• A inflação nos Estados Unidos começou a perder força em julho, embora siga em patamar historicamente alto.
  • A notícia pode parecer distante do dia a dia do brasileiro, mas é positiva.
  • Entenda o movimento dos preços na maior economia do mundo e os impactos no Brasil.

A inflação medida pelo deflator do consumo nos Estados Unidos (PCE, na sigla em inglês) registrou queda de 0,1% em julho. O indicador é considerado o “favorito” do Banco Central americano (o FED) para analisar o cenário inflacionário no país.

O resultado de julho veio abaixo da expectativa de analistas, levando o acumulado em doze meses para 6,3%, e teve sua queda puxada especialmente por preços de bens e serviços de energia.

Inflação importada, importa

Para o dia a dia do brasileiro, a notícia pode parecer distante, mas é positiva.

Primeiro, porque a desaceleração da inflação nos Estados Unidos sinaliza a perda de fôlego de pressões inflacionárias que também sentimos por aqui, como no preço de commodities (como alimentos e combustíveis) e de produtos industriais – já refletindo uma melhora substancial das cadeias de produção globais.

Segundo, porque também “importamos” parte da inflação de bens e serviços americanos, uma vez que os Estados Unidos é nosso segundo principal parceiro comercial, de quem importamos diversos produtos e serviços, como máquinas e equipamentos e serviços de tecnologia e comunicação. Assim, quanto maior a inflação por lá, maior a inflação dos produtos que importamos por aqui – impactando nossa inflação.

Juros subindo nos Estados Unidos

Finalmente, mas não menos importante, o cenário de enfraquecimentos dos preços nos Estados Unidos impacta diretamente na política monetária do país. Ou seja, no rumo dos juros americanos, que afeta muito além da maior economia do mundo.

Nos últimos meses, a elevação dos juros americanos tem sido um dos principais propulsores de mercados ao redor do mundo, trazendo elevada volatilidade – ora com aversão ao risco por conta do medo dos juros altos trazerem uma recessão econômica, ora com otimismo diante de sinalizações que os Fed Funds (equivalente a nossa taxa Selic por aqui) não precisarão subir tanto.

Além disso, juros em alta nos Estados Unidos significam menor liquidez para mercados – ou seja, menos dinheiro em busca de retornos no mundo, além de reduzirem a atratividade relativa de ativos em países mais arriscados, como o Brasil. Em bom português: com juros maiores lá, investidores pensam um pouco mais sobre investir aqui, onde o risco é maior.

Deste modo, o rumo dos juros nos Estados Unidos também impacta os nossos juros por aqui, especialmente aqueles determinados pela relação entre percepção de risco e demanda no mercado – os juros de longo prazo, que tanto impactam a vida de empresas e famílias no país.

Confira aqui mais sobre o cenário de juros em alta nos Estados Unidos e os impactos nos seus investimentos nesse texto.

Elaborado por:

Paula Zogbi, CNPI 2545

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