Insight Rico: Brasil, você não é todo mundo!
(por Rachel de Sá, economista da XP Inc. e convidada especial deste Rico Matinal)
– Eu preciso ir nessa festa! Vai todo mundo!
– Quantas vezes eu preciso repetir? Você não é todo mundo!

Se você (também) cresceu bolando argumentos para convencer sua mãe de porque você absolutamente precisava comparecer a um número incrivelmente grande de eventos sociais para uma criança, tenho certeza que já ouviu ela falar isso ao menos uma vez na vida. Ou, no meu caso, algumas muitas vezes ao longo da vida – confesso que ouço até hoje!
É basicamente isso que eu sinto quando me perguntam sobre os motivos por trás de tanta preocupação com a saúde das contas públicas do Brasil no pós-pandemia. Se os EUA, o Japão, a União Europeia, e vários outros países desenvolvidos (ou seja, TODO MUNDO) estão aumentando o endividamento até mais do que nós, e considerando estender os estímulos para além deste ano, por que quando falamos em fazer o mesmo por aqui, o pessoal dá “uma surtada”?
Simples: porque você (amado Brasil), não é todo mundo! E, nesse caso, tampouco o são boa parte do restante dos países além dos citados acima – especialmente, os emergentes.
Passada minha preocupação de que posso estar lentamente me metamorfoseando em minha mãe (respira, inspira, não pira!), explico. Sabemos que o ano de 2020 ficará na memória como o ano da covid-19. Porém, além disso, ele também lembrado como o ano dos estímulos sem precedentes; estímulos fiscais, creditícios, monetários e tudo o que governos têm direito sendo marca das respostas para conter os efeitos da pandemia na economia ao redor do mundo.
Como podemos ver no gráfico abaixo, o Brasil não foi exceção. Programas que incluíram o auxílio emergencial para informais, o benefício de prestação continuada (BPM) para trabalhadores formais, além de pacotes de crédito garantidos pelo Tesouro Nacional a micro, pequenas e médias empresas, e transferências para estados e municípios somarão mais de 8% do PIB em impulso fiscal ao final de 2020.

Se você, como bom(a) portador(a) da síndrome do vira lata do brasileiro, está se perguntando se toda essa gastança foi eficaz, a resposta é “sim”.
De fato, ainda veremos muitos debates sobre se deveríamos ter gastado menos, mas a realidade é que os programas foram majoritariamente bem-sucedidos ao que se propuseram: mitigar os efeitos nefastos de medidas de isolamento social (necessárias) na atividade econômica.
Os dados não mentem, e números do terceiro trimestre deste ano já indicam uma recuperação mais robusta do que o imaginado no início desta crise, principalmente nos setores industrial e do varejo, puxados principalmente por tais programas de estímulos. Nossa expectativa é que o PIB brasileiro contraia 4,6% no ano nesse ano (frente projeção de -6% em maio).

Diante disso, por que o mercado tem reagido negativamente quando falamos de extensão de programas de estímulo no Brasil, com abertura da curva de juros e queda no Ibovespa, enquanto Wall Street não vê a hora para que um novo pacote seja aprovado nos EUA? Porque, como também diria minha mãe “quem faz a fama, deita na cama”, e tudo é uma questão de credibilidade.
Com um passado marcado por períodos alternados entre irresponsabilidade fiscal e inflação fora do controle, o Brasil havia apenas começado a dar os primeiros passos em direção à maturidade fiscal nos últimos anos. Aprovamos o regime do teto de gastos (que controla as despesas de acordo com a inflação do ano anterior), a reforma da previdência e a mudança da taxa de juros do BNDES — que deixou de representar mais um custo ao Tesouro Nacional, além de não mais prejudicar a eficácia da política monetária do Banco Central.
O movimento de controle de gastos foi fundamental para a redução dos juros para patamares historicamente baixos, criando um ciclo virtuoso para investimentos produtivos e financeiros, além de baratear nossa dívida. Para se ter uma ideia, a cada 1.p.p de aumenta na taxa Selic, o custo da dívida brasileira sobe em R$ 35 bilhões!
Foi também esse mesmo movimento que nos trouxe à essa crise com uma taxa de juros baixa, e inflação sob controle – fazendo com que o Banco Central pudesse seguir baixando a taxa Selic de modo a estimular a economia em um período de extrema contração da atividade.
Em linguagem de mães, essas medidas nos colocaram ali na fase de “permissão de ir à festa, com todo mundo, com algumas condições”.
Porém, assim como aparecer em casa 3 horas depois do combinado nos tiraria os privilégios de ir para a festa “como todo mundo”, extrapolar os gastos que elevarão nossa dívida/PIB em aproximadamente 20p.p. nesse ano para o período pós pandemia (comparado a uma média de 10 p.p. em países emergentes, onde a dívida já se encontrava em patamares muito menores do que a nossa antes da crise) certamente tiraria do Brasil “privilégios” como o financiamento a taxas historicamente baixas, e inflação ancorada também em níveis historicamente baixos.
Por fim, resta ao Brasil apenas a pergunta: será que vale a pena cutucar a mãe (ops, onça) com vara curta? Minha experiência me diz que o mais prudente é perder o finzinho… Afinal, ninguém gosta de ficar conhecido como arroz de festa, não é mesmo?
Resumo do dia: “Quase lá”
(por Paula Zogbi)
Mercados mundiais amanhecem em alta nesta sexta-feira. O Stoxx 600 sobe 0,8%, repercutindo bons resultados de empresas dos setores financeiro e automotivo. Nos EUA, futuros sobem 0,2%.
Ontem, a presidente da Câmara dos representantes dos EUA, Nancy Pelosi, disse estar “quase lá” nas negociações do novo pacote de estímulos com o secretário do Tesouro Steve Mnuchin. Mas discussão, que era para ter acabado na terça, ainda pode “levar um tempo”, segundo ela mesma.
Quem venceu o debate? Com tom mais ameno, o debate entre Joe Biden e Donald Trump que foi ao ar na noite de ontem repercute nesta manhã com falas do candidato democrata contrárias à indústria petroleira. O presidente atual, por sua vez, disse que o oponente e seu filho têm envolvimento irregular com China, Ucrânia e Rússia. Não foram apresentadas novas narrativas com potencial de alterar a liderança na disputa.
No Brasil, os bancos deram o ar da graça ontem, subindo em torno de 5% e, junto à Petrobras, ajudando o Ibovespa a fechar com alta de 1,36% a 101.917 pontos, maior patamar de fechamento desde 1º de setembro.
Com negociações liberadas para o varejo, BDRs tiveram variações consideráveis na B3, com alta de 13% para a GAP e 11,68% para a Macy’s em destaque. A queda mais acentuada foi registrada pela Chipotle (-5,13%). Os certificados de ações estrangeiras tiveram 31,5 mil negócios no dia, quase 30 vezes a média diária de 1.060 em 2020. Confira os destaques, conforme levantamento da Economática:

| Agenda da Semana |
| Sexta-feira, 23 04h15: França – PMI Serviços out. (ant: 47,5) 04h30: Alemanha – PMI Serviços Markit out. (exp: 49,5; ant: 50,6) 05h00: Zona do Euro – PMI Serviços Markit out. (exp: 47,5; ant: 48) 08h00: Brasil – FGV Confiança do Consumidor out (ant: 83,4) 09h00: Brasil – IPCA-15 (a.m.) out (exp BBG: 0,7%; exp XP: 0,9%; ant: 0,5%) 09h00: Brasil IPCA-15 (a.a.) out (exp BBG: 3,3%; exp XP: 3,51%; ant: 2,7%) |
Faltam só 2 semanas para as eleições presidenciais dos EUA e o mercado continua de olho na disputa entre Donald Trump (Republicano) e Joe Biden (Democrata). O interesse no resultado dessa corrida é grande porque ela deve influenciar nos mercados globais com possíveis alterações na política econômica e nas relações internacionais da maior economia do mundo.
As pesquisas eleitorais nacionais mais recentes indicam que Biden lidera a corrida pela presidência com vantagem de 10,8 pontos, a maior desde o começo do ano. Segundo o agregador de pesquisas do FiveThirtyEight, a intenção de voto de Biden é de 52,5% contra 41,7% de Trump em 19/10.
De acordo com o modelo preditivo do mesmo site, hoje a probabilidade de Biden ganhar a maioria dos votos dos delegados é de 88%, enquanto a de Trump é 12%. Essa previsão é feita com base em resultados de pesquisas de intenção de votos nacionais e estaduais, além de informações demográficas e histórico de eleições dos estados.
Além disso, a probabilidade do Senado, que atualmente tem maioria republicana, ter predominância democrata após as eleições de 3 de novembro vem crescendo desde o fim de setembro e está em 74%.
Você pode ver as previsões completas do FiveThirtyEight para as eleições presidenciais aqui e para o Senado aqui. Para baixar os dados de pesquisas e do modelo preditivo, é só clicar aqui.
O avanço do ESG
Com Joe Biden consistentemente à frente na disputa pela presidência, as propostas democratas também ficam cada vez mais em evidência e o mercado busca entender melhor os possíveis impactos de cada medida prometida.
Dentre os temas da agenda Biden, o meio ambiente é um dos mais importantes para seu eleitorado. Segundo pesquisa do Pew Research, o assunto é o quarto mais relevante para eleitores do partido nesse pleito — 68% apontam o tema como “muito importante” na hora de escolher seu candidato à presidência. Em comparação, apenas 11% dos republicanos dizem o mesmo.
Se Biden for eleito presidente dos Estados Unidos, temas de ESG (sigla em inglês para Meio ambiente, Social e Governança) devem ganhar mais força no país, assim como investimentos que levam em consideração esses critérios. O candidato tem propostas focadas em energia limpa, com investimento em estrutura e incentivos fiscais para o setor de energia elétrica renovável. Biden ainda é a favor da ampliação de legislações punitivas para corporações e indivíduos que causem danos ambientais.
Existe uma movimentação dos investidores de todo o mundo em direção a portfolios alinhados com os princípios ESG nos últimos anos e, apesar do tema não ser prioridade no atual governo, isso fica ainda mais evidente no mercado americano.
Nos Estados Unidos, 1 a cada 4 fundos já considera os critérios ESG na seleção dos investimentos. Caso Biden ganhe, o que de acordo com as pesquisas e modelos é cada vez mais provável, essa busca das empresas por práticas alinhadas à agenda ESG deve acontecer de forma ainda mais intensa.
É importante lembrar que para colocar em prática seus planos para o meio ambiente em caso de vitória, Biden também depende de aprovação no Senado e na Câmara de Representantes. Essa última tem maioria Democrata, e o resultado das eleições para as 35 cadeiras no senado pode alterar a configuração atual do Senado, com maioria do Partido Republicano. Caso os democratas controlem o Congresso, Biden teria o melhor cenário para aprovar as medidas que desejasse na pauta de meio ambiente.
Refletindo os interesses do eleitorado republicano e em oposição a Biden, Trump não apresentou plano ambiental em suas propostas de campanha, apesar de propor novos projetos para o setor de energia. Caso seja reeleito, não são esperadas grandes mudanças nas políticas ambientais do governo americano.
Se governos impulsionam e priorizam os temas ambientais e de sustentabilidade, é natural que eles tenham um alcance maior. Mas não é só a eleição que influencia nisso: cada vez mais os próprios investidores, as empresas e a sociedade em geral assumem a frente nesses temas, incentivando as práticas alinhadas a pauta ESG. Por isso, esse movimento deve avançar daqui para a frente ainda que não seja uma prioridade do próximo presidente americano.
Insight Rico: Negocie seu aluguel – e invista em IGP-M com FIIs
Um amigo meu que está entre os 13 leitores (oi, Chou!) me disse esses dias que o aluguel do apartamento em que ele mora, de um quarto, subiu tanto que agora compensa buscar um de dois quartos para morar por um preço parecido. Foi mais ou menos o que aconteceu comigo: antes de chegar o momento da renovação do contrato do apartamento de onde eu morava, eu fugi do reajuste de 17,94% e, de quebra, achei um lugar mais apropriado para acomodar o home office.
Pois é, se você não estava acompanhando, pode até ter dado um pulo na cadeira: o IGP-M, que serve como base para o reajuste dos aluguéis, subiu nada menos que 18% nos 12 meses até setembro (se o seu contrato está para ser corrigido, negocie!).
Deu até saudade das NTN-Cs, antigos títulos do Tesouro que funcionavam de uma forma parecida com as NTN-Bs, mas com remuneração em IGP-M+, em vez de IPCA+. Ele não existe desde 2006, mas quem comprou lá atrás e segurou papéis até agora tem motivo de sobra para comemorar.
Só que eu não estou aqui para chorar sobre o leite derramado ou papéis do Tesouro não encarteirados. Quem vive de passado é museu (aliás, museus são outra categoria de que estou com saudades, mas não vem ao caso). O intuito desse Insight é responder uma pergunta que compreensivelmente está “na boca do povo”: como lucrar com as altas do IGP-M?
Antes de começar a falar sobre isso, é legal dar um passinho para trás e entender o que é esse índice. O IGP-M é formado pela variação dos preços de bens e serviços e matérias-primas usadas na produção agrícola, industrial e construção civil. Ele é uma média ponderada da inflação ao produtor-amplo (IPA, 60%), consumidor (IPC, 30%) e construção civil (INCC, 10%).
Por conta dessa composição mais generalista, pode se diferenciar bastante da inflação ao consumidor medida pelo IPCA. Nos últimos meses, as commodities, como a soja em grão, estão entre os principais fatores de pressão para o índice. Matérias primas mais caras e a desvalorização do real ante o dólar também têm bastante “culpa” nesse movimento que vai impactar não só em altas de aluguéis como tarifas de energia elétrica e outros contratos de serviços. Veja abaixo em gráfico da FGV:

Pois bem, agora que você já sabe o que é o IGP-M e o que vem pressionando seus resultados nesses meses, é hora da notícia boa: existem investimentos que podem se beneficiar dessas altas – sendo os mais famosos deles alguns fundos imobiliários.
Como já falamos, muitos contratos de aluguel são indexados ao IGP-M, e isso inclui alguns daqueles contidos dentro dos FIIs – principalmente os chamados contratos atípicos. Para pincelar rapidamente: contratos típicos geralmente duram 5 anos (com revisional no meio do caminho), ao final dos quais podem ser renegociados; já os atípicos costumam ter prazos mais longos, geralmente 10 anos, com reajustes anuais indexados e sem previsão de revisionais.
Tudo isso para dizer que fundos imobiliários com grande concentração de contratos atípicos corrigidos pelo IGP-M podem ganhar uma atenção especial em momentos como o atual: contratos que completem “aniversário” em breve podem significar aluguéis até 18% mais “gordos” e, consequentemente, proventos mais altos. Isso sempre levando em consideração, claro, FIIs que tenham ativos sólidos, bem localizados, com inquilinos consolidados e confiáveis – além de uma gestão de excelência.
Dentro da nossa carteira recomendada de fundos imobiliários (que você pode acessar na sua área logada), alguns fundos se destacam por ter concentração alta em contratos atípicos com correção pelo IGP-M. O XP Log (XPLG11), por exemplo, é do segmento de logística, que já vem se destacando pelo crescimento das vendas online na pandemia. Alguns dos inquilinos do fundo são Leroy Merlin, Renner, GPA, Dia, entre outras empresas sólidas, que suportariam um repasse da inflação mesmo neste momento de fragilidade econômica.
No segmento de recebíveis – ou seja, que obtêm ganhos investindo em ativos de renda fixa ligados a imóveis, como CRIs -, o RBR Rendimento High Grade (RBRR11) divulgou que tem 20% do seu patrimônio líquido atrelado ao IGP-M. Isso, combinado ao risco mais baixo inerente a essa classe de FIIs (“papéis”), traz uma combinação interessante.
Dentre os fundos híbridos, ou seja, que investem em mais de uma classe de ativos (galpões, edifícios corporativos, shoppings, CRIs, e assim vai), o CSHG Renda Urbana (HGRU11) tem cerca de 90% da receita advinda de contratos atípicos e 19% de contratos indexados ao IGP-M. Ele também está na nossa carteira recomendada.
Resumo do dia: China e estímulos em pauta
(por Paula Zogbi)
Bolsas mundiais abrem a semana em alta após renovações das esperanças da aprovação do novo pacote de estímulos nos EUA e dados do PIB chinês. Futuros de índices norte-americanos sobem entre 0,5% e 1%. Na Europa, o Stoxx 600 tem movimento de +0,5%.
Para aplicar pacote de estímulos antes da eleição em 3 de novembro, a presidente da Câmara dos EUA, Nancy Pelosi, definiu amanhã como prazo para chegar a um acordo. A democrata recentemente rejeitou uma proposta de US$ 1,8 trilhões e Trump então afirmou que apoiaria um pacote maior, mas há resistência à ideia entre republicanos no Senado.
Na China, dados econômicos começam a encostar em números estimados no início do ano, antes dos efeitos mais graves da pandemia. O PIB do terceiro trimestre cresceu 4,9% na comparação anual, abaixo da estimativa de alta de 5,2% para o período, mas a produção industrial subiu 6,9% ano a ano (est 5,8%) e as vendas do varejo cresceram 3.3% ano a ano (est 1,6%) em setembro.
Após o primeiro ministro britânico, Boris Johnson, dizer que negociações chegaram ao fim no sábado, as negociações devem continuar hoje. Oficiais britânicos estariam preparados para reescrever os termos do Brexit, removendo os pontos controversos e restaurando as negociações com a União Europeia.
| Agenda da Semana |
| Segunda-feira, 19 06h00: Zona do Euro – Produção industrial (ant: 0,2%) 08h25: Brasil – Boletim Focus 11h00: EUA – Índice do mercado habitacional NAHB out. (exp: 83; ant: 83) 12h45 – 16h00: EUA – discursos de representantes do Federal Reserve 22h30: China – Preços de novas casas (a.m.) set. (exp: 0,5%; ant: 0,6%) |
| Terça-feira, 20 03h00: Alemanha – PPI (a.m.) set. 10h00 – 14h30: EUA – discursos de representantes do Federal Reserve |
| Quarta-feira, 2108h00: México – taxa de desemprego set. (ant: 5,2%) 11h00 – 15h00: EUA – discursos de representantes do Federal Reserve |
| Quinta-feira, 22 03h00: Alemanha – Confiança do consumidor nov. (ant: -1,6) 03h45: França – Confiança do negócio out. (ant: 92) 06h00: Zona do Euro – Dív Gov/Índice PIB (ant: 84,1%) 09h30: EUA – Novos pedidos de seguro-desemprego (ant: 898 mil) 11h00: Zona do Euro – confiança do consumidor out. (ant: -13,9) 11h00: EUA – venda casas existentes (a.m.) set. (exp: 3,3%; ant: 2,4%) 21h30: Japão – PMI Serviços out. (ant: 51) |
| Sexta-feira, 23 04h15: França – PMI Serviços out. (ant: 47,5) 04h30: Alemanha – PMI Serviços Markit out. (exp: 49,5; ant: 50,6) 05h00: Zona do Euro – PMI Serviços Markit out. (exp: 47,5; ant: 48) 08h00: Brasil – FGV Confiança do Consumidor out (ant: 83,4) 09h00: Brasil – IPCA-15 (a.m.) out (exp BBG: 0,7%; exp XP: 0,9%; ant: 0,5%) 09h00: Brasil IPCA-15 (a.a.) out (exp BBG: 3,3%; exp XP: 3,51%; ant: 2,7%) |
Insight Rico: Gringos: not in the “Moody’s” de investir no Brasil
Entre 30 de abril de 2008 e 20 de maio do mesmo ano, o Ibovespa bateu 10 recordes de pontuação, graças ao tão almejado grau de investimento atribuído pelas agências de classificação de risco Standard & Poor’s e Fitch. Sobre o sentimento que rondou o mercado naquele período, recomendo o podcast do InfoMoney Os Pregões Que Fizeram História.
Naquela ocasião, a Moody’s foi a última das grandes agências de rating a atribuir o selo de bom pagador ao nosso país, só no ano seguinte. Agora, ela é a primeira a ameaçar vocalmente cortar novamente a nossa nota de crédito se não observar responsabilidade fiscal no país a partir de 2021.
Já não temos grau de investimento há muito tempo – desde 2015, para ser mais exata. Hoje, a nota de crédito soberano atribuída pela própria Moody’s ao nosso país é Ba2, dois graus abaixo do piso do “investment grade”. Mas não vai ajudar em nada ficar ainda mais longe dessa marca.
O selo de bom pagador é um baita chamariz para os estrangeiros investirem aqui, vale lembrar. Ele “destrava” investidores gringos que não suportam tanto risco, como fundos de aposentadoria, por exemplo. Por essas e outras, alterações nas notas (ou até ameaças de alterações, como vimos nos jornais nessa semana) são tão alardeadas.
A Moody’s projeta que a relação entre dívida pública bruta e Produto Interno Bruto (PIB), que era de 75,8% em 2019, supere os 97% no próximo ano. “Esperamos que o crescimento econômico se recupere em 2021. Contudo, as reformas estruturais e o ajuste fiscal serão importantes para o Brasil conseguir um crescimento sustentável”, afirmou a vice-presidente e analista sênior do rating do Brasil na Moody’s Investors Service, Samar Maziad.
Enquanto o temor fiscal perdurar, os gringos devem seguir sem “Moody’s” de investir no país. Com juros baixos e imensa volatilidade do real em relação ao dólar, há pouca atratividade no nosso mercado para quem vem de fora, mesmo em movimentos altamente especulativos como o carry trade.
Traduzindo: carry trade é um movimento onde investidores tomam empréstimos a uma taxa de juros baixa e aplicam em outra moeda, onde as taxas de juros são maiores. Ele funciona melhor quando há expectativas claras em relação ao câmbio de destino, porque é possível ganhar tanto com diferencial de juros como com valorização de moeda. Agora, com Selic em 2% a.a., mal temos diferencial de juros, e seguimos muito longe de perspectivas realmente claras para o câmbio.
Até o fim de setembro, os investidores estrangeiros já retiraram da bolsa brasileira mais de R$ 88 bilhões, quase o dobro de tudo o que foi sacado em 2019 inteiro (R$ 44,5 bilhões). E o pronunciamento da Moody’s deixa claro que eles continuam de olho no que estamos “aprontando” por aqui.
Em maio, a agência atualizou pela última vez o rating brasileiro, já considerando um aumento da dívida para evitar maiores estragos com a pandemia, mas previa um esforço para retomar o ajuste fiscal a partir do próximo ano. “O importante é que avancem [no rearranjo fiscal]”, disse a analista da agência de rating.
“A manutenção do rating incorpora esse aumento [de gastos], mas também prevê a retomada do ajuste fiscal em 2021”, complementou. “Se o apoio a reformas diminuir, haverá impacto negativo em nosso cenário”. Simples assim.
Resumo do dia: À espera de sinais
(por Paula Zogbi)
Mercados globais amanhecem em leve alta com resultados trimestrais positivos de grandes empresas na Europa e à espera de sinais positivos sobre o novo pacote de estímulos dos Estados Unidos contra os efeitos econômicos da covid-19.
Futuros dos EUA sobem entre 0,1% e 0,2%, enquanto o EuroStoxx tem alta de 0,95%.
Na seara eleitoral, Donald Trump e Joe Biden participaram de ‘town halls’ (eventos em que candidatos recebem perguntas dos eleitores) após o cancelamento de segundo debate presidencial por causa do diagnóstico positivo do presidente para Covid-19 na semana passada. No todo, os eventos não devem afetar a dinâmica eleitoral – o que tende a ser positivo para quem já está na liderança. Ou seja, uma oportunidade perdida pelo presidente dos EUA para mudar a direção da disputa.
Contribui para o tom de cautela a continuação da alta de casos de coronavírus, tanto nos Estados Unidos quanto na Europa. Paris voltou a ter toques de recolher e Londres a proibir encontros entre pessoas que não vivem na mesma casa.
Ontem o Reino Unido perdeu o prazo para fechar um acordo sobre o comércio com a União Europeia após o Brexit. O primeiro ministro Boris Johnson deve anunciar hoje se continuará as negociações com o bloco econômico, que não têm avançado.
| Agenda da Semana |
| Sexta-feira, 16 06h00: Zona do Euro: Balança Comercial SA agosto 06h00: Zona do Euro – IPC setembro a.m. (exp: 0,1%; ant: 0,1%) 08h00: Brasil: IPC-S FGV (ant: 1,2%) 08h00: Brasil: IGP-10 FGV outubro (ant: 4,3%) 11h00: EUA – Confiança do consumidor outubro (exp: 80; ant: 80,4) |
Insight Rico: K-pop: super hit inclusive no IPO
No começo do ano, fui viajar para os EUA (sim, quase no limite pra tudo fechar por causa do coronavírus), e recebi a seguinte mensagem da minha prima de 12 anos “Oi Be, se você achar coisas do BTS nos EUA, você pode comprar mim? Por favooooor, obrigada!”. Parece que foi ontem, mas eu não tinha a menor ideia do que ela estava falando. Clique aqui para ouvir essa conversa e inclusive rir da minha resposta: “que que é isso? Eu não entendi o nome, me passa o nome que eu vejo sim!”.
Eis que, 9 meses depois, cá estou super entendida de BTS. Mas sob outra perspectiva: o IPO da gravadora por trás do sucesso da boyband: a Big Hit.
Antes de entrarmos em mais detalhes, obviamente que esse Insight dexcolado merece trilha sonora. Clique aqui para ouvir a música preferida da minha prima, “Dynamite”, hit que fez do BTS a primeira banda sul-coreana a ficar em primeiro lugar da tradicional lista da Billboard, que mostra o ranking das músicas mais populares do momento.

Pois é, o pop sul-coreano (k-pop) tem conquistado uma legião de fãs cada vez maior (e mais fanática). Mas, o sucesso do gênero vai além do mundo da música e está prestes a ser um hit também em outra parada: o mercado de capitais.
O BTS é o principal trunfo da Big Hit Entertainment, gravadora sul-coreana que gerencia a carreira da boyband responsável por 88% de sua receita do 1º semestre de 2020. E bem hoje – 15 de outubro – as ações da empresa começaram a ser negociadas na Coreia do Sul, na oferta pública inicial (IPO) mais esperada do país desde 2017, com uma impressionante alta de 90%.
As ações da companhia já haviam sido precificadas no final de setembro em 135 mil won, o equivalente a cerca de US$ 115, com uma demanda que superou mais de mil vezes a oferta. Após levantar mais de US$ 800 milhões oferecendo aos investidores cerca de 20% da empresa, a Big Hit, que teve lucro de US$ 86 milhões no ano passado, está avaliada em cerca de US$ 7,8 bilhões após as ações subirem para US$ 225 no pregão de estreia.
Os membros do BTS também ganham
E com isso, os sete membros do BTS também ganham: segundo informações da Reuters, cada um deles recebeu, no mês de agosto, 68.385 ações ordinárias, que agora valem o equivalente a US$ 14,8 milhões.
Na etapa de pré-subscrição, a Big Hit atraiu cerca de 1.420 investidores institucionais e quase todos eles disseram que pagariam o teto do preço ou até mais pelas ações da companhia. Fora isso, os próprios fãs do grupo também impulsionam a demanda, interessados em ter uma fatia da empresa que gerencia a carreira de seus ídolos.
Claro que preocupações existem com relação à vida útil de uma boyband que é o principal negócio da gravadora. Porém, pelo visto, os investidores enxergam como uma ótima oportunidade o fato de serem sócios de um fenômeno musical que fez a turnê mais lucrativa do mundo no ano passado.
Aí Ma (minha prima), além de poder ir aos shows (eles já vieram quatro vezes ao Brasil e, nesse último fds, fizeram um show online) e comprar coisas com o tema “BTS”, a outra possibilidade é ser uma investidora da sua banda favorita. Agora só poderiam criar uma BDR, que tem corretagem zero na Rico, né?
Aproveito o tema, e deixo um videozinho (só clicar na imagem) “desmistificando” essa sigla tão falada ultimamente: IPO. Por favor, reparem no que eu falo e não no que eu desenho, que claramente não é o meu forte, rs.
Resumo do dia: Coronavírus ressurge na Europa
(por Júlia Aquino)
Mercados globais amanheceram em queda nessa quinta-feira. O Stoxx Europe 600 cai 2,17%, e os futuros nos EUA caem cerca de 1% nessa manhã, enquanto cidades da Europa tomam medidas de restrição para conter os novos casos de coronavírus e as esperanças de um novo pacote de estímulos em Washington são diminuídas.
O presidente da França, Emmanuel Macron, definiu que residentes de nove das maiores cidades do país entrem em confinamento a partir desse sábado como medida para achatar a curva de infecções pelo COVID-19. Outros países europeus ensaiam adotar medidas no mesmo sentido, o que, junto aos sinais cada vez menores de uma vacina eficiente estar disponível em curto prazo, deixa o mercado atento ao que acontece no continente.
As perspectivas do mercado de um novo pacote de estímulos nos EUA antes das eleições em novembro murcharam após declaração do secretário do tesouro, Steve Mnuchin, que afirmou que dificilmente chegarão a um acordo antes dessa data. Republicanos no Senado temem que a falta de um acordo pelo pacote possa complicar ainda mais sua posição nas eleições.
Na contramão das bolsas internacionais, o Ibovespa fechou em alta de 0,84% ontem, puxado pelos frigoríficos e setor industrial após anúncio de mais casos de peste suína na Alemanha, de quem China e outros compradores já haviam proibido importações em setembro.
O governo brasileiro prorrogou até 31 de dezembro o programa que autoriza empresas a reduzirem ou suspenderem a jornada e o salário de funcionários nessa quarta, medida provisória instituída em abril após início das restrições devido a pandemia no país.
| Agenda da Semana |
| Quinta-feira, 15 09h00: Brasil – Atividade Econômica agosto a.m. (exp XP: 3,8%; ant: 2,2%) 09h00: Brasil – Atividade Econômica agosto a.a. (exp XP: -2,7%; ant: -4,9%) 09:30: EUA – novos pedidos de seguro-desemprego 09h30: EUA – Índice Empire Estate manufatura em NY (exp: 12; ant: 17) 09h30: EUA – seguro-desemprego |
| Sexta-feira, 16 06h00: Zona do Euro: Balança Comercial SA agosto 06h00: Zona do Euro – IPC setembro a.m. (exp: 0,1%; ant: 0,1%) 08h00: Brasil: IPC-S FGV (ant: 1,2%) 08h00: Brasil: IGP-10 FGV outubro (ant: 4,3%) 11h00: EUA – Confiança do consumidor outubro (exp: 80; ant: 80,4) |
Insight Rico: Jabuticaba ou não, eis a questão
O mercado é um eterno debate de opiniões contrárias, muito mais intenso do que as minhas reuniões familiares (o que particularmente eu achava que fosse impossível). Sobre um mesmo cenário, ativo e estratégia, sempre existirá mais de um ponto de vista: comprador, vendedor e o “prefiro ficar de fora”.
O Salomão sempre me dizia isso: “no mercado, para todo comprador que acredita ter encontrado uma ‘pechincha’, existe um vendedor que acredita estar fazendo um bom negócio e fica feliz em se livrar do investimento”. Parece óbvio, mas é o tipo de frase que quando falada faz o autor parecer um gênio.
E quando o assunto é debate, nós, investidores brasileiros, somos verdadeiros “Phds”: além de todos os debates internacionais, ainda temos que discutir o que eu chamo de “jabuticabas” – os riscos e problemáticas que o Brasil enfrenta e são incomuns entre outras geografias.
A jabuticaba desse ano tem nome e sobrenome: situação fiscal. Para muitos gestores, esse é o tema principal para ser discutido e levado em consideração na hora de alocar os recursos. Porém, outros grandes nomes defendem que o nível dos gastos públicos até é importante, mas a deflação e a economia mais lenta vista no mundo, e que vemos no Brasil desde meados de 2016, é muito mais relevante no momento da decisão de investimento.
Vamos começar pela segunda tese, que não coloca o fiscal como centro do debate. A Persevera Asset, gestora que já apareceu aqui no Rico Matinal algumas vezes por dizer que os juros (Selic) iriam para baixo de 3% ao ano quando ninguém falava sobre um corte tão ostensivo (e de fato foi), acredita que a deflação e a economia do Brasil serão o grande tema do mercado.
Ao longo dos últimos 5 anos, o mercado vem se surpreendendo sucessivamente com uma atividade que decepciona, uma inflação baixíssima e juros que têm que cair continuamente para reativar e reflacionar a economia. Apesar disso, continua temendo a inflação e não o nosso verdadeiro inimigo: a estagnação econômica que produz uma contínua desinflação.
Aos olhos da gestora, essas preocupações serão dissipadas quando ficar claro que as taxas de inflação permanecerão baixas por muito tempo, permitindo a continuidade de uma política monetária muito acomodativa. Aliás, não é de hoje que essa deflação vem para dizer como a banda vai tocar:

Como podemos ver acima, a inflação tem surpreendido para baixo há 5 anos, e, para a Persevera, esse movimento vai continuar.
E eles não estão sozinhos segurando esse microfone: a gigante Adam Capital concorda. Márcio Appel e seu time estão comprados na mesma tese da Persevera, e acreditam tanto nesse cenário que, além de estarem aplicados em juros mais longo (ganha dinheiro na queda da expectativa de juros futuro de longo prazo), também veem a bolsa brasileira como uma boa alocação complementar, e apostam na desvalorização do dólar contra o real, posição bastante incomum se comparada com a visão de demais gestores.
E para uma gestora como a Adam, que historicamente sempre foi mais pessimista com o Brasil, ter posições e convicções como essas, no mínimo nós damos o benefício da dúvida. Mais importante que a mensagem é o mensageiro (mais uma das lições de Salomão).
Outras visões
Caros 13 leitores, imagino que ver grandes nomes do mercado com uma visão relativamente positiva da situação fiscal tenha dado um certo alívio no peito (como deu para mim enquanto redigia esse texto). Mas nem tudo são rosas: tem gente bem relevante que acredita no oposto, e tem argumentos muito bons para isso.
Na verdade, não sei se 11 páginas de relatório com a Verde Asset, uma das mais tradicionais gestoras de recursos brasileira, pode ser chamado de apenas um argumento. Não irei replicar todos os pontos levantados por esse verdadeiro mergulho no panorama fiscal brasileiro, aconselho que acesse a carta completa para isso, mas gostaria de chamar atenção para um gráfico que sintetiza bem a relevância desse assunto:

O Brasil tem a pior relação dívida x PIB entre todos os emergentes. Não é apenas endividamento, é endividamento sobre a capacidade de pagar, isso é justamente o que mais preocupa.
Além da Verde, outra gestora que corrobora com essa visão é a SPX, também dentro dos nomes mais tradicionais do país. Porém, além de compartilharem da preocupação com a situação fiscal e com a gestão da dívida pública, para a casa, os juros inclusive foram cortados de forma excessiva dado esse cenário de dívida desafiador.
Para a SPX, o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central brasileiro) deve manter a Selic nesse patamar atual nas duas próximas reuniões, mas já antecipa um discurso “hawkish”, ou seja, de que o Banco Central deverá iniciar um processo de alta de juros. No médio prazo, veem uma possibilidade da inflação advinda dos alimentos sendo agravada, o que pode “contaminar” ainda mais esse cenário.
Bom, se no começo os argumentos tranquilizavam um pouco mais, agora tenho certeza que seu coração apertou. No entanto, além dos nossos queridos “brazucas”, aqui no time de análise da Rico nós também damos ouvidos aos nosso amigos gringos: Howard Marks, um dos investidores mais importantes no contexto global (autor do livro favorito da Betina, The Most Important Thing), quase como um “pokemon lendário” do mercado, publicou recentemente o memorando da Oaktree, gestora a qual é sócio fundador (e tem seu fundo de credito global disponível na Rico).
Nesse artigo, HM trouxe um lembrete sobre, no ponto de vista dele, o tema mais importante de todos: juros mais baixos. Howard afirma que não tem a menor ideia se teremos inflação, desinflação, deflação, reflação (e eu confesso que amo quando gênios dizem “não sei”), mas que o tema de juros mais baixos veio para ficar e ele irá ditar a relação de risco x retorno dos mercados.
Os níveis de juros mais baixos no mundo todo têm “emagrecido” os retornos dos ativos. Ao mesmo tempo, o sentimento de incerteza é absoluto nos mercados. E como a Oaktree tem se posicionado em relação a isso? Entendendo que, se quer remunerar melhor seu capital, vai precisar assumir riscos para isso. Aliado a isso, tendo muita cautela. O gráfico abaixo, presente no memo, ilustra isso muito bem:
Assim como a Oaktree, nós acompanhamos os grandes temas macroeconômicos, mas, no momento de tomar decisões de investimento, o mais importante de tudo é o preço. Cada mercado propõe uma relação de risco x retorno, e é justamente isso que vai nos dizer o que teremos em nossas carteiras e o quanto.
Acreditando no fato de que não devemos ser heróis, buscamos diversificar as nossas recomendações entre mercados que terão relações de retorno sobre o risco diferentes, e assim teremos uma carteira final mais eficiente e que passará de forma mais equilibrada pelos diversos cenários. Afinal de contas, não investimos o nosso patrimônio para perder a qualidade do nosso sono, mas sim o contrário.
Nós publicamos nossas recomendações de diversificação de carteira no Blog da Rico. Nossa intenção é auxiliar os investidores que gostam de trilhar o próprio caminho nos investimentos – separamos as sugestões por perfil de investidor, sendo eles: cauteloso (conservador), defensivo (conservador/moderado), estrategista (moderado), visionário (moderado/agressivo), energético (agressivo) e destemido (mais agressivo, focado em renda variável no geral). Acesse nossas recomendações aqui.
Para aqueles que não gostam/ querem/ tem interesse em acompanhar o mercado para tomar decisões de investimentos, a família de fundos DNA replica nossas recomendações dentro da carteira de um fundo por perfil, com o benefício da gestão ativa do nosso time de alocação XP Inc. Sempre que o comitê tomar uma decisão conforme leituras e análises do mercado, isso será replicado automaticamente nos fundos, sem que você precise apertar nenhum botão. Ao mesmo tempo, até o 8° dia útil de todo mês, você receberá um acompanhamento do seu fundo em seu e-mail, entenda qual é seu DNA de investidor aqui.
Resumo do dia: E a vacina, vem?
(por Paula Zogbi)
Bolsas mundiais amanhecem em clima de cautela e movimentos praticamente neutros. Nos EUA, futuros se movem entre +0,01% e -0,2%, e o Stoxx 600 na Europa desvaloriza 0,15%.
O sentimento continua refletindo notícias recentes sobre o combate ao coronavírus. Após a Johnson & Johnson pausar testes de vacina pelo adoecimento de um participante, a Eli Lilly também interrompeu estudos para um tratamento baseado em anticorpos por preocupações quanto à segurança. A empresa não deu detalhes sobre o que motivou a pausa.
O pacote de novos estímulos nos EUA também está “on hold”. A presidente da Câmara, Nancy Pelosi, exigiu que a Casa Branca reformulasse sua última oferta do pacote de US$ 1,8 trilhão e disse que as negociações não estão “nem perto” de um desfecho positivo.
No Brasil, o Ibovespa fechou em alta na terça-feira, descolado do exterior, e voltou ao patamar dos 98 mil pontos. O principal driver foi o ajuste em relação ao movimento dos ADRs (certificados de ações brasileiras negociados nos EUA) durante o feriado.
Em entrevista, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou que o BC usa as variáveis fiscais para tomada de decisão e que recentemente essas variáveis ganharam peso por causa da fragilidade fiscal. O ministro Paulo Guedes também se manifestou ontem, em carta ao FMI, reforçando a continuidade da agenda de reformas e “forte compromisso com a disciplina e transparência fiscal”.
| Agenda da Semana |
| Quarta-feira, 140 1h30: Japão – Produção Industrial agosto (ant: 1,7%) 06:00: Zona do Euro – Produção industrial sazonal agosto a.m (exp: 0,2%; ant: 4,1%) 09h00: Brasil – volume do setor de serviços IBGE agosto a.a. (exp XP: -7,4%; ant: -11,9%) 09h30: EUA – PPI mensal setembro (exp: 0,1%; ant 0,3%) 22h30: China – IPP setembro, a.m e a.a. (exp: 1,9 YoY; 1,9% MoM; ant: -2% YoY; 2,4% MoM) |
| Quinta-feira, 15 09h00: Brasil – Atividade Econômica agosto a.m. (exp XP: 3,8%; ant: 2,2%) 09h00: Brasil – Atividade Econômica agosto a.a. (exp XP: -2,7%; ant: -4,9%) 09:30: EUA – novos pedidos de seguro-desemprego 09h30: EUA – Índice Empire Estate manufatura em NY (exp: 12; ant: 17) 09h30: EUA – seguro-desemprego |
| Sexta-feira, 16 06h00: Zona do Euro: Balança Comercial SA agosto 06h00: Zona do Euro – IPC setembro a.m. (exp: 0,1%; ant: 0,1%) 08h00: Brasil: IPC-S FGV (ant: 1,2%) 08h00: Brasil: IGP-10 FGV outubro (ant: 4,3%) 11h00: EUA – Confiança do consumidor outubro (exp: 80; ant: 80,4) |
Insight Rico: Feliz dia do Investidor Mirim
Aqui em casa a educação financeira foi sempre presente. Desde minha pré-adolescência, fui instruído pelos meus pais a realizar gestão financeira. Fazia diversos “bicos” para construir patrimônio próprio: pesquisas remuneradas, vendi “gelinho” (aqui em São Paulo é chamado assim, mas você pode chamar de chup chup ou geladinho), itens de pipa, e até de testes de macarrão instantâneo eu já participei (era um grande consumidor).
Planilhas para organizar os gastos e projetar retornos, além de estipular metas como: realizar o sonho de ir para a Disney (que consegui aos 16 anos), comprar uma Total 90 (chuteira que era o desejo da época), ou mesmo conseguir comprar minha primeira camisa de time oficial (foi do Real Madrid, influência da minha ascendência forte espanhola).
Porém, como a maior parte dos brasileiros, meu primeiro “investimento” foi a poupança. Na época, estávamos muito distantes do cenário de hoje: não havia tantas opções de investimento disponíveis e as informações eram completamente nebulosas.
Os anos passaram, minha paixão pelo assunto amadureceu e se tornou meu propósito de vida, e essa carreira não poderia iniciar de outra forma se não com minha própria família. Ingressei nesse mercado como assessor de investimentos, e como primeiro cliente: meu pai, hoje em dia, investidor na Rico (e bem feliz por sinal).
Acabei me tornando a referência do assunto para a minha família, já que não temos ninguém (por enquanto) deste segmento que não seja eu. Além de mudar completamente o que meu pai entendia por investimento, tenho a responsabilidade de ser a referência para o meu irmão mais novo (sim, com incríveis 11 anos de diferença, ele é o “acidente” mais maravilhoso que eu conheço).
E como a Paula “Zogbond” (para os íntimos) antecipou no Rico Matinal de ontem, estamos em clima de dia das crianças aqui no time de análise da Rico. E para comprovar que investimentos são para todos (literalmente), pedi para o Lorenzo (o tal do “acidente”) escrever algumas dúvidas que ele tem sobre investimentos e vou saná-las neste insight de uma forma que ele possa entender o que estou dizendo:

Qual a melhor idade para investir?
Lô, quanto mais cedo melhor. Pensa da seguinte forma: quando você está jogando vídeo game, quanto mais tempo passa jogando, mais você melhora seu avatar, não é? Vai acumulando mais pontos e avançando cada vez mais nos níveis.
Com investimento é exatamente assim, mas esses “pontos” são chamados de “juros compostos”. Quanto mais você investe, e, principalmente, por mais tempo, os juros (que é o que você ganha por investir) vão se multiplicando e crescendo sozinhos. Como se a gente tivesse colocando alguém para jogar vídeo game na sua conta enquanto você dorme ou está na escola.
Que investimento é o melhor para a faculdade?
Nem saiu da escola e já tá pensando na faculdade?! Sangue do meu sangue.
Não existe “o melhor investimento”, sempre vai depender do seu “jeito de investidor”, e do tempo que você tem até sua faculdade. Se você não repetir nenhum ano na escola (eu espero e vou te cobrar por isso), em 6 anos você se forma na escola.
Nos investimentos, 6 anos não é considerado um prazo tão longo assim. E como estamos falando de um dinheiro que você tem compromissado já para pagar sua faculdade, talvez não seja a melhor ideia investir em algo que possa “deixar seu dinheiro menor”.
Por isso, seria legal investirmos em renda fixa atrelada à inflação. Ao longo do tempo, as “coisas” ficam mais caras, e a faculdade vai ficar também. Porém, você pode fazer o seu dinheiro acompanhar isso, investindo em um “negócio” chamado IPCA.
Esse tal do IPCA que eu te falei tem dentro dele o quanto, em média, sua faculdade vai ficar mais cara, e vai ajustar seu dinheiro para isso. Ah, e essa tal da renda fixa vai te pagar um juro (lembra que eu te falei que é o dinheiro que você ganha) além desse ajuste ao IPCA.
Aí é só escolher um que tenha vencimento (quando o dinheiro volta para você com o quanto ganhou junto) no mesmo ano que você começaria a “facul”. Você pode investir no Tesouro Direto IPCA (quando você empresta seu dinheiro para o governo brasileiro e ele te paga esse juros), num CDB e/ou LCI/LCA (aqui você empresta para um banco), ou em crédito privado como CRIs, CRAS e Debêntures (aqui você está emprestando para uma empresa que não seja um banco).
Mas não esquece de, no caso de emprestar para algum banco ou empresa, “olhar direitinho quem é”, para você não ter problemas quando esse dinheiro for voltar para você. Não faz que nem eu que emprestei pra você tomar sorvete aquele dia e nunca mais vi a cor do dinheiro tá?
Quanto tempo demora para tirar o dinheiro do investimento?
Aqui depende no que você está investindo. Mas vou te falar dos principais:
Renda Fixa:
Como eu te expliquei na outra pergunta, elas têm um prazo de vencimento e, quando chega nessa data, o dinheiro volta para sua conta. Aí você tem que ver qual é essa data de vencimento antes para saber quanto tempo vai levar.
Algumas dessas rendas fixas te permitem “tirar” antes, mas ai você vai vender sua renda fixa para “outra pessoa”, e ela vai te pagar um preço por isso que pode ser bom ou ruim para você, depende de como as “pessoas” estão vendo essa sua renda fixa. Por isso, eu aconselho que você tome cuidado com isso.
Fundos de investimento:
Eles não têm o vencimento que a renda fixa tem, Lô. Ou seja, você pode ficar neles o quanto quiser.
Quando você “pedir para tirar” o dinheiro de lá, eles levam um tempo para te dar esse dindim de volta, e aí vai depender do fundo, alguns levam 1 dia, outros 15, 30, 60, enfim, tem que olhar antes.
Ações e Fundos Imobiliários:
Também não tem o vencimento, e você vai precisar vender eles para pegar o dinheiro. Tipo quando você quis comprar um videogame novo, lembra? Você vendeu seu velho e pegou o dinheiro, é a mesma coisa. Depois que você vender, o dinheiro vai cair na sua conta em 2 dias úteis.
De quanto eu preciso para investir?
Respondendo ao pé da letra: o investimento com aplicação mínima menor hoje em dia é o Tesouro Direto, que com “30 conto” você consegue investir. Mas não se baseia nisso, a gente não tem que se esforçar para entender “qual o mínimo” para investir, mas sim “qual é o máximo que eu consigo investir, depois de arrumar minhas contas”.
Esse seu porquinho que fica na mesa já poderia estar bem maior do que está…
Agora eu que te pergunto “cabeção”, entendeu o que eu te expliquei?
(por Lorenzo Collazo)
Sim, eu entendi que quanto mais cedo eu começar a investir, mais dinheiro eu vou conseguir e que não existe o melhor investimento para a minha faculdade pois vai depender o jeito que eu vou investir [acho que ele quis falar sobre o perfil do investidor].
Depois para retirar o dinheiro que eu investi, irá depender da renda fixa, mas vai ter uma data de vencimento. Depois dessa data eu retiro o meu dinheiro. E que para começar a investir eu no mínimo precisaria ter 30 reais.
Bom, depois disso, eu concluo que investimentos são para todos. Aliás, se você também tem algum “investidor mirim” em casa, já abra uma conta para ele na Rico! Clique aqui.
Resumo do dia: Mercado de bom humor
(por Júlia Aquino)
Mercados globais amanhecem em alta nessa sexta-feira, com futuro do S&P subindo 0.42% e Euro Stoxx em alta de 0,17% com previsões otimistas de ganhos de empresas europeias e a sinalização de abertura da Casa Branca a um estímulo fiscal mais abrangente em retomada de conversas com o Congresso.
O presidente norte-americano, Donald Trump, reacendeu as esperanças sobre o pacote de estímulos ontem, ao dizer à Fox News que conversas entre a Casa Branca e o Congresso estão de volta e que existem boas chances de um acordo ser firmado.
Investidores também acompanham de perto o desdobramento político nos EUA, faltando menos de um mês para a eleição presidencial. Com o atual presidente se recuperando do coronavírus na reta final da eleição, Joe Biden abre mais vantagem nas pesquisas eleitorais e o mercado já prevê sua vitória. As atenções agora se voltam para as eleições do Senado, atualmente controlado pelos republicanos, mas que pode ter maioria Democrata após a votação.
No Brasil, o Ibovespa fechou ontem em alta de 2,5%, melhor desempenho em um mês, voltando aos 97 mil pontos, em movimento que segue o bom humor internacional. As ações de bancos tiveram fortes altas com a expectativa dos resultados do terceiro trimestre.
A falta de clareza do governo brasileiro sobre medidas econômicas continua, com os investidores aguardando definições. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, afirmou ontem que a prioridade agora é votar a PEC Emergencial, que cria mecanismos de ajuste fiscal. Ao lado de Paulo Guedes, o deputado participou da apresentação da proposta de agenda legislativa da frente da reforma administrativa. Ele negou ter desistido de aprovar a reforma tributária este ano, mas disse que hoje a PEC Emergencial deve ser a preocupação número um.
| Agenda da Semana |
| Sexta-feira, 09 10h00: Brasil – IPCA mensal (exp: 0,23%; ant: 0,24%) 10h00: Brasil – IPCA anual (exp: 2,42%; ant: 2,44%) |
Insight Rico: Como montar uma carteira “de gente grande” para uma criança
Você talvez conheça os youtubers mirins que falam sobre ações, empreendedorismo e finanças em geral na internet. Ano após ano, conhecemos uma nova leva de crianças traders para contar como usa gráficos ou informações de mercado para multiplicar seu patrimônio antes mesmo da puberdade terminar de mudar a altura da sua voz.
Mas nenhuma criança precisa largar o videogame ou a natação e usar as horas vagas trabalhando na internet (sim, produzir conteúdo também é trabalho) para ser investidora. Em setembro, havia mais de 12 mil pessoas de até 15 anos operando na bolsa brasileira – um número que eu considero significativo para uma população que não inclui finanças no currículo do ensino formal.
Sem entrar no mérito de como os pais devem lidar com a educação (e as horas vagas) dos filhos, sabemos que nem os adultos têm a obrigação de entender tudo sobre investimentos. Mais que isso, não é preciso ter doutorado em economia para conquistar a liberdade financeira – muito pelo contrário: investir é, cada vez mais, para todos.
Em homenagem ao dia das crianças, esse Insight Rico é um convite para pensarmos em alguns investimentos que poderiam compor uma carteira “de gente grande” para os nossos filhos, estando eles nesse mundo ou apenas no plano das ideias. Vale lembrar que menores de idade podem ter conta na Rico – basta ter um CPF. Clique aqui para abrir uma ou aqui para saber como fazer isso.

As maravilhas do longo prazo
Com juros baixos, é preciso abrir mão de liquidez para ter bons resultados nos investimentos. A boa notícia é que uma criança só vai precisar do dinheiro daqui muitos anos, então não tem problema!
Na renda fixa, por exemplo, use e abuse do Tesouro IPCA + com vencimentos entre 2026 e 2055 pagando até 4,5% acima da inflação, das debêntures incentivadas (sem cobrança de imposto de renda) com prêmios de 5% sobre os aumentos dos preços e CDBs na mesma faixa de remuneração.
Esses investimentos são interessantes, principalmente, para custos mais previsíveis (e essenciais). Você pode investir antecipadamente o valor da mensalidade da escola, por exemplo, e garantir que esse dinheiro renda acima da inflação, se protegendo dos reajustes. O IPCA+ com juros semestrais paga um pedaço da rentabilidade a cada seis meses – então vale até se o pequeno já estiver pagando mensalidade.
E não são só os títulos de crédito que podem proteger um investidor astuto dos aumentos de preços. Empresas sólidas tendem a replicar o aumento da inflação em seus próprios preços, o que também resulta em geração de valor para o acionista – mas lembre-se de não colocar nenhum dinheiro que não possa oscilar negativamente nessa estratégia.
Fundos imobiliários bem selecionados também podem ajudar seu filho ou filha a ter um futuro muito mais confortável. Imagine os aluguéis pagos como proventos de um FII de qualidade ajudando a sua “prole” a pagar o próprio aluguel quando for fazer faculdade em outra cidade no futuro? Na Rico, temos uma carteira recomendada de FIIs atualizada mensalmente – basta acessar Análises/Carteiras Recomendadas. Também oferecemos um serviço de análise aprofundada sobre os fundos que você já tem em carteira. Conheça clicando aqui.
No fim das contas, escolher investimentos para os seus filhos segue a mesma lógica que deve ser usada na sua carteira: defina, primeiro, objetivos e prazos. Depois, selecione os investimentos mais adequados para chegar lá. Se o intuito é um intercâmbio daqui 5 anos, por exemplo, por que não colocar uma parte em fundos cambiais – correndo risco, claro, mas protegendo o dinheiro das oscilações da moeda do país de destino?
Mas nós sabemos que o tempo é curto para uma pessoa comum, de vida corrida, montar sua própria carteira – quem dirá duas. Por isso, não deixamos de lembrar dos fundos DNA como uma forma de investir com diversificação pensando no longo prazo. Como as carteiras são definidas para obter ganhos consistentes em intervalos entre 6 meses e 8 anos, basta selecionar o mais condizente com a data em que esse dinheiro vai ser necessário e investir a partir de R$ 100 (conheça todos os fundos DNA aqui).
Eduque
Por mais que a ideia desse texto tenha sido mostrar investimentos que os adultos podem fazer para suas crianças, nunca duvide do poder de uma educação que começa cedo. Uma criança que observe as movimentações dos seus investimentos provavelmente vai dar muito mais valor para o dinheiro no futuro – quando precisar pensar sobre isso sozinha.
É a lógica que um dos maiores investidores do país, Luiz Barsi, usou com a filha Louise. Aos 14 anos, ela já investia na bolsa, por influência do pai – que é bilionário, mas nunca deixou que ela pensasse que dinheiro “nasce em árvore”. Ela aprendeu tão bem que hoje, já adulta, literalmente dá aula de como investir.
Se você quer que seus filhos vejam o dinheiro crescendo, aplicativos como o Flipper ajudam a monitorar a carteira, com gráficos coloridos e intuitivos e sem acesso aos investimentos em si (portanto, sem perigo de uma criança acabar investindo por engano). O importante é ensinar desde cedo o valor do dinheiro, para estimular que eles saibam investir ainda melhor que nós no futuro.
Se a sua vontade é estimular que o seu filho já comece a investir sozinho, este mesmo Rico Matinal vai trazer um conteúdo especialmente para ensinar seus filhos sobre investimentos amanhã – fique de olho e mostre para os pequenos!
Resumo do dia: Estímulos lá fora, fiscal aqui dentro
(por Betina Roxo)
Futuros dos EUA sobem junto às ações europeias, seguindo otimismo com novo estímulo americano, que foi retomado após Trump ter dado um susto no mercado descartado as conversas no início da semana. EuroStoxx sobe 0,6%, o futuro do S&P avança 0,4% e do Nasdaq, 0,58%.
Ainda nos EUA, ocorreu ontem o único – e morno – debate entre candidatos à vice-presidência, o que deve alterar pouco a dinâmica da campanha eleitoral. Kamala Harris foi melhor quando atacava Trump e seu governo, que Pence tentava defender como podia. O republicano, por sua vez, conseguiu encurralar sua oponente com a questão da possível expansão da Suprema Corte. Das diversas perguntas não respondidas na noite, algo normal em debates de políticos tradicionais, essa foi a mais significativa.
No Brasil, as preocupações fiscais continuam pressionando o mercado e fazendo com que o Ibovespa fique na contramão do mundo.
Depois de ter sido ventilada a possibilidade de o auxílio emergencial ser pago até junho de 2021, o ministro Paulo Guedes enfatizou que o pagamento só acontecerá até dezembro desse ano. Em um evento do Palácio do Planalto, o presidente Jair Bolsonaro elogiou a equipe de ministros, mas afirmou que a palavra final da Economia compete a ele e ao ministro Paulo Guedes.
No noticiário econômico, os destaques foram a sinalização de que o corte de salários acima do teto do funcionalismo seria insuficiente para financiar uma ampliação significativa do Bolsa Família e o alerta de que a disputa pelo comando da Câmara dos Deputados a partir de 2021 pode atrasar o Orçamento e ameaçar os gastos do governo no ano que vem.
| Agenda da Semana |
| Quinta-feira, 08 Todo o dia: China – feriado do dia nacional 04h25: Reino Unido – Pronunciamento de Bailey, governador do BoE 08h30: Europa – Declaração de política monetária do BCE 09h00: Brasil – Vendas no varejo mensal (exp: 1,2%; ant: 5,2%) 09h30: EUA – Pedidos iniciais por seguro-desemprego (exp: 820 mil; ant: 837 mil) 12h00: México – Ata da reunião de política monetária |
| Sexta-feira, 09 10h00: Brasil – IPCA mensal (exp: 0,23%; ant: 0,24%) 10h00: Brasil – IPCA anual (exp: 2,42%; ant: 2,44%) |
Insight Rico: Por falar em IPO…
A última vez que “falamos” tanto em IPO foi em 2007, quando tivemos o recorde de 64 empresas listadas na bolsa brasileira (B3) e muitos de vocês, caros(as) 13 leitores(as), nem “existiam” nesse mundo do mercado financeiro. Muito menos eu, que ainda por cima estava no segundo colegial, fazendo intercâmbio. Claramente, não era sobre IPOs que eu “falava tanto”.
Desde então, claro que tivemos outros momentos positivos (como 2017 com 10 IPOs), mas voltamos com tudo ano passado e, principalmente, esse ano, apesar dos pesares.
Desde o início do ano, 20 empresas brasileiras fizeram suas ofertas iniciais de ações (IPOs, na sigla em inglês) e estrearam na B3, movimentando mais de R$ 10 bilhões. Além disso, há 38 companhias aguardando a autorização da CVM para realizarem seu IPO.
IPOs: Histórico do valor das ofertas vs. quantidade de ofertas

Fonte: B3. Atualização até 2 de setembro
As incertezas e, consequentemente, volatilidade nos mercados pode impactar no ritmo das próximas listagens, mas, de qualquer maneira, muita gente se pergunta “como os IPOs estão acontecendo mesmo num ano de pandemia, com inúmeros impactos?”
A grande verdade é que, com os juros nas mínimas históricas, os investidores precisam buscar outros investimentos mais interessantes para aumentar a rentabilidade da carteira, e um deles é a bolsa. Inclusive, já vemos isso acontecer – em setembro, o número de pessoas físicas investindo em ações bateu o novo recorde de 3,1 milhões, contra 1,7 milhão no fim de 2019.
A pandemia trouxe sim bastante volatilidade. Por outro lado, algumas empresas viram necessidade de reforçar o caixa e, para aquelas que já estavam cogitando fazer IPO, a pandemia acelerou o processo.
Além disso, pensando nos empresários, no passado, com juros de dois dígitos, era praticamente inviável realizar o processo de IPO, dado que os acionistas buscam prêmios acima da renda fixa. Novamente, esse cenário é muito diferente com os juros de um dígito.
Vantagens de fazer IPO
Dentre as vantagens de se fazer IPO, vale mencionar os benefícios de:
- aumentar o caixa sem onerar o balanço, possibilitando o crescimento da empresa, e muitas vezes sua consolidação;
- atração e retenção de novos talentos;
- acesso a investidores que entendem muito sobre as empresas e setores que atuam, possibilitando inclusive a comparação entre ações da bolsa brasileira e também de bolsas internacionais – uma troca que pode ser muito positiva (e inclusive negativa se a empresa estiver em um nível “abaixo” de suas pares.
Outra pergunta muito comum é se o aumento de IPOs pode levar a uma grande pressão negativa na Bolsa, o que não parece o caso, tendo em vista que (i) a bolsa brasileira ainda é super pequena e pode crescer mais – há menos de 500 empresas listadas, vs quase 4.000 na China e no Japão e quase 5.000 nos EUA; (ii) a busca por renda variável devido aos baixos juros, como mencionado acima, deve continuar e (iii) a bolsa brasileira possui uma alta liquidez hoje em dia, muito capaz de absorver as novas ofertas – estamos falando de R$30 bilhões/dia de negociação média, vs R$4-5 bilhões/dia em 2007.
Vale observar que, mesmo com os juros na mínima histórica, em 2% ao ano, a alocação dos fundos de investimento brasileiros em ações é de apenas 11,5% – um aumento quando comparado a 2019, mas ainda abaixo da média histórica de 13,6%.
Em 2007, quando tivemos o boom de IPOs no Brasil, a alocação dos fundos de investimentos brasileiros em ações atingiu o valor recorde, em 21,7% (com Selic no período era de 11,25% ao ano). Portanto, há espaço para que os fundos aumentem a alocação em bolsa, o que impulsiona o interesse pelo ativo.
Pensando nos investidores gringos, já houve retirada de R$88,9 bilhões do mercado acionário brasileiro, diferente de 2007 quando o apetite pelas ações brasileiras era super alto. A participação do Brasil no índice de Mercados Emergentes (MSCI Emerging Markets), que já chegou a ser de quase 20% em 2007, se encontra hoje em seu menor nível (4,1%).
Por fim, com o aumento das preocupações no Brasil e o elevado número de ofertas em uma mesma “janela”, várias empresas anunciaram o cancelamento ou postergaram seus planos de abertura de capital. E neste cenário, é natural que os investidores sejam mais seletivos. Porém, olhando para frente, os IPOs devem continuar acontecendo, trazendo mais oportunidades de investimento aos acionistas e mais opções de financiamento para as empresas.
Resumo do dia: Sobe no boato
(por Paula Zogbi)
Mercados amanhecem em leve queda nesta manhã após subir ontem com a notícia de que o presidente americano, Donald Trump, seria liberado do hospital. O presidente já está na Casa Branca, mas continua em tratamento com remédios normalmente indicados para casos graves de covid-19.
Nos Estados Unidos, os futuros do Dow Jones estão praticamente no zero a zero, mas S&P e Nasdaq caem até 0,3%. Na Europa, o Stoxx 600 cai 0,25%, indicando que a transferência do presidente já teve seus efeitos antecipados pela bolsa ontem mesmo.
Ainda nos EUA, o mercado acompanha negociações sobre um novo pacote de estímulos à economia. A presidente da Câmara dos Deputados, Nancy Pelosi, e o Secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, conversaram ontem durante quase uma hora, mas ainda não chegaram a um acordo. Eles devem ter uma nova conversa hoje sobre o assunto, mas Pelosi disse que o avanço está “muito devagar”.
No Brasil, (mais) uma trégua. Depois de atritos nas últimas semanas, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e o ministro da Economia, Paulo Guedes, jantaram juntos e pediram desculpas mútuas. Também defenderam a continuidade da agenda de reformas.
Ontem, o Ibovespa teve sua melhor sessão em um mês, com alta de 2,2%, reagindo tanto às notícias sobre Trump quanto a acenos do governo a favor de uma forma de financiamento do Renda Cidadã que não fure o teto de gastos e seja permanente.
| Agenda da Semana |
| Terça-feira, 06 Todo o dia: China – feriado do dia nacional 05h35: Europa – Discurso de Christine Lagarde, presidente do BCE 09h30: EUA – Balança comercial (exp: -66,2 bilhões; ant: -63,6 bilhões) 10h00: Europa – Segundo discurso de Christine Lagarde 11h40: EUA – Discurso de Jerome Powell, presidente do Fed (BC norte-americano) |
| Quarta-feira, 07 Todo o dia: China – feriado do dia nacional 09h10: Europa – Discurso de Christine Lagarde 11h30: EUA – Estoque de petróleo bruto (exp: 1,569 milhões; ant: -1,980 milhões) 15h00: EUA – Ata da reunião do FOMC (Comitê de política monetária do Fed) 15h00: EUA – Declaração do FOMC |
| Quinta-feira, 08 Todo o dia: China – feriado do dia nacional 04h25: Reino Unido – Pronunciamento de Bailey, governador do BoE 08h30: Europa – Declaração de política monetária do BCE 09h00: Brasil – Vendas no varejo mensal (exp: 1,2%; ant: 5,2%) 09h30: EUA – Pedidos iniciais por seguro-desemprego (exp: 820 mil; ant: 837 mil) 12h00: México – Ata da reunião de política monetária |
| Sexta-feira, 09 10h00: Brasil – IPCA mensal (exp: 0,23%; ant: 0,24%) 10h00: Brasil – IPCA anual (exp: 2,42%; ant: 2,44%) |
Insight Rico: Você pergunta, a gente responde!
Semana passada, abrimos espaço no Instagram da Rico para vocês mandarem dúvidas sobre investimentos. O time todo aqui da Rico se reuniu para responder 10 delas para vocês, caros/as 13 leitores/as.
1. Como começo? (Pergunta alternativa: já tenho conta na rico, tenho 1000 reais lá, mas não sei como investir e acompanhar)
Depois de abrir uma conta, o próximo passo é descobrir qual é seu perfil de investidor para receber as melhores recomendações para atingir seus objetivos. No seu primeiro acesso, você vai responder a algumas perguntas e vai ser identificado como um investidor conservador, moderado ou agressivo.
Independente do seu perfil de investidor, o ideal é que seu primeiro investimento seja feito pensando em uma reserva de emergência, como chamamos um investimento com baixo risco e liquidez diária que pode ser resgatado imediatamente caso seja necessário.
Um dos investimentos mais legais para isso é o Tesouro Selic, que rende mais que a poupança e é ainda mais seguro – já que só corre o chamado risco-país. É bom ter nessa reserva o equivalente a 6 vezes o seu custo de vida mensal como uma segurança para eventuais imprevistos, e você pode ir aplicando mensalmente até atingir esse valor.
Só depois de ter a reserva encaminhada, você começa a investir em outros ativos segundo seu perfil de investidor, pensando mais estrategicamente e em busca de maiores retornos. Nas carteiras recomendadas da Rico, além dos investidores conservadores, moderados e agressivos, também falamos com defensivos (conservador-moderado), visionários (moderado-agressivo) e destemidos (mais agressivos). Todos esses perfis têm recomendações próprias de investimentos. Você pode conferir aqui as desse mês.
Caso você tenha dúvidas ou queira aprender mais sobre investimentos, pode acessar o conteúdo da Escola de Investidores e o blog da Rico. Sempre trazemos informações atualizadas do mercado e de investimentos para te ajudar nas suas decisões.
2. Até quantas ações pode ter na carteira?
É muito importante pensar em diversificação quando você monta sua carteira de ações, mas esse não é um caso em que ‘quanto mais, melhor’.
Distribuir seu capital em várias empresas e setores ajuda a controlar o risco da carteira, mas também aumenta o número de ações que você vai ter que acompanhar. Estudos mostram que, para fins de diversificação eficiente, algo entre 10 e 15 nomes descorrelacionados (ou seja, em setores complementares e que reagem de forma diferente entre si aos eventos externos) são suficientes.
Mais que isso dificulta que você esteja sempre por dentro do que está acontecendo com as empresas em que você investiu e priorize sua alocação em papéis que você realmente acredita.
3. Vender meus títulos de tesouro IPCA 2035 e comprar CDB 2027 9%? Vale a pena?
Escolhemos essa pergunta para explicar melhor como selecionar investimentos em renda fixa sem liquidez para a sua carteira.
Em primeiro lugar, é importante se atentar ao vencimento do papel. No caso de quem fez essa pergunta, os dois títulos têm datas de resgate consideravelmente distantes, tanto em relação ao momento do investimento quanto entre si – o que significa que eles não servem para o mesmo objetivo/estratégia.
Nesse aspecto, a primeira resposta que você precisa ter é: quando você pretende usar esse dinheiro? Se o seu objetivo não for especular no mercado secundário, você só deve investir no Tesouro IPCA 2035 caso não vá precisar sacar antes desses 15 anos que faltam para o vencimento – é um bom título para a sua aposentadoria, por exemplo.
O CDB é ainda mais restrito nesse aspecto: muitos deles não possuem nem a possibilidade de venda antes do vencimento sem o pagamento de uma multa – que pode “comer” bastante da rentabilidade.
Dito isso, se o seu objetivo para esse dinheiro for de curto prazo – mais curto que 2027 – nenhum desses títulos é o ideal. Resumindo: o primeiro aspecto a se levar em consideração ao escolher entre títulos de renda fixa é o seu objetivo com essa grana.
Outra diferença bem significativa entre esses dois papéis é o risco de crédito (ou o risco de não pagamento). O Tesouro Nacional é o emissor de dívida com menor risco de crédito do país: seria necessário que as contas públicas quebrassem de vez para que os investidores não fossem remunerados. Na pior das hipóteses (sob o risco de inflação), seria possível até que o governo emitisse mais dinheiro para arcar com essas dívidas.
Quanto ao CDB, a pessoa que enviou a pergunta nem chegou a mencionar o nome do banco. Mas a regra geral da renda fixa é buscar emissores com boa classificação de crédito, para minimizar seus riscos. Sim, os CDBs têm garantia do FGC para aplicações de até R$ 250 mil por CPF por instituição financeira, mas a espera entre o acionamento do fundo e o momento em que você efetivamente vai receber o seu dinheiro também pode custar caro – podem ser alguns meses com dinheiro parado, afinal.
Por fim, mas não menos importante, cada um desses títulos remunera de uma maneira. Enquanto o CDB do exemplo é prefixado em 9% a.a., o Tesouro IPCA está protegendo o seu investimento da variação da inflação – o que, na nossa visão, é melhor nesse momento, dado que as incertezas fiscais podem pressionar os preços que compõem a cesta do IPCA.
De maneira geral, investir em renda fixa prefixada é uma estratégia interessante em momentos de pico da taxa de juros (exatamente o oposto do que vivemos agora, com a Selic na mínima histórica e com pouca perspectiva de queda). É uma maneira de fixar os seus ganhos em uma taxa alta antes dos juros começarem a cair – e as remunerações junto com eles.
4. Rendimento fixo com bons ganhos existe?
Em primeiro lugar, importante entender o que você entende por “bons” ganhos. Como a pergunta é sobre rendimentos fixos, só podemos trabalhar com renda fixa – ações boas pagadoras de dividendos e fundos imobiliários com bons proventos podem trazer certa previsibilidade, mas jamais terão ganhos “fixos”.
Na renda fixa, o que vemos como bons ganhos atualmente são papéis sem liquidez, tanto entre os títulos públicos como nas emissões privada e bancária.
Começando pelos vencimentos longos, no próprio Tesouro Direto conseguimos encontrar remuneração de até 7,7% a.a. no Tesouro Prefixado 2031 ou até IPCA + 4,3% a.a. dentre os títulos com proteção contra a inflação, que entendemos ser mais interessantes neste momento, principalmente pensando no longo prazo. Na nossa opinião, ambos trazem, sim, rendimento fixo com bons ganhos – nem todo mundo consegue rentabilidade de mais de 4% acima da inflação com toda a segurança de um emissor com risco-país.
No crédito privado, com um risco de crédito maior que o Tesouro, mesmo entre as empresas sólidas e com alta capacidade de pagamento, encontra-se, por exemplo, debêntures incentivadas (sem cobrança de imposto de renda) pagando prêmios de até 5% acima do IPCA. Se você preferir a garantia do FGC, CDBs prefixados têm pagamentos de até 4% acima do IPCA ou 5% a.a. no prefixado.
5. Pretendo começar a partir do mês que vem, porém tenho muita dúvida sobre IR.
O imposto de renda não é um bicho de sete cabeças, como parece. Na maioria dos investimentos, ele é cobrado na fonte, o que significa que você não precisa se preocupar em acertar as contas com o Leão pessoalmente – só em copiar e colar os dados do seu informe anual de rendimentos na declaração no início de cada ano.
Resumidamente, na renda fixa, a alíquota descontada segue a tabela regressiva do imposto de renda, que começa com um desconto de 22,5% sobre o lucro para aplicações de até 180 dias e chega em 15% se o investimento durar mais de 720 dias. O imposto é cobrado só quando você efetivamente tiver os ganhos, ou seja, na data de vencimento da aplicação ou de resgate.
Para fundos de investimento, a tributação depende da classificação dos fundos. Os FIAs (de ações) cobram alíquota de 15% sobre o ganho de capital, apenas quando você resgatar com lucro.
Os multimercados e de renda fixa podem ser de curto prazo (CP), cobrando 22,5% ou 20%, ou de longo prazo (LP), com alíquota mínima de 15%, sempre incidindo sobre os ganhos – ou seja, se você teve prejuízo, não tem imposto. A cobrança é antecipada por meio do come-cotas, uma subtração de cotas semestral que acontece em maio e novembro, e efetivamente calculada e cobrada no resgate – quando você só paga o que restou pós-antecipação. Nesse vídeo nós explicamos melhor.
Nas operações em bolsa com ações, fundos imobiliários, BDRs, ETFs e similares, cabe ao investidor pagar o imposto no mês seguinte aos lucros. As alíquotas são de 15% sobre o ganho de capital para operações comuns com ações e ETFs e 20% para Day Trade e FIIs*.
Para pagar o imposto, você precisa emitir um Darf (documento de arrecadação de receitas federais, e pagar esse Darf, sempre até o último dia útil do mês seguinte à operação. Operações comuns com ações têm isenção para vendas até R$ 20 mil. Essa isenção não se aplica a operações com outros ativos e nem a day trade.
Se quiser todas as informações mais completas sobre o tema, acesse também esse texto do nosso blog.
*Lembrando que você paga imposto caso venda um FII com lucro. Os dividendos recebidos mensalmente são isentos, assim como os dividendos de ações.
6. Como está em relação à corretagem da rico?
Essa pergunta da gosto de responder! Aqui na Rico, para investir em ações, seja em operações de daytrade ou swingtrade, lote padrão ou fracionário, a corretagem é zero. O mesmo é válido para operações em fundos imobiliários.
Para minicontratos (dólar e índice), se você ativar nosso sistema RLP (provedor de liquidez) a corretagem também é zero para day e swingtrade. Caso não ative, as operações de daytrade tem o custo de R$ 0,45 por contrato, e para swing R$ 0,75 por contrato.
O RLP (Retail Liquidity Provider), que em português significa Provedor de Liquidez para o Varejo, é um serviço desenvolvido pelo mercado, em conjunto com a B3, que permite que as corretoras proporcionem ao cliente maior liquidez nas operações de mini-índice, minidólar e as ações participantes, assim garantindo o melhor preço possível em cada operação e, com isso, otimizando rentabilidade e performance.
Já o contrato cheio (dólar e índice), R$ 2,25 por contrato em operações de daytrade e R$ 3,75 por contrato no swingtrade. Além disso, nas operações com opções: R$ 7,50 por ordem de swingtrade e também no daytrade.
Também existe a tributação de ISS/ PIS / COFINS que acrescentam o valor da corretagem: sobre estes valores é necessário acrescentar (gross up) as alíquotas de: (i) 5% referente ao ISS do município de São Paulo, (ii) 0,65% referente ao PIS e (iii) 4% referente ao COFINS. Existem também os emolumentos da bolsa, que ficam descritos na página da B3.
Para operações realizadas via mesa de operações (onde você não utiliza o home broker e prefere atendimento), e para exercícios de opções, os custos são mais específicos e ficam descritos na sua área logada da Rico, basta acessar a aba “Custos Operacionais” para verificar tudo no detalhe.
7. Como escolher os melhores fundos imobiliários de um segmento?
Atualmente, existem mais de 270 fundos listados na B3. Dado esse grande número de fundos, a pergunta que vem à mente é como saber quais fundos são os melhores de cada segmento (lajes corporativas, shopping centers, galpões logísticos, recebíveis, fundo de fundos, entre outros)?
Na nossa opinião, há uma combinação de fatores que devem ser levados em considerando ao analisar um fundo imobiliário:
1) Gestor: conhecer o gestor do fundo é essencial, pois é quem estará cuidando do seu dinheiro, realizando compras e vendas de ativos;
2) Portfólio: é fundamental avaliar e analisar os imóveis que compõem o FII, levando em consideração a qualidade, localização e também os inquilinos do empreendimento;
3) Liquidez do FII: a liquidez dos papéis nada mais é que a capacidade de sua aplicação se reverter em dinheiro. Assim, é importante que o investidor esteja protegido do risco de liquidez caso precise vender suas cotas em momentos de necessidade de caixa;
4) Preço: Por fim, analisar se o potencial do fundo já está precificado nas cotas e qual a sua relação de risco/retorno. Para isso, muitas vezes usamos algumas métricas como P/VP (preço/ valor patrimonial da cota), dividend yield (ou seja, quanto ela distribui de dividendos dado o preço da cota), Preço do fundo por m² de ABL (área bruta locável), entre outros indicadores. Para encontrar mais detalhes sobre os diferentes segmentos e as nossas recomendações de FIIs, acesse a carteira mensal de FIIs da Rico.
8. Como investir lá fora pela Rico?
Estratégias internacionais têm se tornado cada vez mais importantes em nossas carteiras recomendadas. Existem algumas formas de fazer esses investimentos: para investidores em geral, temos uma vasta opções de fundos da família Trend, que dão exposição a índices no exterior de forma passiva, ou seja, acompanhando exatamente a variação destes ativos (liquido dos custos do fundo), e, justamente por serem fundos passivos, apresentam taxa de administração muito baixa. Abaixo deixo alguns nomes destes fundos:
Trend Bolsa Americana, Trend Bolsa Americana Dólar, Trend Bolsa Chinesa, Trend ESG Global, Trend ESG Global Dólar, Trend High Yield Americano, Trend Lideranças Femininas, Trend Ouro, Trend Ouro Dólar, Trend Bolsas Globais, Trend Imobiliário Americano, Trend Tecnologia.
Além dessas opções, também possuímos grandes nomes de gestoras “gringas”, fundos com gestão ativa, onde um time de investimento extremamente qualificado toma as decisões de investimento nos respectivos mercados que atuam. Para investidores qualificados, são excelentes opções:
Morgan Stanley Global Brands (com ou sem variação cambial dólar), Morgan Stanley Global Opportunity (com ou sem variação cambial dólar), Morgan Stanley Global Fixed Income, Oaktree Global Credit (do renomado Howard Marks), Moneda Latam Credit, AXA WF US High Yield, Ashmore EM Equity (com ou sem variação cambial dólar), entre outros.
E para os qualificados que buscam uma “pimentinha” no portfólio: Trend Bolsa Americana Alavancado, que dá exposição de 2 vezes ao S&P 500 (principal índice de ações dos EUA).
Ah, e não poderíamos deixar de dizer: BDRs (Brazilian Depositary Receipts), são ativos negociados na B3, mas que representam empresas não sediadas no Brasil, como Apple, Diney, Microsoft, Facebook, entre outras. Por ora, essa estratégia é acessível apenas para investidores qualificados, mas a CVM autorizou a negociação para investidores em geral, o que deve acontecer nas próximas semanas. É um forma de comprar ações de empresas especificas, dentro de conta nacional, recebendo os dividendos (quando pagos) no Brasil e realizando a declaração de imposto para a receita federal brasileira.
9. Qual ação invisto em busca da independência financeira? (cerca de 500 a.m a princípio)
Não basta apenas atingirmos a independência financeira, sem termos a sustentabilidade dela. Ou seja, para que você tenha independência e tranquilidade financeira para o longo prazo também é muito importante construir uma base sólida para o seu patrimônio.
Começando com a reserva de emergência (6 a 12 vezes o seu custo médio por mês) em investimentos seguros e líquidos, como o Tesouro Selic ou o Trend DI simples, fundo aqui da Rico. Depois disso, buscando outros investimentos para compor uma carteira diversificada (tanto entre classes de ativos quanto em geografias), sempre de acordo com o seu perfil. E caso no seu perfil se encaixe o investimento em bolsa, isso pode ser feito via fundos de investimentos ou ações específicas. Para ver nossas recomendações de ações ou de carteiras por perfil (incluindo fundos), só clicar aqui.
10. Como saber se o preço do ativo está bom para compra?
Há diferentes métodos para chegarmos nessa conclusão, porém, vale ter em mente que por mais experiente que seja o(a) investidor(a), ele(a) nunca saberá com plena certeza como o mercado vai se comportar.
Mas podemos utilizar os gráficos da análise técnica, ou indicadores e projeções dos resultados das empresas adiante (como na análise fundamentalista) para sabermos qual o melhor momento de investir. No caso da compra, não tem muito mistério: a operação deve ser feita quando se espera que o preço das ações da empresa em questão vai se valorizar. Quem investe para curto prazo levará em consideração os gráficos para encontrar padrões e tendências. Já no médio e longo prazo, o melhor pode ser optar pela análise fundamentalista e prestar atenção também em fatores como: (i) saúde financeira da empresa, (ii) perspectivas macroeconômicas, (iii) planejamento estratégico da companhia e (iv) panorama do setor em que a organização está inserida.
É importante entender que, embora seja a oferta e procura pelas ações que determine seu valor, no longo prazo, o preço acompanha os resultados (lucro) da empresa. Veja mais detalhes sobre esse assunto clicando aqui.
Pergunta bônus: qual a melhor carteira hoje para investir?
Investimento é como alimentação: não existe um plano alimentar único para todos, cada um de nós temos objetivos e perfis diferentes. A sua carteira de investimento deve ser adaptada para isso, representando sua tolerância a risco, horizonte de investimento, necessidade de liquidez (disponibilidade para resgate).
No nosso relatório De Olho no Mercado, temos as nossas recomendações de diversificação para cada perfil de investidor: cauteloso (conservador), defensivo (conservador/morderado), estrategista (moderado), visionário (moderado/agressivo), energético (agressivo), e destemido (mais agressivo). Clique aqui para acessar nosso relatório completo.
Resumo do dia: I’m feeling better…
(por Lucas Collazo)
Mercados amanhecem mais animados que o tempo paulistano nesta manhã: os futuros nos EUA sobem entre 0,6% e 0,90%; na Europa, o Stoxx 600 sobe em linha com os índices norte-americanos. Essa “animação matinal” se dá pela perspectiva de melhora no quadro do presidente Donald Trump, que testou positivo para o Covid-19.
Em meio à “corrida maluca” presidencial, a saúde de Trump tomou os noticiários. Ele segue internado, porém a informação que ele pode deixar o hospital hoje está aquecendo os mercados (para você entender como o curto prazo no mercado é meticuloso).
A disputa entre Trump e Joe Biden seguirá como o principal tema ao longo do dia. Na minha Bloomberg live TV só se fala nisso desde as 4 da manhã – um novo capítulo negativo para o atual presidente, já que ele possui uma imagem de quem minimizou a pandemia e não tomou as medidas de precaução necessárias.
Para o mercado, o modelo de governo de Trump já é conhecido, e, historicamente, o estilo republicano de adotar baixa tributação e menores “amarras” para as companhias, agrada mais os investidores. No último episódio do TBT dos Investimentos, eu recebi a estrategista global do JP Morgan Asset Management, Gabriela Santos, para falar justamente sobre essas eleições e os impactos práticos no mercado, deixo aqui como sugestão.
Aliás, caros 13 leitores, além do período eleitoral prejudicado pela saúde de um dos candidatos, outra preocupação dos investidores é justamente a evolução do quadro pandêmico global. A coluna de John Authers trouxe um gráfico interessante:

Uma segunda onda de casos de infecção pelo novo coronavírus pode trazer impactos que não são esperados por investidores. O que o gráfico acima nos mostra é: apesar de um aumento global de casos (azul), os índices de mobilidade e atividade econômica mostram que esse crescimento no número de casos não teve impactos econômicos.
Lembrando que, cada dia que se passa é “um dia a menos de espera pela a vacina”, que está prevista para fim deste ano, em meados de dezembro. O processo de vacinação em massa não é trivial, deve levar alguns meses até que parte relevante da população esteja vacinada, logo, a solução não é uma “bala de prata”, importante mantermos isso em mente como investidores.
| Agenda da Semana |
| Segunda-feira, 05 Todo o dia: China – feriado do dia nacional 10h45: EUA – PMI composto markit (exp: 54,4; ant: 54,6) 10h45: EUA – PMI do setor de serviços (exp: 54,6; ant: 55) 11h00: EUA – PMI ISM não-manufatura (exp: 56,3; ant: 56,9) |
| Terça-feira, 06 Todo o dia: China – feriado do dia nacional 05h35: Europa – Discurso de Christine Lagarde, presidente do BCE 09h30: EUA – Balança comercial (exp: -66,2 bilhões; ant: -63,6 bilhões) 10h00: Europa – Segundo discurso de Christine Lagarde 11h40: EUA – Discurso de Jerome Powell, presidente do Fed (BC norte-americano) |
| Quarta-feira, 07 Todo o dia: China – feriado do dia nacional 09h10: Europa – Discurso de Christine Lagarde 11h30: EUA – Estoque de petróleo bruto (exp: 1,569 milhões; ant: -1,980 milhões) 15h00: EUA – Ata da reunião do FOMC (Comitê de política monetária do Fed) 15h00: EUA – Declaração do FOMC |
| Quinta-feira, 08 Todo o dia: China – feriado do dia nacional 04h25: Reino Unido – Pronunciamento de Bailey, governador do BoE 08h30: Europa – Declaração de política monetária do BCE 09h00: Brasil – Vendas no varejo mensal (exp: 1,2%; ant: 5,2%) 09h30: EUA – Pedidos iniciais por seguro-desemprego (exp: 820 mil; ant: 837 mil) 12h00: México – Ata da reunião de política monetária |
| Sexta-feira, 09 10h00: Brasil – IPCA mensal (exp: 0,23%; ant: 0,24%) 10h00: Brasil – IPCA anual (exp: 2,42%; ant: 2,44%) |
