• O Copom manteve a taxa Selic, nossa taxa básica de juros, em 13,75% ao ano.
  • O Banco Central reforçou que não deve cortar juros em breve, e ainda espera pelos efeitos dos juros sobre a economia.
  • O objetivo dos juros altos é o controle da inflação, que segue alta e disseminada na economia.
  • O que esperar daqui pra frente e o que isso significa para seus investimentos? Confira no conteúdo completo!

O Comitê de Política Monetária do Banco Central (o Copom) manteve nossa taxa básica de juros (a taxa Selic) em 13,75% ao ano. Na última reunião, em setembro, já tinham decidido pela manutenção da taxa encerrando ciclo de altas iniciado em março de 2021.

No início do ciclo de alta de juros de 2021-22, a taxa saiu de 2,0% para 2,75%, primeira alta após o início da pandemia da Covid-19 – período no qual o Banco Central reduziu os juros para estimular a economia, com o objetivo de minimizar os impactos da pandemia sobre a economia do país.

Quer entender mais sobre como os juros impactam a inflação? Te contamos aqui!

O que disse o Copom?

Após cada reunião, o Copom divulga um comunicado detalhando sua decisão e sinalizando a direção que deve tomar dali em diante em relação à política monetária – ou seja, à taxa de juros.

No comunicado de hoje, o comitê enfatizou a preocupação com o fiscal, indiretamente citando a turbulência recente no Reino Unido e as incertezas quanto ao futuro das regras fiscais no Brasil. Além disso, voltou a reforçar os riscos derivados do cenário global associados à inflação persistente, juros subindo, e menores perspectivas de crescimento adiante. Em outras palavras: um mundo com preços altos, dinheiro mais caro e baixo crescimento econômico.

Já olhando para o Brasil, os diretores chamaram atenção para os preços ainda em ritmo de forte alta em diversas categorias. Ou seja, inflação acima da meta em grupos que normalmente são menos voláteis e que não foram afetados pela redução pontual de impostos, que refletem a economia aquecida (que o Copom quer fazer esfriar com juros altos).

Diante de tudo isso, o Copom optou por manter a Selic em 13,75% ao ano, de modo a seguir no patamar em que desaquece a economia e reduz a pressão sobre os preços.

E depois, o que vai acontecer com a taxa Selic?

Apesar de ter mantido a Selic inalterada, o Banco Central não fechou as portas para outras altas adiante. Isso porque, se por um lado juros 13,75% ao ano já tem forte poder de contração na economia, por outro o cenário está repleto de riscos e incertezas.

Do lado doméstico, a economia brasileira tem crescido mais do que o esperado, com serviços liderando a alta e o mercado de trabalho aquecido – o que aumenta a pressão sobre os preços, como falamos acima.

Apesar disso, não acreditamos que o Banco Central voltará a elevar a taxa Selic nos próximos meses, e sim que inicie um ciclo de cortes em meados de 2023.

O risco fiscal tem papel protagonista. Apesar do governo rodando no azul nesse ano, as contas públicas continuam o principal risco do cenário econômico brasileiro de longo prazo. Independentemente de quem ganhe as eleições no domingo, o teto constitucional de gastos deverá ser substituído por uma nova regra fiscal, que precisa ser avaliada como boa pelo mercado, caso contrário o Banco Central pode se ver obrigado a manter os juros altos por mais tempo (ou mesmo subir ainda mais).

Enquanto isso, o cenário global também segue muito incerto, especialmente quando olhamos para o rumo da taxa de juros nos Estados Unidos. Os dados recentes de inflação e mercado de trabalho adicionam pressão sobre o Banco Central americano (o FED), que decidirá na próxima semana sobre a taxa básica de juros dos EUA. Caso os juros precisem ir muito além dos 4,0% – 4,5% ao ano para controlar a inflação por lá, podemos ver nossa moeda perdendo valor, pressionando os preços. Afinal, juros mais altos nos EUA tendem a atrair investimentos, fortalecendo o dólar contra outras moedas e ativos mais arriscados.

Mantemos nossa projeção de Selic em 13,75% para o fim do ano. Acreditamos que a Selic seguirá nesse patamar elevado até a segunda metade do ano que vem – quando deve começar a cair lentamente, até cerca de 10,00% ao final de 2023.

Quais os impactos da decisão?

Para o mercado, especialmente no cenário de renda fixa, não esperamos mudanças relevantes nos preços dos ativos. Isso porque a expectativa do mercado para as próximas reuniões está próxima a um consenso pela manutenção da taxa de juros.

Já para o dia a dia do brasileiro, a manutenção da Selic tem menor impacto imediato. Isso porque a política monetária opera com defasagem. Ou seja, a redução ou elevação de juros por parte do Banco Central demora um tempo significativo (por volta de 6 a 9 meses) para começar a ser sentida na economia – e, assim, nos preços.

Isso significa que continuaremos a sentir os efeitos das altas passadas aos poucos, mesmo com a Selic agora inalterada. Por exemplo, já podemos sentir o encarecimento gradual de diferentes modalidades de crédito, com juros médios de novos empréstimos em alta, consumindo uma proporção maior da renda da população e desestimulando o consumo. E esse movimento tende a seguir ganhando força.

Assim, esperamos que a inflação (medida pelo IPCA, nosso principal indicador de inflação do país) termine 2022 em 5,6% ao ano. Apesar de ainda acima da meta do Banco Central (de 3,50%), é uma forte redução em relação aos dois dígitos vistos na primeira metade do ano.

Dito isso, vale lembrar que inflação caindo significa que os preços passam a subir mais devagar, e não necessariamente que passam a cair (o que seria uma deflação). Ou seja, não espere que os preços de bens e serviços caiam, com algumas exceções (como gasolina e gás de cozinha, por conta da redução temporária de impostos).

Elaborado por:

Paula Zogbi, CNPI 2545

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