(Por: Thaisa Mattos – Especialista em Finanças)

Vivemos em um mundo cada vez mais digital, onde sistemas interconectados desempenham um papel fundamental em nossas vidas. Recentemente, fomos surpreendidos por um apagão global de sistemas, uma pane que afetou empresas, instituições financeiras e até mesmo serviços essenciais.

O apagão não foi causado por um ataque externo, mas sim por um erro na atualização de um software da empresa de cibersegurança CrowdStrike. As primeiras informações indicam que a falha teve origem em sistemas da CrowdStrike que usam o sistema Windows, da Microsoft.

A CrowdStrike, apontada como responsável pelo apagão, identificou e corrigiu o problema. O CEO da empresa, George Kurtz, afirmou que não se trata de um incidente de segurança ou ataque cibernético.

Além disso, o governo federal informou que não houve registro de incidentes nos sistemas do governo em razão do apagão cibernético que afetou diferentes redes e aplicativos ao redor do mundo.

Diante da situação, como isso impacta nosso bolso e nossos investimentos? E o que podemos fazer a respeito?

O impacto financeiro

O apagão cibernético global teve impacto significativo nos mercados financeiros e nas empresas. Nas bolsas de valores e mercados de commodities, as negociações foram afetadas em várias partes do mundo, como a Bolsa de Valores de Londres e a Bolsa Europeia de Energia.

Uma das principais consequências foi a queda no volume de negociações, devido à indisponibilidade dos sistemas. No Brasil, o apagão global não afetou a negociação de ativos na B3.

Segundo a Bolsa de Valores Brasileira, nenhum de seus serviços e plataformas de operação foi impactado pela falha tecnológica que afetou empresas em todo o mundo. Grandes instituições financeiras como JPMorgan Chase, UBS e Bloomberg foram impactadas, deixando alguns investidores incapazes de acessar seus sistemas.

Algumas corretoras e bancos no Brasil também enfrentaram instabilidades em seus sistemas, mas a maioria já retomou seus serviços e as demais estão em avançado estado de normalização.

Inclusive as companhias aéreas enfrentaram dificuldades, e até mesmo laboratórios médicos relataram problemas em seus sistemas. Portanto, os investimentos ligados a esses setores podem ter sido prejudicados durante o apagão.

Considerando um impacto um pouco mais direto desse evento, as BDRs da CrowdStrike, indicada como provável responsável pelo apagão, caíram cerca de 14% desde a sexta-feira (19/07/2024).

O que fazer nesses momentos de incertezas nos mercados?

1- Mantenha a calma: Apesar de indesejadas, as instabilidades fazem parte dos mercados. Evite decisões impulsivas e lembre-se de que investir é uma maratona, não uma corrida.

2- Acompanhe suas contas: Independentemente do cenário, é importante consultar regularmente suas contas bancárias e de investimentos.

Verifique se há transações não autorizadas, erros ou se houve algum impacto específico nos seus ativos. A plataforma do CEI é uma ótima ferramenta para verificar seus ativos em caso de indisponibilidade das plataformas de sua corretora ou instituição financeira.

O Canal Eletrônico do Investidor (CEI) é uma ferramenta fornecida pela B3 (Brasil, Bolsa, Balcão) que permite aos investidores acessarem informações sobre suas posições e movimentações financeiras. Para consultar a plataforma do CEI, basta acessar o site do CEI em cei.b3.com.br, inserir seu CPF e a senha cadastrada.

Após o login, você terá acesso a várias abas, onde pode consultar suas posições em ações, fundos, tesouro direto, entre outros ativos. Inclusive, poderá utilizar a seção de relatórios para visualizar e baixar suas movimentações financeiras detalhadas.

3- Crie uma reserva de emergência: É essencial ter um fundo de emergência para cobrir casos de urgência financeira e deve ser calculado em torno de 6 a 12 vezes o seu custo de vida mensal.

Ou seja, se esse custo é de R$ 2.000 ao mês, um bom fundo de emergência deve totalizar pelo menos R$12 mil a R$24 mil. Essa reserva deve ser mantida em um investimento de alta liquidez, baixo risco e atrelado à Taxa Selic ou CDI, para que você possa acessá-lo rapidamente em caso de imprevistos.

O Tesouro Selic ou o fundo de investimento Trend Cash podem ser boas indicações para esse objetivo.


4- Diversificação: Se você já diversificou seus investimentos, isso pode ajudar a mitigar riscos. Se não, considere diversificar agora.

A diversificação dos investimentos consiste em distribuir o capital entre diferentes ativos do mercado financeiro. Ela pode ser feita em uma classe de ativo, como diferentes indexadores, se você investe apenas em renda fixa, além de diferentes credores. Além disso, você pode alocar o capital em diferentes classes de investimentos.

A diversificação ajuda o investidor se proteger inclusive de eventos difíceis de prever. Um exemplo disso, visto nesse apagão cibernético, foi a movimentação oposta do ouro e bitcoin. Embora ambos sejam considerados por muitos investidores como reservas de valor e investimentos para momentos sensíveis da economia, apenas o bitcoin se beneficiou desse evento específico.

Assim, o principal objetivo da diversificação de investimentos é maximizar os retornos e minimizar os riscos no longo prazo.

Confira aqui, quanto investir em cada classe de ativo, de acordo com o seu perfil de investidor.


5- Aprender com a situação: O apagão global de sistemas pode ter afetado seu dinheiro, mas não é motivo para pânico. Fique informado, tome decisões conscientes e lembre-se de que, no longo prazo, resiliência e adaptação são essenciais para o sucesso financeiro.

Acesse gratuitamente nosso Ebook sobre diversificação aqui.

Você sabia que é possível investir em criptomoedas diretamente pela bolsa brasileira? Sim! E isso ocorre graças aos ETFs de criptoativos que estão disponíveis.

O universo dos ETFs (Exchange Traded Funds) tem crescido no Brasil. Essa modalidade de investimento funciona exatamente como sua tradução literal, “fundo negociado em bolsa” – ou seja, o ETF não deixa de ser um fundo de investimento, administrado por um gestor, só que é possível comprar e vender cotas desse fundo por meio da B3.

Atualmente existem diversos tipos de ETFs, desde aqueles que investem em ouro, até os que acompanham índices do mercado de ações, como o Ibovespa. E mais recentemente, surgiram alguns ETFs de criptoativos e é sobre eles que iremos falar nesse texto!

Quer saber mais sobre os ETFs, como investir e quais as cobranças de imposto de renda? Confira nossa explicação completa aqui.

Quais os tipos de ETFs de Criptoativos?

Há algumas opções de ETFs de criptoativos disponíveis na nossa bolsa, dentre os quais podemos destacar:

  • Os que investem diretamente em criptomoedas, como o Bitcoin,;
  • Aqueles compostos por uma cesta de criptomoedas;
  • ETFs ligados ao universo das Blockchais (finanças descentralizadas);
  • ETFs ligados a entretenimento digital e NFTs.

Abaixo, detalhamos cada um desses tipos de ETFs.

Quais os ETFs de Bitcoin?

Aqui vamos detalhar algumas opções de ETFs que investem diretamente no Bitcoin. A diferença entre eles está na metodologia e na gestão por trás de cada um.

BITH11

O objetivo desse fundo é acompanhar a variação de um índice chamado Índice Nasdaq Bitcoin Reference Price. Esse índice segue a cotação do Bitcoin em dólares americanos.
Essa é uma opção de ETF para quem deseja investir de forma indireta no Bitcoin, e BITH11 é o código para você encontrar o ETF na plataforma da Rico.

BITI11

O BITI11 acompanha a cotação de outro índice chamado Bloomberg Galaxy Bitcoin Index. Esse índice também replica a performance do Bitcoin, mas dessa vez com base em uma metodologia específica adotada pela Bloomberg. Essa é mais uma opção para investir no Bitcoin, e o código para negociação no home broker é o BITI11.

QBTC11

Lançado em 2021, esse fundo busca acompanhar a variação do índice CME CF Bitcoin Reference Rate. Esse índice, por sua vez, acompanha o preço médio do Bitcoin em Dólares americanos. Portanto, o QBTC11 é mais uma opção para investir em bitcoin, de maneira mais simples e segura, direto pela bolsa brasileira.

IBIT39

Esse fundo também segue a variação do índice CME CF Bitcoin Reference Rate, que agrega dados de negociação do Bitcoin em dólares – mas vindos de vários mercados. Esse ETF foi lançado mais recentemente, em março de 2024, é mais uma alternativa para quem deseja investir em Bitcoin e seu código de negociação é o IBIT39.

Quais os ETFs de Ethereum?

Existem duas opções de ETFs para quem deseja investir no Ethereum, vamos conhecer um pouco mais sobre cada uma delas.

ETHE11

Esse fundo busca acompanhar a variação do índice Nasdaq Ether Reference Price. Esse índice é administrado pela Nasdaq e tem como objetivo acompanhar o preço do Ethereum em Dólares Americanos. Portanto, investir no ETHE11 é uma maneira de investir indiretamente no Ethereum.

QETH11

Mais uma opção para investir indiretamente e de forma mais simples no Ethereum, o QETH11 acompanha a variação do índice CME CF Ether-Dollar Reference Rate. Esse índice segue o preço médio em Dólares americanos do Ethereum, em negócios realizados entre 15h e 16h de Londres.

Quais os ETFs relacionados a uma cesta de Criptomoedas?

CRPT11

O CRPT11 fundo acompanha a variação do índice Teva Criptomoeda Top 20, que tem como objetivo acompanhar os preços de uma carteira composta pelos 20 criptoativos com maior valor de mercado e que atendem a critérios razoáveis de liquidez. Para encontrar esse fundo em sua plataforma, basta procurar pelo código CRPT11.

HASH11

Primeiro ETF de criptoativos lançado no Brasil, o HASH11 busca acompanhar a variação do índice Nasdaq Crypto, que por sua vez segue o desempenho de uma cesta de criptomoedas com liquidez e capitalização de mercado relevantes. Portanto, se deseja investir nesse ETF, basta buscar pelo código HASH11 na sua plataforma da Rico, e essa é uma maneira de investir em uma cesta de criptoativos, de forma simples.

Quais os ETFs ligados às Finanças Descentralizadas (DeFi)?

Existem atualmente dois ETFs relacionados a Finanças Descentralizadas. Veja mais detalhes sobre eles a seguir.

O que é DeFi?
DeFi (Finanças Descentralizadas) refere-se a um ecossistema de aplicações financeiras construídas em plataformas de blockchain. O objetivo do DeFi é replicar serviços financeiros tradicionais (como empréstimos, seguros, exchanges, etc.) de maneira mais aberta, acessível, transparente e menos burocrática.

DEFI11

Esse fundo acompanha a variação do índice CF DeFi Market Cap Weight Composite Index, que busca seguir a performance de tokens nativos de aplicativos e protocolos descentralizados baseados em blockchain que fazem parte do ecossistema do DeFi. Para negociar esse ETF, basta procurar pelo código “DEFI11” na plataforma da Rico.

QDFI11

Lançado em 2022, o QDFI11 foi o primeiro ETF de DeFI do mundo. Seu desempenho acompanha o índice de referência Bloomberg Galaxy DeFi Index, composto por criptoativos relacionados a finanças descentralizadas.

ETFs relacionados a Tecnologia Blockchain, NFTs, Entretenimento Digital e “Smart Contracts”

Existem alguns ETFs ligados ao ecossistema dos criptoativos, mas não necessariamente a uma criptomoeda específica. Veremos alguns detalhes sobre cada um deles:

Tecnologia Blockchain
É um sistema que funciona de maneira descentralizada e distribuída, alimentado por vários computadores. Funciona como um grande arquivo compartilhado de registros de transações. 
Smart Contracts (Contratos Inteligentes)
São programas que executam condições acordadas previamente de forma automática. Eles utilizam a tecnologia blockchain e funcionam em diversas áreas, como finanças e mercado imobiliário.

BKCH39

Um pouco diferente dos anteriores, esse fundo acompanha a variação de um índice chamado Solative Blockchain Index. Esse índice, por sua vez, investe em empresas que se beneficiam da tecnologia blockchain, tais como empresas que realizam a mineração de ativos digitais e transações blockchain. Vale ressaltar que essa é uma opção de ETF que ainda possui um baixo volume de negociação no Brasil, portanto é preciso um pouco mais de cautela na hora de investir. Mas, você pode encontrar o ETF no home broker da Rico através do código BKCH39.

BLOK11

Esse fundo acompanha o índice MVIS Crypto Compare Smart Contract Leaders Index. Esse índice segue a performance dos maiores e mais líquidos criptoativos classificados como smart contracts (contratos inteligentes). Para ser classificado como um “smart contract”, o criptoativo precisa atender diversos critérios de volume de negócios, aceitação de mercado e segurança. Para negociar esse ETF, basta procurar pelo código BLOK11.

META11

Lançado em outubro de 2023, esse ETF busca acompanhar o desempenho de ativos relacionados ao metaverso e entretenimento digital em blockchain. O índice é formado por tokens de cripto em três subportfólios: entretenimento digital, protocolos de suporte e plataforma de liquidação em blockchain. Para negociar esse ETF, você precisará buscar pelo código META11 em seu home broker.

NFTS11

Esse ETF visa acompanhar o desempenho dos maiores e mais líquidos ativos classificados como criptoativos de mídia e entretenimento. O NFTS11 tem o objetivo de seguir o desempenho do índice MVIS CryptoCompare Media & Entertainment Leaders Brazil Index. Para compor sua carteira, esse índice seleciona uma cesta de criptomoedas ligadas às NFTs. E para negociá-lo no Brasil, basta procurar pelo código NFTS11.

WEB311

A Web3 é uma tecnologia criada sobre a estrutura das plataformas de contratos inteligentes (smart contracts). O WEB311 replica o índice CF Web3 Index e busca acompanhar a performance de tokens nativos de aplicativos e protocolos descentralizados baseados em blockchains. 

Agora você já conhece os ETFs de criptoativos disponíveis na B3!

Essas são as opções de ETFs ligados a criptoativos que estão disponíveis para investir no Brasil. É uma maneira mais simples e segura de investir nessa modalidade que vem se tornando muito popular. Vale lembrar que são ativos de renda variável e que é sempre importante respeitar seu perfil de investidor e objetivos na hora de escolher o seu investimento.

Em reunião realizada em 19 de julho de 2024, o Conselho de Administração da Hypera (HYPE3) aprovou o pagamento de proventos aos acionistas.

Quem é a Hypera?
A Hypera, antiga Hypermarcas, iniciou suas atividades produzindo uma ampla gama de produtos, desde produtos de higiene até alimentícios e farmacêuticos, mas desde 2017 vem mantendo o seu foco em produtos farmacêuticos, atendendo principalmente o mercado de varejo. Desde então, vem se consolidando como uma das maiores farmacêuticas do país.

Como será pago?

A empresa fará a distribuição dos proventos por meio de juros sobre capital próprio (JCP). Nessa modalidade, há cobrança de 15% de imposto de renda ao investidor, que já fica retido na fonte.

Qual valor os acionistas receberão?

Segundo o Fato Relevante divulgado pela companhia, o montante total a ser distribuído será de aproximadamente 62 milhões de reais (valor bruto), o que equivale a R$0,097 por ação.

Por exemplo, um investidor com 1.000 ações receberá aproximadamente R$ 97 (bruto).

Como receber?

Para ter direito a esses proventos, o investidor precisa estar posicionado no ativo “HYPE3” em 24 de julho de 2024. Chamamos esse dia de “data-com”, ou seja, a data em que o investidor precisa estar com o ativo em carteira para garantir o recebimento do JCP. Após essa data, as ações serão consideradas “ex-juros” – assim, quem comprar a ação a partir de 25 de julho já não terá mais direito aos proventos.

Quer saber mais sobre como funcionam os dividendos? Acesse nosso conteúdo completo sobre o assunto.

Quando o valor será pago aos acionistas?

O valor será creditado na conta dos acionistas até o dia 31 de dezembro de 2025. A data exata ainda não foi divulgada, mas será definida e informada oportunamente pela Companhia.

E se você está buscando investir em empresas pagadoras de dividendos, acompanhe aqui nossas recomendações.

  • Financiar um imóvel ou alugar: quem acumula mais patrimônio ao longo do tempo?
  • Fizemos uma simulação considerando um total de R$2.000,00 disponíveis para o aluguel ou financiamento.
  • O resultado do páreo aluguel X financiamento pode surpreender a muitos!
  • Confira na íntegra e veja os pontos positivos e negativos de cada opção.

Comprar ou alugar um imóvel? Esse tema é certamente fonte de controvérsia – na internet, no jantar de família, entre amigos. Enquanto alguns são ferrenhos defensores do aluguel, outros defendem a compra do imóvel, mesmo que financiado.

Por isso, decidimos colocar na ponta do lápis uma simulação para tentar definir qual é a melhor opção, além de pontuar os prós e contras de cada alternativa.

Sem muito suspense: para a surpresa de muitos, a resposta é que comprar uma casa, mesmo que financiada, pode ser mais rentável que alugar e investir. Mas será que essa é a melhor escolha?

Fizemos uma simulação considerando o valor total de R$2.000,00 disponíveis após o pagamento de custos fixos de uma pessoa/família, tirando o aluguel. Desta forma, a escolha seria entre alugar um apartamento e investir o restante ou contratar um financiamento e investir o excedente.

Opção 1: Financiando uma casa

Nessa simulação, consideramos uma pessoa com condições de dispender R$30.000,00 para dar como entrada em um financiamento de um imóvel cujo valor total é R$150.000,00. Assim, o financiamento seria de R$ 120.000,00, a ser quitado em um prazo de 10 anos.

A seguir, veja os dados desse financiamento:

Valor do apartamentoR$150.000,00
Valor recebidoR$ 120.000,00
Taxa utilizada*11,5%
Primeira parcelaR$ 1.883,34
Última parcelaR$ 1.007,36
Prazo120 meses
*Juros médio de financiamento imobiliário em 2024 ; Fonte: Banco Central

Conforme visto acima no valor da parcela inicial, a pessoa que optar por financiar o imóvel com os R$2.000,00 mensais disponíveis, terá um excedente para investir. Como o valor das parcelas caem ao longo do tempo, a sobra disponível para investir (ou amortizar a dívida) aumentará ao longo dos meses. Assim, adicionamos uma rentabilidade mensal hipotética de 0,9% ao mês para esses investimentos.

MêsParcelaValor disponívelSaldo restanteSaldo aplicado
1 R$  1.883,34 R$ 2.000,00 R$         116,66 R$ 117,71
2 R$  1.875,98 R$ 2.000,00 R$         124,02R$ 243,90
3 R$  1.868,62 R$ 2.000,00 R$         131,38 R$ 378,65
 … … … …
119 R$  1.014,72 R$ 2.000,00R$ 985,28 R$ 101.321,41
120 R$ 1.007,36 R$ 2.000,00 R$ 992,64 R$ 103.234,88

Chegado ao final do período, tendo quitado todas as parcelas, a pessoa teria acumulado R$ 103.234,88 de investimentos, além do valor de seu imóvel de R$150.000,00.

Entretanto, seu imóvel também poderia se valorizar ao longo desses 10 anos. Por isso, utilizamos o índice de inflação IGP-M (frequentemente utilizado para ajuste de aluguéis) para calcular a valorização do imóvel nesse período. A média do IGP-M desde 1995 foi de 7,09% ao ano.

anoValor do imóvel
1º ano R$  160.635,00
2º ano R$  172.024,02
3º ano R$  184.220,52
4º ano R$  197.281,76
5º ano R$  211.269,04
6º ano R$  226.248,01
7º ano R$  242.289,00
8º ano R$  259.467,29
9º ano R$  277.863,52
10º ano R$  295.870,30

Apesar da valorização de um imóvel não apreciar seguindo nenhum índice de inflação dado as múltiplas variáveis que influenciam no seu preço, consideramos um imóvel hipotético que tenha acompanhado essa valorização, igualando a inflação no período.

Segundo esses cálculos, o apartamento teria valorizado cerca de 136% em 10 anos. Assim, a pessoa que optou pelo financiamento teria alcançado um patrimônio total de R$ 458.050,13, somando seus investimentos ao valor de sua residência.

Valor do imóvelValor em investimentosValor total de patrimônio
 R$ 295.870,30 R$ 103.234,88 R$ 399.105,17

Opção 2: Alugando uma casa e investindo o restante

Para calcular essa opção, simulamos uma pessoa que, após pagar suas contas fixas, aluga um apartamento avaliado em R$150.000,00 com os R$2.000,00 disponíveis, e investe o dinheiro restante. Assim como no exemplo anterior, consideramos que a pessoa possui inicialmente R$30.000,00 (que no outro exemplo foi usado para a entrada do financiamento).

Como explicamos nesse texto, o valor de aluguel de um imóvel é cerca de 0,3% a 0,5% do valor total do imóvel. Considerando uma média de 0,4%, o aluguel desse apartamento seria de cerca de R$600,00 por mês, que serão reajustados anualmente pelo IGPM, utilizando os mesmos 7,09% ao ano do exemplo anterior.

Desta forma, teríamos o seguinte fluxo de investimentos:

MêsAluguelValor disponívelValor investidoTotal em investimento
0R$30.000,00 R$ 30.000,00
1R$ 600,00R$ 2.000,00R$ 1.400,00 R$ 31.412,60
2R$ 600,00R$ 2.000,00R$1.400,00  R$ 33.107,91
118 R$ 1.310,69R$ 2.000,00 R$ 888,55 R$ 342.349,24
119 R$ 1.310,69R$ 2.000,00 R$ 888,55 R$ 346.326,93
120 R$ 1.310,69R$ 2.000,00 R$ 888,55R$ 350.340,41

Assim, a pessoa que opta por investir (considerando uma taxa hipotética também de 0,9% ao mês), alcançaria um patrimônio de R$ 350.340,41 no prazo de 10 anos alugando um imóvel.

Resultado: Quem financiou, acumulou mais patrimônio

Diante dos resultados, concluímos que quem financia um imóvel, considerando essas condições especificadas acima, consegue acumular um patrimônio maior, a longo prazo, do que alguém que aluga o mesmo apartamento.

Financiando Alugando
PatrimônioR$ 399.105,17  R$ 350.340,41

Porém, 3 pontos são importantes destacar.

1. Custos não considerados

Quem financia um imóvel, precisa preparar o bolso para alguns impostos e custos legais para a aquisição do imóvel. Em uma aquisição de R$150.000,00, esses custos poderiam facilmente chegar a R$15.000,00, reduzindo a diferença entre as duas opções.

Além disso, o proprietário de um imóvel é o responsável pelas benfeitorias necessárias. Em um período de 10 anos, muitos outros custos e impostos poderiam surgir, diminuindo ainda mais a diferença.

2. Variável do investimento

Olhando com atenção as contas realizadas, você perceberá que boa parte do patrimônio conseguido por quem financia é fruto da valorização deste imóvel. Caso essa valorização seja menor do que a média que utilizamos, o resultado pode ser bem diferente. Assim como a rentabilidade da carteira investimentos pode também ser diferente da qual estipulamos para a pessoa que optou por alugar um imóvel.

Considerando uma a carteira de investimentos com rentabilidade de 1,1% ao mês, por exemplo, quem optar por alugar o imóvel, acumula mais patrimônio ao longo do tempo.

Cenário rendimentos 1,33% ao anoAlugandoFinanciando
Patrimônio AcumuladoR$ 416.437,83   R$ 410.891,22

3. Variável dos juros do financiamento

É importante destacar que vivemos em um momento de taxas de juros elevadas. Com a taxa Selic aos 10,5% ao ano, o crédito tem encarecido, elevando os juros de financiamentos – mesmo considerando o financiamento imobiliário como uma das modalidades com menores juros no mercado.

Sendo essa uma das variáveis mais importantes da equação, uma taxa de financiamento diferente pode afetar – e muito – o resultado dessa equação.

E aí, financiar ou alugar?

Depende. Considerando as simulações feitas nesse texto, financiar um imóvel é levemente mais vantajoso que alugar. Porém, dependendo da taxa de juros, rentabilidade do investimento, valorização real do imóvel em questão e outros fatores que podemos não ter controle, essa vantagem pode desaparecer.

A pessoa que financia um imóvel também acaba por centralizar grande parte de seu patrimônio apenas em um ativo, correndo um risco maior caso algo inesperado aconteça. Outro risco é o da inadimplência, caso essa pessoa passe por alguma dificuldade financeira nesses 10 anos, colocando em risco perder o imóvel.

Ao mesmo tempo, quem aluga (e investe o restante) acumula um patrimônio relevante ao longo do tempo. Esse capital pode ajudar muito em uma negociação de um imóvel com o pagamento à vista ou em uma eventual compra via leilão.

Além disso, o aluguel e investimento do excedente disponível permite uma maior diversificação de investimentos, dando maior flexibilidade para mudanças e reduzindo os riscos atrelados à imóveis, como falta de liquidez (facilidade de transformar o ativo em dinheiro).

E se fosse outro índice de inflação?

Para enriquecer essa análise, também simulamos a mesma aquisição, com a correção do valor do imóvel e do reajuste do aluguel pelo índice IPCA – nosso principal índice ao consumidor no Brasil. Com a disparada do IGP-M, que sofre maior influência da variação do dólar, muitos alugueis começaram a ser corrigidos pelo IPCA, para ter um impacto menor no reajuste de preço.

Assim, considerando a taxa de 6,8% (média do IPCA entre 1995 e 2024), o resultado foi o seguinte:

Índice de correçãoPatrimônio acumulado de quem financiaPatrimônio acumulado de quem aluga
 IGP-M (7,09%)
R$ 399.105,17
 R$ 350.340,41
 IPCA (6,8%)R$ 372.568,29  R$ 356.867,31

Apesar da vantagem ainda ser de quem financia o imóvel, veja que a diferença é reduzida consideravelmente, quando consideramos outro índice de inflação. Além disso, levando em conta que os custos atrelados à aquisição do imóvel e custos de benfeitorias não estão incluídos no cálculo, essa diferença pode reduzir ainda mais – ou até se inverter, fazendo do aluguel uma melhor alternativa.

Também vale destacar que os dados usados para essa simulação baseiam-se em médias históricas, que podem variar muito quando olhamos projeções de índices de inflação ou de rentabilidade de uma carteira de investimento para os próximos anos.

Em resumo: como sempre dizemos por aqui, é muito importante colocar as contas no papel e analisar bem os números antes de se comprometer com qualquer investimento de longo prazo. Sabemos também que uma decisão como essa irá depender do seu horizonte de investimentos, as alternativa disponíveis no mercado, seu momento de vida, carreira, família, e até mesmo questões emocionais.

Por isso, estamos disponibilizando a planilha em que fizemos esses cálculos para você ter a liberdade de simular o seu plano financeiro. Baixe aqui!

As empresas listadas na bolsa brasileira divulgam seus resultados financeiros a cada três meses. Acompanhar esses balanços é essencial para os investidores, pois permite avaliar a saúde financeira das companhias e decidir se vale a pena investir nelas.

Confira o calendário com as datas e horários de divulgação dos balanços das principais empresas da bolsa brasileira:

Aproveite e confira aqui mais detalhes sobre o que é e porque acompanhar esses números!

Data Companhia Ticker Setor Horário de divulgação
11/07/2024 Camil CAML3 Alimentos & Bebidas Após o fechamento
17/07/2024 Zenvia ZENV TMT Horário a confirmar
22/07/2024 Carrefour CRFB3 Varejo Após o fechamento
24/07/2024 Santander SANB11 Bancos Antes da abertura
25/07/2024 Hypera HYPE3 Saúde Após o fechamento
25/07/2024 Multiplan MULT3 Propriedades Comerciais Após o fechamento
25/07/2024 Vale VALE3 Mineração & Siderurgia Após o fechamento
26/07/2024 Usiminas USIM5 Mineração & Siderurgia Antes da abertura
29/07/2024 Grupo SBF SBFG3 Varejo Após o fechamento
29/07/2024 Intelbras INTB3 TMT Após o fechamento
29/07/2024 Telefônica Brasil VIVT3 TMT Após o fechamento
29/07/2024 CCR CCRO3 Transportes Após o fechamento
30/07/2024 Klabin KLBN11 Papel & Celulose Antes da abertura
30/07/2024 Copasa CSMG3 Saneamento Após o fechamento
30/07/2024 Tim TIMS3 TMT Após o fechamento
31/07/2024 Weg WEGE3 Bens de Capital Antes da abertura
31/07/2024 Irani RANI3 Papel & Celulose Horário a confirmar
31/07/2024 Americanas AMER3 Varejo Horário a confirmar
31/07/2024 ISA Cteep TRPL4 Elétricas Horário a confirmar
31/07/2024 Kepler Weber KEPL3 Bens de Capital Após o fechamento
31/07/2024 Gerdau GGBR4 Mineração & Siderurgia Após o fechamento
31/07/2024 Met. Gerdau GOAU4 Mineração & Siderurgia Após o fechamento
31/07/2024 Ecorodovias ECOR3 Transportes Após o fechamento
01/08/2024 Ambev ABEV3 Alimentos & Bebidas Antes da abertura
01/08/2024 Marcopolo POMO4 Bens de Capital Após o fechamento
01/08/2024 EZTec EZTC3 Construção Civil Após o fechamento
01/08/2024 Log Comm. Prop. LOGG3 Propriedades Comerciais Após o fechamento
01/08/2024 AES Brasil AESB3 Elétricas Após o fechamento
01/08/2024 Auren AURE3 Elétricas Após o fechamento
05/08/2024 Aura Minerals AURA33 Mineração & Siderurgia Horário a confirmar
05/08/2024 Bradesco BBDC4 Bancos Horário a confirmar
05/08/2024 Pague Menos PGMN3 Varejo Após o fechamento
05/08/2024 Vamos VAMO3 Transportes Após o fechamento
05/08/2024 Iochpe-Maxion MYPK3 Bens de Capital Após o fechamento
05/08/2024 Taesa TAEE11 Elétricas Após o fechamento
06/08/2024 Desktop DESK3 TMT Horário a confirmar
06/08/2024 Grupo Mateus GMAT3 Varejo Após o fechamento
06/08/2024 Cury CURY3 Construção Civil Após o fechamento
06/08/2024 Pão de Açucar PCAR3 Varejo Após o fechamento
06/08/2024 Vulcabras VULC3 Varejo Após o fechamento
06/08/2024 Itaú Unibanco ITUB4 Bancos Após o fechamento
06/08/2024 Frasle Mobility FRAS3 Bens de Capital Após o fechamento
06/08/2024 Odontoprev ODPV3 Saúde Após o fechamento
06/08/2024 Raia Drogasil RADL3 Varejo Após o fechamento
06/08/2024 Iguatemi IGTI11 Propriedades Comerciais Após o fechamento
06/08/2024 Vibra Energia VBBR3 Óleo, Gás e Petroquímicos Após o fechamento
06/08/2024 PRIO PRIO3 Óleo, Gás e Petroquímicos Após o fechamento
06/08/2024 Blau BLAU3 Saúde Após o fechamento
06/08/2024 JSL JSLG3 Transportes Após o fechamento
07/08/2024 Engie Brasil EGIE3 Elétricas Após o fechamento
07/08/2024 Eletrobras ELET3 Elétricas Horário a confirmar
07/08/2024 TOTVS TOTS3 TMT Após o fechamento
07/08/2024 Randoncorp RAPT4 Bens de Capital Após o fechamento
07/08/2024 Cogna COGN3 Educação Após o fechamento
07/08/2024 Minerva BEEF3 Alimentos & Bebidas Após o fechamento
07/08/2024 3R Petroleum RRRP3 Óleo, Gás e Petroquímicos Após o fechamento
07/08/2024 Tenda TEND3 Construção Civil Após o fechamento
07/08/2024 Guararapes GUAR3 Varejo Após o fechamento
07/08/2024 D1000 DMVF3 Varejo Após o fechamento
07/08/2024 Ultrapar UGPA3 Óleo, Gás e Petroquímicos Após o fechamento
07/08/2024 C&A Modas CEAB3 Varejo Após o fechamento
07/08/2024 Banco do Brasil BBAS3 Bancos Após o fechamento
07/08/2024 Aeris AERI3 Bens de Capital Após o fechamento
07/08/2024 Lavvi LAVV3 Construção Civil Após o fechamento
07/08/2024 Grupo Casas Bahia BHIA3 Varejo Após o fechamento
07/08/2024 Braskem BRKM5 Óleo, Gás e Petroquímicos Após o fechamento
07/08/2024 Eletromidia ELMD3 TMT Após o fechamento
07/08/2024 CBA CBAV3 Mineração & Siderurgia Horário a confirmar
07/08/2024 Unifique FIQE3 TMT Após o fechamento
07/08/2024 Santos Brasil STBP3 Transportes Após o fechamento
07/08/2024 Copel CPLE6 Elétricas Após o fechamento
08/08/2024 Azul AZUL4 Transportes Antes da abertura
08/08/2024 Plano & Plano PLPL3 Construção Civil Horário a confirmar
08/08/2024 JHSF JHSF3 Propriedades Comerciais Horário a confirmar
08/08/2024 Petrobras PETR4 Óleo, Gás e Petroquímicos Antes da abertura
08/08/2024 Smart Fit SMFT3 Varejo Horário a confirmar
08/08/2024 Vivara VIVA3 Varejo Horário a confirmar
08/08/2024 BR Partners BRBI11 Bancos Após o fechamento
08/08/2024 Mater Dei MATD3 Saúde Horário a confirmar
08/08/2024 Allied ALLD3 TMT Após o fechamento
08/08/2024 Alpargatas ALPA4 Varejo Após o fechamento
08/08/2024 Caixa Seguridade CXSE3 Inst. Financeiras Após o fechamento
08/08/2024 Suzano SUZB3 Papel & Celulose Após o fechamento
08/08/2024 Boa Safra SOJA3 Agro Após o fechamento
08/08/2024 Priner PRNR3 Transportes Após o fechamento
08/08/2024 Moura Dubeux MDNE3 Construção Civil Após o fechamento
08/08/2024 Unipar UNIP6 Óleo, Gás e Petroquímicos Após o fechamento
08/08/2024 Lojas Renner LREN3 Varejo Após o fechamento
08/08/2024 Zamp ZAMP3 Varejo Após o fechamento
08/08/2024 Magazine Luiza MGLU3 Varejo Após o fechamento
08/08/2024 PetroReconcavo RECV3 Óleo, Gás e Petroquímicos Após o fechamento
08/08/2024 Sanepar SAPR11 Saneamento Após o fechamento
08/08/2024 B3 B3SA3 Inst. Financeiras Após o fechamento
08/08/2024 Méliuz CASH3 Inst. Financeiras Após o fechamento
08/08/2024 Bemobi BMOB3 TMT Após o fechamento
08/08/2024 Sabesp SBSP3 Saneamento Após o fechamento
08/08/2024 Rumo RAIL3 Transportes Após o fechamento
08/08/2024 Assai ASAI3 Varejo Após o fechamento
08/08/2024 Grendene GRND3 Varejo Após o fechamento
08/08/2024 YDUQS YDUQ3 Educação Após o fechamento
08/08/2024 Cyrela CYRE3 Construção Civil Após o fechamento
08/08/2024 Hapvida HAPV3 Saúde Após o fechamento
08/08/2024 Fleury FLRY3 Saúde Após o fechamento
08/08/2024 Alupar ALUP11 Elétricas Após o fechamento
09/08/2024 Embraer EMBR3 Bens de Capital Antes da abertura
09/08/2024 Inter INBR32 Bancos Horário a confirmar
09/08/2024 M. Dias Branco MDIA3 Alimentos & Bebidas Após o fechamento
12/08/2024 CSN CSNA3 Mineração & Siderurgia Após o fechamento
12/08/2024 CSN Mineração CMIN3 Mineração & Siderurgia Após o fechamento
12/08/2024 Grupo Natura NTCO3 Varejo Horário a confirmar
12/08/2024 3tentos TTEN3 Agro Após o fechamento
12/08/2024 São Martinho SMTO3 Agro Após o fechamento
12/08/2024 Anima ANIM3 Educação Após o fechamento
12/08/2024 Cruzeiro do Sul CSED3 Educação Após o fechamento
12/08/2024 Ser Educacional SEER3 Educação Após o fechamento
12/08/2024 Viveo VVEO3 Saúde Após o fechamento
12/08/2024 Direcional DIRR3 Construção Civil Após o fechamento
12/08/2024 MRV MRVE3 Construção Civil Após o fechamento
12/08/2024 Enjoei ENJU3 Varejo Após o fechamento
12/08/2024 Track Field TFCO4 Varejo Após o fechamento
12/08/2024 Localiza RENT3 Transportes Após o fechamento
13/08/2024 BTG Pactual BPAC11 Bancos Antes da abertura
13/08/2024 Melnick MELK3 Construção Civil Antes da abertura
13/08/2024 Trisul TRIS3 Construção Civil Horário a confirmar
13/08/2024 Bradespar BRAP4 Mineração & Siderurgia Antes da abertura
13/08/2024 Cemig CMIG4 Elétricas Horário a confirmar
13/08/2024 Jalles Machado JALL3 Agro Após o fechamento
13/08/2024 Raizen RAIZ4 Agro Após o fechamento
13/08/2024 Vittia VITT3 Agro Após o fechamento
13/08/2024 Tupy TUPY3 Bens de Capital Após o fechamento
13/08/2024 JBS JBSS3 Alimentos & Bebidas Após o fechamento
13/08/2024 Even EVEN3 Construção Civil Após o fechamento
13/08/2024 Allos ALOS3 Propriedades Comerciais Após o fechamento
13/08/2024 Multilaser MLAS3 Varejo Após o fechamento
13/08/2024 LWSA LWSA3 TMT Após o fechamento
13/08/2024 Movida MOVI3 Transportes Após o fechamento
14/08/2024 Ambipar AMBP3 Saneamento Horário a confirmar
14/08/2024 Orizon ORVR3 Saneamento Horário a confirmar
14/08/2024 Gol GOLL4 Transportes Antes da abertura
14/08/2024 Serena Energia SRNA3 Elétricas Horário a confirmar
14/08/2024 Agrogalaxy AGXY3 Agro Após o fechamento
14/08/2024 SLC Agricola SLCE3 Agro Após o fechamento
14/08/2024 BRF BRFS3 Alimentos & Bebidas Após o fechamento
14/08/2024 Marfrig MRFG3 Alimentos & Bebidas Após o fechamento
14/08/2024 Dasa DASA3 Saúde Após o fechamento
14/08/2024 Kora Saude KRSA3 Saúde Após o fechamento
14/08/2024 Oncoclínicas ONCO3 Saúde Após o fechamento
14/08/2024 Rede D’Or RDOR3 Saúde Após o fechamento
14/08/2024 Cosan CSAN3 Óleo, Gás e Petroquímicos Após o fechamento
14/08/2024 Arezzo Co. ARZZ3 Varejo Após o fechamento
14/08/2024 Dimed PNVL3 Varejo Após o fechamento
14/08/2024 Grupo Soma SOMA3 Varejo Após o fechamento
14/08/2024 IMC MEAL3 Varejo Após o fechamento
14/08/2024 Petz PETZ3 Varejo Após o fechamento
14/08/2024 Brisanet BRIT3 TMT Após o fechamento
14/08/2024 G2D G2DI33 TMT Após o fechamento
14/08/2024 Positivo POSI3 TMT Após o fechamento
14/08/2024 Hidrovias do Brasil HBSA3 Transportes Após o fechamento
14/08/2024 Simpar SIMH3 Transportes Após o fechamento
14/08/2024 Equatorial Energia EQTL3 Elétricas Após o fechamento
15/08/2024 Nubank ROXO34 Bancos Horário a confirmar
16/08/2024 StoneCo. STNE Inst. Financeiras Horário a confirmar
23/08/2024 PagBank PAGS Inst. Financeiras Horário a confirmar
03/09/2024 BrasilAgro AGRO3 Agro Após o fechamento
Fonte: B3, Rico. Consultado em 18/07/2024. Datas podem sofrer alterações ao longo da temporada.

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Sabe aquela dívida que fica te cutucando no cartão de crédito? Pois é, ela não é bem-vinda, mas insiste em aparecer na sua vida. Você compra uma roupa aqui, pede um iFood ali, e quando olha o total da fatura, sente um aperto no peito. O que era para ser uma conveniência se tornou um pesadelo. As parcelas, antes tão inofensivas, agora se transformaram em verdadeiras catástrofes. Mas calma, temos uma boa notícia!

A portabilidade de dívida no cartão de crédito rotativo é uma nova alternativa que pode ajudar muitas pessoas a saírem do sufoco financeiro.

O que é o crédito Rotativo?

Crédito rotativo é aquela dívida gerada quando o consumidor não paga o valor total da fatura do cartão de crédito, e a parte não quitada sofre a cobrança com juros, que estão entre os mais altos do mercado.

O que é a portabilidade da dívida do cartão de crédito?

Desde 01/07/2024, os titulares de cartão de crédito podem solicitar a portabilidade do saldo devedor da fatura para outra instituição financeira que ofereça melhores condições de negociação — sem pagar nada por isso!

Antes dessa nova medida, era possível solicitar portabilidade de empréstimos consignados, financiamento imobiliário e veículo de um banco para outro.

Essa mudança foi definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) no final do ano passado em um decreto que também limitou os juros do crédito rotativo a 100% da dívida e trouxe maior transparência nas faturas de cartão de crédito.

Como Funciona a Portabilidade?

  • Solicitação de Informações: Peça detalhes sobre sua dívida ao banco que emitiu o cartão de crédito.
  • Pesquisa de Ofertas: Procure outras instituições financeiras que ofereçam melhores condições de renegociação.
  • Aceitação da Oferta: Se encontrar uma oferta vantajosa, o banco escolhido tem até cinco dias para cobrir ou aceitar a portabilidade.

Cuidados ao fazer a Portabilidade

  • Pesquise bem: Compare as ofertas como quem compara preços de celular.
  • Conheça os custos: Verifique o Custo Efetivo Total (CET) do novo crédito, que inclui todas as despesas e encargos.
  • Leia atentamente as condições do contrato: Veja o número de prestações, taxas de juros e outras informações para confirmar que a transferência seja realmente vantajosa.
  • Gratuidade: A operação deve ser gratuita, conforme o Conselho Monetário Nacional.

Benefícios da Portabilidade

  • Taxas de juros reduzidas: Em julho de 2024, a taxa média de juros no rotativo do cartão era de 397% ao ano, o equivalente a 14,30% ao mês. Com a portabilidade, você pode encontrar taxas que caibam no seu bolso.
  • Alívio financeiro: Pagar menos juros dá mais fôlego para quitar a dívida e ajuda a investir nos seus sonhos. Sabe aquele sonho antigo que foi deixado de lado no seu planejamento? Ele ainda está lá, esperando por você.
  • Escolha consciente: A portabilidade permite escolher a instituição financeira que melhor atende às suas necessidades.

Dicas extras para evitar os juros rotativos do cartão de crédito

  • Pague o valor total da fatura sempre que possível: Quanto mais você paga, menos juros acumulam.
  • Estabeleça um limite de gastos: Use o cartão dentro do seu orçamento.
  • Reduza o limite do cartão: Menos limite significa menos tentação de gastar.
  • Atenção às datas de vencimento: Pague em dia para evitar multas e juros.
  • Cuidado com parcelamentos: Se precisar parcelar, escolha opções com juros mais baixos.
  • Tenha poucos cartões: Facilita o controle financeiro.

A nova regra da portabilidade, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), visa aliviar o endividamento e oferecer aos consumidores uma oportunidade para planejar melhor suas finanças. Lembre-se: a portabilidade é uma ferramenta para aliviar o peso das dívidas. Use-a com sabedoria e, se necessário, busque orientação financeira.

O Ethereum (ETH) voltou para os holofotes dos mercados nas últimas semanas. A segunda maior criptomoeda do mundo acabou ficando nos bastidores este ano, enquanto o Bitcoin (BTC) brilhou e alcançou níveis recordes. Um fato curioso é que esse desempenho do Bitcoin ocorreu após a aprovação de novos ETFs do Bitcoin nas bolsas americanas no início de 2024. 

E agora, chegou a vez do ETF de Ethereum! A novidade é que a SEC (órgão nos Estados Unidos que equivale a CVM aqui no Brasil), aprovou também os ETFs de Ethereum. E a chegada desses ETFs no mercado americano, pode voltar a trazer o segundo criptoativo mais queridinho dos investidores para o centro das atenções. 

Ethereum (ETH) 

A Ether é a segunda moeda com maior valor de mercado atualmente, atrás somente do Bitcoin. A ideia das duas moedas é a mesma: usar a tecnologia de blockchain para realizar transações financeiras, como pagamentos.  

A blockchain em que a ETH é baseada, chamada Ethereum, também foca em outros tipos de operações descentralizadas, como contratos inteligentes e financiamentos coletivos — tudo com bem mais rapidez e segurança nas transações. Desse modo, a Ethereum foi a responsável por popularizar smart contracts, dApps, NFTs e outros tokens. 

Confira aqui outras criptomoedas do mercado

Afinal, o que é um ETF? 

Um ETF (sigla para Exchange Traded Fund), ou fundo negociado em bolsa na tradução literal, é um tipo de investimento que acompanha a cotação de ativos específicos. Esses ativos podem ser qualquer coisa, como ouro, moedas estrangeiras, índices e até criptomoedas.  

Imagine que você quer investir em Bitcoin, mas não quer se preocupar em comprar, armazenar e proteger seus Bitcoins, ou até mesmo em abrir uma conta em corretoras mais “desconhecidas” lá de fora e sem a proteção da legislação brasileira. Em vez disso, você pode comprar cotas de um ETF que já investe em Bitcoin, e pode fazer isso direto da sua conta na Rico! O ETF funciona como um rastreador do preço do Bitcoin, e permite o investimento na criptomoeda sem ter que lidar diretamente com a compra e armazenamento dela.  

O mesmo ocorre com o ETF do Ethereum, há um gestor que cuida dos recursos desse fundo negociado em bolsa, e os investe diretamente em Ethereum ou em índices que acompanham a cotação dele. Isso permite que os investidores consigam se expor às criptomoedas, com a facilidade de negociação diretamente pela bolsa brasileira

A negociação de ETFs no Brasil 

A grande novidade das últimas semanas foi a aprovação dos ETFs de Ethereum nas bolsas dos Estados Unidos. Mas você sabia que no Brasil já é possível negociar esses ETFs? Sim! No Brasil, você pode investir em ETFs de Bitcoin e Ethereum diretamente pela sua conta na Rico. Alguns desses ETFs são focados em uma única criptomoeda, enquanto outros oferecem uma cesta diversificada de criptoativos. 

No caso do Ethereum, você pode negociar o ETF com o código ETHE11. Essa é uma maneira investir no Ethereum de forma mais prática e segura.  

Mas se já é possível negociar no Brasil, por que a aprovação pela SEC também é importante? Vamos entender. 

O impacto dos novos ETFs nos preços do Ethereum 

Há uma grande euforia por parte dos investidores em relação ao lançamento dos ETFs de Ethereum nos Estados Unidos, que está ligada principalmente aos efeitos observados com os ETFs de Bitcoin no início de 2024.  

Antes mesmo da aprovação pela SEC, a expectativa já impulsionou um movimento de alta na criptomoeda. Após a aprovação, essa alta se intensificou à medida que as gestoras começaram a adquirir o criptoativo. E esse aumento da demanda fez com que o Bitcoin alcançasse um novo recorde em 2024.  

Assim, muitos investidores esperam que o mesmo possa ocorrer com o Ethereum. Ou seja, as novas negociações dos ETFs podem aumentar a confiança dos investidores e a participação institucional, o que poderia levar a nova alta nos preços e até mesmo um novo teste na sua máxima histórica. Essa marca histórica foi alcançada em novembro de 2021, nos US$ 4.867,60. 

A Aprovação dos ETFs pela SEC 

A Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC) surpreendeu o mercado no fim de maio, ao aprovar 8 ETFs de Ethereum.  

Contudo, a data de início das negociações desses ETFs ainda não está totalmente definida, o que vem gerando ansiedade entre os investidores. A declaração do presidente da SEC, Gary Gensler, deu a entender que os ETFs poderão estrear no verão norte-americano, ou seja, entre junho e setembro.  

Assim, a SEC ainda tem alguns meses para cumprir essa previsão, porém há muita expectativa dos investidores de que o lançamento ocorra até o fim de julho de 2024. 

O que falta agora? 

Apesar dessa aprovação inicial, os ETFs de Ethereum ainda não estão disponíveis para negociação.  

A aprovação da SEC foi feita sobre o formulário 19B-4. Isso significa que a SEC concordou que o ETF atende aos requisitos regulamentares necessários para ser oferecido aos investidores. Em outras palavras, foi dado o sinal verde para que as gestoras dos ETFs incluíssem a criptomoeda Ethereum em seu portfólio de negociações.  

Agora, falta a aprovação das assinaturas do formulário S-1. Este sim, de fato, permite o início das negociações do ETF de Ethereum. Essa aprovação final pode levar alguns dias, semanas ou até meses. 

O fato é que há uma grande expectativa de entrada de capital institucional nesses ativos, assim como tem acontecido com o Bitcoin, o que pode impactar diretamente sua cotação. 

Enquanto isso…. 

Enquanto o processo não é finalizado nos Estados Unidos, os investidores podem aproveitar as oportunidades desse mercado operando em solo brasileiro, já que por aqui essa opção já está disponível e é possível comprar e vender os ETFs através do aplicativo da Rico. 

Não seja pego de calças curtas!

Only when the tide goes out do you discover who’s been swimming naked”, Warren Buffett.

Projeções macroeconômicas são importantes para todo investidor, porque ajudam a nos prepararmos para o que vem adiante. Ou seja, não ser pego de “calças curtas”, especialmente em momentos desafiadores para os investimentos.

Isso não significa que você saberá “o dia exato em que o dólar vai cair ou subir”. Pois isso, infelizmente, será praticamente impossível. Mas quer dizer que você entenderá melhor as tendências da economia e poderá pensar em como adaptar seus investimentos (ou manter tudo como está, se for o caso), pensando no seu perfil e objetivos.

Com isso em mente, detalhamos abaixo nossas principais projeções para este ano e o próximo. Abaixo, te contamos o porquê de tudo isso, e como investir nesse cenário.

 

Mundo: (todos) à espera da queda de juros nos Estados Unidos

No cenário internacional, o principal motor dos mercados segue a política monetária – ou seja, o movimento nas taxas de juros ao redor do mundo.

Como já era realidade no mês passado, Bancos Centrais como o do Canadá, Zona do Euro e Reino Unido iniciaram o processo de afrouxamento monetário (ou seja, começaram a cortar os juros) ou sinalizaram que isso deve ocorrer nos próximos meses.

A novidade recente é que (finalmente) consolida-se a visão de que os juros devem começar a cair nos Estados Unidos nesse semestre. Isso porque os últimos meses foram marcados por resultados de inflação bem-comportados – inclusive melhores do que o esperado – ao mesmo tempo em que dados de mercado de trabalho sinalizam reequilíbrio para os níveis vistos no pré-pandemia da Covid-19.

Ou seja: o ritmo de crescimento da maior economia do mundo está finalmente cedendo, e sem que isso sinalize para uma forte ruptura (crise).

Isso não significa que a luta contra a inflação está ganha nos Estados Unidos, especialmente considerando alguns preços subindo ainda em ritmo acima da meta do Banco Central americano (o Fed) – a exemplo do crescimento de aprox. 4,0% de salários no acumulado em doze meses até junho.

Além disso, incertezas geopolíticas seguem no radar, colocando em risco a alta de preços no mundo. Conflitos envolvendo grandes produtores de commodities, como Rússia e Ucrânia, podem voltar a pressionar custos para a produção industrial global, como petróleo e fretes marítimos – por exemplo. Da maneira similar, a disputa comercial entre China e EUA pode pressionar o preço de importados por meio da elevação de tarifas.

Dito isso, o cenário atual permite que o Fed possa – finalmente – ter mais confiança da consolidação do próximo passo da política monetária: no caso, o processo de afrouxamento monetário. Em outras palavras: cria espaço para que os juros comecem a cair em breve no país. 

Vale lembrar:

Juros elevados têm o objetivo de controlar a alta de preços, encarecendo o crédito, desincentivando o consumo, e desaquecendo a economia e a demanda por bens e serviços.

Nesse cenário, esperamos que os juros comecem a cair nos EUA em dezembro, encerrando o ano no intervalo entre 5,00% e 5,25% ao ano. Mas reconhecemos que esse primeiro corte pode vir até antes, em setembro, caso os dados continuem mostrando queda na inflação e desaquecimento da economia.

Adiante, vemos os juros básicos no país se estabilizando em 3,5% em 2026.

Vale destacar que o início tardio do começo da queda de juros nos Estados Unidos não deve impedir cortes de juros em outras regiões. Olhando para países emergentes, como os latino-americanos, o ritmo de redução dos juros deve continuar sendo determinado por fatores domésticos, como a inflação corrente e a performance do mercado de trabalho.

Entretanto, com os juros permanecendo altos por mais tempo nos Estados Unidos, a magnitude da queda pode ser limitada – especialmente por conta do impacto nas taxas de câmbio. Afinal, quanto maiores os juros nos EUA (e quanto mais tempo elevados), mais forte tende a ser o dólar, impactando preços mundo afora.  

Enquanto isso, do outro lado do mundo, a China deve seguir lutando contra um crescimento mais fraco. O país ainda enfrenta desafios para retomar um ritmo de crescimento robusto, diante da crise que se arrasta no setor imobiliário e da baixa confiança e demanda entre consumidores, produtores e investidores.

Assim, mesmo com esforços do governo em impulsionar setores, como o mercado imobiliário, a meta de crescimento de 5,0% para esse ano segue desafiadora. Adiante, o país deve crescer menos do que o observado nos últimos anos. 

Vemos o impacto dessa desaceleração, entretanto, como limitado para a economia brasileira, além de ser um ponto benéfico para a inflação global (não adicionando mais pressão sobre os preços).  Entendemos que nossas exportações devem seguir fortes para o país asiático, contribuindo para a manutenção das nossas contas externas sólidas e, assim, servindo como espécie de “âncora” para nossa moeda.

Falaremos mais sobre nossa visão para a taxa de câmbio abaixo.

 

Enquanto isso, no Brasil

Mercado de trabalho forte impulsiona economia

Por aqui, depois de um forte resultado do PIB no primeiro trimestre do ano, a demanda interna segue firme como principal motor da economia brasileira. Conforme detalhamos aqui, o consumo das famílias foi um dos principais fatores de crescimento da economia nos primeiros meses do ano- registrando crescimento de 4,4% quando comparado ao mesmo trimestre do ano passado..

A elevação do consumo é explicada, primordialmente, pelo crescimento da “massa de renda disponível” das famílias – grosso modo, a renda após o pagamento de impostos. Para se ter uma ideia, esse indicador cresceu nada menos do que 4,5% acima da inflação nos primeiros três meses de 2024, e projetamos que alcance crescimento de 6,0% no ano.

A alta da renda das famílias, por sua vez, reflete uma série de fatores, dentre os quais:

  • Um mercado de trabalho aquecido – a taxa de desemprego alcançou o menor patamar em dez anos, com destaque para a criação de empregos formais e para a elevação dos salários (que acumulam alta de 4% no terceiro trimestre do ano);
  • Maiores programas de transferência de renda, com destaque para o aumento da concessão de benefícios ligados ao INSS;
  • A antecipação de benefícios como o 13° salário e a nova política de reajuste do salário-mínimo (conforme a inflação e o crescimento do PIB).

Em bom português: famílias viram crescer sua renda no período, e se utilizaram desse impulso para consumir mais bens e serviços.

Por outro lado, a tragédia climática no Rio Grande do Sul deve impactar o crescimento nesse ano – embora de maneira mais branda do que inicialmente projetado. Divulgações recentes mostraram o impacto das enchentes, como, por exemplo, na produção industrial, que mostrou forte queda em maio. Estimamos que o PIB tenha aumentado cerca de 0,5% no 2º trimestre em comparação ao trimestre anterior. Não fosse o impacto das enchentes, o ritmo de crescimento registrado no 1º trimestre (0,8%) poderia ser mantido ou até mesmo superado.

Nesse cenário, projetamos que o PIB cresça 2,2% em 2024.

Olhando para frente, esperamos que a economia perca ímpeto gradualmente, embora deva seguir em terreno positivo. O enfraquecimento esperado é explicado por dois principais fatores:

  • O efeito do fim da queda dos juros: diante de incertezas tanto globais quanto domésticas, entendemos que o Banco Central encerrou o atual ciclo de redução da taxa Selic, devendo manter a taxa em 10,50% até o fim do ano que vem.
  • Ou seja, os juros seguirão em patamar contracionista, impactando principalmente investimentos produtivos e o consumo especialmente de bens duráveis (como eletrodomésticos, carros e imóveis).
  • Maior percepção de risco em relação ao cenário doméstico: nos últimos meses, ruídos políticos e o aumento da incerteza fiscal (como, por exemplo, intervenções do governo em empresas listadas, questionamentos sobre a independência do Banco Central e falta de clareza na gestão das contas públicas) elevaram a percepção de risco de investidores em relação ao Brasil.
  • Essa incerteza tende a impactar ativos brasileiros (como já pode ser visto), incluindo a nossa moeda e os juros de longo prazo, além do nível de investimento e da confiança por aqui – prejudicando o crescimento econômico.

Assim, vemos a economia desacelerando gradualmente entre o fim desse ano e o ano que vem, com o PIB subindo 1,7% em 2025.

Inflação deve seguir comportada, mas riscos adiante exigem cautela

Como contamos em detalhes aqui, o IPCA (nosso principal índice de inflação ao consumidor) registrou alta de 0,21% em junho. O resultado mensal levou o índice para 4,23% no acumulado em doze meses, reacelerando em relação aos 3,93% registrados em maio – mas permanecendo dentro do limite superior da meta do Banco Central.

Quer saber mais sobre a política de metas de inflação? Te contamos aqui!

O número de junho trouxe surpresas positivas a analistas, especialmente por conta da desaceleração registrada nos preços de alimentos. A desaceleração na inflação de alimentos é explicada pela “devolução” da forte alta vista em maio no Rio Grande do Sul, diante das enchentes que impactaram a região no período. Para ilustrar, a categoria “alimentação no domicílio” registrou queda de 0,88% em junho, revertendo a forte elevação de 3,64% observada em maio. 

Ou seja, os impactos da tragédia climática no RS sobre os preços de alimentos estão se dissipando mais rápido do que o esperado, trazendo alívio para a inflação de curto prazo.

Além disso, após alguns meses de “luz amarela”, a inflação de serviços voltou a trazer sinais de alívio. Conforme o resultado de junho, a métrica chamada “serviços subjacentes” (que exclui preços mais voláteis, como passagens aéreas) caiu para 4,6% na média dos últimos três meses em junho, de 5,0% no mês anterior.

Vale destacar que os preços de serviços são essenciais para entender comportamento da inflação como um todo, sinalizando tendências adiante. Isso porque eles tendem a ser menos impactados por movimentos que chamamos de “oferta” (como o clima e a redução ou aumento da oferta de determinada commodity); tendo seu movimento mais relacionado ao comportamento da atividade econômica.

Na mesma direção, a recente desaceleração da inflação de serviços intensivos em mão de obra representa boas notícias – especialmente em meio a um mercado de trabalho aquecido.

Olhando adiante, esperamos que a inflação siga relativamente bem-comportada. No entanto, riscos de médio-longo prazo seguem no radar, e limitam a continuidade da queda dos juros.

Além de um mercado de trabalho aquecido e salários em alta, a desvalorização recente do real adicionou mais cautela ao cenário. Os impactos de uma moeda mais fraca sobre a inflação não são imediatos, mas já devem ser percebidos nos preços de alimentos nesse ano (como em derivados do trigo e leite). Já em produtos industrializados (como eletrodomésticos, carros e roupas), esperamos reação nos preços a partir do último trimestre deste ano, mas com maior impacto no ano que vem. 

Finalmente, vale também destacar riscos ainda latentes no cenário internacional. Esses incluem, principalmente, potenciais impactos de conflitos que seguem vigentes no palco geopolítico, podendo ser sentidos em preços como de combustíveis, alimentos e fretes. De fato, por esses e outros fatores, vimos os preços internacionais de commodities em alta nos últimos meses (conforme ilustrado no gráfico acima).

Projetamos que o IPCA encerre 2024 em 4,3% e em 4,0% em 2025 – ambos acima da meta do Banco Central, mas dentro do intervalo de tolerância.   

E o dólar, vai para onde?

Os últimos meses foram marcados por forte volatilidade da nossa taxa de câmbio.  Depois de um começo de ano relativamente favorável, o segundo trimestre trouxe substancial depreciação do real, com o dólar atingindo os patamares mais elevados desde o final de 2021. Para ilustrar, nossa taxa de câmbio chegou a alcançar 5,70 reais por dólar no início de julho, antes de retomar certa estabilidade próximo de 5,40 reais (no momento da produção desse relatório).

A depreciação recente da nossa moeda refletiu movimentos principalmente domésticos, dos quais destacamos a piora da percepção de risco fiscal e ruídos no cenário político. Crescente incerteza sobre a capacidade do governo de elevar as receitas de modo a cumprir as regras fiscais existentes, além de intervenções do governo em empresas listas e ruídos entre o Executivo e o Banco Central têm impactado a percepção de risco sobre ativos brasileiros, incluindo a nossa moeda. 

A forte saída de capital estrangeiro vista em nossos mercados (especialmente na bolsa) recentemente também tem refletido essa piora de percepção de risco, além de impactar o fluxo de moeda em nossa direção – e, consequentemente, a nossa taxa de câmbio de maneira mais direta.

Vale destacar, ainda, o impacto dos juros altos nos Estados Unidos. Embora os juros na maior economia do mundo devam começar a cair nesse semestre, esse movimento deverá ser gradual – mantendo um dólar relativamente forte frente a outras moedas, por atrair capital em busca de maiores retornos.

Olhando adiante, esperamos alguma redução na percepção de risco até o final do ano, com o início do ciclo de corte de juros nos Estados Unidos e a melhora (mesmo que parcial) de ruídos políticos.

Mas não vemos o real se valorizando de maneira sustentada para o valor apontado por modelos estruturais (de aproximadamente 5,25 reais por dólar) – ou seja, refletindo fundamentos econômicos, como a nossa taxa de juros e o preço e quantidade do que vendemos/compramos em relação ao resto do mundo.

Projetamos a taxa de câmbio em R$/US$ 5,40 para o final de 2024 e para 2025, reconhecendo maior incerteza do que o usual no cenário.

Mas vale destacar que essa projeção não significa que esse será o valor da taxa de câmbio ao longo de todo o ano. Pelo contrário, esperamos que o “sobe e desce do dólar” siga presente, especialmente diante do alto nível de incerteza nos cenários global e doméstico.

 

 

Incertezas no Brasil e no mundo limitam queda da Selic – que deve seguir em 10,50%

Como contamos aqui, o Copom (nosso comitê de política monetária) optou por manter a taxa Selic em 10,50% ao ano em sua última reunião, em 19 de junho. A decisão interrompeu o processo de queda dos juros básicos iniciado em agosto de 2023, em uma sequência de sete reduções da Selic.

Em uma decisão unânime (que diminuiu a percepção de risco em relação à gestão dos juros, após a falta de consenso da reunião anterior), o Comitê destacou os motivos por trás da pausa no ciclo de cortes na Selic: ambiente externo ainda incerto, e aumento dos riscos no palco doméstico.

Lá fora, os juros devem seguir altos no Estados Unidos. Isso porque, apesar de um provável primeiro corte nesse semestre, a queda de juros deve seguir gradual na maior economia do mundo.

Juros ainda altos lá fora adicionam riscos à nossa inflação, principalmente por contribuir para o fortalecimento do dólar em relação a outras moedas, especialmente as emergentes – consideradas mais arriscadas e que, portanto, passam a atrair menos capital estrangeiro diante dos altos retornos nos EUA.

Já no campo doméstico, a combinação de um mercado de trabalho forte e aumento de incertezas fiscais e políticas se traduzem em maiores riscos olhando para o controle dos preços adiante.

Um mercado de trabalho aquecido tende a pressionar os salários, dado o maior poder de barganha de trabalhadores. Com maiores salários, aumenta-se a demanda por bens e serviços na economia – e o movimento de alta de preços se retroalimenta.

Já a piora da percepção de risco fiscal impacta a inflação tanto por deteriorar as expectativas sobre a alta de preços no futuro, quanto por pressionar o câmbio.

Afinal, quanto mais o governo gasta, maior a expectativa de que a demanda aquecida por bens e serviços impulsionará os preços no futuro, desancorando as expectativas sobre a inflação futura. E quanto mais esse gasto cresce além da arrecadação do governo, maior o risco “precificado” por investidores em ativos brasileiros, como a nossa moeda – desvalorizando-a, e pressionando a inflação também por esse lado.  .  

Diante do cenário mais incerto, entendemos que o Banco Central encerrou o ciclo de quedas de juros em junho – e a Selic deverá seguir em 10,50% até o ano que vem. Isso significa que os juros devem seguir acima patamar considerado como neutro.

Ou seja, seguiremos com certo “pé no freio” na economia, embora já em menor magnitude do que no último ano.

Como investir nesse cenário?

Com tantos eventos e mudanças no cenário econômico no Brasil e no mundo, entender como melhor investir o seu dinheiro e proteger o seu patrimônio é essencial.

Por isso, destacamos abaixo nossas recomendações de alocação atualizadas de acordo com o seu perfil de investidor, além de sugestões de onde investir em cada classe de ativo (como ações, renda fixa e fundos de investimento).  

Vale lembrar que as recomendações sinalizadas na tabela abaixo não são as únicas possíveis, mas sim alternativas viáveis selecionadas pelos nossos especialistas para você.

Confira tudo isso em detalhes no nosso relatório “Onde Investir” – acesse aqui!

Classe Opção de investimento Opção de investimento2 Mínimo da opção mais acessível
Renda fixa pós-fixada CRI Cyrela -04/2031 – 104% CDI* isento Selection RF Light FIC Renda Fixa Crédito Privado LP R$ 100,00
Inflação NTN-B – ago/28 – IPCA+6,01% Debenture Energisa set/33 – IPCA+ 6,20% *isento R$ 50,00
Renda Fixa Prefixada Tesouro Prefixado jan/2026 – 11,01% R$ 100,00
Renda Fixa Global Trend High Yield Americano FIM Trend Crédito Global FIM R$ 100,00
Multimercado Selection Multimercado FIC FIM Kinea Atlas II R$ 100,00
Renda variável Brasil Carteira Rico11 Selection Ações FIC Ações R$ 100,00
Renda variável internacional Wellington Us BDR Advisory Dólar FIC Ações BDR Nível 1 M Global BDR Advisory Dólar FIC FIA BDR Nível I R$ 500,00
Renda variável internacional hedgeada Trend Bolsas Globais Trend Bolsas Emergentes R$ 100,00
Alternativos/ Fundos Imobiliários Carteira de FIIs Rico R$ 100,00

Investir no mercado de ações pode ser um verdadeiro passeio de montanha-russa emocional. E infelizmente (ou não), o fator emocional tem um peso gigantesco nas decisões de investimento. Porém, para aquelas pessoas que conseguem compreender os ciclos de emoções que movem o mercado, isso pode não ser uma má notícia. Afinal, nos momentos de maiores incertezas, podem surgir oportunidades nos mercados.

Inspirados pelo lançamento do filme Divertida Mente 2, que explora de forma lúdica a natureza de nossas emoções e como elas guiam nossas decisões, resolvemos explicar o conceito dos ciclos comportamentais.

Decidimos associar cada fase dos ciclos de mercado aos personagens do filme "Divertida Mente 2”, destacando os melhores e piores momentos para investir. Confira a seguir.

Decidimos associar cada fase dos ciclos de mercado aos personagens do filme “Divertida Mente 2”, destacando os melhores e piores momentos para investir. Confira a seguir.

Os ciclos das emoções do mercado

1. Otimismo
  – Personagem: Alegria
  – Momento: Investir com seletividade
  – No estágio de otimismo, os investidores começam a acreditar que os preços das ações subirão. Alegria representa essa confiança inicial. Este é um momento propício para investir, pois o mercado geralmente está em ascensão.

2. Entusiasmo
  – Personagem: Alegria
  – Momento: Cautela
  – O entusiasmo é marcado pela animação dos investidores com os investimentos gerando lucros. Alegria continua a predominar. Porém, o momento começa a se tornar mais difícil para investimentos, pois a alta no mercado tende a elevar os preços.

3. Emoção
  – Personagem: Alegria
  – Momento: Defensivo
  – Na fase de emoção, os investidores começam a investir com menos critérios. Alegria reflete essa excitação. Nesse momento, a captação do mercado é fácil. Fundos de investimento recebem grandes aportes diante da alta rentabilidade no curto prazo. IPOs e Follow-ons são comuns nos mercados de ações. Subscrições são recorrentes nos Fundos Imobiliários. Mas cuidado! Esse momento requer uma postura defensiva, porque a emoção da Alegria tende a falar bem alto.

4. Euforia
  – Personagem: Alegria (Eufórica)
  – Momento: Evitar investir
  – A euforia é o ponto mais alto da confiança dos investidores, onde todos acreditam que nada pode dar errado. Alegria em seu estado máximo representa essa fase. É um momento arriscado para investir, pois os preços das ações estão inflacionados e o FOMO (famoso medo de ficar de fora, na sigla em inglês) pode levar a grandes erros.

5. Negação
  – Personagem: Inveja
  – Momento: Defensivo
  – Quando o mercado começa a cair, muitos investidores entram em negação. Inveja aparece aqui, quando se compara com o desempenho de outros. Não tende a ser um bom momento para investir, pois a queda inicial está em andamento e os preços ainda estão altos.

6. Ansiedade
  – Personagem: Ansiedade
  – Momento: Cautela
  – A ansiedade se instala com as primeiras preocupações sobre a queda do mercado. A personagem Ansiedade simboliza essa fase de incerteza. Os investimentos tendem a ser ainda arriscados, pois o mercado inicia sua tendência de queda.

7. Medo
  – Personagem: Medo
  – Momento: Investir com seletividade
  – O medo surge quando os investidores percebem que podem enfrentar grandes perdas. Medo é a representação perfeita desta fase. Investir neste momento pode resultar em perdas no curto prazo, mas os preços mais baixos já podem oferecer bons retornos para o longo prazo. Investir ainda requer seletividade.

8. Depressão
  – Personagem: Tristeza
  – Momento: Investir com foco no longo prazo
  – Durante a depressão, os investidores sentem-se derrotados e desesperançosos. Tristeza simboliza essa fase. O interesse no investimento em bolsa é baixo e muitos investidores aguardam as ações “saírem do prejuízo” para vendê-las assim que possível.

9. Pânico
  – Personagem: Medo (Extremo)
  – Momento: Investir
  – O pânico ocorre quando os investidores vendem desesperadamente para evitar maiores perdas. Medo intensificado representa esta fase. Investir nessa fase requer “estômago”, pelas fortes movimentações de curto prazo.

10. Desânimo
   – Personagem: Tristeza
   – Momento: Melhor momento para investir
   – Após o pânico, os investidores podem sentir desânimo, acreditando que o mercado não se recuperará. Tristeza volta a predominar. As melhores oportunidades tendem a surgir quando as empresas estão em seus níveis de preço mais baixos. Empresas do mesmo setor de diferentes qualidades negociam em patamares de múltiplos similares. Dificilmente são vistas ofertas de IPO e a captação do mercado é uma dificuldade para empresas e fundos.

11. Ceticismo
   – Personagem: Nojinho
   – Momento: Investir
   – O ceticismo é quando os investidores duvidam da recuperação do mercado. Nojinho representa essa desconfiança e aversão ao risco do mercado. Embora tenda a ser um bom momento para investir, os retornos de outros investimentos ainda falam mais alto na hora de escolher onde alocar seu dinheiro.

12. Esperança
   – Personagem: Alegria (emergindo da Tristeza)
   – Momento: Investir com foco no longo prazo
   – Quando o mercado começa a mostrar sinais de recuperação, os investidores começam a ter esperança. Alegria emergindo da Tristeza representa essa fase. Este é um momento cauteloso para investir, com sinais positivos no horizonte.

13. Alívio
   – Personagem: Alegria com Tristeza
   – Momento: Investir com seletividade
   – O alívio é sentido quando o mercado está claramente em recuperação. Alegria, com um toque de Tristeza, representa essa fase de recuperação cautelosa. Os descontos dos mercados voltam a reduzir e investir requer seletividade.

14. Volta ao Otimismo
   – Personagem: Alegria
   – Momento: Cautela
   – Finalmente, o ciclo se completa com o retorno ao otimismo. Alegria volta a predominar, sinalizando o início de um novo ciclo.


O Papel das Emoções nos Investimentos


Entender os ciclos do mercado através dos personagens de “Divertida Mente 2” nos ajuda a reconhecer nossos próprios padrões emocionais ao investir. As emoções desempenham um papel crucial nas decisões financeiras, e estar consciente disso pode nos ajudar a fazer escolhas mais informadas e racionais, evitando vieses comportamentais que podem prejudicar seus investimentos.

Lembre-se, investir é uma jornada de longo prazo e saber navegar por essas fases pode fazer toda a diferença no sucesso dos seus investimentos. Como sempre gostamos de lembrar, a diversificação é o único “almoço grátis” dos investimentos, te ajudando a criar uma carteira mais balanceada de acordo com seu perfil e objetivos.

Confira nosso “Onde Investir” para acessar nossas recomendações de carteira para cada perfil de investidor.

A inflação medida pelo IPCA, nosso principal indicador de preços ao consumidor, registrou alta de 0,21% em junho de 2024. O resultado mensal levou o índice para 4,23% no acumulado em doze meses, reacelerando em relação aos 3,93% registrados em maio.   

Vale destacar que, apesar da elevação, o nível da inflação corrente (ou seja, o ritmo da alta de preços hoje) segue dentro do limite de tolerância da meta de inflação de 3,0% perseguida pelo Banco Central.

Meta de inflação: o que é?

O regime de metas de inflação é parte do que chamamos de política monetária – a política responsável pelo controle da quantidade de moeda em determinada economia, que fica sob a responsabilidade do Banco Central.

Esse regime determina uma meta de inflação explícita e numérica (% ao ano), a ser perseguida pelo Banco Central. No caso brasileiro, a meta de inflação atual é de 3,0%. Isso significa que o Banco Central tem a responsabilidade de controlar a alta de preços ao longo, de modo que ela se mantenha no ritmo de 3,00%.

O modelo brasileiro também inclui uma banda de tolerância de 1,50pp para cima e para baixo. Essa banda serve para acomodar eventuais choques, como por exemplo uma seca que afete a produção de alimentos e eleve a inflação além do controle do Banco Central, ou uma pandemia que derrube os preços.

Rio Grande do Sul surpreende, e “devolve” boa parte da alta de preços vista em maio

O resultado de junho veio abaixo das expectativas, trazendo boas notícias para a inflação corrente. Analistas esperavam uma alta acima do observado, em aproximadamente 0,3% no mês. Deste modo, o resultado surpreendeu positivamente, trazendo também bons detalhes entre as principais categorias de preços.

A principal surpresa (ou seja, o que levou à diferença entre o que projetamos e o resultado) veio dos preços de alimentos no Rio Grande do Sul. Era esperado que a inflação de alimentos, especialmente a categoria “in natura” (como batatas, vegetais e frutas), registrasse mais um mês de elevação – ainda refletindo os impactos da tragédia climática na região. Porém, o que se observou foi uma queda de 0,15% dos preços no estado – movimento explicado não somente pela queda dos preços de serviços (conforme esperado), mas também pela deflação vista em alimentos.

Assim, embora a categoria “alimentação no domicílio” tenha registrado alta de 0,47% no mês, com destaque para itens como leite e derivados (que subiram quase 4%), o resultado mostrou que os impactos das enchentes no RS nos preços de alimentos no país estão se dissipando mais rápido do que o antecipado.  

Ainda sobre a inflação de alimentos, vale o destaque para a queda observada mais uma vez nos preços de carnes. Para se ter uma ideia, os preços de “costela” acumulam queda de mais de 11% nos últimos doze meses, enquanto o filet mignon registra queda de preços próxima a 3,5% também no mesmo período. A queda nos preços de proteínas, especialmente bovinas, segue refletindo particularidades do ciclo pecuário no Brasil, que marcaram o último ano.

Por outro lado, a inflação de produtos industrializados seguiu em tendência de elevação. Impactado especialmente por uma moeda mais fraca (lembrando que o real acumula forte desvalorização no ano), os preços de itens manufaturados – como eletrodomésticos, roupas e calçados – registraram alta de 0,13% em junho, consolidando a reversão do comportamento de baixa visto até o início desse ano.

Inflação de serviços traz sinais de alívio

Após alguns meses de “luz amarela”, a inflação de serviços de junho voltou a trazer sinais de alívio. Conforme o resultado, a métrica chamada “serviços subjacentes” (que exclui serviços com preços mais voláteis, como passagem aérea) caiu para 4,6% na média dos últimos três meses em junho, de 5,0% no mês anterior.

Vale destacar que os preços de serviços são essenciais para entender comportamento da inflação como um todo e do nível de aquecimento da economia. Isso porque os preços no setor são menos impactados por movimentos que chamamos de “oferta” (como o clima e a redução ou aumento da oferta de determinada commodity); sendo mais afetados pelo comportamento de salários, além de, claro, o nível de demanda na economia.

Assim, com um mercado de trabalho aquecido e elevados benefícios fiscais (o que impulsiona a demanda por bens e serviços), o comportamento desses preços tem seguido nos holofotes. O forte crescimento esperado para a renda disponível das famílias nesse ano – de 6% acima da inflação – ilustra essa cautela.

Um mercado de trabalho aquecido pressiona salários, com destaque para o setor de serviços, que é o que mais emprega na economia do país – em um movimento que se retroalimenta.

Nesse cenário, a desaceleração da inflação de serviços intensivos em mão de obra no mês representa boas notícias – com a média dos últimos três meses registrando sua quarta queda consecutiva, para 5,4%, de quase 7% observado em seu pico recente em fevereiro.  

Inflação deve encerrar o ano em 4,0%

Esperamos que a inflação siga relativamente bem-comportada nos próximos meses, mas deve terminar o ano acima da meta do Banco Central (embora dentro do limite superior de tolerância).

Por um lado, os preços de alimentos devem seguir revertendo a alta recente relacionada às enchentes do Rio Grande do Sul, assim como a tendência de enfraquecimento gradual da inflação no setor de serviços deve seguir presente – apesar de salários ainda pressionados por um mercado de trabalho aquecido.

Além disso, vale lembrar dos efeitos da taxa de juros restritiva. Como detalhamos abaixo, entendemos que o Banco Central encerrou o atual ciclo de queda da taxa Selic, e deve mantê-la em 10,50% até, no mínimo, meados do ano que vem. Assim, os juros em patamar contracionista devem manter o freio na economia (mesmo que em menor magnitude do que estavam antes do recente processo de quedas na Selic) – e, consequentemente, nos preços.  

Por outro lado, a recente desvalorização da nossa moeda (que chegou a atingir a marca de 5,70 reais por dólar no início de julho) deve pressionar a inflação ao longo dos próximos meses. Os impactos sobre a inflação não são imediatos, mas já devem ser percebidos, em maior medida, nos preços de alimentos nesse ano – destacam-se produtos importados, como derivados do trigo e leite. Já em produtos industrializados (como eletrodomésticos, carros e roupas), esperamos reação nos preços a partir do último trimestre deste ano, mas com maior impacto no ano que vem.  

Vale destacar que uma série de produtos consumidos e utilizados em nossa produção doméstica (como alimentos e insumos industriais) são negociados em dólares e/ou importados de outros países. Deste modo, a desvalorização do real tem impacto importante no comportamento dos preços domésticos – em economia, chamamos esse efeito de pass throug.

Nesse cenário, projetamos que o IPCA encerre 2024 em 4,0%. Para 2025, esperamos uma inflação em patamar mais elevado, mas ainda acima da meta do Banco Central (de 3,00%) – encerrando o ano em 4,3%.

Apesar de inflação corrente bem comportada, riscos adiante limitam Selic aos “dois dígitos”

Para o dia a dia dos brasileiros, o processo de moderação da inflação observado desde 2023 contribuiu para a melhora da sensação de perda do poder de compra. De fato, a queda da inflação no ano tem contribuído para a elevação do rendimento médio real efetivo dos trabalhadores – que cresceu em torno de 6% em 2023.

Dito isso, além dos riscos mencionados acima (preços de serviços e mercado de trabalho aquecido), outros fatores domésticos e internacionais contribuem para limitar uma queda nos juros para além do patamar de dois dígitos.

No âmbito internacional, conflitos ainda latentes no Oriente Médio e leste europeu tem trazido forte volatilidade aos preços de petróleo, além de fretes marítimos e outras commodities, colocando em risco a inflação global. Exemplo disso é o reajuste recente nos preços de combustíveis anunciado pela Petrobras em 08 de julho (já considerado em nossa projeção para o ano).

Ainda lá fora, as últimas sinalizações do Banco Central dos Estados Unidos deixaram claro que os juros seguirão altos por mais tempo na maior economia do mundo – contribuindo para a valorização do dólar (e consequente pressão inflacionária) no mundo, inclusive por aqui.

Já no cenário doméstico, a recente piora nas perspectivas das contas públicas e elevação da incerteza política são o principal destaque. Nos últimos meses, uma série de fatores deterioraram a percepção de risco por aqui, incluindo: i) ruídos entre Executivo e Banco Central sobre a gestão da política monetária; ii) incertezas sobre a sustentabilidade das regras fiscais atuais, diante de despesas que seguem crescendo muito acima das receitas do governo; iii) intervenções do Executivo em empresas listadas na bolsa; iv) incertezas entre Governo e Congresso sobre a gestão das contas públicas.

Esse quadro de piora da percepção de risco pressiona ainda mais a nossa moeda, uma vez que essa é percebida como mais arriscada.

Além disso, a visão de insustentabilidade das contas públicas impacta as expectativas de inflação no futuro. Afinal, se o governo gastar muito além do que arrecada e sinalizar que seguirá impulsionando a economia, muitos entenderão que os preços seguirão pressionados adiante – influenciando efetivamente o nível da inflação no futuro.

Em resumo, embora a inflação siga relativamente bem comportada no curto prazo, os riscos olhando adiante limitam a continuidade da queda da taxa Selic – que deve seguir em 10,50% ao ano até o ano que vem.

Como se proteger da alta de preços?

Como falamos, embora não vejamos um cenário de forte re-aceleração dos preços, a inflação segue motivo de cautela – no Brasil e no mundo. Assim, proteger os investimentos contra a alta de preços segue essencial. 

Títulos indexados à inflação, como o NTN-B 2028, debêntures de empresas sólidas e com boa classificação de risco, e fundos de inflação (fundos de investimento que investem em ativos indexados à inflação) são ótimas alternativas. Falamos mais das melhores oportunidades de renda fixa aqui. 

Outra classe de ativos que pode ajudar o investidor a se proteger da inflação são os fundos imobiliários. Por serem muitas vezes atrelados a índices de inflação, os FIIs podem ser excelentes aliados do investidor em um cenário ainda cauteloso com a alta de preços.

Aqui te indicamos nossa carteira recomendada de Fundos Imobiliários.

Mas não só de proteção contra a inflação devem viver os investimentos nesse momento. Por isso, selecionamos abaixo algumas sugestões de diferentes ativos recomendados – sempre lembrando da importância da diversificação.

Vale lembrar que as recomendações sinalizadas na tabela abaixo não são as únicas possíveis, mas sim alternativas viáveis selecionadas pelos nossos especialistas para você.

Confira o detalhe dessas recomendações de investimento de acordo com o seu perfil de investidor no “Onde Investir”.

Classe Opção de investimento Opção de investimento2 Mínimo da opção mais acessível
Renda fixa pós-fixada CRI Cyrela -04/2031 – 104% CDI* isento Selection RF Light FIC Renda Fixa Crédito Privado LP R$ 100,00
Inflação NTN-B – ago/28 – IPCA+6,01% Debenture Energisa set/33 – IPCA+ 6,20% *isento R$ 50,00
Renda Fixa Prefixada Tesouro Prefixado jan/2026 – 11,01%   R$ 100,00
Renda Fixa Global Trend High Yield Americano FIM Trend Crédito Global FIM R$ 100,00
Multimercado Selection Multimercado FIC FIM Kinea Atlas II R$ 100,00
Renda variável Brasil Carteira Rico11 Selection Ações FIC Ações R$ 100,00
Renda variável internacional Wellington Us BDR Advisory Dólar FIC Ações BDR Nível 1 M Global BDR Advisory Dólar FIC FIA BDR Nível I R$ 500,00
Renda variável internacional hedgeada Trend Bolsas Globais Trend Bolsas Emergentes R$ 100,00
Alternativos/ Fundos Imobiliários Carteira de FIIs Rico   R$ 100,00