• Inflação registra queda em julho, puxada pela redução de impostos.
  • Para o dia a dia do brasileiro, a sensação de perda do poder de compra persiste, com IPCA acima de 10%. Mas o pior parece estar ficando para trás.
  • Entenda o que levou a queda do IPCA e qual nossa projeção para inflação nos próximos meses

A inflação medida pelo IPCA, nosso principal indicador de preços ao consumidor, registrou queda de 0,68% em julho. O resultado levou o índice para 10,07% no acumulado em doze meses, desacelerando em relação ao observado em junho – em 11,89%.

Apesar da desaceleração, o indicador já acumula alta de 4,77% desde janeiro, acima da meta do Banco Central para o acumulado no ano – de 3,50%.

Redução de impostos derruba preços, mas serviços seguem fortes

O resultado de julho veio levemente abaixo das expectativas da maior parte dos analistas de mercado, e a deflação no mês foi puxada especialmente pela redução de impostos sobre o preço de combustíveis, eletricidade e telecomunicação. Ou seja, uma redução de preços determinada por mudanças legislativas, de natureza temporária.

Dito isso, o resultado de julho também sinaliza o início (mesmo que bastante gradual) da perda de força em alguns preços – especialmente em produtos industrializados.

A normalização gradual das cadeias de valor no mundo, com o arrefecimento de casos de covid-19 na China, a queda recente no preço de commodities no mundo e o enfraquecimento da demanda “reprimida” pela pandemia tem contribuído para a melhora da oferta de bens e insumos básicos ao redor do mundo.

Ou seja, a produção, escoamento e venda/compra de produtos no mundo começa a voltar ao normal, e isso ajuda a segurar a alta de preços. O gráfico abaixo ilustra essa melhora – quanto maior o índice, mais pressões há sobre as cadeias de produção globais, como elevados preços de frete, tempo de entrega, baixos estoques etc.     

Por outro lado, o resultado mensal também mostrou que os preços de serviços seguem bastante pressionados. A alta de serviços como alimentação fora de casa e despesas pessoais foi destaque, ainda impulsionados por efeitos da reabertura econômica.

Assim, para o dia a dia do brasileiro, a sensação de perda do poder de compra persiste, mas perde força aos poucos. O enfraquecimento do índice de difusão da inflação reflete esse movimento, tendo caído para 63% após atingir 78% em abril. Ou seja, apesar de a inflação seguir disseminada entre bens e serviços na economia (não se restringindo a poucos itens), há sinais de que o pior ficou para trás.  

O que esperar?

No mundo, a continuidade da guerra entre Rússia e Ucrânia (e o impacto principalmente sobre o fornecimento de energia para a Europa) e o mercado de trabalho e economia ainda aquecidos nos Estados Unidos devem seguir pressionando os preços internacionalmente.

Por outro lado, o esforço de Bancos Centrais ao redor do mundo em subir os juros e reduzir os estímulos implementados para combater os efeitos a pandemia já começam a impactar expectativas sobre a inflação futura – um ponto crucial para o controle dos preços.

No Brasil, esperamos que a taxa Selic permaneça em 13,75% ao ano (ou pouco acima disso) até pelo menos o meio do ano que vem. Já nos Estados Unidos, os juros básicos devem subir até o patamar no qual passará a desestimular a economia – o que chamamos de território contracionista.

De maneira simplificada, “menos dinheiro no mundo = menor pressão sobre os preços”.

Por que os juros sobem?

A elevação da nossa taxa básica de juros, a Selic, por parte do Banco Central tem como objetivo controlar a subida dos preços, sendo a base para todas as taxas de juros na economia.

Juros altos encarecem o crédito, ajudam a valorizar a nossa moeda (com maiores juros aqui, atraímos mais de capital estrangeiro), e impactam as expectativas sobre onde estarão os preços no futuro.

Além disso, juros altos também contribuem para a atração de capital estrangeiro ao país. Com mais moeda estrangeira entrando, nossa moeda valoriza – ajudando, assim, na alta de preços internamente.

Te contamos tudo isso em mais detalhes aqui.

Ao mesmo tempo, a expectativa cada vez maior de que a economia global perca força nos próximos meses (justamente na esteira da inflação alta e dos juros subindo) já tem derrubado o preço de muitas commodities. Afinal, uma economia que cresce menos, consome menos, e consequente, demanda menos insumos básicos para produção. 

Assim, projetamos que a inflação encerre esse ano em 7,00% – uma redução frente ao patamar atual, mas ainda muito acima da meta do Banco Central (de 3,50%).

Vale lembrar que a projeção de queda da inflação não significa que os preços vão cair de maneira geral. E sim, que eles passarão a subir mais lentamente. Isso porque inflação caindo é diferente de deflação – o último é o que vemos hoje com o preço da gasolina, causado pela redução de impostos estaduais e federais.

Como se proteger da alta de preços?

Nesse cenário de inflação alta, proteger os investimentos torna-se mais essencial do que nunca. Títulos indexados à inflação, como o Tesouro IPCA + 2026, debêntures de empresas sólidas e boas classificação de risco, e fundos de inflação (fundos de investimento que investem em ativos indexados à inflação) são ótimas alternativas. Falamos mais das melhores oportunidades de renda fixa aqui.  

Os ativos reais também ficam especialmente interessantes nesse momento. Esses ativos costumam ter seus preços reajustados pela inflação global, representando uma posição estratégica contra a alta de preços e diante dos desafios nas cadeias de produção globais. São exemplos de ativos reais as commodities minerais e agrícolas, e metais preciosos. Uma alternativa simples para acessar esses investimentos é por meio do eTrend Ativos reais.

Mas não só de proteção contra a inflação devem viver os investimentos nesse momento. Por isso, selecionamos abaixo algumas sugestões de diferentes ativos recomendados – sempre lembrando da importância da diversificação.

ClasseOpção de investimentoAplicação mínima
Renda fixa pós-fixadaTrend Di Simples FIRFR$100,00
InflaçãoTesouro IPCA 2026R$31,27
Renda Fixa PrefixadaTesouro Prefixado 2025R$31,56
Renda Fixa GlobalTrend High Yield Americano FIMR$100,00
MultimercadoSelection Multimercado FIC FIMR$100,00
Renda variável BrasilCesta de ações “No Stress” Rico
Renda variável InternacionalTrend Bolsa Americana Dólar FIMR$100,00
Renda variável internacional hedgeadaTrend Bolsa Americana FIMR$100,00
AlternativosTrend Commodities FIMR$100,00

Elaborado por:

Paula Zogbi, CNPI 2545

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