Insight Rico: Mindset x Skillset: o que é mais importante?

(por Betina Roxo) 

Uma das perguntas que mais recebo desde que comecei no mercado financeiro e que foi intensificada nos últimos anos é em relação ao conjunto de habilidades necessárias (skillset) para ingressar no mercado financeiro, principalmente como analista.

Acredito que essa pergunta também faça muito sentido aos investidores/as que buscam conhecimento constante para se aprimorarem – inclusive, espero que temos ajudado de alguma forma nessa frente, caros/as 13 leitores/as.

Na verdade, essa pergunta vale para tudo na vida. Mas, o que é mais importante: ter o conjunto de habilidades (skillset) ou a mentalidade certa (mindset)?

Para falarmos sobre esse assunto, trago aqui uma palestra que participei em janeiro no Vale do Silício, via um programa da StartSe, que aliás, ganhei porque “destruí” um robô da nossa querida Giant Steps, gestora quant, cujos fundos Giant Sigma Advisory FIC Multimercado e Giant Darius FIC Multimercado estão na nossa carteira recomendada.

Basicamente, eu competi com a Zara (robô) quem ficava com a melhor performance na compra/venda de dólar. E sim, ganhei dela. Tapa na cara da sociedade. Só acredita vendo? Então clica aqui.

E já fica um exemplo para mostrar o que é mais importante na nossa questão inicial. Mindset com certeza. Eu não sou trader de câmbio (muito longe disso), mas ouvir a Zara me desafiando, falando que eu não ia ganhar, junto à música por trás (do Offspring ainda, que adoro!), me tirou sangue dos olhos kkk.

Pronto, já me vangloriei o suficiente. Voltando para minha palestra sobre “Mindset x Skillset”, me marcou muito o vídeo que o palestrante, Gary A. Bolles, head de “futuro do trabalho” na Singularity, que é uma escola (bem fora do comum) de inovação do Vale do Silício, mostrou:

Resumidamente: Se você não tem o conjunto de habilidades (skillset) mas tem o jeito certo de pensar (mindset), você pode chegar no topo da “montanha” como esse bebê.

Isso tem tudo a ver com o futuro do trabalho, que já começou.

Tentamos já há algum tempo aprender um novo tipo de trabalho (ainda mais intensificado pós-pandemia), resolvendo problemas e executando novas tarefas. O “problema” é que não somos bons em entender em que somos bons.

Para Gary, os 4 superpoderes (qualidades necessárias), em meio a essa transformação são:

  1. Ser capaz de solucionar problemas – afinal, pagam por isso;
  2. Ser adaptável – em um mundo de mudanças exponenciais, precisamos ser adaptáveis;
  3. Ter muita criatividade – já deixo aqui uma sugestão de livro sobre isso, que adorei: Criatividade, de Ed Catmull, cofundador e presidente da Pixar;
  4. Ter empatia – todas as startups que tentam criar produtos e serviços começam com design thinking (entendendo as necessidades do cliente).

De fato, com as mudanças que vivemos, alguns trabalhos devem deixar de existir. Mas, outras oportunidades surgirão. Novas tecnologias = mudança de escassez para abundância.

Portanto, se você tivesse que escolher entre skillset ou mindset, qual escolheria?

Abaixo, a reposta de Gary, e alguns pitacos meus sobre o mundo dos investimentos!

“Mindset é mais importante porque só ter o conjunto de habilidades não é suficiente.”

  1. O círculo central é você: para fazer qualquer alteração, você deve se dar permissão – caso contrário, você não escalará a montanha. O mesmo vale para começar a investir.
  2. É fundamental ter um diálogo aberto com o parceiro(a) para correr riscos – se você não correr risco, não mudará de emprego, por exemplo, ou não investirá melhor.
  3. Sociedade – você nunca terá permissão dela, você precisa encontrar uma maneira de desencanar do que a sociedade pensa. Buscar conhecimento para formar o que você acredita tem um poder imenso de melhorar os seus investimentos.

Resumo do dia: Nova variante do coronavírus dá o tom

(por Paula Zogbi)

Mercados amanhecem com queda forte nesta segunda com a aceleração da propagação de uma nova variação do coronavírus descoberta no Reino Unido. Futuros americanos caem entre 1,5% e 2,2% e o Euro Stoxx tem perdas de 3,8%.

No sábado, o primeiro ministro Boris Johnson disse que a mutação pode ser 70% mais transmissível, citando análise preliminar de cientistas. As notícias motivaram fechamentos de fronteiras (França e Alemanha estão entre os países que barraram voos do Reino Unido) e contribuíram para lockdowns em Londres e outras áreas do sudeste da Inglaterra. A variante do vírus também foi encontrada na Austrália, Dinamarca e Holanda, segundo a OMS.

Essa piora na situação sanitária pode prejudicar as negociações comerciais pós-Brexit entre Reino Unido e União Europeia, que foram novamente adiadas. O acordo atual se encerra em 31 de dezembro e as partes não conseguem chegar a um ponto comum em temas como o pescado. Espera-se um consenso antes do Natal.

Do lado positivo, os Estados Unidos aprovaram na sexta-feira a vacina desenvolvida pela Moderna para uso emergencial, somando ao uso do imunizante desenvolvido pela Pfizer com a BioNTech.

E no domingo, após meses de negociações, os congressistas chegaram a um acordo sobre o aguardado pacote de estímulos de mais de US$ 900 bilhões, que inclui pagamento de US$ 600 à maioria dos adultos e US$ 600 por criança, além de US$ 284 bilhões em empréstimos para proteção de salários em pequenos negócios.

  • Ainda sem presente de natal, aos 45 do segundo tempo?
  • Não se preocupe! A Rico te ajuda não apenas com investimentos.
  • Uma lista de livros incríveis para presentear nesse natal!

O DataRicoMatinal estima que 80% dos 13 leitores deixam para comprar presentes de Natal em cima da hora, mesmo em ano de pandemia, e correm risco de aglomerar nos shopping centers.

Para ajudar os mais indecisos, e também para rechear as prateleiras dos investidores mais bem-informados do Brasil (sim, são vocês, também segundo o DataRM), pedimos dicas de leituras para alguns personagens importantes do nosso dia-a-dia e separamos essa lista de leituras imperdíveis.

Como nosso time e “agregados” são muito diversos, os livros são bastante heterogêneos entre si, o que enriquece (com o perdão do trocadilho) ainda mais essa seleção.

Vamos aos nomes!

Rachel de Sá, chefe de economia da Rico, aquela pessoal que te fez finalmente entender o famoso “Teto de Gastos”

Paris é uma festa (Ernest Hemingway)

“Um livro para apaixonados pelos anos 1920, movimentos artísticos e uma vida boêmia em Paris. Um clássico de Hemingway, que na minha opinião tem um talento único em fazer uma leitura: direta ao ponto, inteligente, e sempre um pouco irônica. Cansou da economia e dos mercados durante o dia? Melhor pulinho no século passado para espairecer!

Única parte ruim desse livro é fazer ficarmos extremamente chateados por não vivermos há um século atrás – de café em café, bebendo vinhos deliciosos a 1 Euro a garrafa e conversando com amigos que anos depois serão reconhecidos como os maiores músicos, pintores e artistas da história.”

Trilogia do Ken Follet: Queda dos Gigantes, a Eternidade por um Fio, e o Inverno do Mundo

“Já começo pela parte mais triste desse livro: morrer de saudades da companhia dos personagens do livro. Uma trilogia incrível (e um pouco longa, admito), que conta a história das três grandes guerras mundiais: 1GM, 2GM e Guerra Fria. A parte mais legal? O fio da meada são famílias ao redor do mundo, cujas histórias se entrelaçam por gerações ao longo dos 100 anos descritos precisa e maravilhosamente pelo autor.

Começando em uma casa digna de “Downton Abbey”, passando pela revolução Russa, pela crise dos mísseis em Cuba e a morte dos Kennedy nos EUA, o livro é um prato cheio para quem é fã de história, diplomacia e economia – como eu!”

Sol Azcune, analista de política internacional a quem recorremos incontáveis vezes para entender as peripécias na terra do Mickey, Biden e etc

The Burnout Society ( Byung-Chul Han)

“Tem uma perspectiva distinta sobre tendências atuais, que o autor explica dentro do marco de positividade ”exacerbada”. É também uma reflexão interessante sobre os efeitos da tecnologia.”

1984 (George Orwell)

“Um clássico que muitos já conhecem, mas, para aqueles que ainda não tiveram o prazer de ler, super recomendo! Escrito em 1948, sobre um futuro já passado, não deixa de ser relevante, especialmente na era das redes sociais.”

Evandro Lima, analista técnico das Seleções Rico

Comprar ou Vender? (Eduardo Matsura)

“É um bom começo para quem quer ingressar na renda variável e entender os movimentos do mercado.”

Betina Roxo, estrategista-chefe do planeta Terra (no nosso ponto de vista)

O mais importante para o investidor: Lições de um gênio do mercado financeiro (Howard Marks),

“O gestor que brilha os olhos de qualquer investidor — até os de Buffett – é a minha recomendação. O fundador da Oaktree Capital Management (gestora global especializada em crédito, com mais de USD 100 bilhões sob gestão) e um dos maiores investidores do mundo é uma grande referência, assim como o seu livro, que nasceu a partir de seus tão famosos memorandos.

Eu já recomendava esse livro, mas depois de ter tido a oportunidade de falar com o próprio Howard Marks (!!!!!), virou minha recomendação permanente e digo mais: leitura obrigatória para investidores, já que é muito mais que o conjunto de habilidades necessárias para investir. É sobre a mentalidade para ser um bom investidor.

Exemplo disso é o que ele chama de pensamento de segunda ordem. Os investidores sempre buscaram investir em bons negócios, mas a atitude chave é buscar investir em bons negócios que ainda não foram percebidos como bons pelos grandes investidores.

No fim da minha conversa com Howard, disse a ele que “A coisa mais importante” é o livro mais recomendado pelos convidados do Stock Pickers e perguntei quais eram os livros recomendados por ele. Além do seu próprio livro, Howard recomendou outros dois: “Iludidos pelo acaso”, de Nassim Nicholas Taleb, e “A short history of financial euphoria”, de John Kenneth Galbraith, um herói pessoal do investidor.”

“O segredo para o sucesso do investimento a longo prazo não é um objetivo ocasional, é uma defesa de longo prazo, consciente dos riscos que você está assumindo e apenas fazendo isso com sabedoria.” – Howard Marks

Julia Aquino, rainha da análise quantitativa e das figurinhas de zap

Watchmen (Alan Moore, Dave Gibbons)

“Provavelmente meu livro preferido, ainda que seja um quadrinho, Watchmen é uma história de heróis cheios de falhas, e que não tem superpoderes. O famoso ‘who watches the watchmen?’ questiona o conceito de que ‘com grandes poderes vem grandes responsabilidades’ quando os vigilantes agem às margens da lei em um mundo à beira do apocalipse.

Existem muitas subtramas bem desenvolvidas que se conectam à questão central, e a arte é espetacular — algumas cenas dariam quadros lindos, principalmente as mais contemplativas. Mergulhamos profundamente em cada personagem e em suas motivações, não existem vilões óbvios. Apesar de ser dos anos 80, Watchmen é atual nos questionamentos sociais que faz e encarna uma visão cruel e pessimista do mundo. Todo mundo diz isso, mas quero reforçar que esse é um marco na história dos quadrinhos. Também recomendo a série da HBO de mesmo nome, de 2019, que continua a trama e expande o universo dos quadrinhos muito bem. Meu personagem preferido é Ozymandias, O Homem Mais Inteligente do Mundo. Depois de ler escreva para gente e me conte o seu ;)”

Lucas Collapso, único membro do clube das 3 da manhã (não, não é 5 am)

Gestão de Fundos de Investimento (Bolivar Godinho de Oliveira Filho)

“Não, este não é um livro que retrata uma histórica heroica cine plástica de algum grande nome do mercado, ou mesmo grandes marcos de empreendedorismo. Este livro vai abordar de forma didática sobre fundos de investimento, desde a história desta indústria no Brasil até a gestão e seleção de fundos de investimento.

O livro tem uma abordagem direta e clara, e ao final de cada capitulo você encontrará exercícios que irão te auxiliar a fixar estes conceitos. Atualmente, quase 90% da nossa carteira recomendada de diversificação é feita utilizando fundos de investimento, são produtos fundamentais para qualquer pessoa que tenha escassez de tempo, desinteresse no assunto ou mesmo que não domine a ciência do investimento.

Já fiz essa recomendação para diversos amigos e todos me disseram após a leitura: “ah, então era isso…”. Dito isso, faço a recomendação para nossos caros 13 leitores.”

Paula Zogbuy/Zogbond/Zogbull, “desculpa, o gato pisou no teclado”

Ilusões Perdidas (Honoré de Balzac)

“Visão afiadíssima da sociedade francesa do século XIX a partir da trajetória de um (anti) herói altamente convencido de seus dons que quer ser reconhecido no meio das letras e do jornalismo. As ilusões que se perdem são as do próprio protagonista e das pessoas ao seu redor que também apostaram muito além do que deveriam em suas capacidades.

Uma lição sobre o nascimento da imprensa, a área em que o protagonista vai tentar a vida e é friamente retratada, mas também sobre humildade e (perda da) inocência, para fazer qualquer um que leia com atenção descer do pedestal. Basicamente, um tapa na cara muito do bem dado.”

Antifrágil: Coisas que se beneficiam com o caos (Nassim Nicholas Taleb)

“Obrigatório. Taleb, autor também de A Lógica Do Cisne Negro, apresenta o conceito de antifragilidade, que não é robustez e nem resiliência: é o exato oposto de fragilidade. O livro fala muito de economia e mercado, mas passa até por biologia para explicar o fenômeno de se fortalecer não apesar de, mas justamente por consequência das adversidades e choques.”

Antônio Sanches, um cara calado até você mencionar lutas, música ou renda variável

Capitães da Areia

“Esse é um clássico que talvez você já tenha lido no colégio, mas definitivamente vale a pena ler de novo. Capitães da Areia é um livro que conta a história de adolescentes que vivem nas ruas de Salvador-BA em uma época decadente do país. Se a miséria não fosse o bastante, eles ainda passam por situações que te deixam perplexo(a) lendo o livro. Um daqueles livros que te transformam depois da leitura.

Elaborado por:

Betina Roxo, CNPI 1493

Este relatório de análise foi elaborado pela Rico Investimentos, que é uma marca da XP Investimentos CCTVM S.A. (“Rico”) de acordo com todas as exigências previstas na Instrução CVM nº 598, de 3 de maio de 2018, tem como objetivo fornecer informações que possam auxiliar o investidor a tomar sua própria decisão de investimento, não constituindo qualquer tipo de oferta ou solicitação de compra e/ou venda de qualquer produto. As informações contidas neste relatório são consideradas válidas na data de sua divulgação e foram obtidas de fontes públicas. A Rico não se responsabiliza por qualquer decisão tomada pelo cliente com base no presente relatório. Este relatório foi elaborado considerando a classificação de risco dos produtos de modo a gerar resultados de alocação para cada perfil de investidor. O(s) signatário(s) deste relatório declara(m) que as recomendações refletem única e exclusivamente suas análises e opiniões pessoais, que foram produzidas de forma independente, inclusive em relação à Rico e que estão sujeitas a modificações sem aviso prévio em decorrência de alterações nas condições de mercado, e que sua(s) remuneração(es) é(são) indiretamente influenciada por receitas provenientes dos negócios e operações financeiras realizadas pela Rico. O analista responsável pelo conteúdo deste relatório e pelo cumprimento da Instrução CVM nº 598/18 está indicado acima, sendo que, caso constem a indicação de mais um analista no relatório, o responsável será o primeiro analista credenciado a ser mencionado no relatório.  Os analistas da Rico estão obrigados ao cumprimento de todas as regras previstas no Código de Conduta da APIMEC para o Analista de Valores Mobiliários e na Política de Conduta dos Analistas de Valores Mobiliários do Grupo XP.  O atendimento de nossos clientes é realizado por empregados da Rico. Os produtos apresentados neste relatório podem não ser adequados para todos os tipos de cliente. Antes de qualquer decisão, os clientes deverão realizar o processo de suitability e confirmar se os produtos apresentados são indicados para o seu perfil de investidor. Este material não sugere qualquer alteração de carteira, mas somente orientação sobre produtos adequados a determinado perfil de investidor. A rentabilidade de produtos financeiros pode apresentar variações e seu preço ou valor pode aumentar ou diminuir num curto espaço de tempo. Os desempenhos anteriores não são necessariamente indicativos de resultados futuros. A rentabilidade divulgada não é líquida de impostos. As informações presentes neste material são baseadas em simulações e os resultados reais poderão ser significativamente diferentes.
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(por Rachel de Sá, Mestre em economia politica internacional pela LSE, e em economia pelo IDP) 

Você sabia que se escrevermos no Google “por que as mulheres não podem”, as primeiras frases mais procuradas que aparecem na busca incluem “ser padres, ser marinheiros ou usar um shampoo de homem para queda de cabelos”? De fato, algumas são indagações importantes, outras nem tanto, mas admito que fiquei feliz quando não encontrei entre as mais procuradas o termo “por que mulheres não podem investir?”.

Quando o fiz — efetivamente digitei a pergunta “por que mulheres não podem investir?” — encontrei uma série de estudos, reportagens e análises sobre a importância do investimento feminino, e a recente evolução positiva ao redor do mundo.

Mas, será que mulheres e homens investem de maneira diferente? Será que o gênero importa na hora de investir [1]?

Foi instigada por essas perguntas que ousei entrar no campo da pesquisa sobre investimentos femininos. Em um país onde o número de mulheres investidoras na bolsa ainda responde por pouco mais de 25% e no Tesouro Direto por 32%, senti que me debruçar sobre esse tema para minha tese de mestrado em economia seria mais interessante do que entender os principais indicadores antecedentes da arrecadação federal — ou outro assunto tão emocionante quanto (#sóquenão)!

Mal sabia eu que uma gama de pesquisadores antes de mim havia se feito a mesma pergunta, sendo a cobertura acadêmica e corporativa sobre investimentos femininos vasta não somente no Brasil, como também ao redor do mundo. Dentre os motivos para a menor participação feminina no cenário de investimentos, principalmente em ativos de renda variável, as pesquisas apontam menores salários e menores benefícios de aposentadoria de mulheres quando comparados à homens, o menor nível de educação financeira, acesso à informação e capacidade de utilizá-la, e mesmo variáveis de interação social que afligem parte da população feminina, incluindo sintomas de depressão.

Recente pesquisa da gestora Franklin Templeton, por exemplo, identificou o que (com toda licença poética) decidi chamar aqui de “síndrome do PHd dançarino”. Sabe aquela sensação de que você precisa saber dançar muito bem para poder entrar em uma competição de dança de salão da empresa em que trabalha seu novo(a) companheiro(a)? Agora substitua a competição de dança de salão por dar o primeiro passo no mundo dos investimentos, e saber dançar muito bem por ter um PHd em economia, finanças ou correlatos. Voilá! É isso que 41% das mulheres no mundo sentem sobre investimentos, julgando não saber o suficiente sobre o tema para “se dar ao luxo de investir” – de acordo com a pesquisa em questão. A cifra se compara a uma média de 23% entre os homens.

Porém, para além das variáveis por trás da menor participação feminina em investimentos, há também um importante “lugar comum” frequentemente atrelado a investidora feminina: a premissa de que a mulher possui maior aversão ao risco do que homens. Essa premissa acaba influenciando a própria decisão inicial de mulheres sobre investir, além de criar a noção de que os retornos esperados em carteiras escolhidas por mulheres são menores, quando comparado às carteiras em que homens tem o poder decisório.

Foi nesse “pulo do gato” que resolvi fuçar um pouco mais, e investigar se de fato mulheres são mais avessas ao risco em investimentos do que homens. Será que temos mais medo do “balancê”? Para entrar nesse mundo, tive o privilégio de poder utilizar um vasto banco dados com carteiras de investimento reais de mulheres ao redor do Brasil de uma das maiores instituições financeiras do país.

Como medida de risco, com o objetivo de comparar a aversão ao risco entre mulheres e homens, utilizei a volatilidade observada nas carteiras — medida por meio do cálculo do desvio-padrão de todos os ativos da carteira de cada cliente. Deste modo, apesar de reconhecer as limitações dessa premissa, assumi, para os propósitos do estudo, que quanto maior a volatilidade observada, menor a aversão ao risco. Já como variáveis de controle, que são aquelas que, mantidas constantes no modelo, ajudarão a indicar se o gênero de fato influencia na volatilidade, foram usados dados cadastrais dos clientes, incluindo estado civil, idade, tempo de cliente, salário declarado, e outras variáveis socioeconômicas.

Simplificando para o bom e velho português, foi perguntado à tela preta complexa de programação com o modelo estatístico a seguinte pergunta: “ser mulher influencia na tomada de riscos em investimentos? Considerando a mesma idade, estado civil, salário e várias outras coisas, uma mulher é mais avessa ao risco do que um homem?”

Após superar o pequeno detalhe de não ser a melhor pessoa na manipulação de dados, modelos estatísticos, e softwares para me virar no meio de todo esse “paranauê”, consegui atingir resultados no mínimo instigantes — e, no máximo, suficientes para me aprovar no mestrado (e né? First things first!).

E o resultado é… SIM! Sim? Pois é. Um sonoro “sim” seria escutado se meu modelo rodado na tela preta que faz todo mundo parecer verdadeiros hackers pudesse falar. Para todos os diferentes testes realizados, mulheres se mostram mais avessas ao risco do que homens.

Mais especificamente, os resultados indicam que, em comparação com outras variáveis socioeconômicas analisadas, mesmo as que se mostraram estatisticamente significantes em relação a volatilidade observada, como estado civil, domicílio e patrimônio líquido investido, o gênero se revelou a de maior relevância estatística na maior parte dos testes.

Considerando clientes de perfil autodeclarado agressivo, por exemplo, ser mulher implica em uma redução da volatilidade observada, em média, de 2,23 pontos percentuais. Isso se compara a uma redução de 0,57 pontos percentuais na volatilidade observada a cada 10% de aumento no patrimônio líquido do cliente.

Em outras palavras, o simples fato de ser mulher implica uma volatilidade menor em carteiras de investimento, de maneira mais relevante do que é a influência do próprio capital investido!

Exato! Chocamos. Por isso, se isso te deixou tão estupefato quanto eu, cujo motivo de felicidade do resultado da pesquisa foi único apenas em me prover horas de sono novamente, te convido a mudar essa realidade. Comecemos 2021 investindo, e investindo sem pré concepções, síndromes de PhDs dançarinos, ou medo de dar aquele primeiro (segundo, ou terceiro) passo: medindo o risco/retorno de maneira equilibrada de acordo com seus objetivos, fazendo seu dinheiro trabalhar com você, por você e para você — sendo homem, mulher, velho, novo, careca, cabeludo, rei, ladrão, soldado ou capitão! 😉

Referências

[1] O conceito de gênero utilizado no presente estudo diz respeito à construção social atribuída ao sexo (diferente do conceito de sexo biológico), conforme a auto definição de investidores.

Resumo do dia: Brexit & estímulos — alguém tem que ceder

(por Lucas Collazo)

A sexta amanhece com os mercados mundiais mistos, mas próximos do zero a zero, à espera das negociações do Brexit e de uma solução para o pacote de estímulos nos EUA.

Na quinta, o premiê britânico, Boris Johnson, disse que as negociações estão em situação séria e que a UE teria que alterar posicionamentos quanto às regras para pesca para que o acordo caminhe. Os negociadores estabeleceram o próximo domingo (20) como prazo para acertar um acordo. As regras atuais vencem em 31 de dezembro.

Os investidores também estão na expectativa de uma aprovação para um pacote de estímulos dos EUA, que ainda pode acontecer este ano. Os principais pontos de divergência continuam sendo o auxílio para estados e municípios (defendido por democratas) e proteções legais para empresas (defendido por republicanos) A proposta em discussão é de cerca de US$ 900 bilhões.

Na quinta, um painel de aconselhamento da Food and Drug Administration anunciou que decidiu a favor da vacina da farmacêutica Moderna para uso emergencial, dando sinal verde para sua aprovação. A distribuição de mais esse imunizante pode começar na semana que vem.

Na política brasileira, Rodrigo Maia incluiu na pauta da sessão da Câmara de hoje a MP 1.000, que foi responsável pela extensão do auxílio emergencial para os meses de outubro a dezembro, com redução no valor de R$ 600 para R$ 300. Há forte pressão dos deputados pela elevação do valor. O governo está trabalhando para que a medida não seja votada e, caso não tenha sucesso, espera que Davi Alcolumbre não convoque novas sessões do Senado, que também precisa aprovar o texto para que as alterações tenham validade.

(por Lucas Collazo) 

Caros 13 leitores, como o tema deste insight é assunto que corre nas nossas veias, por favor, entrem no clima comigo e escutem a música que utilizei para escrever o texto clicando neste link.

Agora que estamos com o mood alinhado: o mercado financeiro tem evoluído constantemente em direção a uma maior acessibilidade dos produtos financeiros. Como exemplo, este ano vimos os BDRs (Brazilian Depositary Receipts), papéis negociados na B3 que representam direitos de ações de companhias gringas, liberados para investidores em geral. Também estreou a possibilidade de “operar vendido” em fundos imobiliários. 

De fato, esses movimentos foram grandes marcos, mas os reguladores estão percebendo a maturação de todos os brasileiros como investidores, e querem promover mais evoluções neste sentido – desta vez, os veículos são os fundos de investimento no exterior e os fundos de diretos creditórios.

Foi exatamente isso que vocês leram: os fundos que investem 100% do patrimônio no exterior, que contam com uma equipe de profissionais de investimento em ativos ao redor do mundo, poderão ser acessados por pessoas com patrimônio investido menor do que R$ 1 milhão. Hoje, fundos disponíveis para o varejo têm limite de 20% de alocação fora do país. Quando essa flexibilização acontecer, teremos uma grande vitória para a democracia dos produtos financeiros.

Viveremos um mundo multipolar, com diversas economias diferentes se destacando em aspectos diferentes. Para que vocês, investidores brasileiros, possam beber de fontes de retorno advindas de outras geografias, confiar sua parcela do patrimônio lá fora para investidores profissionais pode ser uma ótima pedida.

A assembleia sobre o tema, que ocorrerá só no segundo trimestre do ano que vem, também deve criar uma nova estrutura para os fundos, que vai permitir a segregação do seu patrimônio em classes de cotas diferentes. Isso pode ser muito bom para que a gestora estipule diferentes formas de cobrança para cada cota com seu respectivo objetivo, dentro de um mesmo fundo.

Ah, e uma nova regra de taxa de administração pode trazer mais transparência para os investidores: as gestoras passariam a descrever a atribuição da taxa de administração, ou seja, para onde e com o que a gestora está gastando o valor desta taxa.

Nesta matéria do InfoMoney estão descritas todas as decisões e inocorrências que podem acontecer nesta assembleia da CVM. Porém, o ápice deste insight vem agora:

Nossos 13 leitores vão poder se manifestar sobre essa audiência. Neste link vemos todas as instruções para participar. No final da página, está o endereço de e-mail para o envio de contribuições ao tema – as considerações serão válidas até o dia 02/04/2021.

Podemos participar ativamente da democratização dos produtos financeiros, e mostrar nosso amadurecimento como país nesse universo. Espero ter boas novidades em 2021 — de qualquer modo, já sei mais ou menos o que 13 das manifestações devem dizer…

Resumo do dia: Liquidez é o que importa

(por Paula Zogbi)

Bolsas mundiais têm alta nesta quinta-feira. Tanto os futuros americanos como o Euro Stoxx sobem cerca de 0,5% pela manhã. 

Ontem, o Fed, BC americano, manteve a taxa de juros entre 0 e 0,25% a.a. e anunciou que continuará comprando ao menos US$ 120 bilhões em títulos mensalmente para ajudar na liquidez da economia. O presidente da instituição, Jerome Powell, disse em pronunciamento que os preços das ações não estão necessariamente altos, dado o nível das taxas de juros. 

É esperado para hoje um avanço quanto ao pacote de liquidez de cerca de US$ 900 bilhões que está sendo discutido por um grupo bipartidário de legisladores há mais de uma semana. Outro acordo que segue no radar é o do Brexit, que, segundo autoridades, está em estágio final. 

No Brasil, ontem foi aprovada a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), mantendo como meta fiscal no ano que vem um déficit primário de R$ 247,1 bilhões. O orçamento em si só deve ser votado em 2021. Ressaltamos a falta de preocupação em se deixar margem para se negociar um orçamento para enfrentar os desafios da pandemia e da crise fiscal. O Ibovespa teve mais um pregão de alta, encostando em 118 mil pontos, puxado por Vale e bancos. 

O Ministério da Saúde divulgou o dado preocupante de mais de 70 mil casos de Covid-19 no país na quarta, recorde para o país desde o início da pandemia. Nos EUA, o número de mortes bateu novo recorde e na Alemanha o número de infecções foi mais que o dobro do dia anterior. 

Aquele velho ditado “faça o que digo, mas não faça o que eu faço” sempre foi presente durante meus anos como assessor de investimentos. Lidava com centenas de investidores diferentes por semana, cada um com seu respectivo perfil e necessidades, mas com a mesma tarefa nada descomplicada: diversificar a carteira de investimentos.

Quando se falava em investimentos no exterior então, nem se fala, eram fundos com mínimos muito elevados, com pouquíssima acessibilidade de estratégias no Brasil. Certamente se você me perguntasse sobre a veracidade do título deste texto há 3 anos atrás, eu provavelmente diria que havia algo nas entrelinhas.

O mercado de capitais brasileiro evoluiu muito de lá até aqui, e uma dessas evoluções foi justamente a maior democratização (que ainda está em constante evolução) de boas opções no exterior para investimento. Hoje em dia, grandes nomes como a Oaktree de Howard Marks, Blackrock (que é a maior gestora independente do mundo), e a tradicional boutique Wellington (gestora gringa com nome de brazuca), estão disponíveis para investidores locais no Brasil.

Alocação internacional tem crescido nas carteiras

Sugestão de alocação de carteiras para o mês de dezembro de 2020 para os perfis defensivo, visionário e destemido

Os mínimos de aplicação também vêm reduzindo: o que antes era R$ 1 milhão, hoje passou a ser R$ 5 mil ou até mesmo R$ 500. Mas e se você quisesse montar uma carteira diversificada de fundos internacionais?

Numa seleção que o nosso time de análise de fundos da XP Inc realizou, você precisaria de pelo menos R$ 87.600 para montar esta carteira. De fato, bem melhor do que já foi num passado nem tão distante, mas ainda eu não diria que é 100% democrático.

Pensando justamente nisso, a família de fundos Selection propõe uma composição de fundos selecionados para cada categoria de investimento. Além de contar com a gestão ativa profissional, ou seja, um time dedicado para selecionar quais são estes fundos e realizar o acompanhamento destes investimentos, essa solução possui aplicação mínima de R$ 100.

O Selection Mult Internacional é um destes da família: constrói uma carteira de fundos internacionais diversificada, desde a renda fixa, passando pelos multimercados, até chegar nos fundos de ações no exterior. Com uma única aplicação de 100 reais, você adquire participação numa carteira com grandes nomes, sendo distribuída conforme a visão de cenário e a opinião do time de gestão sobre cada uma destas várias opções de fundos gringos disponíveis.

O fundo acaba de completar 6 meses de vida, e durante este período entregou uma rentabilidade de 9,63% (novembro/2020), bem melhor do que os 1,03% do nosso bom e velho CDI na mesma janela.

Por ser um fundo 100% de investimento no exterior, ele segue a regulamentação que o limita para investidores qualificados. Cobra uma taxa de administração de 0,75% ao ano, sem taxa de performance.

Para os investidores que buscam um investimento de longo prazo, numa carteira descomplicada internacional, com grandes nomes da gestão de recursos, e ainda contar com uma curadoria profissional desta carteira, o Selection Mult Internacional pode ser uma boa pedida.

Quer investir no fundo? É só clicar aqui e logar na sua conta Rico. 

Caros 13 leitores, temos 15 dias até o fim deste ano de 2020. Já nos preparativos para ‘virar a página’ deste ano, que na verdade parece muito mais que um livro inteiro.

Uma das boas práticas que já compartilhamos com vocês inúmeras vezes é a leitura de cartas de gestoras, já que é sempre bom visitar a visão e as ideias de investimentos das principais mentes atuantes neste tema. Além de serem profissionais com leituras aprofundadas do mercado, eles movimentam bilhões de reais em investimentos – são um ‘termômetro’ dos investimentos, ótima forma de ‘sentir’ o mercado e entender o que são visões de consenso ou não.

Lembro-me de quando o Felipe Dexheimer (head de alocação da XP Inc, e o nosso querido “Dex”) me corrigiu ao criticar o consenso: “geralmente o consenso tem razão”. É claro que, como tudo na vida, existem suas exceções, mas na média o consenso costuma estar certo, de fato.

Estamos encerrando um ano que foi muito volátil, com grau de incerteza extremamente alto: o S&P VIX (índice que mede a volatilidade das opções negociadas na bolsa de Chicago), mais conhecido como “índice do medo”, se manteve acima das suas médias históricas praticamente o ano todo (média de 15 pontos), e chegou a atingir incríveis 83,78 pontos no dia 16 de março, durante o pico do ‘coronacrash’.

Essa incerteza veio reduzindo: a medicina aprendeu a lidar melhor com o vírus, as vacinas chegaram em tempo recorde, as eleições da maior economia do mundo foram decididas e até o Ibovespa conseguiu zerar perdas. Mas e 2021? Essa é a pergunta de 1 milhão de dólares da atualidade.

Visões para 2021

Bahia Asset, por exemplo, está cada vez mais otimista com o Brasil. Para eles, a inflação brasileira (a principal discussão entre os investidores domésticos) permanecerá comportada. O resultado das eleições municipais ajuda a dissipar esse risco, e, por conta disso, estão com uma posição bem relevante em bolsa brasileira – combinada com uma posição vendida (ganha na queda) em dólar contra algumas moedas de países emergentes, inclusive o real (inclusive é a maior posição da casa).

Na mesma vertente, os nossos ‘vizinhos’ da XP Asset também estão muito otimistas com a recuperação econômica brasileira, e do mundo como um todo. Já tinham uma posição grande em bolsa brasileira, justamente expressando esse otimismo, mas diversificam em outras geografias: 25% de uma das principais estratégias da casa está investido em bolsa americana.

Diferente das duas casas anteriores, a SPX (uma das mais renomadas gestoras brasileiras), completa seus 10 anos de história mais pessimista com o Brasil e entendendo que ‘a grama do gringo é mais verde que a nossa’. Seguem preocupados com a situação fiscal brasileira, acreditam que o espaço para gastos discricionários do governo será muito apertado, e que vamos precisar nos financiar logo no começo de 2021.

E dentro das ‘figurinhas brilhantes’ deste álbum de gestoras brasileiras não podemos esquecer da visão da Verde Asset: Luis Stuhlberger, um dos maiores nomes do mercado brasileiro, também está preocupado com a situação fiscal brasileira, mas não acha que essa preocupação é suficientemente negativa para ficar pessimista com tudo que temos no Brasil, principalmente com a bolsa – aliás, para Stuhlberger, hoje é mais confortável ter investimentos de longo prazo no Ibovespa do que estar comprado em dívidas do país (Tesouro Direto) de horizontes mais longos. Claro que, importante ressaltar, sua posição em bolsas é bem menor do que foi na recuperação dos mercados este ano, e assim como a XP Asset, está dividida com a posição em bolsa dos EUA.

Enquanto isso, as cartas sempre românticas da Dahlia Capital nos pedem para vestir as lentes da MMT (Teoria Moderna Monetária), para entender que a relação de um endividamento mais alto dos países (justamente a preocupação fiscal), gastos mais elevados dos governos, juros mais baixos, devem ser muito positivos para o preço dos ativos, principalmente com o mercado de ações.

Recomendo a leitura da carta de novembro da gestora, assim saberão melhor o que se passa por essas lentes, mas o fato é: esse entendimento, acrescido das notícias encorajadoras das vacinas, uma retomada mais forte das economias em 2021, e o resultado de centro-direita das eleições municipais, fazem com que a gestora esteja otimista e confiante para os mercados.

Por fim, mas não menos importante, a lendária gestora de ações brasileiras Dynamo dedicou sua última carta semestral para 10 páginas de reflexão de transformação digital. Não vou me alongar nas visões que a casa trouxe neste insight (estragaria a surpresa do Rico Matinal que teremos dia 23), mas para dar um sabor:

“O que está em jogo em uma transformação digital não é mais a capacidade de uma companhia de competir de forma incremental com seus pares, mas sim, a viabilidade de longo prazo do negócio. Para continuarmos a fazer investimentos concentrados com um horizonte de tempo plurianual, é crucial monitorar de perto os esforços de transformação digital das empresas do nosso portfólio, bem como, acompanhar os mais recentes desenvolvimentos dos principais fornecedores de tecnologia. Isso impacta nosso trabalho de análise e gera oportunidades de investimento em potencial de duas maneiras. Em primeiro lugar, nos permite definir melhor se o estado da transformação de uma empresa tradicional representa um risco ou uma oportunidade que talvez ainda não seja compreendida pelo mercado. Em segundo lugar, a compreensão básica dessas iniciativas de transformação nos permitiu concentrar alguns de nossos esforços de análise em encontrar oportunidades de investimento no novo mercado de software empresarial.”

Todos aqueles que buscam investimento de longo prazo em companhias (assim como nós acreditamos por aqui), precisam se atentar a essa transformação digital, que visivelmente foi muito acelerada em 2020 e antecipou diversas tendências globais que poderiam levar anos para acontecer.

2020 foi um ano difícil, em muitos pontos de vista, com acontecimentos extremamente tristes do ponto de vista sanitário global. Seguindo a visão de uma pessoa ‘otimista incorrigível’, precisamos sempre seguir em frente, olhando o ‘copo meio cheio’.

Não foram apenas as tendências digitais que foram aceleradas em 2020, os aprendizados também aceleraram. E é como seu Ricardo Collazo (meu pai) sempre me disse: “a única coisa que levaremos conosco daqui é o conhecimento” – e já que aprendemos tanto este ano, posso dizer que existe arco-íris após esta chuva de 2020.

Resumo do dia: Zerou!

(por Paula Zogbi)

Aos 45 do segundo tempo, o Ibovespa zerou ontem as perdas de 2020 e fechou em mais de 116 mil pontos depois de subir quase 83% desde as mínimas em 23 de março. Se você leu esse insight, sabe que isso não é uma máxima histórica (nem perto) e ainda há espaço para novas altas.

No mundo, as bolsas têm alta nesta manhã de quarta. Os futuros americanos sobem cerca de 0,25% e o Euro Stoxx aproximadamente 0,91%, impulsionado pelo avanço das conversas para um pacote comercial pós-Brexit.

Ontem, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyern, disse que houve progresso nas conversas entre Reino Unido e a UE e que os próximos dias vão ser críticos. Lembrando que o acordo atual termina em 31 de dezembro, então o clima é de “corra, Forrest, corra” — a votação pode acontecer no Natal.

Ainda no Velho Mundo, países como Alemanha, Holanda e Itália desistiram de relaxar as regras de distanciamento durante o período natalino. Na maior economia da Europa, começa hoje um lockdown de um mês após um novo recorde de mortes (910) e de casos (33.825).

Nos Estados Unidos, continua a expectativa pelo pacote de estímulos e de um novo orçamento para o governo. Nancy Pelosi, a presidente da Câmara, convidou líderes congressistas para conversar sobre os dois temas amanhã (17). O líder da maioria no Senado, Mitch McConnel, disse à imprensa que está otimista de que os legisladores serão “capazes de concluir um entendimento em breve”.

Hoje às 16h serão divulgados comentários do Federal Reserve, banco central americano, sobre o futuro da economia do país, além da decisão do intervalo de juros (provavelmente mantendo o nível entre 0 e 0,25%). Espera-se um recado de visão mais positiva para o longo prazo, com o início das vacinações por lá.

Novidades na Rico

  • Hoje sai a atualização da nossa seleção Estrelas da Bolsa, com os nomes das “queridinhas” do mercado para você conhecer e montar sua carteira!
  • Também passamos a disponibilizar acesso ao primeiro ETF (fundo passivo listado) de ouro no país. O GOLD11 replica o índice índice LBMA Gold Price (preço do ouro em dólar).

No início do ano, quando o Ibovespa chegou perto dos 120 mil pontos, as manchetes nos jornais repetiam, com entusiasmo:

Afinal de contas, aquele era o número mais alto que já havia aparecido na tela do home broker, etão essa deve ser a máxima histórica, certo? E se estamos novamente perto desse número, estamos próximos de atingir, de novo, a máxima histórica, não? Bom, em partes.

Fato é que a máxima nominal do Ibovespa de fato aconteceu nos primeiros dias desse ano tão conturbado, mas existem formas de ver esses números com maior precisão: 1. corrigindo pela inflação e 2. olhando os números “dolarizados” (convertendo a pontuação do índice a dólar americano) e aplicando, ao mesmo tempo, as inflações brasileira e americana ao cálculo — ou seja, usando o câmbio real efetivo.

Vamos à primeira maneira, mais fácil de compreender.

Na semana passada, a Betina explicou neste mesmo Rico Matinal o que é inflação (o Voldemort da economia) e quais os efeitos dos aumentos dos preços na sua vida. Pois bem, a ideia aqui é simples: considerando que a inflação existe e impacta a economia como um todo, nada mais justo do que corrigir os movimentos da bolsa por um índice inflacionário. É o famoso “não vamos comparar laranjas com bananas” que 95% dos professores de matemática já disseram em suas aulas.

Recentemente, o InfoMoney publicou um estudo com a Economatica fazendo justamente isso. No gráfico abaixo, os movimentos do Ibovespa são ajustados pelo IGP-DI, que durante muitos anos representou a inflação oficial do país (papel que o IPCA cumpre hoje).

Como podemos ver, com essa correção aplicada, a máxima histórica da bolsa brasileira corresponde a não 120 mil, mas o equivalente a 165.586 pontos, em maio de 2008, logo após recebermos o selo de grau de investimentos pela primeira vez pela agência de classificação Standard & Poor’s — e um pouco antes da crise das hipotecas subprime.

Mas quem leva os dados econômicos ainda mais a sério tende a ver problemas até mesmo nessa correção apenas pela inflação. Isso porque, para o restante do mundo, o Ibovespa em reais não significa muita coisa (e vale lembrar que boa parte do volume negociado na bolsa brasileira vem, justamente, dos gringos).

No gráfico abaixo, de autoria do economista da XP Vitor Vidal, a conta é feita usando o câmbio real efetivo, ou seja, considerando a inflação brasileira e a americana e ‘traduzindo’ o nosso índice em dólares. E a máxima histórica não é em 2020, tampouco em 2008, mas sim em 8 de abril de 2011.

Caros 13 leitores, vocês se lembram dessa época? Foi um pouco depois de o Cristo Redentor fazer isso:

Logo depois de o PIB brasileiro fazer isso:

Faz sentido, né?

Com tudo isso posto, fica mais fácil entender que, sim, a bolsa brasileira ainda tem para onde subir em 2021. Como já dissemos antes, com juros baixos, recuperação da economia (mais cedo ou mais tarde), um enorme potencial de dinheiro saindo da renda fixa (e da poupança) e agenda de reformas, nossa visão segue otimista com a bolsa para o ano que está para começar.

Elaborado por:

Betina Roxo, CNPI 1493
Paula Zogbi, CNPI 2545

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Resumo do dia: Acordos estacionados

Mercados mundiais operam em queda nesta sexta-feira. Futuros de bolsas americanas caem 0,5%, enquanto o Stoxx 600 vê baixa de 0,8%.

Dois acordos “estacionados” são monitorados. Na Europa, as conversas pós-Brexit parecem não ver avanços a poucos dias do prazo final: assim que virar o ano, as relações comerciais entre Reino Unido e a União Europeia passam a ser regidas pela OMC. Nos EUA, também não há sinais de avanços quanto ao segundo pacote de estímulos à economia contra os impactos da covid-19. Espera-se que hoje os senadores cheguem a acordo para um projeto de lei de gastos com validade de uma semana.

Falando em estímulos, na quinta, Hungria e Polônia abriram mão de vetos que vinham impedindo a implementação de uma injeção de 750 bilhões de euros na União Europeia. O pacote foi definido junto ao Orçamento relativo ao período entre 2021 e 2027, no valor de 1,3 trilhão de euros.

Também do lado positivo, conselheiros da FDA (regulador sanitário dos EUA) recomendaram ontem por 17 votos a 4 a aprovação da vacina desenvolvida por Pfizer e BioNTech para uso emergencial no país. Este é o último passo antes da aprovação final.

No Brasil, altas nos preços do petróleo e e a autorização de uso emergencial de vacinas contra a Covid-19 pela Anvisa contribuíram para levar o Ibovespa aos 115 mil pontos, nível não alcançado desde antes do Carnaval. Com isso, a bolsa ficou perto de zerar as perdas no ano.

Na política, seguem em alta as disputas pelo comando da Câmara e do Senado. O grupo de Rodrigo Maia tenta correr para apresentar um candidato que faça frente à candidatura de Arthur Lira, lançada durante a semana. Ganha força o nome de Aguinaldo Ribeiro, líder da maioria. Com os blocos de Maia e de Lira com tamanhos semelhantes (perto de 1/3 da Câmara), as atenções recaem sobre os cerca de 130 votos da oposição.

Insight Rico: A aposta dos streamings

(por Júlia Aquino)

Você sabe o que é 1. d4 d5 2. c4?

É uma abertura (como se chamam as jogadas iniciais) de xadrez em que o jogador com as peças brancas propõe um desafio ao oponente: capturar ou não o peão branco na casa c4 do tabuleiro, em uma aposta que abre o jogo a novas possibilidades. Eu não sabia disso até assistir ao primeiro episódio de O Gambito da Rainha, série da Netflix lançada no fim de outubro que é um fenômeno absoluto, e que leva o nome dessa jogada clássica.

Gambito não segue a fórmula tradicional dos sucessos da plataforma — ambientada durante a Guerra Fria, tem como protagonista uma órfã que é jogadora profissional de xadrez, e se aprofunda nas estratégias e jogadas no tabuleiro. Xadrez não é um jogo reconhecido por seu apelo visual, mas ainda assim a minissérie se tornou a mais assistida da história da Netflix, com 62 milhões de espectadores no primeiro mês, entrando no top 10 de 92 países e chegando a primeira posição em 63, incluindo Argentina, Reino Unido, Israel e África do Sul.

O alcance da série não rendeu apenas para a plataforma, e se estendeu ao jogo em si.

Segundo David Llada, porta voz da Federação Internacional de Xadrez (FIDE), o número diário de partidas online de xadrez passou de 11 milhões no começo de 2020 para 16 milhões no fim de novembro, um aumento de 45%. Os sites que pedem que os usuários se cadastrem para jogar também reportam aumento de novos membros de cerca de 40%. Llada disse que ainda não é possível mensurar o impacto total de O Gambito da Rainha no xadrez, mas que ele já é comparável ao buzz gerado pelos campeonatos mundiais, que ocorrem a cada 2 anos.

O diretor de negócios do Chess.com disse que o site batia recordes de maior número de novos membros em todos os dias no mês de novembro, chegando a 100 mil novos cadastros diários, a maioria de iniciantes.

O eBay também reportou aumento de 215% na venda de tabuleiros de xadrez. Relógios e timers para xadrez venderam 45 vezes mais desde a estreia da série no fim de outubro.
O streaming Twitch também viu os números de visualizações nas lives de jogos de xadrez na plataforma dispararem no último mês. Foram 4,2 milhões de horas de partidas assistidas mês passado, contra 2,4 milhões em novembro de 2019.

É verdade que a procura pelo xadrez, assim como por jogos eletrônicos, já vinha aumentando com mais gente ficando em casa desde o início das medidas de restrição para contenção da pandemia de coronavírus, mas o sucesso da série fez esses números decolarem, o que mostra a extensão da influência e do alcance das plataformas de streaming.

O ano de 2020 já seria o ano do streaming mesmo sem uma pandemia que forçasse as pessoas a buscar formas de entretenimento em casa, e viu o lançamento ou consolidação de diversas plataformas. É o caso do Apple TV+ e do Disney+, que chegaram com tudo para disputar os espectadores com as mais tradicionais Netflix e Amazon Prime Video.

Até os tradicionais estúdios de Hollywood estão fazendo essa mudança: na última semana, a Warner Bros. anunciou que todos os seus filmes serão lançados em 2021 simultaneamente nas salas de cinema e no HBO Max, plataforma de streaming que deve chegar ao Brasil no ano que vem.

Ontem, dia 10, a Disney+ anunciou o marco de 86 milhões de assinantes pouco menos de um ano depois de seu lançamento. Em 2019 os executivos esperavam que o serviço teria entre 60 e 90 milhões de assinantes em 2024, previsão que se concretizou 4 anos mais cedo com a aceleração da adesão ao streaming. Para comparação, a Netflix alcançou no fim do terceiro trimestre de 2020 o número de 170 milhões de assinantes.

Com cada vez mais assinantes e investindo em produções originais de qualidade, os streamings estão assumido o papel os canais de TV e estúdios, que sempre foram muito influentes culturalmente e agora tem que se adequar a essa nova forma de consumir conteúdo — é só dar uma olhada nas listas de indicados a premiações para ver que a maioria dos nomes é produzido ou distribuído pelos streamings de vídeo, que estão a um botão de distância.

A corrida, no entanto, não tem um vencedor claro. Com a quantidade de serviços de streaming aumentando a cada dia, o espectador vai ter que escolher quais assinar para o valor das mensalidades caber no seu bolso, o que pode limitar o alcance das plataformas. Aqui no Brasil, já existem pacotes com combo de streamings sendo vendidos, em um modelo que lembra bastante aquele dos canais por assinatura, tão tradicionais.

Agenda da Semana
Sexta-feira, 1109h00: Brasil – volume do setor de serviços IBGE a.a. (exp: -6,4; exp XP: 3,5%; ant: -7,2%)

O filme Forrest Gump é um dos maiores clássicos do cinema global, e inclusive um dos meus filmes prediletos. São 40 anos de história norte-americana retratada sob os olhos de Forrest, um rapaz inspirador que superou todas as dificuldades para ser um jogador de futebol americano nato, combater no Vietnã, representar a seleção norte-americana de tênis de mesa, comandar um barco de camarão, fundar uma das maiores companhias de frutos do mar nos EUA e ainda ser um dos primeiros acionistas da Apple Inc.

Caros 13 leitores, se vocês já assistiram este filme sabem muito bem o quanto ele é emocionante e inteligentemente divertido. Porém, talvez uma das cenas tenha passado batido pelos seus olhos:

O retrato de uma competição que ocorreu na China, entre Forrest e o representante da seleção chinesa de tênis de mesa. Obviamente esse momento foi retratado de forma cômica no filme, mas não tem nada de ficção cientifica – foi justamente nesta época que a China iniciou seu processo de reabertura ao mundo, e com isso, uma reaproximação com os EUA.

Foi uma “virada de jogo” simplesmente impressionante que ocorreu na China, e para entender isso melhor, um gráfico fala mais que mil palavras:

A China saiu de uma situação de miséria para uma condição de potência, revertendo mais de 100 anos na mão de dominantes estrangeiros (o que os chineses chamam de os 100 anos de humilhação), e ainda suportando as atrocidades cometidas pelo déspota Mao Tse-Tung.

Hoje em dia, os chineses se posicionam de forma pioneira nas principais tendências globais de desenvolvimento de novas tecnologias. Eles levam tão a sério essa história que as crianças do ensino fundamental estudam Big Data, nessa época minha maior preocupação era se teríamos futsal na aula de educação física.

O assunto chama tanto a atenção, que neste episódio do TBT dos Investimentos convidei Rui Cavendish, com vasta atuação no mercado de capitais chinês, para explicar toda essa trajetória chinesa. O fato é: o dragão está a solta.

Além de todo trabalho feito até aqui, no ano que vem, o partido comunista chinês completa 100 anos de história, e o processo eleitoral vai se iniciar, com favoritismo para o atual governo de Xi Jinping buscar a reeleição. E já que a economia é um bom incentivo para votos, o seu Xi não vai querer chegar lá com a economia em frangalhos, por isso, a agenda chinesa só acelera cada vez mais (podemos perceber isso pela valorização do preço das commodities).

E como se isso já não fosse o suficiente, os EUA se encontram com a China na briga pela primeira colocação como economia global. Historicamente, todas essas fases de conflito entre potências geram desenvolvimento das economias em sua individualidade.

Ambos estão comprometidos a pegar pesado nos investimentos e no desenvolvimento de suas agendas econômicas para gerar resultado, ficando cada vez mais próximos da primeira colocação.

Quando trazemos isso para o nosso mundo, o que pinta na cabeça é: talvez seja uma boa ideia ter algo da carteira na China. Claro, se comparado aos EUA e sua estrutura que beneficia as instituições privadas, o investimento em companhias chinesas possui um risco maior justamente pela autocracia e a intervenção mais relevante do governo no ambiente de negócios.

De fato, esse raciocínio tem lógica, mas não é um espetinho de grilo: no Brasil o risco político é presente há anos, e até mesmo nos EUA, temos episódios de intervenções que podem gerar impacto para as empresas listadas – como a discussão de aumento de tributos proposta pelo governo de Joe Biden, que tem preocupado os investidores principalmente frente as empresas de tecnologia.

Ou seja, na diversificação internacional do seu portfólio, que inclusive é fundamental para uma boa relação entre o risco que você está correndo frente aos ganhos que busca, pode fazer sentido ter parcela do seu capital investido em empresas chinesas. Todo esse cenário pode corroborar para o aumento de lucros das companhias chinesas, o que vai gerar ganho de capital para seus acionistas.

Ah, e é importante relembrar: você não precisa tentar prever quem será a maior economia do mundo nos próximos anos – nós acreditamos que o mundo vai viver uma polarização daqui para frente, muitas economias vão se destacar por motivos diferentes, e não importa se EUA ou China ficará em primeiro, até porque, o outro ficaria em segundo lugar provavelmente (o que já excelente ainda mais se comparado com o Brasil).

O X desta questão não é um ou, mas sim, um e. Você pode ter ambos em sua carteira, guardada as devidas proporções de distribuição e perfil de investimento.

Na Rico, você pode fazer esse investimento por meio de fundos de investimento com gestão ativa, ou seja, com a presença de profissionais de investimento gerindo os recursos do fundo. Aqui destaco o fundo JP Morgan China Equity  e o Wellington All China.

Como são fundos de investimento no exterior, eles seguem a regulamentação dos investidores qualificados, ou seja, só são recomendados para você caso tenha R$ 1 milhão ou mais em aplicações financeiras. Talvez isso mude em breve, teremos uma assembleia para votação da retirada desta limitação para fundos internacionais no dia 04 de abril de 2021, por isso já é bom esse tipo de oportunidade ficar no seu radar.

E como as vezes não é interessante ficar fora da festa até lá, você pode investir em bolsa chinesa por meio do fundo Trend Bolsa Chinesa, que é para investidores gerais.

Precisaremos de perseverança no ano de 2021, ainda existem perguntas sem respostas, a diversificação será a melhor forma de atravessar esse nevoeiro, que está mais transparente, mas continua atrapalhando a visão. Como Forrest Gump fez, talvez seja valida uma visita à China.

Pegando o gancho da diversificação internacional: deixamos algumas opções de fundos ainda mais acessíveis – reduzimos os mínimos iniciais de R$ 5 mil para R$ 500 ou R$ 100 nas opções abaixo – com exceção do Selection RF Plus e o Selection Multimercado Plus, todas as opções são de fundos internacionais, vale conferir:

O ano é 2045 e, finalmente, ela chegou: sua aposentadoria. Por mais de duas décadas, você investiu dinheiro para viver de renda ainda relativamente jovem e está com uma carteira de onde consegue sacar, religiosamente, R$ 6 mil por mês. Você fez todas as contas e isso é exatamente o que você precisa para ter uma vida tranquila e ainda fazer uma viagem por semestre, além das festas de fim de ano fora com a família.

Passam-se os meses. O saco de arroz dobra de preço, sua conta de luz parece ter zeros a mais, as viagens possíveis caem para uma por ano — e chega o momento em que você decide não fazer nenhuma viagem pelos próximos 12 meses para pelo menos conseguir ir ao litoral no réveillon: as passagens e hospedagens estão mais salgadas que a água das ondinhas que você pretende pular.

O seu sonho de aposentadoria virou um pesadelo. A culpada? Você teve um encontro com ela ontem mesmo, neste Rico Matinal: a inflação.

“E agora? Quem poderá me defender?”

A boa notícia é que você não precisa do Chapolin Colorado para mitigar os efeitos dos aumentos de preços na sua carteira: basta investir do jeito certo.

Existem ativos com efeito de proteção inflacionária para compor as carteiras de todos os perfis de investidor(a). Você está prestes a conhecer 5 deles, com indicações das nossas carteiras recomendadas para dezembro quando houver (conheça as carteiras completas no nosso De Olho No Mercado

  1. Tesouro IPCA+

Conservadores e conservadoras do meu Brasil, atenção! Os títulos do Tesouro com nome IPCA+, também conhecidos como NTN-B, garantem remuneração acima da inflação com o menor risco de crédito do mercado (o famoso risco-país).

Sim, eles têm risco de mercado — se você quiser sacar antes do vencimento, pode ver oscilações significativas e acabar até perdendo dinheiro. Mas, caso você mantenha em carteira até o vencimento, está totalmente protegido do aumento dos preços medido pelo IPCA, com remuneração prefixada acima da taxa para todos os anos do momento em que investiu até a hora de resgatar.

Nas nossas carteiras recomendadas, estamos com o Tesouro IPCA + 2026, que garante inflação mais 2,27% ao ano agora. Ou seja, se a inflação fechar em 3,5% em 2021, você vai receber uma remuneração de 5,77% com esse título em 2021. Se fechar em, digamos, 3% em 2022, a remuneração referente àquele ano vai ser de 5,27%, e assim sucessivamente.

  1. Outros títulos de renda fixa indexados ao IPCA (e fundos que investem nesses títulos)

Quer mais prêmio e não se importa em tomar um pouco mais risco? Hora de partir para o crédito privado. Para esses títulos, a lógica da remuneração é a mesma do Tesouro IPCA+: taxa prefixada mais variação da inflação. O que muda é o risco de crédito, que varia de acordo com a empresa emissora daquele título — e você sabe: quanto maior o risco, maior tende a ser também a remuneração.

Na nossa carteira de dezembro, sugerimos uma debênture da Eneva com vencimento em setembro de 2035 e remuneração de IPCA + 4%. Se você preferir terceirizar para uma gestora profissional (e diversificar o risco), indicamos fundos como o XP Debêntures Incentivadas FIC FIM CP. As duas recomendações são isentas de imposto de renda, o que significa mais rendimento líquido no fim das contas.

  1. ETFs de renda fixa

Você conhece os IMAs? Não tem nada a ver com objetos que provocam campos magnéticos. Me refiro ao IMA-B e ao IMA-B 5+, os índices que acompanham o rendimento dos títulos públicos de inflação com vencimento em até 5 anos e a partir de 5 anos, respectivamente.

Existem hoje na B3 cinco ETFs (fundos de índice listados em bolsa) de renda fixa que acompanham esses índices e também são alternativas para você investir se protegendo da inflação. A vantagem dos ETFs em relação aos fundos tradicionais é tributária: ETFs não têm come-cotas, só uma cobrança de 15% no ganho de capital na venda. Mas também não há gestão ativa. 

  1. Fundos imobiliários com contratos corrigidos pelo IGP-M ou IPCA

Como já falamos nesse outro insight, fundos imobiliários com contratos atípicos indexados ao IGP-M são a melhor forma de ganhar com a alta desse indicador que disparou quase 25% em 12 meses até novembro. Alguns FIIs também têm contratos corrigidos pelo IPCA.

Para explicar melhor: quando você tem cotas de um fundo imobiliário, se torna proprietário de uma fração de todos os imóveis que fazem parte desse FII. Os inquilinos desses imóveis pagam aluguéis que são distribuídos aos cotistas em forma de proventos. Se esses aluguéis são corrigidos anualmente pelo IGP-M, seus dividendos também o serão!

Nossa carteira recomendada de fundos imobiliários está acessível a todos os clientes Rico na área logada em Análises/Carteiras Recomendadas.

  1. Ações!

Achou que não ia ter pimenta nessa salada? Acontece que ações de empresas bem posicionadas, com uma boa base de clientes, também têm tendência a proteger seu dinheiro da inflação no longo prazo.

Para entender a lógica é só lembrar que essas empresas têm capacidade de repassar o aumento dos preços nos produtos e serviços com que trabalham. Com isso, a receita cresce, o valor justo de mercado também e o preço das ações tende a ser levado junto!

Claro, não dá para garantir que seu investimento em ações vá necessariamente render acima da inflação no curto prazo, mas escolher boas ações, diversificadas, para investir pensando em longo prazo é, sim, uma forma de proteger seu dinheiro dessas altas nos preços, dependendo do seu perfil de investimento. Nossas recomendações de ações estão sempre na carteira gratuita RICO3, na área logada da Rico, e na seleção Estrelas da Bolsa, com muito mais detalhes.

TL;DR:

Esse mesmo tema foi assunto da Escola de Investidores no nosso YouTube na semana passada. Vem assistir clicando aqui!