• O PIB dos Estados Unidos caiu por dois trimestres seguidos. Ou seja, a economia americana entrou em recessão técnica.
  • A queda reflete a desaceleração da maior economia do mundo diante da inflação alta e juros subindo.
  • O que isso significa e o que esperar para os Estados Unidos, para o mundo, e para o Brasil?
  • Confira tudo isso no texto na íntegra!

De acordo com dados oficiais, o PIB dos Estados Unidos – que se refere ao fluxo de tudo o que o país produz em termos de bens e serviços em determinado período – registrou queda de 0,9% no segundo trimestre de 2022.

Isso significa que a economia americana encolheu praticamente 1% no período entre abril e junho, em comparação com o período entre janeiro e março deste ano.

Seguindo a terminologia econômica, isso significa que o país entrou em uma recessão técnica, uma vez que houve queda do PIB em dois trimestres seguidos.

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Por que o PIB americano caiu?

O resultado do PIB veio pior do que o esperado pela maior parte dos analistas de mercado, e foi puxado especialmente pelas quedas em investimento, tanto privado quanto do governo – esse último bastante influenciado pela queda dos estímulos fiscais no pós pandemia.

O enfraquecimento do setor imobiliário no país (um dos mais importantes para a economia americana) reflete esse cenário, sinalizando queda no número de construções e vendas de imóveis, diante do alto preço e do encarecimento de financiamentos.

Outro destaque foi a perda de fôlego no consumo das famílias, que vinha sendo um dos principais motores do crescimento pós pandemia. Diante da alta de preços de bens e serviços, especialmente alimentos e combustíveis, muitas famílias começam a reduzir o consumo, preocupadas com a queda no nível de suas poupanças.

O que esperar?

Apesar da queda do PIB e do cenário de recessão técnica, não esperamos que a economia americana entre um período de forte contração e crise – como o vivido, por exemplo, nos anos que seguiram a quebra do banco de investimento Lehman Brothers em 2008 e da eclosão da bolha financeiro-imobiliária no país.

Primeiro, porque o mercado de trabalho segue robusto, com o desemprego no país em nível historicamente baixo após a forte queda na pandemia. Ou seja, os americanos seguem em sua grande maioria com uma fonte de renda fruto do trabalho, e níveis de poupança ainda próximos ao patamar histórico – apesar da queda substancial nos últimos meses, impulsionada pela alta dos preços.

 

Além disso, tanto o setor financeiro quanto as famílias e grande parte das empresas encontram-se em melhor situação financeira do que aquela observada em 2008. Assim, apesar de sentirem os impactos do crédito mais caro e de uma economia mais fraca, não devem enfrentar situações como falências e inadimplência em massa.

Assim, não esperamos que o cenário de recessão técnica perdure, projetando crescimento de 1,6% para a economia americana nesse ano.

Mas, como em tudo na vida e em economia, há riscos. Nesse caso, o principal deles é o efeito da alta de juros sobre a inflação.Afinal, como falamos aqui em mais detalhes, uma das principais razões da desaceleração da economia é o “freio” imposto pelos juros mais altos.

Assim, se a inflação voltar à normalidade, o Banco Central americano terá espaço para aliviar a alta dos juros por volta do fim do ano que vem, e a economia poderá caminhar novamente para o crescimento. Caso contrário, os juros podem precisar subir ainda mais, aprofundando a recessão – mas vemos esse cenário como menos provável.

Como uma recessão nos Estados Unidos afeta o Brasil?

Independente de “acertarmos em cheio” a performance do PIB dos Estados Unidos nos próximos meses, sabemos que qualquer desaceleração na economia americana tende a impactar grande parte do mundo, inclusive o Brasil. Afinal, trata-se da maior economia do mundo, e segundo principal parceiro comercial do Brasil (em importações e exportações).

Além disso, o cenário de inflação alta e juros subindo (para conter os preços) também não se limita aos Estados Unidos. Pelo contrário, esse se tornou o principal desafio econômico global, cominflação se aproximando dos 10% mesmo em regiões como a Zona do Euro e o Reino Unido.  

Assim, a probabilidade de uma recessão global também ganha força, trazendo volatilidade aos mercados ao redor do mundo e aumentando a chance de contágio ao Brasil e outros países. Dito isso, o fato de termos saído na frente em relação ao aumento das taxas de juros posiciona o Brasil relativamente bem na batalha contra a inflação – nossa taxa Selic se encontra hoje acima de 13% ao ano, e os juros reais próximos a 6%.

Além disso, o Brasil pode se beneficiar de uma retomada do crescimento na China. Após uma queda brusca da economia por conta dos lockdowns no país na primeira metade do ano, o governo chinês deve pisar no acelerador dos estímulos – tentando recuperar parte do crescimento perdido no ano. Assim, enquanto o mundo caminha para a desaceleração, a China deve tentar remar no sentido contrário, sem o desafio da inflação alta e da necessidade de alta de juros.

Nesse contexto, esperamos que a economia brasileira cresça 2,2% esse ano, puxada especialmente pela retomada do setor de serviços ainda na esteira do fim da pandemia, pela melhora do mercado de trabalho e impulsionada pelo preço de commodities. 

Não obstante, o Brasil também é isolado do mundo. Assim, além da esperada desaceleração do crescimento por conta da alta de juros, do fim dos efeitos da reabertura econômica no ano que vem e da incerteza eleitoral, uma desaceleração da economia global tende a impactar nossa economia por aqui – levando a uma perspectiva de crescimento de 0,5% do PIB em 2023.

Como investir com os Estados Unidos em crise?

Como falamos, o processo de desaceleração de crescimento e alta de juros nos EUA tem impactado os mercados não somente por lá, mas também ao redor do mundo. Afinal, estamos falando da maior economia do mundo e do centro financeiro global.

Assim, atitudes como manter um caixa fortalecido para boas oportunidades de investimentos e imprevistos, sua carteira diversificada e protegida contra a inflação e o foco em retornos de longo prazo serão seus maiores aliados.

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Elaborado por:

Paula Zogbi, CNPI 2545

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