Como vocês já devem ter lido aqui na Riconnect, a cada 45 dias o Comitê de Política Monetária do Banco Central (o Copom) se reúne para decidir sobre o rumo da nossa taxa básica de juros, a Selic.

Como sabemos da importância dessa taxa nos seus investimentos, a cada 45 dias, o esquenta fica por nossa conta. Assim, você sairá muito bem-informada(o) sobre o que esperar da decisão.

Quer entender mais sobre a taxa Selic? Clique aqui que te contamos!

Para a reunião dessa semana, esperamos que o Copom mantenha a taxa Selic em 13,75% ao ano. O principal destaque será o comunicado após a decisão, que deve destacar crescentes preocupações do Comitê com a piora do risco fiscal (ou seja, da incerteza sobre o futuro das nossas contas públicas) e como isso pode impactar os juros daqui em diante.

Se você quer saber o porquê de tudo isso, é só seguir que te contamos tudo abaixo. 

 

A última reunião do Copom

Como te contamos tudo por aqui, o Copom se reuniu da última vez no dia 26 de outubro, determinando a manutenção da taxa Selic em 13,75% ao ano. Essa foi a segunda manutenção seguida da taxa desde que começou a subir em março do ano passado, indo de 2,00% para 2,75% ao ano, na primeira alta após o início da pandemia da Covid-19.

Desde então, o cenário de inflação no Brasil se tornou misto: com boas notícias no curto prazo, e sinalizações negativas para o médio prazo.

 

A inflação caiu, o que é bom

No curto prazo, a inflação medida pelo nosso principal indicador de preços ao consumidor (o IPCA) caiu, indo de 7,2% no acumulado em doze meses até setembro para 6,5% na mesma métrica até outubro.

Como contamos aqui, não observamos deflação no IPCA em outubro como vimos nos meses anteriores, na esteira da redução de impostos.

 

Porém, a inflação seguiu a tendência de queda, por conta de uma série de fatores, incluindo:

  1. a manutenção dos preços de commodities (mesmo que ainda altos, não pressionam a inflação);
  2. a normalização da produção global de bens e serviços (com preços de fretes e peças, por exemplo, voltando ao normal); e
  3. o efeito dos próprios juros altos na economia, que encarecem o crédito e desaquecem a economia – aliviando a pressão sobre os preços.

 

Bancos Centrais subindo os juros no resto do mundo também ajudaram a controlar a nossa inflação por aqui. Afinal, boa parte do que vemos de preços altos desse lado e ao sul do oceano reflete movimentos “do lado de lá”, e o quanto “mais caro” o dinheiro (sendo o efeito dos juros subindo), menor pressão sobre a alta de preços.

Bancos Centrais subindo os juros no resto do mundo também ajudaram a controlar a nossa inflação por aqui. Afinal, boa parte do que vemos de preços altos desse lado e ao sul do oceano reflete movimentos “do lado de lá”, e o quanto “mais caro” o dinheiro (sendo o efeito dos juros subindo), menor pressão sobre a alta de preços.

Mas o risco fiscal contaminou o médio prazo

Porém, do outro lado, o cenário de médio prazo piorou desde a última reunião do Copom, em outubro.  

Isso pode parecer estranho. Afinal, como a inflação que ainda nem existe (no médio prazo) pode estar pior? Isso ocorre por conta da piora das expectativas de inflação, para o futuro. Quanto mais elas se distanciam da meta de inflação do Banco Central, maior o trabalho do Copom para conter a alta de preços.

Expectativas de inflação: o que são?

As expectativas de inflação são muito importantes para o controle da inflação em si.

A dinâmica é simples: basta pensar que se você acredita que os preços não irão parar de subir no futuro, e você é um prestador de serviços ou mesmo o locatário de um imóvel, existe uma grande chance de que você já subirá o seu preço, para não “ficar pra trás”, certo?

Eventualmente, esse movimento de agentes na economia acaba impulsionando os preços em cadeia, e a inflação efetivamente sobe (no futuro).

 

Essa piora observada no último mês pode ser observada tanto no aumento das taxas cobradas por investidores para emprestar ao governo (em títulos do Tesouro), quanto nas projeções de inflação da pesquisa Focus do Banco Central – que reúne projeções das principais instituições financeiras do país.

A piora das expectativas é explicada, principalmente, pelo aumento da incerteza sobre o futuro das contas públicas do país diante de discussões políticas sobre maiores gastos nos próximos anos – como contamos aqui nesse vídeo sobre a PEC da Transição. Afinal, quanto maior o gasto público, maior a demanda por bens e serviços, maior a tendência de desvalorização da moeda, e maior a pressão sobre os preços na economia.

Te contamos tudo sobre o risco fiscal e seus investimentos aqui!

Com maiores incertezas sobre o controle da inflação no médio prazo, o Banco Central poderá precisar manter os juros altos por mais tempo do que o anteriormente previsto, ou mesmo voltar a subir a taxa Selic.

Por isso, esperamos que o Banco Central anuncie amanhã que manterá os juros onde estão – em 13,75% ao ano – e indique que não considera cortar os juros tão cedo.

O que vem depois?

Optar por manter a taxa de juros no mesmo patamar não significa que não há riscos.

Como falamos, o risco fiscal é um dos principais fatores de preocupação para o controle da inflação no cenário doméstico.

Além disso, a economia global continua cheia de incertezas, especialmente sobre o rumo da taxa de juros nos Estados Unidos. Se o Banco Central americano (o FED) decidir que os juros precisam ir muito além dos 5,00% ao ano para controlar a inflação por lá, podemos ver nossa moeda perdendo (mais) valor, pressionando (mais) os preços. Afinal, juros mais altos nos EUA tendem a atrair investimentos, fortalecendo o dólar contra outras moedas.

Em resumo: acreditamos que o Banco Central não fará nenhuma sinalização de quanto começará a cortar os juros. Por aqui, vemos a Selic em 13,75% ao ano ao menos até os primeiros meses de 2023 – podendo, a depender especialmente das decisões no palco fiscal por aqui, precisar subir ainda mais após isso.

Como investir com juros altos?

Independente de acertarmos “em cheio” o patamar da Selic ou os exatos próximos passos do Copom, a taxa deve seguir alta por um bom tempo. No patamar que chamamos de contracionista, em que a taxa Selic desestimula a economia para conter a alta de preços.

Mas além de crédito mais caro, juros altos também significam oportunidades de investimento. Ou seja, mais uma chance para largar de vez a “boa e velha” poupança.

Os juros altos aumentam a relevância e atratividade da Renda Fixa. Títulos pós fixados, como o Tesouro Selic, continuam oferecendo retorno elevado (de 13,75% ao ano), por seguirem a rentabilidade da taxa Selic.

Já títulos de renda fixa indexados à inflação ajudarão a proteger o patrimônio da ainda presente incerteza da elevação dos preços, assim como fundos de investimento de renda fixa. Confira nossas recomendações de renda fixa aqui.

Bolsa e Fundos Imobiliários

Mas, se era verdade que a Renda Fixa não tinha morrido no período de juros baixos (sempre sendo importante para investimentos como reserva de emergência), também é verdade que outros investimentos seguem trazendo oportunidades nesse período de juros em elevação e inflação pressionada.

Na bolsa, destacamos a RICO11, a carteira recomendada da RicoEla é composta por BDRs (ações de empresas estrangeiras no Brasil) e ações listados na bolsa brasileira, a partir da análise do cenário econômico, reunindo as principais estratégias de ações publicadas pelo time de análise da Rico — todas quantitativas, ou seja, baseadas em dados e modelos estatísticos e com processo de decisão automatizado.

Aqui te indicamos nossa carteira recomendada de Fundos Imobiliários, gratuita para assinantes Riconnect.

Recomendações completas

Confira todas as nossas recomendações, de acordo com cada perfil de investir, no Onde Investir da Rico.

 

Elaborado por:

Paula Zogbi, CNPI 2545

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