maio 27, 2020

ROA: O que é, como calcular e analisar esse indicador!  

O ROA (Retorno sobre Ativos) é uma métrica que indica a rentabilidade de um empreendimento ou investimento, usando ativos como régua e instrumento de comparação.

A conta é utilizada tanto por administradores de empresas, que desejam medir a eficiência de suas ações, como também por investidores, que querem descobrir qual retorno podem ter ao investir em ações de uma companhia.

Nos dois casos, o ROA atua com o objetivo de identificar a capacidade que a organização tem de gerar lucros a partir de seus ativos.

Dito de outra forma, a conta é capaz de indicar qual percentual dos ativos deve retornar em lucratividade para os negócios.

E por que isso é importante?

Em muitos casos, quem trabalha com gestão financeira acaba cometendo o erro de olhar somente para os lucros na hora de determinar a saúde financeira de uma empresa.

Porém, sabemos que uma análise completa precisa avaliar outros fatores para determinar se, em comparação com os recursos produtivos, o valor gerado está além ou aquém das expectativas.

É nesse sentido que o ROA entre em ação, apresentando um método fácil e rápido para guiar as escolhas da gestão.

Continue lendo para saber mais sobre o ROA, aprender como fazer o cálculo e também uma análise adequada dos resultados apresentados.

Estes são os tópicos que preparamos para a sua leitura:

  • O que é ROA?
  • O que é ativo total médio?
  • Qual a diferença entre ROA, ROE e ROI
  • O que é ROA negativo?
  • Qual a importância do ROA para a análise de investimento 
  • Como analisar o ROA na prática
  • Entenda os cuidados que você deve ter ao analisar o ROA
  • Como calcular ROA
  • Qual é a fórmula do ROA no Excel.

Se restar alguma dúvida ao final, é só deixar um comentário.

O que é ROA?

ROA é a sigla atribuída ao cálculo de Retorno sobre Ativos – no original em inglês, Return on Assets.

A conta ajuda a entender o quanto uma empresa é rentável em relação ao total de ativos que ela dispõe.

Não é raro que as pessoas confundam os conceitos de ativos e patrimônio líquido – este último utilizado no cálculo do Retorno sobre Patrimônio Líquido (ROE).

Na relação dos recursos produtivos que são considerados como ativos, entram todos os itens onde o capital está investido ou que representam uma promessa de lucro para o futuro.

Em outras palavras, o patrimônio líquido representa o dinheiro “livre”, enquanto um ativo é o capital aplicado em contratos, mercadorias e estrutura.

Nesse grupo, entram os estoques de produtos e insumos, o maquinário, os prédios que a companhia possui, investimentos e contratos a receber no futuro.

O ROA ajuda o gestor a analisar a eficiência dos negócios ao permitir que ele enxergue, nos números, a capacidade que a empresa possui para dar retorno para seus acionistas.

De modo geral, podemos dizer que essa métrica nos permite entender quais foram os ganhos registrados no período a partir do capital investido.

Assim, revela uma noção sobre a capacidade daquela organização de gerar valor.

O que é ativo total médio?

Dissemos que o ROA representa o Retorno sobre Ativos, mas, o que são esses ativos, afinal de contas?

Essa informação é encontrada dentro do demonstrativo financeiro da empresa, na seção de balanço patrimonial.

Os ativos são divididos entre ativo circulante (o dinheiro em caixa) e ativo imobilizado (equipamentos, prédios, etc.).

Da soma dessas duas categorias resta o ativo total médio.

Qual a diferença entre ROA, ROE e ROI

Imagem escrito ROA com algumas oessias na frente com roupas e instrumentos de trabalho - Desenho.
O ROA (Retorno sobre Ativos) é essencial para você que deseja investir com qualidade!

Até agora falamos do Retorno sobre Ativos e da sua importância para a prática cotidiana e a tomada de decisão dos gestores.

Essa métrica é bastante importante, pois nos indica qual é a capacidade da empresa de transformar seus recursos produtivos em mercadorias que têm valor para o consumidor final.

No fim, esse retorno se dá em lucratividade para operação – que é o foco de qualquer empreendimento e que interessa também a acionistas e potenciais investidores.

Enquanto o ROA trabalha com o capital aplicado em maquinário, prédios, insumos e outros, o ROE está voltado para os recursos liquidados.

Em inglês, a sigla significa Return on Equity e é comumente traduzida como Retorno Sobre o Patrimônio Líquido.

Toda empresa deve ter um dinheiro guardado para financiar seu funcionamento e garantir a continuidade dos negócios.

Isso é o patrimônio líquido.

Diferente do ROA, o ROE considera apenas as fontes de capital “livre”, ou seja, valores que não estão amarrados em elementos da estrutura ou contratos futuros.

Por último, o ROI representa a métrica de Retorno sobre Investimento – ou Return Over Investiment, no original em inglês.

O termo é familiar para quem trabalha nas áreas de marketing ou gestão financeira, mas também a investidores que analisam empresas de capital aberto.

Na conta do ROI, é possível descobrir qual é retorno obtido por cada R$ 1 que foi investido, verificando qual é a proporcionalidade entre o valor aplicado e o retorno obtido. 

O que é ROA negativo?

Pode ser que o seu cálculo de Retorno sobre Ativos resulte em um número negativo.

Nesses casos, é importante saber como interpretar essa informação e, mais importante, como reverter o quadro.

Para realizar a conta, a empresa deve ter ativos com os quais conta para manter sua produtividade.

Pela lógica, quanto mais ativos a companhia tiver, menor será o seu ROA, pois o retorno representará uma porcentagem menor do total de propriedades da empresa.

Da mesma forma, se a organização tiver uma quantidade mínima de posses, o retorno será percentualmente menor.

Erros de gestão ou crises econômicas podem fazer com que a empresa passe um grande período sem apresentar lucros, tendo que apelar para o patrimônio líquido e os ativos para cobrir as contas e manter as portas abertas.

Assim, estaremos lidando com um ROA negativo, já que não há rendimentos no mês.

Nesses casos, o capital da empresa pode chegar perto do esgotamento e a gestão acaba tendo que recorrer ao capital de terceiros – bancos e instituições de crédito, na maioria das vezes – para manter a empresa em atividade.

Essa situação é bastante desfavorável para a saúde dos negócios.

Para sair dela, o pagamento das dívidas deve ser priorizado e um corte de gastos promovido para que a empresa possa se reerguer e reestruturar seu patrimônio líquido e seus ativos.

Qual a importância do ROA para a análise de investimento

Mulher mexendo no notebook em dados de ROA.
A taxa de rentabilidade deve ser mensurada e analisada antes de investir no mercado.

Na hora de montar sua estratégia de investimento, o uso do ROA pode ser valioso no sentido de garantir que vai aplicar o seu capital naqueles ativos com maior potencial de retorno financeiro.

Em geral, a taxa de rentabilidade (ou ROE) é uma das primeiras a serem observadas por quem pretende investir no mercado de ações.

Porém, a análise do Retorno sobre Ativos também é importante para entender como aquela empresa tem performado. 

Isso porque o ROA fala sobre a capacidade de uma companhia em gerar valor a partir dos seus recursos.

É possível, por exemplo, que uma empresa iniciante e que tem recursos escassos tenha uma métrica melhor do que outra consolidada no mercado há anos.

Nesse sentido, o Retorno sobre Ativos nos fala sobre o potencial da companhia para o futuro próximo, já que, conforme os recursos produtivos e os ativos aumentam, os lucros irão aumentar proporcionalmente.

Assim, em poucos anos, aquela empresa pequena com um alto ROA pode dar um salto de crescimento, aumentando ainda mais o retorno oferecido a seus acionistas em dividendos e na possibilidade de liquidez.

Como analisar o ROA na prática

Na hora de analisar o Retorno sobre Ativos, são vários os fatores que devem ser levados em consideração.

Entre eles, o nível de maturação da empresa, o seu histórico de resultados e o contexto socioeconômico no qual ela está inserida.

Além disso, você precisa ter em mente qual é o seu objetivo com a análise para que consiga olhar para os pontos de atenção.

Com o ROA, os gestores ganham informações significativas sobre a produtividade de sua empresa e podem trabalhar com uma meta de melhoria da métrica.

Para quem avalia onde investir capital, o Retorno sobre Ativos também é útil quando associado a outras análises.

Na prática, ele funciona como um compasso sobre a capacidade de crescimento da companhia e aponta o maior potencial de evolução.

Entenda os cuidados que você deve ter ao analisar o ROA

Ao utilizar o ROA para fundamentar sua tomada de decisão, existem alguns fatores que merecem atenção para garantir que você não acabe com uma visão distorcida dos fatos.

É preciso ter em mente que uma análise baseada puramente em métricas não é o caminho ideal.

A avaliação do Retorno sobre Ativos ganha força quando associada a outros métodos que permitam ao investidor entender como o empreendimento gera lucros e quais são seus planos para o futuro.

Empresas que contam com um ROA alto podem até indicar um potencial de crescimento.

Contudo, isso só deve se sustentar se houver um cuidado em manter sua vantagem competitiva, que é o que garante o sucesso dos negócios.

Como calcular ROA [Exemplo]

Para calcular o Retorno sobre Ativos, você antes deve reunir as informações que são utilizadas dentro do cálculo: lucro líquido e ativo total.

Será preciso reunir os dados da lucratividade observada dentro de um período – em geral, trabalhamos com o ano fiscal ou o período de 12 meses anteriores à análise.

O lucro líquido ou lucro operacional surge quando subtraímos os custos operacionais do total de lucro bruto registrado.

Nos gastos operacionais, estão as despesas com insumos, tributação e recursos humanos.

No que tangem os investimentos, uma particularidade do lucro líquido é que ele vem depois do pagamento de dividendos para ações preferenciais e antes de pagar dividendos para quem possui ações ordinárias.

Em seguida, você vai precisar contabilizar o ativo total médio que a empresa dispôs durante o período analisado.

Em geral, essa informação é dada no demonstrativo financeiro da companhia, na seção que fala sobre o balanço patrimonial.

No total de ativos estão o ativo circulante – que é o dinheiro em caixa – e o ativo imobilizado – a soma do valor de todos os recursos produtivos como equipamentos, terrenos, prédios, contratos futuros, etc.

Agora que você já tem todos os dados, pode aplicá-los na fórmula do ROA para descobrir qual é o seu valor.

  • ROA = Lucro líquido ÷ Ativo total x 100

Com essa fórmula, nós temos descrito o raciocínio básico utilizado para definir o percentual e Retorno sobre Ativos de uma empresa.

Seja você um gestor ou um investidor, a conta do ROA continua a mesma e pode ser aplicada para avaliar a produtividade da companhia a partir de ambas as perspectivas.

Vamos supor, por exemplo, que uma empresa apresentou um lucro operacional de R$ 340 mil e tem um ativo total avaliado em R$ 2 milhões.

Ao adicionarmos esses dados na fórmula, chegamos ao resultado de 17% de Retorno sobre Ativos do empreendimento.

Qual é a fórmula do ROA no Excel

O cálculo do Retorno sobre Ativos pode ser um pouco desafiador para aqueles que não têm muita familiaridade com os números.

Em um primeiro momento, a consolidação dos dados é uma das partes mais fáceis.

Isso porque os valores de lucro líquido e ativo total costumam vir especificados de maneira clara no demonstrativo financeiro da companhia de capital aberto.

E isso exclui a necessidade de contabilizar todos os bens sempre que precisar calcular o ROA.

Mas, quem quiser facilitar ainda mais essa tarefa, pode lançar mão do Excel e utilizar uma fórmula que permite o cálculo automático. Confira:

Exemplo de ROA numa planilha.

Conclusão

O Retorno sobre Ativos é uma métrica muito útil para quem deseja medir a rentabilidade de uma empresa.

A conta usa os dados de lucro líquido e total de ativos para ajudar o gestor ou investidor a definir se os negócios têm caminhado de maneira favorável. 

O ROA pode ser utilizado tanto por quem está administrando uma empresa quanto para aqueles que buscam entender a viabilidade de um investimento.

No primeiro caso, ele serve para avaliar se a companhia está fazendo um bom uso dos seus recursos produtivos, usando toda sua estrutura de ativos para gerar lucro no fim do mês.

Para os investidores, essa é uma métrica que ajuda a entender como foi a produtividade da empresa durante o período analisado e sua eficiência de maneira geral.

Uma empresa pequena com uma alta taxa de Retorno sobre Ativos, por exemplo, indica um potencial de crescimento no futuro próximo a partir da acumulação de capital.

Junto com o ROE e o ROI, o ROA é um importante indicador de produtividade que pode ser utilizado na gestão financeira.

Ao analisar empresas de capital aberto e comparar suas ações, tenha esses indicadores em mente antes se decidir pelo investimento.

E quando o momento de investir chegar, conte com a Rico. 

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Obrigado por ler até aqui!