No começo de agosto, avisamos aqui no Rico Matinal que o indicador favorito de Warren Buffett para acompanhar os mercados atingiu novos recordes – e que isso não é uma boa notícia. De lá para cá, o cenário continua preocupante sob o ponto de vista dessa métrica.
Por isso, e também em homenagem ao aniversário de 90 (!) anos do megainvestidor, que foi no último domingo, resolvemos explicar melhor como funciona o “Buffett Indicator” e por que prestar atenção nele.
Como sabemos, o estilo de investir do nonagenário não é o de agir conforme movimentos pontuais de mercado (embora seu sucessor esteja experimentando essa linha), mas sim observar empresas de qualidade para apostar em ganhos de longuíssimo prazo. Mas existe um indicador pontual que levanta suas sobrancelhas.
Em 2001, o “oráculo de Omaha” e CEO da Berkshire Hathaway escreveu na Fortune Magazine que a divisão entre PIB (o quanto o mundo está produzindo) e a soma do valor de mercado de todas as companhias listadas em bolsa é “provavelmente a melhor medida para o nível dos valuations a qualquer momento”. Uma leitura acima de 100% significa que as ações estão supervalorizadas em relação à economia.
Segundo ele, o fato de essa relação ter superado em muito os 100% pouco antes do estouro da bolha pontocom deveria ter sido observado como um forte sinal de que o mercado passaria por problemas.
“Para mim, a mensagem é a seguinte: se a relação percentual cai para uma zona entre 70% e 80%, comprar ações provavelmente funcionará muito bem. Se a relação se aproxima de 200% – como aconteceu em 1999 e uma parte de 2000 – você está brincando com fogo”, diz o texto.
Como está o indicador?
Agora, mais uma vez, esse indicador supera a marca crítica, conforme defende Buffett.
Como podemos ver no gráfico abaixo, dois momentos em que o Indicador Buffett atingiu pontos críticos foram em 2000, na já mencionada bola das pontocom, e em 2007, logo antes do estouro da bolha das hipotecas subprime. Agora, ele está mais apreciado do que nunca, em 178%:
Globalmente, agosto de 2020 foi a primeira vez em que o indicador superou os 100% desde 2018.
Existem controvérsias a esse indicador, porque sabemos que os mercados precificam expectativas para o futuro, e não necessariamente resultados relativos ao momento atual das empresas. Mas é difícil ignorar números como esses.
As ações se beneficiam de intervenções agressivas nas economias mundiais, com bancos centrais e governos injetando dinheiro para conter os efeitos da pandemia de covid-19. E a pandemia também é o grande motivo pelo qual o PIB mundial deve ser fortemente afetado para baixo.
Dessa vez é diferente?
O mundo dá voltas, mas não chega necessariamente no mesmo lugar. Ainda que os momentos em que essa métrica foi atingido no passado tenham antecedido crises, existem motivos para acreditar que o mercado ainda tem espaço para crescer.
Um deles é o fato de que, com juros baixos, há hoje US$ 15 trilhões investidos em títulos de dívida com rendimento negativo ao redor do mundo. Sem ganhos na renda fixa, o investido pode precisar apostar cada vez mais no mercado de ações em busca de mais rentabilidade – e com isso sustentar a alta da bolsa pela demanda.
Outro é a leitura de que talvez não saibamos, ainda, compreender totalmente o cálculo do valuation de empresas totalmente disruptivas, como Apple e Tesla. Mas esse é o tema do Insight de amanhã – fique de olho!
Resumo do dia: Esperança na retomada e nas reformas
Mercados globais em alta nesta quarta-feira na expectativa de que dados dos Estados Unidos tragam boas notícias sobre o nível de emprego local. Futuros do S&P, Dow Jones e Nasdaq sobem entre 0,7% e 1,1% nesta manhã e o Stoxx 600 na Europa tem alta acima de 2%.
Esperança na retomada. Além dos números de desempregos nos EUA, que podem indicar retomada do setor privado, hoje o banco central americano (Fed) divulga seu Livro Bege, que traz detalhes sobre a saúde econômica do país.
Também renovaram-se as expectativas para a aprovação de novos estímulos à economia local depois de o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, pediu que o Congresso aprove um pacote de US$ 1,5 trilhão, o qual Trump estaria disposto a aceitar.
Esperança nas reformas. O Ibovespa fechou em alta expressiva de 2,8% ontem, apesar do PIB historicamente negativo (-9,7% ano a ano), com promessa de envio da reforma administrativa e a definição da prorrogação do auxílio emergencial em R$ 300 até o fim do ano, além de uma mensagem em respeito ao teto de gastos por Congresso e Governo em evento.
Insight Rico: O “efeito setembro”
(por Betina Roxo)
Depois que as bolsas americanas desafiaram a gravidade em agosto (que historicamente é um mês negativo) e renovaram máximas, chegou a hora de olharmos para setembro, que também costuma ser complicado 👻.
Antes de te dizer o porquê desse nome sombrio e nebuloso “efeito setembro”, vamos só lembrar que agosto foi uma grata surpresa! Infelizmente, não podemos dizer isso sobre o Ibov, já que o índice da bolsa brasileira caiu 3,4% no mês…
Mãããs, como nós, caros 13 leitores, somos investidoras e investidores com carteiras diversificadas, ficamos felizes sim pela performance positiva dos nossos amigos gringos, cujos índices Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq subiram 7,6%, 7,0% e 9,6%, respectivamente, em agosto.
Só que aí é que tá: desde 1950, o Dow Jones teve uma queda média de 0,8% no mês de setembro, enquanto o S&P 500 registrou uma queda média de 0,5%.
O “efeito setembro” não se limita às ações dos EUA, mas está associado à maioria dos mercados mundiais. Alguns atribuem o movimento ao viés comportamental sazonal, uma vez que os investidores mudam suas carteiras no final do verão para fazer caixa.
Outra teoria aponta para o fato de que os meses de verão costumam ter baixos volumes negociados, já que um bom número de investidores costuma tirar férias e se abster de negociar ativamente suas carteiras.
E assim que o outono começa e esses investidores voltam ao trabalho, eles de fato se desfazem das posições que planejavam vender, aumentando a pressão de venda.
Além disso, muitos fundos mútuos experimentam o fim do ano fiscal em setembro. Os gestores desses fundos, em média, normalmente vendem posições perdedoras antes do final do ano, e essa tendência é outra explicação possível para o fraco desempenho do mercado em setembro.
Efeito setembro atacará novamente?
Já superamos o primeiro dia desse “terrível” mês, com os mercados, tanto lá fora quanto aqui no Brasil, em alta. Porém, nos questionamos se os ganhos recentes podem continuar no outono do hemisfério norte (ou, no caso, primavera aqui para nós do hemisfério sul).
Isso porque todo o otimismo do mercado ainda tem que passar por algumas provas nos próximos meses, incluindo a própria incerteza quanto ao coronavírus e a questão fiscal aqui no Brasil.
Além disso: (i) em meados de setembro teremos reunião dos legisladores do Federal Reserve – vamos ver se teremos “mais ações ou estímulos” depois que Jay Powell revelou a nova abordagem do Fed para a inflação que permitirá ultrapassagens e manterá os juros mais baixos por mais tempo e (ii) eleição nos Estados Unidos em novembro – a disputa acirrada entre Donald Trump e Joe Biden pode elevar a volatilidade no mercado.
No Brasil, o cenário político será de continuidade das discussões sobre os limites de despesas do governo e a pressão sobre o teto de gastos. O presidente e sua equipe econômica vão se dedicar a formatar um desenho para o Renda Brasil — programa de transferência de renda que vai substituir o auxílio emergencial — que, ao mesmo tempo que contemple os objetivos de Bolsonaro, caiba dentro do teto de gastos e seja palatável para o Congresso. A equação não é de fácil solução, e as chances de atritos são grandes.
“Todos temos os mesmos dados a respeito do presente e a mesma ignorância no que diz respeito ao futuro.” – Howard Marks
E agora? Quem poderá me defender?
Direto e reto:
1. Uma carteira coerente com o seu perfil de investidora ou investidor
2. Uma carteira diversificada entre classes de ativos, geografias e setores
3. Horizonte de investimento bem alinhado com os seus objetivos
Veja como se posicionar no nosso De Olho no Mercado para o mês de setembro! Para ler e assistir ao vídeo, basta clicar abaixo!
Resumo do dia: Os alfinetes de Trump e Biden e o chinês sorrindo
Mercados globais amanhecem mais animados nesta terça: nos EUA, os futuros sobem entre 0,07% e 1%, com exceção do Dow Jones, que fica praticamente no zero a zero. Na Europa, o Stoxx 600 sobe 0,24%.
A boa notícia vem da China. Com as exportações suportando a retomada chinesa, o PMI privado – um dos principais indicadores de atividade econômica – teve alta pelo quarto mês consecutivo, a 53,1 (leituras acima de 50 indicam expansão).
Nos EUA, dias de protestos e incidentes violentos aumentaram o foco ao tema de segurança pública e abusos policiais na seara eleitoral. Donald Trump procura se mostrar como o candidato mais firme no lado da segurança e caracteriza Joe Biden como “fraco”. O presidente deve viajar a Kenosha, Wisconsin ainda hoje, o que pode agravar tensões: a cidade teve dois mortos e dois feridos pelos confrontos na semana passada.
Por sua vez, Biden disse que era contra o corte de financiamento da polícia e negou ser o “cavalo de Tróia” dos progressistas, algo que o presidente americano alegou há poucos dias. Ainda, disse que o eleitorado americano conhece seu histórico e sabe que não é um “socialista radical com uma fraqueza por motineiros”. Também acusou Trump de ser “fraco” e incapaz de proteger o povo dos EUA.
No Brasil
Por aqui, o Ibovespa fechou o último pregão do mês de agosto em forte queda de 2,72%, aos 99.369 pontos, “coroando” um mês bastante volátil com queda acumulada de 3,44%.
Na agenda do dia, o destaque fica para a divulgação do PIB nacional do 2° trimestre de 2020. Além disso, o presidente Jair Bolsonaro vai promover hoje pela manhã uma reunião com com líderes da base aliada na Câmara e no Senado, quando deve anunciar a extensão do auxílio emergencial de R$ 300 até dezembro. Como se trata de alteração de valor, será necessário o envio de uma medida provisória.
Insight Rico: Bolsonaro, Guedes e o Big Bang adiado
(por Paula Zogbi. Convidado: Paulo Gama)
Um ambiente muito quente e denso, propício para uma explosão. Essa definição pode se referir tanto à teoria do Big Bang quanto ao clima político brasileiro ultimamente.
De acordo com a hipótese do desenvolvimento do universo como conhecemos, o Big Bang foi o responsável por esfriar e expandir esse ambiente. Realmente, parece uma boa escolha de nome para o evento idealizado pelo ministro Paulo Guedes, que deveria apresentar um megapacote social e de reformas que, se funcionasse conforme o previsto, em um só dia poderia ser capaz de tornar Brasília um microcosmo mais agradável.
Mas o Big Bang Day não aconteceu, e a expectativa agora é que parte dos anúncios inicialmente planejados para a terça-feira passada sejam discutidos hoje, com algumas alterações.
Outra parte pode ganhar mais tempo para ser trabalhada: o próprio Renda Brasil, grande protagonista das discussões, pode continuar em estudo pelos próximos 4 meses – período em que se espera a manutenção do auxílio emergencial.
Impactos no mercado brasileiro
A forma como Bolsonaro, Guedes e a equipe econômica resolverão os impasses apresentados certamente vai ter impactos no mercado brasileiro nos próximos dias e meses. Para entender melhor a relação entre as partes e o que pode estar por vir, convidamos Paulo Gama, analista político, a responder 4 das perguntas que não querem calar sobre o tema.
1. Como está a relação entre governo e ministério da Economia hoje?
É uma relação marcada por instabilidade desde o começo do governo. O presidente Bolsonaro tem um histórico de pensamento, enquanto era deputado, que era um pouco diferente da posição desse time. Mas eles se juntaram em 2018 e, desde então, o ministro Paulo Guedes fez vários movimentos para marcar a necessidade da agenda dele pra manter o governo no rumo do que o time econômico espera.
Com a pandemia, tivemos a flexibilização de algumas regras fiscais e outros atores do governo começaram a exercer um pouco mais de pressão pra ampliar gastos específicos e sair um pouco da linha defendida pelo time econômico. Esses atores acabaram levando o presidente para esse caminho, ou seja, na balança do governo passou a pesar um pouco mais a pressão desse outro grupo em termos de gastos.
Além disso, diante da pandemia, o auxílio ajudou a melhorar a popularidade do presidente, e o Bolsonaro passa a resistir, por uma questão política, a como estava em 2019, quando o governo economizou o ano inteiro.
Esses dois fatores levaram o presidente a oscilar entre um ponto e outro, enquanto Guedes tentava trazer de novo o time para o norte que ele queria. Em resumo, por um lado há uma vontade política do presidente de manter algum nível de gasto – principalmente o auxílio emergencial, mas também outros, incluindo obras de infraestrutura; do outro lado, o time de Economia diz “ok, desde que caiba no teto de gastos”. Evidentemente tem um conflito. Com o crescimento dos gastos obrigatórios sobra cada vez menos espaço discricionário para o governo gastar: com menos dinheiro, a briga fica maior.
Importante lembrar que, para conseguir mudar gastos é preciso desvincular, desobrigar e desindexar, mas encontrar espaço para rever despesas que hoje são obrigatórias. Existem três alternativas: procurar programas sociais considerados menos eficientes para custear novos gastos (como o Renda Brasil); algum tipo de reforma administrativa, diminuindo o gasto com o funcionalismo público; ou flexibilizar o teto de gastos.
Então, o Paulo Guedes fica de um lado dizendo que da linha do teto de gastos não dá para passar, mas o presidente com essa dúvida sobre entrar em uma disputa ou com os beneficiários desses programas sociais ou com o funcionalismo – caminhos que ele já se mostrou indisposto a seguir.
2. O mercado teme que o teto de gastos seja extrapolado, mas como a classe política vê essa possibilidade?
Qualquer mudança no teto dependeria de uma votação de uma emenda à Constituição no Congresso, seria um movimento político não trivial.
O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, tem dito que não colocaria em votação nada que pudesse significar uma brecha no teto, mas quando você vai discutir espaço para gastos no Congresso, isso de alguma maneira é bem visto: você tem a cúpula segurando e alguns outros líderes também, mas boa parte do Congresso estaria disposta sim a votar algo nesse sentido.
3. O que deveria ser o Big Bang Day e por que ele não aconteceu quando previsto?
O início da reunião ministerial que foi divulgada na imprensa por conta da saída do ex-ministro Sérgio Moro era sobre a formulação do Pró-Brasil. O programa nasceu lá com um caráter inicial de investimento público em infraestrutura. Ele foi um grande momento de stress, porque o Guedes inicialmente se contrapôs. Foram pelo menos cinco meses de discussão sobre o formato.
Pouco a pouco, o ministro foi assumindo os rumos do que seria esse programa, que deixou de ser investimento em infraestrutura e passou a ser um grande lançamento da agenda do governo pós pandemia, um caminho de volta da reforma com espaço para investimentos. Virou uma agenda da retomada do Brasil. O Big Bang Day na terça-feira seria o momento de mostrar essa agenda, com a criação do renda brasil dentro do teto, extinguindo outros programas sociais.
Uma série de problemas levaram ao adiamento. Primeiro, você não tinha todas as políticas formuladas. O desenho final do Renda Brasil não estava feito, o Bolsonaro não tinha topado o fim do abono e outras extinções; as definições dos enunciados e os atos não estavam prontos.
Tinha também uma briga sobre o valor e quais seriam as obras de infraestrutura contempladas com os R$ 5 a 6 bilhões que seriam remanejados – tanto que, a princípio, a ideia original era R$ 5 bilhões, e depois vimos o governo admitindo que pode passar de R$ 6 bilhões.
Não existia uma definição formal de apresentar esse pacote na terça-feira, e me pareceu um pouco precipitado o Paulo Guedes informar essa data. Não é que o evento estava de pé e foi cancelado: ele nunca esteve pronto para acontecer na terça.
Foi em meio a essa indefinição que veio a público aquela fala do Bolsonaro sobre tirar do pobre para dar ao paupérrimo e outras declarações.
4. O que monitorar agora nas próximas falas de Guedes e Bolsonaro?
O ponto de maior atenção é se houver uma decisão de caminhar para um Renda Brasil que precise fugir do teto de gastos. Com essas 3 opções postas (furar o teto, ter um programa menor ou tirar dinheiro de outro lugar – caminhos que parecem truncados), o risco é de criar algum tipo de despesa extraordinária para burlar o teto. Resumidamente, a definição sobre qual dos caminhos o Bolsonaro vai topar talvez seja a coisa mais importante. Tem uma chance dessa discussão demorar mais para acontecer.
Prorrogando o auxílio emergencial até dezembro, a grande questão é como tratar os programas sociais a partir de 2021: qualquer sinal que o Bolsonaro dê que o governo possa tentar algo que não fique 100% contemplada dentro do teto talvez seja preocupante.
A gente também monitora a relação entre os dois. Sempre que o Paulo Guedes precisa reafirmar sua posição, sua agenda, o mercado presta bastante atenção para saber se esse chamado vai ser correspondido.
—
Em resumo, o momento é de atenção para as nuances do jogo político. Todos queremos saber se Paulo Guedes fica ou sai do governo, se as reformas serão aprovadas e se há tempo para contornar os problemas fiscais no Brasil. Mas, como diria Howard Marks: “atualmente, todos temos os mesmos dados a respeito do presente e a mesma ignorância no que diz respeito ao futuro”. O que podemos fazer, enquanto isso, é gerenciar os riscos e se proteger com uma carteira diversificada.
| Agenda da Semana |
| Terça-feira, 01 05h00: Europa – PMI Industrial 06h00: Europa- IPC 06h00: Europa – Taxa de desemprego 09h00: Brasil -PIB Trimestral 11h00: EUA – PMI industrial ISM trimestral22h30: Austrália – PIB trimestral |
| Quarta-feira, 02 09h15: EUA – Variação de empregos privados 11h28: Brasil – IPC fipe mensal 11h30: EUA – Estoque de petróleo bruto 22h45: China – PMI composto |
| Quinta-feira, 03 05h00: Europa – PMI composto markit 06h00: Europa – Vendas no varejo 07h00: Brasil – Produção industrial anual 09h30: EUA – Pedidos iniciais por seguro-desemprego 10h45: EUA – PMI composto markit 11h00: Reino Unido – Pronunciamento de Bailey, governador do BoE 22h30: Austrália – Vendas no varejo |
| Sexta-feira, 04 09h30: EUA – Relatório de emprego (Payroll) 09h30: Canada – Variação no emprego mensal |
O agosto mais quente desde 1986
Mercados globais amanhecem em leve alta (EUA +0,2% e Europa +0,6%), enquanto o S&P 500 ameaça fechar o mês com mais de 7% de alta. As ações globais estão prontas para completar agosto mais quente, em termos de performance, desde 1986.
Na Ásia, o fechamento foi misto com China (-0,6%) implementando restrições de exportação às empresas de tecnologia – o que pode dificultar os planos de Trump de ter uma empresa americana (no caso, Microsoft ou Walmart) à frente do TikTok nos EUA. Enquanto isso, Buffett aposta em corretoras no Japão (+1,1%).
No Brasil, hoje é a data limite para o governo apresentar o orçamento, mas o final de semana foi relativamente vazio de notícias econômicas. Bolsonaro reúne líderes da base amanhã para encontro em que deve ser anunciada a prorrogação do auxílio emergencial e apresentada aos parlamentares a sugestão para o Renda Brasil. Com a prorrogação do auxílio emergencial, o governo ganha tempo para formalizar o novo programa.
Insight Rico: Aprenda a podar o seu bonsai
(por Lucas Collazo)
Os bonsais fazem parte da cultura japonesa. São miniaturas de árvores plantadas em bandejas ou vasos. É impressionante observar o nível de detalhe e cuidado destas verdadeiras obras, além da simetria delicada que demanda um trabalho minucioso para ser alcançada.

No mercado é importante que você saiba ser um bom “jardineiro” de bonsais. Sim, caros 13 leitores, foi exatamente isso que vocês leram… vou explicar melhor para vocês.
O último mês foi conturbado: nem parece, mas abrimos julho com decisão de taxa de juros aqui no Brasil. O Banco Central fez um corte de 25 pontos-base, levando a Selic para 2% ao ano, o menor patamar da história dessa série.
Ah, e a maior preocupação dos investidores em relação ao país segue sendo a trajetória da dívida nacional, a tão falada “situação fiscal”. Nosso endividamento segue grande e o esperado “megapacote” de iniciativas do governo para a retomada econômica foi adiado.
E se a forma com a qual o Brasil vai quitar essa dívida preocupa, as eleições americanas então, nem se fala. O candidato democrata, Joe Biden, vem liderando nas pesquisas eleitorais americanas, porém por uma margem mais tímida, o que mostra que a disputa entre Biden e Trump será bem acirrada.
Vem volatididade por aí
Eleições na maior economia do mundo? “Senta que lá vem volatilidade”. Certamente os mercados vão balançar bastante com o decorrer da corrida presidencial nos EUA.
Sem dizer que, o Covid-19, segue do lado de fora de nossas casas. A cada dia que passa é um dia a menos para a vacina, sempre costumo dizer isso, que está prevista aliás para o fim deste ano, mas temos que monitorar novos picos de casos o tempo todo.
Um novo isolamento social mais severo, fazendo com que as economias “fechem as portas”, não é esperado pelo mercado. Quando o “Sr. Mercado” não espera algo, ele também não coloca no preço dos ativos, lembre-se sempre disso.
Todas essas preocupações se refletiram na bolsa: depois do mês de julho ter sido fortíssimo, com alta de 8,27% no índice, o mês de agosto (até aqui) teve tom de cautela, com leve queda de 0,75% no período. Justamente a “cautela” que tem sido o sobrenome das nossas recomendações nestes últimos 2 meses.

Desde julho nós recomendamos a estratégia “bearish hold”, que basicamente consistiu em “podar o seu bonsai”. Aqui, você ser um bom jardineiro de bonsais é um diferencial.
A bolsa teve alta expressiva em julho, aliás, o semestre foi de recuperação forte após as quedas em março e abril, com um mercado sustentado em estímulos fiscais realizados por governos e Bancos Centrais ao redor do mundo, principalmente nos EUA. Essas iniciativas não devem se repetir com a mesma magnitude no segundo semestre deste ano, a “munição” está ficando escassa…
“Sem balas” para enfrentar uma disputa eleitoral americana, é melhor “acalmar” os ânimos da sua carteira, ou melhor, podar o seu bonsai que cresceu demais e está assimétrico.
Tanto em julho quanto em agosto, recomendamos manter os percentuais de investimento em cada estratégia, o que significa diminuir o que se valorizou e por consequência ganhou espaço na carteira, e aumentar aquilo que desvalorizou e diminuiu de tamanho na sua diversificação.
Ter o perfeccionismo e calculismo japonês nestas horas pode fazer uma grande diferença na performance dos seus investimentos. Nós falamos sobre isso e vamos mais no detalhe das estratégias recomendadas no nosso novo relatório: De Olho No Mercado.
Vamos publicar ele no fim do dia 01/09, aliás, todos os primeiros dias úteis de todos os meses faremos a divulgação deste relatório. Vai passar pela leitura do cenário do último mês, o que esperar daqui para frente, e claro, recomendações de investimento.
Traremos o link de acesso no Rico Matinal, fique ligadx!
| Agenda da Semana |
| Segunda-feira, 31 Feriado: Reino Unido – Feriado Bancário 09h00: Alemanha – IPC mensal 10h30: Brasil – Relação dívida/PIB 10h30: Brasil – Balanço orçamentário 10h30: Brasil – Superávit orçamentário 22h45: China – PMI Industrial Caixin |
| Terça-feira, 01 05h00: Europa – PMI Industrial 06h00: Europa- IPC 06h00: Europa – Taxa de desemprego 09h00: Brasil -PIB Trimestral 11h00: EUA – PMI industrial ISM trimestral 22h30: Austrália – PIB trimestral |
| Quarta-feira, 02 09h15: EUA – Variação de empregos privados 11h28: Brasil – IPC fipe mensal 11h30: EUA – Estoque de petróleo bruto 22h45: China – PMI composto |
| Quinta-feira, 03 05h00: Europa – PMI composto markit 06h00: Europa – Vendas no varejo 07h00: Brasil – Produção industrial anual 09h30: EUA – Pedidos iniciais por seguro-desemprego 10h45: EUA – PMI composto markit 11h00: Reino Unido – Pronunciamento de Bailey, governador do BoE 22h30: Austrália – Vendas no varejo |
| Sexta-feira, 04 09h30: EUA – Relatório de emprego (Payroll) 09h30: Canada – Variação no emprego mensal |
Ibovespa na contramão
Nesse último #sextou de agosto, mercados amanhecem mistos, com o EuroStoxx caindo 0,3% e futuro do S&P subindo 0,1%. A preocupação fiscal no Brasil levou o Ibovespa a ficar na contramão dos mercados internacionais nessa semana, acumulando queda de 0,86% até ontem, enquanto S&P 500 e Euro Stoxx subiram mais de 2%.
Inclusive, ontem o S&P 500 atingiu a máxima histórica pelo 5º pregão consecutivo, depois de Jerome Powell, presidente do Banco Central americano (Fed), confirmar política mais acomodativa de juros baixos por mais tempo, mesmo havendo retomada da inflação.
Essa mudança deu aos investidores luz verde para vender títulos longos, que são mais sensíveis à inflação, com a maior inclinação da curva de rendimento dos EUA em dois meses.
No Japão (-1,4%), Shinzo Abe anunciou que renunciará ao cargo de primeiro ministro por questões de saúde tão logo seu partido escolha um substituto.
No Brasil, as expectativas seguem fortes em relação à decisão do governo sobre a prorrogação do auxílio emergencial e aos sinais sobre o desenho para o Renda Brasil.
Mesmo fora do Ministério da Economia fala-se em um valor menor que os R$ 300 cogitado pelo presidente para o novo programa, que atingiria um número menor de famílias. Jair Bolsonaro, no entanto, deu sinais contrários à ideia do Renda Brasil mais enxuto.
Paulo Guedes se concentra em encontrar espaço na desvinculação, desindexação e desobrigação do Orçamento para o programa. Uma ideia ventilada no noticiário é a extensão do auxílio emergencial para 2021 – proposta que não encontra respaldo nas regras fiscais atuais.
Sem definição, a conversa prevista para hoje entre Guedes e Bolsonaro pode bater o martelo apenas sobre a prorrogação do auxílio.
Insight Rico: “Acabou” para o crédito privado?
(por Paula Zogbi)
Com defasagem em relação à bolsa, o ambiente de investimentos em dívida em empresas privadas apresentou, a partir de abril desse ano, distorções significativas na média dos preços e taxas dos ativos, mostrando oportunidades muito claras de investimentos.
Mas em agosto, 5 longos meses depois dos primeiros impactos da covid-19 nos mercados, os preços voltaram a patamares pré-crise, o que também indica que boa parte das empresas voltaram a pagar os prêmios considerados compatíveis com seus níveis de risco – e não mais aqueles juros esticados que vínhamos observando até então.
Em outras palavras, você provavelmente escutou muitas vezes ao longo dessa crise que emissores de qualidade excepcional estavam pagando prêmios parecidos com as empresas mais arriscadas no mercado de crédito. Em linguagem clara: era pechincha para todo lado. Mas a coisa mudou.
A coisa mudou
O gráfico abaixo, do Idex, índice criado pela gestora JGP que acompanha as debêntures mais negociadas do mercado, ilustra o que eu quero dizer. Em abril, os preços dos títulos caem vertiginosamente, que é o que acontece quando os spreads sobem muito. Mas voltam à normalidade e superam o CDI em agosto.

Na próxima imagem, podemos ver que as empresas voltaram a emitir debêntures com prazos mais longos, o que sinaliza maior disposição do investidor a correr o risco de emprestar seu dinheiro por mais tempo (e diminui o risco para a própria empresa).

Com tudo isso, talvez você se pergunte: será que acabaram as oportunidades para os investidores no crédito privado?
Acabaram as oportunidades no crédito privado?
A resposta é não, mas volta a ser necessário avaliar melhor os setores e emissores, porque as oportunidades já não são tão óbvias. Basicamente, estamos voltando ao normal nessa frente com algum atraso em relação à bolsa, cujos preços já retomaram há algum tempo para boa parte dos setores.
O mesmo Idex, da JGP, mostra que os spreads (prêmios pagos pelas emissoras sobre o CDI para oferecer seus títulos de dívida) já caíram consideravelmente em relação ao pico de 5%, mas ainda estão relativamente altos, perto de 2,5%. Ou seja, dá para ganhar dinheiro sim.

A diferença, agora, é que, para encontrar prêmios melhores, considerando que o cenário é menos incerto, volta a ser indicado tomar mais risco – encontrado em ativos com prazos mais longos -, mas sempre com muita atenção ao risco do emissor e ao seu perfil.
Risco baixo
Na nossa visão, neste momento transmissoras de energia elétrica, empresas de saneamento e ferrovias são emissoras de risco baixo. Se você tiver um perfil um pouco mais conservador, mas que já aceita partir para o crédito privado, pode encontrar boas oportunidades em títulos emitidos por essas companhias.
Risco moderado
Para os moderados, vemos risco médio entre geradoras e distribuidoras de energia, empresas de concessão de rodovias, operadores portuários, frigoríficos, propriedades comerciais e incorporadoras imobiliárias.
Riscos maiores
Já os maiores riscos de crédito se encontram nas empresas de açúcar e etanol – o que também pode significar prêmios mais interessantes, claro.
Em tempo: na hora de escolher, lembre-se sempre do fator Imposto de Renda: debêntures incentivadas (como as de infraestrutura), além de CRIs e CRAs, são investimentos isentos da cobrança de IR, e essa rentabilidade “limpa” pode ser um fator de desempate na dúvida entre dois papéis.
A regra de bolso para comparar papéis com e sem cobrança de IR é:
(% CDI) x (1 – alíquota em decimais) = equivalente para títulos sem cobrança
Um exemplo de como o IR interfere na rentabilidade ao longo do tempo:
CDB 105% CDI LCI 85% CDI
| Até 180 dias (IR = 22,5%) | 81,4% | 85% |
| De 181 a 360 dias (IR = 20%) | 84% | 85% |
| De 361 a 720 dias (IR = 17,5%) | 86,6% | 85% |
| Acima de 720 dias (IR = 15%) | 89,3% | 85% |
| Agenda da Semana |
| Sexta-feira, 28 06h00: Europa – Confiança na economia, industrial, serviços e consumidor 08h00: Brasil – IGPM 09h00: Brasil – Pnad (desemprego nacional) 09h30: Brasil -Nota de crédito do BC 09h30: EUA – estoque de varejo (a.m.) 11h00: EUA – confiança do consumidorBrasil – resultado primário do governo central |
Eu sei, eu sei, você não é uma “Maria vai com as outras” e nem deveria escolher um investimento só porque muita gente está investindo. Mas o fato é que os fundos imobiliários finalmente estão chegando à marca de um milhão de cotistas, de acordo com o boletim mais recente da B3. E eu acho que isso pode criar uma sensação de “se está ‘todo mundo’ fazendo, deve ter alguma coisa aí” entre aqueles que ainda preferem investir em imóveis da forma tradicional.
Fato é que essa pulga atrás da orelha faz bastante sentido, porque investir em FIIs tem vantagens claras sobre a compra de imóveis como investimentos. Então vamos falar sobre o que tem “aí”.
Diversificação
Não faz nem 48h que chegou no seu e-mail um Insight Rico como esse falando sobre as maravilhas da diversificação em investimentos. Mas quantas pessoas conseguem dispender de 200 mil, 500 mil, 1 milhão de reais para comprar um imóvel e ainda conseguir diversificar o patrimônio?
Não precisa ser PhD em ciências sociais para saber que é minúscula a parcela de brasileiros que tem os milhões suficientes para comprar imóveis (no plural e à vista, de preferência) para investir e ainda assim manter uma carteira balanceada.
Para todas as outras pessoas, comprar um apartamento sem a intenção de morar nele significa colocar todos (ou a maioria) os ovos na mesma cesta e depender muito da boa-fé do seu inquilino.
Com fundos imobiliários, você precisa de menos de R$ 200 para comprar uma cota. E nessa cota, dependendo do FII escolhido, você tem acesso a frações de vários imóveis – às vezes, dezenas deles. Se você tiver o dobro de dinheiro, pode ter o dobro de imóveis, basta escolher um outro FII – e assim sucessivamente.
O Andarilho
Eu já contei em outro texto aqui que adoro pesquisar sites de imóveis, mas me diz a verdade: quem realmente tem tempo para passear pela cidade conhecendo todos os imóveis disponíveis e suas respectivas regiões para descobrir onde estão as oportunidades do mercado? Vou dizer quem não tem esse tempo: você. E quem tem esse tempo: o gestor de FIIs.
Claro, você pode bater o olho em um anúncio no VivaReal e ter certeza: “isso aqui é uma raridade! Não existem mais apartamentos com esse preço por metro quadrado nessa região! Preciso fechar esse negócio”. Mas, se não é isso que você faz da vida, a chance de você ter deixado escapar algum detalhe não é desprezível.
Os investidores de FIIs contam com a seleção minuciosa de uma equipe de pessoas que de fato fazem isso da vida. Não entendo absolutamente nada de tarô (tarot?), nunca tirei minhas cartas nem conversei profundamente sobre isso com ninguém, mas se eu pudesse dar uma carta para o gestor de fundo imobiliário, ela se chamaria “o andarilho”.
Explico: gestores estão sempre em contato com representantes das diversas fases do ciclo de construção e incorporação imobiliária e gastando a sola do sapato para conhecer só os prédios, lajes e galpões mais incríveis do mercado. Não se engane: nós somos bons em outras coisas, mas quem é bom nisso de verdade são eles.
“O encanador chegou”
Hoje mais cedo eu estava super focada no trabalho e tive que parar tudo porque chegou um encanador aqui em casa. O encanamento da área de serviço está o caos – coitado do vizinho aqui de baixo. Mas triste mesmo deve ter ficado a proprietária do apartamento onde eu moro de aluguel, que recebeu uma ligação surpresa avisando que ela vai ter que pagar por esse estrago.
Claro que eu estou falando tudo isso porque, se a dona desse apartamento tivesse escolhido investir em FIIs, não teria recebido essa ligação: quem cuida de todos os problemas envolvendo os imóveis dos fundos é a administradora – os investidores nem precisam ficar sabendo. (Não que eu esteja torcendo para ela vender aqui e me despejar, claro).
Mas vai com calma!
Fundos imobiliários são investimentos em renda variável, negociados via bolsa de valores. Em média, as cotas variam com menos volatilidade que as ações listadas, mas sim, elas variam.
Com a crise do coronavírus, algumas classes de fundos foram fortemente afetadas – caso dos FIIs de shoppings e de escritórios, por exemplo, alguns dos quais ficaram um tempo sem entregar dividendos aos cotistas por falta de pagamentos de aluguéis.
Recentemente, em entrevista ao InfoMoney, o sócio e gestor responsável por fundos imobiliários na Kinea Investimentos, Carlos Martins, disse acreditar que os fundos de escritório ainda podem passar por mais problemas e não chegaram no pico da sua vacância (área desocupada). E André Freitas, diretor da Hedge Investimentos, acredita que a recuperação dos shoppings a níveis pré-crise não deve vir antes de 2022.
Por outro lado, os FIIs de logística são vistos como os vencedores na crise – mas é sempre preciso avaliar se o preço está justo.
Em resumo, investir em FIIs é muito vantajoso em relação aos investimentos tradicionais em imóveis, e não é à toa que essa classe vem crescendo tão rápido. Mas a seleção deve ser sempre criteriosa e acompanhar os movimentos do mercado. Para ajudar, acesse sua conta e conheça nossa carteira recomendada de FIIs em Análises/Carteiras Recomendadas. E só lembrando: na Rico, investir em FIIs é sem taxa de corretagem!
| Agenda da Semana |
| Quinta-feira, 27 Dia todo: Simpósio de Jackson Hole (com discurso de Jerome Powell) 09h30: EUA – PIB anualizado a.t. (ant. 0,9%) 09h30: EUA – Novos pedidos de auxílio-desemprego |
| Sexta-feira, 28 06h00: Europa – Confiança na economia, industrial, serviços e consumidor 08h00: Brasil – IGPM 09h00: Brasil – Pnad (desemprego nacional) 09h30: Brasil -Nota de crédito do BC 09h30: EUA – estoque de varejo (a.m.) 11h00: EUA – confiança do consumidorBrasil – resultado primário do governo central |
Imagine que você emprestou o seu dinheiro para um amigo. No dia seguinte, descobriu que esse amigo deixou toda a grana que está com ele (mas pertence a você) dentro de um carro conversível, com a capota aberta, no meio da cidade, totalmente exposto aos olhares de qualquer transeunte. Você voltaria a emprestar para esse amigo? Se voltasse, teria a mesma confiança ou cobraria mais caro?
De uma forma exageradamente literal, essa metáfora ajuda a explicar o que aconteceu com os títulos de dívida pública brasileiros em vários momentos dessas duas últimas semanas. Os fortes rumores de quebra no teto de gastos levam às alturas a desconfiança em relação aos ativos brasileiros – e, consequentemente, suas taxas.
O gráfico abaixo mostra o que estou falando: é a evolução das taxas pagas pelo Tesouro Prefixado 2023 nos últimos 30 dias. Um movimento forte de repique começa justamente no dia 11 de agosto, quando vieram à tona as primeiras notícias sobre a possibilidade de o governo furar o teto em 2021.
Os dias que as taxas vão no sentido contrário são aqueles em que o rumor é desmentido (e o mercado confia). Essa queda brusca do dia 17 para o dia 18 coincide com o momento em que o ministro Paulo Guedes afirmou não ter motivos para desconfiar quando Bolsonaro diz que não vai descumprir a regra, momento que ficou informalmente conhecido como um dia do “fico” do ministro. Mas o movimento segue errático.
Por que isso acontece?
Primeiro, um pouco de contexto. Agosto é o mês em que o governo precisa enviar sua proposta de Orçamento Anual para o Congresso, que, por sua vez, tem até o final do ano para avaliar e aprovar o que for apresentado. Por isso a intensidade dessa discussão agora.
Como os trâmites do orçamento duram ainda mais alguns meses, devemos ver esse tema mexer muito com o mercado até dezembro.
O que é o teto de gastos?
Desde 2016, o regime fiscal brasileiro não permite que as despesas primárias do governo cresçam acima da inflação – ou seja, em termos reais, esses gastos são congelados. Não existe nenhum limite para as despesas individualmente, mas sim do total.
Com a crise causada pela pandemia, o governo se viu obrigado a flexibilizar parte das normas para garantir um orçamento emergencial. Os estímulos já somam mais de R$ 500 bilhões e devem aumentar a relação entre a dívida nacional e o PIB brasileiro em 20 pontos percentuais em um ano. Mesmo assim, o teto de gastos segue em vigor em 2020: as despesas emergenciais usam os chamados créditos extraordinários, que não entram na conta do teto.
Futuro incerto
Para o ano que vem, o cenário está mais nebuloso. De um lado, Paulo Guedes tenta conduzir o governo de volta à agenda de reformas estruturais. Do outro, alguns ministros veem espaço para ampliar os investimentos em infraestrutura e emplacar uma agenda de aumento de gastos para além de 2020.
Vale lembrar que o auxílio emergencial ajudou o presidente Bolsonaro a atingir seu maior grau de popularidade nas últimas pesquisas.
E é com esse pano de fundo que começaram os rumores que inflaram os prêmios do Tesouro Direto nos últimos dias.
“Opa, legal, vou investir com mais prêmio!”
Você pode pensar que esse aumento nos prêmios pagos pelo Tesouro é positivo, porque permite que você invista em renda fixa com maior rentabilidade. Mas isso é ver apenas uma parte do cenário: no todo, se o governo aumenta demais os seus gastos, ele está tomando mais dívida, e o mercado não gosta disso.
Em uma entrevista recente, Armínio Fraga, ex-presidente do BC e sócio da Gávea Investimentos, fez as contas: o Tesouro terá que captar no mercado financeiro nos próximos 12 meses um volume de dinheiro equivalente a 46% PIB para refinanciar os títulos que vencem no período, pagar os juros que incidem sobre o saldo da dívida e bancar ainda o altíssimo déficit previsto para as contas.
Um cenário como esse, vale lembrar, espanta investidores, principalmente estrangeiros, que já tiraram R$ 45 bilhões do mercado brasileiro neste ano. Isso resulta em um ambiente econômico menos irrigado de dólares e mais “truncado”: sem investimentos, empresas não crescem e empregos não são gerados.
De acordo com a pesquisa “LatAm Fund Manager Survey”, do Bank of America, a fatia de gestores que elencaram a questão fiscal como o principal risco no Brasil subiu de 53%, em julho, para 67% este mês.
Em tempo: vale lembrar que, como conversamos em um outro Insight recente, mesmo com esse cenário, não é necessário se preocupar com um eventual calote do governo.
Só para não esquecer, continuamos com a maior parte das dívidas em reais, o que torna fácil lidar com elas. Também temos prazos e credores relativamente diversificados; o Tesouro vem se preocupando em emitir menos dívida a taxas muito altas (focando na venda de LFT – Tesouro Selic); e o colchão de liquidez, uma das ferramentas mais importantes para manter essa segurança, acabou de receber autorização para um repasse de recursos do BC.
Bom dia! Para quem ficou ansiosa ou ansioso no final de semana depois do Rico Matinal anônimo, chegou o momento de revelar quem eu sou.
Meu nome é… (música de suspense) … Betina Roxo, muito prazer. Alguns de vocês, que inclusive já comentaram no meu Instagram, já me conhecem, mas aos que ainda não, acho de bom tom me apresentar.
Sou formada em Economia e nos últimos dois anos e meio até mais precisamente semana passada fui analista de ações da XP Investimentos. Antes da XP, passei pela área de Research (em análise de ações) do HSBC e do Bank of America Merrill Lynch, cobrindo os setores de Óleo e Gás, Mineração, Siderurgia, Celulose e Alimentos e Bebidas.
Agora, dou um novo passo na minha carreira e é com enorme orgulho que me junto ao incrível time de conteúdos da Rico, assumindo a função de Estrategista-Chefe. Mas o que exatamente é isso?
Fazendo uma analogia, é como o maestro (ou melhor, a maestrina) de uma orquestra. Numa orquestra, temos vários músicos profissionais, que muitas vezes tocam diferentes instrumentos e possuem diferentes habilidades.
Segundo a Wikipedia, o(a) regente deve representar e promover a unidade da expressão artístico-musical de um grupo de pessoas, mesmo que elas tenham habilidades artísticas heterogêneas. Para isso, precisa se preparar em todos os aspectos citados, principalmente na sua formação musical: bom domínio da partitura, percepção sonora apurada para poder distinguir aquilo que conduzirá, conhecimento e compreensão de estilos, gêneros, autores, épocas, questões de contraponto, harmonia e análise musical, etc.
Ou seja, basicamente, ser Estrategista-Chefe é ter uma visão do todo (economia, política e tudo que pode impactar as decisões de investimentos), unindo todo o conhecimento do time para que juntos consigamos trazer as melhores ideias e conteúdos para você.
A maneira como os conteúdos são apresentados vem mudando nos últimos anos. Junto à própria digitalização, que ajudou a aumentar significativamente a acessibilidade de forma geral, os juros nas mínimas históricas fazem com que os investidores tenham que buscar outros ativos mais rentáveis para compor uma carteira, intensificando a importância de saber investir.
E em meio à quantidade e dinamismo de produtos financeiros e informações, é muito importante entendermos a jornada do investidor, o formato e os canais de preferência para entregarmos conteúdos mais personalizados, que se conectem e facilitem a vida das pessoas.
Apesar de toda evolução, segundo pesquisa da Anbima, menos da metade dos brasileiros tinha algum saldo aplicado em produtos de investimento em 2019, enquanto 84% ainda se concentrava na poupança, que não é o melhor investimento no cenário atual.
Além disso, o mercado financeiro ainda é distante. Essa é minha maior missão aqui na Rico: meu objetivo, e de todos nós do time, é trazer mais pessoas para esse mundo, de um jeito simples, natural e com muita qualidade e inovação.
Eu, por exemplo, não imaginava que poderia falar sobre análise, investimentos e vida pessoal no meu Instagram. Mas a verdade é que nos conectamos mais com as pessoas quando somos nós mesmos. Sendo assim, sem o “financês” e sem perder o senso de humor, melhor ainda, porque aproxima o mercado financeiro da realidade das pessoas.
Fiquem ligados que teremos muitos conteúdos interessantes e inovadores nos próximos dias!
A reforma tributária é um assunto essencial para este ano.
Para se ter uma ideia do quão delicado é o tema, nos últimos 30 anos, todos os presidentes da república tentaram implementar uma reforma e nenhum deles conseguiu. A saber: alguns governos (incluindo o atual) até conseguiram fazer algum tipo de reforma da previdência, mas, com relação à tributária, nenhum sucesso.
E por que ela é tão importante? Porque a tributação é hoje considerada o principal componente que prejudica a produtividade brasileira.
A conclusão é fruto do relatório Doing Business (fazendo negócios, na tradução livre em português) do Banco Mundial, na qual a instituição mensura as boas práticas em diversos setores da economia entre 190 países do mundo.
O Brasil ocupa a 184ª posição do ranking no item pagamentos de impostos. Ou seja, apenas seis países estão piores que nós. Veja o desenho abaixo:
Abaixo, nossa complexidade tributária em uma amostra com 100 países:
Outro gráfico que também denota a complexidade do tema é o índice de liberdade econômica de se empreender no mundo (quanto mais puxado para o verde, melhor o ambiente). A saber: um dos componentes do índice envolve o pagamento de impostos.
O cenário brasileiro não é positivo
Não só estamos atrás de nossos vizinhos Uruguai, Paraguai e Chile, como também conseguimos ficar atrás do Afeganistão, que infelizmente é um país que já passou por algumas guerras.
Na região, só não estamos piores que nossos Hermanos e a Venezuela.
Se, por um lado, tivemos conquistas importantes nos últimos três anos, tais como a Lei do Teto dos Gastos, criação da TLP para concessões do BNDES e reforma da previdência, por outro ainda precisamos melhorar, e muito, nossa produtividade: crescemos +1,3% nos últimos três anos.
E melhorar a produtividade brasileira passa necessariamente pela transformação do sistema tributário que, hoje, vale dizer, não é um sistema “barato”.
O Brasil arrecada em tributos, proporcionalmente ao PIB, tanto quanto os países da OCDE, bloco de países desenvolvidos do qual ainda não fazemos parte.
Atualmente, três principais projetos propondo mudanças ao atual sistema encontram-se em discussão na Comissão Mista estabelecida no Congresso Nacional.
Em sua primeira etapa – da qual falaremos adiante – todas elas sugerem a criação de um Imposto de Valor Agregado (IVA) de alíquota única, a incidir sobre a totalidade de bens e serviços.
E por que sobre bens e serviços?
Porque é aqui que estão algumas das principais distorções do sistema tributário.
- Os impostos sobre bens e serviços são cumulativos, ou seja, incidem sobre todas as etapas do processo de produção de qualquer bem ou serviço. Suponha um fabricante de sapatos. A pessoa que fez a primeira parte do sapato e vendeu a carcaça pagou um imposto sobre isso. Aquela que comprou para colocar uma borracha vai pagar o imposto sobre o sapato como um todo, incluindo a carcaça. O resultado disso é que esse modelo onera muito mais a produção, já que a indústria não consegue gerar créditos sobre o imposto que já teria sido pago.
- Distorção entre estados e guerra fiscal: o principal imposto estadual é o ICMS, correspondendo a 25% da carga tributária total do país. Cada estado tem sua regra e o próprio estado pode alterar essa regra para atrair investimentos. Com isso, nós chegamos à terceira distorção.
- Alocação ineficiente de recursos: hoje, uma moto é produzida em Manaus para somente ser exportada para Argentina a partir do porto de Santos. Ou seja, menos produtividade que começou ali na guerra fiscal entre estados.
- Essa má alocação acaba pesando sobre os mais pobres: durante toda a cadeia de produção houve a incidência de vários impostos, então o bem final acaba sendo mais tributado do que os serviços. E como as famílias mais pobres, proporcionalmente, gastam mais com bens (alimentos, por exemplo) do que a população mais rica, a desigualdade ganha força.
- Ciente disso, o governo desonera alguns produtos, mas acaba gerando ainda mais distorção ao tributar “alimentos nobres”, como filé mignon e salmão.
Com isso, o IVA tenta amenizar essa fonte de desigualdade.
Na proposta do governo, ao unificar PIS e Cofins, o IVA seria a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), com alíquota única de 12% para todos os setores.
Na teoria, como o imposto é não cumulativo (não há o “imposto sobre imposto”), os produtos ficariam mais baratos. Além disso, o IVA também é mais simples, já que incide apenas um tributo para todos os bens e serviços – não beneficiaria um setor em específico e não geraria distorções na cadeia produtiva.
Ainda que tenha sido ventilada a possibilidade de redução do imposto de renda e mesmo a tributação de dividendos, acreditamos que o primeiro passo, que é a tributação de bens e serviços, deve gerar inúmeros ganhos de produtividade e queda da desigualdade social no médio e longo prazo.
Podemos esperar mais tempo?
Porém, a tramitação no Congresso não será fácil, afinal, estamos há 30 anos discutindo essa reforma tributária.
Na bolsa, os potenciais impactos de uma reforma tributária seriam certamente diferentes entre os setores da economia.
Mas, em geral, ainda é preciso compreender melhor como as próximas fases, incluindo a eventual desoneração da folha de pagamentos, serão desenhadas.
Por fim, gostaria de compartilhar com vocês um gráfico reproduzido pelo Banco Central, que mostra o poder das reformas estruturais na economia brasileira ao longo dos últimos três anos:
As reformas foram essenciais para a queda consistente na taxa de juros do país ao longo do últimos anos.
As eleições na maior economia do mundo estão chegando e são muito importantes, já que as decisões tomadas na Casa Branca afetam os mercados internacionais e, consequentemente, o mercado brasileiro.
Vale ter em mente que, no curto-prazo, as tensões elevadas na política doméstica americana e incertezas devem manter a volatilidade dos mercados alta.
Além disso, considerando que diferentes partidos assumem posturas variadas na política externa, é relevante monitorar os riscos que eles apresentam. Por exemplo, o aumento das tensões globais tende a gerar uma aversão a risco, o que não é positivo para mercados emergentes. Portanto, se um candidato é propenso a este tipo de linha, existe um risco a ser contemplado.
Tensões com a China
Realmente, as tensões entre Washington e Pequim têm abalado os mercados nos últimos meses. Por outro lado, vale ressaltar que pesquisas mostram que o eleitorado americano tem uma visão cada vez mais negativa da China, o que aumenta a disposição dos candidatos de adotar um discurso firme contra Pequim.
Então, a primeira pergunta que não quer calar: como a dinâmica EUA-China poderia mudar dependendo do resultado das eleições?
Na verdade, essa visão cada vez mais negativa da China não é apenas observada entre eleitores republicanos, mas também democratas. Portanto, caso eleito, Biden teria pouco incentivo para relaxar totalmente as tensões com a China ou remover tarifas.
No entanto, o candidato afirma que procuraria atuar de forma coordenada com aliados. E, dado seu histórico, é provável que siga uma abordagem mais institucional, o que geraria menos ruídos.
Quatro perguntas sobre Eleições Americanas
Apesar de todas as análises para diferentes cenários, viveremos essa incerteza e expectativa até meados-final de novembro. Por isso, selecionamos abaixo as “quatro grandes perguntas” sobre Eleições Americanas, para a Sol Azcune, analista de política internacional da XP Investimentos responder!
Ah, e acompanhe neste link o mercado de apostas eleitorais, que é uma das variáveis observadas por analistas por registrar oscilações na opinião pública de forma mais rápida que as pesquisas.
1. Quem é o candidato preferido do mercado?
Os candidatos à presidência dos Estados Unidos dos principais partidos do país são Donald Trump (Republicano) e Joe Biden (Democrata). No entanto, até o começo do ano ainda não era claro quem seria o candidato democrata, já que outros líderes, como os senadores Elizabeth Warren e Bernie Sanders, da ala progressista do partido, tiveram bom desempenho nas primárias.
O risco representado por esses líderes para o mercado era significativo, já que suas propostas eram consideras radicais e tinham custos muito elevados.
Joe Biden, que foi vice-presidente de Barack Obama, é considerado um candidato de centro e moderado. Para alguns investidores americanos, Biden seria a melhor escolha para presidente, já que sua abordagem mais institucional da política geraria menos ruídos que a linha adotada pelo atual líder do país.
Porém, outros preferem a continuação do governo Trump, já que Biden propõe o aumento de impostos corporativos cortados pelo atual presidente, o que afetaria diversas empresas listadas na bolsa americana.
2. Como funciona o sistema eleitoral americano? E por que isso importa?
Ao contrário do Brasil, onde a totalidade dos votos dos cidadãos é somada e o candidato com maior número de votos vence a eleição, nos Estados Unidos o voto da população não é creditado diretamente a um candidato, mas para representantes estaduais. Cada ente federativo tem um peso diferente no colégio eleitoral.
No total, são 538 votos – são precisos 270 para vencer a eleição. Sendo assim, o candidato pode perder a votação popular, mas vencer a eleição, como foi o caso para Donald Trump em 2016.
Vale destacar também que as votações nos estados não funcionam de forma proporcional, mas absoluta. Ou seja, se na Califórnia 30% do eleitorado votar por Trump, e 70% por Biden, 100% dos votos do estado (55) irão para Biden. Maine e Nebraska são a exceção a essa regra.
Ainda, vale ressaltar que a maioria dos estados são fiéis a um partido, por exemplo o Alaska vota consistentemente pelo partido Republicano, enquanto Califórnia vota consistentemente pelo Democrata.
Entretanto, há um grupo de estados, conhecidos como “swing states”, que tendem a mudar de preferência política com maior frequência. A definição desses estados é uma questão que gera debate e varia de uma eleição para outra, porém, de forma ampla, podemos afirmar que Arizona, Florida, Iowa, Michigan, Carolina do Norte, Ohio, Pensilvânia e Wisconsin são considerados “swing” nesta eleição. Eles são a chave da eleição e o “campo de batalha” para as campanhas presidenciais até novembro.
3. Como está o cenário político hoje?
Atualmente, Joe Biden lidera as pesquisas nacionais por aproximadamente 8 pontos percentuais e lidera também as pesquisas nos estados ‘swing’ mencionados anteriormente. No início do ano, Donald Trump era o favorito, mas a dinâmica eleitoral foi alterada por três fatores: a evolução do coronavírus no país, seus efeitos econômicos e os protestos contra o racismo e abusos praticados por policiais.
Em todos esses aspectos, espera-se que haja estabilidade ou melhora até a eleição. Também, Trump deve mobilizar recursos e sua base de apoio nas redes para reconquistar espaço; portanto, o cenário em novembro deve ser mais acirrado que o atual. No entanto, 80 dias parece pouco tempo para que a reação do presidente americano seja capaz de tirar Biden da posição de favorito.
4. Quais são os principais riscos a serem monitorados?
Além da disputa presidencial, é relevante para o mercado acompanhar a disputa pelo Congresso. Hoje as pesquisas apontam a um cenário em que os democratas obteriam controle tanto do Senado, quanto da Câmara dos Representantes, o que facilitaria a implementação das políticas democratas mais arrojadas.
No entanto, acreditamos que, com o acirramento da disputa até novembro, um arrebatamento democrata do Senado parece menos crível do que uma vitória de Biden. Com a disputa presidencial se acirrando, a posição dos republicanos pode melhorar no congresso.