janeiro 20, 2021

Marcação a mercado: saiba como impacta nos investimentos  

Ouviu falar sobre marcação a mercado, mas não entende bem o que significa? Já podemos adiantar que esse é um conceito importante para os seus investimentos.

Ele descreve a atualização constante do preço de um ativo que está disponível para negociação.

Essa variação de preço se dá por uma série de motivos e serve como termômetro sobre o desempenho de aplicações de renda fixa ou fundos de investimento.

Assim, o valor da marcação a mercado representa quanto o investidor ganharia caso escolhesse liquidar suas aplicações naquele momento.

Essa oscilação de preços é diária na maioria dos casos e, por isso, é importante ficar de olho para tomar boas decisões de investimento.

Para saber mais sobre a marcação a mercado, continue lendo os seguintes tópicos:

  • O que é marcação a mercado?
  • Quem faz a marcação a mercado?
  • Qual a função da marcação a mercado?
  • Marcação de mercado x marcação na curva: qual a diferença?
  • Fatores que interferem na marcação de mercado
  • Como calcular a marcação a mercado?
  • Vantagens e desvantagens da marcação a mercado
  • Como a marcação a mercado afeta os investimentos?

Se tiver alguma dúvida ao final, deixe um comentário.

Boa leitura!

O que é marcação a mercado?

A marcação a mercado representa a variação de preços de um ativo disponível para compra ou venda.

O termo descreve um conceito da matemática financeira que trata da atualização do preço de um ativo de renda fixa ou cota de fundo de investimento.

São muitas as variáveis que influenciam nessa variação do valor dos ativos de uma carteira.

Geralmente, a marcação a mercado representa um processo de curta duração, com oscilações diárias na maioria dos casos.

Ela é impulsionada por um movimento comum da economia conhecido como lei da oferta e demanda.

Basicamente, significa que quanto maior for a procura por um produto ou serviço, maior será o seu preço de mercado.

Sendo assim, o contrário também é verdadeiro: quanto menor for a demanda, menor também será o preço.

Mas não são só os movimentos mais básicos da microeconomia que vão afetar a marcação a mercado.

A macroeconomia também tem um papel fundamental para a oscilação dos preços.

Quer um exemplo?

Em momentos de instabilidade política ou social – como na pandemia de coronavírus– o mercado sofre com a desvalorização dos seus ativos.

Isso porque, nessas ocasiões, muitos investidores se comportam dentro de um “efeito manada”: desconfiados sobre a rentabilidadefutura de seus portfólios, muitos correm para liquidar os ativos e resgatar o capital investido.

Quem faz a marcação a mercado?

A marcação a mercado apresenta um resultado natural de todas as operações feitas no período.

Essa variação dos preços também vem por conta das mudanças no contexto econômico do Estado ou da instituição que negocia.

Portanto, a marcação a mercado nada mais é do que o acompanhamento diário da valorização e desvalorização das aplicações financeiras.

Quem já investe há algum tempo sabe que, todos os dias, existe uma variação no preço dos ativos, sejam eles da renda fixa, renda variávelou até algumas alternativas híbridas, como fundos de investimento.

Em geral, a marcação a mercado é de responsabilidade da entidade emissora.

No caso específico dos fundos, ela é feita pelo administrador, que vai precificar as cotas a partir da cotação dos ativos sob custódia.

Para a renda fixa, vale a mesma coisa: títulos do Tesouro Direto, por exemplo, tem sua precificação atualizada diariamente pelo órgão emissor, que nesse caso é o Tesouro Nacional.

Qual a função da marcação a mercado?

A marcação a mercado tem o objetivo principal de fundamentar a tomada de decisão do investidor frente às suas oscilações.

Ela ajuda nesse sentido porque fornece informações para que ele possa projetar valorizações ou desvalorizações a partir do desempenho do ativo no presente.

Ao analisar o desempenho de um título, investidores mais experientes conseguem pesar o interesse de compra e venda do mesmo no mercado primário e secundário.

No fim, quem investe ganha mais segurança ao entender qual a liquidezde seus ativos para fazer o resgate quando for mais interessante.

Para o caso específico dos fundos de investimento, a marcação a mercado atua ainda no sentido de impedir a transferência inapropriada de riqueza entre cotistas, garantindo mais transparência para o grupo.

Marcação de mercado x marcação na curva: qual a diferença?

Quando falamos em oscilação do valor de ativos, é preciso distinguir dois tipos diferentes de cálculo: a marcação de mercado e a marcação pela curva do papel.

A marcação na curva – ou marcação a juros – descreve a variação de preços que é feita de acordo com as taxas de jurosdo dia anterior.

Assim, em vez de considerar a variação do preço daquele ativo no mercado, a técnica usa os juros para corrigir o valor.

Você deve ter percebido que, aqui, o valor do ativo não varia de acordo com o preço atualizado no dia, mas pelo valor de compra corrigido diariamente pela taxa de juros praticado.

O conceito de marcação na curva é oposto ao que descrevemos por marcação de mercado: o preço do título em determinado momento em alguns casos não representa o seu valor real.

Isso faz com que o resgate antecipado de aplicações com esse modelo de marcação acabe gerando prejuízos em muitos casos, pois obriga o gestor a vender os títulos com variação dos juros daquele momento.

Outro ponto importante da marcação pela curva é que ela permite a transferência de riquezas entre cotistas de fundos de investimento, o que pode ser perigoso.

Em 2002, o Banco Central do Brasil decidiu banir esse modelo de marcação, tornando a marcação a mercado o caminho oficialmente recomendado no país.

Hoje, gestoras que desejam operar com marcação pela curva precisam antes obter uma autorização especial do Bacen e comprovar a sua capacidade de manter o preço dos títulos até o vencimento do contrato.

Fatores que interferem na marcação de mercado

Como vimos até aqui, a marcação não é um processo padrão, que segue o mesmo caminho para todos os casos e ativos financeiros.

De fato, a oscilação dos preços é justificada por alguns fatores correlatos ao mercado financeiro.

O primeiro que podemos citar é a própria rentabilidade do ativo em questão.

Para os títulos de renda fixa pós-fixados, por exemplo, o rendimento é calculado a partir da taxa de referência, que pode ser a Selic, o CDI ou o IPCA.

Assim, mesmo que o ganho seja menor diante de uma queda de juros, o investidor terá um bom retorno – isso considerando que a taxa de juros praticados permanecerá positiva.

Para os títulos prefixados, que tendem estar vinculados à taxa de juros, existe uma relação direta entre a situação econômica do país no momento da compra e o potencial de ganhos daquele ativo.

Dentre os fatores que interferem na marcação de mercado, precisamos mencionar ainda a diferenciação que está atrelada a liquidez.

Nesse caso, sabemos que ativos mais líquidos (como títulos públicos) têm um processo mais rápido, que se baseia no preço dos ativos no fim do dia.

Por outro lado, investimentos menos líquidos (como cotas de fundos de investimento e debêntures), têm um processo mais lento e baseado na estimativa de preço pelo qual o ativo seria negociado.

Como calcular a marcação a mercado?

O cálculo para marcação a mercado tem algumas variações de acordo com a natureza do título em questão.

Para calcular a variação para o Tesouro Direto, por exemplo, partimos da seguinte fórmula padrão:

Nesse exemplo, temos VN, que representa o valor nominal (no caso dos títulos pré-fixados sempre será R$ 1.000), a taxa de juros do período e DU (dias úteis de duração do investimento).

O número 252 da conta representa a quantidade padrão de dias úteis por ano adotado pelo Bacen desde a década de 1980.

Assim, o resultado de DU dividido por 252 é a taxa percentual da duração do investimento em relação ao ano fiscal.

O preço se dá, então, pela divisão de VN pelo resultado de 1 + taxa de juros, elevado ao resultado de DU/252.

Para seguir com o cálculo, vamos considerar um hipotético título do Tesouro Direto:

Título: Tesouro PrefixadoData de vencimento: 02/11/2023
Data de compra: 04/11/2020Dias úteis: 755
Quantidade adquirida: 1 títuloPreço do título na data da compra: R$ 733,86

Nesse caso, ao aplicarmos a fórmula, descobriremos que a taxa anual do investimento é de 10,88%.

Esse é apenas um exemplo de como calcular a marcação a mercado, mas, a partir da fórmula, você poderá também projetar os ganhos de outros tipos de investimento.

Vantagens e desvantagens da marcação a mercado

Não é à toa que a marcação a mercado tem sido utilizada como padrão de cálculo da atualização de preços em papéis desde 2002.

Ela traz mais segurança e transparência ao investidor, mas suas vantagens não ficam por aí.

Por demonstrar o valor real em sua carteira, a marcação a mercado é mais justa.

Ela garante, por exemplo, que todos os cotistas de um fundo tenham lucros ou prejuízos proporcionais, ao mesmo tempo em que traz mais segurança para o mercado.

Isso porque evita a transferência de riquezas que a marcação de curva permite.

Ao levar em conta a variação de mercado, o método não distorce o valor dos títulos nas negociações e no portfólio do investidor.

No entanto, há também algumas desvantagens na prática.

A marcação a mercado só vai funcionar de maneira ideal se o mercado também estiver operando com normalidade e eficiência.

Outro ponto negativo é que, em alguns casos, uma desvalorização dos ativos pode levar os investidores a agirem conforme o “efeito manada” que descrevemos.

Por isso, saber fazer o cálculo não basta para tomar boas decisões: é preciso ser capaz de interpretar os dados levando em conta fatores subjetivos do contexto econômico e social, em escala regional e global.

Como a marcação a mercado afeta os investimentos?

A marcação a mercado no preço dos ativos afeta diretamente o desempenho dos investimentos.

Primeiro porque o método serve como um termômetro para o investidor avaliar a rentabilidade de sua carteira, sendo útil para desenvolver projeções de resultados futuros.

É claro que, quando estamos falando de renda variável ou mesmo de renda fixa pós-fixada, acertar nessa projeção acaba sendo mais difícil.

Nesses casos, é importante lembrar que rendimentos passados não são garantia de ganhos futuros.

Para os fundos de investimento, há de se considerar ainda que cada grupo é composto por diversos ativos com características diversas – é importante analisar essa informação no prospecto.

Em um mesmo fundo, o investidor pode encontrar títulos públicos, privados, açõesaté mesmo cotas de outros fundos – cada categoria tem rentabilidades indexadas de formas diferentes.

Muito importante nesse contexto, a marcação a mercado é útil para projetar os ganhos futuros e também verificar se vale a pena a liquidação.

Basta calcular conforme ensinamos para se certificar de que a taxa de rendimento é positiva e, portanto, o resgate antecipadovale a pena.

Marcação a mercado em renda fixa

No mercado, o investidor pode escolher títulos públicos e privados de renda fixa que têm seu índice de rentabilidade definido no momento da compra.

Esses títulos se dividem ainda em pós-fixados, que são aqueles que pagam uma variação da taxa de juros, e prefixados, que tem seu percentual de retorno pré-determinado no momento do investimento.

No caso dos ativos pós-fixados, o valor é atualizado diariamente e o investidor não tem grandes surpresas caso faça o resgate antecipado do valor.

Para os demais, o cálculo pode ser um pouco mais complexo.

Isso porque o preço desses títulos é determinado pelo preço que eles pagam, que por sua vez depende das expectativas do mercado para as taxas de juros até o vencimento do contrato.

Marcação a mercado dos fundos de investimento

No caso dos fundos de investimento, a marcação é o que garante que as cotas serão sempre negociadas pelo seu valor de mercado.

Isso porque o preço de negociação de cada parte do fundo é definido pela conta proporcional, que busca refletir o valor de todos os ativos que compõem o patrimônio do grupo.

Em outras palavras, o preço das cotas é em si o resultado da marcação a mercado da carteira daquele fundo de investimento.

Conclusão

A marcação a mercado se posiciona como uma solução para garantir mais transparência para os investidores e segurança financeira para o mercado.

Oficializada pelo Banco Central como método oficial de precificação para aplicações, ele descreve a atualização constante do valor de um investimento.

Agora que você entende tudo sobre o tema e seu impacto nos investimentos, pode usar esse conhecimento para garantir os melhores resultados para seu portfólio.

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Obrigado por ler até aqui!