- No Brasil, já é ditado popular que o ano só começa após o carnaval. Sendo assim, chegou a hora de você começar a executar seus planos financeiros para 2022.
- O mês de março carrega todas as preocupações de seu antecessor, adicionando uma crise grave na Ucrânia com impactos em todo o mundo.
- Veja nesse “Onde Investir” de março, nossa sugestão de carteiras para cada perfil de investidor, além de nossas recomendações para proteger seu patrimônio nesse momento.
Chegamos ao início de março. Por aqui e ao redor do mundo, os principais destaques no radar dos investidores darão a sensação de “déjà-vu” do mês passado: inflação alta e juros em elevação (para conter a alta de preços). Mas, dessa vez, com um novo desafio de natureza geopolítica: o desenrolar da crise envolvendo Rússia, OTAN e Ucrânia, principalmente após a efetivação da invasão de territórios ucranianos.
Em um cenário que lembra muito mais do que gostaríamos o mundo na era da Guerra Fria, o início de março também marca aquela sensação que todo brasileiro conhece muito bem: o ano começou! E para esse começo “real, oficial” de 2022, nada melhor do que pensar nos seus investimentos.
Mas, antes de pular novamente as sete ondinhas e entender o que esperar para esse mês, vamos a nossa sugestão de alocação para o mês de março.

Vale lembrar que a escolha da alocação – ou seja, onde investir (ou alocar) seu dinheiro da maneira mais adequada – de acordo com seu perfil de investidor, seus objetivos e seu horizonte de investimento, é essencial na busca de bons retornos no longo prazo.
Por isso, cada parcela da tabela acima indica uma sugestão de investimento em determinada classe de ativos, para melhor encaixar seus objetivos com o contexto atual. E abaixo, te explicamos o porquê dessas escolhas!
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Rússia X Ucrânia: como se proteger do inesperado?
Com a efetiva invasão da Ucrânia por tropas da Rússia, o tema se tornou o principal ponto de preocupação e atenção de investidores no mundo todo – e deve seguir ao longo desse mês. Detalhamos aqui na Riconnect o contexto desse imbróglio geopolítico pouco antes da eclosão do conflito.
Além da tragédia humanitária, sabemos que eventos inesperados como esse tendem a levar investidores à decisões precipitadas, como mudar rapidamente a carteira de investimentos, em busca de proteções imediatas ou “oportunidades únicas”.
Porém, a verdade é que, se a história nos ensina alguma coisa, é que o melhor a fazer em momentos como esse é: nada. Sabemos que o imediato pós crise será tomado por volatilidade nos mercados, e que mudanças bruscas nos investimentos em momentos como esse tendem a se provar ineficazes.
Por esse motivo, começamos nossas indicações de investimento de março com duas palavras mágicas: diversificação e proteção.
A importância da diversificação
Você já ouviu a frase atribuída ao legendário investidor Warren Buffet “você só descobre quem está nadando pelado, quando a maré baixa”? Pois bem. Momentos como o atual acabam servindo como a maré da metáfora de Buffet, reforçando a importância da diversificação na proteção contra o inesperado.
Diversificar seus investimentos entre mercados, geografias, classes de ativos, e até estratégias de investimento (como as implementadas por gestores) vai te ajudar a criar uma proteção “natural” na sua carteira. Isso porque eleva as chances de que quando um ativo na sua carteira estiver caindo, outro esteja subindo – ou, ao menos, se mantendo estável.
Ativos defensivos: dólar, ouro e ativos reais
Pensando em diversificação para proteger do inesperado, vale lembrar de investimentos que servem como proteção para sua carteira.
- Ativos dolarizados: O dólar tende a ter um papel importante de proteção em momentos de incerteza global, por ser considerado um “porto seguro”, para o qual investidores fogem em crises – valorizando a moeda. Mesmo em crises que se originam no próprio EUA, investidores globais correm em direção à moeda americana em busca de segurança, diante da solidez da economia e da moeda.
Mas aqui vai um alerta: não indicamos a compra de dólares em si, mas sim investir em ativos dolarizados. Esse texto explica bem essa filosofia, e te indicamos abaixo ótimas maneiras de se fazer isso.
- Ouro: Além de também ser uma reserva de valor considerada um “porto seguro” em momentos de incerteza, o ouro é um ativo escasso e tende a se beneficiar em momentos de inflação alta – como contaremos adiante. Uma maneira mais fácil do que comprar joias e investir em ouro é por meio do fundo Trend Ouro.
Se proteja e encontre oportunidades na inflação
Como contamos aqui em detalhes, uma das principais consequências do atual conflito entre Rússia e Ucrânia é a deterioração de algo que já está no radar há muitos meses: a inflação.
Isso acontece, porque tanto Rússia quanto Ucrânia são grandes produtores de commodities energéticas e agrícolas, como petróleo, gás natural e milho, além de fertilizantes. A menor oferta dessas commodities causada por disrupções à produção ou sanções econômicas (bloqueios à venda de produtos russos, por exemplo) eleva ainda mais os preços de bens produzidos e comercializados ao redor do mundo.

Para se ter uma ideia, enquanto a inflação ao consumidor no Brasil segue acima de 10%, os Estados Unidos seguem lutando contra a marca dos 7%, e até a Alemanha amarga níveis recordes de preços ao consumidor e ao produtor.
É por isso que, nesse mês, seguimos destacando a importância de investimentos que não somente te protejam contra a alta de preços, mas também que apresentem oportunidades nesse cenário.
Renda fixa
Na renda fixa, a melhor pedida se a sua vontade for correr para longe dos efeitos inflacionários são os títulos indexados ao IPCA – a famosa “inflação” no nosso gráfico de alocação lá de cima. Essa classe inclui os títulos Tesouro IPCA+, títulos bancários (como CDBs, LCIs e LCAs) e o crédito privado, como as debêntures.
Mas atenção: a única forma de realmente garantir um ganho acima da inflação é mantendo o seu dinheiro investido até a data de vencimento do título! Resgatando antes, você se sujeita aos efeitos da marcação a mercado.
Caso você precise de um dinheiro com liquidez, ou seja, disponível para saque em tempo real, a renda fixa também é sua aliada. Mas, para isso, o ideal é buscar títulos pós-fixados, que normalmente remuneram um percentual da taxa Selic, com liquidez diária. A “boa notícia” nessa frente é que a Selic também está em alta – ou seja, pagando rendimentos acima da inflação neste momento. Então, seu dinheiro continua protegido.
Saiba mais sobre renda fixa aqui e conheça nossas recomendações aqui.
Ativos reais e commodities
Além de ativos que caminham junto com a inflação, vale também destacar que esse cenário de commodities e inflação em alta e elevada incerteza também favorece (como imaginado) as próprias commodities, além da classe de ativos reais.
Como o próprio nome diz, os ativos reais têm um valor em si mesmo e, assim, costumam ter baixa correlação com ciclos econômicos e inflação. Exemplos desses ativos são metais preciosos, commodities, e – em menor escala – criptoativos. Uma alternativa simples para acessar esses investimentos é por meio do eTrend Ativos reais.
Ainda vale investir fora do Brasil?
Finalmente, nosso último destaque de alocação para o mês são os investimentos internacionais – que indicamos para todas os perfis de investidor, com exceção ao “precavido”.
Caso você tenha uma carteira de investimentos diversificada, provavelmente percebeu que a parcela internacional sofreu substancial desvalorização nos últimos meses, que se intensificou com a eclosão do conflito russo-ucraniano.
Diante dessa queda, alguns investidores começaram a se questionar: “será que vale a pena manter meus investimentos internacionais, ou chegou a hora de apostar tudo na bolsa brasileira, que tem surfado melhores momentos?”.
Antes de tomar essa decisão, é importante entender os dois principais motivos por trás desse movimento:
1. A queda em bolsas internacionais, especialmente entre ações de tecnologia. Como te contamos aqui, esse movimento tem sido motivado principalmente pela expectativa de elevação da taxa de juros nos Estados Unidos, como forma de conter a inflação. Mais recentemente, a “fuga para ativos seguros” causada pela crise russa ampliou esse movimento.
2. A valorização do Real. Te contamos aqui que nossa moeda tem surpreendido com a valorização recente, como vemos no gráfico abaixo. Esse movimento foi impulsionado pela: alta da nossa taxa básica de juros, que atrai capital estrangeiro; alta do preço das commodities (que exportamos muito); e por ativos financeiros descontados por conta do cenário macroeconômico e político desafiador.

Essa combinação de desvalorização das ações americanas, de um lado, e desvalorização do dólar em relação ao real, do outro, fez o investidor brasileiro sentir as duas quedas ao mesmo tempo.
A importância da diversificação internacional
Apesar do comportamento recente, investimentos internacionais seguem sendo essenciais na composição da carteira de quase todos os tipos de investidor. Ter parte de seu patrimônio em ativos dolarizados (ou outra moeda estrangeira forte) te ajuda a:
- Proteger sua carteira em momentos de incerteza elevada – como eventos geopolíticos, como a atual crise entre Rússia e Ucrânia – em que investidores tendem a fugir para ativos mais seguros, como o próprio dólar e títulos da dívida americana, os valorizando;
- Investir em setores que muitas vezes não existem ou ainda são muito incipientes em nossa economia e em nossa bolsa, como é o caso das empresas de tecnologia; Diversificação!
- Proteger sua carteira de eventos e incertezas puramente domésticas, como eleições e movimentos políticos.
Assim, apesar de esperarmos um mercado bastante agitado no mundo nos próximos meses, boas oportunidades podem surgir para investidores, tanto aqueles que querem começar a investir globalmente, quanto para aqueles que já olham para esse tipo de investimento.
Como investir fora do Brasil?
- Wellington Ventura 30 Advisory: um fundo de investimentos que oferece proteção contra a variação do dólar, podendo ser uma boa opção para não sofrer o duplo impacto mencionado no texto acima – ficando exposto apenas à variação do preço das ações nesses países.
- DNA Brave Global. Os fundos DNA são como uma carteira pronta para o investidor que quer diversificar, sem trabalho. Com a aplicação mínima de R$500,00, nesse fundo você consegue ter uma carteira diversificada em ações internacionais e exposição ao dólar.
- USAL11: Se você preferir “só as líderes”, com esse instrumento você investe nas maiores empresas americanas por menos de R$10,00. Você estará exposto à variação do dólar e das ações americanas.
- BDRs: para aqueles investidores mais experientes, que preferem escolher as empresas e montar uma carteira com ações americanas negociadas aqui no Brasil. Quer saber mais sobre BDR’s, confira nosso conteúdo completo!
- A escalada do conflito entre Rússia e Ucrânia preocupa investidores ao redor do mundo;
- O que fazer nesse momento? Ter calma, não tomar decisões precipitadas ou sair em busca de proteção!;
- Mas esse não é o primeiro e nem será o último evento geopolítico a mexer com os mercados;
- Assim, entenda aqui como você pode proteger seus investimentos destas turbulências.
Com a efetiva invasão da Ucrânia por tropas da Rússia, o tema se tornou o principal ponto de preocupação e atenção de investidores ao redor do mundo. Antes da eclosão do conflito, já havíamos te adiantado os principais motivadores do que viria hoje (infelizmente) a se concretizar, detalhando os potenciais impactos na economia e nos mercados – entenda tudo aqui.
Mas, independente do desfecho do atual conflito, sabemos que eventos geopolíticos como esse volta e meia aparecem, muitas vezes motivados por questões territoriais. Quando essas tensões consomem o espaço dos jornais, os mercados globais costumam não responder muito bem – especialmente quando olhamos para bolsas.
Quem investe em renda variável vai entender: geralmente os investimentos em ações são os mais sensíveis a estes momentos, e vemos a sensibilidade cair conforme nos aproximamos da boa e velha renda fixa.
Porém, quanto desses movimentos são relevantes de fato para o longo prazo?
A geopolítica importa no longo prazo?
Essa é a pergunta que devemos nos fazer. Afinal, colocar parte de suas economias em uma empresa é um movimento indicado para o longo prazo, e não apenas para investimentos de curtíssimo período.
E quando olhamos para o longo prazo, a história nos diz que…”não tanto assim”.
Tomando como exemplo a performance do principal índice de ações dos Estados Unidos, o S&P500, desde 1940, podemos ver que: após uma reação inicial negativa em relação a eventos geopolíticos (como invasões e conflitos), em 75% dos casos o índice subiu nos 12 meses seguintes – com uma média de performance de + 8,6%.
Como podemos ver, apesar de uma reação imediata negativa (bastante acentuada, em alguns casos), a recuperação costuma vir logo em seguida. Isso mostra que conflitos são questões seríssimas e que devemos acompanhar com cautela, mas que não necessariamente são relevantes para nossas decisões de investimento, principalmente no longo prazo.
Assim, a primeira lição que tiramos é: o que fazer quando eventos como esse eclodem? Nada! Pois sabemos que o imediato pós crise será tomado por volatilidade, e que mudanças bruscas nos investimentos em momentos como esse tendem a se provar ineficazes.
Diversificar para enfrentar o inesperado
Dito tudo isso, uma boa forma de proteger o seu dinheiro de eventos inesperados como um conflito entre países do outro lado do mundo é a diversificação. Esse é aquele conselho que nunca se torna repetitivo.
Uma carteira adequada ao seu perfil de investimento vai tornar essas oscilações mais “suaves”, ou em linha com as suas expectativas, sem grandes surpresas que possam gerar desespero e tomada de decisões levadas puramente pela emoção.
Diversificar seus investimentos entre mercados, geografias, classes de ativos, e até estratégias de investimento (como as desenhadas por gestores) vai te ajudar a ter uma descorrelação vencedora na sua carteira, reduzindo o risco e aumentando ganhos no longo prazo. Ou seja, quando um ativo na sua carteira estiver caindo, há maiores chances de outro estar subindo – ou, ao menos, estável.
Ativos defensivos
Tá certo! Mas, além da diversificação, não posso fazer nada para me proteger de incertezas como essa?
Essa é uma excelente pergunta! Sim, podemos investir em ativos que possuam características defensivas. Ou seja, que em momentos de estresse de mercado costumam apresentar performances positivas – ou, ao menos, se manter relativamente estáveis.
O primeiro delas e um dos mais polêmicos é o dólar. A moeda lastreada na economia mais robusta do planeta traz um componente de “porto-seguro” para sua carteira.
Em momentos em que os investidores “fogem do risco”, o dólar costuma se valorizar. Mas devemos comprar dólares e guardar debaixo da cama? Não! Aliás, dependendo do montante é até ilegal…
Então seria um fundo cambial de dólar? Exceto se você esteja querendo visitar o Mickey em Orlando e queira fazer uma reserva de dinheiro para gastar por lá, sem perder o poder de compra na moeda americana, também não é a melhor opção.
Investir em ativos dolarizados é a forma mais inteligente de dolarizar sua carteira. Também já te contamos mais sobre isso, basta clicar aqui para conferir.
E o ouro?
O bom e velho ouro também é uma boa forma de proteger sua carteira de investimentos, principalmente no momento atual, em que as commodities tem ganhado bastante força num ambiente mais inflacionário. Ricardo Kazan, sócio e gestor da Legacy Capital, comentou sobre o seu cenário para este ativo no último episódio do Stock Pickers.
Além de ser uma reserva de valor comprovada ao longo de milênios, o ouro é um ativo escasso e deve se beneficiar desse cenário de commodities valorizadas por mais tempo.
A diferença entre o outro e as outras commodities é: a “joia do mercado” costuma ser bem menos volátil do que outros insumos básicos agrícolas e minerais. Assim, provavelmente teremos uma alta mais controlada do ouro do que das demais, mas que ajustada ao seu risco mais baixo, se torna um “cavalo” mais eficiente nesse contexto.
Ah, mas importante lembrar: em momentos de otimismo, proteções são detratoras nos investimentos. Ou seja, tendem a cair. Por isso, sempre olhe para eles na sua carteira como o que ela deve ser: uma proteção ao inesperado.
- Prévia da inflação de fevereiro surpreende para cima, e inflação segue uma das principais preocupações do brasileiro.
- Mesmo com a valorização do Real, não parece ser suficiente para compensar a pressão no aumento de preços ao consumidor.
- Quer saber como investir seu dinheiro nesse cenário? Confira nesse texto.
A prévia de fevereiro da inflação, medida pelo nosso principal indicador de preços ao consumidor (o IPCA-15), registrou alta de 0,99% no mês. Em doze meses, o indicador já acumula alta de 12,9% – muito acima da meta do Banco Central para o ano (de 3,5%).
O resultado do mês veio bastante acima do esperado pela maior parte dos analistas de mercado, colocando mais lenha na fogueira das preocupações sobre a velocidade da alta de preços. Assim como temos visto em boa parte do mundo, a alta de preços por aqui no período foi impulsionada especialmente por bens industrializados – como carros (novos e usados), roupas e artigos de casa.
A esperada normalização das cadeias globais de produção, fruto do avanço da vacinação e do fim das medidas de restrição de mobilidade no mundo, tem sido prejudicada pela forte elevação do preço de insumos básicos para produção – as famosas commodities, como petróleo e metais industriais. Assim, os preços seguem bastante pressionados para produtores ao redor do mundo, o que deve seguir pressionando o custo final ao consumidor.
Vale destacar que a recente valorização do real (ou seja, o dólar caindo) não deve ser o suficiente para diminuir essas pressões sobre a alta de preços – mesmo ajudando um pouco, dado que importamos grande parte de itens usados em nossa produção doméstica (da farinha do pão francês, ao motor do carro e ao petróleo refinado).
Da mesma forma, a atividade econômica perdendo força com a elevação dos juros, e o crédito mais caro, devem contribuir para uma desaceleração da inflação, mas apenas no longo prazo.
Assim, por ora, seguimos projetando que o IPCA encerre esse ano em 5,2% (uma forte queda dos atuais níveis), mas destacamos que os riscos que esse número acabe um pouco mais elevado tem ganhado força.
Como proteger seus investimentos?
Nesse cenário de inflação alta, proteger os investimentos torna-se mais essencial do que nunca. Títulos indexados à inflação, como Tesouro IPCA + 2026, debêntures de empresas sólidas com vencimento médio, e fundos de inflação (fundos de investimento que investem em ativos indexados à inflação) são ótimas alternativas. Falamos mais das melhores oportunidades de renda fixa aqui.
Enquanto isso, a classe de ativos conhecida como alternativos também ganha relevância, especialmente os ativos reais. Esses ativos costumam ter baixa correlação com ciclos econômicos e inflação, como commodities minerais e agrícolas, metais preciosos e criptoativos. Uma alternativa simples para acessar esses investimentos é por meio do eTrend Ativos reais.
Finalmente, também vale destacar alternativas da bolsa. Aqui, selecionamos ações de empresas vistas como de alta qualidade, com margem superior aos seus pares, endividamento baixo, crescimento de lucro e a preços atrativos.
- As recentes quedas da bolsa americana têm preocupado investidores sobre a parcela internacional de seus investimentos.
- Não bastasse isso, o nosso real vem ganhando força, balançando ainda mais a visão sobre investimentos estrangeiros.
- Será que o investidor deveria saltar desse barco gringo, e voltar a pensar só em investimentos no Brasil?
- A resposta curta: não! Te contamos aqui porque investir fora do país ainda vale a pena (e seguirá valendo).
Caso você tenha uma carteira de investimentos diversificada, provavelmente percebeu que sua parcela internacional sofreu uma desvalorização nos últimos dois meses.
Diante dessa queda, alguns investidores começaram a se questionar: “será que vale a pena continuar com os investimentos internacionais ou chegou a hora de tirar esse investimento da carteira e apostar na alta da bolsa brasileira, que tem surfado melhores momentos?”.
Antes de tomar essa decisão, é importante entender os dois principais motivos por trás desse questionamento. São eles:
1. A queda observada em bolsas internacionais, especialmente entre ações de tecnologia, e nos Estados Unidos; e
2. A valorização do real.
Por que a bolsa americana tem caído tanto?
Após um 2021 de forte alta, a bolsa americana tem passado por um 2022 duro.
O ano passado, assim como 2020, foi marcado por estímulos econômicos para evitar que a economia entrasse em uma recessão prolongada diante da pandemia do Coronavírus. Esses estímulos vieram tanto por meio de juros baixos, quanto por meio de auxílio direto (os famosos “cheques” enviados por alguns meses a milhares de famílias são um exemplo do último).
Como imaginado, isso não poderia durar para sempre. Com os dados da economia mostrando clara recuperação, e a indesejável inflação crescendo rapidamente no país, o Banco Central americano deixou claro que começaria a reduzir os estímulos monetários, deixando de comprar ativos no mercado e subindo os juros. Esse movimento de redução de liquidez (ou seja, “menos dinheiro rolando na praça”) impactou os mercados no mundo todo, sendo sentido principalmente em empresas de tecnologia.
Por que tecnologia? As empresas de tecnologia são aquelas que, normalmente, apresentam forte expectativa de crescimento a longo prazo. Assim, a maior parte do valor esperado a ser entregue ao seu acionista (sócio) está no futuro. Só que, para definir o valor justo das ações dessas empresas hoje, esse valor futuro é descontado do valor da taxa de juros – algo que chamamos de “trazer a valor presente”, em finanças.
Por esse motivo, quando a expectativa é de elevação de juros (especialmente no longo prazo), aumenta o custo de oportunidade de manter essa posição até que a empresa comece a trazer resultados financeiros sólidos. Desta forma, o mercado começou a apresentar um movimento de rotação – com investidores saindo de empresas de crescimento para “empresas de valor”.
Empresas consideradas de valor, como bancos e commodities, não sofrem tanto com um aumento de taxas de juros, por normalmente gerarem lucros hoje (daí, o “valor”). Além disso, tendem a ser mais sensíveis a retomada da atividade econômica – algo esperado hoje.
Por que o real tem subido?
Ao mesmo tempo em que vimos esse movimento nas bolsas americanas, o real figurou entre as moedas com maior valorização no mundo nesses primeiros meses do ano. Os principais fatores por trás desse movimento incluem:
- A alta das commodities: o valor negociado internacionalmente de insumos básicos (como alimentos e metais, incluindo gasolina e gás natural) acelerou a alta nesse início de ano, impulsionado pela recente crise envolvendo Rússia e Ucrânia – como contamos aqui. De maneira simplificada, como o Brasil vende esses produtos, quando o preço deles sobe, mais moeda estrangeira entra no país, e nossa moeda valoriza.
- A alta da nossa taxa básica de juros: com a taxa Selic subindo por aqui, fica relativamente mais atraente para investidores colocar dinheiro aqui – dado que a taxa de juros em outros países continua mais baixa. Quanto mais moeda estrangeira entrando, maior o valor da nossa moeda. O movimento de alta em breve dos juros nos Estados Unidos pode prejudicar esse fluxo adiante, mas por ora, nossos 10,75% de Selic X 0% de juro básico por lá tem falado mais alto.
- “Liquida tudo Brasil”: por conta principalmente do cenário macroeconômico conturbado, os ativos brasileiros estão bastante descontados. O Ibovespa, para se ter uma ideia, se encontra no maior patamar de desconto da história em relação à Bolsa Americana. Para parte dos investidores estrangeiros, os preços baixos passam a compensar o risco. Com mais dinheiro gringo entrando, nossa moeda valoriza.
Te contamos aqui mais detalhes sobre essa recente valorização do real, e o que esperar daqui pra frente.
Dólar e bolsa americana em queda
Essa combinação de desvalorização das ações americanas, de um lado, e desvalorização do dólar em relação ao real, do outro, fez o investidor brasileiro que possui investimentos internacionais na carteira sentir as duas quedas ao mesmo tempo.

Ainda vale investir fora do Brasil?
Diversificação entre ativos e geografias
Diante de tudo isso, o que concluímos sobre investimentos internacionais nesse momento?
Caso você acompanhe nossos conteúdos, já deve saber que a resposta para essa pergunta passa por uma palavra chave: diversificação. Como sempre destacamos, uma das melhores ferramentas para o investidor é a diversificação.
Por meio da diversificação, você consegue não somente aproveitar diferentes oportunidades de investimento, como também se proteger de eventos que estão fora do nosso radar ou controle. E quando falamos em diversificação, nos referimos tanto entre tipos de ativos (como renda fixa e renda variável), quanto entre geografias.
As vantagens de investimentos internacionais
Investimentos internacionais seguem sendo essenciais na composição da carteira de quase todos os tipos de investidor – com exceção daquele com perfil mais conservador, onde focamos em ativos de renda fixa locais.
Ter parte de seu patrimônio em ativos dolarizados (ou outra moeda estrangeira forte) te ajuda a:
- Proteger sua carteira em momentos de incerteza elevada – como eventos geopolíticos, como a atual crise entre Rússia e Ucrânia – em que investidores tendem a fugir para ativos mais seguros, como o próprio dólar e títulos da dívida americana, os valorizando;
- Investir em setores que muitas vezes não existem ou ainda são muito incipientes em nossa economia e em nossa bolsa, como é o caso das empresas de tecnologia;
- Proteger sua carteira de eventos e incertezas puramente domésticas, como eleições e movimentos políticos.
Assim, apesar de esperarmos um mercado bastante agitado no mundo nos próximos meses, boas oportunidades podem surgir para investidores, tanto aqueles que querem começar a investir globalmente, quanto para aqueles que já olham para esse tipo de investimento.
Outra excelente ferramenta para o investidor é realizar rebalanceamento de forma periódica em sua carteira de investimentos. Assim, você consegue controlar sua carteira sem deixar que algum investimento fique muito grande ou muito pequeno; ou seja, controlando o risco.
Como investir na bolsa americana?
Além dos muitos fundos internacionais disponíveis na plataforma da Rico, convidamos você a conhecer o novo DNA Brave Global. Os fundos DNA são como uma carteira pronta para o investidor que investe de forma diversificada e realiza rebalanceamentos periódicos para buscar maior rentabilidade, sem exceder o risco esperado.
Esse fundo oferece uma carteira para investidores de longuíssimo prazo (em torno de 10 anos), com posições exclusivamente em fundos de ações americanas para cumprir o papel de sua parcela internacional de investimentos. Com a aplicação mínima de R$500,00, você consegue ter uma carteira diversificada em ações internacionais e exposição ao dólar.
- Você sabia que investir pode ser como montar um prato de comida?
- Um pouco de cada coisa, objetivos claros e respeitos aos seus gostos será essencial nesse processo. E o mais importante? Garantir uma dieta balanceada.
- O conceito de alocação no mundo dos investimentos pode ser muito parecido com as recomendações do seu nutri!
- Confira aqui como “comer, comer, e crescer seus investimentos”.
Você já parou pra pensar que investir é como montar um prato de comida? Calma, não estou ficando louco! Sim, podemos fazer uma comparação simples entre a nossa alimentação e o conceito de alocação, no mundo dos investimentos. Vamos lá!
Para montar um plano alimentar, um nutricionista vai primeiro entender seu perfil alimentar, e o que você se sente à vontade para comer ou não. Além disso, será essencial saber seus objetivos. Emagrecer ou ganhar peso? Se alimentar de forma balanceada? Assim, esse profissional poderá traçar uma dieta personalizada para você.
No mundo dos investimentos, funciona da mesma maneira: antes de olhar para as oportunidades, é importante olhar para si mesmo. Quais os seus objetivos com esse investimento? Pretende deixar por pouco tempo (curto prazo), ou por um período mais longo (longo prazo)? E o seu perfil; você fica confortável tomando mais riscos, podendo ver seu investimento cair eventualmente para ter chances de maiores ganhos no longo prazo, ou prefere confiar em opções mais conservadoras, sem correr grandes riscos?
Não sabe seu perfil de investidor ainda? Não se preocupe! Clique aqui e descubra onde você se encontra na nossa “escada do risco X horizonte de investimentos”.
Montando um prato (de investimentos) diversificado
Depois de entender seus objetivos, seu horizonte de investimentos e seu perfil de investidor, vamos ao que interessa: como investir (ou alocar) esse dinheiro da maneira mais adequada – ou seja, sua decisão de alocação.
Nesse ponto, voltemos a nossa metáfora do prato de comida. Assim como em qualquer dieta saudável, a diversificação e o equilíbrio são fundamentais para os investimentos. Quanto mais diversificados seus investimentos, mais equilibrados serão seus riscos e suas oportunidades de retorno no longo prazo.
Agora, vamos conhecer o “prato feito” da alocação!
Arroz (renda fixa brasileira pós-fixada)
Todo brasileiro sabe que é um alimento básico de quase toda a dieta. Com ele não tem erro, você já sabe bem o que esperar. Para quem não quer inventar muita moda mas quer manter a dieta controlada, o arroz é parte fundamental. A rentabilidade dos pós-fixados está atrelada a uma taxa de juros, seja ela a básica da economia (Selic) ou a utilizada como referência pelo mercado financeiro (CDI). São títulos mais previsíveis, e dão menos sustos. Por isso, títulos pós fixados (como Tesouro Selic) são ótimas alternativas para sua reserva de emergência – o primeiro passo de qualquer investidor.
Feijão (renda fixa brasileira inflação)
O feijão é o melhor amigo do arroz, fortifica a sua dieta com muito ferro, ajuda a evitar doenças como a anemia. Sabe o que deixa seu dinheiro anêmico? A inflação dos bens e serviços que você consome nos seus dias, representada pelo IPCA (nosso principal índice de inflação ao consumidor). A renda fixa indexada ao IPCA vai remunerar conforme uma taxa prefixada acrescida da correção da inflação no período de duração do título. É uma excelente forma de te proteger dos efeitos da inflação ao longo do tempo, que é justamente reduzir seu poder de compra. Porém, essa classe pode balançar mais do que os pós-fixados, devido a um movimento de precificação diária de ativos no mercado, que chamamos de marcação a mercado – te contamos tudo sobre esse movimento nesse vídeo. Por isso, os títulos de inflação tem um grau de risco maior que o nosso querido arroz.
Salada (fundos de investimento multimercado)
A salada é o típico alimento que muita gente acaba ficando sem comer, por muitas vezes negligenciar seus benefícios. Quando o assunto é salada, já me vem na mente o termo equilíbrio, e essa justamente é a função dos fundos de investimento multimercado. Fundos são como condomínios de investimento, com cada investidor tendo uma parte (cota), contando com uma gestão profissional ativa, que, por meio de uma carteira balanceada entre ativos de renda fixa e renda variável (como ações na bolsa), vai buscar atingir retornos mais interessantes do que a taxa de juros de referência, geralmente o CDI.
Assim como a salada, que é recomendada quase sempre considerando diferentes objetivos alimentares, os fundos multimercado são extremamente adaptáveis. Por isso, eles estão presentes em todas as nossas carteiras recomendadas, a partir do perfil conservadora-moderada. Com gestores que tem como objetivo tomar riscos calculados para gerar resultados mais interessantes do que a referência, esses fundos fazem bastante sentido para quem deseja alcançar retornos consistentes no longo prazo.
Proteína (Ações)
As proteínas são a parte mais pesada do prato, dando trabalho para seu estômago digerir depois de comer. Mas se você aguenta ficar mais “cheio” depois da refeição, pode ser ótimo para sua alimentação, desde que em dosagens adequadas. O mercado acionário é a mesma coisa. Trata-se de um mercado mais volátil, ou seja, que vai balançar mais – e todos os dias. Mas é ótimo se tornar sócio de boas empresas no longo prazo: os grandes bilionários do mundo construíram suas fortunas dessa maneira.
Aqui, o importante é dosar a quantidade e entender a melhor forma de investir de acordo com seu perfil e seus objetivos. E isso vale tanto para se você decidir fazer a gestão da sua carteira de ações sozinho, quanto se optar por terceirizar a gestão para que um time de profissionais por meio de fundos de investimento.
Molho (Ações estrangeiras)
Se você vai ter alguma proteína no seu prato, um molhinho acompanha muito bem. Aliás, em proporções bem parecidas. Para quem investe em ações, investimentos internacionais não podem faltar.
Isso porque, tão importante quanto diversificar seus investimentos entre arroz feijão e proteínas – ou seja, entre classes de ativos – é diversificar entre geografias. Afinal, a economia brasileira (medida pelo PIB ajustado por poder de compra) responde por menos de 3% da economia global. E nossa bolsa, muito menos do que isso. Assim, investir internacionalmente te permite experimentar muito além do arroz “Tio João” e do feijão “Kicaldo”.
Além disso, só a diversificação internacional te dará acesso a setores/teses de investimento ainda não existentes ou em fase muito inicial no Brasil, como esportes e tecnologia de ponta. Vai um molho tarê ai?
Farofa (Renda Fixa internacional)
Arroz e feijão, sem farofa? Cadê a liga? Vai muito bem esse trio. A renda fixa internacional, diferente da brasileira, é, em sua maior parte, prefixada, e mais volátil que a nossa por aqui.
Seguindo a mesma lógica do molho com a proteína, a farofa pode ser um belo complemento para o arroz e o feijão, sem ter correlação com o comportamento da renda fixa brasileira. E, assim como as ações internacionais, a renda fixa internacional traz diversificação geográfica para o portfólio – dando aquele toque estrangeiro no prato, para não depender apenas do Brasil nas calorias, ou melhor, no retorno.
Conclusão: nada melhor do que uma dieta balanceada
Assim como na sua alimentação, o quanto você terá de cada um desses itens vai depender dos seus objetivos e daquilo a que você mais se adapta ou não. Nunca vi nutricionista recomendar algo que não fosse do agrado de seu paciente.
Sim, você pode ganhar dinheiro independentemente do seu perfil. É essencial lembrar que, assim como aquelas dietas malucas que vemos prometendo milagres por aí, provavelmente não será suportável por tanto tempo ter uma carteira que não condiz com seu perfil e que vai gerar desconforto. Aliás, a pergunta muitas vezes não é se você deve ou não ter cada um desses alimentos no meu prato, mas sim quanto devo ter de cada.
Todos os meses nós atualizamos nossos cardápios (ou melhor, carteiras) para cada perfil de investimento, do mais agressivo ao mais conservador.
Confira o “Onde Investir” de fevereiro.
Elaborado por:
Betina Roxo, CNPI 1493
Este relatório de análise foi elaborado pela Rico Investimentos, que é uma marca da XP Investimentos CCTVM S.A. (“Rico”) de acordo com todas as exigências previstas na Instrução CVM nº 598, de 3 de maio de 2018, tem como objetivo fornecer informações que possam auxiliar o investidor a tomar sua própria decisão de investimento, não constituindo qualquer tipo de oferta ou solicitação de compra e/ou venda de qualquer produto. As informações contidas neste relatório são consideradas válidas na data de sua divulgação e foram obtidas de fontes públicas. A Rico não se responsabiliza por qualquer decisão tomada pelo cliente com base no presente relatório. Este relatório foi elaborado considerando a classificação de risco dos produtos de modo a gerar resultados de alocação para cada perfil de investidor. O(s) signatário(s) deste relatório declara(m) que as recomendações refletem única e exclusivamente suas análises e opiniões pessoais, que foram produzidas de forma independente, inclusive em relação à Rico e que estão sujeitas a modificações sem aviso prévio em decorrência de alterações nas condições de mercado, e que sua(s) remuneração(es) é(são) indiretamente influenciada por receitas provenientes dos negócios e operações financeiras realizadas pela Rico. O analista responsável pelo conteúdo deste relatório e pelo cumprimento da Instrução CVM nº 598/18 está indicado acima, sendo que, caso constem a indicação de mais um analista no relatório, o responsável será o primeiro analista credenciado a ser mencionado no relatório. Os analistas da Rico estão obrigados ao cumprimento de todas as regras previstas no Código de Conduta da APIMEC para o Analista de Valores Mobiliários e na Política de Conduta dos Analistas de Valores Mobiliários do Grupo XP. O atendimento de nossos clientes é realizado por empregados da Rico. Os produtos apresentados neste relatório podem não ser adequados para todos os tipos de cliente. Antes de qualquer decisão, os clientes deverão realizar o processo de suitability e confirmar se os produtos apresentados são indicados para o seu perfil de investidor. Este material não sugere qualquer alteração de carteira, mas somente orientação sobre produtos adequados a determinado perfil de investidor. A rentabilidade de produtos financeiros pode apresentar variações e seu preço ou valor pode aumentar ou diminuir num curto espaço de tempo. Os desempenhos anteriores não são necessariamente indicativos de resultados futuros. A rentabilidade divulgada não é líquida de impostos. As informações presentes neste material são baseadas em simulações e os resultados reais poderão ser significativamente diferentes.
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- Você sabia que tudo que nos cerca pode se transformar em dados? ;
- A partir deles, geramos informações para nos ajudar a tomar decisões — inclusive nos investimentos;
- A análise quantitativa é uma ferramenta que usa dados para te ajudar a investir melhor. Entenda como isso funciona a seguir.
Você sabia que tudo que nos cerca pode se transformar em dados? Desde passar o cartão de crédito na padaria da esquina até com quem interagimos em redes sociais — tudo isso pode ser transformado em dados, que podem ser organizados e categorizados para gerar informação e ajudar a tomar decisões.
Quando falamos de mercado financeiro, esse processo de extrair informações de dados para tomar decisões de investimento, estudar movimentos de mercado e identificar oportunidades é feito por meio da análise quantitativa.
A análise quantitativa (quant para nós, que somos íntimos) é basicamente uma ferramenta, e pode ser aplicada a qualquer exercício de análise, sozinha ou como complemento de outras metodologias. Na análise de investimentos, o grande poder do quant está em:
- Escalabilidade: podemos analisar milhares de ativos ou comportamentos de mercado de uma vez só, algo que uma pessoa sozinha demoraria muito mais tempo para fazer.
- Isenção de vieses: sabe quando você cria uma conexão sentimental com um ativo e não sabe o que fazer com ele na sua carteira? A análise quant ajuda a eliminar esses vieses, que muitas vezes são inconscientes, e tira a emoção dos investidores da equação na hora de tomar uma decisão.
Quais dados e métodos usamos
Geralmente, a análise quantitativa aplicada ao mercado é baseada em dois tipos de dados: os financeiros, que vêm do balanço de empresas ou portfólios de gestoras de investimentos, e os econômicos, como PIB, inflação e dados de consumo.
Aqui, grande parte do trabalho do analista quant é obter e tratar esses dados, para garantir que as análises e conclusões tiradas sejam as melhores possíveis. O uso de dados “sujos”, sem muitos filtros, ou até mesmo de dados inadequados (comparar números mensais com outros anuais, por exemplo) pode fazer nossa ideia de investimento ir por água abaixo.
A partir dessas informações (agora tratadas e prontas pra usar), usamos um conjunto de métodos para buscar padrões de comportamento e construímos modelos matemáticos e algoritmos para ajudar nas tomadas de decisão. Assim, podemos explicar ou prever as movimentações de mercado, construir estratégias de investimento e analisar o risco de operações.
Apareceram aqui as principais forma de analisar os dados efetivamente: métodos matemáticos e estatísticos, e modelos para explicação e previsão.
Se a palavra matemática te assombra desde a escola, não precisa se assustar! O que fazemos aqui é usar essas ferramentas para facilitar e otimizar as análises (com uma mãozinha da programação), e os resultados desse processo são simples e acessíveis para todos os investidores.
Ainda assim, é possível que alguns dos termos usados na análise quant ainda sejam grego para muita gente.
O que são algoritmos?
Algoritmos são sequências de passos para resolver um problema, nesse caso implementados através de programação, chegando a soluções precisas sistematicamente. São eles que leem os dados e, por meio de uma análise rápida e detalhada, ditam quais são os melhores investimentos dentro daqueles parâmetros.
Nessa parte que entram os famosos robôs de investimento: programas de computador feitos para executar estratégias de alocação a partir de regras definidas pelo analista quant. Dentro dos modelos quantitativos, temos alguns tipos principais:
- Modelos que buscam performance: são os que recomendam compra e venda de ativos explorando as movimentações e características do mercado, buscando sempre superar a performance de um benchmark (índice de referência).
- Modelos de alocação: fazem a alocação dos ativos e estratégias em uma carteira de investimentos, definindo qual vai ser a exposição a cada uma delas de acordo com parâmetros de risco, entendendo como elas se relacionam (por meio de correlação entre ativos, por exemplo).
- Robôs executores: são os algoritmos que executam de fato as ordens de compra e venda, de acordo com direcionamentos que vêm dos outros modelos.
Mesmo com tanta tecnologia e rodeados por robôs, os analistas e estrategistas continuam tendo papel fundamental no desenvolvimento e aplicação da anáise quant. São pessoas de carne e osso que definem o direcionamento das estratégias, além de construir, testar e aprovar os modelos. Qualquer automatização parte de uma ideia e, por enquanto, só pessoas podem fazer essa parte do trabalho.
Todo tipo de ativo pode ser analisado a partir de uma visão quantitativa, e essas estratégias podem ser bons complementos para sua carteira por expandirem seus investimentos e ajudarem a buscar ativos descorrelacionados — algo essencial quando falamos de diversificação de investimentos. Por exemplo, se você tiver dois tipos de investimento na sua carteira que tendem a cair ou subir toda vez que algo específico acontece no mercado (exemplo, o real desvaloriza), a sua diversificação não irá te ajudar muito aí, certo?
Como investir em estratégias quantitativas?
As principais recomendações de ações feitas aqui pelo time de análise da Rico já são baseadas em análise quantitativa. Elas são apresentadas nas nossas cestas de ações – nossas queridas baskets.
Destacamos as seleções Estrelas, composta pelo Estrlas da Bolsa (com ações queridinhas dos gestores), Estrelas Ascendentes (melhores Small Caps da B3) e Estrelas Globais (melhores BDRs para investir internacionalmente sem sair de casa).
Além disso, publicamos algumas recomendações pontuais, com oportunidades quentes do mercado no momento. Você pode acessar essas cestas e seleções na seção Recomendações, aqui mesmo na Riconnect 😉
- Quem acompanha as notícias deve ter visto por aí algo sobre a curva de juros invertida.
- O momento é de oportunidades para a renda fixa, que traz pagamentos interessantes sem a necessidade de aguardar prazos muito longos para o investimento
- Entenda e assista a dois vídeos sobre o funcionamento da renda fixa e um passo a passo de como investir nesses títulos.
Se você acompanha notícias de mercado, pode ter ouvido falar recentemente em movimentos de alta nos vencimentos curtos da curva de juros, com títulos de vencimento em até um ano pagando perto de 12,5% ao ano e vencimentos mais longos, em 4 anos, por exemplo, com remuneração próxima a 11% ao ano — todos os vencimentos estão com taxas prefixadas acima de 10% ao ano neste momento, em 16 de fevereiro de 2022.
Por falar em 10%, a taxa básica de juros, a Selic, superou esse patamar neste início de ano. Isso reflete incerteza fiscal, mas também representa o combate a uma inflação que também supera os dois dígitos em 12 meses neste momento, e se torna um dos maiores inimigos econômicos do país.
Falamos de juros altos e inflação pressionada. E quem é capaz de se beneficiar de tudo isso? A renda fixa.
Neste momento, o mercado de renda fixa apresenta oportunidades que há tempos não davam as caras. As taxas mencionadas, principalmente nos prazos curtos, são um presente para investidores, do conservador ao agressivo, montarem um portfólio diversificado em renda fixa.
Por que? Simples: pela lógica financeira, o longo prazo deve oferecer retorno acima do de curto prazo, e não o contrário, já que o risco é maior quanto mais tempo faltar para o vencimento do título. Neste momento, conseguimos retornos excelentes para saques em até 2 anos — uma raridade.
Claro que existem motivos para esse descolamento, como os já mencionados risco fiscal e cenário de inflação, sobre os quais comentamos no Onde Investir de fevereiro. Mas é inegável que a renda fixa está muito mais atraente do que esteve nos últimos anos.
Com esse cenário, acesse aqui as nossas recomendações de investimentos em renda fixa para este mês e assista abaixo aos dois episódios da Escola de Investidores que ensinam a lógica por trás da renda fixa e como investir, passo a passo.
- Praticidade é bom e nós gostamos tá?;
- Mas e no momento de investir? A família de fundos DNA foi criada para criar essa praticidade;
- Agora, essa família se expande para fora do Brasil, com o DNA Brave Global;
- Saiba mais dessa novidade aqui!
Montar o seu prato de comida e gastar um tempo nesse processo pode ser prazeroso para muitos, mas para outros nem tanto. Existem pessoas que querem praticidade ao extremo no dia-a-dia, já que muitas vezes não tem tempo para dispender nesta atividade. Aqui, o bom e velho “marmitex” cai muito bem.
Atualmente, pedir uma marmita não significa necessariamente sair do seu plano alimentar. Existem empresas que realizam a produção dessas refeições conforme suas necessidades, de forma personalizada.
Pois bem Investir pode ser mais parecido com montar uma refeição do que parece, e nesse texto já provamos isso.
Diversificação em um único investimento
Mas será que também existe a “marmita dos investimentos”? Já falamos aqui mais de uma vez sobre a família de fundos DNA. Eles constroem uma carteira completa para cada perfil de investimento, do mais conservador ao mais arrojado, numa única aplicação de investimento.
E hoje viemos com uma novidade quentinha (seguindo na metáfora da comida!). Essa família vai se expandir mais uma vez, e ganhar um membro que não fala português: o DNA Brave Global.
O DNA Brave Global é um veículo de investimentos inovador para quem busca diversificar seus investimentos em renda variável global. Ou seja, investir em empresas fora do Brasil, como Disney, Amazon, Nike e muitas outras.
O fundo vais construir uma carteira de investimentos no exterior, diversificando em geografias e temas, por meio de: ETFs (fundos passivos negociados em bolsa), fundos de gestão ativa em BDRs (recibos que representam ações de empresas gringas na B3) e até 20% do patrimônio do fundo é investido em gestora internacionais. Um combinação de gestão ativa e passiva, ou seja, gestores que buscam atingir retornos superiores que seus índices de comparação no longo prazo e passivos que replicam os próprios índices.
Essa combinação do DNA Brave Global FIA BDR Nível I busca superar o principal índice de referência de bolsa global no mundo, o MSCI All Country World Index. Uma excelente opção justamente para quem busca praticidade, diversificação e delegar a responsabilidade da gestão da parcela do patrimônio que vai se dedicar ao mercado acionário internacional.
Ah, e tudo isso para investidores gerais, normalmente esses veículos internacionais são destinados para investidores qualificados. Ou seja, uma opção acessível para todos nós.
O fundo já está disponível para investimento na sua plataforma da Rico, acesse aqui. Marmitex já é ótimo, gringo então pode ser tão bom quanto.
- A escalada do conflito entre Rússia e Ucrânia tornou-se foco dos holofotes internacionais.
- As peças de xadrez vão sendo colocadas entre líderes globais, e o desfecho ainda não foi definido.
- Mas podemos destacar pontos de atenção que seguirão no radar de investidores: a alta do petróleo, a piora nas cadeias globais de produção, e mais gasolina na inflação global.
- Entenda os detalhes dessa crise geopolítica, os potenciais impactos, e o que fazer com seus investimentos aqui!
*Texto escrito em parceria com Sol Azcune, analista de política internacional da XP
Os holofotes internacionais estão voltados para as crescentes tensões entre a Rússia e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (a famosa OTAN). A organização, liderada pelos Estados Unidos e seus aliados europeus com fins de defesa militar, acendeu o sinal de alerta nos últimos meses sobre o risco de invasão da Ucrânia (pelos russos), e um possível conflito armado na região.
Apesar do líder russo, Vladmir Putin, negar intenções de invadir a Ucrânia, a presença de tropas russas na fronteira entre os países tem aumentado desde dezembro – tendo se intensificado nos últimos dias.
Nesse contexto, os Estados Unidos e aliados temem que se repita um cenário como o de 2014, quando Moscou anexou a região da Crimeia, apoiando um movimento separatista no leste ucraniano.
Assim, diante de tensões entre a Rússia e OTAN chegando a seu ponto mais alto em anos, a resolução do conflito ainda parece estar longe do alcance, apesar de contínuos esforços diplomáticos nos últimos dias.
Qual o objetivo de Putin?
A postura do presidente russo na disputa ainda não é inteiramente clara. No entanto, em diálogos com a OTAN, assim como com a imprensa, tem feito demandas que considera prioritárias, como a promessa que a Ucrânia não se tornará membro da OTAN.
Vale destacar que a Ucrânia, país que antigamente fazia parte da União Soviética, tem se aproximado da União Europeia e dos Estados Unidos nos últimos anos, indo contra a estratégia de Putin de manter o país como barreira entre os russos e o bloco ocidental. Portanto, as movimentações podem ser interpretadas como uma tentativa do líder de proteger sua esfera de influência, além de promover possíveis ganhos políticos domésticos.
Um conflito armado, mesmo que em escala reduzida, poderia ter custos relevantes para a economia russa e poderia até levar a sanções contra Putin individualmente (como o congelamento de suas transações financeiras em dólares, por exemplo). Portanto, o Kremlin considera as manobras no tabuleiro de xadrez cuidadosamente.
O que pode acontecer?
Ainda é cedo para determinar quais serão as ramificações da crise atual, tanto na seara política, quanto na econômica. No entanto, acadêmicos e diplomatas se debruçam sobre os possíveis cenários que podem resultar da disputa.
Segundo especialista consultado por nossos colegas da XP, o professor de Relações Internacionais da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), Gunther Rudzit, há três cenários possíveis: 1) uma resolução do conflito por vias diplomáticas; 2) um conflito localizado no leste da Ucrânia; e 3) um conflito de maior escala com participação de tropas russas e ucranianas.
Vamos à eles.
A resolução diplomática
Apesar dos desenvolvimentos recentes, e ainda haver um longo caminho a percorrer para que os países cheguem a uma resolução diplomática, consideramos que esse cenário ainda seja provável.
O custo de um conflito seria caro para ambos os lados, não somente do ponto de vista de operações militares. Os europeus, que não necessariamente teriam um envolvimento direto em um conflito armado, também tem muito a perder: a Rússia é seu principal fornecedor de gás natural, e disrupções no fornecimento da commodity ampliaria ainda mais a forte crise de alta de preços energéticos na região.
Nesse contexto, países têm liderado uma intensa iniciativa diplomática nas últimas semanas para tentar aliviar as tensões. Assim, apesar de uma resolução ainda estar longe de ser alcançada, o desejo expresso dos líderes de evitar um conflito amplia as possibilidades de um desfecho diplomático ao imbróglio.
Conflito localizado
Se as vias diplomáticas não produzirem os resultados desejados, o resultado mais provável seria um conflito localizado em regiões do leste ucraniano. Nesse contexto, o governo russo provavelmente apoiaria movimentos separatistas em províncias do país vizinho, com intuito de anexá-las posteriormente.
Uma provável marca do conflito seria sua categorização como “híbrido”, com o uso de estratégias variadas além da militar, como ataques cibernéticos e políticos.
Conflito mais amplo
Existe ainda a possibilidade de um conflito maior, com envolvimento direto e participação ativa dos exércitos ucraniano e russo.
Esse cenário não deve envolver diretamente a participação dos Estados Unidos ou da OTAN. Isso porque, apesar de tropas já mobilizadas na região e assistência técnica e equipamentos providos para a Ucrânia, a aliança deve evitar envolvimento direto – uma vez que a Ucrânia não é um país membro.
Assim, as tropas americanas e de aliados devem provavelmente permaneceriam em territórios vizinhos, como a Polônia, para defender países membro da aliança de um potencial espalhamento do conflito na região.
Como a crise russa pode impactar os mercados?
É claro que os impactos sentidos nos mercados e na economia global nos próximos dias/meses dependerão do desfecho do conflito.
Porém, podemos destacar alguns pontos de atenção que devem permanecer no foco dos investidores ao redor do mundo, diferindo apenas em magnitude a depender do desenrolar da crise.
Alta da gasolina
O principal efeito imediato da escalada das tensões tende a ser no preço do petróleo e derivados, colocando mais gasolina na fogueira da inflação global. A Rússia é um dos maiores produtores de petróleo do mundo (o terceiro em 2020), além de ser o principal fornecedor de gás natural da Europa.
Um conflito envolvendo o país prejudicaria a oferta da commodity, elevando (ainda mais) os preços no mercado internacional em um contexto de inflação em níveis recordes ao redor do mundo.
Assim, investidores podem passar a precificar a necessidade de juros mais altos e subindo mais rápido do que o esperado nos EUA, se a situação se prolongar. O mesmo pode ocorrer no Brasil, com o risco de vermos juros ainda mais altos do que o projetado hoje, no evento de uma disparada inesperada nos preços da gasolina e derivados.
Aumento da aversão ao risco
Conflitos geopolíticos, especialmente quando culminam em guerras efetivas, elevam a incerteza na economia global, e incerteza gera busca por proteção.
Nos mercados internacionais, ações podem perder espaço para títulos da dívida americanos (as famosas Treasuries), considerados os mais seguros do mundo, impactando bolsas globais.
Ao mesmo tempo, a corrida para as Treasuries tende a reduzir o rendimento desses títulos, diante da maior demanda. O movimento vai no caminho contrário ao observado nas taxas dos títulos americanos recentemente (que tem subido diante da expectativa de alta de juros no país), e o vai e vem pode trazer mais volatilidade aos mercados.
Finalmente, países emergentes – como o Brasil – tendem a sofrer mais em cenários de maior aversão ao risco – com reflexos na taxa de câmbio (a moeda deprecia, ou “o dólar sobe”), na bolsa e em outros ativos.
Fortalecimento do dólar
Também como parte do movimento de “fuga para segurança”, o dólar tende a se fortalecer de maneira geral.
Isso porque, assim como os títulos soberanos, a moeda americana é vista como um porto seguro de investidores ao redor do mundo em momentos de elevada incerteza e eventos inesperados, como um conflito entre potências.
Piora nos gargalos de produção
Além do petróleo e derivados, a Rússia também é o polo de exploração e produção de diversas outras commodities, sendo sede de inúmeras empresas de mineração, por exemplo.
Apesar do provável não envolvimento militar direto da OTAN, a implementação de sanções econômicas por parte dos Estados Unidos e aliados se torna provável diante da eclosão de um conflito armado contra a Ucrânia.
Dificultar ou impedir a comercialização internacional de produtos e insumos por parte de empresas russas poderia causar ainda mais danos às já abaladas cadeias globais de produção – pressionando os preços pela oferta limitada, e reforçando a onda de inflação global.
O que fazer com meus investimentos?
Para os leitores assíduos de nosso conteúdo aqui na Riconnect, a resposta para essa pergunta vai parecer até óbvia: nada! Pois é, não é hora de fazer nada de diferente com seus investimentos, como reação aos eventos recentes.
O importante nesses momentos de maior volatilidade é esperar o mercado primeiramente digerir os acontecimentos, e precificar os verdadeiros riscos e impactos de longo prazo.
Proteja-se da alta de preços
Dito isso, você deve ter notado um ponto em comum a quase todos os potenciais impactos da crise mencionados acima, certo? A inflação! De fato, a atual crise geopolítica tende a colocar mais gasolina na fogueira inflacionária do mundo.
Assim, vale destacar alternativas para proteger seus investimentos da alta de preços.
Títulos indexados à inflação, como Tesouro IPCA + 2026, debêntures de empresas sólidas com vencimento médio, e fundos de inflação (fundos de investimento que investem em ativos indexados à inflação) são ótimas alternativas. Falamos mais das melhores oportunidades de renda fixa aqui.
Enquanto isso, a classe de ativos conhecida como alternativos também ganha relevância, especialmente os ativos reais. Esses ativos costumam ter baixa correlação com ciclos econômicos e inflação, tendo um valor em si mesmo, como commodities, metais preciosos e criptoativos. Uma alternativa simples para acessar esses investimentos é por meio do eTrend Ativos reais.
Diversificação internacional, e essencial
Além da proteção contra a inflação, vale destacar a importância da diversificação internacional e ativos dolarizados em momentos como o atual. Como falamos, dado o papel central da moeda americana no mundo, o dólar é tido como um “porto seguro” para investidores em momentos de crise, o que tende a fortalecer a moeda.
Assim, a máxima “investir em dólar” também se prova uma excelente aliada nesse momento.
Detalhamos no “Onde Investir em fevereiro” alternativas para compor sua carteira com investimentos internacionais, como BDRs, fundos internacionais e ETFs.
Finalmente, assim como destacamos em todos os nossos conteúdos, manter uma carteira diversificada, respeitando o seu perfil de risco, segue sendo essencial. E são justamente momentos de instabilidade e imprevisibilidade como o atual que atestam para sua importância.
- A inflação atingiu 10,4% em janeiro, reforçando o cenário de preços em forte alta no país.
- Para o dia a dia do brasileiro, o resultado reforça a sensação dos últimos meses, vendo seu poder de compra cair gradualmente por conta da alta de preços de bens e serviços.
- Esperamos que a inflação perca força ao longo do ano, mas proteger seus investimentos é fundamental.
- Entenda aqui como proteger seu patrimônio e aproveitar as oportunidades desse cenário!
A inflação medida pelo IPCA, nosso principal indicador de preços ao consumidor, registrou alta de 0,54% em janeiro. Esse foi o maior resultado desde janeiro de 2016, e levou o índice para 10,38% no acumulado em doze meses.
Ou seja, a alta de preços seguiu o ritmo de aceleração observada no ano passado, quando encerrou o ano em 10,06%.
O resultado não trouxe grandes surpresas, vindo em linha com o que esperávamos – com exceção de leve queda nos preços de alguns serviços. Entre eles, vale destacar transporte por aplicativo (que costuma ser mais volátil), além de preços regulados, como eletricidade e gasolina. O último pode parecer até ironia, dado a acalorada discussão para redução de preços de combustíveis. Mas vale lembrar que, dada a recente alta de preços de petróleo no mercado internacional, os preços de gasolina que vemos hoje na bomba estão hoje defasados em aproximadamente 16% – ou seja, esperamos mais altas em breve.
Por outro lado, os preços de bens industriais seguem em alta acelerada, sendo responsáveis por boa parte da alta observada no mês. Diante de problemas ainda presentes nas cadeias de produção, e insumos como energia e metais surpreendendo para cima nesse início de ano, os altos preços ao produtor devem seguir sendo repassados aos consumidores nos próximos meses.
Para o dia a dia do brasileiro, mesmo com algumas surpresas para baixo, o resultado reforça a sensação dos últimos meses. Em geral, os preços seguem subindo de maneira acelerada, como refletido no índice de difusão, em 67% no mês, sinalizando a relevante presença da inflação na economia. Assim, o movimento de alta de preços corrói o poder de compra das famílias e aumenta a incerteza na economia como um todo – de consumidores, à investidores e empresários.
Por outro lado, um conjunto de fatores internacionais e domésticos devem levar a uma perda de força da aceleração dos preços, especialmente na segunda metade do ano.
O que esperar?
Do lado da economia global, alguns sinais iniciais indicam a gradual melhora na crise nas cadeias de produção.
Ao mesmo tempo, Bancos Centrais ao redor do mundo já se mostraram prontos para responder ao desafio da inflação alta, subindo os juros e reduzindo estímulos implementados para combater os efeitos a pandemia. Após recados mais fortes do lado do Banco Central americano (o FED), o Banco Central Europeu surpreendeu a todos sinalizando altas de juros ainda esse ano na região.
De maneira simplificada, “menos dinheiro no mundo, menor pressão sobre os preços”.
Enquanto isso, aqui no Brasil, a melhora das condições climáticas (especialmente a volta das chuvas, que amenizam os preços de energia) e das safras (que afetam os alimentos) esperadas para o ano devem ajudar a desacelerar os preços.
Mas os juros em alta devem ser o ator principal. Após a última comunicação do nosso Comitê de Política Monetária (o COPOM), esperamos que a taxa Selic vá além dos 11,75% esperados até então. Mas aguardaremos a divulgação de maiores dados para calibrar nossa projeção.
A elevação da nossa taxa básica de juros, a Selic, por parte do Banco Central tem como objetivo controlar a subida dos preços, sendo a base para todas as taxas de juros na economia. Juros altos encarecem o crédito, ajudam a valorizar a nossa moeda (com maiores juros aqui, atraímos mais de capital estrangeiro), e impactam as expectativas sobre onde estarão os preços no futuro.
Expectativas de inflação: o que são?
As expectativas dos agentes sobre os preços futuros são um dos principais fatores por trás da disseminação da alta de preços de um bem ou de um serviço pontual, para todos os outros na economia.
De maneira simplificada, isso ocorre quando aqueles que determinam os preços finais para o consumidor (seja um pequeno prestador de serviços de casa ou o dono de uma rede de restaurantes ou fábricas) acreditam que os preços seguirão em elevação rápida, eles não “esperam para ver”, e já reajustam seus preços.
Caso contrário, se acreditarem que a política do Banco Central será suficiente para reverter a pressão sobre os preços, eles não elevarão seus preços em antecipação, por receio de perderem demanda.
Assim, essa verdadeira profecia autorrealizável é um dos principais fatores determinantes da inflação e da política monetária, especialmente no Brasil – um país com histórico inflacionário.
Com isso, devemos ver nosso principal índice de inflação (o IPCA) cair para 5,2% até o final deste ano.
Mas lembre-se! Não espere sentado a queda dos preços, porque com algumas exceções (como energia elétrica), os preços apenas passarão a subir mais lentamente, e não efetivamente cair.
Como proteger seus investimentos?
Nesse cenário de inflação alta, proteger os investimentos torna-se mais essencial do que nunca. Títulos indexados à inflação, como Tesouro IPCA + 2026, debêntures de empresas sólidas com vencimento médio, e fundos de inflação (fundos de investimento que investem em ativos indexados à inflação) são ótimas alternativas. Falamos mais das melhores oportunidades de renda fixa aqui.
Enquanto isso, a classe de ativos conhecida como alternativos também ganha relevância, especialmente os ativos reais. Esses ativos costumam ter baixa correlação com ciclos econômicos e inflação, como commodities minerais e agrícolas, metais preciosos e criptoativos. Uma alternativa simples para acessar esses investimentos é por meio do eTrend Ativos reais.
Finalmente, também vale destacar alternativas da bolsa. Aqui, selecionamos ações de empresas vistas como de alta qualidade, com margem superior aos seus pares, endividamento baixo, crescimento de lucro e a preços atrativos.