Aquele-Cujo-Nome-Não-Deve-Ser-Pronunciado, Você-Sabe-Quem, Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado. Estamos falando de Voldemort, o mais poderoso bruxo das trevas? Não, muito pior… estamos falando sobre INFLAÇÃO.
No Brasil, essa palavra estremece muita gente, que inclusive vivenciou a hiperinflação entre a década de 1980 e 1990, com seu ápice em março de 1990, quando o índice de inflação atingiu 80%. Após 7 planos econômicos, ela chegou ao fim em 1994.
Os(as) caros(as) 13 leitores(as), que, assim como eu, tinham 3 anos em 1994, talvez não sintam o tão comum calor na espinha ao ouvir Você-Sabe-Quem, mas é difícil não se preocupar com o nosso poder de compra, não é mesmo?
E um fator chave na determinação da inflação são as expectativas das pessoas em relação à inflação futura. Se as empresas e os consumidores esperam uma inflação futura, isso pode se tornar uma profecia autorrealizável. Se os trabalhadores esperam uma inflação futura, é mais provável que eles barganhem por salários mais altos para compensar o aumento do custo de vida.
Mas calma, não precisamos panicar, como o Rony Weasley acima.
De fato, temos alguns fatores que pressionam os preços ao consumidor:
- Estímulos fiscais e monetários que sustentam o consumo (demanda);
- A forte alta no preço das commodities, não acompanhada pela valorização do real -> commodity em dólar mais cara e dólar mais alto = preço em reais muito altos;
- A recomposição de margens nos segmentos de serviços -> com a reabertura da economia, as pessoas voltaram a demandar mais serviços. E, como consequência desse “interesse” maior, alguns estabelecimentos (como bares e restaurantes) puderam cobrar mais para compensar o tempo fechado e para compensar o aumento dos custos; e
- O descasamento entre oferta e demanda (muita demanda e falta de oferta) de bens industriais pressionam preços ao consumidor.
E a aceleração da inflação no segundo semestre deste ano impulsionada especialmente por alimentação e energia elétrica, implica um aumento de despesas obrigatórias acima da projetada para o ano que vem, por conta da indexação constitucional do salário mínimo e da Previdência. Na mesma linha, a manutenção da desoneração da folha* em alguns setores também representa despesa obrigatória não contemplada na proposta de orçamento (PLOA) enviada ao Congresso em agosto, que prevê gastos exatamente em linha com o teto.
*Dicionário Economês: A Desoneração da Folha de pagamentos é um benefício fiscal que consiste na substituição do imposto incidente sobre a folha de salários por uma contribuição incidente sobre a receita bruta, reduzindo a carga tributária devida pelas empresas, que consequentemente diminui a arrecadação do governo.
A saber: a PLOA prevê despesas obrigatórias em R$ 1,4 trilhão (acima de 90% do total), e discricionárias (passivas de corte) em R$ 112 bilhões (ou pouco mais de 7% do total).
Isso significa que, conforme nos aproximemos no segundo semestre, o Executivo possivelmente se verá obrigado a fazer cortes sensíveis. Considerando a proximidade do final do governo (a partir de outubro, estaremos a menos de 1 ano da eleição presidencial), a pressão sobre o arcabouço fiscal (que no economês significa dívida do governo) será intensa.
Este momento coincidirá, segundo nossas projeções, com a inflação corrente e a taxa de desemprego em seu ponto mais elevado. Diante desta realidade, e considerando a inflação bem baixa que observamos no início de 2020, o IPCA em 12 meses deve subir até meados do ano que vem, superando 5,5%.
No último trimestre, a inflação deve recuar, à medida em que os resultados pressionados deste fim de ano saiam da estatística, enquanto a ociosidade da economia*, especialmente no mercado de trabalho, deve colaborar para a queda do IPCA no segundo semestre de 2021.
*Dicionário economês: ociosidade da economia é a atividade econômica em estado de “bexiga murcha”. Tem espaço para encher mais, mas a bomba de ar está sem força.
Mas, para que a inflação caia realmente, é preciso também que as expectativas de inflação fiquem ancoradas (relembrando aqui sobre a profecia autorrealizável mencionada no começo da nossa conversa: o que esperamos sobre a inflação futura pode impactar na inflação corrente).
Ainda temos pela frente um bom período de inflação corrente pressionada, além das incertezas fiscais – ambas variáveis que historicamente afetam as expectativas de inflação, mesmo as de mais longo prazo. Por ora, apesar da dispersão das projeções para 2021, as projeções para 2022 coletadas pelo relatório Focus do Banco Central vêm se mantendo estáveis, o que é uma boa notícia. Esta será uma variável chave nos próximos meses.
Outro ponto importante é que a alta da inflação tem preocupado pouco o Banco Central. A autoridade monetária destaca que o choque é temporário, citando o relevante hiato do produto* e as expectativas de inflação ancoradas como fatores para manter o núcleo da inflação dentro ou abaixo da meta no horizonte relevante de política monetária. Desta forma, nós, e a maioria do mercado, não projetamos altas de juros pelo menos até o segundo semestre do ano que vem.
*Dicionário economês: análogo a sua tentativa de voltar a correr depois da pandemia. Você sabe que você tem o potencial de correr 10km, mas atualmente, dadas as circunstâncias, está conseguindo fazer só 4km. O hiato do produto é isso: a diferença entre o PIB atual (sua corrida de 4km), vs o seu potencial (sua corrida de 10km).
O cenário fiscal é sim um risco. Se houver mudança no regime atual, especialmente na regra do teto de gastos, que comprometa a estabilidade da dívida pública, o BC pode subir os juros antes do esperado. Mas esse não é nosso cenário base para 2021.
Veja o que esperamos abaixo e saiba como proteger seus investimentos da inflação no Rico Matinal de amanhã.
Insight Rico: Em meio a tantas dúvidas, uma certeza
Caros(as) 13 leitores(as), trago aqui para começo de conversa sábias palavras do vencedor do Nobel de Economia de 2008: Paul Krugman. Ele é um economista norte-americano, de cujo livro me lembro muito bem dos tempos de faculdade.
Em vez de dizer “é um mundo complicado, não compreendo”, diga “tudo bem, deixe-me tentar descobrir isso”.
Estudar economia exige um retrocesso de todos os detalhes para dizer “o que é o essencial aqui? Qual é a história?”. É sobre pessoas. Não é sobre dinheiro e acaba sendo, na verdade, sobre como as pessoas se comportam. Uma economia realmente boa tem uma beleza que se resume a apenas 2 princípios: (i) Notas de cem dólares não ficam nas ruas por muito tempo (ii) Toda venda também é uma compra.
Dito isso, dúvida é o que não nos falta nesse ano, certo? Pois bem, para compreender a economia, e como retomaremos ou não o crescimento, devemos levar em consideração as belas palavras de Paul.
Como será o crescimento pós pandemia? (Ou melhor, como as pessoas vão se comportar?) A inflação vai subir? (O poder de compra da população será prejudicado?) Teremos juros baixos até quando? E o câmbio? (O que mudam na nossa vida?) E uma das dúvidas que está presente desde antes da pandemia: vamos avançar com as reformas estruturais?
Bom, com o Congresso Nacional provavelmente em recesso entre dezembro e janeiro, o primeiro grande tema do ano será o comportamento da economia (que se traduz pelo comportamento das pessoas) com o fim dos programas governamentais, que impulsionaram a recuperação em “V” do consumo no segundo semestre de 2020.
A incerteza, como bem sabemos, começa antes. Os casos de contaminação e hospitalização pela Covid-19 aceleraram nas últimas semanas e podem pesar sobre a economia ainda no quarto trimestre de 2020. Mesmo que os governos regionais optem por medidas restritivas mais leves, a aversão ao risco de pessoas e empresas já deve causar algum efeito sobre comércio e serviços -> o famoso “distanciamento social voluntário”.
O tamanho do impacto depende da evolução desta nova fase da pandemia, difícil de prever. Depende também do início da vacinação que, em nosso cenário base, acontece no primeiro trimestre de 2021. Mas há risco de execução, por questões logísticas e pelo fato de ainda não termos claro qual vacina chegará primeiro ao Brasil em condições de ser disponibilizada ao grande público. (A Paula escreveu sobre a corrida das vacinas, em detalhes, aqui).
Quanto aos motores do crescimento, a política monetária bastante expansionista (juros baixos) também deve ajudar a impulsionar a demanda, através de um mercado de crédito que continua a apresentar sinais positivos para o próximo ano.
Além disso, a retomada do emprego e a poupança circunstancial feita pelas classes médias e alta durante a pandemia devem compensar parte da perda de renda gerada pelo fim do Auxílio Emergencial, que inclusive é assunto de muito debate (se pode ser prorrogado ou não) devido à aceleração de casos da Covid-19 nas últimas semanas.
Não é uma medida trivial. Em primeiro lugar, porque o espaço fiscal do país, que já era pequeno antes da pandemia, ficou praticamente inexistente. Qualquer gasto adicional deve ser bem pensado e provar-se claramente necessário. Em segundo, porque sua implementação não seria simples. Para que a extensão não seja restrita pela atual regra do teto de gastos, seria preciso uma detalhada construção com o poder Legislativo e com o Tribunal de Contas da União (TCU).
De toda forma, se a segunda onda da Covid-19 afetar o país a ponto de justificar uma extensão do auxílio (não acreditamos nisso), já estaríamos em um cenário pior para a atividade.
Por isso, em meio a tantas dúvidas, uma certeza:
A gestão fiscal será muito difícil, independente da discussão de aumento de recursos para programas sociais ou para investimento. Este fato, somado à proximidade da eleição presidencial (em outubro de 2021 estaremos a um ano do pleito), torna o cenário complexo, especialmente no segundo semestre.
Para 2021, esperamos que o consumo, assim como o PIB (consumo + investimentos + gastos governamentais + exportações – importações), siga em expansão, apesar de ritmo significativamente mais lento do que neste segundo semestre de 2020.
Fiquem ligados que amanhã traremos as principais estimativas do nosso time econômico para o ano que vem 😉
Resumo do dia: Mais estímulos, por favor
(por Lucas Collazo)
Mercados iniciam a semana realizando ganhos da semana passada: índices futuros nos EUA têm queda entre 0,10% e 0,40%. Na Europa, o Stoxx 600 cai 0,43%.
Na Europa, as negociações pelo Brexit não caminharam no final de semana. Segundo o governo britânico, as conversas podem colapsar se não houver avanços nas próximas horas.
As discussões sobre mais estímulos fiscais continuam: os prefeitos de cidades da Polônia e Hungria pedirão à União Europeia para ser inclusos no pacote de resgate do bloco. Lembrando que os dois países têm ameaçado o plano de 750 bilhões de euros em função de pressão da UE nos temas de liberdade de imprensa e independência do judiciário.
Nos EUA, as tratativas entre democratas e republicanos seguem para aprovação de um pacote de US$ 908 bilhões antes do fim deste ano. Na quinta-feira, a porta-voz da Câmara dos Estados Unidos, a democrata Nancy Pelosi, conversou pela primeira vez em ao menos um mês com o líder republicano do Senado, Mitch McConnel, a respeito do pacote.
A confirmação da eleição norte-americana deve acontecer no dia 14/12, provavelmente confirmando o candidato democrata Joe Biden como novo presidente dos EUA. Além disso, o início da administração públicas das vacinas será de extrema importância para os mercados, ainda mais nesta ‘corrida’ contra a segunda onda de casos. Uma autoridade local disse que as vacinações podem começar nesta sexta-feira.
No Brasil, ganham momento as articulações para a escolha dos candidatos do grupo de Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre às presidências da Câmara e do Senado, depois da inesperada decisão do Supremo que impede a reeleição da dupla. Alcolumbre, que tinha o caminho mais aberto, foi o mais afetado. Na Câmara, o grupo de Maia deixa de ter a reeleição do presidente como carta na manga para unificar todas as candidaturas que vinham sendo estimuladas por ele e passa a ter mais pressa para definir o nome.
| Agenda da Semana |
| Segunda-feira, 07 10h00: Brasil – produção de veículos Anfavea 17h00: EUA – Crédito ao consumidor |
| Terça-feira, 08 07h00: Zona do Euro – empregos a.t. (ant: 0,9%) 07h00: Zona do Euro – PIB sazonal a.t. (exp: 12,6%; ant: 12,6%) 09h00: CPIA inflação IBGE a.m. (exp: 0,73%; exp XP: 0,86%; ant: 0,9%) 09h00: CPIA inflação IBGE a.a. (exp: 4,2%; exp XP: 4,28%; ant: 3,9%) |
| Quarta-feira, 09 Após 18h30: Brasil – definição da taxa Selic (exp: 2%; ant: 2%) |
| Quinta-feira, 10 09h00: Brasil – vendas a varejo a.m. (exp: -0,4; exp XP: -0,1%; ant: 0,6%) 09h00: Brasil – venda ampla varejo a.m. (exp XP: 2,2%; ant: 1,2%) 10h30: EUA – novos pedidos de auxílio-desemprego |
| Sexta-feira, 11 09h00: Brasil – volume do setor de serviços IBGE a.a. (exp: -6,4; exp XP: 3,5%; ant: -7,2%) |
Insight Rico: A oportunidade que você pode não ter visto no crédito privado
(por Eric Vieira, co-gestor da estratégia de Renda Fixa Crédito Privado High Grade da XP Asset Management)
Parece que foi ontem que os fundos de crédito privado high grade (títulos de empresas com melhor risco de crédito avaliado pelas agências de rating) nos davam retornos sempre positivos entre 100% e 115% do CDI e com baixa volatilidade. Ficamos mal-acostumados!
Essas condições foram mantidas por muito tempo, sobretudo enquanto a taxa básica de juros no Brasil permanecia entre as mais altas do mundo. O CDI alto, portanto, permitia que os spreads de crédito, que são os retornos acima do CDI, fossem mais baixos, ao mesmo tempo em que servia como um colchão para absorver eventuais marcações a mercado negativas que algum ativo do fundo pudesse ter.
E falando em marcação a mercado, por que isso é tão importante em fundos de investimento? A marcação a mercado serve justamente para evitar que a entrada e saída de cotistas seja mal precificada, o que geraria transferência de riqueza entre eles.
Podemos concluir, então, que a cota de um fundo de crédito privado, e, consequentemente, sua rentabilidade, é impactada tanto pelo carrego de seus ativos, como pela oscilação dos preços dos ativos provenientes de uma mudança na taxa de marcação. E essa dinâmica traz oportunidades que a maioria dos investidores ignora dentro do universo da renda fixa e dos fundos que investem nesses ativos.
Investimento em Crédito via Fundos
Antes de revelar essa oportunidade, vamos explicar melhor como funciona o investimento em crédito via fundos. A alteração do preço de um ativo de crédito pode ser calculada de forma simplificada multiplicando a duration (prazo médio ponderado do valor presente de todos os fluxos de juros e amortizações até o vencimento) pela alteração da taxa de marcação do ativo – sendo que o preço se valoriza quando a taxa se reduz (“fecha”, no jargão de mercado) e vice-versa.
Pode parecer complicado, mas é mais fácil do que você imagina. Acompanhe meu exemplo: se temos um fundo cuja carteira de ativos lhe conceda um carrego de CDI + 2% a.a., podemos esperar que, em um mês em que o CDI esteja em 1,90% a.a. e que não haja alterações nas taxas de marcação dos ativos, o fundo apresente um retorno de 0,322% comparado a um CDI de 0,157% no mês, ou seja, cerca de 205% do CDI.
Por outro lado, se a duration média dos ativos do fundo for de 2 anos e a taxa de marcação dos ativos abrir 0,10% (de CDI + 2,00% para CDI + 2,10%), teríamos um impacto negativo de marcação a mercado dos ativos que detrairia aproximadamente 0,20% (0,10% da abertura da taxa x 2 anos da duration) da rentabilidade do fundo no mês, entregando um retorno de aproximadamente 0,122% (0,322% – 0,20%).
Da mesma forma, se a taxa de marcação “fechar” 0,10% (de CDI + 2,00% para CDI + 1,90%), o fundo tende a ter um ganho de capital de 0,20% e entregar um retorno aproximado de 0,522% no mês.
Portanto, ao comprar um ativo de crédito privado cujo carrego encontra-se naquele momento a CDI + 2,00%, o retorno obtido até seu vencimento será de CDI + 2,00% a.a. independentemente das oscilações do preço do ativo ao longo do período causada pela marcação a mercado.
Se a taxa do ativo fecha, temos um ganho de marcação a mercado, mas uma redução do carrego até o vencimento, de forma que o retorno total será CDI + 2,00% a.a. e, inversamente, se a taxa de marcação abre, o ativo se desvaloriza no curto prazo mas passa a apresentar um carrego melhor, de forma a recuperar seu valor até o vencimento e entregar CDI + 2,00% a.a.
O que se aplica para a rentabilidade do ativo de crédito também se aplica para a rentabilidade do fundo de crédito, que nada mais é que uma composição de diversos ativos que possuem prazos de vencimento, durations e taxas de marcação diferentes.
Não há nada mais errado do que observar janelas de rentabilidade passadas para projetar o retorno de um fundo de crédito privado para frente. Deve-se sempre questionar sobre qual é o carrego dos ativos do fundo, qual a duration deles e risco de crédito associado ao portfólio. O investidor deve conhecer profundamente o trabalho de diligência e gestão da equipe de uma gestora e olhar sempre históricos de longo prazo para escolher um fundo para investir seu dinheiro.
A pandemia mudou o mundo e também o excesso de retorno sobre o CDI requerido nos ativos de crédito privado. Se, por um lado, isso trouxe uma marcação a mercado negativa entre março e abril para os fundos dessa classe, que apresentaram retornos negativos no período, por outro aumentou o carrego deles, abrindo uma grande janela de oportunidade – que você ainda pode aproveitar.
Os mesmos fundos que carregavam ativos com taxas por volta de CDI + 1,00% até ano passado e tinham como objetivo entregar 100 a 115% do CDI, hoje carregam ativos entre CDI + 2,00% e 2,50%, com carrego muitas vezes acima de 200% do CDI. Não devemos olhar para o retrovisor para tentar enxergar o que vem à frente na pista.
Resumo do dia: Faz isso não, Pfizer
(por Lucas Collazo)
Mercados amanhecem nesta sexta-feira em ritmo de leve recuperação, após a decepção com notícias da Pfizer ontem. Nos EUA, os índices futuros sobem entre 0,3% e 0,4%, já na Europa, o Stoxx 600 tem alta de 0,2%.
A farmacêutica reduziu a expectativa de distribuição da vacina em 2020 pela metade, por questões de logística. A notícia fez com que o mercado americano praticamente zerasse a alta que anotava na quinta. Até 2021, 1,3 bilhão de doses devem ser entregues.
Enquanto isso, as commodities continuam em trajetória de alta, e o minério de ferro atingiu sua máxima histórica a US$ 116 por tonelada. O preço do petróleo reage à maior coordenação de Arábia Saudita e Rússia após decisão da OPEP+ em aumentar a produção em 500 mil barris por dia em janeiro: o WTI sobe 1,45%, ultrapassando US$ 46 por barril pela primeira vez desde março.
Estímulos à economia também estão em foco. Nos EUA, o presidente eleito, Joe Biden, disse que a proposta bipartidária de estímulo do Congresso de US$ 900 bi é “um bom começo” e que acredita que será ela aprovada. No Japão, o primeiro-ministro deve anunciar medidas na semana que vem, incluindo 2 trilhões de ienes para suportar a economia digital e de inovações, e aproveitou para reafirmar o compromisso de neutralidade de carbono até 2050.
No Brasil, foi divulgado ontem o PIB do país no terceiro trimestre com crescimento de 7,7% trimestre contra trimestre e -3,9% ano contra ano. O resultado veio abaixo do consenso de mercado (8,7%). Na comparação anual, o resultado veio abaixo das projeções de mercado (-3,5%) e em linha com a expectativa da XP Inc. Vale ressaltar que o IBGE também revisou o crescimento do PIB de 2019 de 1,1% para 1,4%. Nosso time mantém projeção em -4,6% para 2020 e para +3,4% em 2021.
Na agenda do dia, a divulgação do relatório de empregos dos EUA (Payroll) às 10h30 é o evento mais importante e com maior relevância para os mercados. Expectativa é de criação de 478 mil postos de trabalho.
| Agenda da Semana |
| Sexta-feira, 04 10h30: EUA – taxa de desemprego nov (exp: 6,8%; ant: 6,9%) |
Parabéns, você acaba de se tornar Primeiro Ministro do Reino Unido. Porém, o ano é 1940 e você vai encarar um mandato inteiro durante a mais sangrenta de todas as guerras: a Segunda Guerra Mundial.
Sua vantagem é estar geograficamente bem localizado, afastado do restante da Europa, e entre você e toda a destruição o mar. Aliás, mais um ponto positivo: seu país historicamente vai muito bem em batalhas navais, desenvolveu muita tecnologia quando o assunto é esse.
Enfim, logo no seu primeiro ano de mandato a Alemanha avança com muita agilidade, domina praticamente todo o ocidente europeu, e encurrala 340 mil soldados aliados em Dunquerque na França.
A Luftwaffe (força aérea alemã) domina os ares, um resgate marítimo desencadearia em perdas enormes para a sua frota. O que você faria?
Winston Churchill convocou a Operação Dínamo: embarcações privadas foram mobilizadas para resgatar os soldados encurralados na praia e no porto da cidade francesa. 338 mil aliados conseguiram ser salvos e chegar em Dove, no Reino Unido.
Quando está encurralado, é preciso criatividade para diversificar suas ações e passar bem por momentos de tensão. Confesso que talvez eu não fosse tão perspicaz quanto Churchill, mas uma coisa é certa: diversificação sempre foi a chave.
É justamente a somatória de várias frentes que traz menores perdas e mais resultados vitoriosos no longo prazo. Achou que estava falando novamente de batalhas, mas estou falando de investimentos.
Alternar as fontes de retorno é fundamental durante uma jornada de investidor bem-sucedida, e ainda mais relevante em períodos de incerteza como o que vivemos hoje. Para que isso seja possível, devemos trazer fatores exógenos para nossas carteiras.
O Brasil é responsável por aproximadamente 2% do PIB global, o que significa que, de toda a produção econômica do mundo, 98% está fora daqui. Você pode ter sentido isso na pele este ano: a Netflix que foi sua companhia na quarentena é norte-americana, a Amazon que entregou seus livros também, e se quis equipar seu setup do home office, Dell ou Microsoft podem ter pintado por aí e elas também não falam português…
Se seu dinheiro ou o dos demais 12 leitores do Rico Matinal estava 100% investido em ativos brasileiros, não beberam nada dessa fonte, e olhando para o Ibovespa, é difícil achar opções à altura. Aliás, não é de hoje que investir fora do Brasil pode dar mais dinheiro:
O gráfico acima retrata a performance em dólares nos últimos 10 anos dos principais índices de bolsa da China, Brasil, EUA (Nasdaq e S&P 500 em branco) e Europa (base 100, a Betina vai pirar nisso). Essa imagem retrata bem: o Ibovespa ficou em último colocado.
Porém, o que importa é daqui para frente, não é? Nós retratamos nosso otimismo com bolsa brasileira daqui para frente no De Olho no Mercado de dezembro — mas, para uma parcela do seu capital, por que ter a bolsa de apenas um país se você pode beber da fonte de retornos de empresas ao redor do mundo todo?
A Europa tenta se reerguer com uma união fiscal mais forte, a China está anos na frente do resto do mundo no mercado de dados e desenvolvimento de novas tecnologias, os EUA brigam para se manter como a principal economia do mundo nos próximos anos. Enfim, um mundo multipolar.
E, já que todos querem ser melhores, por que não usar isso ao nosso favor? Simples, diversifique entre eles. Na Rico existem várias opções com valores mínimos de aplicação acessíveis.
Abaixo listei os principais fundos que temos disponíveis atualmente (por enquanto). Aqueles que possuem a sigla “IE” são para investidores qualificados (exceto os Selections e os alavancados, que não possuem a identificação mas também são para qualificados).
A boa notícia é que está tramitando na CVM o pedido para que esse fundos deixem de ser apenas para qualificados, e possam ser recomendados para investidores gerais. Por isso, é bom já ficar de olho nessas oportunidades.
Enquanto isso, vale lembrar que você pode ter acesso aos fundos para investidores qualificados via os fundos DNA, já diversificados para o seu perfil!
“Sucesso não é o final, fracasso não é fatal: é a coragem para continuar que conta” – Winston Churchill
Novembro marcou a melhor performance histórica em um mês do Ibovespa desde 2002, com alta de 15,9% (e +23,9% em dólares). Esse aumento também foi muito impulsionado pelos gringos, bem diferente da movimentação do ano inteiro.
De janeiro até outubro, os investidores estrangeiros retiraram da Bolsa brasileira mais de R$ 65,3 bilhões. Toda essa saída de dinheiro fez com que a nossa Bolsa fosse a pior do mundo em performance até o mês passado. Contudo, em novembro, vimos uma entrada de capital estrangeiro de cerca de R$ 30,0 bilhões, que representa um aumento de +946,2% em relação a outubro (+R$2,8 bilhões) e R$34,7 bilhões acima do saldo de todo o ano de 2019 (-R$4,7 bilhões)!
Há três principais razões para essa entrada representativa dos gringos em novembro:
- Fim das incertezas advindas das eleições americanas com a eleição de Joe Biden;
- Apesar do avanço do coronavírus nos Estados Unidos e na Europa e, com ele, o medo de uma segunda onda global, as notícias de 3 vacinas já na última etapa antes do registro para uso (Pfizer + BioNTech, Moderna e AstraZeneca + Universidade de Oxford e com boas taxas de eficácia e segurança animaram os mercados;
- Rotação para setores que foram mais impactados durante a pandemia, como Petróleo, Bancos e Aéreas, e saída de setores mais beneficiados, como o setor de Tecnologia.
Por outro lado, vale destacar que para que a volta dos gringos à Bolsa brasileira seja duradoura, três pontos são importantes:
- Melhor resolução sobre a trajetória fiscal do país;
- Avanços na responsabilidade socioambiental e de governança (ESG) no Brasil, sendo essa condição essencial para o estrangeiro voltar a ter grandes alocações no país;
- Continuação da recuperação da economia e revisão de Lucros das empresas da Bolsa para cima.
Mas qual bolsa é melhor investir? Americana ou brasileira?
Insight Rico: Como acessar R$ 200 mil em FIIs com apenas R$ 10
(por Júlia Aquino, Paula Zogbi)
Sempre falamos aqui sobre a importância de diversificar os investimentos para construir uma carteira mais robusta — e fundos imobiliários são um ótimo exemplo disso, permitindo exposição a diversos imóveis (diretamente ou via papéis) com investimento relativamente baixo. A liquidez também é uma vantagem: vender um apartamento pode demorar, trazer muitos custos e muita dificuldade, enquanto vender cotas é rapidinho e bem mais fácil, direto na bolsa.
Investir em FIIs também quer dizer, historicamente, menos volatilidade em relação ao Ibovespa. Desde janeiro de 2011, início do IFIX, a volatilidade média é de 8,69%, com pico de 64,27% em março, no auge da crise da covid-19. Nesse mesmo período, o Ibovespa registrou volatilidade média de 25,46%, chegando a 122% em março de 2020.
Estreou ontem na bolsa uma novidade para investir em FIIs que potencializa todos esses efeitos: o Trend ETF IFIX (XFIX11), ETF da XP que replica o IFIX.

Explicando melhor a sopa de letrinhas
IFIX é o índice da Bolsa que replica o resultado de uma carteira teórica de ativos, composto pelas cotas de fundos imobiliários listados no mercado. É um indicador de desempenho médio das cotações dos FIIs negociados, assim como o Ibovespa faz para as ações brasileiras.
ETF é um fundo negociado em bolsa de gestão passiva que replica, geralmente, um índice. Assim, o ETF vai ter performance semelhante à do índice em um mesmo período, já descontando sua taxa de administração, subindo ou descendo de acordo com os resultados dos ativos.
Quais as vantagens?
Hoje, o IFIX é composto por 81 fundos imobiliários que representam aproximadamente 26% do total de fundos no mercado, com valor de mercado de aproximadamente R$ 80 milhões. Essa, portanto, vai ser a mesma composição do XFIX11. Se você fosse comprar uma cota de cada um dos fundos do IFIX, gastaria R$ 200.000.
Já a cota do XFIX11 é negociada por R$10 — ou seja, com o equivalente a um cafezinho e um pão de queijo (inflacionados, como costuma ser em São Paulo) você já consegue ter participação em mais de 5 mil imóveis sem precisar se preocupar diretamente com a gestão deles.
E os dividendos?
Em geral, a forma tradicional de investir em FIIs atrai muitos investidores de olho nos proventos isentos de imposto de renda caindo mensalmente na conta. Com o ETF, essa lógica muda, mas não necessariamente para pior.
De fato, investindo via XFIX11, não teremos acesso direto aos dividendos — e eles perdem a isenção de IR, já que esse é um benefício para pessoas físicas. Mas esses proventos são automaticamente reinvestidos, aumentando a rentabilidade. No resgate, o imposto de renda é de 20% sobre o ganho de capital, como acontece em quaisquer investimentos em FIIs.
Imagine que você tem R$ 1.000 aplicados em um FII, e recebe, digamos, R$ 30 por mês em proventos. Hoje, para investir esse montante, você teria que partir para um título público via Tesouro Direto, por exemplo, ou esperar novos dividendos para conseguir reinvestir na mesma estratégia (ou seja, comprar outras cotas do mesmo FII). Muitas vezes, o investidor acaba simplesmente “largando” esse valor por meses a fio, perdendo um enorme potencial de rentabilidade (basta lembrar dos juros compostos para saber que investir agora é sempre melhor do que deixar para depois) — mas não com o XFIX11.
Resumindo, então, o XFIX11 permite uma diversificação muito maior com muito menos dinheiro e o reinvestimento automático dos dividendos, melhorando a rentabilidade. Tudo com taxa de administração de 0,3% ao ano. Boas vindas a mais essa novidade que democratiza o acesso a investimentos pelos brasileiros!
Resumo do dia: Dezembro chega com boas notícias
(por Paula Zogbi)
Após um mês de novembro recorde, ainda que com correção das bolsas ontem, mercados mundiais operam no positivo nesta manhã com dados positivos na China. Futuros americanos sobem até 1,2% e o Euro Stoxx tem alta de 1% nesta primeira manhã de dezembro.
O Índice Gerente de Compras Caixin Markit (PMI) chinês bateu 5,49 pontos, maior nível desde 2010 e acima das expectativas de mercado. O número indica manutenção da recuperação da atividade industrial. Na Zona do Euro, o indicador chegou a 53,8, o que também indica expansão.
Nos EUA, os seis estados mais importantes da disputa eleitoral de 2020 confirmaram a vitória de Joe Biden na eleição: Arizona, Wisconsin, Geórgia, Michigan, Nevada e Pensilvânia. Biden também anunciou sua futura equipe econômica, incluindo Janet Yellen, ex-presidente do Fed, como secretária do Tesouro — o que é bem-visto pelo mercado — e Neera Tanden, ex-auxiliar de Hillary Clinton, como diretora de orçamento. Essa última nomeação gera inquietações entre republicanos, que prometem bloquear sua indicação
Mas as incertezas sobre os estímulos econômicos para combater efeitos do coronavírus continuam. Na segunda-feira, Jerome Powell, atual presidente do Fed, lembrou que os próximos meses devem ser de preocupação apesar do avanço das vacinas. “Continua difícil avaliar o tempo e o escopo das implicações econômicas desses desenvolvimentos com algum grau de confiança”, disse. O orçamento público de 2021 deve ser resolvido até 11 de dezembro.
Ontem, falamos sobre debates decisivos para o setor do petróleo em 2021. Conversas entre membros da Opep+ deveriam iniciar hoje, mas foram adiadas para quinta-feira desta semana, segundo fontes da Reuters. A agência disse que ainda há incerteza sobre a quantidade que deve ser produzida no ano que vem.
No Brasil, o Ibovespa viu correção de -1,52% ontem, mas fechou seu melhor novembro desde 1999 e melhor mês desde março de 2016, com alta acumulada de 15,9%. A definição do pleito eleitoral nos EUA, o avanço no desenvolvimento das vacinas contra a covid-19 e a consequente rotação do capital para ações de empresas da “velha economia”, mais presentes no nosso índice, junto com o fluxo estrangeiro recorde (saldo positivo de R$ 30 bi), levaram a esse resultado. Leia mais no lançamento do nosso relatório De Olho No Mercado amanhã.
| Agenda da Semana |
| Terça-feira, 01 15h00: Brasil – balança comercial mensal |
| Quarta-feira, 02 07h00: Zona do Euro – Taxa de desemprego (exp: 8,4%; ant: 8,3%) 09h00: Brasil – Produção industrial a.m. (exp: BBG: 0,8%; exp XP: 1,1%; ant: 2,6%) 09h00: Brasil – Produção industrial a.a. (exp: BBG: 1,0%; exp XP: 1,7%; ant: 3,4%) 16h00: Estados Unidos – lançamento do Livro Bege do Federal Reserve 22h45: China – PMI Composto (ant: 55,7) |
| Quinta-feira, 03 06h00: Zona do Euro – PMI Composto Markit (exp: 40; ant: 39,90) 07h00: Zona do Euro: vendas no varejo a.m. (exp: 0,5%; ant: -2,0%) 09h00: Brasil – PIB a.t. (exp BBG: 8,8%; exp XP: 8,4%; ant: -9,7%) 09h00: Brasil – PIB a.a. (exp BBG: -3,5%; exp XP: -3,8%; ant: -11,4%) 10h00: Brasil – PMI Composto (ant: 55,9) 10h30: EUA – novos pedidos de seguro-desemprego ( exp: 768 mil; ant: 778 mil) 11h45: EUA – PMI Composto Markit (ant: 57,9) |
| Sexta-feira, 04 10h30: EUA – taxa de desemprego nov (exp: 6,8%; ant: 6,9%) |
Insight Rico: Peça batatinha frita para entender o Come-Cotas
A próxima segunda-feira, 30 de novembro, é o dia do segundo “Come-Cotas” do ano.
Se você não tem familiaridade com o termo, é o apelido carinhoso que o mercado aplicou à antecipação de imposto de renda em fundos de investimento em renda fixa e multimercados – fundos de ações só são tributados uma vez, no resgate (para saber mais sobre a cobrança de impostos em fundos, assista a esse vídeo).
Todo último dia útil de maio e de novembro, os fundos resgatam compulsoriamente uma parte das cotas de quem teve rendimento positivo no período e repassam à Receita Federal. Essa antecipação tem valor equivalente à menor alíquota em vigor dependendo do fundo (15% para fundo de longo prazo e 20% para fundo de curto prazo). No resgate pelo cotista, a cobrança de imposto é só a de uma eventual diferença entre o que já foi cobrado e o que ainda falta.
Quando você sai para comer com os amigos e é a única pessoa da mesa a pedir batatinha frita, provavelmente acontece algo parecido com a sua porção, ainda mais se a batata chega antes dos sanduíches. Antes mesmo de você usufruir inteiramente da sua comida (ou dos resultados do fundo de investimento), alguém vai lá e “confisca” uma parte.

A parte boa do Come-Cotas é o que eu adoto para a vida quando se trata de impostos: sinal que você está ganhando dinheiro! Tenha esse pensamento positivo consigo todas as vezes que for declarar IR ou emitir DARF e garanto que tudo vai ficar mais leve (só para todos estarmos na mesma página, lembre-se que, como qualquer imposto, só existe cobrança se houver aumento na renda). Além disso, o fato desse imposto ser recolhido automaticamente é uma mão na roda – zero trabalho da sua parte.
Mas sim, essa cobrança tem impacto negativo no rendimento dos seus investimentos, no fim das contas. A rentabilidade de cada cotista é proporcional ao número de cotas que ele detém. Se você passa a ter menos cotas de um fundo de um mês para o outro, o seu dinheiro passa a render sobre o novo valor – menor. Logo, rende menos. Junto com as taxas de administração e performance, esse é o preço que você paga para que um gestor ou gestora profissional cuide do seu patrimônio (no caso dos multimercados e fundos de renda fixa). Para mim, se o fundo for de qualidade, mais que compensa.
Por conta disso, o Come-Cotas é visto por alguns como fator de desempate na hora de escolher certos investimentos – mas será que isso faz sentido mesmo?
Por exemplo: desde que a taxa de custódia no Tesouro Direto deixou de ser cobrada para aplicações de até R$ 10 mil no Tesouro Selic, em agosto, passou a ser marginalmente mais vantajoso aplicar reservas de emergência até esse valor diretamente via Tesouro do que em fundos taxa zero, como o Trend DI Simples. Se você tiver mais de R$ 10 mil, dá para dividir entre as aplicações (lembrando que os CDBs com liquidez diária rendendo 100% do CDI são uma terceira via, se você confiar no emissor).
Mas eu não escrevi “marginalmente” à toa. Para prazos curtos, de até três anos, (o que normalmente é o caso para investimentos ultraconservadores como o Tesouro Selic), a diferença não chega a 0,1%.
Em outro cenário, dessa vez fictício, uma pessoa em dúvida entre investir em um fundo multimercado de alto risco e um fundo de ações, ambos com expectativa de retorno semelhantes, também pode preferir o fundo de ações, sobre o qual a cobrança de IR (15%) acontece uma vez só, no resgateMas a real é que é muito difícil fazer uma análise como essa, já que a relação risco-retorno dificilmente será a mesma nesses dois produtos.
A título de exemplo, ao final de 10 anos, a diferença para um investimento de R$ 100 mil com rentabilidade constante de 10% ao ano seria de R$ 10 mil a mais para o investimento em um FIA (fundo de investimentos em ações) em comparação com um FIM (fundo de investimentos multimercado). Só que, mesmo que esses dois fundos tivessem a mesmíssima rentabilidade ao longo desses 10 anos, muito provavelmente a volatilidade do fundo de ações seria bem maior no meio do caminho.
Por fim, se os fundos de previdência pudessem tomar o mesmo nível de risco que os multimercados comuns (as regras de alocação de recurso são mais rigorosas: só pode 70% em renda variável, por exemplo) e dependendo do prazo e do tipo de tributação escolhido, também poderia fazer sentido optar por uma versão previdenciária de determinados fundos para fugir dessas duas cobranças anuais.
Para o cenário do nosso exemplo (R$ 100 mil investidos durante 10 anos com rendimento de 10% a.a.), a diferença seria de cerca de R$ 18 mil entre um VGBL e um multimercado, ganhando o VGBL.
Repetindo para não deixar dúvidas: de todos os exemplos, o único realmente razoável é o da renda fixa, já que estratégias de investimento muito dificilmente poderão ser replicadas com perfeição em fundos de ações, multimercados e de previdência.
Em outras palavras, não dá para considerar o come-cotas como critério de investimento sem antes observar a risco, retorno, equipe de gestão e todos os outros critérios que couberem na sua carteira.
Resumo do dia: Ajuda aí, dólar
(por Lucas Collazo)
Mercados em leve alta nesta manhã: nos EUA, os futuros sobem entre 0,11% e 0,35%, já na Europa, o Stoxx 600 fica no zero a zero. O ritmo pós-feriado do dia de ação de graças norte-americano deixa as cotações meio “de lado” por ora.
O debate sobre maiores auxílios fiscais continua na Europa: Polônia e Hungria seguem ameaçando vetar o novo plano de resgate europeu, com críticas ao sistema judiciário e à liberdade de imprensa dos demais países presentes no bloco.
Enquanto isso, os lucros industriais chineses sobem 28% no ano contra ano com os dados de outubro. Esse movimento tem puxado a performance das commodities: o cobre e o minério de ferro têm entregue um resultado melhor do que o ouro, inclusive.
A esperança para os emergentes: com vitória de Joe Biden na corrida eleitoral, os países emergentes ganham visibilidade para os investidores estrangeiros e têm sido uma discussão intensa nos bancos de investimento gringos. O dólar DXY – USD contra uma cesta de moedas de países desenvolvidos – segue enfraquecendo e fazendo com que os mercados emergentes fiquem mais atrativos.

| Agenda da Semana |
| Sexta-feira, 27 Até as 13h00: EUA – Feriado do dia de ação de graças 8h00: Brasil – IGP-M mensal (exp: 3,19%; ant: 3,23%) Semana de Educação Financeira XPeed 18h15-19h: A revolução da educação à distância (EAD) (Daniel Pereira, Luciano Meira, Newton M. Campos, Larissa Santana) 18h15-19h: O Universo do Stock Pickers (Thiago Salomão e Renato Santiago) 19h45-20h30: Mulher e independência financeira (Annamaria Lusardi) 20h30: A XP pela educação financeira |
Lembro-me como se fosse hoje o dia da gravação do episódio 32 do Stock Pickers, era uma mistura de emoção com nervosismo, estávamos prestes a viver o “ponto alto” do programa até ali…
Quando finalmente tive a oportunidade de encontrar Luis Stuhlberger nos bastidores do evento, que, para mim, era a mesma sensação de uma criança que entra no campo de futebol de mãos dadas com um ídolo do esporte, fui tomado pelo momento e acabei me calando (logo eu que falo até pelos cotovelos).
Caros 13 leitores, se vocês não sabem quem é o tal do Luis ou mesmo como alguém conseguiu me calar, vou explicar melhor: Stuhlberger (ou Struhlba, para os íntimos) é CEO e CIO da Verde Asset, uma das principais gestoras do país, que fez sua fama com um fundo que leva o nome da casa – desde seu nascimento em janeiro de 1997, são mais de 17.500% de retorno aos investidores que confiram ao menos R$ 300 mil (aplicação inicial do fundo na época) às mãos de Luis.
Ontem, no segundo dia do evento Melhores Empresas da Bolsa (InfoMoney), tivemos a oportunidade de mais uma vez escuta-lo junto ao seu principal sócio na gestora, Luiz Parreiras, responsável pelas estratégias de previdência da casa.
Quem assistiu ao painel pôde ouvir da boca de Stuhlberger que ele está mais confortável investido na bolsa brasileira do que em títulos de dívida brasileira com vencimentos mais longos. Nós já tínhamos ‘cantado a bola’ que a Verde estava menos pessimista em relação ao Brasil nesse Rico Matinal, mas uma reafirmação ao melhor estilo ‘quem sabe faz ao vivo’ é sempre impactante.
Tem alguns motivos pelos quais essa sua fala ‘anima’ investidores brasileiros:
- Liberdade cognitiva de um gestor multimercado: o mandato do fundo Verde é multimercado. Isso significa que ele pode investir em diversas classes de ativos diferentes, e, além da posição comprada tradicional, também pode explorar posições vendidas, que ganham com a queda dos mercados. Ou seja, ele não apenas é livre para decidir se está otimista ou pessimista como também pode ganhar com as duas visões (assim como fizeram em 2014). Se o Verde está comprado na bolsa brasileira é porque realmente acredita que esse mercado segue sendo um bom investimento.
- O dilema fiscal não ‘bate’ na bolsa: Stuhlberger está preocupado com a situação da dívida pública – ele inclusive citou o fato de o Brasil ser o país emergente que mais gastou com assistência social: 8,4% do PIB nacional, em comparação com apenas 1% no México, para efeito de comparação.
Não foi um julgamento se isso é correto ou não, mas o fato é que houve um nível de gasto elevado e a preocupação fica em como o país pagará essa “conta” – seguiremos o caminho reformista e respeitando o teto de gastos? Ou romperemos este teto e elevaremos os juros para nos financiarmos? Ele ressaltou que não descarta um desfecho não muito romântico para o cenário fiscal, mas na bolsa temos empresas, criando empregos e pagando impostos, enquanto no mercado de dívida (Tesouro Direto) isso não se aplica. Justamente por isso, recentemente a Verde terminou seu investimento em LTN (Título prefixado do Tesouro Nacional). - Uma declaração não tão catastrófica assim: a última carta publicada pela gestora foi quase um “dossiê” da situação fiscal. Ali ficou explicito o quão profunda é a situação brasileira, e quando essa avaliação sai das mãos de uma das principais gestoras do país, que investe fortemente em pesquisa econômica, no mínimo acende uma luz vermelha na cabeça. Porém, percebemos que o desfecho disso não é tão catastrófico assim – pelo menos não o suficiente para justificar “sair da bolsa para voltar para o CDI [taxa de juros usada como remuneração, principalmente em títulos de renda fixa mais conservadores]”, nas palavras dele.
As idiossincrasias tupiniquins não param por aí…
Para a Verde, “a bolsa brasileira mostra a Suíça e os juros [expectativa futura da taxa básica de juros Selic] mostram a Venezuela”, e isso justifica pelo menos um ‘não pessimismo’ com a bolsa brasileira. Mas o mesmo sentimento não se replica à onda de aberturas de capital no Brasil.
Fizemos um ótimo insight falando sobre o tema, mas, para Luiz Parreiras, os banqueiros de investimento juntamente aos empresários não têm tratado os investidores como sócios no momento da abertura de capital da empresa.
Para defender sua crítica, Parreiras trouxe alguns números interessantes: em 2020, tivemos 27 IPOs no Brasil, o retorno médio dessas ofertas até o momento foi de 8%. Porém, esse número fica distorcido por conta do IPO de Locaweb, que entregou 300% de performance, e, se olharmos então para a mediana das ofertas, o retorno cai para 3%.
Enquanto isso, no mercado norte-americano, onde o número de ofertas é extremamente superior, tivemos um retorno de 30% com a mediana muito próxima disso. Dito isso, a conclusão é uma só: “os IPOs no Brasil são mal precificados”.
Sua critica não foi direcionada às empresas que abriram capital em si. A Verde inclusive fez investimentos em ofertas públicas como: Enjoei, Grupo Mateus e Petz. A critica segue a lei do ‘tudo tem seu preço’, e, na opinião de Parreiras, esse preço tem sido distorcido para cima.
Aos 13 leitores, minha humilde conclusão
Já disse por aqui que mais importante que a mensagem é o mensageiro. O fundo Verde historicamente tem uma posição em bolsa que beira um quarto do patrimônio do fundo. Hoje, está menor do que isso e se divide entre a brasileira e a norte-americana (S&P 500).
Não somente mais enxuta se comparada ao histórico, como também ao que chegou a ter durante a retomada dos mercados esse ano. Sem dizer que eles seguem com um portfólio de investimento diversificado, então eu entenderia a mensagem como ‘menos pessimista’, e não como otimista, por assim dizer.
E a crítica de Stuhlberger sobre os títulos longos do Tesouro Direto, como o IPCA+ e os prefixados não é do ponto de vista do investidor pessoa física, mas sim do institucional. Qual a diferença? Que ele tem que justificar seu retorno todo santo dia para seus cotistas, e, como consequência, mostrar a oscilação de preço de tudo que está em carteira. Diferente de nós, que temos o privilégio de focar apenas nos nossos recursos e, nos títulos de renda fixa e podemos manter até o vencimento dos títulos para receber os juros acordados.
Com as minhas considerações de ‘irmão mais velho’ feitas, sim, podemos achar interessante a fala do conforto maior no investimento em bolsa dado o cenário brasileiro. Principalmente a mensagem da situação fiscal não incomodar tanto a bolsa no longo prazo, ainda mais vinda de alguém que entende profundamente do assunto.
Isso só realça o que já falamos muitas vezes por aqui: tanto no fundo de Stuhlberger quanto no de Parreiras, o conforto está em investir na bolsa, porém numa posição menor do que a histórica. O segredo é adequar ao seu perfil de estratégia como investidor. A pergunta que deve ser respondida, muitas vezes, não é “se devemos ter”, mas sim “quanto devemos ter”.
Em nossas recomendações, bem como dentro dos nossos fundos DNA, entendemos que, por ora, o melhor é manter o tamanho das nossas recomendações/posições em bolsa brasileira. Ah, e seguimos diversificados, tanto aqui no Brasil quanto fora, em renda fixa e renda variável.
E como Stuhlberger disse no painel: “o Market Timing [ato de investir tentando acertar os momentos do mercado] é uma arte”, mas não a única forma de ganhar dinheiro nos mercados.
Passarinho que pula demais leva chumbo.
Insight Rico: As lições que vêm da pista e do campo
Não é à toa que sempre usamos analogias de esporte pra falar sobre investimentos: elas são ótimas pra reforçar a importância da dedicação, planejamento e de tomar riscos para alcançar o sucesso, assim como um atleta profissional faz no dia a dia.
A semana de educação financeira da Xpeed ontem convidou Rubinho Barrichello e Kaká para falar sobre esses paralelos entre o esporte e a vida financeira, o que nos trouxe algumas lições valiosas:
Vontade de aprender e diversificar
Em casa, Kaká aprendeu com o pai que era bom investir em terrenos, imóveis, opções mais palpáveis e conservadoras. Ações eram um tabu dentro da família, e o jogador tinha curiosidade, mas não entendia que essa era uma possibilidade de investimento viável para ele. Depois que começou a trabalhar e receber seu próprio salário, se interessou pelas possibilidades da bolsa e fez um estágio em uma corretora, abrindo sua carteira para a diversificação e retornos mais atrativos.
Devemos estar sempre abertos a novos aprendizados, que podem trazer com eles oportunidades interessantes de retornos. Ter uma educação financeira básica e organizar suas finanças é essencial para todos, mas é necessário se movimentar e estudar para ir além disso e obter resultados melhores.
Dar tempo ao tempo e curtir o processo
Existe muito em comum entre mercado financeiro e esporte quando falamos que é necessário traçar uma estratégia para alcançar objetivos, mas não é porque temos foco nele que devemos perder os aprendizados do processo até lá.
Ganhar o troféu do campeonato, assim como ter um bom retorno nos seus investimentos é muito bom, mas essa euforia passa rápido. Sobre isso, Kaká reforçou que foi libertador aprender a ter prazer no caminho até chegar ao 1º lugar, e que ter uma visão imediatista demais, focada no resultado rápido, nos faz perder as alegrias de ultrapassar cada adversário ou superar os problemas do caminho.
O jogador tem essa mesma visão para investimentos, e aprendeu a gostar de estudar as empresas, entender as possibilidades de retorno e o que motiva a opinião dos analistas sobre um determinado ativo. Assim, quando o retorno vem, pode partir para o próximo levando não só mais uma vitória na carreira, mas também mais experiência e conhecimento.
Ser o melhor a cada volta e se adaptar quando as condições mudam
Sempre que entrava no carro, Rubinho tinha a mentalidade de que a próxima volta seria melhor que a anterior, porque já teria a aprendizagem dos erros cometidos. Da mesma maneira, todo atleta de alta performance treina muito para chegar o mais perto possível da perfeição na hora que o jogo é ‘pra valer’ — a dedicação no treino não só ajuda a entender e corrigir erros, mas também a ganhar confiança e chegar o mais preparado física e mentalmente para o jogo.
Para investimentos, a preparação crucial é o estudo, entender o ativo que você está comprando e quais são os resultados possíveis. Assim, você pode investir de forma mais assertiva, e fica mais tranquilo quanto as decisões que tomou. Como Kaká reforçou, quanto mais preparo, mais chance de vitória.
O jogador também lembrou que temos que nos preparar para os altos e baixos da carreira, entendendo que as estações mudam e que suas arrancadas podem não ser mais as mesmas. Deve existir consciência disso também nos investimentos, para que o investidor tenha espaço e tempo para se movimentar e readequar sua estratégia para o momento que vive.
Perder agora pra ganhar depois
A lição mais interessante do dia foi quanto ao apetite de risco dos esportistas, que deram dois ótimos exemplos, um na pista e um no mercado financeiro.
– Pare para abastecer: Rubinho lembrou de uma corrida em que a gasolina do carro acabou na última curva. O piloto estava na primeira posição e não quis parar para abastecer para não perder segundos preciosos no automobilismo, mas por isso teve um problema mais complexo depois de algum tempo e terminou a corrida em terceiro lugar. Sabemos que essas decisões são tomadas em milissegundos pelo piloto, mas o investidor tem mais tempo para pensar, mensurar os riscos e entender quais ele está disposto a tomar para alcançar seu objetivo. Com esse aprendizado das pistas, vemos a importância de definir seu apetite de risco para tomar as decisões mais adequadas.
– Não tenha medo da perda: Kaká trouxe um exemplo do mercado financeiro, quando investiu em um ativo que pouco tempo depois foi muito afetado pela Crise do Subprime de 2008. O título que Kaká comprou desvalorizou tanto que o jogador recebeu ações da empresa como compensação. Naquele momento, o jogador ficou inseguro, ‘panicou’ e vendeu os papéis, decidindo assumir o prejuízo e seguir em frente. Um ano e meio depois as ações da empresa, que era boa apesar dos efeitos da crise, se recuperaram, e Kaká se arrependeu de ter vendido os ativos que tinha na carteira porque poderia não só ter recuperado o prejuízo, mas também ter algum lucro. Ficou a lição: temos que estar dispostos a passar por momentos de volatilidade, mantendo o foco no futuro, e esperar a hora certa de sair de um investimento.
Se você perdeu esse ou outros talks do ENEF, pode assistir o evento completo no canal da Xpeed aqui.
Resumo do dia: Pausa no rali
(por Betina Roxo)
Bolsas globais deram uma pausa no rali nesta quarta-feira em meio a seus melhores ganhos mensais em três décadas. O indicador MSCI de ações globais acumula alta de 13% em novembro, considerado o melhor mês desde seu início em 1988.

Na véspera do feriado de ação de graças nos EUA, EuroStoxx cai 0,36%, futuro do S&P sobe 0,15% e o futuro do Nasdaq 100 sobe 0,3%. Ontem o índice Dow Jones fechou acima dos 30k pontos pela primeira vez. O Ibovespa fechou em alta, atingindo os 109 mil pontos e se aproximando mais um pouco do nível do dia 21 de fevereiro, quando o índice encerrou o pregão cotado em 113.681 pontos
Nos EUA, republicanos e democratas chegaram a um acordo sobre o nível de gastos para o projeto de lei anual necessário para manter o governo operacional após 11 de dezembro. O acordo aumenta as chances de que o pacote de financiamento de USD 1,4 trilhão possa ser aprovado pelo Congresso antes do prazo. O governo dos EUA tem operado sob resolução provisória desde 1 de outubro.
No Brasil, o destaque segue para o imbróglio a respeito da prorrogação do auxílio emergencial e da abertura de espaço no teto para criação de um novo programa de transferência de renda. Ontem à noite, o presidente Jair Bolsonaro reforçou discurso da equipe econômica de que só haverá extensão do benefício se houver uma segunda onda.
O governo intensifica negociação com o Congresso para tentar um último esforço pela aprovação da PEC Emergencial ainda este ano – é ela quem abrirá espaço no teto para o novo programa. Estão em discussão os gatilhos, que reduzem gastos com o funcionalismo, a desindexação de benefícios a partir de um salário mínimo e a revisão de subsídios – esta última não abre espaço no teto. A tentativa será para votar o projeto no Senado na segunda ou terceira semanas de dezembro para que ele siga à Câmara.
| Agenda da Semana |
| Quarta-feira, 25 10h30: EUA – PIB trimestral (exp: 33,2%; ant: 33,1%) 10h30: EUA – Pedidos iniciais por seguro-desemprego (exp: 730 mil; ant: 742 mil) 18h: Melhores da Bolsa InfoMoney 18h-19h: Mercados após a crise: a visão da Verde (Luis Stuhlberger, sócio e gestor da Verde; Luiz Parreiras, sócio e gestor da Verde) 19h-20h30: Empresas premiadas: as perspectivas para a indústria brasileira 19h: Antonio Joaquim de Oliveira, CEO da Duratex 19h30: Flávio Vargas, diretor financeiro da Camil 20h: Décio Oddone, CEO da Enauta 20h30-21h20: Do Zero ao Topo: a tecnologia no mercado brasileiro (Dennis Herszkowicz, CEO da Totvs; Marco Stefanini, fundador e CEO da Stefanini; Fernando Cirne, CEO da Locaweb) Semana de Educação Financeira XPeed 19h-19h45: Educação financeira nas escolas (José Vasco, Priscila Cruz, Izabella Mattar, Bia Santos) 19h45-20h30: Bolsa de valores para iniciantes (Bea Aguillar, Roberto Indech) 19h45-20h30: Desmistificando os investimentos (Betina Roxo, Thelminha, Favelado Investidor) 20h30: Primo Rico (Thiago Nigro) |
| Quinta-feira, 26 Dia todo: EUA – Feriado do dia de ação de graças 9h00: México – PIB trimestral (exp: 12%; ant: 12%) 9h30: Europa – Declaração de política monetária do BCE 16h00: Brasil – Índice de evolução de emprego do CAGED (exp: 233,5 mil; ant: 313,56 mil) 18h: Melhores da Bolsa InfoMoney 18h-18h30: Expectativas para o mercado mundial de ações (Kate Moore, gestora da equipe de alocação global da BlackRock) 18h30-19h10: Cenário global e ações mais promissoras (John Boselli, diretor e gestor sênior de ações da Wellington; Nanette Abuhoff Jacobson, estrategista global da Wellington) 19h10-20h10: Empresas premiadas: o consumo pós-pandemia 19h10: Marcílio Pousada, CEO Raia Drogasil 19h40: Rodrigo Osmo, CEO da Tenda 20h10-20h50: A nova onda de pessoas físicas na Bolsa (Betina Roxo, estrategista-chefe da Rico; Henrique Bredda, sócio da Alaska; Murilo Duarte, criador do canal Favelado Investidor) 20h50: Show de Rock do Stock PickersYellow Suspects (banda autora da música do Stock Pickers) e banda formada por profissionais do mercado Semana de Educação Financeira XPeed 18h15-19h: Agentes autônomos são educadores financeiros? (Graziela Suman Conte, André Pantoja Albo, Patrícia Pereira Cezar, Gustavo Pitta) 19h-19h45 Conheça as carreiras do futuro (Raquel Girotto, Bruno Madruga, Fernando Ferreira, Bianca Juliano) 18h15-19h: Gain Cast: De um jeito que você nunca viu (André Moraes, Fernando Góes e Roberto Indech) 20h30: Qual é o futuro do dinheiro (Tiago Mattos, Ana Laura, Karel Luketic) |
| Sexta-feira, 27 Até as 13h00: EUA – Feriado do dia de ação de graças 8h00: Brasil – IGP-M mensal (exp: 3,19%; ant: 3,23%) Semana de Educação Financeira XPeed 18h15-19h: A revolução da educação à distância (EAD) (Daniel Pereira, Luciano Meira, Newton M. Campos, Larissa Santana) 18h15-19h: O Universo do Stock Pickers (Thiago Salomão e Renato Santiago) 19h45-20h30: Mulher e independência financeira (Annamaria Lusardi) 20h30: A XP pela educação financeira |
Insight Rico: Conheça os melhores Small Caps e BDRs da bolsa
Na última sexta, lançamos as novas seleções de ações da Rico, a Estrelas Ascendentes, com as Small Caps mais promissoras, e a Estrelas Globais, com as melhores BDRs para investir. Falamos ontem um pouco mais sobre as seleções na nossa live de fechamento de mercado no Instagram da Rico. Se você perdeu, pode ver tudo aqui.
Diferente de uma simples carteira recomendada, você não precisa comprar todos os nomes das seleções nem obedecer a uma alocação exata. Nossa ideia é que o investidor escolha seus nomes preferidos entre os apresentados para complementar sua carteira de ações, visando um horizonte de 6 a 12 meses.
As duas seleções foram construídas a partir de critérios qualitativos selecionados pelo nosso time de análise, agregados a uma abordagem quantitativa que possibilita analisar todos as Small Caps e BDRs da bolsa em busca dos melhores nomes para incluir na nossa lista mensal — algo que seria praticamente impossível sem essa ferramenta.
Como sempre, recomendamos que o investidor só compre ativos de nomes em que realmente conhece e acredita. Por isso, vamos nos aprofundar um pouco mais nas seleções e nos nomes que fazem parte delas.
Estrelas Ascendentes
A seleção inaugural de Small Caps conta com 12 nomes que consideramos ser os mais promissores da bolsa, distribuídos em vários setores. Para construir essa seleção, analisamos os indicadores de solvência e gestão financeira das empresas, a gestão estratégica e de negócio e a expectativa de mercado para o crescimento do lucro por ação desses nomes entre 2019 e o fim de 2021. Além disso, todos os nomes têm volume relevante de negociação na bolsa. Os papéis foram ordenados pelo crescimento de lucro esperado, mas também incluímos vários outros fundamentos no relatório para o investidor ter mais liberdade para escolher o melhor nome para a sua carteira.
Os top 3 nomes da nossa seleção Estrelas Ascendentes, ordenados pelo crescimento de lucro esperado, são:

Dentre os nomes da seleção de novembro, a Copasa é a que tem maior expectativa de crescimento de acordo com estimativas dos analistas de mercado para 2021. No resultado do terceiro trimestre, a companhia viu um aumento de 24,4% em seu lucro líquido em relação ao ano passado. A margem EBITDA avançou em 1,9 p.p., para 39%, em linha com o valor de referência que apuramos para as empresas de saneamento, que é 41%, que mostra que a empresa faz boa gestão da operação. Além disso, tem endividamento de 1,2x quando fazemos a razão entre dívida líquida e EBITDA, quase 50% menor que a mediana das empresas de saneamento.
Além dos bons indicadores financeiros, a Copasa também é uma boa pagadora de dividendos — aparece na primeira posição na nossa lista de maiores pagadores de dividendos de novembro, que está disponível para todos os clientes na área logada da Rico, e anunciou recentemente a aprovação de R$ 820 milhões em dividendos extraordinários. Na última quinta, também anunciou desdobramento de 1 ação para 3, o que deve aumentar a liquidez da ação.
A SLC Agrícola é uma das maiores empresas do setor de agricultura do Brasil, e produz soja, milho e algodão. A expectativa do mercado é que o lucro por ação (LPA) da empresa cresça de R$1,67 em 2019 para R$2,56 ao final de 2021. Para o terceiro trimestre, foi reportado aumento de 13,4% na receita líquida. Além disso, na nossa análise vimos um ROIC de 11,2 para a empresa, valor acima do observado para outras companhias de produção agrícola, que indica boa gestão de negócio.
A terceira empresa desse ranking também apresentou crescimento nos números do terceiro trimestre de 2020: o EBITDA da Minerva Foods cresceu 22% em relação ao ano passado, e teve lucro de R$58,3 milhões, contra um prejuízo de R$82 milhões em 2019. Segundo nossa análise, a margem EBITDA da empresa é maior que a mediana do setor de alimentos e tem ROIC de 16%, indicando boa gestão estratégica e operacional.
Estrelas Globais
Nossa primeira seleção de BDRs tem 24 nomes de empresas estrangeiras que consideramos os melhores da bolsa brasileira em novembro. Montamos essa lista a partir de indicadores de solvência e gestão financeira das empresas, a gestão estratégica e de negócio, liquidez do bdr na bolsa e a expectativa de mercado para o crescimento do lucro por ação desses nomes entre 2019 e o fim de 2021.
Também buscamos as opiniões de analistas de ações do mercado estrangeiro especializados nos setores, e só incluímos nessa seleção as empresas que consideramos bem avaliadas.
Os papéis da lista têm volume relevante de negociação na bolsa, mas, naturalmente, BDRs tem liquidez menor que os seus respectivos papeis de lastro nas bolsas estrangeiras. Desde a abertura dessa opção para os investidores não qualificados a liquidez das BDRs aumentou, como falamos aqui, e se tornaram uma opção ainda mais atrativa para diversificação internacional de investimentos.
Os top 3 nomes da nossa seleção Estrelas Globais, ordenados pelo crescimento esperado, são:

A Alphabet dispensa apresentações: empresa-mãe do Google, é provavelmente a companhia mais presente no nosso dia-a-dia da lista. Os últimos resultados da empresa superaram as expectativas do mercado, registrando crescimento de 14% na receita em relação a 2019. Só o YouTube, plataforma de vídeos da companhia, teve ganhos com anúncios 32% maiores que no mesmo período do ano passado, chegando a US$5 bilhões.
Na nossa análise, vimos que a Alphabet tem liquidez corrente alta, de 3,4x, e endividamento negativo, o que indica que a empresa tem mais caixa e ativos do que compromissos no mercado, fazendo boa gestão de garantias e financeira. Os executivos da companhia atribuem os bons resultados à onda de compras online da pandemia, hábito que deve continuar com os consumidores mesmo quando a vacina chegar e a vida voltar ao normal.
Quando Donald Trump, atual presidente dos EUA, foi infectado pelo coronavírus, ele passou por um tratamento que ainda está em fase de testes produzido pela Regeneron, farmacêutica especializada em biotecnologia. A empresa americana tem margem EBITDA de 40,5%, maior que a mediana do setor de farmacêuticas, 36%. Assim como a Aphabet, tem liquidez corrente, de 3,7x, e endividamento negativo, o que indica que a empresa tem mais caixa e ativos do que compromissos no mercado. Os resultados do terceiro trimestre superaram as expectativas do mercado e mostraram a empresa teve aumento de 32% na receita em relação ao 3T19, chegando a US$2,9 bilhões.
Northrop Grumman é uma empresa americana do setor de indústria aeroespacial, produzindo desde aeronaves e radares até espaçonaves e bases de lançamento para a NASA. A empresa apresenta margem operacional de 11% e margem EBITDA de 14,9%, maior que a mediana do seu setor, o que indica que a empresa opera de maneira eficiente e bem gerenciada quanto a riscos operacionais. A expectativa do mercado é que o LPA (lucro por ação) passe de R$13,28 em 2019 para R$24,32 ao fim de 2021. Os resultados do último trimestre mostraram que a receita das vendas da companhia cresceu 7% em relação ao mesmo período do ano passado, assim como lucro por ação, que cresceu 7,2% na comparação ano a ano.
Os fundamentos e as opiniões de analistas do mercado sobre esses e outros 21 BDRs estão disponíveis no nosso relatório mensal de novembro.
Resumo do dia: Disco furado
(por Paula Zogbi)
Mercados mundiais continuam em alta, assimilando novidades positivas referentes a vacinas contra o coronavírus. Futuros dos EUA sobem até 1,15% e o Euro Stoxx valoriza 1,25%. O petróleo WTI sobe 0,9% e atinge a maior cotação desde março, US$43,45.
Apesar das notícias positivas trazidas pela Pfizer + BioNTech, Moderna e AstraZeneca + Oxford, grandes economias continuam aplicando diferentes níveis de isolamento social. Na Alemanha, por exemplo, fala-se em manter o lockdown por pelo menos um mês.
Nos Estados Unidos, avança a transição de governo. Ontem, Joe Biden teria escolhido a ex-presidente do Fed Janet Yellen como sua secretária do Tesouro, o que ajudou a impulsionar a alta das bolsas. Já hoje, a chefe da GSA (Administração de Serviços Gerais) Emily Murphy disse ao presidente eleito que sua gestão está disponibilizando recursos federais para a transição. O órgão federal reconheceu Biden como o “aparente vencedor” da eleição e Trump escreveu no Twitter que apoia que se faça “o que precisa ser feito”, mas continua apresentando recursos.
No Brasil, voltou a crescer o debate sobre a extensão do auxílio emergencial – segundo o Valor, a ideia é que ocorra nova redução do valor, hoje em R$ 300, para R$ 200 ou R$ 250. O Ministro Paulo Guedes tem enfatizado que a prorrogação não está nos planos da Economia, dado o quadro de fragilidade fiscal do país.
Além disso, hoje o IBGE divulga o IPCA-15 de novembro, que deve confirmar avanços das pressões de inflação no quarto trimestre.
| Agenda da Semana |
| Terça-feira, 24 4h00: Alemanha – PIB trimestral (exp: 8,2%; ant: 8,2%) 9h00: Brasil – IPCA-15 mensal (exp: 0,72%; ant: 0,94%) 9h00: Brasil – PICA-15 anual (exp: 4,11%; ant: 3,52%) Melhores da Bolsa InfoMoney 18h-18h40: Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central18h 40-19h10: O que está por trás do sucesso da melhor empresa da Bolsa (Augusto Miranda, CEO da Equatorial) 19h10-19h40: Log: a revelação da Bolsa em 2020 (Sergio Fischer, CEO da Log CP) 19h40-20h30: ESG: marketing x ação (Florian Bartunek, sócio-fundador da Constellation; Márcio Correia, sócio e gestor de ações da JGP; Marta Pinheiro, diretora de ESG da XP) Semana de Educação Financeira XPeed 19h-19h45: Ansiedade e Fobia Financeira (Thiago Godoy, Camila Magalhães, Tatiana Filomensky, Andreia Fernanda) 19h45-20h30: O que a educação financeira e o esporte possuem em comum? (Rubinho Barrichelo e Kaká) |
| Quarta-feira, 25 10h30: EUA – PIB trimestral (exp: 33,2%; ant: 33,1%) 10h30: EUA – Pedidos iniciais por seguro-desemprego (exp: 730 mil; ant: 742 mil) 18h: Melhores da Bolsa InfoMoney 18h-19h: Mercados após a crise: a visão da Verde (Luis Stuhlberger, sócio e gestor da Verde; Luiz Parreiras, sócio e gestor da Verde) 19h-20h30: Empresas premiadas: as perspectivas para a indústria brasileira19h: Antonio Joaquim de Oliveira, CEO da Duratex 19h30: Flávio Vargas, diretor financeiro da Camil 20h: Décio Oddone, CEO da Enauta 20h30-21h20: Do Zero ao Topo: a tecnologia no mercado brasileiro (Dennis Herszkowicz, CEO da Totvs; Marco Stefanini, fundador e CEO da Stefanini; Fernando Cirne, CEO da Locaweb) Semana de Educação Financeira XPeed 19h-19h45: Educação financeira nas escolas (José Vasco, Priscila Cruz, Izabella Mattar, Bia Santos) 19h45-20h30: Bolsa de valores para iniciantes (Bea Aguillar, Roberto Indech) 19h45-20h30: Desmistificando os investimentos (Betina Roxo, Thelminha, Favelado Investidor)20h30: Primo Rico (Thiago Nigro) |
| Quinta-feira, 26 Dia todo: EUA – Feriado do dia de ação de graças 9h00: México – PIB trimestral (exp: 12%; ant: 12%) 9h30: Europa – Declaração de política monetária do BCE 16h00: Brasil – Índice de evolução de emprego do CAGED (exp: 233,5 mil; ant: 313,56 mil) 18h: Melhores da Bolsa InfoMoney 18h-18h30: Expectativas para o mercado mundial de ações (Kate Moore, gestora da equipe de alocação global da BlackRock) 18h30-19h10: Cenário global e ações mais promissoras (John Boselli, diretor e gestor sênior de ações da Wellington; Nanette Abuhoff Jacobson, estrategista global da Wellington) 19h10-20h10: Empresas premiadas: o consumo pós-pandemia 19h10: Marcílio Pousada, CEO Raia Drogasil 19h40: Rodrigo Osmo, CEO da Tenda 20h10-20h50: A nova onda de pessoas físicas na Bolsa (Betina Roxo, estrategista-chefe da Rico; Henrique Bredda, sócio da Alaska; Murilo Duarte, criador do canal Favelado Investidor) 20h50: Show de Rock do Stock PickersYellow Suspects (banda autora da música do Stock Pickers) e banda formada por profissionais do mercado Semana de Educação Financeira XPeed 18h15-19h: Agentes autônomos são educadores financeiros? (Graziela Suman Conte, André Pantoja Albo, Patrícia Pereira Cezar, Gustavo Pitta) 19h-19h45 Conheça as carreiras do futuro (Raquel Girotto, Bruno Madruga, Fernando Ferreira, Bianca Juliano) 18h15-19h: Gain Cast: De um jeito que você nunca viu (André Moraes, Fernando Góes e Roberto Indech) 20h30: Qual é o futuro do dinheiro (Tiago Mattos, Ana Laura, Karel Luketic) |
| Sexta-feira, 27 Até as 13h00: EUA – Feriado do dia de ação de graças 8h00: Brasil – IGP-M mensal (exp: 3,19%; ant: 3,23%) Semana de Educação Financeira XPeed 18h15-19h: A revolução da educação à distância (EAD) (Daniel Pereira, Luciano Meira, Newton M. Campos, Larissa Santana) 18h15-19h: O Universo do Stock Pickers (Thiago Salomão e Renato Santiago) 19h45-20h30: Mulher e independência financeira (Annamaria Lusardi) 20h30: A XP pela educação financeira |