• Projeções econômicas são essenciais para investidores estarem prepararmos para o que vem adiante.
  • Um mundo marcado pela incerteza da inflação e dos juros em alta, e um Brasil que cresce mais do que o esperado, mas sofre os impactos do crescimento do risco fiscal vindo de Brasília.
  • Confira na íntegra o que esperar para a economia em agosto e não seja pego de “calças curtas”.

Não seja pego de calças curtas!

Para quem não segue o mercado tão de perto, pode parecer estranho. Mas, de tempos em tempos, economistas mundo afora se debruçam sobre modelos matemáticos, e constroem projeções para o cenário econômico. Conforme o cenário evolui, eventos acontecem, decisões políticas são tomadas, dados econômicos são divulgados, e essas projeções vão sendo refinadas, revisadas.

Os juros seguirão nessa trajetória? A inflação precisa ser revisada — para cima, para baixo? E o PIB: o país vai crescer como esperávamos há um mês ou dados e acontecimentos mudaram a nossa visão para a atividade econômica? E, claro, a clássica: e o dólar?

Projeções macroeconômicas são importantes para todo investidor pelo motivo principal de ajudar a nos prepararmos para o que vem adiante. Ou seja, não ser pego de “calças curtas”.

Isso não significa que, olhando as projeções, você saberá “o dia exato em que o dólar vai cair para entrar em um fundo internacional ou comprar todo o dinheiro para aquela viagem ao exterior”. Pois isso, infelizmente, será praticamente impossível. E sim, que você entenderá melhor as tendências da economia, que é o principal pano de fundo do cenário financeiro.

Assim, poderá pensar em como adaptar seus investimentos (ou manter tudo como está, se for o caso), pensando no seu perfil de risco e objetivos.

Com isso em mente, detalhamos abaixo nossas principais projeções macroeconômicas para este ano e o próximo.

Onde estamos? O cenário no mundo

Como te contamos em detalhes no Onde Investir desse mês, os principais temas por trás dos movimentos de mercados ao redor do mundo atualmente seguem dois velhos conhecidos de nós, brasileiros, mas nem tanto do mundo desenvolvido: inflação e juros altos.

Com o ritmo de preços atingindo patamares recordes ou há muito não vistos em países como Estados Unidos, Alemanha e Reino Unido, uma guerra ainda em andamento e juros subindo rapidamente, cresce a preocupação acerca de uma forte desaceleração da economia global – ou até mesmo uma recessão.

Afinal, juros mais altos têm o objetivo de frear a inflação, mas o efeito colateral é um freio na própria economia.

Nesse contexto, a marca do que chamamos de “recessão técnica” nos Estados Unidos no primeiro semestre do ano aumentou a aversão ao risco entre investidores. Mas, como contamos nesse texto, a maior economia do mundo segue aquecida, com mercado de trabalho sólido e lucros de empresas crescendo. 

Já do outro lado do mundo, a China se recupera lentamente das consequências da rígida política de covid-zero, mas deve crescer menos nesse ano do que o esperado anteriormente. 

Mas se há um “lado bom” nisso tudo (se é que podemos chamar assim) é que as expectativas de uma desaceleração econômica no mundo enfraquecem os preços de commodities, ajudando no combate à inflação. Afinal, uma economia que cresce menos, consome menos, produz menos e, consequentemente, demanda menos insumos básicos para produção.

Enquanto isso, no Brasil

A economia cresce mais do que o esperado.

A atividade econômica aqui no Brasil continua em trajetória de alta e tendência melhor do que a esperada. Ou seja, nosso PIB (o fluxo de tudo o que produzimos de bens e serviços no país) vem crescendo mais do que o imaginado anteriormente.

Por trás da surpresa positiva estão uma série de fatores, incluindo a força da reabertura da economia – com atividades voltando ao normal, especialmente no setor de serviços – o uso de parte da poupança acumulada durante a pandemia e a recuperação do emprego, também impulsionada pelo fim das restrições de mobilidade. Vale notar que mais de 70% da nossa economia é composta por serviços, que é também o setor que mais emprega no país.

Além disso, o aumento das transferências governamentais de recursos fortalece a massa de renda disponível das famílias – ou seja, mais dinheiro para ser direcionado ao consumo. Lembrando que, após a liberação de saques emergenciais do FGTS e adiantamento de benefícios de aposentados, o Congresso aprovou um pacote de gastos sociais válidos até o fim desse ano. Entre eles, o aumento do valor e número de beneficiários do Auxílio Brasil e outros benefícios, como vale gás e auxílio para caminhoneiros.

Deste modo, o consumo das famílias tem sido e deve seguir como um dos principais propulsores da economia brasileira, apesar da inflação pressionada e dos juros altos encarecendo o crédito.

Assim, esperamos crescimento de 2,2% para o PIB de 2022.

Inflação segue como pedra no sapato – e fiscal: o calo

Como contamos aqui em mais detalhes, a inflação deu certo fôlego no último mês, por conta principalmente da redução de impostos sobre combustíveis, telecomunicações e energia elétrica. Porém, os preços seguem bastante pressionados, acumulando alta de 10,07% nos doze meses até julho.

Ou seja, apesar da desaceleração recente, a inflação segue como principal desafio dos brasileiros atualmente e preços devem seguir altos por um bom tempo.

Dito isso, o resultado de julho também sinalizou que o pior da inflação parece ter ficado para trás, ao menos por ora. Assim, devemos ver alguma desaceleração nos próximos meses, impulsionada pelos juros mais altos (que demoram certo tempo para serem sentidos), pela queda no preço de commodities no mundo (como mostramos logo acima), além da normalização da produção e escoamento de bens e serviços– as famosas cadeias globais de valor.

Por outro lado, a sinalização de que os maiores gastos do governo aprovados para esse ano devem permanecer no ano que vem (não sendo apenas temporários) reacenderam a luz amarela sobre as nossas contas públicas, marcando a volta do conhecido risco fiscal.

Afinal, gastos adicionais não apenas pressionam a inflação atual por meio do aumento da renda e do consumo hoje, como também precisam ser pagos no futuro – com mais dívida, maiores impostos ou mais emissão de “dinheiro” (no caso, inflação).

Esse aumento da percepção de risco também piora as expectativas sobre a inflação no futuro, e enfraquece nossa moeda, que por sua vez bate novamente na inflação. Quanto mais desvalorizada a moeda, “mais dinheiro preciso para importações”, e maior a inflação.

Assim, esperamos que a inflação encerre esse ano em 7,0%, e em 5,5% no ano que vem – abaixo dos dois dígitos, mas ainda acima da meta do Banco Central, de 3,5% para 2022 e 3,25% para 2023.  

Como sempre, vale destacar: inflação caindo não significa que os preços irão cair, e sim que eles passarão a subir mais devagar.

Os juros respondem

Para combater a alta de preços, o Banco Central deve seguir sua política de juros elevados. Como contamos aqui em mais detalhes,o Copom (nosso comitê de política monetária) elevou a taxa Selic mais uma vez em agosto, para 13,75% ao ano.

Diante da inflação ainda pressionada e muita incerteza em torno da trajetória das contas públicas, entendemos que o Copom deve manter a Selic nesse patamar até meados do ano que vem – quando deve começar um processo de gradual redução da taxa.

Nesse cenário, voltamos para o PIB. Como resultado dos juros mais altos por mais tempo, um mundo que cresce menos, e maior incerteza fiscal, a economia deve perder fôlego a partir do fim de 2022. Lembrando que juros altos encarecem o crédito e impactam o endividamento das famílias e empresas, desestimulando o consumo e a economia como um todo.

Falamos mais sobre essa relação entre juros e inflação nesse podcast e nesse texto.

Assim, vemos o PIB crescendo apenas 0,5% em 2023.

Como investir nesse cenário?

Agora que você já está atualizado da nossa visão para a economia nos próximos meses, confira no gráfico abaixo nossas recomendações de investimento atualizadas, de acordo com o seu perfil de investidor, e algumas sugestões de ativos recomendados nesse cenário.

Vale lembrar que as recomendações sinalizadas na tabela abaixo não são as únicas possíveis, mas sim alternativas viáveis selecionadas pelos nossos especialistas para você.

Confira tudo isso em detalhes no nosso relatório “Onde Investir” – acesse aqui o desse mês!

ClasseOpção de investimentoAplicação mínima
Renda fixa pós-fixadaTrend Di Simples FIRFR$100,00
InflaçãoTesouro IPCA 2026R$31,27
Renda Fixa PrefixadaTesouro Prefixado 2025R$31,56
Renda Fixa GlobalTrend High Yield Americano FIMR$100,00
MultimercadoSelection Multimercado FIC FIMR$100,00
Renda variável BrasilCesta de ações “No Stress” Rico
Renda variável InternacionalTrend Bolsa Americana Dólar FIMR$100,00
Renda variável internacional hedgeadaTrend Bolsa Americana FIMR$100,00
AlternativosTrend Commodities FIMR$100,00

Elaborado por:

Paula Zogbi, CNPI 2545

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