O setor de tecnologia não sai da boca dos investidores ao redor do mundo, e por motivos óbvios:
Como podemos observar no gráfico acima, o setor é o melhor em performance neste ano turbulento de 2020. As empresas que o compõem deixaram de ser vistas como “promessas” de crescimento voluptuoso e passaram a ser consideradas “defensivas”, um lugar que antes era ocupado por companhias centenárias.
Em momentos de estresse de mercado, ações de empresas de tecnologia “fique-em-casa”, como Netflix e Zoom, vêm subindo. Isso porque são empresas onde a interação social acontece virtualmente, e não presencialmente. Logo, elas até acabam se beneficiando de uma recuperação mais “demorada”.
E o e-commerce então…
O setor representava 10% do varejo global em 2014, dobrou para 20% em 2019, e, só nesse ano, deve ter dobrado para pelo menos 40%.
Percebam que, nos parágrafos acima, classifiquei a percepção de valor das companhias: promessas, empresas de crescimento ou defensivas – esse tipo de visão muda a percepção dos investidores sobre o valor de cada empresa.
É o famigerado “valuation“. É o processo que, com base em fundamentos, define se o preço de uma determinada ação está “caro”, “barato” ou “justo”, para a capacidade de gerar valor daquela companhia – em outras palavras: vai mostrar se o investimento na empresa vale a pena ou não.
E para isso, entender o setor de que a empresa faz parte é muito importante: não podemos comparar o valor de uma varejista com uma construtora, por exemplo.
Empresas de Tecnologia
Dito isso, eu pergunto: o que é uma empresa de tecnologia?
A Amazon, uma das maiores varejistas do mundo, jé é considerada uma empresa de tecnologia. O mesmo acontece com a Disney, nascida como uma empresa de entretenimento, hoje é analisada como uma “Tech”.
Ah, e até mesmo na pouco tecnológica bolsa brasileira, o Magazine Luiza tem sido chamado por muitos de Tech, graças à revolução tecnológica que a ela tem vivido.
Pode parecer que não, mas a percepção de valor das companhias muda completamente dependendo da forma com a qual você as classifica. Como o professor Aswath Damodaran, considerado o papa do valuation, costuma dizer: “valuation é uma história contada em números”.
Ele exemplificou a diferença que essa classificação gera na percepção de valor na prática em um relatório que ensina o processo de valuation para você fazer sozinho, e utilizou como exemplo a americana Tesla: será que ela é uma montadora de veículos? Empresa de tecnologia e também uma montadora? Montadora comparável com uma das grandes “Techs”? ou devemos olhar para ela em sua individualidade, imaginando o seu melhor modelo possível como empresa?
Alavancas
Damodaran acredita que, para determinar o valor de uma companhia, é preciso enxergar valor por meio de quatro alavancas:
- Crescimento: a taxa de crescimento da receita controla quanto e com que rapidez a empresa poderá aumentar suas receitas com automóveis, software, painéis solares e qualquer outra coisa que você acredite que a empresa esteja vendendo.
- Lucratividade: A margem operacional (antes dos impostos) determina como a empresa lucrará assim que seus dias de crescimento começarem a diminuir. Como são margens operacionais, não margens brutas ou líquidas, elas representam, afinal, as despesas operacionais (custo dos produtos vendidos, VAG, etc.), mas antes de quaisquer despesas financeiras (despesas de juros).
- Eficiência do investimento: para crescer, as empresas precisam investir em capacidade, e a eficiência da realização dos investimentos é muito importante: o retorno sobre o capital investido (ROIC) deve ser maior que o custo de capital (KE) para determinar quanto de valor é gerado para o acionista.
- Risco: existem duas entradas nessa avaliação que incorporam risco. O primeiro é o custo de capital com o qual inicio a avaliação, um reflexo do risco visto pelos olhos de um investidor diversificado na empresa. O segundo é a probabilidade de falha (ou angústia), em que a empresa precisa liquidar ativos e perder o valor adicional que poderia ter gerado como uma preocupação permanente.
E cada “alavanca” dessa vai se moldar conforme a “história” que você contar para sua tese de valuation. Isso muda o resultado completamente:
No relatório de Damodaran, ele estimou cada uma das alavancas dependendo de uma “história” que queira ser contada para o valuation da Tesla: dela ser comparada com grandes montadoras de automóveis (Big Auto) – uma montadora tecnológica (Auto + Tech) – montadora que pode ser comparada com as grandes “Techs” (Auto FAANG) – ou olhando da perspectiva da companhia em seu melhor estado de indicadores (Make-your-best company / MYB)
Como podemos observar na coluna “Value/Share”, o valor por ação da empresa varia entre 105 e 2.105 dólares, dependendo de qual classe ou setor ela é comparada. Logo, a “história” contada pode te deixar otimista, pessimista ou apenas querer ficar olhando a Tesla de fora.
Mas Collazo, qual dessas “histórias” é a certa?
Isso é muito difícil de se precisar. O mercado financeiro é uma eterna discussão: para todo vendedor de um ativo, que acredita estar se “livrando” a um bom preço, existe um comprador, acreditando estar fazendo negócio a um preço barato.
Justamente dentro disso está uma discussão implícita entre os investidores. Alguns enxergam a Tesla como uma montadora de automóveis “cara”, outros como uma empresa de tecnologia “barata”.
No final, independentemente da “história” que você quer contar para cada investimento, fundamente-se. O motivo pelo qual você entrou deve explicar o porque se desfez de um investimento. Você deve “fazer a lição de casa”, não ficar à mercê de qualquer notícia ou balançada que os mercados deram e darão.
E como Damodaran conclui brilhantemente sobre a Tesla:
“Desde que vendi a Tesla por US$ 640, as ações foram à loucura, subindo acima de US$ 900 em dois dias de negociação. Não é de se surpreender que alguns de vocês tenham me perguntado se tenho algum arrependimento por vender muito cedo. Você pode não acreditar em mim, mas eu não tive.
Tomei minha decisão de comprar com base em minha “história” e avaliação da Tesla, e minha decisão de vender, pelo mesmo motivo, porque sou um investidor que acredita em valor e atua nele. Se eu abandonar essa filosofia para jogar o “jogo do momento”, um jogo em que não sou bom e não jogo muito bem, posso ganhar um pouco mais de dinheiro, mas a que custo? (…) Em um mundo onde enfrentamos divisões intransponíveis em política, religião e cultura, precisamos adicionar investimentos à mistura?
Se você ficou com seu investimento em Tesla, desejo-lhe o melhor e espero que você esteja segurando pelas razões certas, seja porque acredita que seu valor é muito maior ou porque está jogando o jogo dos preços. Se você ficou vendido e perdeu, não sinto alegria por suas perdas e não tenho vontade de fazer uma dança comemorativa. (…) No que me diz respeito, Tesla é uma empresa fascinante, mas é apenas um investimento, não uma questão de vida ou morte, e definitivamente não vale a pena perder o sono e os amigos.“
Por fim, seja agnóstico
Os fundamentos são a ferramenta mais confiável para te guiar em meio a este mercado tortuoso. Como a viagem deve ser longa, provavelmente até o fim de nossas vidas, aprender a manipular essa ferramenta é uma ótima pedida.
E se os fundamentos guiarem para investimentos que não darão certo, ou até mesmo as “histórias” que você decidir contar não forem as mais corretas, saiba mudar de opinião. Não seja um “sócio-torcedor” daquele determinado investimento, não se agarre em barco que esteja afundando, ou mesmo em aviões imaginando que chegarão à Lua.
No fim do dia, não importa você estar certo ou errado, “contar a melhor história” se comparado aos outros, mas sim, buscar o melhor retorno possível ajustado ao risco a que deseja se expor. E para isso, fazer muito bem a “lição de casa” é importante.
Matheusinho sempre me diz: “mais importante do que saber comprar determinada ação, é saber explicar o que aconteceu, caso o investimento dê errado”.
Poucas coisas são certas nessa vida. A morte é uma das certezas universais e os flamenguistas costumavam dizer que gol do Gabigol é outra (não sou flamenguista e não vou comentar o desempenho recente de nenhum jogador). Da minha parte, uma das certezas que carrego é que eventualmente vou trombar com uma nova defesa da poupança como reserva de emergência. Na semana passada, fomos impactados com o seguinte texto:
A reportagem vai atrás de especialistas muito bem-intencionados para calcular que, para um investimento de R$ 1.000 ao longo de um ano, com a Selic atual e a expectativa inflacionária do Boletim Focus, um investimento na caderneta teria um resultado “muito próximo” ao Tesouro Selic, “não compensando o trabalho de mudar” a reserva de emergência.
Perder pouco é melhor que perder muito
Sim, é verdade, tanto a Poupança quanto a LFT devem perder para a inflação em rentabilidade no próximo ano. A conta feita pela matéria em questão é que, para um investimento de R$ 1.000, em um ano, a inflação deve corroer R$ 30, a poupança vai render R$ 14 e o Tesouro, R$ 16,50, descontando o imposto de renda.
Mas e se você não precisar desse dinheiro em um ano e acabar deixando mais tempo? E se você quiser aportar mais na sua reserva de emergência (algo que você deveria fazer, diga-se de passagem, já que a reserva deve corresponder a pelo menos 6 meses dos seus gastos fixos)?
Considerando um cenário em que a Selic se mantivesse em 2% ao ano por muito tempo (improvável, mas em prol do exemplo), em 2 anos um investimento na poupança teria rendido 2,82%, contra 3,43% do Tesouro Selic, já descontando os impostos.
E a tendência é que essa diferença aumente, claro, já que, no Brasil, a renda fixa paga juros compostos: em 5 anos, o Tesouro Selic rendeu 8,8% e a poupança, 7,2%; em 10 anos, 18,6% e 14,9%, e assim sucessivamente, sempre descontando o IR.
(Observação sobre a simulação de 10 anos: os papéis do Tesouro Selic comprados diretamente via Tesouro Direto têm vencimento em 3 ou 5 anos – o que significa que não dá para “esquecer” lá por uma década. Mas investimentos em fundos DI taxa zero rendem a mesma coisa, também têm liquidez imediata e podem ser carregados indefinidamente.)
Operações suspensas? Não mais!
Em março, momento de maior estresse do mercado por conta do coronavírus, muitos investidores se viram impossibilitados de sacar seus investimentos em LFT nos momentos em que a plataforma do Tesouro Direto ficou indisponível (o que pode ocorrer quando há oscilações muito bruscas e nas taxas e preços). Ficou muito claro que fazer a reserva pelo TD poderia se tornar um problema para quem realmente tivesse urgência.
Ficou tão claro, aliás, que o Tesouro mudou as regras. No dia 13 de março, foi publicado um comunicado informando que, a partir daquele momento, os investidores podem negociar seus fundos no Tesouro Selic a qualquer momento, mesmo que as negociações dos outros títulos estejam suspensas. Menos um problema! E vale lembrar que o Trend DI Simples também não para.
Poupança antiga
Existe um único cenário em que a poupança realmente está ganhando de lavada da maioria dos investimentos – a já mítica poupança antiga.
Caso você não saiba, as regras da poupança até 3 de maio de 2012 eram outras. Quem fez investimentos em uma conta poupança antes disso* continua recebendo rentabilidade de 0,5% ao mês mais TR, o que significa 6% ao ano. Se você é um desses felizardos, não mexa nesse dinheiro agora! Está aí uma poupança que eu vou defender, mas só até que voltem a existir investimentos tão seguros quanto e mais rentáveis.
*Infelizmente, só vale para aportes feitos até essa data mesmo, então não adianta tentar colocar mais dinheiro na sua poupança antiga agora.
Esse ano teríamos mais uma Olimpíada. Só de pensar nisso já me vem a imagem daquele pênalti do Neymar que garantiu o primeiro ouro olímpico do futebol masculino brasileiro e das “corridas contra o relógio” do jamaicano Usain Bolt.

Infelizmente, em 2020 não serão distribuídas as mundialmente famosas medalhas de Ouro, Prata e Bronze… porém, os metais que as fazem estão chamando atenção de uma outra forma: no mercado financeiro.
Neste ano, estamos vendo um verdadeiro rali de preços do ouro e da prata, e uma alta – ainda que mais tímida, fazendo jus a fama de 3° lugar – do cobre. Metais preciosos estão sendo muito procurados pelos investidores ao redor do mundo.
Ontem, no Rico Matinal, o Matheusinho falou sobre os motivos:
“Juros baixos e busca por ativos reais: com a elevada liquidez, o Fed (Banco Central americano) tem a necessidade de manter os juros baixos por mais tempo até para não estressar novamente o mercado de dívidas(…).
Dada as incertezas quanto às implicações para o dólar, e a possibilidade dessa forte liquidez gerar inflação posteriormente, o investidor tem migrado para ativos que ‘teoricamente’ seriam mais atrativos que juros reais negativos: é o caso da bolsa, metais preciosos (ouro e prata)(…)”
Os preços não mentem – o gráfico abaixo vale mais do que mil palavras:

Mas qual dessas “medalhas” eu devo ter em minha carteira?
Caros 13 leitores, aqui na Rico nós gostamos do estilo “do it yourself” de investir: em vez de dar o peixe, vamos ensinar a pescar.
Antes de nos perguntamos “qual devo comprar?”, devemos entender o que são essas commodities e quais são as diferenças entre elas:
Ouro
Reserva de valor durável, de fácil manejo e transporte, não sujeito às mesmas flutuações inflacionárias do papel-moeda, e nem a catástrofes do mercado de ações.
(II) Ativo financeiro aceito internacionalmente e com facilidade para compra e venda.
(III) Em 5.000 anos de história, nada jamais pôde mudar o valor universal do ouro.
(IV) Possui valor real e tangível; é dinheiro real (como também a prata).
(V) A proporção entre a procura por ouro (demanda) e a produção de ouro (que influencia a oferta) está em ascensão à favor do ouro. A demanda é crescente, tende a continuar a ser, o que só poderá causar a valorização do metal.
(VI) O ouro era a principal moeda de quase toda a Europa, Ásia e Américas, até 1971 (também a prata, todavia em menores proporções). Ele tem passado como meio de troca (dinheiro) e reserva de valor (enriquecimento) através dos anos e das civilizações por algumas razões básicas: é raro, belíssimo, difícil de ser encontrado e os custos de mineração são elevados. É praticamente indestrutível, compacto, porém, maleável e divisível.
Prata
(I) Diferentemente do ouro, que é basicamente uma reserva de valor global, mais de 50% da demanda por prata nos últimos 5 anos foi gerada pela indústria, enquanto este número é de apenas 10% a 15% para o metal dourado. Destes 50%, 45% são para eletrônicos,20% de fotovoltaico, 9% para solda, 6% para esterilizantes e 20% para outras razões.
(II) Energia Fotovoltaica: utilizada como condutor, teve seu uso acelerado na geração de energia limpa e a demanda do setor por prata cresceu 80% nos últimos 5 anos, já representando 10% do total consumido.
(III) Equipamentos Eletrônicos: a prata é encontrada em praticamente todos os aparelhos eletrônicos existentes, e mais de 60% do consumo industrial é gerado pelos produtos eletrônicos.
(IV) Medicina: devido à sua ação antibiótica e baixa toxicidade para células animais, o metal é utilizado em loções antibacterianas, bem como para confeccionar tubos de respiradores com menor possibilidade de causar infecções nos pacientes quando estão em ventilação, além de utilização em equipamentos de raio-x e outros.
Cobre
(I) Junto com o ouro e a prata, era a base das moedas de circulação no mundo antigo. Obviamente, ele era o menos valioso destes três. Atualmente, ainda é usado na fabricação de moedas, mas geralmente na forma de liga monetária (liga metálica formada por 75% de cobre e 25% de níquel).
(II) o cobre na forma dessas ligas é muito usado em objetos de decoração, em joias, amálgamas dentários, peças para automóveis, aviões etc. Isoladamente, a sua principal aplicação é em equipamentos e sistemas elétricos, como os fios que conduzem eletricidade.
(III) Assim como a prata, o cobre tem características antivirais, propriedades que rompem o envoltório do vírus, inativando seu RNA e DNA. Por isso, pode ser utilizado em tecnologias de vestimenta, pinturas, revestimentos, componentes de construções com muita circulação de pessoas (aeroportos, metrôs, estações de trem, etc), tudo isso para combate deste e de demais vírus que podem surgir.
O que devemos concluir?
Eles são muito diferentes entre si. O ouro é uma reserva de valor, ou seja, é uma forma de você como investidor, proteger seu dinheiro do mercado.
Se você está preocupado com as eleições americanas, conflito entre EUA e China, ou mesmo acredita que teremos um ambiente de muita corrosão por conta da inflação, pode querer ter ouro na carteira. Ou mesmo por ser um metal precioso escasso no mundo: estamos falando de uma quantidade no mundo capaz de encher apenas 2,5 piscinas olímpicas. Não precisa ser o Michael Phelps para saber que isso é pouco em proporções globais. Neste caso, um pouco de ouro na carteira pode fazer sentido.
Já a prata e o cobre são diferentes: metais de uso industrial. Uma volta econômica, principalmente chinesa, pode aceleras bastante a demanda deles. Ambos estão presentes no desenvolvimento de produtos eletrônicos e possuem finalidades medicinais, o que é um tema muito em voga neste momento.
A prata ainda tem um a mais: utilização no segmento de energia renovável. Já falamos aqui no RM que o tema ESG está muito em alta: em português, ASG (Ambiental, Social e Governança corporativa).
Cada vez mais a empresas e os consumidores vão se preocupar com o “quão ESG” é aquele produto consumido, ou gerado. Pode ser um forma interessante de se expor ao tema.
Atenção na hora de vender
Mas deixo um aviso: tão importante quanto saber comprar, é saber vender.
Você estará tomando uma decisão de investimento, e terá que assumir as responsabilidades disso. Diferentemente da renda fixa, que paga juros, ou das Ações, que pagam dividendos, metais não remuneram o investidor.
Ou seja, não há outra forma de ganhar dinheiro que não a arbitragem nos preços. Isso significa que não adianta apenas “colocar o dinheiro lá e esquecer”, você terá que acompanhar e tomar a decisão de deixar de ter ou não a commodity.
E nunca se esqueça: diversificação é o último almoço grátis do mercado.
Por mais “brilhante” que seja o investimento, não concentre demais. No mercado financeiro, tomamos decisões com base nos fundamentos dos investimentos, mas não sabemos ao certo o dia de amanhã, o cenário pode mudar.
Quando você concentra demais seu dinheiro em um único investimento, se ele é afetado, você sofre ainda mais. Além de prejuízos (que não necessariamente são reversíveis), isso pode “te tirar do jogo”.
Nós estamos falando de um campeonato de pontos corridos aqui, ou seja, a cadência é a chave. Não ser eufórico demais quando o mercado estiver, ou mesmo pessimista demais quando o mercado achar que tudo vai dar errado.
Errar no tamanho de suas posições pode deixar sua carteira muito exposta a risco, que eventualmente vai te cobrar noites de sono. E pode ter certeza, o Neymar não acertou aquele pênalti sem ter dormido muito bem.
Entre adiamentos e avanços
Mercados globais amanhecem em leve alta após EUA (+0,4%) e China (+0,1%) indicarem comprometimento mútuo em honrar a Fase I do acordo comercial.
Na Europa, a bolsa avança pelo segundo dia consecutivo (+0,7%), seguindo dados de melhora na confiança das empresas na Alemanha.
E no Brasil, hoje seria o ‘big-bang day’ (pacotão de intenções do governo) mas, sem acordo sobre as medidas a serem anunciadas, a explosão cósmica foi adiada e deve ser fatiada.
Houve divergências sobre o valor do benefício a ser pago no Renda Brasil, o braço social do programa, além da falta de tempo hábil para a preparação dos atos que o oficializariam.
Não há nova data para o anúncio. Com isso, o governo lançará hoje apenas o novo programa habitacional, com foco na redução da taxa de juros para a inclusão de 1 milhão de novas famílias.
Por fim, ontem o governo prorrogou o benefício emergencial pago pelo programa de manutenção de emprego aos trabalhadores que tiveram redução de jornada ou suspensão de contratos. Ainda está aberta a definição sobre a prorrogação do auxílio emergencial.
Insight Rico: 7 mil ações da Apple de surpresa: o que fazer?
(por Paula Zogbi)
Um dia antes da Apple atingir valor de mercado de US$ 2 trilhões na semana passada, ganhou atenção na internet a história de um anônimo que herdou, inesperadamente, 7 mil ações da fabricante do iPhone que pertenciam ao seu recém-falecido avô.
A história não viralizou por acaso – ela é realmente interessante. Em 2003, esse avô investiu dinheiro na Apple com o intuito de pagar pela faculdade do neto (ou neta, não sabemos). No início daquele ano (o ano de inauguração da iTunes Store), as ações da Apple valiam US$ 14,33; hoje, elas valem mais de US$ 500.
Apesar de a internet ser um mar de ostentação, essa pessoa misteriosa não estava se gabando por ter recebido uma bolada de dinheiro de uma vez: ela queria conselhos sobre o que fazer com esses mais de US$ 3 milhões em ações.
“O que eu preciso saber é: eu devo movimentar esse dinheiro ou manter em AAPL?”, questionou o usuário “Big-Weed” no Reddit.
O que fazer com US$ 3 milhões em ações?
Muita gente vestiu a capa de conselheiro financeiro em resposta. Achei interessante a posição do usuário “AlgoWinner”, que argumentou que o herdeiro mantivesse todo o dinheiro exatamente onde está. A lógica seria seguir os passos de ninguém menos que o megainvestidor Warren Buffett, cuja empresa, Berkshire Hathaway, é uma das maiores acionistas da Maçã.
Mas o raciocínio desse conselheiro anônimo tem uma falha: sim, o “oráculo de Omaha” tem mais de 240 milhões de ações da Apple em carteira – mas sua carteira não é só isso.
Caro “AlgoWinner”, nós, da Rico, também achamos, de certa forma, que “Big Weed” deve seguir os passos de Buffett para investir a grana que recebeu. Mas isso não significa manter um percentual imenso em ações da Apple. A melhor forma de aplicar grandes quantidades de dinheiro vale para esse herdeiro, para mim, para todos os 13 leitores do Rico Matinal: diversificar.
Sim, a diversificação é para todos
Pois é, senhoras e senhores, a premissa da diversificação (“o último almoço grátis do mercado”) é totalmente democrática: ela funciona igualmente para quem tem R$ 1 mil ou para quem tem US$ 3 milhões.
O próprio Buffett tem ações da Apple, mas também investe em centenas de outras empresas e sempre tem uma parcela em renda fixa. Em 2013, ele divulgou que, quando vier a falecer, a herança da sua esposa deverá ser dividida entre um fundo de índice de ações com taxa baixa (o que já traz diversificação por si só) e títulos de dívida pública de curto prazo*.
O gráfico abaixo já apareceu outras vezes neste mesmo Rico Matinal. É a imagem que Ray Dalio, fundador e gestor da Bridgewater, usa para justificar sua tese de que ter 10 ou mais ativos descorrelacionados na carteira é o “Santo Graal” dos investimentos – a melhor maneira de garantir um retorno consistente sem grandes sustos no meio do caminho.
Os números trazidos por Dalio mostram que ativos com correlação de 60% ao longo dos anos construíram um índice Sharpe (retorno combinado ao risco) de 0,25, contra 1,25 de ativos totalmente descorrelacionados. A probabilidade de perdas financeiras é de 40% no primeiro exemplo e de 1% no último. Sim, 1%.
Em resumo, por mais que o período de bonança da Apple neste momento pareça ser eterno, nos mercados, nunca se sabe o dia de amanhã. Tenha você herdado um lote de ações, vendido um apartamento ou esteja simplesmente alocando um percentual do seu salário todos os meses, a melhor resposta nunca vai ser colocar todos os ovos na mesma cesta.
Quer saber como diversificar de acordo com o seu perfil com um mínimo de R$ 100? Conheça os fundos DNA.
*A alocação programada para a futura viúva de Buffett é de 90% em renda variável e apenas 10% em renda fixa, o que, vale destacar, é arriscado demais para a maioria dos investidores com patrimônio mais próximo da realidade do resto do mundo.
| Agenda da Semana |
| Terça-feira, 25 09h00: Brasil – IPCA-15 agosto (expec. mensal: 0,27; expec. anual: 2,33%) 11h00: EUA – Conference Board Confiança do consumidor 11h00: EUA – vendas de novas casas |
| Quarta-feira, 26 09h00: EUA – Pedidos de bens duráveis (julho) 22:30: China – lucros industriaisBrasil – Total da dívida federal |
| Quinta-feira, 27 Dia todo: Simpósio de Jackson Hole (com discurso de Jerome Powell) 09h30: EUA – PIB anualizado a.t. (ant. 0,9%) 09h30: EUA – Novos pedidos de auxílio-desemprego |
| Sexta-feira, 28 06h00: Europa – Confiança na economia, industrial, serviços e consumidor 08h00: Brasil – IGPM 09h00: Brasil – Pnad (desemprego nacional) 09h30: Brasil -Nota de crédito do BC 09h30: EUA – estoque de varejo (a.m.) 11h00: EUA – confiança do consumidorBrasil – resultado primário do governo central |
Na semana passada, fizemos uma analogia futebolística para mostrar a importância da reserva de emergência na sua carteira, colocando-a como um “goleiro” no seu time de futebol. Mas já que começamos a escalação pelo camisa 1, resolvi contar como montamos a nossa “Seleção Brasileira dos Investimentos“, indo do guarda redes até o camisa 9 “fazedor de gols”.
Se você não entende nada de futebol, fique tranquilo: o principal aqui é mostrar como é importante ter uma carteira equilibrada e diversificada. Assim como no esporte bretão, se você pensar apenas em “fazer gols” e não cuidar da sua defesa pode acabar levando uma goleada histórica (#7a1feelings).
Antes de escalar os jogadores de linha, vamos lembrar o que falamos semana passada sobre a reserva de emergência:
“Pensando na sua carteira de investimentos como um time de futebol, a reserva de emergência jamais será a estrela do time ou o “Camisa 10”. Ela está mais para um goleiro: mesmo que ele passe um jogo inteiro sem tocar na bola, é fundamental que ele esteja lá protegendo o seu gol, para que seu time fique à vontade de atacar em busca dos três pontos, digo, da rentabilidade positiva.” E como dissemos, o nosso goleiro predileto para a seleção é o fundo Trend DI Simples: tem objetivo de entregar 100% da Selic, tem taxa zero e liquidez imediata.
Agora se todos os 13 leitores desta coluna me permitem, vestirei meu chapéu de “professor Tite” e montarei a seleção brasileira de investimentos da Rico:
Zagueiros: proteção em primeiro lugar
Logo na frente do goleiro, temos os zagueiros e os laterais para reforçar a segurança. Eles possuem como foco a proteção mas são um pouco mais ‘arriscados’ que a reserva de emergência.
Escalei no miolo de zaga ativos de renda fixa pós-fixada. Aqui eu gosto de fundos de investimento como o JGP Corporate ou o Polo Crédito Corporativo. Você também pode investir diretamente em papéis como CDBs, CRIs e CRAs, mas nesse caso eu faria apenas se você não precisará fazer nenhum resgate antes do vencimento.
Nas laterais, podemos colocar defensores que também sabem atacar. Pra mim a melhor combinação são os títulos indexados à inflação, pois garantir um ganho acima da inflação e vem junto com uma taxa prefixada. São ativos que terão mais volatilidade de preço, mas se olhar para o longo prazo são excelentes opções. Gostamos aqui das Debêntures Incentivadas, que têm a vantagem de serem isentas de IR para a pessoa física. Mas certifique-se de que o emissor da debênture é de confiança – zagueiro não pode te deixar na mão.
Meio-campo: do volante ao camisa 10
Aqui é a posição mais versátil do time: temos aqueles meio-campistas que ficam mais na proteção, mas temos também o “camisa 10”, que leva a bola ao ataque e deixa os atacantes em posição de fazer o gol. Por ser uma região do campo que exige várias qualidades, nada melhor do que escalar fundos multimercados nesta zona.
Os multimercados têm licença para fazer “quase tudo” no mercado: podem investir em bolsa, renda fixa, moedas, commodities, tanto na ponta compradora quanto na vendedora (quando você lucra com a queda de preço deste ativo).
Assim como no futebol, temos os multimercados com histórico mais defensivo e os multimercados que são mais famosos por atacar. É dessa forma que vamos escalar nossa seleção, colocando os fundos mais defensivos como “volantes” e os fundos agressivos ficando mais próximo dos atacantes.
Mais atrás, eu gosto de volantes ao estilo Casemiro, que sabem muito bem defender mas também conduzem a bola ao ataque. Na Rico, eu escolheria os fundos da Absolute neste grupo – Absolute Alpha Global e Absolute Vertex. Fundos mais equilibrados, são menos ofensivos do que a média da indústria mas sabem fazer gol quando chegam no ataque.
Mais a frente, eu escalaria Legacy Capital Advisory e o Giant Darius, dois fundos bem diferentes (o primeiro é multimercado ‘raiz’, o outro é um fundo quantitativo) e por isso mesmo trazem maior diversidade de jogadas para o time. O Legacy poderia ser um camisa 10 clássico, como Ronaldinho Gaúcho ou Djalminha, enquanto o Giant Darius poderia ser um jogador mais versátil, como o Philippe Coutinho ou a nossa rainha Marta.
Ataque: teremos que escalar um ‘gringo’
Aqui estão os jogadores que vão para cima buscar a rentabilidade mais expressiva, que vão buscar sempre fazer o gol mas odeiam quando alguém grita “volta pra marcar”. Será a parcela mais arrojada da sua carteira. Nossa dupla de ataque não tem segredo: Renda Variável Brasil + Investimento Internacional (sim, vamos ter um gringo na nossa seleção canarinho).
Dentre os brasileiros, escalaria com a “camisa 9” fundos como Sharp Long Biased, Dahlia Total Return e Brasil Capital 30. Ao lado dele, o fundo Trend Bolsa Americana Dólar é uma excelente forma de diversificação, não apenas por se expor às empresas norte-americanas como também por colocar uma parcela do seu investimento em dólares.
TODOS OS FUNDOS CITADOS ACIMA ESTÃO NA PLATAFORMA DA RICO!
IMPORTANTE: a aplicação mínima inicial destes fundos vai de R$ 500 para até R$ 10 mil.Se você não tem essa quantia para montar um time diversificado, não se preocupe: os fundos da família Selection são a melhor forma de você montar uma seleção com pouco dinheiro.
Ao comprar a cota do fundo Selection, você está comprando um pedaço de uma carteira com vários outros fundos de muita qualidade. A aplicação inicial de todos eles é de apenas R$ 500.
Na defesa, coloque o fundo Selection Renda Fixa. No meio-campo, o Selection Multimercado. No ataque o Selection Long Biased e Selection Ações, junto com o Trend Bolsa Americana Dólar (que também tem 500 reais de aplicação mínima).
Conclusão:
É importante ter todos os setores do time na sua escalação, em maior ou menor proporção, conforme você for mais “retranqueiro” ou gosta mais daquele futebol arte ofensivo. Quanto mais jogadores no ataque, mais ofensivo você fica e menos protegido seu time é, vice-versa.
Na nossa visão, investimento é um “campeonato de pontos corridos”, logo a consistência nos resultados é mais importante que tentar golear todas as partidas, ou buscar o máximo de rentabilidade o tempo todo.
Gostamos de equilibrar o time, queremos conquistar os três pontos nas partidas, mas sem correr risco desnecessário e assim acabar colocando o resultado do campeonato em xeque.
Sua carteira de investimentos deveria ser um “calmante” para você na hora de dormir, e não ficar tirando seu sono. A gente já sofre pelo nosso time do coração, não precisamos sofrer também com nossos investimentos.
Esse é o Rico Matinal de hoje, relatório diário escrito pelos analistas da Rico Thiago Salomão, Matheus Soares e Lucas Collazo e disponível a todos os nossos clientes.
Seja em uma entrevista, live ou roda de amigos (quando esse tipo de evento social ainda acontecia), é quase impossível fugir da pergunta que deu origem a este Insight. Ela, que já era feita com certa frequência em tempos “normais” de mercado, tem sido A PERGUNTA a ser respondida da minha quarentena.
E a motivação para fazê-la é justa: o Ibovespa cai 30,3% desde o início do ano, sendo que empresas como IRB e Azul valem hoje um terço do que valiam ao final do ano passado. Diante disso, buscar ajuda daquela pessoa que possa te mostrar a ação que vai se multiplicar inúmeras vezes é como um instinto natural. E não conseguimos ignorar o nosso instinto: todos queremos enriquecer no menor tempo e da maneira mais fácil possível.
Mas aqui vai um conselho: não só na bolsa, como também em muitos outros negócios, você não pode se deixar levar por esse instinto. Por mais que seja possível ficar rico da noite para o dia (os jogos da Mega-Sena estão aí para provar isso), na bolsa, eventos como esse não são tão frequentes. Aliás, se alguém te vender o sonho de ficar rico da noite para o dia, desconfie. Pode até dar certo, mas é como uma aposta em um jogo de azar, a probabilidade de errar é, na maioria das vezes, maior que a de acertar.
Sabe aquela ação que caiu 70% e você vai comprá-la só por esse motivo? O fato dela ter se desvalorizado, não necessariamente é uma garantia de que ela valorizará nos meses subsequentes. Uma vez tomada a decisão de compra, saiba que ela pode sim perder mais 70% do valor da sua compra. E vale aqui uma reflexão: um investimento que perde 70% do seu valor, precisará valorizar pouco mais de 330% para voltar ao valor que tinha antes.
Respondendo à pergunta deste Insight, essa ação existe, mas ninguém sabe qual é. Tão simples quanto isso. Por mais estudo e análise que eu e o Thiago Salomão (parceiro de trabalho e amizade que vai além do mundo corporativo) possamos fazer e por mais que a gente acredite que essa ação está em nossa Carteira Rico Premium, não seria justo com vocês que estão lendo, afirmar que sabemos qual é essa ação.
Aliás, é importante vocês saberem a maneira como eu e o Thiago montamos o nosso portfólio recomendado de ações.
Não tratamos uma ação como um simples pedaço de “papel”. Uma ação representa a menor fração do capital social de uma empresa. Em outras palavras, ao tomar a decisão de comprá-la, saiba que você está comprando uma empresa, um negócio. E que por trás desse negócio, existem pessoas se esforçando todos os dias para torná-la mais eficiente e lucrativa. Negócio este que está inserido em um setor que possui as suas particularidades e concorrentes.
O setor é promissor? Quais vantagens a empresa possui perante seus concorrentes? Como que ela consegue ganhar dinheiro? Ela é lucrativa? A ação está barata ou cara? Enfim, essas são perguntas que diariamente nos fazemos sobre as empresas que temos em carteira e que buscamos saber responder ao pé da letra. E não tem segredo, quanto mais estudo e dedicação, maiores serão as chances de investir nas empresas certas. Com isso em mente, somos humildes para saber que podemos estar errados.
Daí a importância da diversificação em uma carteira de ações. Por mais que se saiba tudo sobre uma empresa, investir todo o seu dinheiro em apenas uma ação pode tirá-lo da bolsa caso algum evento inesperado aconteça (uma pandemia, por exemplo).
Um exemplo prático: esse ano tivemos CVCB3 (-68% no ano), IRBR3 (-72%) e temos AZUL4 (-70%) na carteira. Mesmo assim e por pior que seja estar negativo no ano, nossa carteira comprada de ações está caindo 28,8% no ano contra uma queda de 30,4% do Ibovespa. Em abril, avançamos 15,1% contra 10,3% do índice. Desde a criação da Carteira Rico Premium (jan/2016), estamos com mais de 53 pontos de vantagem para o Ibovespa – 136,7% da carteira vs 83,1% do índice.
Hoje a Carteira Rico Premium possui 16 ações no portfólio. Entramos na crise com uma carteira mais concentrada e, em abril, aproveitamos a queda generalizada de preços para diversificá-la mais, adicionando empresas que já gostávamos e que, em nosso ponto de vista, se desconectavam da realidade por não sofrerem impactos relevantes em seus negócios.
Uma delas foi Suzano, que sobe mais de 40% desde a nossa inclusão. Importante dizer que diminuímos bastante a nossa exposição a Petrobras e Azul. Em abril, os principais ganhos da carteira vieram de Magazine Luiza e Yduqs.
Em relação a carteira de maio, as mudanças já foram anunciadas aos nossos assinantes na última quinta-feira (30): continuamos diversificados, mas aproveitamos a recuperação parcial de preços dos ativos para fazer um pouco de caixa para eventualmente ser usado em futuras correções de mercado.
Embora seja impossível prever essas correções, “o leão que te pega é aquele que você não está vendo”.
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Para finalizar, meu último recado para quem quer montar a própria carteira:
Não é hora de apostar em um único ‘cavalo’ para surfar uma possível recuperação de preços. Embora os preços ainda estejam descontados, não da para menosprezar o fato de que as coisas pioraram por aqui: cenário de dívida do Brasil piorou com o esforço de conter a crise sanitária que vivemos, governo tem enfrentado alguns desafios políticos e ainda não sabemos como será o andamento das reformas no Congresso. Dito isso, diversificação é o segredo para passar por esse momento turbulento.
Olhando para ações: foque nas empresas capitalizadas, que já passaram por outras crises anteriores e que deverão passar por esse momento até mais fortes do que estavam.Que venha maio e toda a sua magia que, geralmente, joga contra as bolsas. Excelente mês a todos.
Esse é o Rico Matinal de hoje, relatório diário escrito pelos analistas da Rico Thiago Salomão, Matheus Soares e Lucas Collazo e disponível a todos os nossos clientes.
Há poucos dias a OMS (Organização Mundial da Saúde) decretou uma Pandemia Global em decorrência do avanço do coronavírus pelo mundo.
O Brasil -ainda- não está entre os países mais afetados pela doença, mas tudo indica que nas próximas semanas os casos irão aumentar substancialmente.
O fato é que uma crise global, independente de que país esteja sendo mais ou menos afetado, afeta drasticamente todos os mercados do mundo.
Foi o que se viu com a Bolsa de Valores brasileira, que, seguindo o mesmo comportamento das bolsas dos EUA, Europa e Ásia, despencou.
Escola de Investidores
As últimas “Escola de Investidores” foram sobre os efeitos do coronavírus no mercado.
Ricos Matinais da semana dos dias 9 a 13 de março
A seguir, compilamos os Ricos Matinais dos últimos dias com as principais informações sobre o coronavírus e o impacto que ele causou nos mercados. Leia:
“Everybody has a plan until they get punched in the mouth” A frase acima foi dita por Mike Tyson, um dos maiores lutadores norte-americanos da história, em uma entrevista que deu antes de derrotar um de seus oponentes. Na tradução livre, ele disse que “todo mundo tem um plano até levar um soco na boca”. A primeira vez que me deparei com a frase foi na leitura da carta do 1º semestre de 2018 da gestora Alaska (para quem quiser ler, segue o link da carta aqui).
Para vocês entenderam o contexto da frase, deixarei a seguir o 1 parágrafo da carta:
“Em 1987, na véspera do combate contra Tyrell Biggs, um gigante de 2 metros de altura e medalhista de ouro olímpico nos jogos de 1982, um jornalista comentou com Tyson que Biggs se gabava de ter “formulado um plano para derrotar Mike”. Biggs pretendia usar movimentação lateral e sua maior envergadura para manter o lutador menor à distância, algo que conseguiu realizar com sucesso durante o primeiro assalto e parte do segundo. A resposta de Mike Tyson ficou eternizada: “Todo mundo tem um plano até levar um soco na boca.” Ao final do segundo assalto, porém, Tyson mostrou que sua resposta ao jornalista tinha um caráter quase que profético, e cortou Biggs nos lábios com um cruzado, mudando todo o quadro do combate. A confiança de Biggs foi por água abaixo, assim como o plano que lhe havia trazido sucesso até então, e Tyson o puniu por 7 assaltos até a intervenção do árbitro. Talvez a vitória estivesse além da capacidade de Biggs, porém a falta de disciplina que ele demonstrou ao abandonar seu plano no primeiro sinal de adversidade fez com que suas chances piorassem muito.”
Nessa semana, não tenho dúvidas que nossas convicções foram extremamente testadas. Todos nós (incluindo os 13 leitores do Rico Matinal) levamos do mercado, um verdadeiro soco na boca. O Ibovespa literalmente implodiu: do fechamento de sexta passada (6) até quinta (12) ele recuou 25,9% sendo que da máxima de 119.528 pontos atingida em 23/jan a queda acumula chega a 40%.
Para vocês terem uma ideia da dimensão e rapidez do pânico que se instalou na bolsa, tivemos quatro Circuit Breakers somente nessa semana sendo que até então havíamos tido apenas 5 “CB” (sigla simpática demais para um evento tão destruidor) em toda a história do Ibovespa.
4 Circuit Breakers em uma única semana
Pra quem não sabe, “circuit breaker” é um mecanismo utilizado pela B3 que trava operações na bolsa de valores em momentos de pânico ou euforia no mercado. O intuito é esfriar os ânimos dos investidores, para que eles coloquem a cabeça no lugar e percebam se o movimento faz sentido ou se eles estão agindo sem pensar, quase que “por instinto”.
Na bolsa brasileira, ele é ativado automaticamente conforme as seguintes regras:
- nível 1: se o Ibovespa subir ou cair mais de 10% em relação ao fechamento do dia anterior, os negócios são interrompidos por 30 minutos;
- nível 2: depois disso, se ele continuar no mesmo movimento e acumular alta ou queda de 15%, os negócios são interrompidos por 1 hora;
- nível 3: novamente, se o sintoma persistir e o acumulado do dia chegar a 20%, os negócios são suspensos e só voltam quando a bolsa decidir.
Na quinta, o Ibovespa caiu 13,96% (pior pregão desde 10 de setembro de 1998), após quase tocar os 20% de queda no intraday – o que acionaria o 3º circuit breaker no mesmo dia, algo que nunca aconteceu antes.
O principal estopim para o caos se instalar nos mercados foi a percepção de que o mundo estaria entrando em recessão após os desdobramentos negativos do coronavírus combinado com a guerra de preços do petróleo capitaneada pela Arabia Saudita (maior produtor mundial) durante o fim de semana.
Olhando em retrospectiva os eventos parecem seguir o caminho que tinham que seguir e as quedas parecem fazer todo o sentido. É abrir o site de notícias, assistir aos telejornais, conversar com os amigos que pregavam o apocalipse há muito tempo, para se sentir ‘burro’ e falar para si mesmo “como eu não me antecipei” ou “era óbvio que isso poderia acontecer”. Sempre será óbvio olhando para trás, não se martirize por isso.
O que vai acontecer daqui pra frente?
Antes de tentar adivinhar o que vai acontecer daqui pra frente, é importante lembrarmos o que nos trouxe até aqui. Estamos no meio de um mar bravo em plena tempestade, mas o que posso te dizer é que mar calmo nunca fez bom marinheiro. Ainda dá tempo de se localizar e tomar o controle do barco (ou navio, dependendo da sua exposição).
Bolsa não é cassino e quem entra no mercado com essa mentalidade vai ser tratado como um “apostador” – e nesses momentos de intensos altos e baixos, esses caras tendem a sair do jogo. Bolsa é o lugar onde você pode tornar-se sócio das principais empresas do Brasil. E grandes negócios costumam sobreviver às mais severas crises, como as que estamos vivendo aqui (nem entrei aqui no mérito de que alguns negócios sequer são impactados por uma crise no petróleo e mesmo assim estão derretendo na bolsa…).
Se você entrou com os propósitos certos mas nos últimos dias acabou se perdendo em meio ao noticiário caótico, vou aqui tentar te lembrar aonde estamos. Os principais motivos que fizeram nossa bolsa chegar aos quase 120 mil pontos foram:
- Taxa de juro estruturalmente baixa: menores dispêndios com empréstimos, incentivo ao consumo, efeito aritmético positivo no valuation e migração para investimentos de risco
- Empresas “survivors”: elas não só sobreviveram à maior crise da história brasileira, como também estão mais enxutas e eficientes que no passado
- Recuperação da economia + agenda de reformas: mesmo que devagar, estamos entrando em um ciclo de retomada da economia, embalado também por reformas importantíssimas que conseguimos avançar nos últimos anos. Essa inércia tende a continuar, mesmo que ela desacelere no curto prazo.
Esses três efeitos combinados devem permitir com que as empresas entreguem maiores lucros nos próximos anos.
Aos investidores que ainda não tinham ações e têm horizonte de investimento de longo prazo (na prática, isso significa “não pretendo nem precisarei mexer nesse dinheiro pelos próximos 3 anos, pelo menos”), esta é uma excelente hora para comprar um pouco de ações. Aos que já tinham ações e possuíam um caixa destinado para aproveitar oportunidades, o momento também é muito oportuno (desde que, claro, respeite seu percentual de exposição a renda variável).
É neste momento, que encontramos grandes oportunidades de tornar-se sócio de ótimas empresas por um ótimo desconto. Mas essa frase só será “verdadeira” na cabeça de quem olha para empresas com essa visão de sócio, que pretende ficar com a empresa por anos e que não vai aplicar neste negócio um dinheiro que pode precisar no curto prazo.
Não é fácil agir contra a manada. Apenas com muito auto-conhecimento e tranquilidade emocional você fará isso. Por isso, identificar se agora é uma oportunidade ou não depende muito mais do quanto você aguenta tomar posições contrárias e arriscadas. Agora, se você não tem estômago para suportar tanta volatilidade, sugiro esperar o mar tranquilizar antes de você colocar seu barquinho n’água.
Aos novos investidores que nunca tinham visto dias voláteis na bolsa, agora vocês estão apresentados.
Esperamos que tenham tirado grandes lições desses dias e que saiam desses eventos mais fortes: se uma porrada dessas não te tira do jogo, ela certamente vai te deixar mais “cascudo” e preparado para as próximas crises – sim, outras mais virão (Hate the game, not the player).
Rico Matinal do dia 16/03 (segunda-feira)
Novos Circuit Breakers à vista?
A semana já começa carregada de notícias negativas, que estão fazendo os índices futuros americanos atingirem o limite máximo de queda de 5%, as bolsas europeias caírem 7% e o EWZ (fundo de índice negociado nos EUA que acompanha empresas brasileiras) marcar queda de 15%. Novos “Circuit Breakers” à vista? É bem provável que sim.
A notícia mais importante (e alarmante) deste fim de semana foi a ação coordenada dos Bancos Centrais para conter os impactos do coronavírus. O maior dos BCs, o Federal Reserve, anunciou um corte extraordinário de 100 pontos-base na taxa de juros dos EUA, reduzindo-a de para 0%-0,25% ao ano (por lá eles trabalham com ‘bandas’ de juros), além de também dizer que injetará US$ 700 bilhões adicionais ao plano trilionário de injeção de capital anunciado semana passada.
Se por um lado uma ação enfática do Fed mostra que eles não vão medir esforços para enfrentar os problemas de curto prazo, por outro lado todo esse imediatismo (lembrando que o Fed teria reunião nesta quarta, mas ‘antecipou’ as medidas para domingo – ou seja, nem pode esperar 3 dias para isso) passa para o mercado a sinalização de que o Fed pode “estar vendo algo que os investidores ainda não viram” (inclusive escrevemos sobre isso no Rico Matinal de semanas atrás, quando o Fed também fizera um anúncio inesperado de corte de juros).
Como “incerteza” soa como um palavrão no mercado e com os investidores já sensíveis aos acontecimentos das últimas semanas, vemos o “modo pânico” voltar às bolsas hoje.
O Salomão comentou sobre essa e outras notícias ontem a noite numa live no Instagram. Clique na imagem para assisti-la ou dê um pulo no @_salomoney antes do pregão abrir.
| Infelizmente, não foi apenas o “efeito reverso” das ações do Fed que panicou o mercado de ontem pra hoje: – Arábia Saudita pretende vender petróleo a US$ 25/barril para os clientes da Rússia, em mais uma ação no meio da “guerra de preços” que estamos vendo nesse mercado e já chacoalhou bastante as bolsas semanas atrás (caso você esteja perdido neste assunto, deixo aqui o “Stock Pills” que fizemos com o Ricardo Kazan, da Novus Capital, que em 7 minutos explicou tudo que está acontecendo neste mercado) – No Brasil, enquanto todo mundo se mobiliza para conter os avanços do coronavírus, Jair Bolsonaro foi às ruas para saldar manifestantes de ato pró-governo. Foi duramente criticado por Rodrigo Maia, Alcolumbre e outros políticos. Péssimo momento para nova instabilidade política, já que a agenda econômica de Guedes pode ficar ainda mais em segundo plano diante de tudo isso. – Ainda sobre Brasil, especula-se que o Copom vai ‘copiar’ o Fed e também não vai esperar por 4ª feira para anunciar um corte na Selic. Além disso, ele pode trazer medidas para estimular a economia e controlar o câmbio. Sobre Copom: é consenso que teremos um corte de pelo menos 50 pontos-base, mas não será surpresa se nosso BC acelerar o passo para seguir o ritmo dos BCs globais. |
| Insight Rico: Água + sabão é melhor que álcool gel (por Thiago Salomão) Meu fim de semana consistiu em consumir obcecadamente tudo que foi produzido no mercado financeiro (e fora dele também) sobre coronavírus. Serei muito sucinto pois o Resumo do Dia já foi bem completo e o dia de hoje exige gastarmos bem nossos minutos. Terminei o fim de semana com uma ideia fixa: lavar as mãos com água e sabão é mais eficaz do que usar álcool gel. E essa frase vale tanto para saúde quanto para os investimentos. Apesar da ‘modernidade’ do álcool gel, infectologistas alertam que o que de fato nos protege é a tradicional lavagem das mãos e pulsos com água e sabão (recomenda-se que lave por 20 segundos para ter proteção completa). Trazendo esse paralelo ao mercado financeiro: sou super adepto às novidades oferecidas para os investidores e quanto mais “álcool gel” (que seriam os ‘novos produtos’ oferecidos) eles tiverem, melhor. Mas a diversificação seria para mim o “lavar as mãos”, que é aquele hábito bem antigo mas que sempre funcionou – e deve funcionar para sempre. [fique a vontade de pausar a leitura e ir lavar as mãos] Agora olhando para o mercado: a leitura mais legal que fiz nesse fim de semana foi um relatório publicado pela equipe de análise da XP chamado “A crise mais rápida da história”. Os 13 minutos de leitura valem a pena, mas para os imediatistas eu deixo aqui os pontos que achei mais interessantes: – Nossa crise atual demorou 16 dias para atingir quedas superiores a 20% (limiar que caracteriza um “bear market”, ou mercado de baixa na tradução livre). Como comparação, a crise mais grave da história dos mercados, em 1929, demorou 35 dias, e a crise do subprime de 2008 (nossa última grande crise) atingiu esses patamares em 4 meses. – Comparando o comportamento do Ibovespa em outras crises, podemos dizer que as coisas podem piorar antes de melhorar. Pegando as palavras de Fernando Ferreira (estrategista-chefe da XP, que assina o relatório): “Com base nas quedas históricas passadas geradas por recessões globais, acreditamos que a Bolsa brasileira poderia cair pelo menos mais 10-15%, chegando a 62.000-65.000 pontos, caso padrões similares à crises passadas ocorra novamente.” – fazendo uma análise de múltiplo do Ibovespa, comparando os valores atuais de P/L (Preço/Lucro) e P/VP (Preço/Valor Patrimonial) com os patamares que esses múltiplos bateram nas últimas crises, a queda do Ibovespa pode ser ainda pior, podendo chegar a algo entre 50 mil e 46 mil pontos (isto se o múltiplo atual convergir para os níveis alcançados nas crises). É hora de pânico ou hora de ir às compras? O recado final do deixou do relatório é bem parecido com o que temos dito desde semana passada: para quem tem horizonte de longo prazo, muitas ações podem ter aberto oportunidades interessantes de compra (se você tiver em mente que essas empresas vão ‘sobreviver’ a essas crises). No entanto, o momento atual ainda é bem negativo e até irracional – e em tempos de irracionalidade, é nítido que os investidores perderam a percepção entre “preço de uma ação” e “valor de uma empresa”. Para refletir: preparei uma “thread” no meu twitter com as frases mais marcantes que ouvi ao longo da semana passada. Deixo o link aqui para quem não viu, espero que traga conforto aos investidores. |
Rico Matinal do dia 17/03 (terça-feira)
Comprar ou vender ações agora?
Resumo do dia: O alívio durou pouco
(por Thiago Salomão)
Como adiantamos ontem, as más notícias de domingo trouxeram mais um dia de pânico nos mercados e o Ibovespa fechou com queda de 13,9%, a 71.168 pontos, tendo acionado mais uma vez o “Circuit Breaker” durante o pregão (é o 5º desde a semana passada). Lá fora, S&P 500, Dow Jones e Nasdaq tiveram seu pior pregão da história ao caírem mais de 12%. O dólar disparou 5% e já é cotado a R$ 5,05 (no mercado futuro, ele chegou a R$ 5,10).
Nesta terça, os mercados bem que tentaram uma reação positiva, com os índices de ações americanos batendo o limite de alta de 5% no comecinho do dia, mas neste momento que escrevo as altas já eram na faixa de 1%. Governos do mundo todo se mobilizam para conter os estragos do coronavírus na economia (Trump promete ajudar companhias aéreas, países da Europa estão proibindo a venda a descoberto) e algumas notícias (ainda não confirmadas) de avanços para vacina do coronavírus começam a pipocar. Mas o grande temor de uma recessão global chegar mais rápido do que era esperado é o que está ditando o rumo dos investidores.
Como disse André Jakurski ontem: “Tudo é muito difícil de prever agora, Todo mundo que fez previsão queimou a língua. Dois meses atrás, todos os analistas garantiam que não haveria recessão nos EUA”.
No Brasil, o governo anunciou ontem o primeiro pacote oficial de estímulos econômicos para fazer frente aos efeitos negativos do coronavírus, mas a medida não parece ter animado os economistas que conversamos. O pacote totaliza R$147,3 bilhões em estímulos diretos, mas nem todas as medidas anunciadas são fontes novas de recursos, o que acaba reduzindo o alcance real do pacote. Tal frustração joga agora a responsabilidade para o Banco Central, que nesta quarta-feira deve cortar a taxa de juros em no mínimo 50 pontos-base, mas além do corte o BC deve trazer novas medidas.
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Insight Rico: Comprar ou não comprar ações agora?
Qual o risco de comprar agora?
Desde semana passada, eu e meu time temos entrado ao vivo pelo menos uma vez por dia no Instagram da Rico. E seja nos dias de pânico total ou nos dias que a bolsa se recuperou e subiu forte, a pergunta que mais recebemos é: “e aí, é hora de comprar ações?’
Serei bem direto ao ponto, então qualquer dúvida, me tragam na live que faremos hoje.
Por mais que pareçam irracionais os preços atuais de mercado, o fato é que o mercado perdeu completamente as referências para o futuro da economia: afinal, qual será o PIB global de 2020? Qual será o prejuízo nas empresas? Quais sobreviverão? Esse corte de juros provocará uma alta inflacionária nos preços? Todas essas incertezas tiraram a noção de preço sobre os ativos.
Já disse John Maynard Keynes: “mercados podem permanecer irracionais por mais tempo do que eu ou você podemos ficar solventes.“
Nossa opinião sobre o mercado de ações continua a mesma.
Temos neste momento uma excelente oportunidade para o investidor que: i) tem horizonte de investimento de loooongo prazo (3 a 5 anos, no mínimo); ii) possui reserva de oportunidade disponível para alocar em um investimento de prazo tão longo; iii) possui uma carteira diversificada em outros ativos mais defensivos (renda fixa, ouro, dólar, ativos internacionais….), pois isso lhe dará tranquilidade e flexibilidade de “correr o risco” em ativos mais voláteis.
Não se esqueçam do novo mantra do Rico Matinal: as coisas podem piorar antes de melhorar. Com base no “tamanho” das quedas em crises passadas, não será surpresa se o Ibovespa cair para até 60 mil, 50 mil ou até 40 mil pontos! Contudo, como não existe a menor garantia de que ele possa cair até lá, não vale esperar bater o “fundo do poço” para ir às compras. Se você quer comprar ações, que compre de pouco em pouco, usando gradualmente a partir de agora sua reserva de oportunidade.
Assim, se o Ibovespa cair mais, você conseguirá fazer um preço médio para baixo; e se o Ibovespa não cair mais e só subir, você já começou comprando num patamar interessante e não ficou “fora do jogo”.
Eu sei que falar é muito mais fácil do que fazer…. Por isso eu valorizo muito as 17 horas diárias que a Bovespa está fechada para refletir, ler, conversar, estudar e traçar o “plano de ação”. Fica muito mais fácil pensar quando estamos distante do olho do furacão. Duvido que comissários de bordo teriam a mesma sincronia e plenitude na hora de passar as instruções de voo se deixassem para apresentá-las na hora que o avião entrasse em turbulência
(Aliás, deixo todo meu apoio aos profissionais de companhias aéreas: se já está sendo difícil para nós, nem consigo imaginar como será para vocês daqui pra frente. O mercado muitas vezes tira nossa sensibilidade, mas não podemos esquecer que, por trás de todos os impactos financeiros e econômicos que essa crise nos trará, temos muitas pessoas que sofrerão na pele todos esses efeitos).
A conclusão que eu deixo aqui é: o mercado pode ficar louco, histérico e irracional, mas isso não significa que você tem que ficar do mesmo jeito. Sem querer entrar muito no “tecniquês”, mas lembre-se que o preço de uma ação nada mais é do que a expectativa do fluxo de caixa de uma empresa para os próximos anos trazida a valor presente por uma taxa de desconto. Neste momento, como ninguém sabe como será o futuro, é difícil prever tanto os fluxos de caixa quanto as taxas de desconto – por isso essa volatilidade enorme nos preços. Mas será que aquelas empresas “excelentes”, tanto em resultados quanto em gestão, perderão esse status quando a “Corona Crise” passar?
Rico Matinal do dia 18/03 (quarta-feira)
Quer comprar ações? Siga estes 7 passos
| Insight Rico: Os 7 passos para quem quer comprar ações (por Thiago Salomão) Ontem, os 13 fiéis leitores deste Rico Matinal (espero que todos vocês tenham sobrevivido aos dark days que vieram – e que ainda virão) leram sobre o dilema de “comprar ou não comprar ações agora”. Hoje, trago uma recomendação de como comprar neste momento, fazendo um paralelo com a última grande crise que tivemos, em 2008. Mas antes, queria compartilhar uma história muito curiosa, mostrando um personagem inusitado que pode aparecer (torço por isso, pelo menos) como um dos salvadores da pandemia do coronavírus: a Fujifilm (isso mesmo, aquela mesma, das câmeras fotográficas). A holding da empresa viu suas ações subirem 8,8% na bolsa de Tóquio, após o governo japonês recomendar o remédio Avigan para pacientes diagnosticados com coronavírus. Como uma fabricante de câmeras chegou na indústria de remédios? A empresa, fundada em 1934 e que trouxe ao mundo as primeiras câmeras digitais portáteis no final dos anos 1980, teve que diversificar seus negócios com o declínio desse mercado hoje quase inexistente. Foi quando em 2008 ela comprou, dentre várias empresas de biotecnologia, a Toyoma Chemical (que mudou de nome para Fujifilm Toyoma Chemical). Essa farmacêutica que desenvolveu o Avigan, que está sendo usada agora como testes para possível tratamento de pacientes com coronavírus. Matéria completa da Fortune está aqui. Voltando ao tema principal deste insight: como comprar ações agora? A imagem abaixo, extraída de um estudo da área de alocação da XP, diz mais que 1.000 palavras. Ela mostra o comportamento de dois investidores após a derrocada do Ibovespa de mais de 50% em 2008. O Investidor A (linha cinza) comprou tudo de uma vez em ações no meio da crise; o Investidor B (linha vermelha) comprou em pequenas partes iguais, alocando a cada 6 meses até o final de 2009. Os dois ‘bateram’ o Ibovespa no período, mas o Investidor B, mais prudente, se deu melhor: |
Um importante “disclaimer” (que no jargão bocó do mercado quer dizer “avisando isso pra não vir dizer que não avisei”): usamos a crise de 2008 aqui apenas como exemplo, não significa que a reação dos mercados agora em 2020 será igual o que vimos 12 anos atrás. E aos que não estavam no mercado em 2008: de maio até outubro de 2008 o Ibovespa derreteu de 73 mil para 29 mil pontos; a partir desse fundo até o final de 2009, o índice subiu de volta aos 65/70 mil pontos. Caímos quase 60% mas logo depois subimos mais de 100% – ou seja, quem comprou no final de 2008 foi uma “puxa” compra (não é bem ”puxa” que eu digo, mas deu pra entender). {{cta(‘fea6c7d3-251d-45d3-92f0-266be40dca22’)}} A conclusão não podia ser mais óbvia e vai em linha com o que temos dito nos últimos Ricos Matinais. Pra facilitar a mensagem, dividi em 7 passos simples para o investidor seguir neste momento: 1. Agora não é hora de ir às vendas; grandes oportunidades surgem nestes momentos… 2. … Mas essas oportunidades só valem para quem tem essa cabeça de loooongo prazo e de saber que as coisas podem piorar antes de melhorar. Já disse um tal de Warren Buffett: “se você não tem a mentalidade de comprar uma ação para ficar com ela com 10 anos, não deveria perder nem 10 minutos na bolsa”. 3. Dito isso, é muito melhor você ir comprando aos poucos, sem pressa, do que tentar acertar o “olho da mosca” (ou a parte do corpo do inseto que você preferir). 4. Já citei essa frase do Marcelo Cavalheiro, gestor da Safari Capital, e torno a repetir: “hoje pode não ser ‘o dia’ para comprar ações, mas certamente é ‘um dos dias’ para comprar. Indo de pouco em pouco, uma hora você acerta o fundo” 5. Ir de pouco em pouco é sem pressa mesmo: veja que no exemplo anterior o Investidor B demorou 6 meses para fazer a segunda compra e ainda sim ganhou mais dinheiro do que o apressado Investidor A. Podemos ter muita volatilidade no meio do caminho, mas no longo prazo as coisas tendem a se normalizar e as boas empresas e bons gestores sobreviverão a isso. 6. Reserva de Emergência não é “dinheiro para comprar ações”. Deixe esse dinheiro paradinho lá, mais do que nunca ela tem chances de ser usada para emergência. Use reserva de oportunidades ou ‘caixa’ para isso. 7. Não podia faltar o principal: evite contatos sociais, lave as mãos com água e sabão por 20 segundos (álcool gel não limpa totalmente as mãos) e coloque a mão na frente do rosto ao tossir e espirrar (e lave-as depois). “Ok, me convenceu. Mas quais ações ou fundos de ações comprar?” Temos nossas recomendações na área logada da Rico, mas responderei com prazer estas duas perguntas na nossa “dupla live” hoje no Instagram da Rico às 17h e a partir das 18h. Bom pregão. Rico Matinal do dia 19/03 (quinta-feira) O que fazer em um mercado “disfuncional”? Resumo do dia: Ibovespa -40% em 2020 (por Thiago Salomão) Ibovespa caiu 10,35% ontem e fechou a 66.895 pontos, enquanto o dólar comercial disparou para R$ 5,19 (+3,92%). A queda foi bem mais forte do que nas bolsas americanas, que caíram entre 4% e 6% ontem. A explicação pode estar na falta de sintonia entre governo e congresso (governo começou chamando a crise do coronavírus de histeria e menos de 24 horas depois anunciou calamidade pública) e na preocupação com os impactos oriundos das medidas emergenciais anunciadas – em São Paulo, por exemplo, o governador João Doria decretou o fechamento de shopping centers até 30 de abril. Com isso, a queda do Ibovespa já supera 40% em 2020. Praticamente nenhuma ação está se salvando, conforme levantamento abaixo feito pela XP. Obs: o levantamento não traz as companhias aéreas Gol e Azul, que caem cerca de 80%. Ontem o governo anunciou três medidas para ajudar as aéreas: (i) o adiamento do recolhimento de tarifas de navegação aérea, (ii) adiamento da cobrança de outorga das concessionárias de aeroportos sem incorrer em multa e (iii) a extensão do prazo para reembolso de passageiros. Embora as medidas (i) e (ii) não sejam tão representativas nos custos totais, a medida (iii) pode ser uma fonte de alívio. Nesta quinta, mercados operam bem voláteis, tendo começado o dia com quedas tímidas de 1% mas agora já acelerando as perdas (por aqui, o Ibovespa Futuro já recua 5%). De novidade, o BCE (Banco Central Europeu) anunciou um programa de compra de ativos de 750 bilhões de euros, acima do limite preestabelecido para afrouxamento monetário na Zona do Euro, e a presidente do BCE afirma que banco fará o que for necessário. O petróleo Brent sobe 5% hoje, após ter caído 15% e atingir US$25/barril, seu menor patamar em 17 anos, refletindo a guerra de preços anunciada no final de semana retrasado pela Arábia Saudita (sim, a crise não se trata apenas aos efeitos do coronavírus). No Brasil, o governo anunciou o segundo conjunto de medidas para combater os efeitos do coronavírus, que melhorou em relação ao primeiro conjunto anunciado, mas ainda parece aquém do tamanho da urgência na área da saúde e da desaceleração econômica em curso. Ao que tudo indica, o governo ainda parece reticente em avançar no gasto fiscal, apesar da flexibilização do primário decorrente da oficialização do estado de calamidade pública. Insight Rico: O que fazer em um mercado “disfuncional”? (por Thiago Salomão) Se um dos 13 leitores daqui acompanhou o Macro Pickers (episódio do Stock Pickers com gestores multimercados) com os gestores da XP Asset e da Ibiuna pode ver que as duas tinham alguns pontos de vistas diferentes sobre o mercado. Ontem, estivemos em contato com gestores de cada uma dessas casas e foi curioso notar que ambos usaram a mesma palavra para definir o estado atual do mercado: disfuncional. Ontem, pelo instagram da Rico, o gestor do XP Macro, Bruno Marques, disse: “mercado está disfuncional, ele não está ‘se achando’, não tem conseguido encontrar preços pra diversas coisas. Estamos vendo um problema de liquidez muito grande”. Já o gestor da Ibiuna, Mario Torós, que esteve em call com assessores da XP Investimentos, fez uma comparação da crise atual com a de 2008 para explicar o status atual do mercado: “Em 2008 o capital que parou, mas agora o foi o trabalho que parou. Obviamente com o trabalho parando, o capital também para, por isso que os mercados estão disfuncionais.” Esse “ineditismo” que tem sido a grande questão levantada por muitos gestores para explicar por que há uma incerteza tão grande sobre o que virá daqui para frente. A crise atual, antes de ser econômica, é uma crise humanitária. Os mesmos antídotos usados em 2008 (cortes de juros + injeção de liquidez), quando a crise foi originada pelo próprio mercado, surtirão efeito agora que a crise tem como consequência o confinamento das pessoas em casa? No longo prazo, as coisas tendem a se normalizar. A normalização gradual das coisas na China (onde tivemos ontem “zero novos casos” do coronavírus) e outros países da Ásia mostra que sim, nós venceremos isso. O problema é que, mesmo sabendo do final, teremos que assistir a todo este filme. Na China, foram cerca de 2 meses entre as primeiras medidas do governo e o controle da situação. Não podemos simplesmente replicar essa janela de tempo para o Ocidente pelas diversas diferenças culturais e de amostragem populacional, mas já nos traz uma noção de quanto tempo as coisas podem piorar antes de melhorar (pra não deixar de usar a frase mais ouvida hoje em dia no mercado financeiro). “Salomão, faltou responder a pergunta do título da newsletter!” Eu sigo com o mesmo discurso: tenha uma carteira diversificada em ativos de diferentes classes e deixe uma reserva de oportunidade disponível para fazer aportes graduais em ações – como recomendamos no Rico Matinal de ontem. Agora, só pra mudar um pouco o discurso, colocarei aqui também o que o Mario Toros disse ontem no call, quando perguntaram pra ele qual o melhor ‘hedge’ (proteção) que uma pessoa física pode ter agora: “hoje só existe um hedge para pessoa física: caixa. Qualquer hedge pode ir para um lado, o mercado está disfuncional.” [Quando falamos de ‘caixa’, nos referimos a investimentos extremamente seguros e com altíssima liquidez. Na Rico, nossa recomendação são os fundos Trend Pós-Fixado FIRF Simples.] Rico Matinal do dia 20/03 (sexta-feira) Comprando ações no “dia em que a Terra parou” Resumo do dia: Lave bem as mãos antes de se empolgar (por Thiago Salomão) Mercados sobem forte pelo segundo dia consecutivo, sequência que não acontece desde a semana pré-Carnaval. Bolsas da Europa sobem mais de 5% e futuros americanos avançam entre 2,5% e 3% enquanto escrevo e o Ibovespa Futuro abriu com alta de mais de 8%. Esse otimismo dos mercados é motivado por uma série de notícias que não sinalizam que o pior já passou, mas que dão esperanças de que venceremos essa crise: Estudos publicados em revistas acadêmicas dos EUA, China e França apontam que as drogas cloroquina e hidroxicloroquina, atualmente usadas no tratamento da malária e de doenças reumatológicas, apresentaram resultados promissores na inibição do novo coronavírus. No entanto, foram feitos testes em apenas 20 humanos e, por isso, existe um logo caminho de experimentos até que ela seja liberada para o novo uso. Mesmo assim, já há pacientes brasileiros que testaram positivo e que tiveram a droga prescrita. Segundo dia seguido sem novos casos de coronavírus na China Novos estímulos de Bancos Centrais: ontem, o BC da Inglaterra cortou os juros para 0,1% ao ano e elevou sua compra de títulos da dívida britânica para 645 bilhões de libras. Os preços do petróleo Brent sobem 4% nessa manhã, após terem avançado mais de 20% ontem, após comentários de Donald Trump sobre intervir na negociação entre Arábia Saudita e Rússia caso não cheguem a um acordo para acabar com a guerra de preços em curso. No Brasil, o Ministério da Economia anunciou ontem a antecipação de 25% do benefício do seguro-desemprego às pessoas que recebem até 2 salários mínimos e tiverem redução salarial e de jornada de trabalho – expectativa é de que R$ 10 bilhões sejam gastos com a medida. Também foi anunciado o reforço do atendimento virtual do INSS e comunicado que as agências manterão plantão reduzido apenas para orientações e esclarecimentos. Além disso, o Senado deve aprovar hoje, por meio de votação eletrônica, o decreto reconhecendo a calamidade pública que permite ao governo colocar em prática as medidas de enfrentamento à crise provocada pelo coronavírus e no Congresso, já há movimentação para ampliar os efeitos de parte das medidas anunciadas pelo Ministério da Economia até aqui, como a ampliação do valor do voucher para trabalhadores informais. Mas, os problemas ainda são grandes. Ontem, em teleconferência com a XP, o secretário do tesouro, Mansueto de Almeida, foi muito claro quanto aos impactos fiscais que o Brasil deverá sofrer neste ano: “resultado fiscal desse ano será pior do que o que estava estimado na meta. (…) Claramente vamos ter uma nova perda de receita. O que está acontecendo esse ano vai impactar o fiscal de todos os países do mundo, o importante é que esse impacto fique restrito a esse ano. Vai ter um boletim para o mercado poder acompanhar o acompanhamento de despesas, mas não me preocupa o tamanho do deficit esse ano. Um dos erros do combate a crise de 2008/09 foi transformar uma ação temporária que virou uma concessão de benefícios permanentes, por isso está muito vigilante e vai deixar muito claro no relatório do tesouro nacional o acompanhamento.“ Conclusão: vamos vencer essa guerra, mas não é pra se empolgar, é muito cedo para achar que as coisas serão resolvidas rapidamente. Deixo abaixo o estudo que o JP Morgan fez sobre como a epidemia se espalhou na Europa e indicando que o pico de casos de coronavírus no Brasil deve vir ainda entre 6 e 20 de abril. Para quem tem uma visão de longo prazo, algumas coisas já estavam aparecendo como boas oportunidades e essas reações no curto prazo mostram que já tem gente enxergando isso e comprando. Estando empolgado, não se esqueça de lavar suas mãos antes de ir às compras. Insight Rico: Comprando ações no “dia em que a Terra parou” (por Matheus Soares) [Já adianto que esse Rico Matinal ficou MUITO longo (estou imaginando o Salomão me xingando mentalmente por isso), mas quero trazer uma análise bem profunda sobre o impacto em cada setor da bolsa] No auge da década de 70, o cantor e compositor baiano Raul Seixas, um dos precursores do Rock Nacional, perseguido político na Ditadura Militar e um dos grandes ‘gênios’ que o país já teve, lançou a música “O dia em que a terra parou”. Não é tão difícil viajar nas músicas dele, mas essa, em especial, é no mínimo curiosa diante dos tempos difíceis que estamos vivendo. Observe como os versos rimam com os dias atuais: Sendo ele profeta ou não, a verdade é que no mundo todo, empregado, patrão, pobre, rico, branco, preto ou amarelo, todos estão sofrendo com a situação. Algumas cidades do Brasil, felizmente, ainda não foram atingidas pela ‘peste invisível’, mas a observarmos por São Paulo, coração financeiro do Brasil, o fluxo de pessoas nas ruas diminuiu consideravelmente diante da exponencial capacidade de transmissão do vírus. A Europa passa por uma crise sem precedentes após o surto pegar em cheio vários de seus países e, principalmente, a Itália. Nos EUA, à medida que o vírus se alastra, Nova York parou. Diferentemente do que Raul Seixas ‘profetizou’, não é que as pessoas combinaram de não sair de casa, elas simplesmente são obrigadas a não saírem. Essa crise já está sendo considerada uma das piores senão a pior que o mundo já enfrentou, uma vez que não envolve somente riscos financeiros, mas sim riscos relacionados à saúde das pessoas, o que deixa muita gente preocupada e com medo. Em entrevista à CNBC, Ray Dalio, gestor da Bridgewater Associates, o maior Hedge Fund do mundo, soltou: “o que está acontecendo nunca aconteceu em nossa vida antes. O que aconteceu foi que [a crise] não veio dos lugares habituais, ela não veio da maneira convencional que as viradas costumar vir”. Nem Dalio, muitas vezes citado em nossos Ricos Matinais, se salvou nessa crise: seus fundos chegaram a perder 20% neste ano. No Brasil, o rápido aumento no número de casos de coronavírus já tem provocado o ‘efeito shutdown’, com fechamento de escolas, eventos, shoppings e comércios. Diante dessa difícil realidade e visto que ao longo da semana falamos com vocês sobre os motivos para comprar bolsa ‘aos poucos’, traremos a seguir uma análise detalhada sobre o que olhar em uma empresa e as peculiaridades de cada setor nesse momento. A análise foi extraída do relatório setorial completo feito pela XP Investimentos nessa semana Ok, quero comprar uma ação, qual eu escolho? Você não está comprando só um pedaço de papel, atrás de uma ação existe uma empresa. Muitas ações caíram entre 60 e 80%, mas saiba o que essa empresa faz e como ela pode ser impactada pelo coronavírus. Veja a seguir como os impactos econômicos gerados pela paralisação de muitas atividades e restrições na circulação de pessoas e mercadorias, afetam os principais setores da bolsa: (i) companhias aéreas: seja a turismo ou a trabalho, a verdade é que as pessoas estão sendo obrigadas a não viajarem. Como a maior parte dos custos dessas companhias é fixo, ou seja, dívidas foram tomadas, aviões comprados e os funcionários contratados, a não ocorrência de viagens continuará corroendo o caixa da empresa. Para piorar, a forte alta do dólar, que nessa semana furou a barreira dos R$ 5,10 prejudica o setor visto que 35% do custo das aéreas é dolarizado. Sem ganhar dinheiro e tendo em vista que elas têm conta para pagar, o cenário pode ficar caótico. Calibre o risco que o setor trará com o tamanho da participação que você destinará a ele dentro da sua carteira. (ii) varejo: em momentos como esse as pessoas priorizam o consumo básico em detrimento de gastos que podem ser postergados (compra de geladeiras, celulares, móveis, roupas por exemplo), além do que a própria redução do tráfego nas lojas diminui o número de vendas. Com o mundo fechando as fronteiras e restringindo viagens, podemos ter eventuais problemas no abastecimento das lojas, em função de possíveis rupturas na cadeia de suprimento de algumas indústrias (especialmente eletrônicos). Por outro lado, o varejo farmacêutico ganha relevância, principalmente pela busca por itens básicos de saúde (remédios e produtos de higiene pessoal). Empresas mais expostas ao e-commerce podem passar com menores sustos pelo caminho. (iii) bancos: a solidez do setor bancário, que está capitalizado, faz dele defensivo em cenários de estresse. Contudo, são eles que fornecem crédito às empresas pequenas, médias e grandes. Se o Brasil para, as empresas postergam investimentos impactando assim a expansão da carteira dos bancos com o risco de muitas empresas não honrarem seus pagamentos. Além disso o menor consumo também leva a uma desaceleração nas receitas de serviços tais como conta corrente, anuidade de cartões, transferências e adquirência. (iv) energia elétrica e saneamento básico: o impacto do coronavírus nesses segmentos é marginal, uma vez que são bens que todos continuarão consumindo mesmo em quarentena. É claro que se as grandes fábricas, shoppings e aeroportos fecharem, o setor será impactado, mas enxergamos eles entre os que menos serão impactados em suas operações pela pandemia do coronavírus, tendo em vista que suas receitas são reguladas. No caso dos setores de geração e transmissão de energia, as receitas praticamente não estão ligadas à atividade econômica. Já no caso da distribuição, poderia haver algum impacto caso houvesse interrupção das atividades dos setores comercial e industrial, embora não acreditemos que esse ainda seja o caso. (v) commodities: é o setor que mais sofre com a perspectiva de queda do crescimento econômico global, justamente porque são as empresas que fornecem os insumos para o crescimento. Podemos separá-lo em diferentes segmentos: petrolífero, mineração, frigoríficos, celulose. Como o preço da commodity independe da sua análise (vide o que aconteceu com o petróleo após a Arábia Saudita oferecer desconto e dizer que elevará a sua produção) o peso dela dentro da sua carteira deve estar ajustada ao risco que você quer correr. Agora que você sabe como os setores serão impactados, é fundamental que você escolha empresas que vão conseguir superar a crise. Para aumentar as suas chances de acerto, é importante se atentar ao endividamento e necessidade de pagamento (ou liquidez) de cada empresa separadamente. Vamos aos três principais indicadores de sustentabilidade financeira: 1) Níveis de alavancagem O nível de rentabilidade e resultado operacional das empresas melhorou bastante nos últimos anos: no relatório, a XP traz que “desde 2015, as empresas do Ibovespa tiveram uma redução de endividamento superior a 7,0 dívida liquida/EBITDA (baixos preços de commodities pressionaram esse índice) para 2,5x atualmente. Mais precisamente, a partir de 2016 com a queda dos juros e a melhora gradual econômica e a recuperação das commodities, as margens operacionais (EBITDA) das empresas do Ibovespa melhoraram de 12% em 2015 para 22% em 2019”. Contudo, em um cenário de queda abrupta no consumo e forte recuo dos preços de algumas commodities que deverão impactar a geração de caixa das empresas e consequentemente o pagamento de suas dívidas, acreditamos que os níveis de endividamento devem aumentar nos próximos meses. Veja como exemplo Suzano e Klabin, que são empresas de endividamento elevado. Nos próximos dois anos Suzano tem R$ 9 bilhões em vencimentos de dívida (com caixa de R$12,5 bilhões) e Klabin tem R$3 bilhões em vencimentos (com caixa de R$9,7 bilhões); {{cta(‘fea6c7d3-251d-45d3-92f0-266be40dca22’)}} 2) Liquidez Corrente O segundo risco é de uma menor capacidade de honrar pagamentos de dívidas com vencimento para 2020 e 2021. “Neste ponto, vale observar individualmente as empresas que apresentam caixa menor do que o montante a ser pago da dívida no curto prazo, dado que a capacidade de geração de caixa e flexibilidade de pagamentos são pontos positivos nesse cenário e variam para cada uma. Isso pode levar a condições piores de refinanciamento (rolagem) dessas dívidas, dado as condições mais difíceis no mercado de crédito.”, diz o relatório Vamos lembrar que as grandes empresas listadas em bolsa dificilmente devem vir a ter problemas de liquidez e refinanciamento das suas dívidas. Esse risco potencialmente será maior para companhias privadas e menores, que têm acesso mais restrito ao mercado de crédito. Isso até poderia fazer as empresas listadas ganharem participação de mercado num cenário mais complexo de crédito. A seguir, seguem dois exemplos dentro do setor de varejo: Magazine Luiza, com exposição relevante no segmento online (50% das vendas totais), e Via Varejo, com maior exposição ao varejo físico (mais impactado). Magazine Luiza: com índices de alavancagem (Dívida Líquida/Ebitda) negativo de -3,0x, ou seja a Magalu tem 3x o seu Ebitda em caixa (Magazine Luiza), é a empresa o balanço mais sólido do setor, com uma posição de caixa líquido de R$ 3,9 bilhões. Via Varejo: apesar do índice de alavancagem relativamente baixo (0,7x), a empresa possui cerca de R$ 1,7 bilhão em dívidas bancárias vencendo no curto prazo e uma posição de caixa de R$ 1,4 bilhão. Porém, no 3T19 ela tinha uma posição de recebíveis de cartão de crédito no valor de R$ 1,4 bilhão, que podem ser descontados e gerar liquidez imediata para a companhia, sendo superior as dívidas de curto prazo. Além disso, ressaltamos que a companhia apresenta outros passivos no montante de R$ 4,4 bilhões, dos quais R$1 bilhão é referente a fornecedores convênio e R$3,4 bilhões a passivos de carnê. Existem também contrapartidas equivalentes no ativo via estoque e contas a receber, mas veja que a situação é mais delicada do que a de Magazine Luiza. 3) Dívidas em dólares O dólar em forte alta pressiona ainda mais empresas com endividamento ou custos atrelados à moeda. Mesmo as companhias que são exportadoras tendem a sofrer no curto prazo já que o balanço é ajustado com o câmbio de fechamento de trimestre, enquanto o fluxo de receitas demora até se ajustar ao novo patamar cambial. Por exemplo, o setor aéreo, conforme dissemos na parte setorial: Parte relevante das obrigações de companhias aéreas consiste em contratos de arrendamento de aviões, que por sua vez possuem um prazo atrelado à vida dos jatos e pagamentos de periodicidade anual. Essas obrigações são denominadas em dólar. Sem considerar o efeito do hedge (proteção), praticamente a totalidade da dívida das companhias, entre arrendamento e empréstimos, é atrelada ao dólar. Elas podem ‘quebrar’? Sim, não à toa ambos Azul e Gol caem quase 80% no ano, embora a alavancagem de ambas esteja controlada (Azul 3,3x e Gol 2,4x) quando comparadas a 2015 (Gol bateu 11x), caso a demanda cesse por completo, os custos fixos e as dívidas podem tornar a operação de ambas inviáveis. Será que as autoridades deixariam isso acontecer um ano após a quebra da Avianca, outra cia do setor? Acho difícil, mas vamos aos números. No final de 2019, a Azul possuía uma dívida bruta de R$ 15,6 bi, caixa e aplicações de R$ 1,7 bi ou R$ 4,3 bi se somarmos contas a receber e aplicações de longo prazo. Entre 2020 e 21, o montante a pagar entre arrendamentos e amortizações somava ~37% da dívida total. Já a Gol possuía uma dívida bruta de R$ 15,0 bi, caixa e aplicações de R$ 2,9 bi ou R$ 4,3 bi se somarmos contas a receber e aplicações de longo prazo. Entre 2020 e 21, o montante a pagar entre arrendamentos e amortizações somava ~42% da dívida total. Uma frase (meio trágica, mas real) que ouvi de um gestor e se encaixa no caso das aéreas: “Você não precisa correr mais rápido do que o leão, você precisa correr mais rápido que a pessoa que está correndo do leão”. O Rico Matinal ficou longo, mas o recado final que eu gostaria de falar é: se você souber o que está comprando e os riscos embutidos, a chance de sua carteira de ações passar imune a essa situação apocalíptica é grande. Lembrando de uma frase muito dita pelo Florian Bartunek, da Constellation: “não há mal que sempre dure, nem bem que nunca se acabe”. Bom pregão a todos. |
| Esse é o Rico Matinal de hoje, relatório diário escrito pelos analistas da Rico Thiago Salomão, Matheus Soares e Lucas Collazo e disponível a todos os nossos clientes. |
Extras: resumo da live com Marcio Appel: acompanhamos ontem pela manhã uma live feita pela XP com Marcio Appel, gestor da Adam Capital. Appel foi um dos poucos gestores que conseguiram passar bem por essas últimas semanas de caos no mercado e nesta live ele explicou como conseguiu isso e o que espera para o mercado. Enviei um resumo da live para a lista de transmissão do Stock Pickers no Telegram. Se você ainda não faz parte é só clicar aqui e entrar gratuitamente.
Ainda sobre Stock Pickers: preparamos um conteúdo especial para esta semana. Teremos novas lives e episódios especiais para falar sobre a “Corona Crise”. O primeiro episódio será uma conversa com os gestores que ganharam (ou perderam pouco) dinheiro nestes dias de caos. Muita gente boa (inclusive o Appel) vai participar dessa edição.
Resumo do dia: O alívio durou pouco
(por Thiago Salomão)
Como adiantamos ontem, as más notícias de domingo trouxeram mais um dia de pânico nos mercados e o Ibovespa fechou com queda de 13,9%, a 71.168 pontos, tendo acionado mais uma vez o “Circuit Breaker” durante o pregão (é o 5º desde a semana passada). Lá fora, S&P 500, Dow Jones e Nasdaq tiveram seu pior pregão da história ao caírem mais de 12%. O dólar disparou 5% e já é cotado a R$ 5,05 (no mercado futuro, ele chegou a R$ 5,10).
Nesta terça, os mercados bem que tentaram uma reação positiva, com os índices de ações americanos batendo o limite de alta de 5% no comecinho do dia, mas neste momento que escrevo as altas já eram na faixa de 1%. Governos do mundo todo se mobilizam para conter os estragos do coronavírus na economia (Trump promete ajudar companhias aéreas, países da Europa estão proibindo a venda a descoberto) e algumas notícias (ainda não confirmadas) de avanços para vacina do coronavírus começam a pipocar. Mas o grande temor de uma recessão global chegar mais rápido do que era esperado é o que está ditando o rumo dos investidores.
Como disse André Jakurski ontem: “Tudo é muito difícil de prever agora, Todo mundo que fez previsão queimou a língua. Dois meses atrás, todos os analistas garantiam que não haveria recessão nos EUA”.
No Brasil, o governo anunciou ontem o primeiro pacote oficial de estímulos econômicos para fazer frente aos efeitos negativos do coronavírus, mas a medida não parece ter animado os economistas que conversamos. O pacote totaliza R$147,3 bilhões em estímulos diretos, mas nem todas as medidas anunciadas são fontes novas de recursos, o que acaba reduzindo o alcance real do pacote. Tal frustração joga agora a responsabilidade para o Banco Central, que nesta quarta-feira deve cortar a taxa de juros em no mínimo 50 pontos-base, mas além do corte o BC deve trazer novas medidas.
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Insight Rico: Comprar ou não comprar ações agora?
Qual o risco de comprar agora?
Desde semana passada, eu e meu time temos entrado ao vivo pelo menos uma vez por dia no Instagram da Rico. E seja nos dias de pânico total ou nos dias que a bolsa se recuperou e subiu forte, a pergunta que mais recebemos é: “e aí, é hora de comprar ações?’
Serei bem direto ao ponto, então qualquer dúvida, me tragam na live que faremos hoje.
Por mais que pareçam irracionais os preços atuais de mercado, o fato é que o mercado perdeu completamente as referências para o futuro da economia: afinal, qual será o PIB global de 2020? Qual será o prejuízo nas empresas? Quais sobreviverão? Esse corte de juros provocará uma alta inflacionária nos preços? Todas essas incertezas tiraram a noção de preço sobre os ativos.
Já disse John Maynard Keynes: “mercados podem permanecer irracionais por mais tempo do que eu ou você podemos ficar solventes“
Nossa opinião sobre o mercado de ações continua a mesma.
Temos neste momento uma excelente oportunidade para o investidor que: i) tem horizonte de investimento de loooongo prazo (3 a 5 anos, no mínimo); ii) possui reserva de oportunidade disponível para alocar em um investimento de prazo tão longo; iii) possui uma carteira diversificada em outros ativos mais defensivos (renda fixa, ouro, dólar, ativos internacionais….), pois isso lhe dará tranquilidade e flexibilidade de “correr o risco” em ativos mais voláteis.
Não se esqueçam do novo mantra do Rico Matinal: as coisas podem piorar antes de melhorar. Com base no “tamanho” das quedas em crises passadas, não será surpresa se o Ibovespa cair para até 60 mil, 50 mil ou até 40 mil pontos! Contudo, como não existe a menor garantia de que ele possa cair até lá, não vale esperar bater o “fundo do poço” para ir às compras. Se você quer comprar ações, que compre de pouco em pouco, usando gradualmente a partir de agora sua reserva de oportunidade.
Assim, se o Ibovespa cair mais, você conseguirá fazer um preço médio para baixo; e se o Ibovespa não cair mais e só subir, você já começou comprando num patamar interessante e não ficou “fora do jogo”.
Eu sei que falar é muito mais fácil do que fazer…. Por isso eu valorizo muito as 17 horas diárias que a Bovespa está fechada para refletir, ler, conversar, estudar e traçar o “plano de ação”. Fica muito mais fácil pensar quando estamos distante do olho do furacão. Duvido que comissários de bordo teriam a mesma sincronia e plenitude na hora de passar as instruções de voo se deixassem para apresentá-las na hora que o avião entrasse em turbulência
(Aliás, deixo todo meu apoio aos profissionais de companhias aéreas: se já está sendo difícil para nós, nem consigo imaginar como será para vocês daqui pra frente. O mercado muitas vezes tira nossa sensibilidade, mas não podemos esquecer que, por trás de todos os impactos financeiros e econômicos que essa crise nos trará, temos muitas pessoas que sofrerão na pele todos esses efeitos).
A conclusão que eu deixo aqui é: o mercado pode ficar louco, histérico e irracional, mas isso não significa que você tem que ficar do mesmo jeito. Sem querer entrar muito no “tecniquês”, mas lembre-se que o preço de uma ação nada mais é do que a expectativa do fluxo de caixa de uma empresa para os próximos anos trazida a valor presente por uma taxa de desconto. Neste momento, como ninguém sabe como será o futuro, é difícil prever tanto os fluxos de caixa quanto as taxas de desconto – por isso essa volatilidade enorme nos preços. Mas será que aquelas empresas “excelentes”, tanto em resultados quanto em gestão, perderão esse status quando a “Corona Crise” passar?
Esse foi o Rico Matinal de hoje, relatório diário escrito pelos analistas da Rico Thiago Salomão, Matheus Soares e Lucas Collazo e disponível a todos os nossos clientes.
| Esse é o Rico Matinal de hoje, relatório diário escrito pelos analistas da Rico Thiago Salomão, Matheus Soares e Lucas Collazo e disponível a todos os nossos clientes. |
( Thiago Salomão, Matheus Soares e Lucas Collazo)
Ibovespa deve abrir em queda nesta terça-feira (18), após a Apple ter anunciado na noite de ontem que não irá atingir o lucro esperado para o ano e alertar que as fábricas chinesas estão retomando produção de celulares mais lentamente que o previsto. O anúncio surpresa veio em um dia que praticamente todas as bolsas globais (incluindo o Ibovespa, que fechou em alta de 0,8% aos 115.309 pontos) reagiram positivamente à expectativa de estabilização do Coronavírus e de medidas da China e outros países para conter o efeito econômico do vírus.
Diante disso, os principais índices futuros dos EUA (Nasdaq, S&P500 e Dow Jones) caem entre 0,4% e 0,7% na volta do feriado, enquanto as bolsas europeias recuam 0,5%. O petróleo também recua abaixo dos US$ 52 após quatro dias seguidos de alta.
A notícia parece ter dado ‘susto’ em um mercado que parecia ignorar os efeitos negativos que o vírus poderia gerar na economia global (tanto as bolsas americanas quanto europeias bateram suas máximas históricas na semana passada). Embora o pessimismo esteja no ar, acreditamos que epidemias certamente afetam a economia no curto prazo, mas assim como em outros surtos, elas não mudarão a tendência de longo prazo do mercado.
No Brasil, três notícias no radar:
1) o Ministério da Economia avalia criar uma ‘via rápida’ para privatizações no que seria uma forma de acelerar o processo de venda de estatais e bens do governo federal,
2) liderados por Rodrigo Maia, partidos de centro lançaram ontem uma campanha publicitária em favor da reforma tributária e,
3) Banco Central deve propor uma mudança na legislação que permita que um mesmo imóvel seja dado em garantia em mais de um financiamento, medida que pode resultar na injeção de cerca de R$ 500 bilhões no mercado de crédito no longo prazo.
Lembrete: hoje teremos gravação do Stock Pickers especial com a presença de alguns clientes da Rico na plateia.

Insight Rico: Dessa vez Maradona és mejor que Pelé
(por Lucas Collazo & Thiago Salomão)
Nós (eu, Salomão e Math) gostamos muito de futebol, acredito que dá para perceber pelo número de vezes que fizemos paralelos com entre esse esporte e o mercado. Tamanha é nossa paixão que um dia desses estávamos discutindo sobre a peculiar fórmula do futebol argentino para um time ser rebaixado: lá, um time é rebaixado pelo resultado médio dos últimos 3 anos, diferentemente do Brasil, onde os 4 piores do campeonato são rebaixados pelo resultado do último ano.
Odeio ter que dar o braço a torcer para os nossos “hermanos”, mas se o mercado de fundos de investimentos fosse um campeonato de futebol, o regulamento argentino seria muito melhor do que o brasileiro.
Por que isso? No Brasil, não importa se o seu time foi campeão ano passado. Se neste ano ele terminar o campeonato entre os 4 últimos colocados, é Série B na certa. Trazendo isso para o mundo dos fundos: seria como analisar apenas o resultado dos últimos 12 meses do fundo para decidir se ele é um bom investimento ou não.
Na Argentina, a janela de 36 meses te impede de cair nos modismos do mercado de observar apenas as janelas de curto prazo, o que muitas vezes pode te fazer tomar decisões equivocadas. Não à toa, o Ranking de Fundos do InfoMoney utiliza uma metodologia muito mais complexa do que apenas os “12 meses” de rentabilidade.
Nesta metodologia, os vencedores da categoria melhores fundos de ações em 3 anos foram: 1° Real Investor, 2° Brasil Capital e 3° Equitas Selection. Aliás, nosso querido @Salomoney estará nesta quarta-feira, mediando o painel de premiação entre eles no Hotel Unique. Ainda dá para garantir seus ingressos clicando aqui.
Mas voltando para os “12 meses”: recentemente eu fiz um Fund Pickers criticando justamente a seleção de fundos por rentabilidade nos últimos 12 meses, clique aqui para ler.
Talvez mais importante que o prêmio em si foi a metodologia usada, que focou justamente nos 36 meses, porém destrinchando em pesos diferentes em cada semestre. Não vou entrar no detalhe (até porque a InfoMoney já fez isso muito bem, clique aqui), mas quero destacar essa tabela:

O que podemos concluir na hora de analisar um fundo:
1. Fundo pequeno é “café com leite”
Fundos com patrimônio reduzido têm mais facilidade para se movimentar, explorar momentos de curto prazo, investir em papéis que tem pouca liquidez (como ações de empresas muito pequenas, por exemplo). Isso distorce um pouco a percepção sobre os fundos, pois o que hoje supostamente é uma “vantagem”, com o ganho de tamanho pode se tornar uma “propaganda enganosa”, por isso são excluídos da relação dos candidatos do ranking.
2. Retorno é importante, mas o risco também!
Já falamos sobre isso aqui no Rico Matinal, a importância do Índice Sharpe: se você não leu, responda aqui que eu te mando.
3. Retorno Absoluto
Já diria o mestre Dadá Maravilha: “não existe gol feio, feio é não fazer gol”. No final das contas, investidor quer saber quanto que ele colocou no bolso. Resultado absoluto é importante, mas só se você levar em conta o tamanho do fundo e a “eficiência” do retorno dele em relação ao risco
4. Longo prazo é importante, mas o curto não se despreza
É muito importante analisar janelas mais longas, porém as janelas curtas são importantes para que você não caia em fundos que entregaram grandes retornos no passado, mas hoje não performam mais e mesmo assim possuem um retorno histórico bom. As janelas mais curtas te mostram melhor como está a realidade atual do fundo.
Eu compartilho no detalhe análises de fundos que faço e recomendo “meus fundos prediletos” na comunidade da Carteira Rico Premium, ainda não é um assinante? Clique aqui e assine.
Esse é o Rico Matinal de hoje, relatório diário escrito pelos analistas da Rico Thiago Salomão, Matheus Soares e Lucas Collazo e disponível a todos os nossos clientes.

Nesta quinta, mercados operam bem voláteis, tendo começado o dia com quedas tímidas de 1% mas agora já acelerando as perdas (por aqui, o Ibovespa Futuro já recua 5%). De novidade, o BCE (Banco Central Europeu) anunciou um programa de compra de ativos de 750 bilhões de euros, acima do limite preestabelecido para afrouxamento monetário na Zona do Euro, e a presidente do BCE afirma que banco fará o que for necessário. O petróleo Brent sobe 5% hoje, após ter caído 15% e atingir US$25/barril, seu menor patamar em 17 anos, refletindo a guerra de preços anunciada no final de semana retrasado pela Arábia Saudita (sim, a crise não se trata apenas aos efeitos do coronavírus). No Brasil, o governo anunciou o segundo conjunto de medidas para combater os efeitos do coronavírus, que melhorou em relação ao primeiro conjunto anunciado, mas ainda parece aquém do tamanho da urgência na área da saúde e da desaceleração econômica em curso. Ao que tudo indica, o governo ainda parece reticente em avançar no gasto fiscal, apesar da flexibilização do primário decorrente da oficialização do estado de calamidade pública. Insight Rico: O que fazer em um mercado “disfuncional”? (por Thiago Salomão) Se um dos 13 leitores daqui acompanhou o Macro Pickers (episódio do Stock Pickers com gestores multimercados) com os gestores da XP Asset e da Ibiuna pode ver que as duas tinham alguns pontos de vistas diferentes sobre o mercado. Ontem, estivemos em contato com gestores de cada uma dessas casas e foi curioso notar que ambos usaram a mesma palavra para definir o estado atual do mercado: disfuncional. Ontem, pelo instagram da Rico, o gestor do XP Macro, Bruno Marques, disse: “mercado está disfuncional, ele não está ‘se achando’, não tem conseguido encontrar preços pra diversas coisas. Estamos vendo um problema de liquidez muito grande”. Já o gestor da Ibiuna, Mario Torós, que esteve em call com assessores da XP Investimentos, fez uma comparação da crise atual com a de 2008 para explicar o status atual do mercado: “Em 2008 o capital que parou, mas agora o foi o trabalho que parou. Obviamente com o trabalho parando, o capital também para, por isso que os mercados estão disfuncionais.” Esse “ineditismo” que tem sido a grande questão levantada por muitos gestores para explicar por que há uma incerteza tão grande sobre o que virá daqui para frente. A crise atual, antes de ser econômica, é uma crise humanitária. Os mesmos antídotos usados em 2008 (cortes de juros + injeção de liquidez), quando a crise foi originada pelo próprio mercado, surtirão efeito agora que a crise tem como consequência o confinamento das pessoas em casa? No longo prazo, as coisas tendem a se normalizar. A normalização gradual das coisas na China (onde tivemos ontem “zero novos casos” do coronavírus) e outros países da Ásia mostra que sim, nós venceremos isso. O problema é que, mesmo sabendo do final, teremos que assistir a todo este filme. Na China, foram cerca de 2 meses entre as primeiras medidas do governo e o controle da situação. Não podemos simplesmente replicar essa janela de tempo para o Ocidente pelas diversas diferenças culturais e de amostragem populacional, mas já nos traz uma noção de quanto tempo as coisas podem piorar antes de melhorar (pra não deixar de usar a frase mais ouvida hoje em dia no mercado financeiro). “Salomão, faltou responder a pergunta do título da newsletter!” Eu sigo com o mesmo discurso: tenha uma carteira diversificada em ativos de diferentes classes e deixe uma reserva de oportunidade disponível para fazer aportes graduais em ações – como recomendamos no Rico Matinal de ontem. Agora, só pra mudar um pouco o discurso, colocarei aqui também o que o Mario Toros disse ontem no call, quando perguntaram pra ele qual o melhor ‘hedge’ (proteção) que uma pessoa física pode ter agora: “hoje só existe um hedge para pessoa física: caixa. Qualquer hedge pode ir para um lado, o mercado está disfuncional.” [Quando falamos de ‘caixa’, nos referimos a investimentos extremamente seguros e com altíssima liquidez. Na Rico, nossa recomendação são os fundos Trend Pós-Fixado FIRF Simples.] Rico Matinal do dia 20/03 (sexta-feira) Comprando ações no “dia em que a Terra parou” Resumo do dia: Lave bem as mãos antes de se empolgar (por Thiago Salomão) Mercados sobem forte pelo segundo dia consecutivo, sequência que não acontece desde a semana pré-Carnaval. Bolsas da Europa sobem mais de 5% e futuros americanos avançam entre 2,5% e 3% enquanto escrevo e o Ibovespa Futuro abriu com alta de mais de 8%. Esse otimismo dos mercados é motivado por uma série de notícias que não sinalizam que o pior já passou, mas que dão esperanças de que venceremos essa crise: Estudos publicados em revistas acadêmicas dos EUA, China e França apontam que as drogas cloroquina e hidroxicloroquina, atualmente usadas no tratamento da malária e de doenças reumatológicas, apresentaram resultados promissores na inibição do novo coronavírus. No entanto, foram feitos testes em apenas 20 humanos e, por isso, existe um logo caminho de experimentos até que ela seja liberada para o novo uso. Mesmo assim, já há pacientes brasileiros que testaram positivo e que tiveram a droga prescrita. Segundo dia seguido sem novos casos de coronavírus na China Novos estímulos de Bancos Centrais: ontem, o BC da Inglaterra cortou os juros para 0,1% ao ano e elevou sua compra de títulos da dívida britânica para 645 bilhões de libras. Os preços do petróleo Brent sobem 4% nessa manhã, após terem avançado mais de 20% ontem, após comentários de Donald Trump sobre intervir na negociação entre Arábia Saudita e Rússia caso não cheguem a um acordo para acabar com a guerra de preços em curso. No Brasil, o Ministério da Economia anunciou ontem a antecipação de 25% do benefício do seguro-desemprego às pessoas que recebem até 2 salários mínimos e tiverem redução salarial e de jornada de trabalho – expectativa é de que R$ 10 bilhões sejam gastos com a medida. Também foi anunciado o reforço do atendimento virtual do INSS e comunicado que as agências manterão plantão reduzido apenas para orientações e esclarecimentos. Além disso, o Senado deve aprovar hoje, por meio de votação eletrônica, o decreto reconhecendo a calamidade pública que permite ao governo colocar em prática as medidas de enfrentamento à crise provocada pelo coronavírus e no Congresso, já há movimentação para ampliar os efeitos de parte das medidas anunciadas pelo Ministério da Economia até aqui, como a ampliação do valor do voucher para trabalhadores informais. Mas, os problemas ainda são grandes. Ontem, em teleconferência com a XP, o secretário do tesouro, Mansueto de Almeida, foi muito claro quanto aos impactos fiscais que o Brasil deverá sofrer neste ano: “resultado fiscal desse ano será pior do que o que estava estimado na meta. (…) Claramente vamos ter uma nova perda de receita. O que está acontecendo esse ano vai impactar o fiscal de todos os países do mundo, o importante é que esse impacto fique restrito a esse ano. Vai ter um boletim para o mercado poder acompanhar o acompanhamento de despesas, mas não me preocupa o tamanho do deficit esse ano. Um dos erros do combate a crise de 2008/09 foi transformar uma ação temporária que virou uma concessão de benefícios permanentes, por isso está muito vigilante e vai deixar muito claro no relatório do tesouro nacional o acompanhamento.“ Conclusão: vamos vencer essa guerra, mas não é pra se empolgar, é muito cedo para achar que as coisas serão resolvidas rapidamente. Deixo abaixo o estudo que o JP Morgan fez sobre como a epidemia se espalhou na Europa e indicando que o pico de casos de coronavírus no Brasil deve vir ainda entre 6 e 20 de abril. Para quem tem uma visão de longo prazo, algumas coisas já estavam aparecendo como boas oportunidades e essas reações no curto prazo mostram que já tem gente enxergando isso e comprando. Estando empolgado, não se esqueça de lavar suas mãos antes de ir às compras. Insight Rico: Comprando ações no “dia em que a Terra parou” (por Matheus Soares) [Já adianto que esse Rico Matinal ficou MUITO longo (estou imaginando o Salomão me xingando mentalmente por isso), mas quero trazer uma análise bem profunda sobre o impacto em cada setor da bolsa] No auge da década de 70, o cantor e compositor baiano Raul Seixas, um dos precursores do Rock Nacional, perseguido político na Ditadura Militar e um dos grandes ‘gênios’ que o país já teve, lançou a música “O dia em que a terra parou”. Não é tão difícil viajar nas músicas dele, mas essa, em especial, é no mínimo curiosa diante dos tempos difíceis que estamos vivendo. Observe como os versos rimam com os dias atuais: Sendo ele profeta ou não, a verdade é que no mundo todo, empregado, patrão, pobre, rico, branco, preto ou amarelo, todos estão sofrendo com a situação. Algumas cidades do Brasil, felizmente, ainda não foram atingidas pela ‘peste invisível’, mas a observarmos por São Paulo, coração financeiro do Brasil, o fluxo de pessoas nas ruas diminuiu consideravelmente diante da exponencial capacidade de transmissão do vírus. A Europa passa por uma crise sem precedentes após o surto pegar em cheio vários de seus países e, principalmente, a Itália. Nos EUA, à medida que o vírus se alastra, Nova York parou. Diferentemente do que Raul Seixas ‘profetizou’, não é que as pessoas combinaram de não sair de casa, elas simplesmente são obrigadas a não saírem. Essa crise já está sendo considerada uma das piores senão a pior que o mundo já enfrentou, uma vez que não envolve somente riscos financeiros, mas sim riscos relacionados à saúde das pessoas, o que deixa muita gente preocupada e com medo.