• A inflação nos EUA seguiu perdendo força devagar em setembro, mas continua em patamar historicamente alto.
  • A notícia pode parecer distante do dia a dia do brasileiro, mas é positiva.

Entenda o movimento dos preços na maior economia do mundo e os impactos no Brasil. 

A inflação nos EUA, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor (CPI), registrou alta de 0,4% em setembro de 2022

O resultado da CPI de setembro de 2022  levou o acumulado em doze meses para 8,2% – uma desaceleração em relação aos 8,3% observados até agosto de 2022, puxada especialmente por preços de combustíveis, na esteira da queda dos preços do petróleo no mês. 

Apesar da queda, o resultado de setembro veio acima das expectativas da maior parte dos analistas de mercado, reforçando a percepção de que a inflação nos EUA segue bastante persistente, não devendo ceder tão rápido quanto muitos esperavam (e desejavam).

Gráfico demonstrativo da inflação dos EUA (CPI) nos últimos doze meses.

Por que a inflação nos EUA importa?

Para o dia a dia do brasileiro, a notícia pode parecer distante, mas é importante. 

Primeiro, porque também “importamos” parte da inflação de bens e serviços americanos. Os Estados Unidos são nosso segundo principal parceiro comercial, de quem importamos diversos produtos e serviços, como máquinas e equipamentos e serviços de tecnologia e comunicação.  

Assim, quanto maior a inflação por lá, maior a inflação no Brasil dos produtos que importamos por aqui – impactando nossa inflação. 

Segundo, porque o comportamento da inflação nos EUA sinaliza movimentos de preços que também sentimos por aqui.  

Por exemplo, o resultado de setembro indicou o enfraquecimento no preço de importantes commodities, como alimentos e combustíveis, além da perda de fôlego no preço de alguns produtos industriais – que refletem uma melhora substancial das cadeias de produção globais. 

Assim, apesar da persistência de pressões inflacionárias especialmente no setor de serviços americano (por conta do mercado de trabalho bastante fortalecido), a perda de força de movimentos de caráter mais global é boa notícia também por aqui.

Juros subindo nos Estados Unidos

Além da aceleração dos preços em si, o cenário inflacionário nos Estados Unidos é ainda mais importante para nós deste lado do Atlântico por conta dos impactos na política monetária do país.  

Ou seja, no rumo dos juros americanos, que afeta muito além da maior economia do mundo, em especial o cenário de investimentos global. 

Desde o início deste ano, o rumo dos juros americanos tem sido um dos principais propulsores de mercados financeiros ao redor do mundo, trazendo elevada volatilidade – ora com aversão ao risco por conta do medo dos juros altos trazerem uma recessão econômica, ora com otimismo diante de expectativas que os Fed Funds (equivalente a nossa taxa Selic por aqui) não precisarão subir tanto.  

Com a inflação ainda alta e mercado de trabalho fortalecido, o receio do impacto de juros mais altos tem predominado nos últimos meses.

Gráfico demonstrativo dos juros nos EUA (influenciado pela inflação nos EUA).

Além disso, juros em alta nos Estados Unidos significam menor liquidez para os mercados – ou seja, menos dinheiro em busca de retornos no mundo, além de reduzirem a atratividade relativa de ativos em países mais arriscados, como o Brasil.  

Em bom português: com juros maiores lá, investidores pensam um pouco mais sobre investir aqui, onde o risco é maior. 

Deste modo, o rumo dos juros nos Estados Unidos também impacta os nossos juros por aqui, especialmente aqueles determinados pela relação entre percepção de risco e demanda no mercado – os juros de longo prazo, que tanto impactam a vida de empresas e famílias no país.

Confira aqui mais sobre o cenário de juros em alta nos Estados Unidos e os impactos nos seus investimentos.  

Elaborado por:

Paula Zogbi, CNPI 2545

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