Ontem, a página de humor do mercado financeiro (que inclusive eu adoro), Faria Lima Elevator, fez a seguinte postagem:

Sim, investimentos que acompanham a taxa de juros, teoricamente sempre positiva (pelo menos enquanto o Brasil for Brasil), pode ter variação negativa. Inclusive, muitos investidores da Rico notaram esse comportamento nos seus investimentos recém realizados no Tesouro Direto Selic 2025.

Mas Collazo, ele não é ótimo como reserva de emergência? Como assim resultado negativo?

Caros 13 leitores, primeiramente vamos recapitular como funciona a remuneração destes títulos. O Tesouro Selic remunera seu investidor a uma taxa pós-fixada de 100% da Selic, acrescida de uma pequena taxa prefixada ao ano (bruto de imposto de renda). Como podemos observar abaixo:

Essa segunda “taxinha” varia conforme algumas expectativas do mercado. Basicamente, semana passada teve leilão do Tesouro e o mercado pediu prêmio, ajustando a “taxinha”.

Na renda fixa, a variação da taxa de retorno – que acontece em todos os títulos que possuem alguma taxa prefixada – leva à variação do preço do papel.

Então você está me dizendo que a renda fixa varia? Bem como o Tesouro Selic?

Sim! Exatamente. Nossos 13 leitores já sabem disso de “cor e salteado”, mas nunca é demais relembrar. Porém, sobre o Tesouro Selic, não se preocupe, como essa taxa é muito pequena, essa variação também é extremamente baixa e rara. 

Mesmo assim, quando acontece, a mudança na rentabilidade (no caso negativa) do Tesouro Selic dura pouquíssimo tempo. Estou falando literalmente de alguns dias de investimento para que a rentabilidade volte para o campo positivo. Para você entender isso melhor, vou fazer um exemplo prático e real abaixo:

Como podem ver, quem comprou o Tesouro Selic 2025 no primeiro dia útil deste ano, teve que esperar 3 dias para que o preço de resgate do título ficasse maior que o preço de entrada deste investidor no papel.

Aliás, falando em curto prazo, movimentações de resgate não são recomendadas em menos de 30 dias. Durante o primeiro mês de investimento, além da tributação tradicional do imposto de renda seguindo a tabela regressiva, que neste caso você pagaria a maior alíquota possível (22,5%), você também pagaria o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), que também é regressivo e fica isento a partir do trigésimo dia de investimento:

O que podemos concluir?

O Tesouro Selic pode ter rentabilidade negativa, porém durante um curtíssimo período de tempo. Tempo esse, que em caso de resgate, coloca o investidor numa situação de tributação gigantesca (IR + IOF), o que não é recomendado de ser feito.

O “Selicão da massa” continua sendo a melhor opção para reserva de emergênciaComo ele é emitido pelo governo, tem o menor risco de crédito possível.

Sem falar da rentabilidade, que deixa os “poupançudos” na saudade:

(leia com a voz do Galvão Bueno): 

De verde nós temos ele, o campeão da reserva de emergência, Tesouro Selic, e em azul claro, o “poupançudo”.

Ai fica fácil para o investidor brasileiro escolher meus amigos e minhas amigas, não tem pra ninguém, tem que respeitar essa camisa!

“Novo normal” é uma expressão que já deu o que tinha que dar. Primeiro porque tudo o que é repetido exaustivamente acaba ficando sem significado. Em segundo lugar porque vem sendo usada para fazer previsões que simplesmente não temos como cravar – convenhamos, impossível saber como vai ser o padrão de consumo online quando todos se sentirem seguros para sair nas ruas, por exemplo.

Mas neste Insight nós vamos falar sobre um novo normal que provavelmente ainda vai durar muito tempo no Brasil: as taxas de juros baixas.

Calma, não estamos falando que os 2% ao ano da Selic, mantidos ontem pelo Copom, ficarão aqui para sempre – esperamos que fiquem até o fim deste ano, mas no ano que vem a taxa já deve subir aos poucos, até chegar a 3% ao final de 2021. O que queremos deixar claro é que acabaram os tempos de taxas de juros de 2 dígitos, e temos que saber investir nesse cenário para não ficarmos presos no “velho normal”.

Não mude a Reserva de Emergência de lugar

Como falamos no último pós-Copom, a sua reserva de emergência vai continuar rendendo 2% ao ano por ora, porque o dinheiro da sua proteção contra imprevistos precisa de liquidez diária e risco baixo. Você só encontra o que é necessário hoje no Tesouro Selic e em fundos DI taxa zero, como o Trend DI Simples. CDBs de liquidez diária têm um certo risco a mais, porque o FGC pode demorar para pagar de volta os investidores caso o pior aconteça com a instituição.

Mas a renda fixa ainda é viável para construção de patrimônio: basta tomar um pouco mais de risco de crédito, liquidez e/ou mercado. Com um pouco menos de incerteza sobre o cenário durante e pós-coronavírus, já dá para arriscar um pouco mais nesse sentido.

O crédito privado ainda tem excelentes oportunidades para você ganhar dinheiro no mercado e deve voltar a trazer novas emissões com o tempo – ainda que os spreads tenham caído consideravelmente, como podemos ver no gráfico do Idex, da JGP, abaixo:

Para surfar essa onda sendo conservador, fundos como o XP Top Crédito privado fazem parte das nossas recomendações. Ele diversifica em ativos de crédito com foco em baixo e médio risco de crédito. Quem topa tomar mais risco pode escolher o fundo de fundos Selection FIC FI Renda Fixa CP LP, que busca investir nos melhores fundos de Renda Fixa disponíveis no mercado, mas pode carregar títulos de risco arrojado em algumas estratégias. 

Quando falamos em indexação, preferimos hoje os ativos indexados ao IPCA, que protegem o investidor da inflação. Não é de agora que vemos uma preocupação forte com o aspecto fiscal do país e o temor da dívida pública aumentar demais. Tudo isso pode ser inflacionário, e a renda fixa prefixada não dá conta de garantir a manutenção do seu poder de compra. Os fundos Trend Inflação Curta e Trend Inflação Geral são bons veículos. 

E a renda variável?

E, como nós também já falamos antes, os juros atuais mexem com o mercado de renda variável. Vale lembrar que a Selic baixa estimula o consumo, mas também facilita a tomada de crédito e permite que empresas façam investimentos mais vantajosos e consigam crescer de forma mais saudável financeiramente – tudo isso pode se traduzir em alta das ações.

Fora isso, CDI mais baixo também é apetite maior do investidor para renda variável. Além do potencial de valorização, em 2021, dezenas de empresas devem pagar dividendos mais altos que a própria Selic (AES Tietê, Santander, Engie e Banco de Brasil, por exemplo, devem pagar não só acima dos 2% mas mais de 4x os 2%, com rendimento acima de 8%) – isso sem falar nos fundos imobiliários, que, não à toa, chegaram à marca de 1 milhão de investidores esse ano após fechar 2019 em 645 mil. 

O ponto é: com a Selic a 2% ao ano (e mesmo que chegue a 3% no fim de 2021, como esperamos), a Bolsa continua sendo um investimento muito atrativo. Vale também lembrar que ela é composta pelas melhores empresas do mercado, com poder de consolidação e crescimento, se diferenciando fortemente das empresas da “economia real”. Ontem falamos aqui sobre as “queridinhas” dos gestores e analistas do mercado – para saber quem faz parte da liga das estrelas da Bolsa, acesse a nossa Seleção All-Star clicando aqui.

Além disso, só de pensarmos na migração de renda fixa para renda variável pelos próprios investidores brasileiros, há um potencial de R$1 trilhão de fluxo – dos R$7,0 trilhões investidos em Renda Fixa, quase R$1 trilhão estão na poupança, enquanto os fundos Multimercados e Fundos de Pensão brasileiros, seguem com uma alocação em Bolsa abaixo da histórica.

Resumo do dia: É mais que Copom, é Super Quarta

Após uma série de “desencontros”, as reuniões de políticas monetárias do Copom (Comitê de Políticas Monetárias do banco central brasileiro) e do Fomc (Federal Open Market Committee, equivalente no Fed, dos EUA) ocorrem no mesmo dia novamente. No caso, esse dia é hoje – e quando isso acontece, chamamos de Super Quarta.

A expectativa é que as duas reuniões mantenham as taxas de juros inalteradas (no caso do Brasil, acreditamos que a Selic deve ficar em 2% a.a. até o final deste ano). Mas o que o mercado aguarda com maiores expectativas são os comunicados que as duas autoridades monetárias publicarão em seguida das reuniões (15h no caso do Fed e por volta das 18h15 por aqui).

Eu, Betina, Collazo e uma convidada especial estaremos ao vivo às 18h45 no YouTube da Rico para comentar a decisão do Copom.

Com os olhos voltados para as decisões, mercados amanhecem em alta nas principais bolsas mundiais: EUA sobe cerca de 0,4% e Europa, 0,5%. Os investidores também esperam estimativas atualizadas para PIB, desemprego e inflação nos Estados Unidos e a fala da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

No país do futebol, um cartão vermelho: ontem, o presidente Jair Bolsonaro aumentou as preocupações sobre a relação entre ele e sua equipe econômica ao enterrar o Renda Brasil e dar um “cartão vermelho” a quem sugerisse desindexar benefícios. Mais tarde, o ministro Paulo Guedes disse que a ameaça não foi para ele, o que amenizou um pouco o clima e permitiu que o Ibovespa fechasse estável (+0,02%). 

Segundo a imprensa, agora existe a possibilidade de que o Congresso tente puxar para si a responsabilidade de buscar novas fontes de financiamento para ampliar o Bolsa Família e assim evitar uma queda brusca na popularidade do presidente depois do fim do auxílio emergencial. Nesta semana, a aprovação do presidente superou a reprovação pela primeira vez desde maio de 2019, segundo a pesquisa XP/Ipespe. 

Insight Rico: All-Star Rico, a Liga das ações preferidas da Bolsa

(por Betina Roxo) 

No basquete, o All-Star Game, também conhecido como Jogo das Estrelas, é o evento que coroa o final da temporada da NBA trazendo o mais alto nível do basquete para a quadra. 

O jogo foi criado em 1951 e a escolha dos titulares é feita mediante votação: 50% vem do público, 25% da mídia especializada e 25% dos próprios jogadores/técnicos da liga.
 
Os cinco mais votados de cada conferência (Leste e Oeste) são os titulares e o atleta mais votado vira o capitão, que seleciona os titulares entre os outros 8 atletas mais votados (quatro da Conferência Oeste e quatro da Conferência Leste), além dos reservas.

Ou seja, são os melhores jogadores da liga juntos, lado a lado, dando um verdadeiro show. Qualquer técnico gostaria de ter estes jogadores em seus respectivos times, e isso nos deu uma ideia…

All Star da Rico

Aqui no “centro de treinamento” da nossa área de análise da Rico pensamos: quem seriam as “All-Stars” da bolsa, as ações que todos os investidores adorariam ter?

Justamente pensando nisso, lançamos a seleção de ações All-Star Rico focada na opinião da mídia especializada e dos jogadores e técnicos do nosso mercado: os analistas de ação e os gestores de fundos que investem em ações.

Muito melhor do que uma simples carteira recomendada em um PDF, oferecemos um grupo selecionado de empresas que passou pelos critérios minuciosos de grandes fundos para montarem suas posições. Também consideramos as recomendações dos analistas do mercado, especialistas nas empresas e seus respectivos setores, que com uma abordagem fundamentalista, visam um horizonte de 6-12 meses.

Assim, as empresas dessa carteira representam as posições que acreditamos ser a nata das companhias da bolsa, o filé mignon, o creme de lá creme, enfim, as grandes estrelas das empresas brasileiras – de cada mês porque essa cesta (no caso, não de basquete) será atualizada mensalmente.

A estratégia dessa Seleção é usar um conjunto de critérios quantitativos para identificar as empresas queridinhas aos olhos de quem mais entende. Durante os estudos, fizemos diversos testes até chegar nesta estratégia. A combinação final de parâmetros resultou em um prêmio de 7% ao ano sobre o Ibovespa desde 2018.

Além disso, adicionamos detalhes das mesmas e recomendações técnicas para quem quer se posicionar no curto prazo.Bom caros/as 13 leitores/as, vocês já devem estar super curiosos/as para saber quais são essas empresas, né? Abaixo, abro a exposição média dos fundos em cada setor, mas vou dar só um gostinho das ações que entraram na nossa seleção esse mês, que conta com 26 papéis. Alguns deles são: Vale, Natura, Localiza, CESP, Hapvida e Marfrig.

Para saber qual a posição no ranking de cada All-Star e/ou conhecer o resto dessa seleção, você precisa se tornar assinante! A Vale por exemplo está entre as Top 10 preferidas dessa lista e hoje eu estarei na live mensal do XP Long Term às 17h, onde também falaremos sobre a empresa. Segundo Rodrigo Furtado, gestor do XP Long Term, os acionistas de Vale devem se beneficiar ao longo dos próximos anos do restabelecimento da política de dividendos e dos bons preços do minério de ferro. Nos vemos lá? Além disso, o pacote All-Star Rico dá direito a lives exclusivas, atualizações semanais dos nossos analistas técnicos e outros materiais que vão te ajudar a conhecer melhor as empresas mais queridinhas da bolsa.

Agenda da Semana
Quarta-feira, 1
609h30: EUA – Vendas no varejo de agosto (exp: 1%; ant: 1,2%)
09h00: Brasil – IPCA anual (exp: 2,5%; ant: 2,3%)
15h00: EUA – Declaração do FOMC
15h00: EUA – Taxa-alvo de fundos Fed (exp: 0,25%; ant: 0,25%)
18h00: Brasil – Decisão da taxa de juros Selic (exp: 2%; ant: 2%)
23h30: Japão – Decisão da taxa de juros (exp: -0,10%; ant: -0,10%)
Quinta-feira, 17
06h00: Europa –  IPC anual de agosto (exp: -0,2%; ant: -0,2%)
08h00: Reino Unido – Decisão da taxa de juros (exp: 850 mil; ant: 884 mil)
09h30: EUA – Pedidos iniciais por seguro-desemprego (exp: 0,2%; ant: 0,6%)
Sexta-feira, 18
03h00: Reino Unido – Vendas no varejo de agosto (exp: 0,7%; ant: 3,6%)

Ontem, a Paula “Zogby” (não falem para ela que eu contei o apelido interno) fez uma excelente introdução para o tema que está no “hype” do mercado atualmente: as práticas ESG (sigla em inglês que significa Ambiental, Social e Governança corporativa). Ela propôs a leitura de ontem acompanhada da música ABC do grupo Jackson 5, mas como hoje teremos o ESG no “hard mode”, recomendo a leitura de hoje com esta música.

Sim, ESG são números. Mas como assim Collazo? Antes de mais nada, e como a Zogbuy sempre diz, “vamos dar um passo para trás” nesse tema junto com o trecho do insight dela de ontem:

Vamos destrinchar a sigla: (E) os fatores ambientais são, entre outros, uso de recursos naturais, emissões de gases de efeito estufa (CO2, gás metano), eficiência energética, poluição, gestão de resíduos e efluentes.

(S) Os sociais passam por políticas e relações de trabalho, inclusão e diversidade, engajamento dos funcionários, treinamento da força de trabalho, direitos humanos, relações com comunidades, privacidade e proteção de dados.

(G) Por fim, governança tem a ver com independência do conselho, política de remuneração da alta administração, diversidade na composição do conselho de administração, estrutura dos comitês de auditoria e fiscal, ética e transparência.”

Ou seja, ESG é basicamente um conjunto de práticas que as companhias tomam em prol do ecossistema que elas estão inseridas. Pensando não apenas no resultado de curto prazo, mas também na longevidade do negócio a médio e longo prazo.

Aqui chegamos no primeiro ponto que eu gostaria de tocar: como ESG é um conjunto de práticas, não é um evento binário, não existe o termo “sou ou não ESG”, é uma escala. No Brasil, as empresas de capital aberto se preocupam muito com a governança corporativa, por exemplo, que está dentro deste conceito de sustentabilidade – ainda que o conceito de ESG em si esteja dando os primeiros passos nacionalmente.

Efeito disso foi a “Seleção ESG”, lista feita pela XP Investimentos, das 10 empresas brasileiras mais bem ranqueadas no MSCI ESG Rating, o índice que classifica as empresas em seu conjunto de práticas ESG de 0 até 10, dentro do universo de cobertura dos analistas do grupo:

O segundo ponto que eu gostaria de desmistificar é esse aqui: “ESG é ‘bonitinho’, mas não dá resultado”. Alguns investidores pensam desta forma, e abaixo mostro que essa ideia está completamente equivocada.

 Ações americanas (preto) vs Ações americanas com alto-grau ESG (amarelo):

Ações europeias (preto) vs Ações europeias com alto-grau ESG (amarelo):

 Ações emergentes (preto) vs Ações emergentes com alto-grau ESG (amarelo):

Ações brasileiras (preto) vs Ações brasileiras com alto-grau ESG (amarelo):

Ibovespa (principal índice de ações brasileiras) vs ISE (índice de sustentabilidade empresarial):

ESG não é apenas um conjunto de práticas preocupadas com o ecossistema no qual a companhia está inserida – também pode significar mais resultado para o investidor que escolhe empresas que as praticam.

E, se na cultura dos fundamentos dos ativos, o preço, ou seja, pagar mais barato por algo que tenha mais valor lá na frente, é o que importa, podemos dizer que o ESG gera valor para as corporações.

Na Rico, temos algumas opções de investimento neste tema: o fundo Trend ESG Global e o Trend ESG Global Dólar (com variação cambial), dão acesso a 3 fundos de índice negociados em bolsa. Um que é dedicado a empresas americanas, um de empresas de países desenvolvidos ex-EUA, e um de emergentes. Todos os índices investem apenas em empresas com alto grau ESG.Ambos são utilizados nas nossas recomendações de carteiras.

Além disso, lançamos também o fundo Selection ESG FIC FIA, fundo que investe em fundos brasileiros dedicados a compra de ações, porém que utilizam o ESG como critério fundamental na seleção de seus investimentos.

Para investir nesses produtos, basta acessar sua conta.

(Modo Jackson 5 ligado)

E-S-G, easy as 1-2-3, are simple as do-re-mi, ESG, 1-2-3 baby you and me.

(Música em fade out)

Não sei de que época vocês são, mas, caso não conheçam o hit mais dançante dos Jackson 5, recomendo que cliquem aqui e leiam esse conteúdo com trilha sonora. Toda vez que eu falo sobre ESG (ler em inglês) fico com essa música na cabeça. Então, queria compartilhar esse sentimento com vocês antes do conteúdo em si – assim ficamos mais próximos!

Feito isso, quero deixar claro que o conceito de ESG (Enviromental, Social and Governance, em inglês, ou Ambiental, Social e Governança em português) é, sim, de certa forma, tão simples como o do-ré-mi. Mas também pode ser tão complexo quanto, sei lá, física quântica. Tudo depende do ponto de vista.

Olhando pela ótica do porquê aplicar boas práticas ambientais, sociais e de governança corporativa, a resposta me parece realmente muito simples: não há nada de ruim em se atentar a esses três aspectos. Cuidar do planeta, das pessoas que nele habitam e dos processos internos e reputação das empresas deveria ser unanimemente positivo, certo?

Agora, difícil mesmo é saber como mensurar a qualidade das empresas nesses três aspectos. Basta divulgar uma meta de ser neutra em carbono em 10 anos? Doar uma parte dos lucros uma vez na história? Ter um conselho de administração teoricamente independente? Como ter certeza de que tudo o que essa empresa diz é aplicado da porta para dentro? Quem diz a verdade e quem está fazendo “greenwashing” (ou seja, usar um discurso bonito para tentar “limpar” uma realidade diferente dentro da companhia)?

Vai com calma!

Como eu sempre gosto de fazer, vamos dar um passinho para trás e entender o que é, realmente, o ESG e como ele se aplica ao universo dos investimentos.

Vamos destrinchar a sigla: os fatores ambientais são, entre outros, uso de recursos naturais, emissões de gases de efeito estufa (CO2, gás metano), eficiência energética, poluição, gestão de resíduos e efluentes.

Os sociais passam por políticas e relações de trabalho, inclusão e diversidade, engajamento dos funcionários, treinamento da força de trabalho, direitos humanos, relações com comunidades, privacidade e proteção de dados.

Por fim, governança tem a ver com independência do conselho, política de remuneração da alta administração, diversidade na composição do conselho de administração, estrutura dos comitês de auditoria e fiscal, ética e transparência.

Tudo isso pode (ou não) estar na agenda das empresas em que você investe. E, adivinha? Tem estado cada vez mais – não à toa.

A verdade é que, antes das empresas passarem a incorporar o ESG, os clientes, colaboradores e investidores começaram a demandar isso delas. As minorias (e as pessoas que se preocupam em inserir as minorias) passaram a consumir de empresas que as enxergam – e o mundo inteiro percebeu o valor disso.

Empresas responsáveis

Temperaturas começaram a subir, as espécies começaram a desaparecer, e mesmo quem não foi afetado (ainda) passou a dar mais valor à saúde do planeta. As más práticas empresariais passaram a ser desmascaradas e amplamente divulgadas, expondo pessoas e marcas – e ninguém quer financiar “trambiqueiros”, nem trabalhar em empresas com uma péssima imagem.

Em suma, as empresas responsáveis dentro dos aspectos ambientais, sociais e de governança passaram a ser as favoritas dos clientes, colaboradores e consumidores. Ser a favorita dos clientes e consumidores, em geral, é um aspecto relevante dentre os que levam uma empresa a ser líder no seu segmento. E que investidor não quer colocar seu dinheiro em empresas com potencial para liderar seu segmento?

A Marcella Ungaretti, analista focada em ESG da XP Inc, lembra ainda que estamos num momento especialmente delicado, que exacerbou ainda mais tudo o que já falamos (aliás, recomendo esse relatório dela sobre o tema):

“A pandemia deixou explícita a interdependência que temos como nações, indivíduos e empresas. Se isso for verdade, e nós acreditamos que sim, a empresa do futuro é aquela que cuida de todos, não somente dos seus acionistas. Indo além, a empresa do futuro não é aquela que somente gera lucro, mas sim que é capaz de gerar lucro com propósito – e, na nossa visão, as companhias que não entenderem isso, provavelmente ficarão de fora.”

Foi nesse cenário que o mercado financeiro passou a avaliar empresas também sob essa ótica – uma forma de ajudar os investidores a saber quem financiar. 

Gestoras passaram a traçar estratégias ESG, consultorias criaram equipes dedicadas a avaliar a qualidade de companhias nesses aspectos, analistas lentamente passam a inserir tudo isso em seus modelos. Temos hoje fundos, índices, títulos de dívida, financiamento coletivo e muito mais maneiras de investir levando em consideração esses aspectos – para aplicar o seu dinheiro, mas com propósito.

Conheço mais de uma mãe que foi demitida assim que terminou o período de estabilidade após a licença maternidade. Uma, bem próxima de mim, perdeu o emprego assim que retornou ao trabalho, quando a estabilidade não era “levada a sério”, por absurdo que isso pareça.

Na mesma linha, perdi as contas há muito tempo das mulheres que me contaram que foram questionadas sobre as suas intenções de ter filhos nos próximos anos ainda na entrevista de emprego. E também das que deixaram de ser promovidas mesmo sendo mais qualificadas que seus colegas homens. 

Por sorte, nunca me senti coagida a deixar de ocupar lugares que queria ocupar por questões de gênero. Mas, abrindo meu coração, não foram poucas as vezes que vi ideias minhas atribuídas aos homens ao meu redor – e eu não fiz nada a respeito por achar que não valia a pena.

Conto tudo isso para lembrar que o ambiente corporativo está muito longe de ser igualitário para homens e mulheres – nem me atrevo, por ora, a entrar em outra camada muito mais profunda, que é a questão racial.

Mas a verdade é que minha experiência pessoal sozinha não diz muita coisa. Então vamos aos fatos: no Brasil, as mulheres ganham menos de 70% do que os colegas homens recebem na mesma posição – situação que se repete há vários anos.

gap-2020-br

No mundo, uma pesquisa da Catalyst neste ano mostrou que, quanto mais altos os cargos, mais raro encontrar mulheres. São 47% em cargos de suporte, 42% profissionais de médio escalão, 37% em posições de gerência, 29% entre gerentes seniores e apenas 23% em cargos executivos. Só 5,2% das empresas americanas no S&P 500 têm CEOs mulheres. E o Ibovespa? Zero.  

Por outro lado, pesquisas mostram que a economia como um todo teria muito a ganhar se incluísse as mulheres. A Mckinsey estimou, em 2015, que um cenário em que a participação das mulheres na economia fosse equivalente à dos homens poderia trazer um incremento anual de US$ 28 trilhões ao PIB global (+26%) até 2025. 

Como apoiar esse cenário?

Você, como eu, gostaria de estimular esse cenário? Acredita que mulheres deveriam ter mais espaço nas empresas e que nós, como investidores, deveríamos reconhecer as empresas que já deram esse passo? Aliás, você já tinha sequer parado para pensar nisso?

Estou aqui para apresentar a vocês, caros(as) 13 leitores(as), um fundo de investimento estreante na plataforma da Rico para investidores que querem aplicar seu dinheiro em companhias que incluam mulheres de forma completa – e não só no “chão de fábrica”: o Trend Lideranças Femininas.

Ele replica o ETF SHE, um fundo de índice que replica o desempenho de empresas “large-cap” (de alto valor de mercado) da bolsa americana que contam com mulheres no conselho de administração ou ocupando a posição de CEO e chairwoman.

Ele permite uma exposição ao top 10% em termos de diversidade de gênero dentre as 1.000 maiores companhias dos EUA e também tem um filtro setorial – ou seja, seleciona, dentro das 1.000 maiores empresas com liquidez da bolsa americana, as melhores em diversidade de gênero, sem superexposição a nenhum setor. 

E mais que investir nessas empresas, colocar seu dinheiro nesse fundo é ajudar uma causa extremamente nobre. Um percentual da taxa de administração cobrada pelo Trend Lideranças Femininas é doada para o Instituto As Valquírias, que educa meninas em situação de vulnerabilidade social para combater, principalmente, trabalho infantil, prostituição e tráfico de drogas.

Eu disse há alguns parágrafos que nunca deixei de ocupar locais em que gostaria de estar, mas existem muitas (muitas mesmo) meninas e mulheres que simplesmente não têm a chance que eu tive – e a ONG luta para que elas tenham a oportunidade de chegar aos espaços que sonham ocupar. 

Ao ajudar esse projeto, você permite que mais meninas de comunidades carentes estudem, sejam capacitadas para empreender e aprendam habilidades que podem salvá-las da pobreza. E para fazer isso, repito, basta investir em um fundo com exposição a algumas das maiores empresas dos EUA – ou seja, você diversifica o seu patrimônio ao mesmo tempo em que facilita acesso a um futuro melhor para essas meninas e mulheres. Pelo menos 700 mulheres serão diretamente impactadas pela doação da taxa do fundo. 

A partir das 9h de hoje, o Trend Lideranças Femininas já vai estar disponível para investimento na sua conta da Rico. O valor mínimo de entrada é de apenas R$ 100. A taxa de administração é de 0,5% ao ano, uma das mais baixas do mercado, e não há taxa de performance.

Claro, é sempre essencial que você só invista se o produto estiver de acordo com o seu perfil de risco. O fundo tem proteção contra a variação cambial, e por isso está disponível para todos os investidores. Mas está exposto a 168 empresas da bolsa – com a oscilação típica do mercado de ações. Caso você seja mais conservador ou conservadora que isso, não se preocupe: a tendência é que os investimentos com aspectos sociais só se proliferem cada vez mais, em todos os segmentos. 

E como eu jamais vou estimular que você invista em algo que não conheça, deixo abaixo a composição do ETF SHE, para você também entender o quanto faz sentido se expor a esses investimentos conforme o que você já tem em carteira. Vale destacar que, todo ano, em julho, é feita uma reavaliação das empresas e a composição pode mudar. 

composicao-trend

No período pós Segunda Guerra Mundial – acalmem-se caros(as) 13 leitores(as), tem história mas tem recomendação de investimentos também -, países desenvolvidos ou “ricos” eram classificados como países de primeiro mundo.

Já os países do bloco socialista (como União Soviética e China) eram de segundo mundo e os subdesenvolvidos ou “pobres”, de terceiro mundo. Depois da Guerra Fria, com a dissolução da União Soviética (URSS) e ascensão do capitalismo, os países foram reclassificados entre desenvolvidos e subdesenvolvidos.

Alguns desses países subdesenvolvidos tiveram sua industrialização (mesmo que tardia) na segunda metade do século XX, impulsionando o avanço econômico e tecnológico.

Com um “desenvolvimento maior”, eles passaram a ser chamados de países em desenvolvimento ou países emergentes, com suas economias em crescimento.

E que crescimento! 

Nos últimos 15 anos, os países emergentes foram responsáveis por mais da metade do crescimento do mundo e, olhando para frente, não deve ser diferente*.

*A contribuição dos Emergentes para o crescimento global deve superar 80% até 2024, enquanto os Desenvolvidos gradualmente caem para 16%.

Já ouviu alguém se gabar de viajar para o “primeiro mundo”, ou falar mal de algo do “terceiro mundo”? Pois bem, essa expressão não está com nada no universo dos investimentos. 

Segundo pesquisa realizada pela Vontobel Asset Management junto a 300 investidores institucionais e gestores, apesar da incerteza de curto prazo, ao longo de um período de cinco anos, cerca de dois terços dos investidores questionados esperam aumentar suas alocações em ações de mercados emergentes. E quase seis em cada dez preveem maior exposição à renda fixa nesses mercados.

Em 2020, o FMI (Fundo Monetário Internacional) estima que países emergentes e em desenvolvimento tenham uma redução média do PIB de 1%, ante uma previsão de crescimento de 4% de poucos meses atrás. Países como Brasil, México e Rússia devem ter uma queda do PIB de mais de 5% em razão dos efeitos do novo coronavírus.

Já na China, primeiro país impactado pela COVID-19, cuja atividade já está gradualmente retomando, a economia deve crescer 1,2% em 2020 (em 2019, foi 6,1%), abaixo dos 6% da previsão de janeiro do FMI. A segunda maior economia do mundo deverá crescer 9,2% em 2021.

No longo prazo, as perspectivas para os mercados emergentes não mudaram. Lar de mais de 80% dos cidadãos em idade produtiva do mundo, essas economias devem continuar o principal motor do crescimento global. Em 2050, seis dos hoje países emergentes podem estar entre as sete maiores economias do mundo, de acordo com projeções da PwC e outros.

Veja abaixo os “Hot Spots” de mercados emergentes, pelo Citi – Maio, 2020

Dito isso, imagino que vocês estejam pensando: como investir nesses países de “terceiro mundo” que todo mundo quer?

Pois bem, a Ashmore, referência global em Mercados Emergentes é a nova integrante da nossa plataforma de fundos aqui da Rico. Ela é uma boutique de investimentos 100% focada em mercados emergentes desde sua formação em 1992, com mais de R$ 400 bilhões sob gestão.

Para a estratégia de ações da gestora, dentro de um universo de mais de 3 mil papeis em mercados emergentes, aproximadamente 80 entram nos filtros de qualidade, liquidez e setorial da equipe, com um horizonte de investimento de 12 meses.

Potencial de crescimento

Atualmente, há no portfólio empresas com um potencial de crescimento estrutural significativo (como Alibaba, Samsung), mas com preço descontado, e empresas mais cíclicas. Em termos de alocação, a maior parte do portfólio está na Ásia: China, Taiwan, Coréia do Sul e Índia.

Os fundos de ações da Ashmore estão disponíveis na Rico para investidores qualificados e de acordo com o seu perfil (moderado ou agressivo): Ashmore EM Equity Advisory FIC FIA IE (sem exposição cambial) e Ashmore EM Equity Dolar Advisory FIC FIA IE (com exposição cambial).

Além disso, há uma terceira opção, focada em crédito, com a maior parte em dívidas soberanas em dólar: Ashmore Emerging Markets Debt Advisory. Nessa frente, a primeira estratégia que lançou na sua trajetória (e portanto a que mais foi posta à prova até hoje), a gestora também tem um filtro muito bem desenhado – e bem-sucedido.

Resumidamente, o trabalho de seleção foca principalmente em títulos de dívida soberana denominados em dólar (com poucas exceções), sempre com muita liquidez. A busca é por oportunidades dentro desse filtro – geralmente, títulos de dívida com prêmios altos demais para a sua respectiva qualidade de crédito, que são penalizados pelo mercado por uma desconfiança excessiva na sua capacidade pagadora. 

Por algum motivo obscuro, o pessoal que criou os nomes no mercado financeiro decidiu chamar os títulos de crédito públicos, privados e bancários de “renda fixa”. Agora, cabe a nós, que produzimos conteúdo a respeito, explicar insistentemente que de fixa, a renda não tem praticamente nada.

Sim, certas coisas são fixadas no momento da sua compra – seja um percentual do indexador ou a própria taxa paga anualmente. Mas precisava mesmo chamar um investimento cujo preço pode oscilar mais que ação da Bolsa de “renda fixa”?

Em agosto, o Tesouro Direto deu mais uma prova de que essa nomenclatura poderia ser melhor, com preços dos títulos públicos desvalorizando até 9,5% em apenas um mês e investidores conservadores entrando em pânico com seus respectivos saldos derretendo. Não era para ser fixo?

A tabela abaixo, via InfoMoney, retrata o “drama”. Ela mostra que uma pessoa que comprou títulos públicos em 01/08 e vendeu em 31/08 perdeu até 9,45% do valor aplicado.

Por que isso acontece?

Quando você compra um título do Tesouro, sabe exatamente quanto ele vai valer no dia do vencimento.

Suponha que você investiu em uma LTN (Tesouro Prefixado) fictícia com vencimento daqui dois anos (09/09/2022). O preço unitário desse papel nessa data vai ser sempre o mesmo: R$ 1.000. Então, se você comprou por R$ 900 hoje, para chegar a esses R$ 1.000 em exatos 2 anos, a taxa prefixada oferecida neste momento precisa ser de aproximadamente 5,4% a.a.

Mas o governo não tem total poder de decisão sobre a taxa que oferece para os seus títulos de dívida: ela precisa corresponder ao que o mercado está disposto a aceitar.

Como os títulos públicos são contratos de empréstimo de investidores ao governo brasileiro, quando a desconfiança sobre a capacidade de pagamento do governo brasileiro aumenta, as taxas oferecidas para esses empréstimos precisam aumentar junto. Afinal, quanto maior o risco que você julga correr, maior a compensação financeira que irá exigir para emprestar.

Se, por conta de uma maior desconfiança dos investidores, no dia seguinte a taxa dessa mesma LTN com vencimento em 2022 passar de 5,4% a.a. para 6% a.a., esse título não pode valer 900 hoje – porque isso significaria valer mais de R$ 1.000 daqui dois anos.

Para chegarmos em R$ 1.000 em 2022 com uma taxa de 6% a.a., a LTN precisa ser vendida por R$ 889,99 – e assim, como num passe de mágica, o título de “renda fixa” que você comprou ontem por R$ 900 hoje vale R$ 10 a menos, ou uma desvalorização de mais ou menos 1%

É por isso, em resumo, que quando a taxa de juros sobe, os preços dos títulos caem, e vice-versa. Em 2019, teve título do Tesouro valorizando até 58% – o Ibovespa, comparativamente, subiu 31,58%.

Por que isso aconteceu, especificamente agora?

Pelo mesmo motivo que a bolsa caiu no último mês depois de 3 meses de altas. Agosto, como sabemos, foi um mês repleto de ruídos sobre a situação fiscal do Brasil. Cada nova notícia sobre o aumento do endividamento do governo ou a possibilidade de furo no teto de gastos aumentou a desconfiança dos investidores sobre a capacidade pagadora do Tesouro Nacional – assim como as notícias no sentido contrário diminuíram essa desconfiança pontualmente.

No final, o saldo foi uma alta das taxas pagas pelo Tesouro Direto no mês de agosto e a consequente queda nos preços que mostramos naquela tabela.

“Socorro!”

Antes que você desista para sempre de investir no Tesouro, volte duas casas e leia de novo a frase que falamos alguns parágrafos acima: “quando você compra um título do Tesouro, sabe exatamente quanto ele vai valer no dia do vencimento”.

Se a pessoa do nosso exemplo, que comprou um título a R$ 900, não vender esse papel quando ele passar a valer R$ 890, no dia do vencimento ela vai receber exatamente os R$ 1.000 combinados desde o começo. Essa é a parte “fixa” do Tesouro.

Em outras palavras, se você não tiver nenhum interesse em usar títulos do Tesouro para especular, o melhor a se fazer é simplesmente esquecer que investiu até o momento de ele voltar para a sua conta.

Por outro lado, esse título também nunca vai pagar mais do que R$ 1.000. Se, em dado momento, essa pessoa vir seu título valendo R$ 999 antes da data de resgate, é sinal de que ele não tem muito mais para onde ir – e pode ser que isso aconteça. Nesses casos, faça as contas do imposto de renda, veja as taxas atuais de outros investimentos compatíveis com o seu perfil e avalie se não é mais vantajoso colocar esse dinheiro em outro lugar.

Só para não esquecer: investir no Tesouro com a Rico é sem taxas. Acesse aqui a sua conta.

Ou se ainda não for cliente Rico, abra sua conta!

Caros 13 leitores, eu não sei sobre vocês, mas eu já tive muito medo de viagens aéreas. Sempre antes de embarcar novamente fazia pesquisas de acidentes passados, onde era melhor pegar meu acento conforme as probabilidades de sobrevivência em possíveis acidentes e sempre deixar a habilidade de nadar em dia.

Nessas pesquisas acabei conhecendo muitas histórias de pilotos que salvaram tragédias, muitos deles inclusive foram tema de filmes hollywoodianos. Um dos mais emblemáticos foi o caso do Airbus que foi pousado no rio Hudson, em Nova York:

O comandante Chesley Sullenberger III fez um pouso surpreendente nas águas. Logo após a decolagem do aeroporto de LaGuardia, o avião foi atingido por um grupo de gansos-do-Canadá. Com a colisão, os dois motores pararam de funcionar e ele não teve escolha a não ser fazer um pouso emergencial.

O ato heroico salvou a vida dos 155 passageiros que estavam a bordo. No mercado financeiro passamos por situações muito parecidas.

Invariavelmente somos surpreendidos por crises. Situações que promovem o caos e o descontrole, desregulam os mercados, deixam turvo o seu horizonte e testam o psicológico. 

Assim como na aviação, onde os pilotos são treinados para os “extremos”, o mercado financeiro também constrói seus participantes com controle de risco, processos estruturados de investimento e disciplina. Porém, nesses momentos nossos queridos amigos livros não tem uma “receita de bolo”, a capacidade de gestão dos recursos será um diferencial para evitar uma “tragédia” financeira na sua vida.

Houve muitos gestores de fundos que provaram isso esse ano: lidando com algo completamente novo, ainda sem entendimento profundo do vírus e da dinâmica desta pandemia, conseguiram reagir muito bem aos mercados caóticos e se destacaram.

Vale lembrar que em março tivemos a pior queda da história até então para os ativos de risco. No dia 23 de março o Ibovespa acumulava queda de -46,7% no ano – e tão rápida quanto a queda foi a recuperação, desde o dia 24 de março de 2020, o Ibovespa sobe 44,0%, o que mostra o tamanho da “turbulência” que passamos até aqui.

A gestora Giant Steps, especializada no uso de tecnologia para realizar a gestão dos recursos (quantitativo), e que esteve dentre as nossas recomendações desde que eu sento nesta cadeira, foi muito bem em 2020: seu fundo Darius que utiliza uma estratégia “trend follower”, capturando as tendências nos mercados de renda fixa, renda variável, moedas e commodities ao redor de mais de 20 países, entregou um retorno de 5,45%.

Outra casa que se destacou foi a Ibiúna, especializada na gestão de fundos multimercados macro, que investem nas mesmas classes que sua concorrente Giant Steps. O Ibiúna Hedge STH teve uma rentabilidade de 14,19% neste ano, contribui bastante para as nossas recomendações de carteiras e ainda mostrou que a “renda fixa não morreu” pela contribuição de performance do fundo vir principalmente do mercado de juros, ou seja, posições de renda fixa:

Até mesmo nos fundos que são dedicados aos investimentos em ações tivemos casos “heroicos” de retorno: o fundo Dahlia Total Return, da gestora Dahlia Capital, teve retorno de +8,54% contra -12,45% do Ibovespa neste ano. Sua estratégia que combina investimento em empresas brasileiras e estrangeiras (principalmente nos demais países da América Latina), além das demais posições em commodities/ renda fixa/ moedas, funcionou muito bem para passar por essa crise do mercado.

Além da Dahlia, tivemos um gringo “roubando a cena” nos destaques: o Wellington Global Growth, que é acessado por meio do fundo disponível na Rico – Wellington Ventura – entregou 11,7% em 2020 (cotação até 17/08), mesmo com a queda das bolsas globais de 5,4%  (MSCI All Country World Index) e se sobressaindo em relação aos seus pares que entregaram em média 0,5%.

Investir em Fundos tem suas vantagens

Justamente por isso que fundos são investimentos interessantes. Acredito que como investidores devemos ter humildade em entender nossas limitações em acesso/conhecimento de alguns mercados. Terceirizar a responsabilidade de gestão para um time profissional que faz isso há anos tem suas vantagens…

Se você não quer fazer a gestão, não tem tempo para isso, ou mesmo não se interessa, fundos de investimento são veículos interessantes para acessar diversos mercados com maior qualidade. Pode não parecer importante, mas uma boa gestão patrimonial será um divisor de águas para uma vida/ aposentadoria melhor.

Para isso você precisa estar aqui para o longo prazo, não estamos numa corrida de 100 metros, mas sim numa maratona. Consistência será a grandeza mais importante na linha de chegada.

Os gestores podem ser parte importante para te ajudar a construir isso junto com você. Afinal de contas, não é uma tarefa fácil se manter calmo e pousar no rio Hudson.

Resumo do dia: O que vem depois da ressaca?

Após 30 pregões sem chegar a cair 1%, as bolsas americanas tiveram ontem um dia de ressaca, ou melhor, de sell-off, com quedas entre 2,78% e 4,96% – destaque para as empresas de tecnologia, que despencaram e são tema do nosso insight de hoje (leia a seguir). Hoje, os movimentos são mistos: altas de até 0,5% para S&P e Dow, mas Nasdaq em queda. Na Europa, o Stoxx 600 sobe 0,5%.

A expectativa recai sobre os dados de folha de pagamentos (payroll) nos EUA, que serão divulgados 9:30. Economistas estimam que o país tenha criado mais de 1 milhão de empregos ao longo de agosto e que a taxa de desemprego fique abaixo de 10%.

No Brasil

Ontem, o Ibovespa fechou em queda de 1,2% seguindo o mau humor mundial. A proposta de reforma administrativa do governo foi enviada em um escopo mais enxuto do que era almejado pelo ministro Paulo Guedes e não apresentou nenhum número concreto de potencial de economia de recursos. Mesmo assim, a entrega trouxe uma sinalização positiva.

À noite se destacaram notícias do desgaste no relacionamento entre o presidente da Câmara, Rodrigo Maia e Paulo Guedes. Maia declarou que passará a se comunicar sobre votações importantes com o ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, porque Guedes teria proibido o diálogo com secretários da área econômica.

A lembrar: na segunda-feira, 07 de setembro, as bolsas no Brasil e EUA não terão negociações devido a feriados nacionais (não, os gringos não comemoram a independência do Brasil – por lá, o feriado é o Labor Day, sempre na primeira segunda-feira de setembro). Voltamos a nos “ver” na terça!  

Insight Rico: Afinal, estamos numa bolha?

(por Betina Roxo) 

No geral, planejamos as pautas dos Insights dos Rico Matinais com antecedência e por isso, o de hoje sobre tech (este que vos apresento), já estava previsto. Mas assim, que timing heim?

Ontem, as ações de tecnologia – as mesmas que fizeram as bolsas americanas renovarem máximas no último mês – levaram a Nasdaq à sua maior queda desde junho, despencando quase 5%.

As ações da Apple cairam 8% – perdendo mais de US$ 180 bilhões do valor de mercado (tipo assim, um pouco mais do valor de Vale, Ambev, Magazine Luiza, Weg e B3 juntas) – enquanto Amazon, Alphabet (Google) e Microsoft caíram mais de 4% e outras superstars do momento como Tesla e Zoom tiveram quedas ainda maiores (9-10%).

Vocês, caros 13 leitores, já sabem que as ações de tecnologia se beneficiaram da crescente demanda dos investidores nos últimos meses, mas vale lembrar que já têm dividido as opiniões sobre a sustentabilidade dessa alta.

Além disso, as muitas apostas nos mercados de derivativos aumentaram as expectativas de grandes oscilações de preço por vir e estimularam o que alguns traders identificam como “Feedback Loop”, ou seja, um círculo virtuoso (ou vicioso, dependendo do seu ponto de vista) em que as apostas de opções de alta provocam novos aumentos nos preços das ações.

“O Cículo Virtuoso ou O Círculo Vicioso? “

Basicamente, quando um investidor compra uma opção de compra acima do preço atual da ação – uma aposta no aumento do preço, que possui o direito de comprar as ações a um preço fixo no futuro – o vendedor da opção de compra muitas vezes protege essa posição comprando as próprias ações, pressionando para cima o preço.

Isso gera esse “círculo virtuoso/vicioso” de pressão para cima, já que o aumento do preço das ações leva a novas compras para cobrir posições, o que também aumenta a volatilidade do papel.

Nota: círculo vicioso = sequência de acontecimentos ruins que desencadeiam outros ruins. Círculo virtuoso = círculo de acontecimentos positivos. Deixo para você escolher em qual círculo estamos. Voltemos…

E, de fato, as expectativas de volatilidade futura na Nasdaq 100, índice que reúne as 100 maiores empresas, dominado pela Apple e outros gigantes da tecnologia, dispararam para a maior alta de 16 anos em relação ao resto do mercado esta semana.

Opções da ação Apple, a mais popular, responderam por 4,7% das negociações de opções de uma ação individual em agosto, 50% acima da média. A Tesla respondeu por 2,6% de toda a atividade de negociação no mês passado.

Outro catalisador que impulsiona a volatilidade implícita para cima é um aumento dos investidores que compram opções de venda – que bloqueiam um preço pelo qual podem vender no futuro – para proteger seus ganhos substanciais para o ano corrente.

No entanto, o volume negociado de opções de compra tem sido muito maior do que o volume negociado de opções de venda (gráfico abaixo), o que leva a um movimento de alta no preço das ações e alta da volatilidade implícita, algo que não é usual, dado que, quando o mercado está indo bem, a demanda por opções (que nada mais é que uma proteção), em geral é menor, levando a uma queda da volatilidade implícita.

Estamos em uma bolha?

Ok, entendemos a pressão de alta para além dos estímulos econômicos e do positivismo quanto aos resultados das empresas de tech (talvez de um jeito técnico demais para uma sexta-feira, perdoem-me). Mas, afinal, estamos numa bolha?

Ou melhor, uma pergunta anterior a essa: Quais são os fatores comuns nos excessos, que levam à formação de bolhas de preços?

  1. Excesso de liquidez – cenário que já existe no mundo, dada toda a injeção recorde de dinheiro;
  2. Excesso de otimismo – de fato, mais forte no setor de tech, mas não na bolsa inteira;
  3. Premissas exageradas sobre o futuro – o que não acontece atualmente a respeito do todo e sim, em alguns casos específicos, que são realmente mais difíceis de justificar o valor.

Dito isso, as ações de tecnologia podem ser candidatas a entrarem em um cenário de bolha de preços, em que os preços se descolam dos fundamentos e um frenesi para comprar as ações acontece (de novo, sem base em fundamento).

A Tesla, com seus quase 400% de performance no ano, deve ter vindo à sua cabeça. Porém, para o setor de tecnologia como um todo, é difícil justificar que já estamos em uma bolha de preços atualmente.

Isso porque o setor de tecnologia está disruptando uma série de indústrias no mundo (mídia, financeiro, varejo, transportes, dentre outros). Além disso, o setor foi o maior vencedor no mundo pós pandemia, com a aceleração significativa das tendências de tecnologia e digitalização.

Por isso, as tech viraram superstars e têm crescido rapidamente. Os resultados do 2º trimestre, durante a pandemia, comprovaram isso, dado que as empresas de tecnologia foram as que mais surpreenderam positivamente.

Porém, todavia, contudo, entretanto… se essa alta meteórica de preços das ações do setor no mundo continuar a se espalhar além de apenas alguns nomes específicos e se tornar uma tendência mais ampla de preços se desvinculando completamente dos fundamentos, com os investidores comprando apenas na euforia e na aposta, então, assim poderemos viver uma nova bolha de preços de ativos no mundo.

Obs: por ora, o preço/lucro de 2021 da Nasdaq parece estar em um patamar “saudável”. Ainda mais se levarmos em consideração o ambiente de juros baixíssimos (no caso dos EUA, próximo de zero).

Bom, sei que já disse isso, mas não custa lembrar: quer saber como se posicionar em setembro? Clique aqui para acessar o nosso De Olho no Mercado. 

Agenda da Semana
Sexta-feira, 04
09h30: EUA – Relatório de emprego (Payroll)
09h30: Canadá – Variação no emprego mensal