- Após meses de recuperação forte, o ritmo de crescimento da economia começa a desacelerar
- No Brasil, a vacinação da população já entrou no preço da Bolsa; riscos fiscais retornam ao radar e investidores mais apressados começam a pensar em eleições
- Já a renda fixa mostra uma boa confiança dos mercados na recuperação econômica
- Conheça as mudanças que fizemos nas carteiras recomendadas para agosto de 2021
A temperatura mudou. Não estou falando aqui sobre a frente fria que assola São Paulo desde a semana passada, mas sim a temperatura do mercado financeiro: a que a gente usa para definir a mistura de ingredientes que usaremos nas nossas carteiras recomendadas.
Após o momento mais desafiador pandemia de Covid-19 na economia, entre março e abril do ano passado, o Brasil e o mundo entraram em um novo ciclo de crescimento econômico. Foram muitos meses de crescimento bastante acelerado (a tal da recuperação em V, da Nike, ou como você preferir chamar). Agora, o ritmo desse crescimento começa a desacelerar, enquanto a inflação permanece alta e os bancos centrais começam a considerar a redução dos estímulos monetários. Falamos mais sobre isso no nosso De Olho No Mercado.
Nesse cenário, a Bolsa brasileira já “andou” bastante. Mesmo com queda no acumulado do mês passado, o Ibovespa está em alta de 5% desde o final de março, com o Real se apreciando 7,5% vs. o Dólar. Durante esse período todo, nossas carteiras recomendadas tiveram uma posição relevante de bolsa e menor em dólar — as duas coisas contribuíram para resultados interessantes nos últimos meses para quem seguiu nossas recomendações.
Mas, como falamos, a temperatura é outra neste início de agosto. Agora, com a vacinação já adiantada e a Selic bem mais alta, não dá para contar com movimentos tão fortes para cima da bolsa — esses movimentos já estão nos preços das ações, ainda que não tenham terminado.
Fora isso, as incertezas fiscais que também mencionamos no texto de ontem e a expectativa das movimentações eleitorais pesam, justificando o movimento que fizemos de diminuir um pouco a exposição em bolsa brasileira e aumentar as posições em ativos estrangeiros.
Foco no “um pouco”. Continuamos com expectativa positiva para a Bolsa brasileira. Desde o início de 2021, o múltiplo de Lucro por Ação brasileira aumentou 54%, com base em estimativas da Bloomberg, enquanto o mercado subiu 7%. Como resultado, o múltiplo P/L do Ibovespa caiu para perto de mínimas recordes de 8,8x, um desconto de 25% em relação à média de 12x dos últimos 10 anos.
Resumindo esse monte de número: ainda tem, sim, espaço para a Bolsa subir. Só achamos que era hora de dosar um pouco mais as carteiras mesmo, como você pode ver no gráfico de alocação no final desse Insight.
No campo da renda fixa, tanto no Brasil como no mundo, os prêmios de crédito (ou seja, os juros pagos acima das taxas livres de risco) continuaram se contraindo. Isso significa que o mercado está com menos receio de emprestar dinheiro para companhias mais arriscadas, o que indica confiança na recuperação econômica do pós-pandemia.
Como a relação entre taxa e preço na renda fixa é inversamente proporcional (entenda aqui), esse movimento foi positivo para títulos em CDI, em IPCA e em dólares, trazendo bons retornos para estas classes.
Confira abaixo todas as nossas sugestões de alocação para esse mês. Para mais detalhes, conheça os ativos sugeridos para os perfis conservadores, moderados e agressivos.

*Por Betina Roxo, Júlia Aquino, Paula Zogbi e Rachel de Sá
- Variante Delta: o que sabemos e o que precisamos monitorar
- Juros e inflação nos EUA e no Brasil e como impactam a nossa vida
- Cenário político-econômico: reforma tributária, Bolsa Família e dança das cadeiras em Brasília
- Temporada de resultados movimenta as bolsas no Brasil e no mundo
- Como lidar com os riscos regulatórios chineses
Começa o segundo mês do segundo semestre de 2021. Em julho, o Ibovespa fechou com queda de 3,94%, pior desempenho desde fevereiro, e contou com o menor volume negociado do ano, o que indica, em si, menos apetite por Bolsa entre investidores. De acordo com a B3, o giro financeiro médio do Ibovespa em julho foi de R$ 19,5 bilhões, o menor volume desde abril de 2020.
O último pregão do mês foi o grande responsável pelo resultado negativo, como podemos ver abaixo:

O que rolou nesse dia? Bom, passou a pesar com mais força o noticiário sobre o cenário fiscal — incluindo especulações ainda mais frequentes sobre o novo Bolsa Família levar a uma quebra do teto de gastos —, além de um cenário externo, digamos, emocionante, principalmente na China.
Em relação ao nosso último De Olho No Mercado, alguns assuntos permanecem na pauta (sendo um deles, infelizmente, a variante Delta da Covid-19), mas muito mudou no cenário das bolsas mundiais. Confira os 5 pontos de atenção para investir em agosto de 2021.
1. Mais detalhes sobre a variante Delta
Já com transmissão comunitária no Brasil (quando os casos têm origem dentro do país) e presente em mais de 100 nações, a variante mais transmissível do coronavírus é manchete no mundo inteiro e foi responsável por momentos de cautela nos mercados. O medo é que o avanço da Delta motive novas medidas de restrição à mobilidade e atrase a recuperação econômica.
Até agora, porém, esse não parece ser o caso. “Por enquanto, nenhum estudo demonstrou perda de eficácia ou de efetividade das vacinas em relação às novas variantes. O que os estudos têm demonstrado, mais recentemente, principalmente em relação à Gama, variante brasileira, e à Delta, é que são necessárias as duas doses para garantir a proteção completa contra a doença”, explicou o pesquisador da Fiocruz, infectologista e professor da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), Julio Croda, à CNN.
Em outras palavras, as regiões que mais estão sofrendo com a nova variante são as que têm menor cobertura vacinal. O Reino Unido, por exemplo, demonstra que a letalidade associada à nova variante diminuiu, justamente porque o país já tem 70% da população com a primeira dose da vacina e 56,2% com as duas doses, conforme dados do Our World in Data em 28/07.
A conclusão até agora, então, é que a variante não necessariamente vai representar grandes riscos, mas torna mais importante ainda a vacinação célere com duas doses. O gráfico abaixo mostra a evolução da vacinação ao redor do mundo, assim como o desempenho das bolsas nos países representados.

2. Seguimos sem imaginação, com juros e inflação
No cenário econômico global, o mês foi marcado mais uma vez por política monetária. Ou seja, por discussões sobre para onde vão os juros (e outras ferramentas dos Banco Centrais, como a compra de ativos), diante do comportamento da inflação e do cenário econômico “pós pandemia”.
No cenário internacional, apesar de certo fôlego por parte das commodities, os preços seguem pressionados, com a inflação ao produtor agora unida à alta vinda da normalização da atividade, como em tarifas de hotéis e passagens. Mas as autoridades monetárias, especialmente em países desenvolvidos, seguem sem sinalizar pressa na redução dos estímulos, ainda mais com o “plot twist” (a.k.a. reviravolta) da variante Delta e potenciais impactos na economia. O Banco Central Europeu usou a reunião de julho para reforçar os juros baixos por bastante tempo, enquanto seguimos na expectativa de que o FED trará mais clareza sobre o início da redução do programa de compra de ativos nos próximos meses (provavelmente em setembro).
Por aqui, a inflação também seguiu nos holofotes e pressionada. Além de preços de bens industriais ainda pressionados, e serviços voltando (e subindo seus preços) com o avanço da vacinação e “volta à normalidade”, temos o nosso plot twist tupiniquim. Esse vem na forma do impacto do clima (atipicamente) frio ao redor do país sobre o preço dos alimentos. Esperamos que nosso principal índice de inflação ao consumidor, o IPCA, atinja 6,7% em dezembro.
Com isso tudo junto e misturado, o tom do mercado internacional deve seguir “de boa na liquidez, mas atento a cada respiro do FED” ao longo de agosto, enquanto o COPOM (Comitê de Política Monetária do Banco Central) deve elevar a Selic em 1 ponto percentual na próxima reunião (para 5,25% a.a.), que acontece na próxima quarta.
3. Pode vir quente, Brasília?
Em meio aos impactos da onda de frio no mês na inflação, o clima por aqui contou também com uma onda quente vindo de Brasília.
A CPI da pandemia seguiu acesa no Senado, trazendo alegações de irregularidades na negociação de vacinas pela administração Bolsonaro, e prejudicou a articulação política e popularidade do governo. Além disso, o vai e vem da Reforma do Imposto de Renda trouxe incerteza aos mercados, já que ninguém sabe ainda seu formato final ou suas reais chances de aprovação e impactos, tanto nos negócios e no cenário fiscal.
Tentando matar dois coelhos com uma cajadada (ou caixa d’água, como por muito tempo achei que era) só, o governo que encerrou o mês com uma “mini reforma” ministerial para apaziguar os ânimos, indicando o senador Ciro Nogueira (do Partido Progressista), uma das principais figuras do chamado “centrão” para o cargo de Chefe da Casa Civil. O cargo é chave para a articulação do Planalto com o Congresso e entre ministérios.
Finalmente, a melhora das contas públicas para esse ano foi boa notícia, mas abriu espaço para uma potencial piora na percepção de risco estrutural. Isso porque a percepção de maior espaço fiscal no curtíssimo prazo pode influenciar discussões sobre a flexibilização na regra do teto de gastos para acomodar um novo Bolsa Família e outros gastos no ano que vem – conforme o espaço fiscal reduz-se com a inflação mais alta esse ano.
Tudo isso certamente seguirá como pano (quente) de fundo no mês que se inicia, impactando a percepção de risco de investidores sobre o Brasil.
4. E das empresas, o que esperar?
Temporada de resultados trimestrais é uma correria para quem faz análise de ações. Além de precisarmos acompanhar os números das companhias e as perspectivas que elas mesmas divulgam para os períodos seguintes, é nosso papel observar (na verdade, até antever) as reações do mercado a cada divulgação.
Para os números relativos ao segundo trimestre, os EUA surpreenderam para cima no geral, animando os mercados. Mas algumas companhias bastante relevantes indicaram que o crescimento daqui para frente deve desacelerar (entre elas, Amazon, Google e Facebook).
Aqui no Brasil, o sentimento é semelhante. A temporada começou no dia 19 de julho, mas ainda tem muita água para rolar. O segundo trimestre foi marcado pela redução dos riscos fiscais de curtíssimo prazo, melhora dos dados de Covid-19 com queda da taxa de ocupação dos hospitais e do número de óbitos, a vacinação em andamento e dados econômicos melhores do que o esperado, como já mencionamos nas últimas edições desse mesmo De Olho No Mercado. Com isso, é provável que vejamos reflexos positivos nos números de companhias referentes ao período.
Para os números do segundo trimestre, na nossa visão, devem se destacar os setores de commodities, que ainda não precificaram as altas fortes do mercado; tecnologia, que desacelerou com a reabertura parcial do comércio, mas deve trazer números fortes; varejo que, na outra ponta, teve os resultados passados fortemente impactados pela pandemia e devem se recuperar da aceleração da atividade diretamente; e bancos, principalmente pela diminuição das provisões e redução de custos.
O que devemos monitorar agora são os comunicados das empresas sobre seus planos de adaptação à reforma tributária (que deve taxar dividendos e diminuir o IRPJ) e, principalmente, as projeções para os trimestres que estão por vir.
No geral, esperamos que as empresas com crescimento mais lento e que pagam muitos dividendos, como dos setores elétrico, saneamento e telecom, devem ser mais afetadas pelas mudanças na tributação. Por outro lado, as companhia de crescimento acelerado, com menos lucro e que não distribuem dividendos (que a gente costuma chamar de empresas de growth por aqui) devem ser beneficiadas com esse movimento — isso inclui empresas de tecnologia e as com IPO recente, que costumam reter o lucro e reinvestir no próprio crescimento.

Diferentemente dos últimos meses, em que a inflação e a forte recuperação nos levavam a ver um cenário muito forte para as empresas de “valor” (setores mais cíclicos da economia, predominantes na nossa bolsa), o segmento de “crescimento” (empresas cuja geração de valor está no futuro, como tecnologia) volta a ter maiores potenciais de ganhos comparativamente.
Como o mercado vive de futuro, o sentimento é de “o melhor já passou”. Agora, não dá mais para esperar crescimento forte de toda e qualquer empresa quase indiscriminadamente, como ocorreu nos períodos mais recentes com a recuperação pós-Covid. Longa história curta: a barra subiu e isso reflete nos preços.
5. Um avião para a China
Nos últimos dias do mês de julho, o mercado sentiu o baque de um “efeito-China”, com novos riscos regulatórios no radar empresarial da região. Movimentos recentes incluíram a suspensão do app da Didi Chuxing e restrições ao capital estrangeiro para o setor de educação, além de regras antitruste mais rígidas para empresas de tecnologia. Tudo isso vem criando desconforto no mercado e uma fuga de capital estrangeiro (o que pode prejudicar emergentes em geral indiretamente).
Mas todo risco pode criar oportunidades. O intervencionismo mais exacerbado aumentou os descontos nos valuations das empresas chinesas. Hãn? Em termos mais simples, as ações de companhias com bastante potencial na China ficaram bem mais baratas, sem que necessariamente o seu fundamento tenha piorado.
A China vai acabar com as empresas? Improvável. Falamos muito aqui sobre a disputa econômica entre China e EUA, e empresas saudáveis e lucrativas, principalmente no setor de tecnologia, é um dos pilares de crescimento da economia chinesa. Juntando essa constatação com a anterior: os preços das ações devem seguir pressionados por enquanto, mas os fundamentos das empresas só mudariam se elas fossem impedidas de crescer, o que parece improvável. O investimento em China é uma tese de longo prazo. Saiba mais sobre isso nesse relatório da XP.
- A dívida bruta brasileira caiu para 84% do PIB, mas ganhos de curto prazo pedem cautela para não abrirem a “porteira dos gastos” e reverterem ganhos
- Ainda apor aqui, o desemprego seguiu estável em maio com criação de novas vagas, de um lado, e volta a procura por emprego, do outro
Dívida bruta cai para 84% do PIB, mas ganhos fiscais desse ano pedem cautela
O setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 65,5 bilhões em junho, reduzindo o acumulado em 12 meses para 3,8% do PIB, de 5,41% do PIB em maio.
O resultado veio melhor do que o consenso do mercado (em R$ – 70,1 bilhões), apesar da surpresa ligeiramente negativa de ontem no resultado do Tesouro Nacional – esse levado principalmente por gastos maiores do que o estimado com previdência, diante da antecipação de alguns benefícios sociais na esteira do combate à pandemia.
O resultado de hoje melhor do que o esperado pode (novamente) ser explicado principalmente pela boa perfomance de governos regionais, que registraram superávit primário de R$ 8,4 bilhões em junho e alcançaram a robusta marca de R$ 73 bilhões no acumulado em doze meses (ou 0,9% do PIB ). Isso se compara a um superávit de R$ 9,3 bilhões registrado em junho de 2019, considerando um nível pré-pandêmico.
O desempenho positivo especialmente dos governos estaduais pode ser explicado por uma combinação de fatores, que incluem caixas fortalecidas por transferências da União no ano passado, a recuperação robusta da receita com a volta da atividade, além de uma dinâmica de gastos mais lenta, dadas as restrições relacionadas à Covid no início deste ano. O recém aprovado pacote de negociação de dívidas com a União também tem desempenhado um papel positivo para os estados mais endividados.
Quanto à dinâmica da dívida, a dívida bruta caiu para 84% do PIB em junho, uma redução de 0,6 pp em relação ao mês anterior. A dívida líquida, por sua vez, subiu 1 pp, para 60,9% do PIB, devido à apreciação do Real no período. A apreciação cambial também favoreceu o desempenho dos pagamentos de juros nominais neste mês, por meio de ganhos positivos em operações de swap, recuando para 3,55% do PIB no acumulado em doze meses, ante 3,73% em maio.
Olhando para frente, uma combinação de receita robusta, forte desempenho de governos regionais e gestão eficaz de recursos (além da aprovação tardia do orçamento deste ano) consolidará boas notícias para a dinâmica da dívida pública deste ano.
No entanto, isso deve ser visto com cautela, já que discussões sobre o aumento dos gastos para o ano eleitoral (especialmente se isso incluir mudanças ao atual quadro fiscal) podem erodir rapidamente esses ganhos de curto prazo.
Desemprego segue estável em maio com novas vagas e retorno a procura por emprego
A taxa de desemprego medida pela PNAD Contínua caiu levemente para 14,6% no trimestre terminado em maio, de 14,7% em abril – mas se manteve estável em 14,3% no mês, se considerarmos um ajuste de sazonalidade ao dado. Ou seja, o nível de desemprego da população brasileira seguiu praticamente inalterado entre abril e maio deste ano.
O resultado pode trazer certa estranheza a investidores que seguem atentos aos dados macroeconômicos, dado o resultado positivo de ontem da criação de vagas de trabalho medidas pelo Caged.
As principais explicações para isso incluem: o fato de que o Caged apura resultados de criação e destruição de vagas apenas no setor formal, enquanto a PNAD olha também para o setor informal (que representa 42,1% do total da população empregada no Brasil), indo além da criação e destruição de vagas; as ferramentas estatística usadas para cada pesquisa; e o fato de que a PNAD considera o total da população empregada em relação a força de trabalho.
Deste modo, o dado de hoje mostra que apesar do crescimento de 0,6% no total da população ocupada no mês, o aumento na mesma magnitude da força de trabalho compensou no resultado final. Em outras palavras, apesar de haver mais pessoas trabalhando, há também mais pessoas a procura de trabalho – movimento que deve seguir ganhando força com a normalização da atividade diante do avanço da vacinação contra a Covid-19 (a força de trabalho segue 4,5% abaixo do nível pré pandemia).
Do lado positivo, a média real de salários efetivos subiu pelo terceiro mês consecutivo em maio, atingindo o maior nível desde novembro de 2020 (R$ 2.536 por mês, com ajuste sazonal).
Olhando para frente, a taxa de desemprego deve seguir em compasso de recuperação gradual ao longo dos próximos meses, conforme vagas vão sendo criadas e pessoas voltam a procurar emprego, retomando o nível pré pandemia na segunda metade do ano que vem.
Para o investidor pessoa física, o dado é importante não somente diante das perspectivas de empregabilidade de cada um, mas também considerando a renda que será usada no consumo e investimentos como um todo, movimentando a economia, empresas e o mercado.
* Por Maria Fernanda Violatti, analista de fundos imobiliários da XP
- Julho foi um mês intenso para os fundos imobiliários, com destaque para o vaivém da reforma do IR
- O saldo que ficou dessa história é positivo para os FIIs: sem tributação prevista para os proventos, criam-se oportunidades, principalmente para dois segmentos
- Confira o “resumão” dos FIIs em julho e o que esperar para agosto
Que julho foi esse? No último mês, nós tivemos uma série de acontecimentos que acabaram impactando diretamente os fundos imobiliários. Esse Insight é a estreia de um “resumão” sobre esse mercado que eu farei para o time da Rico todo mês.
A apresentação da proposta da reforma tributária que visava tributar os dividendos em 15% e alterar a alíquota do ganho de capital de 20% para 15%, num primeiro momento, fez com que os fundos de um modo geral tivessem uma queda de performance — o pessimismo tomou conta por alguns pregões.
No entanto, o relator da proposta indicou que os dividendos dos fundos imobiliários permanecem isentos. Com isso, não esperamos grandes alterações e impactos no segmento dos fundos imobiliários. Na verdade, se os dividendos de ações passarem a ser tributados, conforme a proposta, abrem-se ainda mais oportunidades para a categoria entre investidores(as) em busca de dividendos.
Onde estão as oportunidades?
Diante desse cenário, vimos oportunidades em fundos que possuem uma combinação de portfólios de alta qualidade e preços atrativos. Nossos segmentos favoritos para surfar essa onda são lajes corporativas (os famosos edifícios de escritórios) e ativos logísticos (os galpões, que servem, por exemplo, empresas de comércio eletrônico).
Nem toda oportunidade está na mesa neste momento. É fato que a sinalização do ministro em manter a isenção tributária dos dividendos dos fundos imobiliários ajudou na performance dos FIIs, que acumulam no mês de julho uma alta de 2,3%*, contra queda de 0,9% do Ibovespa no mesmo período.
Por outro lado, com o avanço da vacinação contra a covid-19, o mercado vem aos poucos reagindo. De acordo com a SiiLA, empresa que monitora o mercado, o segmento de lajes corporativas registrou pela primeira vez, desde o início da pandemia, absorção líquida positiva (em outras palavras, mais inquilinos chegando nos escritórios do que saindo deles). Isso aumenta o otimismo para uma possível retomada das ocupações dos escritórios, após um 2020 e início de 2021 extremamente desafiadores com o fantasma da crise e do “home office eterno”.
Para conhecer quais são as nossas recomendações para investir em fundos imobiliários agora, acesse a nossa carteira mensal de FIIs clicando aqui!
*Performance até o dia 29/07/21
O dia de hoje contou com a divulgação de importantes dados econômicos sobre inflação, mercado de trabalho e contas públicas.
Logo no início do dia, a inflação medida pelo IGP-M (indicador que mistura preços ao consumidor, atacado e construção) de julho veio abaixo do esperado, em 0,78%, levando o acumulado em 12 meses para 33,8%. O resultado vem em momento de fortes pressões sobre os preços e ganha atenção especialmente diante da proximidade da reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom).
Tivemos também a divulgação dos dados de mercado de trabalho formal medidos pelo Caged, que registrou surpresa positiva em julho, puxado tanto pela retomada da atividade (com destaque pro setor de serviços), quanto pela nova rodada do programa de apoio ao emprego formal, o BEm.
Finalmente, o resultado primário do governo central de junho reforçou o cenário majoritariamente positivo para as contas públicas esse ano, apesar de um pouco pior que o esperado (puxado pela antecipação de alguns benefícios sociais). Isso porque a arrecadação continua muito forte na esteira da recuperação da atividade, consolidando uma melhor substancial para a dívida pública no ano – algo que até alguns meses atrás, poderia até conter ironia.
Mas os riscos fiscais seguem à vista, especialmente conforme avançam discussões sobre o orçamento de 2022, e investidores devem seguir atentos aos movimentos de Brasília nos próximos meses. Nos próximos dias, entretanto, mercados devem seguir mais puxados pelo tom do cenário externo e por expectativas para a elevação da taxa Selic na próxima quarta-feira, quando o investidor pessoa física deve ficar de olho no impacto principalmente nos mercados de renda fixa e câmbio.
- Antes da vacina contra a Covid, a Moderna não tinha nenhum produto no mercado. Depois, sua ação valorizou mais de 1.000%.
- Mas é praticamente impossível saber quais empresas de biotecnologia serão totalmente bem-sucedidas na fabricação de novidades que revolucionem a medicina.
- O Trend Biotecnologia é uma forma inteligente de investir em todas as candidatas ao mesmo tempo.
Qualquer investidor de ações mais arrojado deve ter pensado, em algum momento de 2020, como teria sido bom um investimento, alguns meses antes, nas ações da Moderna. O papel valorizou nada menos que 1.060% entre o início de março do ano passado e hoje (preço consultado em 29 de julho de 2021 por volta do meio dia).
Vale lembrar que a empresa existe desde 2010 mas nunca havia lançado outro produto no mercado antes da vacina de m-RNA hoje usada em campanhas de imunização contra a Covid-19 em dezenas de países. Tanto que, da estreia na bolsa em 2018 até o ano passado, a ação praticamente não havia se movimentado:

Movimentos parecidos, ainda que menos intensos, aconteceram com papéis de outras empresas que desenvolveram testes e outras vacinas contra a Covid-19. A ação da BioNTech, parceira da Pfizer na elaboração de um dos imunizantes usados no Brasil, valorizou 725,7% no mesmo período.
Mas a verdade é que no início de março de 2020 ninguém teria como prever o tamanho do desafio que seria o coronavírus e, mesmo depois, impossível ter certeza sobre quais das vacinas em desenvolvimento seriam as mais bem-sucedidas nos testes clínicos.
Esse é o grande desafio do setor de biotecnologia. Existem empresas de altíssima qualidade pesquisando soluções para problemas imensos da humanidade, da cura para o Alzheimer às possíveis vacinas contra o HIV. Com o envelhecimento da população, essas soluções serão ainda mais demandadas com o passar dos anos. Segundo a ONU, até 2050, uma em cada seis pessoas no mundo terá mais de 65 anos (16%), acima de uma em 11 em 2019 (9%). Prevê-se ainda que o número de pessoas com 80 anos ou mais triplicará, de 143 milhões em 2019 para 426 milhões em 2050.
Mas as métricas dos analistas de mercado não são capazes de medir isso. Receita, margem, VPL? Nada disso é válido na hora de descobrir qual vai ser a próxima grande estrela desse setor. E mesmo cientistas que “manjam do rolê” não podem dar respostas antes de todos os testes realizados.
Como investir em biotech, então?
A lógica aqui é a mesma que aplicamos às carteiras de investimentos: diversificar. Quem tem maiores chances de ganhar uma bolada com empresas de biotecnologia é quem investe um pouquinho em cada uma das candidatas ao posto de “nova Moderna”.
Da maneira “tradicional”, isso significaria pesquisar todas essas empresas, filtrar aquelas com maiores chances de desenvolver tecnologias inovadoras, comprar todos esses papéis no mercado e, bom, desembolsar bastante dinheiro no processo. Fora o sangue frio para acompanhar todos esses investimentos por um prazo longo, talvez a se perder de vista.
Mas o mercado evoluiu e hoje já existem maneiras mais simples (e muito mais baratas) de incluir essa estratégia no seu portfólio. A mais nova delas é o Trend Biotecnologia, lançado pela XP Inc. e já disponível na plataforma da Rico.
Conta mais desse Trend
Claro que conto! O Trend Biotecnologia é um “pacote” com as empresas mais promissoras desse setor listadas no mercado americano, mas com receitas tanto nas Américas como na na Europa, Ásia e outras regiões.
Ele replica o desempenho do ETF Invesco Nasdaq Biotechnology, que segue um índice de mesmo nome hoje composto por cerca de 270 empresas de biotecnologia ou do setor farmacêutico, com um mínimo de valor de mercado e de volume negociado diário e balanceadas de acordo com seu valor de mercado.
A maior posição do fundo atualmente é, justamente, a Moderna (cerca de 11% do peso), mas ele também inclui nomes como a AstraZeneca, a BioNTech e a Gilead Sciences, que, entre outras iniciativas trabalha em um inibidor de ação prolongada em pessoas com experiência de resistência a multidrogas contra HIV.
Por seguir um índice rebalanceado esporadicamente (a cada 3 meses) com os principais nomes desse mercado, o Trend Biotecnologia oferece justamente a possibilidade que mencionamos anteriormente, de exposição a diversos nomes do setor sem precisar escolher seus “cavalos” nessa corrida. A estratégia também é hedgeada, ou seja, tem proteção contra as oscilações do câmbio.
Mais que isso: não é necessário aplicar muito do seu patrimônio nessa tese. O valor inicial de investimento no Trend Biotecnologia é R$ 100 e a taxa de administração é de 0,5%.
Se quiser investir, é só acessar a sua conta da Rico e pesquisar, na aba de fundos, “Trend Biotecnologia”. Mas não se esqueça: como qualquer estratégia de renda variável, é essencial avaliar o seu perfil antes de correr os riscos desse investimento.
*Por Paula Zogbi e Júlia Aquino
- Jogos Olímpicos: tempo de vibrar, torcer, lamentar não ter levado mais a sério as aulas de natação na infância e… investir, claro
- Com investimentos massivos, o maior evento esportivo do mundo movimenta a economia local e, historicamente, a maioria das bolsas de valores dos países-sede apresentam altas no período dos jogos
- As empresas patrocinadoras também costumam ter grande visibilidade, o que tende a impulsionar as receitas (e também suas ações)
- Conheça as patrocinadoras do evento para investir agora
Jogos Olímpicos: tempo de vibrar, torcer, lamentar não ter levado mais a sério as aulas de natação na infância… Após muita espera, estamos vivendo a Tóquio 2020 intensamente, mas na medida do possível: sem torcedores nas arquibancadas, com um monitoramento constante da pandemia e correndo o risco de um cancelamento no meio do caminho, conforme informou o chefe do comitê que organiza os jogos.
Com ou sem aglomeração, o maior evento do mundo já movimenta as programações das TVs nas madrugadas da casa de muitos de nós (por aqui estou dormindo bem menos que o normal para vibrar com as conquistas de medalhas). E a realização dos jogos em si já é uma boa notícia — financeiramente — para alguns grupos.
Para começar, as cidades-sede. A última edição movimentou US$ 9 bilhões, por exemplo, e o Ibovespa subiu 2,5% entre 5 e 21 de agosto de 2016, janela da Rio 2016. Aliás, segundo um estudo da Bespoke (pré-2016), em 75% dos casos as bolsas dos países-sede têm altas entre a abertura e o encerramento do evento, com média de valorização de 1,74% e mediana de 2,32% — nada mau para um período de cerca de duas semanas.
A pior performance foi na edição de 2008 na China, que aconteceu durante o estouro da bolha hipotecária nos EUA, quando o índice Shangai Composite despencou 7,69%; o melhor retorno foi um salto de 9,41% do S&P 500 na edição de 1984 em Los Angeles.
Levantamos também os desempenhos das bolsas locais em 12 meses nas edições mais recentes dos jogos, comparando com o desempenho anterior ao evento:

Não à toa, gestores e analistas ao redor do mundo buscam embolsar um pouco do frenesi olímpico com exposições e recomendações a empresas capazes mudar de patamar neste período.
Correr para comprar Japão?
Calma, não é tão simples assim. Independentemente do “otimismo olímpico”, o período dos jogos não apaga a situação geral dos mercados. Assim como 2008 foi marcado pela crise das hipotecas subprime, no ano de 2016 estávamos em pleno processo de impeachment no Brasil (o que gera grande incerteza); no período que englobou a edição de 2012 o mercado sofria efeitos da crise dos PIIGs (quando Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha, não puderam honrar dívidas públicas) e neste ano estamos vivendo a pandemia de Covid-19.
O Japão não está entre os países que mais vacinaram contra a Covid-19 e ainda estamos passando por uma incerteza muito grande em relação ao ritmo de retomada da economia, principalmente pela falta de informação sobre a resposta às novas cepas. Nossa tese aqui não é “compre Japão” indiscriminadamente, mas sim para ficar de olho em empresas de boa qualidade e bons fundamentos que podem se beneficiar do evento.
Diversos estudos a partir das edições anteriores dos jogos mostram que o período estimula altas significativas no valor de mercado das patrocinadoras do evento e no volume negociado para essas ações em bolsa (um exemplo de 2012 com acesso gratuito). Quatro das grandes patrocinadoras desde 2000 costumam performar melhor que o benchmark global de ações MSCI World Index durante os meses dos jogos, conforme mostrou o Yahoo Finance em 2016, e só uma delas, a Coca-Cola, perdeu para o índice no acumulado dos anos olímpicos, na média:
Neste ano, para somar, os jogos, caso bem-sucedidos, representam uma sensação de volta à normalidade, apesar de todas as restrições. As empresas com maior potencial de crescimento na bolsa, então, são aquelas que se beneficiam tanto da exposição como da reabertura da economia.
A partir da lista de patrocinadores oficiais do evento, passamos um filtro quantitativo nas ações dessas empresas para descobrir quais delas têm recomendação de compra pelos analistas especialistas em seus respectivos setores — assim, indicamos as que têm maior potencial de retorno conforme a avaliação da maior parte dos especialistas em seus respectivos setores. Da lista, oito têm BDRs para você investir sem precisar “sair” do Brasil. O resultado está no botão abaixo (e relaxa, é de graça).
Esse artigo inaugura a parceria entre a Rico e a Giant Steps.
Quinzenalmente, você receberá conteúdos sobre diversos assuntos – o mercado, fundos quantitativos, uso de dados, algoritmos – tudo sob a ótica da Giant Steps.
Boa Leitura!
Você já teve aquela sensação de que o tempo está acelerando? Que o dia passa cada vez mais rápido? Normalmente esta sensação chega no Natal, quando de repente toda a cidade já está decorada para o dia 24 de dezembro.
Bem-vindo ao mundo exponencial.
Um mundo onde todos os dias recebemos no WhatsApp um vídeo novo com uma tecnologia revolucionária que vai mudar nosso dia-a-dia de forma brutal, as famosas tecnologias “disruptivas”. Senti isto na pele quando tive a oportunidade de andar num Tesla. Eu aprendi a dirigir em um carro manual e, agora, não precisamos nem de alguém dirigindo? Como isto chegou tão rápido?
Neste novo mundo, nossos modelos mentais – aqueles que criamos ao longo da vida para entender nossa realidade – já não se aplicam mais.
Podemos dar inúmeros exemplos disso.
Pense em uma empresa de carros. Qual vem à sua cabeça? Provavelmente Ferrari, Mercedes ou BMW, ícones do automobilismo – mas a principal empresa de carros hoje, a Uber, não possui um único carro. A mesma verdade aplica-se para a indústria hoteleira, na qual pensamos nas redes Hilton, Marriott e similares, mas a maior empresa de hospedagem – o AirBnb – não possui um único quarto e nenhum hotel.
Mesmo neste cenário, uma indústria aqui no Brasil continua sendo teimosamente vista com as mesmas lentes do passado e as pessoas que participam e investem nela ainda não perceberam o quanto o mundo mudou e o quanto isso impacta o bolso delas.
A indústria à qual estou me referindo é nada menos do que a mais competitiva do mundo: o mercado financeiro, mais especificamente a gestão de fundos de investimentos.
Os últimos 60 anos
Ao longo do último século (o primeiro “hedge fund” surgiu em 1949), gestoras disputavam fervorosamente para obter alguma vantagem competitiva na compra e venda de ativos financeiros. O trabalho dos gestores, na época, residia em analisar informações sobre economia, empresas e o mercado financeiro para encontrar alguma distorção de preço e gerar retorno acima do mercado. Em linguagem mais técnica, gerar Alpha. Em português claro, comprar barato e vender caro.
A chave para encontrar essas distorções de preço reside, em última instância, na capacidade do gestor em analisar informação. Quem possui a melhor informação consegue identificar melhores oportunidades, e, consequentemente, entregar mais resultado.
A grande questão é que o mercado financeiro, assim como todos os outros, mudou completamente.
Analisar informações em 2020 é um trabalho incomparavelmente mais complexo do que no passado. O que assusta neste contexto é a demora das gestoras em se mexer e se adaptar. Enquanto as gestoras líderes globais já utilizam trackeamento de voos, estratégias de reconhecimento facial e inteligência artificial, no Brasil ainda aposta-se na leitura de jornais e relatórios de research.
Ainda assim, muitos defendem a leitura de jornais e livros como as mais importantes fontes de informação, assim como acreditavam seus antepassados na década de 1940. Vamos, então, nos aprofundar em como os dados estão sendo criados e analisados atualmente e deixamos ao leitor que tome suas próprias conclusões sobre a validade desse argumento.
A explosão de dados
A primeira grande mudança no mercado financeiro é a quantidade colossal de informação produzida atualmente. Segundo estudo da IBM, produzimos cerca de 2.5 bilhões de gigabytes de informação por dia, o que equivale à capacidade máxima de processamento de um milhão de cérebros humanos trabalhando juntos. Lembre-se: por dia, e acelerando.
Em um mercado onde informação é dinheiro, quem consegue processar uma maior quantidade de informação possui enorme vantagem competitiva em relação aos seus concorrentes. O desafio de hoje não é mais acessar a informação, mas conseguir filtrar, de um oceano de dados, apenas a fração que fará a diferença.
Cinquenta anos atrás, a leitura consistente de jornais, pesquisas e livros por um gestor era suficiente para suportar um bom resultado. Trinta anos atrás, as gestoras passaram a expandir suas equipes e acessar informações em vários países, analisar dezenas de balanços de empresas, além de atas de conferências e relatórios. Com o advento da internet, fazer isso de maneira manual tornou-se impossível.
A opção foi:
- Manter a equipe e, de forma manual e subjetiva à experiência do gestor, escolher quais materiais analisar, ou;
- Automatizar o processo de coleta de informações através de investimento maciço em tecnologia.
As fontes de informação podem ser das mais diversas: Twitter, Blogs, mídias sociais. Nossa intuição diz que não há informação relevante aí. Mas imagine você ser o primeiro a ler um post do Biden sobre guerra comercial. Quanto vale essa informação?
Não há limites para acesso à informação hoje, exceto pela criatividade do gestor.
Não utilizar tecnologia hoje equivale a jogar tênis contra o Federer com os olhos vendados.
É crucial entender que, sem tecnologia, a probabilidade de sucesso é reduzida à pura sorte. E nós, na Giant, não queremos contar com a sorte.
Manual de sobrevivência
Uma metáfora sobre Fórmula 1 transmite muito bem a intuição do que fazemos na Giant.
Pense no melhor piloto da história da Fórmula 1: Ayrton Senna. Entre os próprios pilotos da F1, Senna é considerado como o maior talento do esporte.
Acho que todos estão de acordo que, para vencer uma corrida de F1, o piloto é uma das peças mais importantes para determinar se uma equipe sairá vitoriosa de uma corrida.
Apesar disso, Senna dirigindo a Lótus da década de 80 não teria a menor chance disputando com o último colocado da F1 num carro de 2020. Sem um carro moderno com os recursos atuais e uma excelente equipe gerenciando a corrida, nem o melhor piloto fará diferença – é impossível vencer.
Essa ideia é o pilar que sustenta a Giant. Procurar, sim, pelos Sennas, mas não depender unicamente deles. Desta forma, unir pessoas brilhantes (que equivalem aos pilotos) ao que há de mais avançado em termos de tecnologia (que equivalem ao carro e à equipe de engenheiros).
Na nossa visão, essa é a única forma possível de garantir alguma vantagem competitiva e entregar resultados consistentes aos nossos investidores – hoje e no futuro.
Uma boa notícia para você, investidor, é a sua liberdade de escolha nesse cenário. Você pode escolher em qual equipe quer apostar. Se você acha que as engrenagens do mercado financeiro não mudaram, aposte na metodologia tradicional. Se você é como nós e acredita que estamos vivendo num mundo exponencial, no qual as mudanças ainda nem começaram a acelerar, a Giant é a sua gestora.
*por Zé Rico, analista técnico da Rico
- Na negociação intradiária, duas forças impactam no deslocamento do preço de um ativo: a ativa e a passiva
- Nessa Terça Trader, explicamos o que é força ativa e como o Times & Trades pode ajudar a ler qual é o tipo de player no mercado
Na semana passada, falamos sobre as duas forças que impactam no deslocamento do preço de um ativo no mercado nas negociações intradiárias:
- Força ativa: realizada através das ordens a mercado ou ordens de agressão no mercado;
- Força passiva: formada pelas ordens limitadas ou de oferta.
Cobrimos a força passiva e como consultar na tela o book de ofertas na semana passada aqui. Hoje, vamos focar na força ativa e nas ordens a mercado.
A força ativa do fluxo de ordens pode ser analisada por uma ferramenta chamada Times & Trades ou histórico de negócios, que, assim que o book de ofertas, está disponível para consulta na plataforma ProfitChart Pro.
Na aba com o nome de “negócios”, que mostra a data do negócio, quem foram o comprador e o vendedor, cotação do ativo e quantidade de contratos negociados entre as partes:

Essas informações são cruciais para que o trader possa analisar a força de agressão no mercado, que pode ter dois sentidos: comprador ou vendedor, depende de quem iniciou o negócio. As ordens a mercado executadas a partir de cada ponta consomem a liquidez dos ativos, e ajudam a identificar qual é tipo de player está negociando o ativo no momento.
Através desses dados podemos extrair, por exemplo:
- A existência de mais de um player forçando o rompimento de determinada barreira de preço;
- Qual o nível da intenção do player em uma região de interesse do ativo, através da quantidade de lotes realizados;
- A existência de algoritmos ou robôs por parte de grandes instituições;
Assim como acontece com o book de ofertas, observar o Times & Trades auxilia o trader na tomada de posição no mercado de bolsa, principalmente na aplicação da análise de fluxo no day trade.
Leia mais Terça Trader:
Book de ofertas, força passiva e como usar essas informações
Trade location: como ganhar com ativos muito negociados no mercado
O que é tape reading e como usar?
Day Trade é muito arriscado? Conheça a proteção do stop loss
- Quando chega a hora de investir e selecionar o que faz sentido para o seu dinheiro, pode dar uma “tela azul”, né?
- Fundos passivos e ETFs podem ser uma forma inteligente de facilitar esse processo dentro da sua carteira
- Em vez de escolher quais os melhores navios para determinado trajeto, você investe na frota como um todo, diluindo os riscos e equilibrando melhor sua carteira
- Conheça melhor esse mercado, em texto e vídeo!
Caros(as) 13 leitores(as), vocês já se diferenciam muito de boa parte da população pelo interesse em entender cada vez mais sobre o mundo dos investimentos e como ele pode ajudar a guiar uma vida financeira mais adequada. Porém, chega aquele momento de definir onde você vai investir o seu dinheiro, e nessa hora a “tela azul do windows” aparece dentro da nossa cabeça…
Esse momento é completamente normal, afinal de contas, são muitas alternativas e você precisa se preparar para escolher quais delas fazem sentido. Por exemplo, para investir no mercado acionário, você precisa estar pronto para definir quais empresas você vai querer se tornar sócio, correto? É, também pode ser assim, mas não necessariamente.
Se podemos chamar instrumentos financeiros de “democráticos”, aqui vamos falar de um dos principais entre eles: ETFs e fundos passivos. Aliás, esse foi o tema da nossa participação no Coffee & Stocks, o programa matinal do Stock Pickers, na sexta passada:
Eu bati um papo com Henrique Sana, estrategista de índices e ETFs da XP Inc, uma das principais mentes que está por trás dessa frente no grupo. Foi com o exemplo do navio vs. frota que ele explicou a diferença entre selecionar os ativos que fazem mais sentido para você ou investir num ETF/ fundo passivo.
Em vez de gastar energia para saber qual o melhor navio que vai percorrer uma determinada distância, com ETFs e fundos passivos você pode apostar na frota como um todo, sem precisar se preocupar em acertar exatamente o grande vencedor desse trajeto. Mas por que isso pode ser vantajoso?
O primeiro ponto aqui é a praticidade: com valores baixos, você já pode adquirir cotas de um ETF ou de um fundo passivo, como é o caso da família Trend de fundos. Mesmo que seu patrimônio não pareça um número telefônico, você consegue acessar os mais diversos mercados e sempre de maneira diversificada.
Sim, a diversificação é uma grande vantagem. ETFs e fundos passivos replicam os índices de referência dos mercados. Ou seja, num único investimento, você vai acessar uma carteira completa de ativos, nos seus determinados pesos, diluindo seu risco.
Sem dizer que, como esses fundos apenas replicam índices de referência, não existe necessidade de uma estrutura gigantesca com vários profissionais dedicados a construir a carteira do fundo e acompanhar os investimentos de perto. Isso torna ETFs e fundos passivos mais baratos, com taxas de administração mais magras que fundos de investimento com gestão ativa.
E o último ponto, bola aliás que eu levantei no programa, a liquidez costuma ser bem maior. Esses fundos possuem prazos de resgate pequenos. No caso dos ETFs (que são negociados em bolsa), a grande facilidade é comprar e vender suas cotas dentro do ambiente da B3, por exemplo, que deixa tudo mais rápido. No contexto de diversificação de carteira, ter parcela investida em fundos passivos e ETFs equilibra muito a liquidez geral da sua carteira.
Mas e os fundos ativos? Não fazem sentido?
Os fundos ativos e passivos podem dividir espaço dentro de uma mesma carteira de investimentos. O fato é que, como o próprio Sana explicou na live, ao investir num fundo que possui como objetivo simplesmente replicar o índice de referência do mercado, a preocupação de superá-lo some, justamente o propósito dos fundos ativos, afinal, você está investindo no próprio mercado.
Atualmente, em nossas carteiras recomendadas, nos perfis que possuem exposição a ativos internacionais, nós recomendamos algumas exposições passivas, como: Trend High Yield Americano para renda fixa global, Trend Bolsas Europeias ou EURP11 para acessar o mercado acionário europeu e o Trend ESG Global para investir em empresas ao redor do mundo, com o critério ESG como fundamental na seleção dos ativos. Confira aqui nossas carteiras recomendadas para julho!
E claro, aproveita que você pode acelerar o vídeo e assista como foi o Coffee & Stocks com o Sana, falamos um pouco sobre os principais ETFs e fundos passivos que a XP Inc lançou recentemente. Confere lá.