• A escalada do conflito entre Rússia e Ucrânia tornou-se foco dos holofotes internacionais.
  • As peças de xadrez vão sendo colocadas entre líderes globais, e o desfecho ainda não foi definido.
  • Mas podemos destacar pontos de atenção que seguirão no radar de investidores: a alta do petróleo, a piora nas cadeias globais de produção, e mais gasolina na inflação global.
  • Entenda os detalhes dessa crise geopolítica, os potenciais impactos, e o que fazer com seus investimentos aqui!

*Texto escrito em parceria com Sol Azcune, analista de política internacional da XP

Os holofotes internacionais estão voltados para as crescentes tensões entre a Rússia e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (a famosa OTAN). A organização, liderada pelos Estados Unidos e seus aliados europeus com fins de defesa militar, acendeu o sinal de alerta nos últimos meses sobre o risco de invasão da Ucrânia (pelos russos), e um possível conflito armado na região.

Apesar do líder russo, Vladmir Putin, negar intenções de invadir a Ucrânia, a presença de tropas russas na fronteira entre os países tem aumentado desde dezembro – tendo se intensificado nos últimos dias.

Nesse contexto, os Estados Unidos e aliados temem que se repita um cenário como o de 2014, quando Moscou anexou a região da Crimeia, apoiando um movimento separatista no leste ucraniano.

Assim, diante de tensões entre a Rússia e OTAN chegando a seu ponto mais alto em anos, a resolução do conflito ainda parece estar longe do alcance, apesar de contínuos esforços diplomáticos nos últimos dias.  

Qual o objetivo de Putin?

A postura do presidente russo na disputa ainda não é inteiramente clara. No entanto, em diálogos com a OTAN, assim como com a imprensa, tem feito demandas que considera prioritárias, como a promessa que a Ucrânia não se tornará membro da OTAN.

Vale destacar que a Ucrânia, país que antigamente fazia parte da União Soviética, tem se aproximado da União Europeia e dos Estados Unidos nos últimos anos, indo contra a estratégia de Putin de manter o país como barreira entre os russos e o bloco ocidental. Portanto, as movimentações podem ser interpretadas como uma tentativa do líder de proteger sua esfera de influência, além de promover possíveis ganhos políticos domésticos.

Um conflito armado, mesmo que em escala reduzida, poderia ter custos relevantes para a economia russa e poderia até levar a sanções contra Putin individualmente (como o congelamento de suas transações financeiras em dólares, por exemplo). Portanto, o Kremlin considera as manobras no tabuleiro de xadrez cuidadosamente.

O que pode acontecer?

Ainda é cedo para determinar quais serão as ramificações da crise atual, tanto na seara política, quanto na econômica. No entanto, acadêmicos e diplomatas se debruçam sobre os possíveis cenários que podem resultar da disputa.

Segundo especialista consultado por nossos colegas da XP, o professor de Relações Internacionais da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), Gunther Rudzit, há três cenários possíveis: 1) uma resolução do conflito por vias diplomáticas; 2) um conflito localizado no leste da Ucrânia; e 3) um conflito de maior escala com participação de tropas russas e ucranianas.

Vamos à eles.  

A resolução diplomática

Apesar dos desenvolvimentos recentes, e ainda haver um longo caminho a percorrer para que os países cheguem a uma resolução diplomática, consideramos que esse cenário ainda seja provável.

O custo de um conflito seria caro para ambos os lados, não somente do ponto de vista de operações militares. Os europeus, que não necessariamente teriam um envolvimento direto em um conflito armado, também tem muito a perder: a Rússia é seu principal fornecedor de gás natural, e disrupções no fornecimento da commodity ampliaria ainda mais a forte crise de alta de preços energéticos na região.

Nesse contexto, países têm liderado uma intensa iniciativa diplomática nas últimas semanas para tentar aliviar as tensões. Assim, apesar de uma resolução ainda estar longe de ser alcançada, o desejo expresso dos líderes de evitar um conflito amplia as possibilidades de um desfecho diplomático ao imbróglio.

Conflito localizado

Se as vias diplomáticas não produzirem os resultados desejados, o resultado mais provável seria um conflito localizado em regiões do leste ucraniano. Nesse contexto, o governo russo provavelmente apoiaria movimentos separatistas em províncias do país vizinho, com intuito de anexá-las posteriormente.        

Uma provável marca do conflito seria sua categorização como “híbrido”, com o uso de estratégias variadas além da militar, como ataques cibernéticos e políticos.

Conflito mais amplo

Existe ainda a possibilidade de um conflito maior, com envolvimento direto e participação ativa dos exércitos ucraniano e russo.

Esse cenário não deve envolver diretamente a participação dos Estados Unidos ou da OTAN. Isso porque, apesar de tropas já mobilizadas na região e assistência técnica e equipamentos providos para a Ucrânia, a aliança deve evitar envolvimento direto – uma vez que a Ucrânia não é um país membro.

Assim, as tropas americanas e de aliados devem provavelmente permaneceriam em territórios vizinhos, como a Polônia, para defender países membro da aliança de um potencial espalhamento do conflito na região.

Como a crise russa pode impactar os mercados?

É claro que os impactos sentidos nos mercados e na economia global nos próximos dias/meses dependerão do desfecho do conflito.

Porém, podemos destacar alguns pontos de atenção que devem permanecer no foco dos investidores ao redor do mundo, diferindo apenas em magnitude a depender do desenrolar da crise.

Alta da gasolina

O principal efeito imediato da escalada das tensões tende a ser no preço do petróleo e derivados, colocando mais gasolina na fogueira da inflação global.  A Rússia é um dos maiores produtores de petróleo do mundo (o terceiro em 2020), além de ser o principal fornecedor de gás natural da Europa.

Um conflito envolvendo o país prejudicaria a oferta da commodity, elevando (ainda mais) os preços no mercado internacional em um contexto de inflação em níveis recordes ao redor do mundo.

Assim, investidores podem passar a precificar a necessidade de juros mais altos e subindo mais rápido do que o esperado nos EUA, se a situação se prolongar. O mesmo pode ocorrer no Brasil, com o risco de vermos juros ainda mais altos do que o projetado hoje, no evento de uma disparada inesperada nos preços da gasolina e derivados.

Aumento da aversão ao risco

Conflitos geopolíticos, especialmente quando culminam em guerras efetivas, elevam a incerteza na economia global, e incerteza gera busca por proteção.

Nos mercados internacionais, ações podem perder espaço para títulos da dívida americanos (as famosas Treasuries), considerados os mais seguros do mundo, impactando bolsas globais.

Ao mesmo tempo, a corrida para as Treasuries tende a reduzir o rendimento desses títulos, diante da maior demanda. O movimento vai no caminho contrário ao observado nas taxas dos títulos americanos recentemente (que tem subido diante da expectativa de alta de juros no país), e o vai e vem pode trazer mais volatilidade aos mercados.

Finalmente, países emergentes – como o Brasil – tendem a sofrer mais em cenários de maior aversão ao risco – com reflexos na taxa de câmbio (a moeda deprecia, ou “o dólar sobe”), na bolsa e em outros ativos.

Fortalecimento do dólar

Também como parte do movimento de “fuga para segurança”, o dólar tende a se fortalecer de maneira geral.

Isso porque, assim como os títulos soberanos, a moeda americana é vista como um porto seguro de investidores ao redor do mundo em momentos de elevada incerteza e eventos inesperados, como um conflito entre potências.

Piora nos gargalos de produção

Além do petróleo e derivados, a Rússia também é o polo de exploração e produção de diversas outras commodities, sendo sede de inúmeras empresas de mineração, por exemplo.

Apesar do provável não envolvimento militar direto da OTAN, a implementação de sanções econômicas por parte dos Estados Unidos e aliados se torna provável diante da eclosão de um conflito armado contra a Ucrânia.

Dificultar ou impedir a comercialização internacional de produtos e insumos por parte de empresas russas poderia causar ainda mais danos às já abaladas cadeias globais de produção – pressionando os preços pela oferta limitada, e reforçando a onda de inflação global.  

O que fazer com meus investimentos?

Para os leitores assíduos de nosso conteúdo aqui na Riconnect, a resposta para essa pergunta vai parecer até óbvia: nada! Pois é, não é hora de fazer nada de diferente com seus investimentos, como reação aos eventos recentes.

O importante nesses momentos de maior volatilidade é esperar o mercado primeiramente digerir os acontecimentos, e precificar os verdadeiros riscos e impactos de longo prazo.

Proteja-se da alta de preços

Dito isso, você deve ter notado um ponto em comum a quase todos os potenciais impactos da crise mencionados acima, certo? A inflação! De fato, a atual crise geopolítica tende a colocar mais gasolina na fogueira inflacionária do mundo.

Assim, vale destacar alternativas para proteger seus investimentos da alta de preços.

Títulos indexados à inflação, como Tesouro IPCA + 2026, debêntures de empresas sólidas com vencimento médio, e fundos de inflação (fundos de investimento que investem em ativos indexados à inflação) são ótimas alternativas. Falamos mais das melhores oportunidades de renda fixa aqui

Enquanto isso, a classe de ativos conhecida como alternativos também ganha relevância, especialmente os ativos reais.  Esses ativos costumam ter baixa correlação com ciclos econômicos e inflação, tendo um valor em si mesmo, como commodities, metais preciosos e criptoativos. Uma alternativa simples para acessar esses investimentos é por meio do eTrend Ativos reais.

Diversificação internacional, e essencial

Além da proteção contra a inflação, vale destacar a importância da diversificação internacional e ativos dolarizados em momentos como o atual. Como falamos, dado o papel central da moeda americana no mundo, o dólar é tido como um “porto seguro” para investidores em momentos de crise, o que tende a fortalecer a moeda.

Assim, a máxima “investir em dólar” também se prova uma excelente aliada nesse momento.

Detalhamos no “Onde Investir em fevereiro” alternativas para compor sua carteira com investimentos internacionais, como BDRs, fundos internacionais e ETFs.

Finalmente, assim como destacamos em todos os nossos conteúdos, manter uma carteira diversificada, respeitando o seu perfil de risco, segue sendo essencial. E são justamente momentos de instabilidade e imprevisibilidade como o atual que atestam para sua importância.

Elaborado por:

Paula Zogbi, CNPI 2545

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