Não seja pego de calças curtas!

De tempos em tempos, economistas mundo afora se debruçam sobre modelos matemáticos, e constroem projeções para o cenário econômico. Conforme o cenário evolui, eventos acontecem, decisões políticas são tomadas, dados econômicos são divulgados, e essas projeções vão sendo refinadas, revisadas.

Projeções macroeconômicas são importantes para todo investidor pelo motivo principal de ajudar a nos prepararmos para o que vem adiante. Ou seja, não ser pego de “calças curtas”.

Isso não significa que você saberá “o dia exato em que o dólar vai cair ou subir”. Pois isso, infelizmente, será praticamente impossível. E sim, que você entenderá melhor as tendências da economia e poderá pensar em como adaptar seus investimentos (ou manter tudo como está, se for o caso), pensando no seu perfil e objetivos.

Com isso em mente, detalhamos abaixo nossas principais projeções macroeconômicas para este ano e o próximo. E abaixo, te contamos o porquê de tudo isso, e como investir nesse cenário.

Grafico projecoes

 

Onde estamos? Um mundo com menos inflação, mas menos crescimento

Após um ano marcado por inflação recorde ao redor do mundo, a boa notícia é que começaremos o ano de 2023 com o pé fora do acelerador de preços. Ou seja, em um processo de desinflação global (lembre-se que desinflação é diferente de deflação! No primeiro caso, os preços ainda sobem, mas mais devagar).

Essa perda de fôlego nos preços é explicada por uma série de fatores. Primeiro, por conta da normalização da produção e do escoamento de produtos ao redor do mundo – que chamamos de cadeias de produção. Com países “de volta ao normal”, vimos custos logísticos caindo, como fretes, e o fim da escassez de produtos como microchips. Ao mesmo tempo, os preços de commodities pararam de subir e devem seguir relativamente estáveis ao longo de 2023 (mesmo que ainda altos para padrões históricos), segurando o custo de alimentos e insumos para produção de diversos bens. Finalmente, o processo de alta de juros implementado por Bancos Centrais ao longo de 2022 começa a fazer efeito – trazendo alívio aos preços, tanto por tornar o crédito mais caro, quanto por segurar as expectativas dos preços no futuro (se todo mundo acha que os preços não vão parar de subir, aí que eles seguem subindo mesmo!).

Porém, o outro lado da moeda da inflação que cai é o crescimento recuando. Afinal, juros mais altos têm o objetivo de frear a inflação, mas o efeito colateral é um freio na própria economia. Assim, a economia mundial deve crescer bem pouco no ano que vem, e países desenvolvidos como Estados Unidos e europeus devem enfrentar um período de recessão – mesmo que mais leve aos americanos, menos afetados pelo cenário ainda incerto de guerra entre Rússia e Ucrânia.

Enquanto isso, a China tentará reverter o baixo crescimento de 2022 com a flexibilização das medidas contra a covid-19, e pode puxar parte do crescimento global em 2023. Mas problemas ainda relevantes no mercado imobiliário e o risco do fim abrupto da política de covid zero colocam riscos.

Enquanto isso, no Brasil

Economia perdendo tração

Aqui no Brasil, 2022 foi um ano de crescimento econômico acima do esperado. Uma mistura de preços de commodities altos, com benefícios governamentais e demanda reprimida da pandemia impulsionaram o PIB no ano – que deve crescer 3,0% no dado a ser divulgado em março do ano que vem.

Porém, o ano de 2023 deve ser mais desafiador, e os dados já sinalizam nessa direção. De um lado, o setor de serviços – responsável por 70% do nosso PIB – já perde força, e deve deixar de impulsionar a economia como fez ao longo de 2022, na onda da normalização do consumo pós pandemia e da recuperação do emprego.

Na mesma linha, a redução de impostos que ajudaram a “liberar” parte da renda disponível das famílias, assim como os programas fiscais (como Auxílio Brasil aumentado, vale gás e auxílio taxista) ou perderão a validade em 2023 ou já estarão incorporados ao orçamento das famílias – não surtindo o mesmo efeito no consumo.

Já do outro lado, o efeito da manutenção da Selic em patamar elevado (em 13,75% ao ano) deve seguir “freando” a economia. O comércio, por exemplo, já mostra claros sinais de enfraquecimento, especialmente de bens de consumo duráveis. Afinal, os juros altos pesam sobre o endividamento e – consequentemente – sobre o consumo de itens que exigem maior financiamento, como carros, móveis e eletrodomésticos. Esse movimento deve ganhar força em 2023, impactando também o emprego, o consumo de serviços e a produção industrial do país. A incerteza vinda do cenário político-fiscal doméstico (que contaremos logo abaixo) ajuda a explicar o porquê de a Selic seguir alta em 2023, assim como o mundo crescendo menos também deve prejudicar nosso crescimento por aqui.

Porém, ainda vemos a economia brasileira crescendo 1,0% em 2023, puxada pelo bom desempenho de setores menos sensíveis à desaceleração da economia doméstica, como o agropecuário.

Inflação traz alívio, mas fiscal atrapalha

Como contamos aqui em mais detalhes, a inflação segue perdendo força no país. Após o IPCA (nosso principal indicador de inflação ao consumidor) atingir mais de 12% no acumulado em doze meses, devemos terminar o ano com inflação em 5,8% – ainda acima da meta do nosso Banco Central, mas já trazendo substancial alívio para o orçamento das famílias e empresas.

Os mesmos movimentos que têm ajudado os preços a perderam fôlego no mundo (que mencionamos acima) ajudaram o controle da inflação por aqui, assim como os juros altos.

Porém, a incerteza sobre o futuro das contas públicas ganhou força no cenário pós-eleitoral, a começar pela discussão sobre a PEC de Transição – prejudicando a perspectiva sobre o controle de preços daqui em diante.

Afinal, maiores gastos públicos não apenas pressionam a inflação por meio do aumento da renda e do consumo hoje, mas também precisam ser pagos no futuro – com mais dívida, maiores impostos ou mais emissão de “dinheiro” (no caso, inflação). Assim, investidores passam a enxergar maiores riscos de financiar o Brasil, compensando na desvalorização de ativos brasileiros, como títulos do governo (que passam a pagar mais, encarecendo a dívida) e nossa própria moeda – que desvaloriza, pressionando a inflação.

Deste modo, seguimos cautelosos com o cenário de inflação no Brasil para os próximos anos – o que não significa que vemos um cenário de inflação espiral nos próximos anos, projetando alta de 5,4% no IPCA para 2023.

Mas se tudo isso de risco fiscal ainda não ficou claro, clica aqui que te contamos!

Selic não deve cair em 2023

O risco fiscal também segue o principal fator por trás do movimento dos juros em 2023.

Como contamos aqui, após uma série de altas ao longo de 2021 e 2022, o Copom (nosso comitê de política monetária) manteve a taxa Selic inalterada em 13,75% a.a. em sua última reunião do ano, em dezembro. Porém, se antes acreditávamos que haveria espaço para que o Banco Central começasse a reduzir novamente os juros em 2023, o aumento do risco fiscal fez descartarmos essa possibilidade – ao menos, por ora.

Assim, com um mundo que segue lutando contra a alta de preços, e uma inflação ainda acima na meta em meio ao aumento do risco fiscal por aqui, a Selic deve se manter em 13,75% a.a. ao longo do ano que se inicia.

Nesse contexto, o cenário desafiador para 2023 se fecha, com juros altos por mais tempo impactando a economia (desaquecendo a atividade, o consumo e a produção para conter a alta de preços), e a incerteza vinda do cenário político reduzindo a confiança e aumentando a aversão ao risco em diferentes setores da economia.

Deste modo, fica “fácil” entender por que o futuro das contas públicas deve seguir o principal desafio da economia brasileira em 2023.

Como investir nesse cenário?

Diante do cenário desafiador para a economia no Brasil e no mundo no ano que se inicia, entender como melhor investir o seu dinheiro e proteger o seu patrimônio se torna ainda mais essencial.

Por isso, destacamos abaixo nossas recomendações de alocação atualizadas, de acordo com o seu perfil de investidor, além de sugestões de ativos recomendados para cada classe indicada.  

Vale lembrar que as recomendações sinalizadas na tabela abaixo não são as únicas possíveis, mas sim alternativas viáveis selecionadas pelos nossos especialistas para você.

Confira tudo isso em detalhes no nosso relatório “Onde Investir” – acesse aqui!

 

Agora que você já sabe nossa alocação recomendada (o peso de cada classe de ativos ideal para cada perfil investidor nesse momento) e nossa previsão do tempo, separamos algumas sugestões de investimentos recomendados em cada um desses tipos de ativos.

 

Classe Opção de investimento Aplicação mínima
Renda fixa pós-fixada Trend Pós-Fixado FIC FIRF R$100,00
Inflação Tesouro IPCA 2026 R$31,27
Renda Fixa Prefixada Tesouro Prefixado 2025 R$31,56
Renda Fixa Global Trend Crédito Global FIM R$100,00
Multimercado Selection Multimercado FIC FIM R$100,00
Renda variável Brasil Carteira Rico11 N/A
Renda variável Internacional Trend Bolsa Americana Dólar FIA R$100,00
Renda variável internacional com hedge Trend Bolsa Americana FIA R$100,00
Alternativos Trend Commodities FIM R$100,00

Vale lembrar que as recomendações sinalizadas na tabela não são as únicas possíveis, mas sim alternativas viáveis selecionadas pelos nossos especialistas para você.

Elaborado por:

Paula Zogbi, CNPI 2545

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