• As recentes quedas da bolsa americana têm preocupado investidores sobre a parcela internacional de seus investimentos.
  • Não bastasse isso, o nosso real vem ganhando força, balançando ainda mais a visão sobre investimentos estrangeiros.
  • Será que o investidor deveria saltar desse barco gringo, e voltar a pensar só em investimentos no Brasil?
  • A resposta curta: não! Te contamos aqui porque investir fora do país ainda vale a pena (e seguirá valendo).

Caso você tenha uma carteira de investimentos diversificada, provavelmente percebeu que sua parcela internacional sofreu uma desvalorização nos últimos dois meses.

Diante dessa queda, alguns investidores começaram a se questionar: “será que vale a pena continuar com os investimentos internacionais ou chegou a hora de tirar esse investimento da carteira e apostar na alta da bolsa brasileira, que tem surfado melhores momentos?”.

Antes de tomar essa decisão, é importante entender os dois principais motivos por trás desse questionamento. São eles:

1. A queda observada em bolsas internacionais, especialmente entre ações de tecnologia, e nos Estados Unidos; e

2. A valorização do real.

Por que a bolsa americana tem caído tanto?

Após um 2021 de forte alta, a bolsa americana tem passado por um 2022 duro.

O ano passado, assim como 2020, foi marcado por estímulos econômicos para evitar que a economia entrasse em uma recessão prolongada diante da pandemia do Coronavírus. Esses estímulos vieram tanto por meio de juros baixos, quanto por meio de auxílio direto (os famosos “cheques” enviados por alguns meses a milhares de famílias são um exemplo do último).

 

Como imaginado, isso não poderia durar para sempre. Com os dados da economia mostrando clara recuperação, e a indesejável inflação crescendo rapidamente no país, o Banco Central americano deixou claro que começaria a reduzir os estímulos monetários, deixando de comprar ativos no mercado e subindo os juros. Esse movimento de redução de liquidez (ou seja, “menos dinheiro rolando na praça”) impactou os mercados no mundo todo, sendo sentido principalmente em empresas de tecnologia.

 

Por que tecnologia? As empresas de tecnologia são aquelas que, normalmente, apresentam forte expectativa de crescimento a longo prazo. Assim, a maior parte do valor esperado a ser entregue ao seu acionista (sócio) está no futuro. Só que, para definir o valor justo das ações dessas empresas hoje, esse valor futuro é descontado do valor da taxa de juros – algo que chamamos de “trazer a valor presente”, em finanças.

 

Por esse motivo, quando a expectativa é de elevação de juros (especialmente no longo prazo), aumenta o custo de oportunidade de manter essa posição até que a empresa comece a trazer resultados financeiros sólidos. Desta forma, o mercado começou a apresentar um movimento de rotação – com investidores saindo de empresas de crescimento para “empresas de valor”.

 

Empresas consideradas de valor, como bancos e commodities, não sofrem tanto com um aumento de taxas de juros, por normalmente gerarem lucros hoje (daí, o “valor”). Além disso, tendem a ser mais sensíveis a retomada da atividade econômica – algo esperado hoje.

Por que o real tem subido?

Ao mesmo tempo em que vimos esse movimento nas bolsas americanas, o real figurou entre as moedas com maior valorização no mundo nesses primeiros meses do ano. Os principais fatores por trás desse movimento incluem:

 

  1. A alta das commodities: o valor negociado internacionalmente de insumos básicos (como alimentos e metais, incluindo gasolina e gás natural) acelerou a alta nesse início de ano, impulsionado pela recente crise envolvendo Rússia e Ucrânia – como contamos aqui. De maneira simplificada, como o Brasil vende esses produtos, quando o preço deles sobe, mais moeda estrangeira entra no país, e nossa moeda valoriza.
  2. A alta da nossa taxa básica de juros: com a taxa Selic subindo por aqui, fica relativamente mais atraente para investidores colocar dinheiro aqui – dado que a taxa de juros em outros países continua mais baixa. Quanto mais moeda estrangeira entrando, maior o valor da nossa moeda. O movimento de alta em breve dos juros nos Estados Unidos pode prejudicar esse fluxo adiante, mas por ora, nossos 10,75% de Selic X 0% de juro básico por lá tem falado mais alto.
  3. “Liquida tudo Brasil”: por conta principalmente do cenário macroeconômico conturbado, os ativos brasileiros estão bastante descontados. O Ibovespa, para se ter uma ideia, se encontra no maior patamar de desconto da história em relação à Bolsa Americana. Para parte dos investidores estrangeiros, os preços baixos passam a compensar o risco. Com mais dinheiro gringo entrando, nossa moeda valoriza.

Te contamos aqui mais detalhes sobre essa recente valorização do real, e o que esperar daqui pra frente.

Dólar e bolsa americana em queda

Essa combinação de desvalorização das ações americanas, de um lado, e desvalorização do dólar em relação ao real, do outro, fez o investidor brasileiro que possui investimentos internacionais na carteira sentir as duas quedas ao mesmo tempo.

Ainda vale investir fora do Brasil?

Diversificação entre ativos e geografias

Diante de tudo isso, o que concluímos sobre investimentos internacionais nesse momento?

Caso você acompanhe nossos conteúdos, já deve saber que a resposta para essa pergunta passa por uma palavra chave: diversificação. Como sempre destacamos, uma das melhores ferramentas para o investidor é a diversificação.

Por meio da diversificação, você consegue não somente aproveitar diferentes oportunidades de investimento, como também se proteger de eventos que estão fora do nosso radar ou controle. E quando falamos em diversificação, nos referimos tanto entre tipos de ativos (como renda fixa e renda variável), quanto entre geografias.

As vantagens de investimentos internacionais

Investimentos internacionais seguem sendo essenciais na composição da carteira de quase todos os tipos de investidor – com exceção daquele com perfil mais conservador, onde focamos em ativos de renda fixa locais.

Ter parte de seu patrimônio em ativos dolarizados (ou outra moeda estrangeira forte) te ajuda a:

  • Proteger sua carteira em momentos de incerteza elevada – como eventos geopolíticos, como a atual crise entre Rússia e Ucrânia – em que investidores tendem a fugir para ativos mais seguros, como o próprio dólar e títulos da dívida americana, os valorizando;
  • Investir em setores que muitas vezes não existem ou ainda são muito incipientes em nossa economia e em nossa bolsa, como é o caso das empresas de tecnologia;
  • Proteger sua carteira de eventos e incertezas puramente domésticas, como eleições e movimentos políticos.

Assim, apesar de esperarmos um mercado bastante agitado no mundo nos próximos meses, boas oportunidades podem surgir para investidores, tanto aqueles que querem começar a investir globalmente, quanto para aqueles que já olham para esse tipo de investimento.

Outra excelente ferramenta para o investidor é realizar rebalanceamento de forma periódica em sua carteira de investimentos. Assim, você consegue controlar sua carteira sem deixar que algum investimento fique muito grande ou muito pequeno; ou seja, controlando o risco.

Como investir na bolsa americana?

Além dos muitos fundos internacionais disponíveis na plataforma da Rico, convidamos você a conhecer o novo DNA Brave Global. Os fundos DNA são como uma carteira pronta para o investidor que investe de forma diversificada e realiza rebalanceamentos periódicos para buscar maior rentabilidade, sem exceder o risco esperado.

Esse fundo oferece uma carteira para investidores de longuíssimo prazo (em torno de 10 anos), com posições exclusivamente em fundos de ações americanas para cumprir o papel de sua parcela internacional de investimentos. Com a aplicação mínima de R$500,00, você consegue ter uma carteira diversificada em ações internacionais e exposição ao dólar.

Elaborado por:

Paula Zogbi, CNPI 2545

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