No começo do mês, falamos aqui que historicamente, setembro é um mês desafiador e por isso o “Efeito setembro” é tão conhecido. Não a toa, usar de título “Wake me up when September ends”, que parece super criativo, na verdade é muito comum em relatórios de análise.
Mas setembro acabou. Hora de acordar. Ou seria melhor apertar o snooze (vulgo, soneca) 1 milhão de vezes, como eu faço todos os dias, e fazer uma nova música “Wake me up when October ends”?
Isso porque esperamos mais volatilidade nesse próximo mês, devido principalmente à aproximação das eleições americanas, incerteza quanto aos novos casos de coronavírus e seus impactos sobre restrições de atividade e por fim, não menos importante, a contínua preocupação fiscal no Brasil.
Apesar disso, mantemos nossa visão positiva para a bolsa no longo prazo. Com a Selic a 2% ao ano (e mesmo que suba para 3% até o final de 2021, como esperamos), a bolsa continua sendo um investimento muito atrativo. Vale também lembrar que ela é composta pelas melhores empresas do mercado, com poder de consolidação e crescimento, se diferenciando fortemente das empresas da “economia real”.
Além disso, só de pensarmos na migração de renda fixa para renda variável pelos próprios investidores brasileiros, há um potencial de R$1 trilhão de fluxo – dos R$7,0 trilhões investidos em Renda Fixa, quase R$1 trilhão estão na poupança, enquanto os fundos Multimercados e Fundos de Pensão brasileiros, seguem com uma alocação em Bolsa abaixo da histórica.
Mas como escolher as ações para investir dentro de tantas opções?
Como a Júlia, nova analista quantitativa do time, disse: na bolsa de valores brasileira há hoje mais de 300 ações listadas, enquanto nos EUA há mais de 2 mil. No mundo, são mais de 600 mil ações!
Ou seja, é humanamente impossível analisar todas as empresas do mundo. Se filtrarmos só as ações do índice Ibovespa, com 77 papéis, já seria muita coisa para uma pessoa só analisar. É aí que entra a análise quantitativa.
O uso de métodos matemáticos muitas vezes nos mostra o que não conseguimos ver ‘a olho nu’: correlações entre ações, padrões de comportamento, tendências de mercado e estratégias para maximizar retornos.
Ou até quais são as ações “preferidas” dos gestores e analistas de mercado, mapeando a bolsa inteira. É isso que trazemos na nossa primeira seleção quant: a All-Star Rico!
Nas últimas duas semanas, o Ibovespa caiu 6,2%, mas houve quem foi na contramão. Das All-Stars, Unidas e Localiza foram os grandes destaques positivos desse período, subindo 9,4% e 7,3%, respectivamente, seguindo o anúncio de fusão das empresas no dia 23 de setembro (a ser aprovado ainda).
A Reach Capital, que possui Unidas em suas estratégias, já gostava há muito tempo do setor de locadoras de veículos pela grande oportunidade de crescimento. Segundo eles, a Unidas já gerou muito valor com outras fusões, provando que a escala é muito importante nesse negócio.
Por isso, acreditam que a fusão entre Localiza e Unidas tem um grande potencial de destravar valor. A gestora vê como principal risco o CADE inviabilizar a operação, porém acreditam que a autarquia deve permiti-la, com a possibilidade de algumas ressalvas que não trariam problemas à operação.
A seleção All-Star de setembro (do dia 15) mostra que a exposição média dos gestores no setor de locação de veículos é de 8%. Do lado dos analistas do mercado, nessa mesma data, 100% recomendavam compra em Unidas e 68% em Localiza.
Olhando no curto prazo, segundo a análise técnica do nosso analista Evandro Lima da última segunda-feira (28), ambas ainda apresentam tendência de alta, apesar da performance das últimas semanas. Aos assinantes da All-Star, a análise técnica é atualizada toda segunda-feira – detalhes como preço de entrada e saída são disponibilizados. Para fazer parte dessa Liga, só clicar aqui.
Além disso, todo 5º dia útil do mês, apresentamos a nossa carteira de FIIs, as ações que gostamos com visão de médio-longo prazo, assim como o detalhe da tese de cada uma e as Top pagadoras de dividendos gratuitamente para quem tem conta na Rico.
Resumo do dia: Reta final de 2020
Parecia que seria eterno, mas 2020 chega hoje ao seu último trimestre. No fechamento de setembro, o real se manteve a pior moeda do mundo, com o dólar valendo R$ 5,61. O Ibovespa, apesar de fechar em alta ontem, teve a maior baixa mensal desde março, com queda de 4,8% (saiba mais sobre nossa visão para o trimestre no relatório De Olho No Mercado, que publicaremos amanhã).
Hoje as bolsas mundiais continuam o movimento positivo em que fecharam ontem. Futuros americanos valorizam entre 0,7% e 1,1%. Na Europa, o Stoxx 600 sobe 0,65%.
Nos EUA, as esperanças de mais estímulos fiscais foram renovadas. Sem grandes detalhes, o chefe de gabinete da Casa Branca, Mark Meadows, disse a repórteres que o presidente Donald Trump propôs mais de US$ 1,5 trilhão, mas declarou que valores que superem US$ 2 trilhões podem ser um problema. Os democratas queriam aprovar um pacote de US$ 2,2 trilhões na noite de ontem, mas a votação foi adiada para permitir negociações.
No front de combate ao coronavírus, a farmacêutica Moderna disse que só deve pedir autorização da FDA para uma nova vacina depois das eleições presidenciais, em novembro, segundo o Financial Times.
Sem puxadinho: depois da reação negativa à proposta de limitar o pagamento de precatórios para financiar o Renda Cidadã, o ministro Paulo Guedes disse que o governo “vai pagar tudo” e que o programa precisa de fonte permanente de receita e não de “puxadinho”, sinalizando que é contra o uso dessa fonte. Já a reforma tributária deve ficar para 2021 devido à proximidade das eleições municipais.
Insight Rico: Eu não sou um herói
(por Lucas Collazo)
Esse título pode soar engraçado aos nossos caros 13 leitores, mas é a mais pura verdade. Imagino que, para você que nos acompanha toda manhã, muitas vezes pode parecer que temos alguma “habilidade extra” em relação aos investimentos, ou que dominamos quilômetros de livros em nossas mentes.
Não, nós não portamos nenhuma habilidade sobrenatural em finanças pessoais. Aliás, eu não possuo nenhuma vantagem perante a você que lê esse texto neste exato momento: o mercado financeiro é o mesmo para nós dois, acesso os mesmos produtos em que você pode investir. Na realidade, eu até tenho algumas limitações por compliance que você talvez não tenha (então nessa você saiu na frente).
Sinto as mesmas dores que você: se você tem investimento em ações por exemplo, e a bolsa tem uma queda fazendo o seu bolso “sangrar”, o meu também sangra. Aliás, nesse último mês nós sofremos juntos:

O Ibovespa caiu 4,8% em setembro, e não podemos esquecer que enxugamos lágrimas no mês passado também, quando o índice teve queda de 3,44%.
E já que 2020 não tem sido um ano nada comum para nós, até o Tesouro Selic, que eu utilizo como reserva de emergência (e acredito que você também) resolveu dar o ar de sua graça no campo vermelho do retorno. Depois de um leilão bem grande de títulos promovido pelo Tesouro Nacional, os preços desses papéis tiveram uma pequena queda (que vai passar), colorindo nossa tela da corretora de vermelho.
O balanço com as discussões eleitorais americanas também interfere nas minhas aplicações, o medo de uma segunda onda de contaminação pelo Covid-19 atinge o preço dos ativos que eu tenho em carteira. Inclusive, questões como essa protagonizaram esse último mês e eu vou fechar setembro perdendo dinheiro na média da minha carteira.
Ah, e se você checar a lista de bilionários do mundo, não vai encontrar meu nome. Eu sou apenas um analista de investimentos, assim como pessoas escolhem ser engenheiros, professores, nutricionistas, entre outras vocações.
Eu não sou um herói, mas é justamente esse fato que tem sido diferencial nos meus investimentos e conhecimento sobre esse assunto (pelo qual sou apaixonado e dedico minha vida). Foi esse fator que, em 2019, quando as bolsas globais seguiam um rumo otimista, não me deixou esquecer da importância de diversificar minha carteira e sair “enchendo a mão” de renda variável.
A falta de heroísmo não deixou eu me desesperar durante o pico das quedas do mercado, entre os meses de abril e março, e apertar o botão de vender precipitadamente sem ter mais clareza do horizonte que teríamos, numa tentativa de “acabar com o sofrimento”. Na dúvida e falta de entendimento do vírus, decidimos não mudar nossas recomendações de diversificação de carteira. Foi uma decisão difícil, eu também tive medo, mas foi ela que fez com que a gente não perdesse a recuperação dos mercados até aqui.
E no segundo trimestre desse ano, com os indicadores econômicos globais melhorando e tentativas de reabertura econômica dando bons sinais de funcionamento, não saímos afobados aumentando as recomendações de renda variável, fizemos isso de forma gradual, com muita cautela.
Na virada do semestre, entendemos que o principal fator que estava dando suporte aos mercados iria cessar: os estímulos ficais promovidos pelos governos e bancos centrais. Além disso, estamos chegando perto da corrida eleitoral americana, o que vai mexer bastante com o oceano dos ativos financeiros, e, como não praticantes do heroísmo, decidimos manter as recomendações de carteira estáveis mais uma vez e não dar sequência no aumento da renda variável que estávamos fazendo gradualmente.
Ou seja, no otimismo, não “estufamos o peito” e exageramos nas posições de risco, e no pessimismo não tentamos nenhum ato de bravura para recuperar as perdas provocadas pelas quedas no mercado de curto prazo.
Já que não temos habilidades sobre-humanas, também podemos ter teses de investimento em cima de fundamentos e estarmos errados. Dito isso, não quero ter uma posição muito grande que tire o poder da humildade de dizer “eu errei, vou corrigir enquanto o prejuízo é pequeno”.
Também não tenho o poder de prever o futuro, eu e você dividimos as mesmas informações atualmente, e a mesma ignorância sobre o amanhã. Logo, eu não diversifico meu patrimônio em ativos de risco mais baixo para aquilo que estou vendo, mas sim para aquilo que não vejo, mas que mesmo assim pode acontecer (a pandemia desse ano fica como exemplo claro disso).
Além de nós, outros nomes expoentes não são heróis, como: Warren Buffett, que fez bilhões investindo em empresas, ou mesmo David Swensen, que multiplicou o patrimônio do fundo de pensão da Universidade de Yale alocando os recursos com todas as limitações que a gestão desse tipo de fundo traz.
Todos tinham algo em comum…
A diversificação. No fim, o resultado de um dia, um mês, um ano, até pode importar, porém, perante a “maratona” que você terá durante o resto da sua vida como investidor, é irrisório, e a diversificação é a única forma de ganhar “dinheiro de verdade” no longo prazo.
Ela é a única solução que promove ganhos equilibrados, consistentes, ao longo da vida. Porque, assim como você, também quero que minhas aplicações tenham resultados muito interessantes e que isso melhore minha vida lá na frente, afinal, ambos estamos construindo patrimônio.
Mas depois de estudar muito sobre esse assunto, e escutar as histórias contadas por todos os convidados que já foram no programa Stock Pickers do Salomão e do Renatão, as reflexões do meu ex-colega de time Matheus Soares, ou mesmo as discussões que tenho em equipe atualmente com a nossa estrategista-chefe (está mais para amiga) Betina Roxo, Paula Zogbi (Zogbuy para os íntimos) e Júlia Aquino (que ainda não tem Instagram, mas prometo que terá), entendi que os “heróis do mercado” não existem, já que em algum momento da história eles caíram por terra.
Caros 13 leitores, essa conclusão pode até soar pessimista, mas está mais para realista. Na vida, nada é fácil, tudo deve ser conquistado com muita humildade, e nos investimentos isso não poderia ser diferente. O importante é aproveitar a jornada, que inclusive pretendemos dividir com cada um de vocês.
Hoje, nós publicaremos o nosso relatório “De Olho no Mercado”, onde compilamos visões sobre cenário, bem como nossas recomendações de investimento, na expectativa que te ajude em mais um capítulo desta jornada. No Rico Matinal de amanhã traremos em primeira mão para nossos leitores.
| Agenda da Semana |
| Quinta-feira, 01 09h30: EUA – Pedidos de Seguro-desemprego (ant: 12.580.000) 15h00: Brasil – Balança comercial mensal setembro |
| Sexta-feira, 02 02h00: Japão – confiança do consumidor setembro (exp: 31; ant: 29,30) 06h00: Índice de preços ao consumidor setembro (exp: 0,3%; ant: -0,4%) 19h00: Brasil – produção industrial agosto (exp XP: 3,7%; ant: 8,0%) 09h30: EUA – taxa de desemprego setembro (exp: 8,2%; ant: 8,4%) 11h00: EUA – confiança do consumidor setembro (exp: 79; ant:79) |
Nasci depois da época em que esse comercial passava na TV, mas muita gente aqui deve estar familiarizada com o “paradoxo Tostines”: vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais? (assista aqui a esses 14 segundos imortais da publicidade brasileira).
Eis que o “papa do valuation”, Aswath Damodaran, fez um texto na semana passada que abriu meus olhos para o “paradoxo Tostines” no universo ESG (ambiental, social e governança): as empresas que são ESG ganham mais dinheiro ou as maiores empresas conseguem endereçar melhor as questões ESG justamente por ter mais dinheiro?
Um trecho diz o seguinte:
“As companhias têm melhor performance porque são empresas socialmente conscientes (boas) ou as empresas que estão se saindo melhor têm maior facilidade para fazer o bem? Simplificando, se as métricas ESG são baseadas em medidas de que as empresas que estão se saindo melhor – seja operacionalmente, seja nos mercados – podem performar mais que as companhias que se saem pior, os pesquisadores descobrirão que ESG e performance se movem em conjunto, mas é a boa performance que está permitindo que empresas façam o bem socialmente”.
Antes que você assuma que o papa do valuation odeia o meio ambiente ou a sociedade, é importante entender o “x” da questão: ele não está criticando as práticas ESG em si, mas, indiretamente, o que chamamos de “greenwashing” – a prática de propagandear boas ações (ou agir de forma responsável por marketing) sem de fato incluir o ESG dentro de casa de forma que gere valor no longo prazo. A pergunta principal do texto é: “soando bem ou fazendo o bem?”.
Ele explica que é inegável que cada vez mais dinheiro no mundo sendo direcionado a financiar negócios ESG (globalmente, já são mais de 1 trilhão de dólares em fundos do tipo), mas argumenta que existe um problema em se tornar “líder de torcida” pela causa: isso pode fazer, do lado do investidor, com que deixemos de avaliar as empresas racionalmente para premiar discursos.
(Gráfico retirado do blog de Damodaran com dados da Morning Star que mostram o crescimento dos fundos sustentáveis, principalmente nos meses de pandemia)
E do lado das empresas em si, pode levar a altos gastos desnecessários para propagandear causas ESG na aparência sem que consigam aplicar esses conceitos da porta para dentro de maneira sustentável. No fim das contas, investir em uma empresa falida, mas que diz ter boas intenções, não leva a lugar algum.
“[Empresas que iniciam suas operações sendo vocais em ESG] enfrentarão um desafio, se forem bem-sucedidas e quiserem crescer, porque o crescimento trará clientes e investidores não tão comprometidos com ESG. O teste ácido da consciência social ocorre quando uma empresa cresce e deve decidir se continua a crescer ou se aceita um teto mais baixo para o crescimento, e talvez um valor mais baixo, a fim de preservar seu bom status como empresa”, dispara o texto.
Não devo me importar com ESG, então?
Longe disso. Aqui, pego emprestadas palavras da Marcella Ungaretti, analista ESG da XP, em seu relatório ESG de A a Z: “em um momento como o que estamos vivendo atualmente, em que todos os olhos estão voltados para a importância de se ter boas práticas ESG, acreditamos que é necessário uma atenção redobrada visando diferenciar o que é somente um discurso do que é a prática”.
E as empresas que se mostrarem mais legítimas nessa métrica podem ser, sim, beneficiadas, segundo Damodaran – mas não por crescer mais rápido, e sim porque as demais serão “punidas”: investidores pedirão mais prêmio para investir nessas companhias, seja por meio de equities (ações) ou dívida. No fim das contas, vai ser mais caro operar um negócio sem aplicar práticas sustentáveis e responsáveis.
O problema é a generalização irresponsável. “Algumas empresas podem se beneficiar por fazer o bem, mas muitas delas não se beneficiam. Dizer para as empresas que ser responsável socialmente resultará em mais crescimento, lucros e valor é propaganda enganosa”, explica.
“A evidência mais forte é que as empresas ‘ruins [em termos de ESG]’ serão punidas, ou com custos mais altos de financiamento ou com mais incidências de desastres e choques. Resumindo, gestos caros de empresas de capital aberto para parecerem ‘boas’ são inúteis, tanto em termos de melhoria de desempenho quanto de geração de retornos”.
Não à toa, segundo a Marcella, a meta da sua área de research em ESG é que um dia ela deixe de ser uma vertical independente da equipe de análise e se torne parte da integral da pesquisa desde o início: não adianta avaliar empresa alguma apenas sob essa ótica, então o ideal é que ela permeie todas as etapas do processo de valuation e, assim, premie as empresas em que essa visão faz mais sentido.
No fim das contas, não importa se a empresa cresce mais porque é verdinha ou se é verdinha porque cresce mais: “os cidadãos em busca de soluções para curar os males prementes da sociedade não devem apelar apenas para o retorno financeiro para mobilizar o envolvimento corporativo”, diz um estudo citado no texto. Se quiser ler a postagem completa, clique aqui.
Resumo do dia: Coronavírus vs estímulos
Mercados globais amanhecem em queda nesta sexta-feira. Nos EUA (-0,8%), as preocupações sobre um possível cenário de alta volatilidade depois do dia da eleição nos Estados Unidos ganharam destaque nesta semana após Trump evitar se comprometer com uma transição pacífica quando questionado sobre o tema em coletiva de imprensa.
No entanto, lideranças do Partido Republicano reiteraram nesta quinta-feira (24) que estão comprometidas a garantir uma transição tranquila de poder nos EUA caso o presidente Donald Trump perca as eleições.
No Congresso americano, democratas preparam pacote de estímulo à economia de US$ 2,4 trilhões. O projeto é considerado amplo demais para ser palatável para os republicanos, mas é considerado ponto de partida para as novas negociações.
Na Europa (-1,5%), países evitam novo confinamento, impondo medidas restritivas menos agressivas, mas aumento dos casos de coronavírus preocupa.

No Brasil, o governo segue em busca de espaços para fazer avançar a recriação da CPMF, o que permitiria a desoneração da folha de pagamentos para facilitar a geração de empregos. Ganhou espaço no noticiário a ideia de oferecer apoio à PEC 45, da reforma tributária, discutida na Câmara dos Deputados, em troca da redução das resistências de Rodrigo Maia à recriação da CPMF – o presidente da Câmara não passaria a defender o tributo, mas aceitaria levá-lo a voto.
Insight Rico: Escale sua seleção como quiser
(por Lucas Collazo)
Parabéns, caros 13 leitores, vocês são os mais novos técnicos da seleção brasileira (pode ser de qualquer esporte)! Porém, tenho uma novidade para informar:
Vocês não precisam convocar apenas jogadores nativos, qualquer atleta do mundo pode fazer parte do elenco.
Já imaginaram isso? Eu não sei vocês, mas se me dessem o comando, por exemplo, da Seleção Masculina de Futebol, já estaria ligando para o Cristiano Ronaldo, Messi, Mbappé, além da “figurinha repetida” que é o Neymar Jr.

Pois é, para os amantes de esporte isso seria definitivamente um sonho em cada modalidade, mas a realidade é bem menos divertida nessas horas. Na verdade, nem tanto…
O divertido de atuar como analista de investimento aqui na Rico é que pensamos como estrategistas, podemos analisar qualquer investimento das respectivas classes existentes. Isso inclusive quer dizer que, não necessariamente eu precise selecionar apenas ativos brasileiros.
Exatamente isso, posso ter o privilégio de realizar esse sonho, não no esporte, mas no mercado financeiro. O mais bonito do mundo dos investimentos é justamente isso: os fatores não são obrigatoriamente excludentes, você não precisa dizer sempre “ou” e pode escolher dizer um “e”.
Diversifique!
A diversificação geográfica é FUNDAMENTAL numa boa estratégia de investimento. Se utilizarmos a renda variável como exemplo, chegamos a seguinte conclusão:
No longo prazo, o que faz o preço de uma ação é o lucro da empresa que ela representa. Para que o lucro das companhias cresça é importante entender o cenário econômico de seu país.
Se olharmos para a última década, a economia norte-americana foi a que mais cresceu no mundo. Mas e daqui para frente?
Uma boa forma de tentar prever crescimento econômico é acompanhar o avanço demográfico da população economicamente ativa daquela geografia (mais um aprendizado que tive com José Rocha, gestor da Dahlia Capital):

Como podem ver acima, os EUA se destacaram nos últimos 10 anos nessa faixa da população. E a previsão daqui para frente é que eles continuem sendo destaque nesse aspecto.
Diferentemente de outras economias, como por exemplo as europeias, que não de hoje sofrem com uma inversão da pirâmide demográfica. Em outras palavras, a taxa de natalidade tem caído muito e a população tem envelhecido, diminuindo a faixa economicamente ativa da população.
E se todo seu dinheiro está alocado no Brasil?
Sim, você perde “esse trem”. Aliás, não somente ele, mas grandes temas como tecnologia, biotecnologia, games, que são pouquíssimos presentes na economia brasileira, mas que lá fora existem os maiores nomes destas tendências, você ficaria de fora dos retornos que estes segmentos podem proporcionar aos seus investidores.
Do ponto de vista de estratégia
E aqui levanto a bandeira para dizer que talvez seja o que mais importa. Veja a tabela abaixo:

A correlação de um fundo global de ações com o Ibovespa, bem como com um fundo de ações nacional, é extremamente baixa. É o que mais buscamos ter entre investimentos dentro de nossas carteiras.
Essa relação próxima de 0 me diz que, nos diferentes cenários, as alocações em bolsa brasileira e bolsa global, por exemplo, vão se comportar de forma completamente diferente, não necessariamente oposta, mas diferente.
Justamente o que traz consistência para o portfólio ao longo de nossas vidas.
Muitos jogos da “copa dos investimentos” o Neymar não será o jogador decisivo, mas tudo bem, porque você pode ter o Cristiano Ronaldo, Messi e Mbappé no elenco também.
Uma boa forma de investir no exterior é por meio de fundos de investimento, tanto os passivos (ETFs) como os ativos no caso de investidores qualificados (que possuem R$ 1 milhão ou mais em aplicações financeiras).
A família Trend é uma ótima opção para investidores gerais, hoje temos recomendação do Trend Bolsa Americana (com ou sem dólar) e o Trend ESG Global (com ou sem dólar).
Lembrando-que, nos fundos DNA nós temos posição, tanto em ETFs como também em fundos de gestão ativa, como Wellington Ventura, Morgan Stanley Global Opportunity, entre outros.
Estou adorando essa história de colocar música pra fazer parte da “experiência” da leitura. Acho muito que a vida tem trilha sonora (nossa que poética), mas sério, cada momento tem uma música que me marca. Vocês, caros/as 13 leitores/as também são assim?
A música do título desse insight é uma delas, que me lembra a fase dos 14-15 anos… Hoje quando falamos de sol, a música que vem na cabeça é outra né? “O sol, vê não me esquece e me ilumina, preciso de você aqui…”
Mas para esse insight, a trilha será outra: clica aqui.
Voltemos…
“Back to basics”
Fonte: Nasa
O Sol – o coração do nosso sistema solar – é uma estrela mais próxima da Terra, uma bola quente de gases brilhantes.
Sua gravidade mantém o sistema solar unido, mantendo tudo, desde os maiores planetas até as menores partículas de detritos em sua órbita. As correntes elétricas no Sol geram um campo magnético que é conduzido através do sistema solar pelo vento solar – um fluxo de gás eletricamente carregado que sai do Sol em todas as direções.
A conexão e as interações entre o Sol e a Terra impulsionam as estações, as correntes oceânicas, o clima, os cinturões de radiação e as auroras. Embora seja especial para nós, existem bilhões de estrelas como o nosso Sol espalhadas pela Via Láctea.
E põe especial nisso… além de estimular o funcionamento dos neurotransmissores, entre eles a serotonina, dopamina, noradrenalina e endorfina, responsáveis por trazerem bom humor, por exemplo, o sol é uma fonte de energia limpa.
Hoje, os combustíveis fósseis são a fonte final de 85% da energia, que é responsável por dois terços das emissões de gases de efeito estufa no mundo.
Por outro lado, uma imagem do novo sistema de energia está surgindo. Com uma ação ousada e eficaz, a eletricidade renovável, como a energia solar e eólica, poderia aumentar de 5% da oferta hoje para 25% em 2035 e quase 50% até 2050.
Fonte: BEN e IEA
Segundo essa matéria da The Economist, o petróleo alimentou o século 20 – seus carros, suas guerras, sua economia e sua geopolítica. Agora o mundo está passando por um choque de energia que está acelerando a mudança para uma nova ordem. Quando o covid-19 atingiu a economia global no início deste ano, a demanda por petróleo caiu em mais de um quinto e os preços despencaram.
Desde então, houve uma recuperação instável, mas será que retornaremos ao velho mundo?
Bom, não temos bola de cristal, mas que os produtores de combustíveis fósseis estão sendo forçados a enfrentar suas vulnerabilidades, eles estão.
A ExxonMobil, por exemplo, foi expulsa do Dow Jones Industrial Average em agosto, sendo membro desde 1928. Junto a ela, também saíram Pfizer e Raytheon Technologies como parte da maior remodelação do benchmark em sete anos, aumentando o peso das empresas de tecnologia.
Embora qualquer mudança no Dow Jones seja notável, a expulsão da Exxon Mobil – a maior empresa do mundo em 2011 – marca uma verdadeira “queda de gigantes”, refletindo o declínio das empresas de commodities na economia americana. No valor de US$ 525 bilhões em 2007 e mais de US$ 450 bilhões em 2014, a ação caiu em quatro dos seis anos antes de 2020 e acumula queda de mais de 50% esse ano.
Além disso, em 2020, as questões de sustentabilidade têm ganhado força. À medida que o público, governos e investidores se preocupam com as mudanças climáticas, a indústria de energia limpa ganha impulso.
Entretanto, a mudança para uma nova ordem de energia é vital, mas será complicada. Vale observar que hoje a China possui domínio na fabricação de componentes-chave e no desenvolvimento de novas tecnologias, produzindo 72% dos módulos solares do mundo, 69% de suas baterias de íon-lítio, 45% de suas turbinas eólicas e controlando grande parte do refino de minerais essenciais para a energia limpa, como cobalto e lítio. Outro grande risco é a transição dos petro-estados, que respondem por 8% do PIB mundial.
E as empresas no Brasil, o que tem feito?
Segundo Maíra Maldonado, analista do setor Elétrico da XP Investimentos, no Brasil, das empresas listadas, as que mais se destacam são AES Tietê (TIET11) e Ômega Geração (OMGE3). A Ômega é uma geradora exclusivamente renovável (eólica, solar e pequenas hidrelétricas) com capacidade instalada de 1,1 GW que representa um crescimento de 4,5x desse seu IPO em julho de 2017. Já a AES Tietê tem ativos de geração hídrica, eólica e solar que somam uma capacidade instalada de 3,7GW de energia exclusivamente renovável, além de um pipeline em análise com capacidade para mais 4GW.
Além disso, outras empresas, mesmo de setores variados, também têm investido em energia limpa, sem contar o crescimento de startups focadas nessa transformação.
Inclusive, ontem fiz uma live super legal com o Fabio Carrara, CEO e fundador da Solfácil, a primeira plataforma de financiamento em energia solar fotovoltaica no Brasil. Segundo ele, apenas 0,3% das casas no Brasil possuem sistema de energia solar e há muito espaço para o crescimento. Veja a live clicando neste link.
E se tiver mais interesse, temos um ótimo convite para você! Nessa sexta às 10h teremos nosso primeiro Pitchday ESG. Estaremos ao vivo em parceria com a Microsoft, para apresentar startups com potencial de transformar o Brasil. Acompanhem pelo LinkedIn XP Inc. ou pelo nosso canal do YouTube nesse link.
Olá! Muito prazer, meu nome é Júlia Aquino e sou a mais nova analista quantitativa da Rico.
Caso sua reação ao ouvir “análise quantitativa” tenha sido essa:
Fique tranquilo(a) que depois desse insight você não vai mais precisar fazer essa cara!
Antes de mais nada, gostaria de me apresentar! Sou formada em Estatística e, apesar de gostar muito de números desde sempre, acabei seguindo esse caminho por acaso. Minha ideia era fazer alguma coisa de exatas, mas não sabia o quê e só decidi na hora de fazer a inscrição para o vestibular.
No fim, deu mais que certo e gosto muito do que eu estudo e faço! É incrível usar dados e números para entender e transformar o mundo. Sempre trabalhei no mercado financeiro, fazendo modelos e análises baseadas em dados para fundamentar decisões de negócio. Agora na Rico, quero contribuir com essa visão analítica na produção de conteúdos cada vez melhores e mais inovadores.
Voltando ao assunto, análise quantitativa é a aplicação de técnicas matemáticas e estatísticas para entender um determinado comportamento.

Agora você vai me dizer “beleza, mas o que isso significa na prática?”. Eu explico, já no contexto de investimentos.
Na bolsa de valores brasileira há hoje mais de 300 ações listadas, enquanto nos EUA há mais de 2 mil. No mundo, são mais de 600 mil ações!
Ou seja, é humanamente impossível analisar todas as empresas do mundo. Se filtrarmos só as ações do índice Ibovespa, com 77 papéis, já seria muita coisa para uma pessoa só analisar. E esse, inclusive, é um dos motivos pelos quais nos times de análise de ações (Equity Research) os analistas são separados por setores e tem um “limite” de ações para conseguirem acompanhar e fazer as análises fundamentalistas, que exigem muito tempo para estudo e modelagem.
“Raio X das Bolsas”
Como então analisar o máximo de ações/investimentos e/ou fazer um verdadeiro “raio x” de todas as bolsas, seguindo diversas estratégias?
É aí que entra a análise quantitativa: a grande vantagem dela é que, com a ajuda de algoritmos e softwares específicos, conseguimos processar um volume muito grande de dados de empresas/setores e mercado, trazendo informações mais completas para construir estratégias, gerenciar riscos e tomar decisões.
Além disso, o uso de métodos matemáticos muitas vezes nos mostra o que não conseguimos ver ‘a olho nu’: correlações entre ações, padrões de comportamento, tendências de mercado e estratégias para maximizar retornos.
Ou até quais são as ações “preferidas” dos gestores e analistas de mercado, mapeando a bolsa inteira. É isso que trazemos na nossa primeira seleção quant: a All-Star Rico!
Muito melhor do que uma simples carteira recomendada em um PDF (onde as análises foram feitas uma a uma e muitas ações “ficaram de fora” pela própria limitação humana), oferecemos um grupo selecionado de empresas que passou pelos critérios minuciosos de grandes fundos para montarem suas posições.
Também consideramos as recomendações dos analistas do mercado, especialistas nas empresas e seus respectivos setores, que com uma abordagem fundamentalista, visam um horizonte de 6-12 meses.
A estratégia dessa Seleção é usar um conjunto de critérios quantitativos para identificar as empresas queridinhas aos olhos de quem mais entende. Durante os estudos, fizemos diversos testes até chegar nesta estratégia, a combinação final de parâmetros resultou em um prêmio de 7% ao ano sobre o Ibovespa desde 2018. Além disso, adicionamos detalhes das mesmas e recomendações técnicas para quem quer se posicionar no curto prazo.
Esse é só o começo do mundo quant na Rico. Nos encontraremos mais muitas vezes 😉
Resumo do dia: Mercado e seu amor por estímulos
Mercados inciam a semana em alta: nos EUA, os futuros sobem entre 1,34% e 1,72%; já na Europa, o Eurostoxx sobe 1,9% após ter registrado sua pior semana desde meados de junho, puxado principalmente por bancos.
Uma esperança sobre o tão discutido pacote de estímulos fiscais americanos segue viva: a presidente da Câmara dos Representantes dos EUA Nancy Pelosi informou que ela e o secretário Steve Mnuchin ainda podem chegar num acordo em relação a um pacote novo.
E falando em polêmica: o presidente Donald Trump teve suas declarações de imposto de renda vazadas no New York Times, constatando que não houve pagamento em 10 dos 15 anos declarados até 2016. Amanhã será o primeiro debate presidencial no país.
Aqui no Brasil, de acordo com o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros, a proposta do novo programa social do governo, que deve ser incluído na PEC do Pacto Federativo, deve ser apresentada hoje ao presidente Jair Bolsonaro e a líderes partidários. Para avançar com as discussões, Barros se reuniu nesse final de semana com o ministro da Economia, Paulo Guedes, com o ministro Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria do Governo, e com aliados de Bolsonaro.
Nessa semana, além da continuação das discussões na seara fiscal, a divulgação da nota de crédito do Banco Central, a produção industrial de agosto e os dados do mercado de trabalho brasileiro (Caged e PNAD) serão os principais destaques da agenda econômica doméstica. No exterior, as principais divulgações serão os índices de inflação ao consumidor e ao produtor (CPI e PPI), o PMI industrial e os dados de desemprego das principais economias, além dos inúmeros discursos dos dirigentes do Fed (Banco Central americano).
Insight Rico: Três cenários para a eleição dos EUA
(por Júlia Aquino)
Faltam só 36 dias para a eleição americana.
Todos os olhos do mercado estão voltados para o debate presidencial no Estados Unidos, já que o evento pode trazer grande volatilidade e impacto no mercado global. A essa altura, você já deve ter ouvido os nomes dos candidatos à presidência dos EUA por aí: Donald Trump, do Partido Republicano e atual presidente, e Joe Biden, do Partido Democrata.
As pesquisas eleitorais para a eleição presidencial têm indicado que Biden tem mais intenções de voto de eleitores, segundo o FiveThirtyEight, e o primeiro dos três debates programados entre os candidatos vai acontecer amanhã (29). É o momento perfeito para falar sobre os principais cenários para a eleição segundo os times de Análise Política e Estratégia Macro da XP Investimentos.

Além do presidente, os americanos também vão eleger 35 representantes para o Senado. Atualmente, os republicanos têm a maioria absoluta das 100 cadeiras na casa, com 53 senadores, contra 45 senadores democratas e 2 independentes. Essa escolha também influencia nos cenários de resultados, considerando que a Câmara de Representantes já tem maioria Democrata.
Cenários eleitorais
1 – Joe Biden eleito com Congresso dividido
Aqui, teríamos a Câmara de Representantes com maioria Democrata e o Senado continuaria com maioria Republicana.
Nesse cenário, com resultado mais acirrado, a ala mais progressista do Partido Democrata, que defende propostas como quebrar o monopólio de empresas de tecnologia ou a proibição de seguros de saúde privados, teria influência limitada sobre as decisões da Casa Branca. Além disso, as propostas de campanha de Biden teriam que ser negociadas e moderadas para serem aprovadas, compondo um cenário positivo para os investidores.
2 – Donald Trump reeleito com Congresso dividido
A manutenção do cenário político atual, com Trump na presidência, Senado com maioria republicana e Câmara dos Representantes com maioria democrata, também é vista como positiva para os mercados.
Como no cenário 1, o controle Democrata na Câmara também implica moderação das propostas republicanas a fim de serem aprovadas, estimulando a estabilidade política. A vitória de Trump provavelmente significaria que não veríamos novas medidas de aumento em impostos ou grandes mudanças no sistema de saúde, como proposto pelos democratas.
Nesses dois cenários, apesar da diferença no resultado presidencial, os times da XP esperam uma reação semelhante dos mercados, com S&P em 3.550 pontos e Ibovespa em 115 mil até o fim de 2020. Também haveria pouco impacto na taxa de câmbio brasileira, mantendo a previsão de R$5,20 por US$1 ao final do ano.
3 – Joe Biden presidente com Senado democrata
Essa possibilidade, com Biden ganhando com grande margem, é a mais desfavorável para os mercados e a com menor probabilidade de acontecer. Com pouca resistência às propostas mais arrojadas de Biden, grande parte dos setores poderia ser afetada por aumento de impostos, mas o farmacêutico e de energias não renováveis poderiam ter maior impacto pela nova direção das decisões presidenciais.
Caso esse cenário se concretize, os mercados sofreriam mais, e a previsão seria de queda significativa até o fim do ano tanto no S&P, que cairia até 2.900 pontos, quanto no Ibovespa, que ficaria entre 90 e 93 mil pontos. No câmbio, a projeção para o dólar seria de R$5,36 no final de 2020. Os efeitos no Brasil tendem a ser limitados por um possível contrabalanço do Fed, podendo ser menores que essas estimativas.
A vitória democrata no senado deve acontecer apenas se Biden ganhar a eleição com ampla margem, já que em eleições polarizadas existe forte correlação entre as votações presidencial e parlamentar.
Previsões
Segundo o modelo preditivo do site FiveThirtyEight, hoje a probabilidade de Biden ganhar a maioria dos votos dos delegados é de 76%, enquanto a de Trump é 23% e a chance de empate é menor que 1%. Essa previsão é feita com base em resultados de pesquisas de intenção de votos nacionais e nos estados, além de informações demográficas e histórico de eleições dos estados.
Já a probabilidade de Biden ganhar com pelo menos 2 dígitos de vantagem no voto direto, o que poderia levar ao cenário 3 acima, é de 30%.

Para ver as previsões para o Senado do FiveThirtyEight, clique aqui.
Se você é um data geek como eu 🤓, os dados completos das previsões feitas pelo modelo estão aqui. Todas as previsões e dados de pesquisa são atualizadas diariamente.
E a relação com o Brasil?
Uma vitória de Biden traria uma nova abordagem para as relações diplomáticas e comerciais entre EUA e Brasil, já que o presidente Jair Bolsonaro está alinhado a Trump. O tema ambiental, muito importante no projeto democrata, poderia causar alguns momentos de tensão na relação entre os países, dado que o governo brasileiro tem tido dificuldade em projetar uma imagem positiva sobre sua política nessa área na comunidade internacional.
No entanto, as relações diplomáticas e comerciais entre Brasil e Estados Unidos são sólidas e de longa data, por isso não devem ser afetadas de forma significativa em caso de vitória Democrata.
A data oficial da eleição americana é 3 de novembro. Até lá, ficamos aqui acompanhando as previsões e de olho nas movimentações do mercado.
| Agenda da Semana |
| Segunda-feira, 28 08h25: Brasil – Boletim Focus 09h30: Brasil – Nota de crédito do BC 10h45: Europa – Christine Lagarde, presidente do BCE, fala no parlamento europeu Brasil – Dívida federal total agosto |
| Terça-feira, 29 06h00: Zona do Euro – Confiança na economia setembro (exp: 89; ant: 88) 08h00: Brasil – IGPM setembro (exp: 4,5%; ant: 2,7%) 09h00: Brasil – Preços ao produtor agosto (ant: 2,7%) 11h00: EUA – confiança do consumidor setembro (exp: 90; ant: 84,8) 20h50: Japão – Comércio varejista agosto (exp: 2,0%; ant -3,3%) 22h00: China – PMI Composto setembro (ant: 54,50) Brasil: Resultado primário do governo centralBrasil: criação de empregos formais (exp: 206.826; ant: 131.010) |
| Quarta-feira, 30 03h00: Inglaterra – PIB trimestral (exp: -20,4%; ant: -20,4%) 09h00: Brasil – taxa de desemprego nacional (exp XP: 13,7%; ant: 13,3%) 09h30: Resultado primário do setor público consolidado 09h30: EUA – PIB anualizado trimestral (exp: -31,7%; ant: -31,7%) |
| Quinta-feira, 01 06h00: Zona do Euro – Taxa de desemprego agosto (exp: 8%; ant: 7,9%) 09h30: EUA – Pedidos de Seguro-desemprego (ant: 12.580.000) 15h00: Brasil – Balança comercial mensal setembro |
| Sexta-feira, 02 02h00: Japão – confiança do consumidor setembro (exp: 31; ant: 29,30) 06h00: Índice de preços ao consumidor setembro (exp: 0,3%; ant: -0,4%) 19h00: Brasil – produção industrial agosto (exp XP: 3,7%; ant: 8,0%) 09h30: EUA – taxa de desemprego setembro (exp: 8,2%; ant: 8,4%) 11h00: EUA – confiança do consumidor setembro (exp: 79; ant:79) |
A cultura do “hype” é simplesmente bizarra, esse mercado tão peculiar chama tanta atenção que foi tema do meu trabalho de conclusão de curso na época de faculdade (um abraço para meus amigos Rubens, Nogueira e Kenji que me ajudaram nessa jornada).
Sintetizando: marcas de grife e streetwear conceitualizam produtos muito exclusivos, que são vendidos inicialmente a preços elevados, e que são revendidos por quem “teve a sorte” de comprar por preços ainda mais extravagantes. Exemplo clássico disso é a marca de confecção americana Supreme – além de suas roupas de alto padrão, ela também lança recorrentemente artigos esdrúxulos como uma pistola que dispara dólares, bolachas recheadas ou mesmo um tijolo, com preços elevadíssimos.
Sim, isso mesmo, um tijolo, que no seu lançamento era vendido por US$ 40, e hoje chega atingir US$ 1.000 nos locais de revenda:
Só para termos uma noção
Se alguém quiser construir uma casa feita com esses tijolos, vai pagar um “precinho” de US$ 40 milhões.
O que constrói essa industria e fomenta um mercado com preços como esse? A escassez. É exatamente esse fator que trás muita similaridade com o mercado financeiro, em diversos ativos diferentes, como por exemplo, os fundos imobiliários.
Esse mercado que é “queridinho” de muitos investidores brasileiros, tem levantado questionamentos em seus diversos segmentos por conta da pandemia e as suas “cicatrizes” que ficarão, como por exemplo:
Lajes Corporativas
O trabalho remoto ou home office é um movimento que já vem sendo adotado pelas empresas (principalmente as multinacionais) mesmo antes do aumento do contágio do COVID-19. Entretanto, é inegável que a pandemia acelerou o processo de adoção e implementação em outras empresas do país dado a restrição de circulação de pessoas. Isso significa que, se esse “novo normal” (desculpem o clichê) vier para ficar, teremos um aumento de vacância nos escritórios, o que seria um impacto direto neste setor.
Shopping Centers
Sem dúvidas, o segmento de shopping centers foi um dos mais impactados durante a crise. Por ordem de autoridades públicas, todos os shoppings do país permaneceram fechados durante meses. Assim, visando minimizar o impacto econômico dos seus lojistas, os shoppings decidiram postergar o aluguel (ou concederam descontos) e reduziram ao máximo os custos de condomínio (água, luz, segurança e limpeza). Perante esse cenário desafiador da economia, os fundos de shopping centers, que antes eram resilientes e grandes pagadoras de dividendos, diminuíram seus rendimentos mensais.
Sem dizer os impactos do crescimento do e-commerce. Mudanças no padrão de consumo por conta da pandemia que podem permanecer, e como consequência, afetar o fluxo dos shoppings.
Mas Collazo, fundos imobiliários são mal negócio?
Aprendi desde cedo que, na maioria dos casos, tudo tem seu lado bom e ruim. Ao mesmo tempo que home office gera desafios para a locação de lajes corporativas, na contramão temos:
i) Dificuldades de infraestrutura como acesso a internet de alta velocidade;
ii) Diversas companhias trabalham com dados confidenciais de seus clientes, o que torna essas mais sucessíveis a ataques cibernéticos;
iii) Apesar do aumento da produtividade, as empresas contam não só com a produtividade de seus funcionários, mas também o trabalho em equipe, inovação, criatividade e bem estar.
E com os Shopping Centers não é diferente. O temido e-commerce que pode atingir as vendas dos lojistas, como ocorreu e está acontecendo nos EUA, aqui no Brasil o jogo é um pouco diferente: os empreendimentos tem localização de fácil acesso nos principais centros urbanos, disponibilidade de serviços e preocupação em maximizar a experiência do consumidor.
Resumindo, os brasileiros não vão no shopping simplesmente para realizar uma compra, mas aproveitam a ida para conferir o último filme lançado no cinema, cortar o cabelo, encontrar os amigos e jantar. Os shoppings brasileiros entendem essa necessidade e cada vez mais se preocupam com a experiência do consumidor.
Ah, e sem falar em outros setores que foram menos afetados ou que até se mostraram mais resilientes nessa crise: os fundos de galpões logísticos, que se beneficiam desta tendencia do crescimento da venda online, ou mesmo os fundos de recebíveis (CRIs), que historicamente tem um comportamento mais resiliente.
Disclaimer: tudo isso depende das propriedades da estratégia de cada fundo, existem fundos que em segmentos mais resilientes, por exemplo, tomam mais risco que a média. O caso a caso é importante aqui.
Enfim, além disso tudo já dito, tem um ponto crucial que todos esses segmentos tem em comum: escassez de ativos de qualidade.
Não é fácil “erguer” um prédio de alto padrão, bem localizado, para locar escritórios. Ou mesmo, construir um shopping em uma região privilegiada, com as mesmas especificações dos que já estão em atividade hoje.
E como no mercado TUDO é uma questão de preço: durante essa crise muitos fundos imobiliários foram negociados abaixo do seu custo de reposição. Não vou me alongar muito nesse assunto aqui, se quiser aprofundar, recomendo que veja a live que fiz com Caio Conca, gestor dos fundos imobiliários da Capitânia, inclusive de um fundo que compra outros fundos.
Mas tornando uma história longa curta aqui: esse custo se refere o preço que seria pago para estruturar um imóvel, em mesmas condições de qualidade e localização, de um imóvel já existente. Quando um FII é negociado abaixo do seu custo de reposição, isso significa que custa mais caro construir um novo imóvel do que comprar os imóveis presentes na carteira deste fundo, ou seja, vale mais apena comprar esta cota.
Conclusão
Dependendo do seu perfil de investidor, sim, vale a pena ter posições em fundos imobiliários. Talvez não pensando no pagamento de dividendos ou mesmo no comportamento da cota neste curto prazo desafiador, mas sim pensando na relação de preço/oferta de imóveis de longo prazo.
Sempre lembrando que, a melhor defesa de um investidor é o tamanho da posição. Equilibre o seu investimento entendendo que o perfil dessa classe é de renda variável, e que existem muitos “será? o que?” ainda não respondidos, que podem ser inclusive prejudiciais para sua carteira.
Investimento sempre será um processo, não tenha pressa. É melhor comprar apenas um tijolo da Supreme e aos poucos ir comprando mais conforme você tiver sinais que sua tese estava certa, do que comprar 1000 deles e as pessoas acordarem no dia seguinte entendendo que é apenas um tijolo com um escrito nele.
Mercados amanhecem “nublados” lá fora, nesta segunda-feira: os futuros nos EUA caem entre 1,25% a 2%, já na Europa, o Stoxx 600 tem queda de 2,75. “Telinhas vermelhas” para os investidores ditados pelo tom de cautela com o número de casos da Covid-19 em alguns países, como no Reino Unido:
Ainda que menos letal que a “primeira onda” do vírus, essa aceleração no número de pessoas sendo contaminadas deixa o país em risco de um segundo “lockdown” (quarentena mais severa). Hoje, o prefeito de Londres, Sadiq Khan, deve anunciar medidas mais restritivas a população. Além dos britânicos, a situação da Espanha e da França também preocupam.
Enquanto a pandemia toma espaço no noticiário, o conflito entre EUA e China em relação a rede social, Tik Tok, parece celebrar um acordo. Mesmo que ainda sem entregar as demandas do presidente Trump sobre o controle da companhia e seus algoritmos, a empresa chinesa ByteDance, que está por trás do aplicativo, receberá investimentos das americanas Oracle e Walmart.
Toda a frente de dados ficará sob responsabilidade da Oracle, que proverá servidor em nuvem para a empresa, mas os algoritmos continuarão sob controle chinês. Trump foi mais flexível nesse assunto por ter medo de sofrer impactos negativos em seu eleitorado mais jovem.
No Brasil, de acordo com o noticiário local, o Tesouro Nacional já vê sinais de dificuldade para financiar a dívida pública brasileira. Técnicos do governo relatam que está cada vez mais difícil colocar papeis com vencimentos longos no mercado para cobrir o rombo fiscal e refinanciar a dívida. Por enquanto, o colchão de liquidez (reservas de antigas emissões) está sendo o suficiente, mas no longo prazo pode existir um limite para isso.
Insight Rico: O futuro cada vez mais rápido
(por Betina Roxo)
Caros/as 13 leitores/as, o Insight de hoje estava “programado” para ser sobre empresas boas pagadoras de dividendos. Sim, sim, eu sei, tema superinteressante, mas sabe o que é?
Na última sexta-feira, encontrei o gestor da Dahlia Capital, José Rocha, e batemos um papo muito legal sobre tech – outro assunto superinteressante vai?
Prometo que ainda traremos sobre as boas pagadoras de dividendos, mas vamos lá. O que tanto eu e o Zé falamos sobre tech?
Antes de mais nada, é muito louco pensar em filmes antigos de ficção cientifica, com robôs, carros autônomos, drones, e pensar que a maioria virou realidade hoje em dia né?
Isso graças ao avanço da tecnologia (e o que ainda é “ficção” vai virar realidade mais rápido do que imaginamos). De pensar que a ligação por vídeo nos Jetsons era algo inovador e muito difícil de acreditar e agora é o que fazemos todos os dias! Doido né?
Acho que vale trazer um outro exemplo prático, que ainda não faz parte da realidade de todos como o facetime, mas fará…
Você acha que não? Até os robôs que ainda são mais difíceis de acreditar já são reais, vide o robô guarda-costas do rei do Bahrein:
É, já estamos no futuro.
Mas, antes de falar do futuro, pausa para o momento Dark: voltando para o passado para entender o futuro, que já é presente.
Em 1965, o cofundador da Intel, Gordon E. Moore, previu que a capacidade de processamento dos computadores iria dobrar periodicamente. Previsão essa que se tornou verdadeira.
O Zé destacou (veja o vídeo clicando aqui) que isso é muito poderoso porque nos próximos 18 meses a velocidade de processamento dos computadores vai aumentar o mesmo tanto que aumentou nos últimos 50 anos. O que é até difícil de calcular o impacto.
Quando vemos coisas do tipo drones fazendo entregas, carros autônomos que dirigem sozinho, ou recentemente Elon Musk falando da apresentação da Neuralink que vai tentar fazer uma conexão entre o cérebro das pessoas aos computadores, são todas apostas na Lei de Moore, de que em algum momento a capacidade de processamento dos computadores vai ser tão forte que vamos conseguir realizar todas essas coisas.
Já vemos isso acontecer no mundo todo e várias empresas fazendo parte. Algumas americanas que já são do nosso dia a dia: Microsoft, Apple, Google e aqui no Brasil, Magalu, Totvs, Weg, entre outras.
Mas a pergunta que não quer calar: as ações dessas empresas estão caras ou baratas? E para esse ponto, trago aqui alguns pensamentos de nada mais nada menos que o Papa do Valuation, Aswath Damodaran!
Neste artigo, ele conta como as grandes empresas de tech chegaram onde chegaram mas destaca que por mais interessante que seja explicar porque as ações da FANMAG estão onde estão, a questão do momento é justamente essa que você deve ter pensado: se está na hora de comprar, vender ou apenas observar essas ações. E para isso, Damodaran abre suas análises:
Para cada empresa, ele estima um valor mediano (ou mais provável), bem como a faixa (1º decil, 1º quartil, 3º quartil e nono decil) de valores a partir de simulações. Dado o quanto essas ações subiram nos últimos seis meses, não deveria ser surpresa descobrir que apenas uma (Facebook) estava subvalorizada. Entre as restantes, a Apple parece a mais sobrevalorizada (> 30%), para ele, seguida pela Amazon e Microsoft (10-20%) e Netflix e Alphabet (<10%).
Além disso, o professor Damodaran calculou as taxas internas de retorno para essas ações, com base em seu valor atual e estimativas de fluxos de caixa. Ele estima uma TIR de 7,16% para o Facebook, por exemplo, comprando ao preço atual (lembrando que esse artigo é do dia 20 de agosto), e considerando os fluxos de caixa esperados.
Segundo ele “isso pode não parecer muito para você, mas em um mundo de baixas taxas de juros e prêmios de risco elevados, é alto o suficiente para que as ações sejam subvalorizadas. Mesmo a Apple, a ação mais sobrevalorizada deste grupo, pode gerar uma TIR de 5,30%, menor do que eu gostaria de ganhar, devido ao seu risco, mas nada mal dadas as alternativas.
Dito isso, espero que você discorde de mim, talvez até fortemente, de minhas histórias e suposições, que é uma das razões pelas quais as planilhas podem ser baixadas e alteradas para refletir seus pontos de vista.”
As planilhas estão disponíveis no blog do próprio Damodaran, no fim desta página.
| Agenda da Semana |
| Segunda-feira, 21 08h25: Brasil – Boletim Focus 09h30: EUA – Índice atividade nat Fed Chicago |
| Terça-feira, 22 08h00: Brasil – Ata do Copom 11h00: Zona do Euro – Confiança do consumido |
| Quarta-feira, 23 03h00: Alemanha – Confiança do consumidor 05h00: Zona do Euro – PMI Serviços 08h00: Brasil – Confiança do consumidor 09h00: Brasil – IPCA-15 Inflação IBGE 10h45: EUA – PMI Serviços |
| Quinta-feira, 24 08h00: Brasil – Relatório trimestral de inflação 09h30: EUA – Novos pedidos seguro-desemprego 10h45: EUA – PMI Serviços |
Resumo do dia: Ibov na contramão do mundo
Ontem, o Ibovespa se descolou do exterior e fechou em forte queda de -2,4% aos 94.666 pontos, atingindo seu menor patamar desde junho, após o governo divulgar a proposta de financiamento para o programa Renda Cidadã.
A solução proposta sugere que a União passe a limitar o pagamento de precatórios (causas perdidas pela união, que devem ser pagas a pessoas ou empresas) à 2% de sua receita corrente líquida, usando a diferença para suplementar o orçamento do Bolsa Família de modo a financiar o Renda Cidadã.
Foi também anunciada a sugestão de alocar 5% do total da complementação da União ao Fundeb (fundo constitucional destinado ao financiamento da educação básica) – recentemente ampliada por decisão legislativa.
Quais as reações e impactos?
Por Rachel de Sá, Analista de Macroeconomia da XP Investimentos
1. O adiamento do pagamento dos precatórios não exime o governo da responsabilidade de pagá-los. De acordo com a Lei de Responsabilidade Fiscal, os precatórios não pagos serão incorporados à dívida pública. Deste modo, os R$ 38,65 bi de precatórios não pagos em 2021 serão efetivamente “empurrados para depois”, e sobre eles incidirão juros. A depender de a proposta ser temporária ou permanente, essa dinâmica se tornaria gradualmente perversa, pesando sobre a já elevada dívida pública.
2. Limitar o pagamento de precatórios a 2% da receita corrente líquida elevaria a incerteza jurídica sobre tal instrumento jurídico, que hoje é base de uma relevante indústria de investimentos – os investimentos em precatórios, ou mesmo empresas cujos empréstimos ou títulos de renda fixa são atrelados à precatórios.
3. Sobre o uso de recursos dedicados ao Fundeb, a realocação de capital para despesas de naturezas distintas traz à tona o “fantasma da contabilidade criativa”. Ao criar mais uma despesa, alocada dentro de outra, fora da contabilização do teto de gastos, cresce o receio de que a regra fiscal passaria a ser apenas “para inglês ver” – e o efetivo furo na âncora fiscal se materializasse mesmo na ausência teórica da mudança.
Resumidamente, o anúncio da alternativa encontrada por governo e aliados deixa claro a intenção em criar um programa social como marca da atual administração, o que é positivo. Mas para financiá-lo, não se enfrentou a necessária discussão de priorização de gastos. Optou-se por aumentar o endividamento, postergando o pagamento de precatórios ou registrando a despesa adicional fora do teto de gastos. A reação do mercado reflete deterioração do risco fiscal associada a essa escolha.
Nesta manhã, mercados globais operam em leve queda. EuroStoxx cai 0,2%, o futuro do S&P e Nasdaq no zero a zero.
A recuperação do fim do mês nas ações globais enfraqueceu à medida que os investidores avaliam a proposta reduzida de estímulo fiscal nos EUA, enquanto os casos de Covid-19 continuam a aumentar.
Os democratas da Câmara divulgaram ontem um pacote de USD 2,2 trilhões, USD 1,2 trilhão menor do que o projeto original e USD 200 bi menor que a versão mais recente. A líder da Câmara, Nancy Pelosi, não confirmou a votação do pacote, mas alguns democratas anteciparam que deverá haver votação entre quarta e quinta desta semana. Ainda não há consenso com republicanos.
Hoje acontece o primeiro debate presidencial entre Donald Trump e Joe Biden às 22:00 (horário de Brasília).
Na Europa, bancos e as empresas cíclicas lideraram o recuo das ações após a recuperação de ontem, a maior alta desde junho. A libra se fortaleceu com o otimismo quanto às negociações comerciais do Brexit.
Insight Rico: Ainda está “marcando” sobre o Tesouro Selic?
Nunca usei essa gíria (até porque faço mais o estilo “jovem idosa” no meu linguajar), mas já ouvi gente usar a expressão “tá marcando?” como sinônimo de estar perdido ou vacilando sobre algum assunto. Às vezes eu penso nela quando vou falar sobre o tema do Insight de hoje: marcação a mercado.
Duas semanas atrás, o Collazo escreveu neste Rico Matinal sobre rendimentos negativos no Tesouro Selic. Como algumas pessoas ainda estavam com dúvidas sobre os movimentos que levaram a essa “aberração”, vim trazer mais alguns esclarecimentos.
A marcação a mercado
Como já vimos no texto do Colla sobre o tema, o que faz com que os preços das LFTs (nome “científico” do Tesouro Selic) se movam é o efeito das mudanças na taxa prefixada que acompanha a rentabilidade do título. Em linhas gerais, quando a taxa pré sobe, o preço cai, e quando ela cai, o preço sobe. Essas oscilações de preço, que acontecem antes do vencimento do título, se chamam marcação a mercado.
No momento em que eu escrevo esse texto, o Tesouro Selic 2025 oferece uma remuneração de Selic + 0,1105%. Tudo o que vem depois do “+” pode mexer com os preços dos títulos e fazer com que a sua rentabilidade suba ou, como aconteceu, fique, temporariamente, negativa.
O que aconteceu em setembro?
Normalmente, essa taxa prefixada é bem mais baixa do que esses 0,1105% – fica mais para 0,003, 0,004%…
A partir do dia 11 de setembro, porém, ela começou a subir vertiginosamente, como podemos ver no gráfico abaixo, retirado do site do Tesouro:
Com isso, os preços das LFTs fizeram o seguinte movimento:
E aqui vem a pergunta que não quer calar: por que isso aconteceu?
No dia 10, o Tesouro Nacional fez um megaleilão de títulos – o maior da sua história. Foram ofertados R$ 46 bilhões em títulos, sendo 11,5% em LFTs. Isso significa que o Tesouro pediu quase R$ 50 bilhões emprestados para o mercado.
Mas a demanda não foi do mesmo tamanho que a oferta: basicamente, os investidores ficaram com o pé atrás sobre a necessidade de tanto dinheiro a mais para financiar o Tesouro Nacional e preferiram ficar de fora – ao menos às taxas inicialmente oferecidas. Com a falta de investidores interessados em comprar essas LFTs, o prêmio prefixado desses papéis teve que aumentar, criando os dois movimentos que acabamos de ver.
E por que não teve demanda?
Alguns fatores explicam a desconfiança do mercado em entrar nesse leilão. A necessidade de pedir mais dinheiro emprestado vem, primeiro, do financiamento de medidas contra os efeitos da pandemia, como o auxílio emergencial, gastos maiores com saúde e os programas de manutenção de empregos. Com tudo isso, o déficit primário deve superar 12% do PIB esse ano e a dívida bruta deve superar 90% do PIB.
Mas a grande preocupação dos investidores é o pós-pandemia. Desde agosto se fortaleceu a discussão sobre a eventual flexibilização do teto de gastos para criar um novo programa de transferência de renda a partir de 2021 – o que aumenta a percepção de risco pelos investidores e diminui a demanda por títulos públicos que pagam taxas baixas.
Fora isso, a conta única, uma espécie de “conta corrente do governo” onde é gerido o caixa para ingresso de receitas e pagamentos de despesas, está menos robusta do que o normal. Isso significa que o “colchão de liquidez” do governo, que normalmente permite financiar a dívida sem a necessidade de emitir mais dívida, está mais fino – o que também aumenta a desconfiança do mercado.
Socorro?
Calma. Como já explicamos, o Tesouro Selic continua sendo uma das melhores alternativas para a sua reserva de emergência. Isso não mudou com os movimentos recentes. As quedas vistas recentemente são pontuais e a tendência é que se normalizem, como já aconteceu antes.
Na janela curta de tempo, a queda no seu dinheiro pode até parecer relevante, mas, se afastarmos a lupa, podemos ver que variações como essa são “soluços” na rentabilidade do título com menor risco de crédito do nosso mercado. Veja abaixo em gráfico da analista de renda fixa Camilla Dolle, da XP:
Resumindo, o impacto foi de 0,2%, só tem efeito se você vender o papel agora e não deveria desesperar ninguém. A tendência, na nossa opinião, é de normalização.
| Agenda da Semana |
| Terça-feira, 29 06h00: Zona do Euro – Confiança na economia setembro (exp: 89; ant: 88) 08h00: Brasil – IGPM setembro (exp: 4,5%; ant: 2,7%) 09h00: Brasil – Preços ao produtor agosto (ant: 2,7%) 11h00: EUA – confiança do consumidor setembro (exp: 90; ant: 84,8) 20h50: Japão – Comércio varejista agosto (exp: 2,0%; ant -3,3%) 22h00: China – PMI Composto setembro (ant: 54,50) Brasil: Resultado primário do governo centralBrasil: criação de empregos formais (exp: 206.826; ant: 131.010) |
| Quarta-feira, 30 03h00: Inglaterra – PIB trimestral (exp: -20,4%; ant: -20,4%) 09h00: Brasil – taxa de desemprego nacional (exp XP: 13,7%; ant: 13,3%) 09h30: Resultado primário do setor público consolidado 09h30: EUA – PIB anualizado trimestral (exp: -31,7%; ant: -31,7%) |
| Quinta-feira, 01 06h00: Zona do Euro – Taxa de desemprego agosto (exp: 8%; ant: 7,9%) 09h30: EUA – Pedidos de Seguro-desemprego (ant: 12.580.000) 15h00: Brasil – Balança comercial mensal setembro |
| Sexta-feira, 02 02h00: Japão – confiança do consumidor setembro (exp: 31; ant: 29,30) 06h00: Índice de preços ao consumidor setembro (exp: 0,3%; ant: -0,4%) 19h00: Brasil – produção industrial agosto (exp XP: 3,7%; ant: 8,0%) 09h30: EUA – taxa de desemprego setembro (exp: 8,2%; ant: 8,4%) 11h00: EUA – confiança do consumidor setembro (exp: 79; ant:79) |