da União, o pagamento dos precatórios é determinado pelo poder Judiciário, que indica quanto deve ser pago naquele ano, com base nas disputas judiciais que já foram encerradas de uma vez por todas (transitas em julgado). O montante, então, sai do orçamento e é usado para o pagamento daqueles que ganharam causas judiciais contra o governo federal.

Para quem não se lembra, no final do ano passado, uma discussão envolvendo esses mesmos precatórios e o Bolsa Família (ou Renda Cidadã, na época) causou verdadeiro reboliço nos mercados por aqui.

Naquele momento, a ideia era adiar o pagamento desse dinheiro devido e banca um novo programa com o “dinheiro não gasto”. Como esperado, a ideia não foi bem recebida por agentes de mercado, muitos dos quais julgaram que lembrava uma certa “contabilidade criativa” com o orçamento – adiar um pagamento que teria que ser feito, para bancar um novo programa social.

E o mais novo imbróglio? Acontece que agora, o valor total desses precatórios a ser confirmado pelo Judiciário deve quase dobrar desse ano para o próximo de maneira até agora inesperada. Segundo informações iniciais, o total a ser gasto com o pagamento desses precatórios para 2022 pode chegar próximo a R$ 90 bilhões, muito acima deste ano (R$ 57 bilhões) – conforme ilustrado no gráfico abaixo.

Ou seja, dado que os precatórios são uma despesa contabilizada no teto de gastos, se esse montante se confirmar, o pagamento dessas dívidas ocupará todo o espaço extra previsto no teto para o ano que vem – com ou sem Bolsa Família turbinado, pressionando os gastos já orçados dentro do teto de gastos.

E agora? E eu com tudo isso?

No momento em que escrevo esse texto, o governo procura uma saída para essa verdadeira salada de pepino, propondo o adiamento do pagamento de precatórios, quando este estiver acima de um determinado percentual da receita líquida do governo. O objetivo seria tanto fazer caber no orçamento um Bolsa Família aumentado, quanto não ocupar boa parte das despesas sujeitas ao teto de gastos no ano que vem com esses pagamentos judiciais, o que pressionaria também outras despesas, dado sua magnitude.

Não sendo grandes fãs de saladas gregas, os agentes de mercado aumentam sua percepção de risco fiscal; ou seja, sobre o rumo das contas públicas no longo prazo no país. Com isso, vemos títulos de renda fixa serem impactados pela abertura da curva de juros (com desvalorização de títulos de inflação de médio prazo, por exemplo), e o Ibovespa caminhar de lado, ilustrando o “mau humor” trazido pela incerteza político-fiscal.

Mas nenhuma razão para desespero! Assim como Marty McFly e Doc Brown usaram de todos os artifícios para não ficarem presos em um futuro incerto, o mundo dos investimentos também nos oferece diversas formas de nos proteger e identificar oportunidades em momentos de incerteza!

*Por Zé Rico, analista técnico da Rico

Após tratarmos da leitura de fluxo, bem como das ferramentas utilizadas para tal leitura, passaremos então a falar sobre a junção das figuras gráficas com leitura de fluxo e trading location.

As figuras gráficas são padrões visuais identificadas no gráfico formadas pelo rastro deixado no deslocamento do preço.

Após ocorrer o deslocamento ou variação de preço de determinado ativo, pode-se identificar ou marcar todos os pontos que o preço percorreu, seja por meio de uma janela temporal ou intervalo de tempo, seja por um determinado intervalo de pontos.

Ocorre que, após realizado tal rastreio do preço, pode-se notar figuras visuais que indicam ao operador da Análise Técnica padrões de comportamento do preço do ativo, que, por sua vez, resultam em uma probabilidade maior do preço se comportar em um determinado sentido esperado pelo operador.

Tais padrões são nomeados como figuras gráficas pela análise técnica, existindo figuras:

  • De continuidade: maior probabilidade é que o preço continue a se deslocar no mesmo sentido do movimento prévio;
  • De reversão: maior probabilidade do preço do ativo é de deslocamento em sentido contrário ao movimento prévio do preço.

Dedicando-se, primeiramente, as figuras de reversão, as mais comuns são:

  • OCO (ombro cabeça ombro) e OCOI (ombro cabeça ombro invertido)
  • Topo Duplo e fundo duplo
  • Topo triplo e fundo triplo

Pois bem, até ai muito já se foi explorado, porém chama-se a atenção para a junção da análise de fluxo e de trading location na formação e na resultante das figuras gráficas.

Quando analisamos o topo duplo, por exemplo, percebemos que o preço, ao se deparar novamente com a região de máxima anteriormente atingida, encontra uma resistência.

Caso não rompida essa resistência o preço tende a voltar para a origem do movimento que levou o preço a testar novamente a máxima, ou seja, tende a retornar para o último fundo realizado.

Após o cruzamento ou rompimento do preço no último fundo formado, a probabilidade é de que o ativo se desloque em sentido contrário aos dois topos formados e na mesma proporção.

Quando se analisa esse movimento do preço, para formar essa figura identificada como topo duplo, percebe-se que coincide com a absorção ou exaustão ocorrida em um bloco de negociação localizado no volume at price (VAP), bem como, no acionamento da figura gráfica é também notado o rompimento de outro bloco ou suporte dinâmico igualmente localizado no volume.

Portanto, após rompido o suporte dinâmico no VAP, o preço tenderá a buscar uma próxima região de negociação ou acúmulo de volume de negociação a qual, geralmente, está localizada a uma distância proporcional da projeção ou alvo do topo duplo, conforme se observa:

E assim, têm-se uma análise conjunta da formação da figura gráfica, com trading location, resultando em um maior subsídio para acreditar na operação e obter lucro.

Na semana que vem, será abordado a mesma formação gráfica, porém será acrescida a análise de fluxo ao movimento, entendendo, portanto, que coincide a formação da figura gráfica pela análise técnica, com trading location e análise de fluxo.

Não percam e até semana que vem.