Insight Rico: Não invista como seu candidato à prefeitura
Está chegando o dia das eleições municipais. No próximo domingo, dia 15, poderemos ir às urnas votar em primeiro turno no/a representante mais alinhado às nossas ideias de gestão para cuidar da prefeitura da nossa cidade.
Não estou aqui para sugerir que você vote ou deixe de votar em alguém. O intuito desse texto é mostrar que, aparentemente, a grande maioria dos candidatos com chances expressivas de comandar as maiores cidades do país têm carteiras de investimento que não recomendaríamos para ninguém.
Muitos deles têm enormes quantias paradas em conta corrente ou poupança e quase nenhum pode dizer que sua carteira é diversificada ou tem riscos diluídos.
As maiores cidades do Brasil, por número de habitantes, excluindo Brasília (que não tem eleições municipais) são: São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e Fortaleza. Para esse Insight, vou considerar os 3 candidatos melhor posicionados em pesquisas recentes (consulta em 5 de novembro). Se sua cidade ou seu candidato acabarem de fora dessa análise, convido você a fazer sua própria avaliação aqui.
Antes de continuar, um aviso: esse texto é sobre investimentos, não sobre política. Escolha seu voto a partir de propostas e afinidade ideológica, e não da forma como o candidato ou candidata cuida do próprio dinheiro.
São Paulo
Começando por São Paulo, o candidato Bruno Covas, que vem aparecendo como favorito nas pesquisas de intenção de voto, declarou R$ 104.966,68 em bens e “investimentos”, sendo quase 80% desse valor correspondente a um carro: um Audi Q3 2014.
O que Covas declarou que se parece mais com um investimento são R$ 6.662,38 na caderneta de poupança. Se você é um dos 13 leitores desse Rico Matinal, sabe que isso está longe de ser uma boa escolha. O resto do patrimônio está ainda mais mal posicionado: cerca de R$ 5 mil em contas corrente e assombrosos R$ 10.000 em espécie! Basicamente, o segundo maior montante do candidato está sob o colchão, perdendo poder de compra a cada dia.
Com mais de R$ 1,7 milhão em bens declarados, Celso Russomanno, atual deputado, possui vários veículos e imóveis. Também declarou participações em empresas valendo mais de R$ 800 mil, um patrimônio relativamente pulverizado. O que chama atenção, porém, é a quantia obscena parada em conta corrente: mais de R$ 100 mil que poderiam estar rendendo em aplicações, mas estão “largados” em duas contas do BB.
Guilherme Boulos aparece colado em Russomanno na pesquisa XP/Ipespe mais recente. Seu patrimônio declarado é breve: um Celta e uma conta corrente com menos de R$ 600, totalizando pouco menos de R$ 16 mil. Parece mais uma questão de começar a poupar do que de montar uma carteira de fato.

Rio de Janeiro
No Rio, Eduardo Paes aparece na liderança nas pesquisas e tem uma carteira de investimentos mais aceitável que os paulistanos. Apesar de R$ 15 mil em uma conta corrente, o ex-prefeito tem quase R$ 180 mil em uma previdência privada e mais de R$ 210 mil em um CDB. Ainda assim, dava para ter um pouco mais de diversificação aí, né?
O atual prefeito, Marcelo Crivella, tem uma reserva de emergência de R$ 20 mil em fundo DI, mas é um fundo de “bancão” que cobra taxa de administração de 1% ao ano – ou seja, metade dos 2% ao ano que está rendendo no momento. No Trend DI Simples ele não teria esse problema, porque a taxa é zero. Fora isso, quase todo o patrimônio de R$ 665 mil está em um apartamento.
Empatada tecnicamente em terceiro lugar, segundo o Paraná Pesquisas, a delegada Martha Rocha ganha em diversificação de carteira na cidade. São cerca de R$ 70 mil em dois fundos de ações, quase R$ 700 mil em previdência privada e R$ 20 mil em renda fixa, além de um carro e um apartamento. Do R$ 1,3 milhão no total, a fatia que está mal alocada são mais de R$ 255 mil na poupança. Estava indo bem, candidata.
Salvador
Bora para Salvador. Com nada menos que 58% das intenções de voto, segundo o Real Time Big Data, é provável que Bruno Reis vença o pleito em primeiro turno.
Ele tem apenas 3 itens na sua lista de bens: uma conta corrente com menos de R$ 100, um investimento em previdência complementar no valor de R$ 614 mil e uma participação valendo R$ 316 mil em uma empresa cuja atividade principal é descrita como “compra e venda de imóveis” em seu registro. Ou seja, o candidato investe em imóveis e em sua aposentadoria – não deixa dinheiro parado, mas aparentemente também não possui uma reserva de emergência.
A segunda colocada na capital baiana é a Major Denice, com 12% das intenções e pouco mais da metade do patrimônio de seu oponente. Os itens mais relevante da candidata são dois apartamentos, totalizando R$ 400 mil. Fora isso, ela declara genericamente uma “aplicação em renda fixa” no valor de R$ 113 mil e pouco mais de R$ 11 mil em conta corrente + poupança. De novo: pouca diversificação aparente.
Os outros candidatos de Salvador estão tecnicamente empatados, então já passo diretamente para nossa próxima (e última) capital.

Fortaleza
Em Fortaleza, a pesquisa Ibope mais recente tem o candidato Sarto na primeira colocação, Capitão Wagner em seguida, dentro da margem de erro, e Luizianne Lins também colada nos dois primeiros.
Sarto é mais um dos milionários do pleito, com patrimônio de R$ 1,5 milhão. Mais de 2/3 de todo esse dinheiro estão em dois apartamentos que parecem ser para uso próprio e quase R$ 300 mil são dois carros. No mais, sua carteira é “prima” da de Russomanno, com diversos imóveis e participações em empresa, além de duas aplicações em renda fixa. Ponto para ele por uma diversificação razoável.
Já o Capitão não tem uma, mas duas contas-poupança somando R$ 43 mil. Boa parte do seu R$ 1,2 milhão são divididos em quatro imóveis e um carro, mas também vemos itens um tanto misteriosos: três aparentes fundos de renda fixa (os nomes estão incompletos, então não dá para ter certeza), sendo um deles, pelas minhas pesquisas, um fundo DI de taxa de administração abusiva: 2,5%, mais que o próprio CDI. Sim, se nada mudou na administração desse fundo, o candidato está literalmente pagando para investir – se consola, são só R$ 218, uma parcela pouco expressiva do patrimônio total.
Para fechar, Luizianne Lins tem um fusca, um apartamento e duas contas-corrente, uma delas abrigando 10% do seu patrimônio de R$ 259 mil. Mais uma que parece nem pensar em investir.

Claro, não temos todos os detalhes da vida financeira desses candidatos. Essa análise foi feita com base nos dados públicos enviados por eles próprios ao TSE, que podem estar desatualizados, por exemplo.
Mas podemos observar certa má gestão ou desinteresse por uma quantia bem expressiva de dinheiro que poderia estar rendendo bem, protegida via diversificação e trabalhando pela independência financeira dessas pessoas.
Resumindo: considerando a maioria dos nossos candidatos, tomara que os eleitos cuidem melhor da respectiva cidade do que de seus patrimônios.
Resumo do dia: Deu Biden
(por Lucas Collazo)
Mercados amanhecem em alta com a decisão das eleições americanas: nos EUA, os índices futuros de bolsa sobem entre 1,3% e 1,8%. Na Europa, o Stoxx 600 sobe 1,4%.
A vitória de Joe Biden foi sacramentada no sábado, após o candidato democrata vencer a corrida no estado da Pensilvânia. Ainda assim, ele é favorito para as decisões na Geórgia, Nevada, e Arizona, que terminam suas contagens de votos no próximos dias. Com essa definição, o S&P 500 (principal índice de ações dos EUA) se aproxima da máxima histórica:

Biden pretende reverter algumas medidas de Trump logo após sua posse, como o retorno dos EUA ao acordo de Paris e a reversão da saída do país da OMS. Além disso, a nova chapa prevê um força tarefa para mudar a resposta à pandemia da Covid-19 – no dia 4, o país foi o primeiro a superar 100 mil casos por dia pela primeira vez. No dia 6, foram 132 mil.
Nos próximos dias, os mercados devem monitorar: i) se as ameaças de judicialização das eleições feitas por Donald Trump vão se concretizar ou serão apenas um “barulho” (não há grandes sinais de apoio do partido republicano); ii) a possibilidade de um controle democrata no senado, embora seja muito baixa, mas que seria possível com uma vitória de duas eleições que foram para segundo turno na Geórgia – dependendo do resultado a casa poderia ficar com 50 cadeiras para cada lado; iii) a tentativa de negociação de um novo pacote de estímulos fiscais, que vai depender de muita diplomacia.
Aqui no Brasil, as atenções em Brasília estão concentradas no primeiro turno das eleições municipais, que acontecem no domingo – sem previsão de sessões na Câmara e no Senado nos próximos dias. Nesse tempo, o governo prepara as conversas para a retomada das atividades a partir do dia 16, quando as atenções vão recair nas discussões sobre o custeio do programa de transferência de renda planejado pelo Planalto. Também seguem as expectativas sobre um posicionamento do governo em relação à vitória de Biden.
| Agenda da Semana |
| Segunda-feira, 09 22h30: China – IPC mensal (exp: 0,2%; ant: 0,2%) |
| Terça-feira, 10 09h00: EUA – Perspectiva energética de curto prazo da EIA 12h00: EUA – Ofertas de empregos JOLTs mensal (exp: 5,5 milhões; ant: 6,4 milhões) 22h00: Nova Zelândia – Decisão da taxa de juros (exp: 0,25% a.a; ant: 0,25% a.a) |
| Quarta-feira, 11 08h00: EUA – Relatório mensal da OPEP09h00: Brasil – venda ampla varejo set (exp: 1,1%; ant: 4,6%) |
| Quinta-feira, 12 06h00: Europa – Relatório mensal do BCE 09h00: Brasil – volume do setor de serviços IBGE (exp: -6,7%; ant: -10%) 10h30: EUA – IPC-núcleo mensal (exp: 0,2%; ant: 0,2%) 10h30: EUA – Pedidos iniciais por seguro-desemprego (exp: 738 mil; ant: 751 mil) |
| Sexta-feira, 13 07h00: Europa – PIB trimestral (exp: 12,7; ant: -11,8%) 09h00: Brasil – Atividade Econômica mensal set (exp: 1%; ant: 1,1%) 10h30: EUA – IPP mensal (exp: 0,2%; ant: 0,4%) |
Insight Rico: Você foca no que realmente importa?
(por Dahlia Capital, convidada especial deste Rico Matinal)
– Vai dar Biden ou Trump?
– Quanto o Brasil vai crescer?
– Pra onde vai o dólar?
Todo mundo que investe em ações, NTNB, fundo imobiliário ou dólar já deve se ter feito alguma dessas perguntas nas últimas semanas. Ou até mesmo todas as três, só hoje pela manhã. Mas será que alguém realmente sabe a resposta? Ou, talvez mais importante ainda, será que elas realmente importam?
Uma das coisas do nosso jeito de investir é olhar grandes tendências de longo prazo. Por quê? Porque os preços das ações e das moedas dos países perseguem ciclos econômicos. Países que crescem mais têm bolsas que se valorizam mais e moedas mais fortes.
Estudando essas tendências, veio a pergunta: quais são os fatores que historicamente fazem os países e impérios crescerem ou morrerem? Achamos quatro coisas importantes: força das instituições, tecnologia, geografia e demografia.
A gente aprendeu na escola que a América do Norte e a América Latina foram colonizadas de formas diferentes. Por aqui, os portugueses e espanhóis praticavam uma colonização exploratória. Por lá, os protestantes calvinistas queriam fazer um novo lar. E pregavam a propriedade privada, a livre iniciativa e o empreendedorismo. Regras claras levaram à formulação da constituição mais antiga que tem no mundo!
A tecnologia promove crescimento. Aprendemos isso com os portugueses. Quando eles desenvolveram a caravela (uma espécie de foguete espacial dos nossos tempos), eles puderam descobrir uma nova rota pra a Índia, quebrando o monopólio do Império Turco Otomano. O segredo pra o pequeno reino de Portugal ter se tornado a maior potência mundial da época foi a tecnologia.
O Brasil tem uma bela geografia. Uma das maiores bacias hidrográficas do mundo, com um grande potencial de produção de energia elétrica (nossa energia é uma das mais limpas e baratas!). Terras agricultáveis, que podemos produzir grãos e celulose. Os Estados Unidos também têm uma geografia favorável: rios navegáveis, terras férteis, acesso a dois oceanos e apenas dois vizinhos amigos. E o mais legal disso tudo é que a geografia de um país ninguém consegue copiar. É uma vantagem perpétua dos povos que moram ali!
Pouca gente dá valor pra demografia. Porque ela demora um bocado pra acontecer. Mas é uma coisa muito importante pra deixarmos de lado. Alguns países na Europa e na Ásia têm tido muita dificuldade pra crescer economicamente. Qual a coisa em comum entre eles? São populações mais velhas. Consomem menos, não importa o nível da taxa de juros, gerando menos crescimento.
Entre as grandes economias do mundo, os Estados Unidos têm a melhor demografia. Em alguns anos, eles serão até mais jovens que o Brasil. A população americana também cresce por conta da imigração. E tem uma outra coisa bacana. Uma parte dessa imigração é de uma mão-de-obra super qualificada, o que chamam de atração de cérebros. Esse pessoal ao mudar de país leva também sua energia e dinamismo pra economia americana, promovendo mais crescimento. E o que mais importa são as pessoas.
Instituições, tecnologia, geografia e demografia. São elas que explicam porque uns países crescem mais que outros. E nos ajudam a responder as três perguntas iniciais.
Começando pelo Brasil
Temos uma geografia favorável. Nossas instituições são melhores que de outros emergentes, mas talvez mais frágeis que países desenvolvidos. Já chegamos no pico da nossa população economicamente ativa, ou seja, nosso bônus demográfico já acabou. E não estamos na vanguarda da tecnologia. É bem possível então que nosso crescimento não seja muito alto nos próximos vários anos, levando a taxas de juros baixas.
Biden ou Trump?
Não acreditamos que o novo presidente, num Congresso equilibrado, consiga promover tantas mudanças que possam impactar as fortes tendências de longo prazo dos Estados Unidos. Instituições fortes, líderes de tecnologia, geografia favorável e demografia positiva. Não é à toa que as bolsas americanas subiram quase 5% nos últimos dois dias, mesmo sem a definição do presidente.
E a bolsa por aqui?
A gente ainda está num momento especial, apesar do fraco crescimento econômico. A bolsa não é um reflexo perfeito da economia brasileira, mas sim um retrato das maiores e melhores empresas de seus respectivos setores. Essas grandes empresas foram bem menos impactadas pela pandemia. Seus lucros têm surpreendido pra cima nos dois últimos trimestres e devem continuar fortes.
E aí, você foca no que realmente importa? A bolsa é um conjunto das melhores empresas do Brasil, que estão passando por um momento muito favorável, e os juros continuarão baixos por mais tempo. E o dólar? Apostar na queda do dólar não é fácil, porque também é uma aposta contra os Estados Unidos e significa abrir mão de um seguro contra os problemas que podem aparecer por aqui.
Resumo do dia: O mercado prefere o Biden?
(por Betina Roxo)
Mercados realizam parte dos ganhos da semana nessa sexta-feira, com EuroStoxx caindo 1,2%, futuro do S&P negativo em 1,1% e Nasdaq em -1,4%. No fechamento de ontem, a alta acumulada era de 3,7%, 4,2% e 6,5%, respectivamente.
E essa alta da semana significa que o mercado prefere Biden (que continua na frente na contagem de votos) a Trump? Não necessariamente. Foram 3 principais fatores que explicam essa alta nos últimos dias:
1) O mercado já havia reduzido exposição ao risco antes das eleições, aumentado o caixa e comprando ativos mais seguros para proteger a carteira de um evento adverso. Por isso, como dizemos, a posição técnica estava mais “leve”, e ao voltarem às compras durante a eleição, impulsionaram o mercado;
2) A eleição do Senado é quase ou até mais relevante que a Presidência. Como muito provavelmente os Democratas não terão a completa maioria nas 2 Casas e na Presidência (“Blue Wave“, ou no bom e velho português, onda azul, cor dos democratas), a chance de conseguirem aprovar medidas impopulares – como aumento de impostos – é praticamente eliminada, o que ajuda o mercado; e
3) Rali de tecnologia e saúde – um Congresso dividido com o Senado de maioria Republicana dificilmente aumentará as regulações de forma expressiva para esses setores, o que causou uma grande “alta de alívio” (relief-rally) nesses setores, dado que essas medidas têm menor chance de serem aprovadas.
Apesar desse ânimo todo, não podemos esquecer que o CURTO PRAZO pode ser bem intenso, com o risco de judicialização. Trump segue com reclamações na justiça, estratégia que, ao menos por enquanto, tem sido pouco frutífera. E para deixar no radar, seus apoiadores fizeram protestos ontem e prometem novas demonstrações para hoje.
E a eleição ainda está bem apertada. Biden lidera Nevada com 11.4k votos (0.9 pp), Arizona com 47k (1.6 pp) e acabou de tomar a dianteira na Georgia, com 917 votos, o que acelerou a realização dos mercados. O presidente segue na frente na Pensilvânia, mas com vantagem cada vez menor. Agora está em 18.2k (0.3 pp). O anúncio do vencedor pode acontecer ainda hoje.
Só para não esquecer: apesar de parecer que só está rolando eleição americana na vida, hoje também é dia de dados importantes, com payroll nos EUA e IPCA no Brasil. Mais cedo, foi divulgado o IGP-DI com alta de 3,68% em outubro, maior que a estimativa de 3,25%.
Por fim, aproveite o Insight de hoje (sobre o tema do momento), com uma convidada especial: Dahlia Capital, gestora que dispensa apresentações.
| Agenda da Semana |
| Sexta-feira, 06 04h00: Alemanha – Produção industrial saz set. (exp: 3,9%; ant: -0,2%) 09h00: Brasil – IPCA inflação IBGE a.m. out (exp XP: 0,88%; ant: 0,6%) 09h00: Brasil – IPCA inflação IBGE a.a. out (exp XP: 3,94%; ant: 3,1%) 10h30: EUA – taxa de desemprego out (exp: 7,7%; ant: 7,9%) |
Insight Rico: BDRs ou ações no exterior – como escolher
Desde a liberação dos BDRs para o investidor de varejo, a internet está em polvorosa na discussão BDR versus investir diretamente em ações lá fora. Tem gente que não perde uma chance de xingar quem defende algum dos lados. O que é melhor, afinal? Spoiler alert: assim como praticamente tudo nessa vida, não existe uma resposta única.

Pode ser surpreendente ler isso, ainda mais nesse ambiente de ataques aos lados com unhas e dentes, mas cada alternativa tem vantagens e desvantagens. Mais que isso, se uma estratégia é melhor para você, não necessariamente vai ser melhor para o seu tio, sua chefe ou seu cônjuge.
Para começar essa conversa, já vou direto ao ponto de maior atrito e dos comentários mais raivosos (calma, gente): custos.
O que você precisa saber em termos financeiros sobre BDRs:
– O imposto de renda é de 15% sobre os ganhos no caso de venda com lucro, ou 20% para Day Trade. Diferentemente das ações brasileiras, a Receita não isenta vendas de até R$ 20 mil no mês para BDRs – já vi advogado tributário defendendo que isso é passível de questionamento, mas o artigo na instrução normativa da Receita a respeito é o seguinte, ipsis litteris:
Na alienação de Brazilian Depositary Receipts (BDR), em bolsa – Art. 57. Os ganhos líquidos auferidos em alienações ocorridas nos mercados à vista, em operações liquidadas nos mercados de opções e a termo e em ajustes diários apurados nos mercados futuros sujeitam-se ao imposto sobre a renda à alíquota de 15% (quinze por cento).
– Existe um “pedágio” para receber dividendos: a emissora costuma abocanhar 4% do valor pago em dividendos pela empresa gringa antes de mandar para a sua conta. Vale lembrar que os dividendos em si não são tributados no Brasil, mas são em boa parte do mundo (inclusive nos EUA). Essa cobrança já é sobre o valor líquido do imposto do país-sede da empresa. Nos EUA, por exemplo, o imposto é de 30% para dividendos de ações originais (que também vai ser cobrado caso você invista diretamente lá fora). Logo, para BDRs, esse valor seria 30% + tarifa.
– Há um spread, uma diferença entre o valor da ação e o de um lote de BDRs equivalente a uma ação (lembrando que um BDR não necessariamente corresponde a apenas um papel). Para calcular, você deve multiplicar o preço da ação pelo câmbio atual. A diferença entre esse valor e o do BDR (ou lote deles) é o spread.
No Stock Pickers sobre o tema, Gabriel Raoni, gestor do fundo Atlas, esse spread costumava girar em torno de 30 pontos-base (0,3 ponto percentual), mas vem diminuindo consideravelmente e já está próximo de 15 pontos-base – ou até menos para grandes empresas como Apple.
Ele também defende que não faz sentido se preocupar com isso. A conta é a seguinte: aqui, existe um spread de 0,15% e uma taxa sobre o pagamento de dividendos de 4%. Se o Dividend Yield da empresa for de 5% em um ano, o que é muito, você vai sofrer uma cobrança de 4% sobre 5% do dinheiro investido, que seria 0,2%.
Grosseiramente falando, o custo do BDR então é de 0,2% + 0,15% = 0,35% sobre o valor investido – isso na hipótese de um dividendo gordo, que realmente não costuma ser o caso (muitas das empresas americanas preferem recomprar ações a pagar dividendos, por um benefício tributário) e de 15% sobre os lucros, independentemente do valor.
E só para não esquecer, o BDR pode ser “trocado” por ações diretamente, mas atenção à paridade: nem sempre um BDR vale uma ação. Para consultar esse ratio (que pode mudar com splits e inplits), acesse a tabela da B3 neste link.
O que você precisa saber em termos financeiros sobre ações no exterior:
– Para comprar ações fora do país, é preciso ter conta em corretora fora do país e fazer remessas de dinheiro daqui para lá. O IOF cobrado nessa transação é de 1,1% sobre todo o valor transferido.
– O spread aqui é outro: a empresa responsável por essa remessa, em geral, lucra com uma diferença no câmbio – não é uma diferença alta quanto a que você vê nas casas de câmbio para turistas (e a competição nesse mercado vem deixando mais fácil encontrar spreads atraentes) mas pode ser salgada para o pequeno investidor.
– Na prestação de contas perante à Receita, o seu lucro só vai ser tributado se ultrapassar R$ 35 mil – é o limite da isenção para liquidações de operações no exterior na hora de declarar seu IR.
– Por fim, o imposto sobre herança nos Estados Unidos é de 40%. Isso é algo com que você deve se importar caso tenha ou pretenda ter herdeiros. No Brasil, essa alíquota varia entre 2% e 8% – em São Paulo, por exemplo, é de 4%.
Estão aí todas as vírgulas nos números relativos aos custos dos dois tipos de investimentos. Hora de colocar também os pingos nos is: essa decisão não é apenas financeira.
O investidor que quer ter menos trabalho e dor de cabeça provavelmente está melhor investindo via BDRs. O dinheiro cai em reais na sua conta, você não precisa ser cliente em mais de uma corretora, sua declaração anual de imposto de renda vai ser mais simples e sim, em muitos casos, pode sair mais barato.
Agora, se as mais de 600 empresas estrangeiras que chegaram ao Brasil por meio de BDRs não são suficientes para você, pode fazer mais sentido ter sua conta lá fora e investir diretamente no seu mercado de interesse. Pode ser que, além de ações, você queira investir em bonds (títulos de crédito) de outro país por algum motivo, por exemplo , ou em empresas europeias que ainda não têm BDRs – aí não tem jeito mesmo, por enquanto, porque em breve teremos essas possibilidades direto do Brasil também.
Também se fala muito em risco de fronteira, caso extremo em que a situação do país ficaria tão desregulada e o mercado, tão disfuncional, que o BDR passaria a ter um grande desconto em relação ao valor da ação-lastro. Isso é uma possibilidade realmente remota, e esse lastro não deixaria de existir (ou seja, você seguiria tendo o direito a trocar seu BDR por ações). Mas, se sua desconfiança com o Brasil for tão grande assim, talvez você durma melhor à noite investindo lá fora – ou até morando fora, porque os investimentos não seriam os únicos prejudicados em um cenário tão negativo.
E só para não esquecer, essas são duas, mas não todas as maneiras de diversificar seus investimentos no exterior. Na Escola de Investidores dessa semana eu falo sobre outras 3 maneiras: ETFs, fundos de investimento com gestão ativa e COE. Se interessar, assista aqui.
Resumo do dia: Pode reclamar, Trump, a onda azul não veio
(por Lucas Collazo)
Mais um dia de mercados amanhecendo animados, ignorando o risco de judicialização das eleições norte-americanas. Nos EUA, os futuros sobem entre 1% e 2,8%, já na Europa, o Stoxx 600 sobe 0,9%.
Após a conquista de Michigan e Wisconsin, Joe Biden está a um passo de conquistar a presidência dos EUA. Se confirmar sua vantagem em Nevada e Arizona, Biden chega aos 270 votos necessário sem precisar de viradas na Pensilvânia e Geórgia. Projeções da Bloomberg e Financial Times já mostram os 11 votos do Arizona como certos, restando apenas 6 de Nevada para encerrar esta corrida.
E apesar das ameaças do atual presidente Donald Trump, com a possibilidade de um processo de judicialização das eleições e contestar o resultado eleitoral, a volatilidade e estresse do mercado reduziu nos últimos dias:

Tudo isso recebe muita influencia da “Onda Azul” (Blue Wave) que não veio. Com senado e câmara norte-americanos divididos entre Republicanos e Democratas, as probabilidades de Joe Biden eleito presidente e aprovando aumento de impostos com mais vigor são mais baixas, e o mesmo para Trump e um tratamento mais belicoso com a China.
Porém, os investidores acreditam que, por conta da expansão fiscal e de gastos promovida até aqui, e que receberia continuidade pelo democrata Biden, os juros nos EUA tendem a subir. Por isso, as ações do setor bancário sofrem por lá:

Enquanto isso, diversos bancos estrangeiros melhoram suas recomendações para países emergentes. Com Biden no comando da maior economia do mundo, essas economias chamam a atenção dos estrategistas globais como boas formas de alocar recursos, já que acabaram ficando mais para trás nessa recuperação dos mercados este ano.
| Agenda da Semana |
| Quinta-feira, 05 09h00: Reino Unido – decisão da taxa de juros (exp: 0,1%; ant: 0,1%) 10h00: Brasil – PMI Serviços out (ant:50,4) 10h30: EUA – Novos pedidos seguro-desemprego 16h00: EUA – Decisão Taxa FOMC (exp: 0,0 a 0,3%; ant: 0,0 a 0,3%) 16h30: Powell fala em coletiva de imprensa pós-FOMC |
| Sexta-feira, 06 04h00: Alemanha – Produção industrial saz set. (exp: 3,9%; ant: -0,2%) 09h00: Brasil – IPCA inflação IBGE a.m. out (exp XP: 0,88%; ant: 0,6%) 09h00: Brasil – IPCA inflação IBGE a.a. out (exp XP: 3,94%; ant: 3,1%) 10h30: EUA – taxa de desemprego out (exp: 7,7%; ant: 7,9%) |
Insight Rico: O dia mais aguardado do ano chegou
E num piscar de olhos, um dos dias mais importantes do ano (se não O mais importante), chegou: o dia de eleger o 46º presidente dos EUA.
Após uma noite de eleição nos EUA sem definições, o foco dos mercados está voltado ao anúncio de novos resultados nos EUA. Com vitória de Trump na Flórida e melhor desempenho do que esperado em estados do meio-oeste, as chances de uma definição da disputa pela Casa Branca no dia da eleição evaporaram.
Apesar de o presidente ter se declarado vencedor, fica claro que a disputa ainda está muito acirrada para apontar quem será o próximo presidente dos EUA. Biden diz que permanece otimista, mas reconheceu que ainda era cedo para declarar vitória ou aceitar a derrota, pedindo “paciência” ao eleitorado.
Nas próximas horas e dias, ficaremos de olho em três estados chave: Wisconsin, Geórgia e Michigan. Para vencer, os candidatos precisam levar dois dos três. Vale destacar ainda que os democratas consolidaram a maioria na Câmara, mas as suas chances de obter controle do Senado foram reduzidas com vitória de candidatos republicanos em estados como Montana e Iowa.

Enquanto aguardamos o resultado final (e para saber o que você pode fazer enquanto isso, clique aqui)…vamos aos diferentes cenários existentes:
1. Trump se reelege e Congresso se mantem dividido
Reação do mercado: positiva – continuidade do governo e possível aprovação de um grande pacote de estímulo econômico após as eleições, num valor de US$1,8 trilhões (8,4% do PIB americano).
2. Biden eleito com Congresso dividido
Reação do mercado: positiva – com congresso dividido, a probabilidade dos democratas aprovarem um plano de aumento de impostos impopular seria menor. Além disso, o pacote de estímulos aprovado pelos democratas deve ser ainda maior que o pacote dos republicanos (pelo menos US$2,0 trilhões segundo os jornais, ou quase 10% do PIB).
3. Biden eleito, Senado e Câmara com maioria Democrata, por pequena margem
Reação do mercado: neutra/negativa no curto prazo, positiva médio/longo – como já mencionado, uma pequena maioria no Senado não deve dar vantagem suficiente aos democratas para levar em frente e aprovar medidas impopulares, como um aumento de impostos. Além disso, esse já é o cenário base precificado no mercado hoje, e não deveria trazer tantas incertezas.
4. Biden eleito com Senado e Câmara com maioria Democrata, por ampla margem (probabilidade baixa)
Reação do mercado: negativa – medidas propostas pelos democratas como regulação antitruste mais agressiva e controles de preços de medicamentos seriam aprovadas mais facilmente. A maior parte dos setores sofreria com aumento de impostos, mas o farmacêutico e de energias não renováveis sofreriam mais devido à reorientação da Casa Branca.
5. Eleições contestadas na Suprema Corte
Reação do mercado: negativa – incerteza de quem ganhará a eleição aumenta, assim como a probabilidade de tensões sociais, como vimos ao longo dos últimos meses.
E o Brasil com isso?
Caso Trump seja reeleito, a relação com o Brasil não deve passar por grandes mudanças nos próximos anos, já que o atual governo brasileiro, presidido por Jair Bolsonaro, tem um alinhamento ideológico e aproximação maior com o atual presidente americano.
Por outro lado, os democratas têm uma forte agenda de meio ambiente e energias renováveis, como mencionamos em outros relatórios.
Apesar do Brasil ser um dos maiores produtores de energia de fontes renováveis no mundo (etanol e geração hidrelétrica), a visão do mundo em relação ao controle ambiental se deteriorou rapidamente, principalmente em relação às queimadas na Amazônia.
O candidato democrata Joe Biden inclusive citou o Brasil no primeiro debate, e propôs que países de todo o mundo forneçam US$20 bilhões destinados à preservação das florestas. Ele também disse que o Brasil enfrentará consequências econômicas significativas, caso o país não controle os desmatamentos.
Porém, segundo Sol Azcune, analista de política internacional da XP Inc, a relação entre países não deve ser muito diferente com quaisquer dos dois presidentes, pois o Brasil também não teve grandes benefícios até agora pelo alinhamento ideológico com Donald Trump.
Como e onde investir considerando os cenários para as eleições?
Apesar de tantas partes nesta equação, os EUA seguirão sendo a 1ª ou 2ª maior economia do mundo, com as melhores empresas. Além disso, a força do dólar com alta dependência do mundo, somada à habilidade dos EUA de emitir quantidades elevadíssimas de dívida sem que haja uma grande reação do mercado, são enormes vantagens ao país.
Mesmo com potenciais impactos negativos a setores específicos, os setores de tecnologia, farmacêutico e biotecnologia, por exemplo, colocam o mercado americano à frente de outros no mundo, seguindo uma alta atratividade por serem empresas de crescimento acima da economia.
Portanto, ter exposição ao país é interessante em qualquer um dos cenários das eleições. Lembrando que no último mês o investimento em empresas globais direto pela bolsa brasileira (BDRs) foi liberado a todos os investidores pessoa física, e não apenas aos investidores qualificados. Fizemos uma série de conteúdos, desde o que são BDRs a como escolhê-los aqui.
Por fim, ao compararmos a bolsa americana à brasileira, no curto prazo, a bolsa americana pode continuar apresentando uma equação de risco e retorno mais favorável, mesmo com aos reflexos das eleições americanas, devido principalmente à maior exposição ao setor de tecnologia e à enorme capacidade de estímulos a economia.
Até agora, os EUA já injetaram na economia mais de US$6,5 trilhões (31% do PIB), entre estímulos fiscais e monetários. Além disso, o novo pacote de estímulos deve ficar em pelo menos mais US$2 trilhões (10% PIB), a ser anunciado após as eleições.
No médio e longo prazo, por outro lado, a Bolsa brasileira parece oferecer maior potencial de valorização, dado o desconto em relação a outras bolsas no mundo e assumindo que o cenário doméstico não se deteriore.
Logo, vemos a exposição às ações americanas e brasileiras como complementares (se de acordo com o perfil do investidor/a) e muito positiva para uma carteira de investimentos diversificada.
Em relação aos riscos para as bolsas, vale destacar: i) 2ª onda do coronavírus levando a uma nova retração, ii) riscos fiscais no Brasil e não avanço das agendas de reformas, e iii) resultado negativo das eleições americanas, levando à forte queda nos mercados.
Quer saber mais detalhes sobre onde e como investir? Clique aqui!
Resumo do dia: Sitting, waiting, wishing
(por Júlia Aquino)
Amanhecemos nesta quarta-feira ainda sem um presidente eleito nos EUA, com os mercados aguardando ansiosamente um vencedor claro da eleição de 2020. A votação acabou ontem, mas a apuração ainda está acirrada e não devemos ter um resultado tão cedo.
Nos EUA, os futuros de S&P sobem 0,72% nesta manhã, se recuperando da queda causada pela declaração precipitada de Trump de que tinha vencido a eleição na madrugada, o que deixou o mercado receoso quanto a possibilidade de judicialização do resultado do pleito.
Apesar do republicano liderar a contagem de votos em vários estados, o democrata Biden está logo atrás e ainda não é possível dizer quem vai ganhar a disputa.
As chances de uma ‘blue wave’ (presidente e congresso democratas) diminuem à medida que a apuração avança, indo contra as pesquisas mais recentes. Os Democratas já consolidaram maioria na Câmara, mas ainda não há definição no Senado.
Com um congresso dividido, a aprovação de novos estímulos pode ficar mais difícil e o mercados apresentam movimentação de risk-off, com aumento em posições mais defensivas e menos suscetíveis as variações do ciclo econômico (leia mais abaixo).

Fonte: New York Times, as 7:57 de 04/11
Bolsas sobem 0,3% na Europa, mas movimento é misto, com mercados acompanhando voto a voto a decisão de quem vai ser o próximo presidente americano.
No Brasil, o Senado aprovou ontem o projeto de lei que confere autonomia formal ao Banco Central, com mandato fixo para sua diretoria, e o texto segue à Câmara ainda sem data para ser apreciado. Hoje estão em pauta no Senado vetos importantes do presidente Jair Bolsonaro, e o veto do presidente à desoneração da folha de pagamentos de empresas de 17 setores da economia deve ser derrubado.
Por fim, faremos uma live às 15h para falar do assunto mais importante do dia. Não percam! Basta clicar aqui.
| Agenda da Semana |
| Quarta-feira, 04 09h00: Brasil – Produção industrial mensal set (exp BBG: 2,4%; exp XP: 2,2%; ant:3,2%)11h45: EUA – PMI Serviços out (ant: 56) |
| Quinta-feira, 05 07h00: Zona do Euro – vendas a varejo set (exp: -0,5%; ant: 4,4%) 09h00: Reino Unido – decisão da taxa de juros (exp: 0,1%; ant: 0,1%) 10h00: Brasil – PMI Serviços out (ant:50,4) 10h30: EUA – Novos pedidos seguro-desemprego 16h00: EUA – Decisão Taxa FOMC (exp: 0,0 a 0,3%; ant: 0,0 a 0,3%) 16h30: Powell fala em coletiva de imprensa pós-FOMC |
| Sexta-feira, 06 04h00: Alemanha – Produção industrial saz set. (exp: 3,9%; ant: -0,2%) 09h00: Brasil – IPCA inflação IBGE a.m. out (exp XP: 0,88%; ant: 0,6%) 09h00: Brasil – IPCA inflação IBGE a.a. out (exp XP: 3,94%; ant: 3,1%) 10h30: EUA – taxa de desemprego out (exp: 7,7%; ant: 7,9%) |
Em vez de “ano de 2020”, poderíamos rebatizar para “turbulência”. Encerramos mais um mês deste ano que mais parece uma década dada a quantidade de acontecimentos. Aliás, recomendo que leia esse insight acompanhado da música que ouvi para escrevê-lo.
O Ibovespa encerrou outubro com queda de 0,69%, o que ao primeiro olhar, pode parecer uma variação singela, mas não podemos esquecer que, ao longo do mês, o índice chegou atingir os 102.217 pontos, e encerrou próximo da mínima do mês (93.386 pontos).
O Brasil segue com uma das piores performances de bolsa do mundo, são 18,47% de queda até aqui. Apenas para paralelo, nos EUA, o S&P 500 já sobe 2,52%, e o índice da bolsa de tecnologia (Nasdaq) anota uma alta de incríveis 26,90%.
Mas como o “ano turbulência” não poderia deixar de ser característico, o pódio dos índices de bolsa fica para o S&P 500 VIX, que mede a volatilidade das opções negociadas na bolsa de Chicago – apelidado carinhosamente de “índice do medo”, já que valoriza quando os investidores estão receosos e buscando por proteções para a carteira. O índice valorizou 125,17% em 2020.
Enfim, essa é a “foto” do ano até aqui, e como nos demais meses do ano, outubro contribui sendo palanque novamente para ele: o novo coronavírus. A tão temida “segunda onda” da covid-19 deu as caras neste mês:
Aumento no número de casos
O aumento no número de casos fez com que alguns governos anunciassem novas medidas de isolamento. Países como Alemanha, França e Reino Unido anunciaram medidas mais severas para conter essa expansão.
Os famigerados “lockdowns”, realizados por questões de saúde, geram consequências econômicas. Negócios fechados, fluxo de consumidores mais baixo, e o medo que se instaura e traz a poupança precaucional consigo, tudo isso traz novos impactos econômicos – aliás, impactos esses que não eram esperados pelos investidores.
Economias e empresas que já estavam fragilizadas sendo “nocauteadas” mais uma vez pelo corona. Enquanto isso, norte-americanos vão as urnas (ou não) para definirem seu novo presidente e mais um capítulo importante deste ano.
Biden vem com vantagem nas pesquisas de estados fundamentais para o quórum eleitoral, mas varemos agora se esses números vão se converter para votos reais. São “apenas” mais dois meses até o fim de 2020, mas em um ano que mais parecem 10, podemos dizer que tem muita água para rolar nessa cachoeira ainda.
Enfim, esses momentos de turbulência e incerteza realmente dão uma dor no estômago. Porém, caros 13 leitores, vou compartilhar uma técnica infalível para passar bem por estes momentos:
Nas inúmeras visitas a gestoras que já fiz vi, ouvi e aprendi muito. Mas, em uma visita especifica à gestora Dahlia Capital, algo me chamou atenção: José Rocha, um dos principais gestores da casa, tem um mural no espelho do escritório onde cola suas principais ideias de investimento em recortes de gráficos ou textos.
Quando perguntei o porquê ele fazia isso, sorrindo me respondeu: “abafa os ruídos do dia-a-dia e ajuda a lembrar do que realmente importa”.
Bom, vocês já imaginam que não demorei para replicar a ideia (dentro das minhas limitações de espaço no home office).
O cenário de curto prazo é extremamente incerto: coronavírus que ainda não teve seu fim, eleições americanas definindo a liderança da maior economia do mundo, além dos países estarem muito mais endividados por conta da pandemia e a necessidade de ações fiscais para combater suas consequências.
Mas não podemos deixar de lembrar que, justamente para combater os efeitos econômicos colaterais da covid, os bancos centrais ao redor do mundo reduziram suas taxas básicas de juros. No mundo desenvolvido, as taxas chegam próximas de zero ou até mesmo no campo negativo, e no mundo emergente (em que o Brasil se inclui), temos um patamar muito mais baixo do que visto antes.
As discussões sobre o mundo pós-pandêmico se dividem em todos os aspectos, até pelo nível de incerteza já comentado aqui, mas acredito que nós estamos convencidos (e os bancos centrais também) que as taxas de juros ficarão mais baixas por mais tempo.
Claro, não necessariamente nos patamares atuais, mas para um mundo que vai precisar tapar um buraco enorme causado pela pandemia, com certeza bem mais baixas que a média histórica.
Mas Collazo, essa informação importa por que exatamente?
Para nos lembrarmos que:
i) em um mundo de juros mais baixos, as rentabilidades também ficam mais baixas, e se você quer buscar maiores retornos na sua carteira, vai precisar se expor a maiores riscos;
ii) já que o juro está mais magro, a renda fixa também emagrece. Isso beneficia os chamados ativos reais – ações, imóveis, commodities;
iii) necessidade de aumentar os riscos + maior parcela da carteira investida em ativos reais = necessidade de alongar os prazos de investimento.
Obviamente que, como sempre falamos, tudo isso só importa depois do seu perfil de investidor. É fundamental você estar com sua carteira alinhada com seu perfil, caso contrário, qualquer dor de estomago pode te fazer apertar o botão de resgate e nem sempre essa é a decisão mais inteligente.
Ah, e por mais que a renda fixa esteja mais magra, aqui no Brasil temos uma jabuticaba doce nas taxas dos ativos dessa classe. Diferente do resto da maior parte do mundo, temos boas taxas de retorno em ativos de renda fixa para prazos maiores, principalmente nos indexados à inflação (IPCA+), que nos pagam taxas reais (já descontadas da inflação) bem interessantes.
Aí fica fácil: olho minha tela indicando diversas notícias “negativas”, estico meu corpo e olho para essa minha “parede-mural”, e me lembro que preciso acompanhar o mercado sempre, mas não é sempre que eu preciso tomar decisões de investimento ou desinvestimento.
Recomendo que vocês façam o mesmo.
Resumo do dia: Democracy Party
(por Paula Zogbi)
Chegou o grande dia das eleições dos Estados Unidos. Hoje, eleitores de todo o país vão às urnas para decidir entre Joe Biden e Donald Trump – uma escolha que definirá os rumos da maior economia do mundo a partir de agora e, consequentemente, afetará todo o planeta.
Nesse clima de “festa da democracia”, apesar da rivalidade forte vista nessa eleição em especial, as bolsas mundiais abrem em alta. Nos EUA, os futuros dos três principais índices sobem até 1,6%; o Euro Stoxx tem alta de 2% nesta manhã.
Segundo pesquisas publicadas no domingo feita pela NBC News e pelo Wall Street Journal, o candidato democrata tem 52% das intenções de voto, frente 42% para Trump. Mas a decisão está longe ainda: a contagem de votos não termina hoje – pode demorar alguns dias por conta da votação maciça pelos correios – e o atual presidente deu a entender que pretende entrar na justiça contra votos que não sejam contabilizados até amanhã.
Ontem foi feriado no Brasil, mas o pregão internacional indica que nossa bolsa também deve abrir em alta nesta terça. O principal índice brasileiro de ADRs (que representam ações de empresas estrangeiras negociadas na bolsa dos EUA), o Dow Jones Brazil Titans 20 ADR, fechou com alta de 0,95%, a 13.240 pontos. O ETF EWZ iShares MSCI Brazil Capped, que replica o Ibovespa em dólar, registrou alta de 1,19%, a 27,18 pontos.
Na frente política, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, descartou possibilidade de colocar em votação na casa propostas para prorrogar o estado de calamidade, o auxílio emergencial ou o orçamento de Guerra.
| Agenda da Semana |
| Terça-feira, 03 08h00: Brasil – ata do Copom 08h25: Brasil – boletim Focus 10h00: Brasil – PMI manufatura out (ant: 64,9) 12h00: EUA – Pedidos de fábrica set. (exp: 0,5%; ant: 0,7%) 15h00: Brasil – Balança comercial mensal out 22h45: China PMI Composto e de Serviços out. |
| Quarta-feira, 04 05h00: Brasil – IPC FIPE mensal out (ant: 1,1%) 05h15: Espanha – PMI Serviços out (ant: 42,4) 05h45: Itália – PMI Serviços out (ant: 48,8) 05h50: França – PMI Serviços out (ant: 46,5) 05h55: Alemanha – PMI Serviços out (exp: 49; ant: 48,9) 06h00: Zona do Euro – PMI Serviços out (exp: 46,2; ant: 46,2) 07h00: Zona do Euro – PPI set (ant: 0,1%) 09h00: Brasil – Produção industrial mensal set (exp BBG: 2,4%; exp XP: 2,2%; ant:3,2%)11h45: EUA – PMI Serviços out (ant: 56) |
| Quinta-feira, 05 07h00: Zona do Euro – vendas a varejo set (exp: -0,5%; ant: 4,4%) 09h00: Reino Unido – decisão da taxa de juros (exp: 0,1%; ant: 0,1%) 10h00: Brasil – PMI Serviços out (ant:50,4) 10h30: EUA – Novos pedidos seguro-desemprego 16h00: EUA – Decisão Taxa FOMC (exp: 0,0 a 0,3%; ant: 0,0 a 0,3%) 16h30: Powell fala em coletiva de imprensa pós-FOMC |
| Sexta-feira, 06 04h00: Alemanha – Produção industrial saz set. (exp: 3,9%; ant: -0,2%) 09h00: Brasil – IPCA inflação IBGE a.m. out (exp XP: 0,88%; ant: 0,6%) 09h00: Brasil – IPCA inflação IBGE a.a. out (exp XP: 3,94%; ant: 3,1%) 10h30: EUA – taxa de desemprego out (exp: 7,7%; ant: 7,9%) |
Aqui no time de análise da Rico, nós somos uma família – afinal de contas, passamos todos os dias junto (digitalmente). Pois bem, depois de incontáveis respostas ao último Rico Matinal, de minha autoria, como essa aqui:

Eu praticamente fui “expulso de casa”, neste contexto. Caros 13 leitores, a participação de vocês tem força…

Além dessa “instabilidade familiar”, ficou claro o interesse de vocês pelo assunto, por isso, sem mais delongas, neste insight vou falar a fundo sobre os fundos.
Antes de mais nada, é importante salientar as duas regras soberanas dos investimentos: i) antes de investir, entenda seu perfil de investidor e se aquela opção de alocação de dinheiro faz sentido para ele; ii) no mercado financeiro, os fatores não precisam se excluir, podem se somar. Você não precisa dizer um “ou”, mas sim um “e”, e as vezes a pergunta certa não é “ter ou não?”, mas sim “quanto devo ter?”.
Durante a análise, fazemos seleção de fundos com base em critérios qualitativos e quantitativos. Afinal de contas, um fundo de investimento não deve ser encarado como um produto financeiro, mas sim como um serviço de gestão de recursos profissional.
Após “passar a peneira”, chegamos aos nomes que temos predileção dentro de cada classe de fundo. Dentro do contexto de opções mais conservadoras, gostamos dos fundos de renda fixa que são focados em crédito privado, que são títulos de dívida emitidos por empresas. E o por que?

A imagem acima ilustra o spread de crédito brasileiro. No bom português, o quanto os títulos emitidos por empresas pagam, em média, a mais do que a taxa de juros referência (aqui foi utilizado o CDI).
Esse ganho com taxas “mais gordas” é muito interessante, ainda mais quando ajustamos ao risco que vamos correr para ganhar essas taxas – que é mais baixo por estarmos falando de títulos emitidos por empresas com boa saúde financeira.
Nesse sentido, nada melhor do que os gestores dos fundos Polo Crédito Corporativo, JGP Corporate Feeder III, XP Top FIRF, Augme 45 Advisory para fazerem a seleção de quais são as boas dívidas para se ter em carteira. Ah, e para títulos atrelados à inflação (IPCA+), o fundo XP Debentures Incentivadas dá conta do recado muito bem.
Fundos Multimercado
Saindo do “mundo conservador” e começando a pisar um pouco no acelerador: os fundos multimercados são parte importante na diversificação de carteira de um investidor que busca retornos mais expressivos ao longo do tempo. Dentro dessa categoria existem diversas variações de fundos, nós gostamos principalmente de quatro delas – macro, long & short, quantitativos e alternativos.
Os fundos macro são os mais tradicionais: a equipe de gestão avalia o cenário e busca ganhar dinheiro nele, conforme sua proposta de exposição a risco. Investem em diversos ativos de forma simultânea, como renda fixa, renda variável, commodities, tanto comprados apostando na valorização, como vendidos, apostando na queda de preço. Geralmente, nas nossas recomendações de carteira, nós utilizamos os macros de maior risco.
Absolute Vertex, Legacy Capital, Kapitalo Kappa, Ace Capital são excelentes pedidas.
A classe quantitativa, nos multimercados, tem o mesmo racional dos fundos macro, a diferença é que eles automatizam toda a gestão por meio de tecnologia. Essas gestoras investem muito em tecnologia, análise de dados, e automação de processos de gestão.
A Giant Steps é uma das principais nesse segmento e seus fundos são os nossos queridinhos, tanto o Giant Darius, como seu irmão Giant Sigma. Aliás, embora eles tenham estratégias diferentes, olhamos para eles como gêmeos em nossas recomendações, então faça um investimento equivalente em ambos pois eles se otimizam:

Fundos Long & Short
Mudando de mercado, mas não de propósito, os fundos long & short investem em ações, porém de forma relativa. Basicamente, o time de gestão seleciona quais ações possuem fundamentos mais fortes para valorização e as compram, e para aquelas que possuem fundamentos mais frágeis, ou como eu gosto de chamar, “as que eles não gostam”, ficam vendidos para ganhar na desvalorização ou num valorização mais baixa do que a carteira de ações compradas deles.
O foco é esse: ganhar na diferença de performance entre as ações que eles compraram x vendidas. Tem uma turminha aí que faz isso muito bem, como: Moat Capital Equity Hedge, Ibiuna Long Short e RPS Equity Hedge D30.
Preste atenção que, embora seja um fundo que usa ações como veículo de investimento, eles não são considerados fundos de ações, por assim dizer. Até mesmo quando olhamos pelo prisma de risco, é bem menor do que os fundos de ações propriamente ditos.
Fundos Alternativos
E os alternativos, os famosos fundos hipsters, que são estratégias mais especificas em que um time de gestão desenvolveu ao longo dos anos e dá muito certo. Aqui não tenho uma lista muito longa, a menina dos olhos é a Absolute Alpha Global.
Essa mocinha aqui investe em fusões e aquisições (M&A) de empresas. O chamado “event driven Investing”, focados em ganhar dinheiro comprado ou vendendo essas situações de eventos entre corporações, tanto aqui no braza, quanto lá fora.
Fundos de ações
Saindo dos multis para os unis, os famigerados fundos de ações brasileiras. Aqui vou separar em duas subcategorias: long biased e long only, ou como eu gosto de chamar, Nutella e raiz.
Nossos queridíssimos amigos nutellas investem em ações, com pelo menos 67% do patrimônio do fundo, mas não necessariamente com todo capital, e com essa outra parcela que sobra eles podem diversificar. Podem fazer posições vendidas (assim como os fundos long short), ou mesmo em ativos fora da bolsa, como renda fixa, moedas, commodities, vai depender da estratégia do fundo.
A galera da Dahlia Capital (ou como eu chamo: “parças da Betina”) fazem muito bem essa estratégia focada em ações, porém investindo fora da bolsa também, no fundo Dahlia Total Return. Boa parte do time cobriu ações ao longo da última década no Bank of America Merrill Lynch (ou só Merrill mesmo), mas tem membros da equipe da gestão com expertise forte em outros mercados, inclusive aqueles que não falam português.
Mas a Dahlia não nada de braçada tão fácil assim não, o fundo Truxt Long Biased vem logo ali com a mesma construção de estratégia.
Para os long biaseds Nutella mas nem tanto, que investem em ações ou se protegem por meio de posições vendidas nelas, gostamos bastante do time do XP Long Term Equity, Tork Advisory 60, Távola Absoluto, Safari 45.
E sabe o que combina bem com Nutella na sua carteira? A galera raiz, os “tiozões da bolsa”. Aquele estilo mais simples que resolve tudo, esses amigos aqui ou estão 100% investidos em ações, comprados em companhias que querem se tornar sócios para o longo prazo, ou estão um pouco menos do que isso, fazendo caixa a espera de melhores oportunidades de preços nas ações.
E no meu churrasco não pode faltar Brasil Capital 30, Navi Cruise e Kiron FIC FIA.
Para fechar com chave de ouro, mas não menos importante, a “gringaiada” chega cheia de grife nas carteiras brasileiras. Esse “salto alto” vem do fato deles serem recomendados apenas para investidores qualificados.
Fundos Internacionais
Eles fazem o mesmo que os fundos nacionais, porém sob a ótica de alocação internacional. Para renda fixa, gostamos bastante de misturar os seguintes fundos dentro da estratégia: Moneda Latam Credit, AXA US HY e Oaktree Global Credit. Se você for mais conservador, fique apenas no Morgan Stanley Global Fixed Income.
Para renda variável: Morgan Stanley Global Opportunities, Morgan Stanley Global Brands e AXA Digital Economy.
Mas Collazo, e eu que não sou qualificado, não posso investir em fundos no exterior?
Na realidade, você pode investir em fundos de gestão passiva, ou seja, que não possuem um time de gestão realizando os investimentos, puro e simplesmente replicam um índice lá de fora, como a bolsa americana por exemplo (S&P 500). A família Trend de fundos vai te dar acesso a diversos índices no exterior.
Porém, para você que gostaria de ter a gestão ativa: a família de fundos DNA constroem uma carteira diversificada, pensando na construção de patrimônio a longo prazo, para cada perfil de investidor. Dentro de suas carteiras eles possuem posição em fundos ativos internacionais, os mesmos que eu citei acima inclusive, e mesmo que você não seja qualificado, ao investir neles, terá participação nestes fundos. Além disso, começando com R$100 reais, você já consegue investir nos fundos DNA.
Todos os fundos citados estão disponíveis na sua conta da Rico, basta acessar e conferir na aba de fundos de investimento.
Mas Collazo, para aplicar diretamente nesses fundos tem um mínimo de aplicação elevado, não existem opções com mínimo menor?
Na realidade, para a qualidade e porte destes fundos, o mínimo é baixo (dentro dos padrões do mercado. Porém, conheço e muito as dificuldades de diversificar o patrimônio sendo um investidor de menor porte, afinal de contas, sou um deles.
Os fundos DNA, por exemplo, com R$100,00 você consegue investir em qualquer fundo da família, montando uma carteira completa de investimento alinhada a seu perfil e horizonte de investimento.
“É inútil fingir
Não te quero enganar
É preciso dizer adeus
É melhor esquecer
Sei que devo partir
Só me resta dizer adeus”
Acalme-se, caro/a leitor/a. Essa letra de Vinícius de Moraes, que conheci primeiro pela voz maravilhosa de Gal Costa, não é minha despedida dos Ricos Matinais.
Eu sou muito ruim com despedidas. Chorei copiosamente em todos os finais de ciclos que passei até hoje: mudança de colégio, de endereço, formaturas… Tive que me segurar demais para não chorar na frente da câmera na gravação do meu último programa semanal no InfoMoney antes de vir para a Rico. Foi um alívio estar em home office e poder chorar sozinha no fim daquele último expediente, mesmo continuando no grupo.
Essas lágrimas não significaram necessariamente que eu estava triste. Em nenhuma dessas ocasiões eu queria ter ficado onde eu estava – as mudanças invariavelmente vieram para melhor, porque fizeram parte da minha evolução como pessoa.
Na verdade, eu queria já deixar avisado que, se um dia você me vir chorando, pode ficar tranquilo/a: essa é só a minha reação às coisas e nunca vi motivo para me segurar. Em geral eu estou perfeitamente bem, ainda que a minha cara inchada pareça sugerir outra coisa. E eu fico bem porque já aprendi que, na grande maioria das vezes, despedidas são positivas e necessárias.
E é por isso que eu venho aqui aconselhar que você que está lendo esse Rico Matinal, se não fez ainda, pratique o desapego, evolua e, de uma vez por todas, diga adeus à poupança.
Sei que vocês provavelmente tiveram bons momentos juntos. A poupança pode ter ajudado você a não gastar por impulso, a realizar algum sonho, ter mais controle sobre suas finanças e, em última instância, sobre si mesmo. Ela cumpriu papeis importantes até aqui. Mas está na hora de ter a rentabilidade que você merece, mesmo na reserva de emergência.
Infelizmente, a poupança não foi totalmente honesta com você. Ela prega ter liquidez imediata, mas evita mencionar suas “datas de aniversário”, que somem com toda a rentabilidade de um mês caso você resolva resgatar o dinheiro um ou dois dias antes. Para um relacionamento ser duradouro, o aconselhável é ser totalmente transparente, não é?
Mas não é só isso. A verdade é que seu dinheiro consegue mais. Rendendo 70% da Selic, a caderneta hoje está te oferecendo um retorno de 1,4% ao ano. As boas alternativas para a reserva de emergência – Tesouro Selic, os fundos DI e os CDBs de liquidez diária – rendem 1,55% a.a. descontada a maior alíquota de imposto de renda (para até 180 dias) e 1,7% se você não movimentar o dinheiro por mais de 720 dias.
Se você acha pouco, lhe convido a assistir à última Escola de Investidores, sobre o efeito dos juros compostos nos seus investimentos, clicando aqui. Só para ter uma ideia, quem investiu R$ 10 mil na poupança pelos últimos 5 anos sacaria hoje 13.034. O mesmo investimento rendendo 100% do CDI valeria hoje R$ 14.864. Duvido que você teria jogado esses mais de R$ 1.800 no lixo se tivesse essa informação de antemão.
Se você tem dinheiro voltado ao longo prazo na Poupança, pior ainda. Mesmo na renda fixa, existem inúmeras oportunidades sem liquidez que pagam bem acima dos 2% a.a. da nossa Selic atual – mantida nesse patamar ontem pelo Copom. Para objetivos a serem cumpridos em 2, 3, 5 anos, CDBs, LCs e fundos de investimento em renda fixa, como o Trend Inflação Curta e o DNA Serenity, são opções muito melhores que a poupança e ainda conservadoras. Pensando no longuíssimo prazo, busque proteger seu poder de compra – a forma menos arriscada de se fazer isso é através do Tesouro IPCA+.
Como eu já disse, sei que despedidas são difíceis, mas nós estamos aqui para ajudar você a começar uma nova fase, com mais rentabilidade e um caminho menos tortuoso rumo à independência financeira.
Sábado é dia da poupança e o nosso objetivo é ajudar todos os desavisados a mudar de patamar e desatar esses laços de uma vez por todas. O primeiro passo, caso você ainda não o tenha feito, é abrir a sua conta, clicando aqui.
Em tempo: como sempre faço em se tratando da poupança, não posso deixar de avisar que aplicações feitas na norma antiga, que expirou em maio de 2012, continuam rendendo 6% ao ano e, portanto, são ótimas aliadas à sua carteira em tempo de Selic em 2%. Prefira movimentar saldos aplicados depois da mudança de regra.
Insight Rico: Como escolher BDRs para investir
Agora que você já sabe o que são BDRs e leu ontem sobre os principais efeitos da liberação de negociação para pessoas físicas, como escolher em qual BDR investir?
Assim como acontece ao comprar ações de empresas brasileiras por aqui, é importante entender sobre a empresa, seus fundamentos e quais as perspectivas para a companhia ao comprar um BDR.
Como sempre, invista naquilo que você conhece: busque entender o que a empresa faz, acompanhe as notícias sobre ela e sobre o setor, procure as expectativas do mercado para os próximos resultados financeiros e entenda o seu potencial de crescimento no futuro.
Entre os BDRs disponíveis na bolsa brasileira, a concentração de empresas dos setores de tecnologia e comunicação é bem alta, ao contrário do que vemos entre os papéis nacionais. É uma boa oportunidade de diversificar sua carteira não só geograficamente, mas também setorialmente, buscando sempre empresas descorrelacionadas.

Além da performance da ação estrangeira em que está lastreada, a performance de um BDR também está exposta à variação da moeda brasileira contra o dólar — se o dólar sobe ou desce, o investidor ganha ou perde valor. Por isso, é possível que alguns BDRs valorizem mais que a ação em momentos de alta do dólar, mas não acreditamos que é interessante investir nelas pensando em lucrar com a variação cambial.
Investir em papéis que pagam dividendos é uma boa maneira de aumentar seus retornos, e, ao comprar um BDR, você também tem direito a receber os dividendos pagos pela empresa estrangeira, assim como acontece com uma ação no Brasil.
Apesar de não sofrerem cobrança de IR no Brasil, os dividendos recebidos estão sujeitos à tributação do país-sede da companhia. Fora isso, o custodiante, que é quem emite o recibo e mantém o lastro, costuma cobrar uma taxa de 4% sobre esses pagamentos. Ou seja: na sua conta, cai o dividendo descontado dessas duas taxas. Se o valor superar R$ 1.903,98 em um mês, você também deve recolher imposto sobre rendimentos recebidos de fonte no exterior.
Abaixo, listamos cinco empresas que se destacam, seguindo recomendações de analistas estrangeiros, market cap (valor de mercado) e bons fundamentos, com os respectivos BDRs. Essas são algumas empresas que fazem parte da Seleção BDRs (spoiler), segundo nossos critérios quantitativos.

Todos os nomes estão listados na Nasdaq e são de setores pouco representativos na bolsa brasileira. Abaixo, apresentamos um pouco mais dessas empresas e, em seguida, o que esperar dos resultados agora.
Sobre as empresas
Microsoft (MSFT/MSFT34)
A Microsoft é líder mundial em sistemas operacionais — se você está lendo esse texto em um computador, é muito possível que ele tenha o Windows instalado. Também fabrica o Xbox e oferece entre seus produtos Office365, Skype, LinkedIn e serviços de nuvem, sendo a segunda maior empresa do mundo nessa última frente, atrás apenas da Amazon.
Apple (AAPL/AAPL34)
O iPhone é o produto mais famoso da Apple, mas a empresa também fabrica outros equipamentos, como notebooks e smart watches. Também oferece serviços, em uma frente que está em pleno crescimento, com nomes como iCloud e Apple TV+.
Facebook (FB/FBOK34)
Além de contar com 2,5 bilhões de usuários na rede de mesmo nome, o Facebook também é dono do WhatsApp, Instagram e Messenger. A maior parte da receita da empresa vem dos anúncios veiculados nas redes sociais, mas vem investindo em market places com o Facebook Shops e em meios de pagamento com o WhatsApp pay – diversificação sempre importante para manter a relevância.
Alphabet (GOOGL/GOGL34)
Alphabet é a empresa-mãe do Google, o buscador mais popular do mundo. Além da ferramenta de pesquisa, também é dona da maior plataforma de compartilhamento de vídeos, o YouTube, e do sistema operacional mais usado em smartphones, o Android. A maior parte do faturamento vem dos anúncios nas suas plataformas, mas também oferece serviços na nuvem (terceiro no ranking mundial) e de pagamento.
Nvidia (NVDA/NVDC34)
Talvez a menos conhecida da lista, Nvidia é fabricante de semicondutores, unidades de processamento gráfico e outros componentes para eletrônicos. Tem atuação focada em jogos eletrônicos, inteligência artificial, computadores automotivos e data centers. Recentemente, tem se movimentado para entrar no mercado de chips para smartphones, diversificando mais as fontes de receita da empresa.
Quais são as expectativas para os resultados dessas empresas e perspectivas do mercado?
Os resultados do terceiro trimestre de 2020 de Apple, Facebook e Alphabet serão divulgados nessa quinta-feira (29). A Nvidia deve divulgar seus resultados na primeira quinzena de novembro.
A Microsoft divulgou os resultados do trimestre ontem (27), e superou as expectativas do mercado com receita de US$37,2 bilhões, o que representa um crescimento de 12% em relação ao ano passado. A maior parte desse faturamento veio dos serviços de computação em nuvem, segmento da Microsoft que cresceu 20% com o aumento da demanda por ferramentas para home office.
A Nvidia sempre foi conhecida por produzir GPUs para jogos, mas vem mostrando que também é versada em desenvolver tecnologias para áreas como inteligência artificial e realidade virtual. Além disso, a empresa planeja expandir ainda mais seu mercado com a compra da Arm Holdings, fabricante de microprocessadores atualmente controlada pelo SoftBank, um movimento importante por fazer parte de um setor competitivo, com players grandes como Intel e AMD.
Alphabet, Apple, Microsoft e Facebook são parte do grupo conhecido como Big Techs, que vem apresentando performance acima da dos outros setores durante a pandemia e no cenário de incerteza com eleições americanas. Acreditamos que essas companhias ainda têm espaço para crescer ao apresentar resultados robustos para o terceiro e quarto trimestres desse ano.
Com o afrouxamento das medidas restritivas pelo coronavírus e melhora no cenário econômico no terceiro trimestre, é esperado um aumento nos gastos com publicidade nas plataformas que têm anúncios como principal fonte de receita, o que é, portanto, positivo para empresas como Google e Facebook.
Vale levar em consideração que com a possibilidade de vitória democrata na presidência e congresso nas eleições americanas, é possível que as Big Techs sejam mais pressionadas, já que o partido critica a concentração de mercado e suas alas mais liberais são a favor de novas leis antitruste para o segmento. Por isso, de novo, sempre importante ter uma carteira diversificada, entre geografias, setores e classes de ativos.
Ainda sobre as Big Techs, o crescimento dos serviços de streaming e serviços de nuvem, impulsionado ainda mais pela adoção de aulas online e home office nos últimos meses devido à pandemia, é uma tendência vista nos últimos meses que adiciona potencial ao crescimento às empresas.
Para investir em BDRs com corretagem zero, acesse sua conta na Rico.
Resumo do dia: Demorou, mas admitiu
(por Paula Zogbi)
Perdi as contas de quantas vezes mencionei a possibilidade de acordo entre democratas e republicanos para um novo pacote de estímulos nos EUA antes das eleições, na terça que vem. Finalmente, o presidente Donald Trump admitiu, ontem, que esse prazo não é mais viável.
A confirmação de “derrota”, junto com a aceleração da propagação do coronavírus, levam os mercados para um firme terreno negativo nesta manhã. Os futuros de bolsas americanas caem até 1,5%; o Stoxx 50 na Europa derrete 2,37%.
As restrições contra a covid-19 continuam crescendo. Na Alemanha, Angela Merkel propôs o fechamento de bares e restaurantes por um mês. Na França, pode haver lockdown “de verdade” em caso de superlotação de hospitais. Até então, essa segunda onda de casos não estava se refletindo em hospitalizações e mortes, mas isso parece estar mudando em alguns países. Na Bélgica, o número de internações ultrapassa o auge da primeira onda. República Tcheca e Bulgária também registram recorde de internações.
Para piorar, foi notícia ontem que, em uma reunião fechada da Comissão Europeia na segunda, autoridades afirmaram que provavelmente não haverá vacinas para toda a população do continente até 2022.
Abaixo, o VIX, índice de volatilidade que mostramos ontem, volta a patamares de junho e o Euro Stoxx cai ao nível de maio:

Hoje é dia de Copom. Depois do pregão, o Banco Central divulgará a nova taxa de juros definida pelo seu Comitê de Políticas Monetárias. Esperamos que ela seja mantida em 2%, mas estaremos ao vivo, às 18h45, no YouTube da Rico para comentar a decisão e o comunicado divulgado junto a ela. Esperamos vocês lá!
Enquanto tudo isso acontece, as empresas seguem divulgando seus resultados do terceiro trimestre. Inclusive, esta semana é muito importante para a temporada de balanços no Brasil. Hoje, às 11h, a Betina Roxo, nossa Estrategista-Chefe, estará em live com o Stock Pickers (no YouToube) para comentar sobre os resultados que já saíram e o que estão por vir. Só clicar aqui.
| Agenda da Semana |
| Quarta-feira, 28 04h00: Alemanha – Índice de preços de exportação a.m. set (exp: -0,3%; ant: 0,1%) 04h45: França – Confiança do consumidor out (exp: 93; ant: 95) 05h00: Espanha – Vendas no varejo a.a. set (ant – 4,6%) 07h00: Itália – PPI a.m. set (ant: 0,1%) 09h30: EUA – Estoques no atacado a.m. set. (exp: 0,4%; ant: 0,4%)Brasil – Copom – Decisão da Selic-meta (exp: 2%; ant: 2%)Japão – Decisão de política monetária (ant: -0,1%) Quinta-feira, 29 06h00: Itália – Confiança do consumidor out (exp: 102,3; ant: 103,4) 07h00: Zona do Euro – Confiança na economia out. (ant: -15,5) 09h30: EUA – Novos pedidos de seguro-desemprego (exp: 783 mil; ant: 787 mil) 09h30: EUA – PIB anualizado a.t. 3T (exp: 31,8%; ant: -31,4%) 09h45: Zona do Euro – Taxa de refinanciamento principal ECB (exp: -0,5; ant: -0,2)Brasil – Resultado primário do governo centralBrasil – Caged: Criação de empregos formais total set. (exp BBG: 235.000; exp XP: 168.333 mil; ant: 249.388) Sexta-feira, 30 03h30: França – PIB a.t. (exp: 15%; ant: -13,8%) 07h00: Zona do Euro – Taxa de desemprego set. (exp: 10,2%; ant: 9,7%) 07h00: Zona do Euro – PIB sazonal a.t. (exp: 9,5%; ant: -11,8%) 07h00: Zona do Euro – IPC a.m. (exp: 0,1%; ant: -0,5%) 09h00: Brasil – PPI a.m. (exp: 0,1%; ant: 0,1%) 09h00: Brasil – PNAD: Taxa de desemprego ago (exp BBG: 14,2%; exp. XP: 14,4%; ant: 13,8%) 09h30: Brasil – Resultado primário do setor público consolidado 22h00: China – PMI Composto out (ant:55,10) |
Insight Rico: Sim, a liquidez vem (uma conversa sobre BDRs)
“Não invisto em BDR porque não tem liquidez” é um argumento que escutamos muito desde o primeiro anúncio da liberação desse instrumento para o investidor de varejo (os não qualificados, com menos de R$1 milhão em produtos financeiros), em agosto. Mas ele é falho, já que tudo indica que o aumento da negociabilidade vai ser exponencial daqui para frente.
Sim, em agosto, o volume total de BDRs negociados na B3 no era inferior ao de uma única ação brasileira em vários casos (média de R$ 59,8 milhões). Mas o esforço institucional para bombar os investimentos em empresas estrangeiras não vai ser pouco.
Desde que divulgou a mudança na regra de negociação, a B3 já começou a implementar mecanismos para melhorar a negociabilidade da classe. O lote padrão de negociação dos BDRS Não Patrocinados Nível I passou de 10 para 1 unidade, o dos Níveis II e III passaram de 100 também para 1.
O pessoal da bolsa também tem enfatizado bastante a atuação dos formadores de mercado, ou Market Makers, que têm como compromisso manter ofertas de compra e venda de forma regular e contínua durante a sessão de negociação. Basicamente, é uma forma de garantir que a operação seja completada mesmo que não haja muita demanda.
No dia 22 de setembro, primeiro pregão de negociação totalmente liberada de BDRs, a quantidade de negócios efetuados com esse instrumento na B3 passou de 31,5 mil, quase 30 vezes a média diária de 2020 até então, que era de 1.060. E não foi passageiro: dia seguinte, sexta-feira, ficou em 27,5 mil.

O volume negociado (em dinheiro mesmo) continuou estável, verdade. Mas alguns nomes maiores tiveram variações bastante expressivas, como Alibaba (BABA34), cujo volume financeiro saltou 8.750% em relação à média dos 20 dias anteriores, e Netflix (NFLX34), que viu salto de 5.078% na mesma métrica.
Só mais um fato: naquele mesmo dia (vale lembrar, só o primeiro de negócios para o público geral), mais de 20 BDRs sofreram desdobramentos, ou seja, transformaram uma unidade em duas, três, quatro… O mais significativo deles foi o da Netflix: um BDR se desdobrou em 49, levando o preço unitário para cerca de R$ 55. Isso, claro, facilita para o pequeno investidor: muito mais fácil ter dinheiro para negociar um BDR de R$ 50 reais do que um de mais de R$ 2 mil, afinal.
Mas pera aí, pode isso? Sim! Como explicamos nesse outro Rico Matinal, BDRs não são ações em si, mas sim certificados com lastro em ações. Justamente por isso, eles não precisam (e muitas vezes não são) negociados na proporção de 1:1 (um BDR valendo uma ação). Só para ter uma ideia, cada ação da Alphabet valem 150 BDRs GOOGL34, ou seja, a proporção é 1:150. Para saber o ratio dos BDRs em que você se interesse, acesse essa tabela da B3.
E o mercado não é bobo e nem deixa dinheiro na mesa. Só na última segunda-feira (19), 72 empresas estrangeiras estrearam na B3 através desse tipo de produto, incluindo Unilever, AstraZeneca, Royal Dutch Shell e América Móvil, o que demonstra grande confiança na capacidade do país de negociar esses papéis. A BlackRock mostrou estar atrás do seu pedaço desse mercado ao informar que pretende ofertar 100 novos ETFs (fundos listados) no Brasil por meio dos BDRs até o primeiro trimestre de 2021.
Acreditamos ser de suma importância prestar cada vez mais atenção a esse mercado, dado que a diversificação (inclusive geográfica) é, comprovadamente, uma das maneiras mais eficientes de conseguir bons resultados consistentemente no longo prazo em investimentos. Vale lembrar que investir no Brasil é ter exposição a apenas 0,8% do mercado global (participação da nossa bolsa no valor de mercado total das ações listadas), contra 33% do S&P 500, por exemplo.
Para além da diversificação internacional, esse instrumento também permite relevante exposição a setores pouquíssimo representativos na bolsa brasileira, como tecnologia, comunicação e saúde, alguns dos mais relevantes em termos de rentabilidade até agora em 2020.
Amanhã, este mesmo Rico Matinal vai trazer uma “luz” para ajudar quem tem interesse nesse mercado a escolher bons BDRs para investir. Se eu fosse você, não perderia.
Resumo do dia: Apreensão com a segunda onda permanece
(por Júlia Aquino)
A segunda onda do coronavírus continua preocupando os mercados, que amanheceram mistos nessa terça-feira após movimentos de venda ontem. Os futuros do S&P sobem 0,5%; na Europa, o Stoxx50 cai 0,2%
Wall Street teve seu pior pregão desde o início de setembro ontem, dia que marcou novo recorde de casos de covid-19 em 4 países, incluindo os EUA. A falta de progresso no acordo para um novo estímulo fiscal também colaborou para esse movimento, com a Casa Branca dizendo que as conversas com a Casa de Representantes continuam, mas desaceleraram.
A uma semana das eleições americanas, o índice VIX, que mede a volatilidade dos mercados, atingiu ontem 32,5, o valor mais alto desde o inicio de setembro.

Fonte: CBOE
Na Europa, investidores estão de olho no que vai acontecer nos próximos dias, com as autoridades da França estudando aumentar as restrições já impostas no país, que parecem não ter contido a dispersão do vírus. Outros países europeus também implementam mais restrições. Vale lembrar, porém, que os números de mortes e internações não crescem na mesma velocidade que o de casos nessa segunda onda.
Com apreensão nos mercados globais, Ibovespa fechou em queda de 0,24% ontem. O desempenho foi melhor que no exterior. Em Brasília, o Senado prepara a retomada da pauta econômica antes das eleições municipais.
| Agenda da Semana |
| Terça-feira, 27 04h45: França – PPI a.m. set. (ant: 0,1%) 08h00: Brasil – custos de construção FGV a.m. outubro (ant: 1,2%) 09h30: EUA – Pedidos de bens duráveis set. (ecp: 0,%; ant: 0,5%) 11h00: EUA – Conference Board Confiança do consumidor out. (exp: 102; ant: 101,8)Brasil – Total da dívida federal set. Quarta-feira, 28 04h00: Alemanha – Índice de preços de exportação a.m. set (exp: -0,3%; ant: 0,1%) 04h45: França – Confiança do consumidor out (exp: 93; ant: 95) 05h00: Espanha – Vendas no varejo a.a. set (ant – 4,6%)07h00: Itália – PPI a.m. set (ant: 0,1%) 09h30: EUA – Estoques no atacado a.m. set. (exp: 0,4%; ant: 0,4%)Brasil – Copom – Decisão da Selic-meta (exp: 2%; ant: 2%)Japão – Decisão de política monetária (ant: -0,1%) Quinta-feira, 29 06h00: Itália – Confiança do consumidor out (exp: 102,3; ant: 103,4) 07h00: Zona do Euro – Confiança na economia out. (ant: -15,5) 09h30: EUA – Novos pedidos de seguro-desemprego (exp: 783 mil; ant: 787 mil) 09h30: EUA – PIB anualizado a.t. 3T (exp: 31,8%; ant: -31,4%) 09h45: Zona do Euro – Taxa de refinanciamento principal ECB (exp: -0,5; ant: -0,2)Brasil – Resultado primário do governo centralBrasil – Caged: Criação de empregos formais total set. (exp BBG: 235.000; exp XP: 168.333 mil; ant: 249.388) Sexta-feira, 30 03h30: França – PIB a.t. (exp: 15%; ant: -13,8%) 07h00: Zona do Euro – Taxa de desemprego set. (exp: 10,2%; ant: 9,7%) 07h00: Zona do Euro – PIB sazonal a.t. (exp: 9,5%; ant: -11,8%) 07h00: Zona do Euro – IPC a.m. (exp: 0,1%; ant: -0,5%) 09h00: Brasil – PPI a.m. (exp: 0,1%; ant: 0,1%) 09h00: Brasil – PNAD: Taxa de desemprego ago (exp BBG: 14,2%; exp. XP: 14,4%; ant: 13,8%) 09h30: Brasil – Resultado primário do setor público consolidado 22h00: China – PMI Composto out (ant:55,10) |
Como amante de esportes que sou, sempre achei muito curioso observar treinadores que nunca foram jogadores. Imagine ter que comandar um elenco inteiro sem nunca ter vivido a realidade deles.
No futebol temos alguns exemplos desses casos, mas não poderia deixar de citar Carlos Alberto Parreira. Com mais de 40 anos como treinador, foi campeão do mundo com a seleção brasileira na Copa de 1994 nos EUA, também dirigiu a seleção sul-africana na Copa de 2010, teve passagem também pela seleção de Gana e Arábia Saudita, mas nunca chutou uma bola em jogos oficiais.

Paulo Autuori, Oswaldo Oliveira, Reinaldo Rueda, André Villas-Boas, são outros exemplos dentre os diversos técnicos e treinadores que dirigiram equipes sem passagem como atletas da categoria. E aqui encontramos uma semelhança muito grande com o mundo dos investimentos.
Muitos acreditam que é preciso ser um profundo conhecedor para conseguir ganhar dinheiro no mercado financeiro, que para investir e ter sucesso no longo prazo é necessário ser um grande especialista. Tudo isso realmente é verdade, mas ninguém disse que o conhecedor precisa ser você.
Parreiras e os demais eram grandes entendedores de estratégia dentro de campo, não precisavam dominar a técnica ou ter o talento de um zagueiro, meio-campo ou atacante, para coordenar uma equipe vencedora. Até porque, eles sabiam muito bem como delegar responsabilidades entre os demais membros da equipe técnica e jogadores.
No mundo dos investimentos
Nos investimentos, você precisa entender quais são as classes de ativos que são interessantes para o seu perfil de investidor, e, com base nisso, pode delegar a responsabilidade de investimento para gestores de fundo. Dessa forma, seu trabalho fica muito mais voltado a entender quem são os bons gestores e acompanhar o trabalho que eles realizam ao longo dos anos, em vez de entender sobre aquele mercado especificamente e como ganhar dinheiro nele.
É mais ou menos isso que fazemos no comitê de alocação: buscamos entender qual é o retorno esperado para cada linha de investimento nos próximos 5 anos, nos cenários negativo/neutro e positivo. Com base nisso, estruturamos qual é o percentual do patrimônio que seria interessante ter investido para cada um dos perfis em cada um desses mercados, e por fim selecionamos os gestores que farão estes investimentos por nós (confira nossas recomendações de carteira).
No momento de montar essa seleção, dividimos os critérios entre qualitativos e quantitativos. Ambos com mesma relevância na tomada de decisão, já que, por mais que seja importante selecionar fundos com bons resultados históricos, devemos entender que rentabilidade passada não é garantia de retorno futuro.
Na ótica qualitativa, é importante conhecer principalmente a equipe responsável pela gestão do fundo. Quanto tempo possuem de mercado? E há quanto desse tempo estão trabalhando juntos? Já passaram por crises de mercado? São exemplos de perguntas interessantes a serem respondidas.
Geralmente, no próprio site da gestora é compartilhado o tempo de atuação nos mercados, como o site da Dahlia, por exemplo:

Ah, sem dizer que a internet facilita demais esse processo. Sempre é interessante dar uma passada no YouTube para ver vídeos recentes da gestora, ou mesmo no Google para conhecer matérias relacionadas.
Depois deste primeiro filtro, é importante entender sobre performance, fazer uma análise quantitativa (no caso de fundos que possuem histórico suficiente). Aqui, são 4 pilares muito importantes: rentabilidade absoluta, rentabilidade relativa, Índice Sharpe e Drawdown.
A rentabilidade absoluta vai indicar, já líquido das taxas cobradas pelo fundo, o retorno entregue ao investidor naquele determinado período. Já a relativa seria o mesmo, porém em relação ao índice de mercado que aquele fundo se propõe a bater.
A grandeza desse retorno será diferente entre os mercados. Você não pode esperar que um fundo de renda fixa mais conservador e que se expõe a poucos riscos tenha o mesmo retorno que um fundo de ações mais agressivo. Por isso, é sempre importante comparar retorno entre os fundos de mesma classe e características similares.

Até como ferramenta de auxílio nesse quesito, damos foco ao índice sharpe. Esse indicador vai mostrar se aquele determinado fundo é eficiente, gera um bom retorno ajustado ao risco que se propõe a correr. Não adianta o fundo apresentar um retorno enorme se, para isso, o gestor também está correndo um risco gigantesco.
Como analisar o Índice Sharpe
Quando esse índice é positivo, o fundo tem uma boa relação de risco x retorno, ou seja, é eficiente. Quanto maior ele for, melhor, mas de forma geral com resultados próximos de 1, o fundo já é uma boa escolha:

Por fim, o drawdown. Essa medida indica as quedas históricas do fundo, quais foram os piores retornos negativos que ele apresentou ao longo do tempo.
Esse indicador é fundamental para saber onde estamos pisando. Se um determinado fundo já teve uma queda máxima de 40%, isso pode se repetir e mostra que ele tem um perfil de risco mais arrojado. Você sabe lidar com isso? Se não, é melhor não fazer o investimento, pois, em algum momento, pode acabar sendo surpreendido com uma queda similar.

Repare que todas as etapas utilizaram ferramentas disponíveis gratuitamente para qualquer um. Acessar o site da gestora, fazer uma pesquisa no Google/YouTube, utilizar um comparador de fundos online – tudo perfeitamente acessível, basta saber o que procurar.
Depois de realizada a análise, atualmente, nós chegamos aos seguintes nomes em cada classe:

Assim como Parreira não precisou chutar uma bola em jogo oficial para guiar um elenco rumo ao título, você também não precisa ser um especialista ou investidor experiente daquele determinado mercado para conseguir resultado.
Resumo do dia: Novas restrições à vista
(por Paula Zogbi)
Mercados mundiais amanhecem em queda neste início de semana. Nos EUA, os futuros de bolsa desvalorizam cerca de 1%, enquanto o Stoxx 600 europeu tem queda de 0,6%.
No final de semana, parte da Europa anunciou restrições nas atividades visando conter a segunda onda de coronavírus na região – mas ainda sem aplicar lockdowns completos. A Itália fechará cinemas e academias e restringirá a atividade de bares e restaurantes. A Espanha introduziu toque de recolher.
Nos Estados Unidos, país com mais mortes pelo vírus no mundo, foram registrados novos recordes de casos na sexta-feira e no sábado, com 80 mil e 89 mil novas infecções em 24 horas, respectivamente.
Os números desviam a atenção das negociações para o pacote de estímulos à economia. No fim de semana, a democrata Nancy Pelosi, presidente da Câmara, e o chefe de gabinete do governo de Donald Trump, Mark Meadows, se acusaram mutuamente de dificultar a aprovação.
No Brasil, é semana de Comitê de Políticas Monetárias do Banco Central (Copom). Na quarta-feira, será definida a nova taxa básica de juros da nossa economia – que deve ser mantida em 2% a.a. Outros destaque são divulgações dos dados da Pnad e do Caged, referentes ao mercado de trabalho. A expectativa é que continuem apresentando melhora gradual no cenário.
| Agenda da Semana |
| Segunda-feira, 26 09h00: México – Atividade econômica a.m. (exp: 2,0%; ant: 5,7%) 09h30: Brasil – Nota de crédito do BC: Empréstimos pendentes a.m. agosto (ant: 1,9%) 11h00: EUA – vendas casas novas a.m. setembrp (exp: 1,3%; ant: 4,8%) |
| Terça-feira, 27 04h45: França – PPI a.m. set. (ant: 0,1%) 08h00: Brasil – custos de construção FGV a.m. outubro (ant: 1,2%) 09h30: EUA – Pedidos de bens duráveis set. (ecp: 0,%; ant: 0,5%) 11h00: EUA – Conference Board Confiança do consumidor out. (exp: 102; ant: 101,8)Brasil – Total da dívida federal set. |
| Quarta-feira, 28 04h00: Alemanha – Índice de preços de exportação a.m. set (exp: -0,3%; ant: 0,1%) 04h45: França – Confiança do consumidor out (exp: 93; ant: 95) 05h00: Espanha – Vendas no varejo a.a. set (ant – 4,6%) 07h00: Itália – PPI a.m. set (ant: 0,1%) 09h30: EUA – Estoques no atacado a.m. set. (exp: 0,4%; ant: 0,4%)Brasil – Copom – Decisão da Selic-meta (exp: 2%; ant: 2%)Japão – Decisão de política monetária (ant: -0,1%) |
| Quinta-feira, 29 06h00: Itália – Confiança do consumidor out (exp: 102,3; ant: 103,4) 07h00: Zona do Euro – Confiança na economia out. (ant: -15,5) 09h30: EUA – Novos pedidos de seguro-desemprego (exp: 783 mil; ant: 787 mil) 09h30: EUA – PIB anualizado a.t. 3T (exp: 31,8%; ant: -31,4%) 09h45: Zona do Euro – Taxa de refinanciamento principal ECB (exp: -0,5; ant: -0,2)Brasil – Resultado primário do governo centralBrasil – Caged: Criação de empregos formais total set. (exp BBG: 235.000; exp XP: 168.333 mil; ant: 249.388) |
| Sexta-feira, 30 03h30: França – PIB a.t. (exp: 15%; ant: -13,8%) 07h00: Zona do Euro – Taxa de desemprego set. (exp: 10,2%; ant: 9,7%) 07h00: Zona do Euro – PIB sazonal a.t. (exp: 9,5%; ant: -11,8%) 07h00: Zona do Euro – IPC a.m. (exp: 0,1%; ant: -0,5%) 09h00: Brasil – PPI a.m. (exp: 0,1%; ant: 0,1%) 09h00: Brasil – PNAD: Taxa de desemprego ago (exp BBG: 14,2%; exp. XP: 14,4%; ant: 13,8%) 09h30: Brasil – Resultado primário do setor público consolidado 22h00: China – PMI Composto out (ant:55,10) |