A inflação medida pelo IPCA, nosso principal indicador de preços ao consumidor, registrou alta de 0,62% em dezembro. Apesar da variação positiva no mês, o resultado levou o índice para 5,8% no acumulado em doze meses, desacelerando em relação ao observado em outubro – quando estava em 5,9%.

Assim, a inflação encerrou o ano de 2022 em 5,8%. O número ficou acima da meta do Banco Central (de 3,5%), mas consolida o enfraquecimento da alta de preços após pico de mais de 12% nos doze meses acumulados até abril.

Diante do estouro da meta de inflação para o ano, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, deverá enviar uma carta ao Ministro da Fazenda para justificar o não cumprimento.

Conforme contamos ao longo do ano aqui na Riconnect, os principais fatores por trás da alta de preços em 2022 incluíram os efeitos da pandemia da Covid-19 (com cadeias de produção ainda desarranjadas no mundo e a volta forte do consumo de serviços) e os impactos da guerra na Ucrânia (especialmente nas commodities, como petróleo e alimentos).

Black Friday e natal pressionam preços em dezembro

O resultado de dezembro veio acima do esperado pela maior parte dos analistas de mercado. Porém, grande parte da surpresa negativa veio de itens mais sensíveis a variações de preços sazonais de fim de ano – como descontos de Black Friday e de Natal. Ou seja, itens que tiveram queda de preço por conta de descontos ao longo de novembro, logo retomando o patamar anterior (ou acima) no mês seguinte. 

Os preços de produtos de higiene pessoal como perfumes e maquiagem, por exemplo, subiram 1,75% em dezembro, após queda de -1% em novembro. Na mesma linha, artigos de residência, como roupas e joias, registraram variação positiva de preços em dezembro, depois de queda de 0,7% no mês anterior.

Dito isso, a normalização da comercialização e transporte de bens e serviços ao redor do mundo – as chamadas cadeias globais de valor – continuam contribuindo para o enfraquecimento de preços ao redor do mundo, e aqui no Brasil. Os preços de frete marítimo, por exemplo, que haviam subido substancialmente desde o início da pandemia, já se encontram hoje no nível médio observado historicamente. 

O setor de serviços também tem contribuído para a desinflação, embora mais gradualmente.No mês, a categoria desacelerou de 7,9% para 7,6% no acumulado em doze meses. Ou seja, os preços ainda sobem, mas mais devagar do que o esperado. O movimento é boa notícia, dado que o setor de serviços segue bastante resiliente (diante da normalização do consumo pós pandemia), o que dá mais espaço para a alta de preços.

Traduzindo para a “vida real”, isso quer dizer que a alta de preços em serviços como cabelereiros, cinemas e cuidados com “pets” começam a perder força, trazendo certo fôlego para o orçamento das famílias. Para ilustrar, serviços de veterinário caíram de 7,8% no acumulado em 12 meses até setembro, para 5,1% em dezembro.

Mesmo assim, a inflação segue um dos principais desafios do dia a dia dos brasileiros. O índice de difusão, que reflete a disseminação da alta de preços entre diferentes bens e serviços na economia, subiu novamente em dezembro, após atingir o nível mais baixo desde 2020 em novembro – de 59% para 69%.

O que esperar? Riscos fiscais no radar

Com o enfraquecimento da inflação, a sensação de perda do poder de compra perde força, apesar de ainda persistir. Olhando para frente, a desaceleração do ritmo de alta de preços deve continuar por aqui, mas com menor intensidade.

Ao mesmo tempo, no cenário global, Bancos Centrais no mundo seguem no processo de alta de juros. Com o dinheiro “ficando mais caro no mundo”, as pressões inflacionárias devem seguir perdendo força, nos ajudando no controle de preços aqui no Brasil também.

Assim, projetamos que a inflação encerre 2023 em 5,4%.

Porém, apesar do cenário de curto prazo favorável, as perspectivas mais longas trazem preocupação no cenário doméstico. Isso porque o aumento do risco fiscal no país impacta o controle da alta de preços pelo Banco Central, podendo colocar em xeque o cenário de alívio nos preços.

Afinal, quanto maior o gasto público, maior a demanda por bens e serviços, maior a tendência de desvalorização da moeda, maiores as expectativas de inflação no futuro, e maior a pressão sobre os preços na economia.

Te contamos tudo sobre o risco fiscal e seus investimentos aqui!

Deste modo, seguimos cautelosos com o cenário de inflação no Brasil para os próximos anos – o que não significa que vemos um cenário de inflação espiral.

Como se proteger da alta de preços?

Embora a inflação esteja perdendo força gradualmente no Brasil e no mundo, proteger os investimentos contra a alta de preços segue essencial. 

Títulos indexados à inflação, como o Tesouro IPCA + 2026, debêntures de empresas sólidas e boas classificação de risco, e fundos de inflação (fundos de investimento que investem em ativos indexados à inflação) são ótimas alternativas. Falamos mais das melhores oportunidades de renda fixa aqui.  

A classe de ativos reais se tende a se beneficiar de um cenário como o atual.  São ativos que tem um valor intrínseco (ou seja, não podem ser emitidos por Bancos Centrais, por exemplo), e costumam ter baixa correlação com ciclos econômicos, altas de juros e inflação.

Exemplos de ativos reais são commodities minerais, agrícolas e energéticas. Uma alternativa simples para acessar esses investimentos é o fundo Trend Commodities, disponível na Rico com aplicação mínima de R$100,00.

Mas não só de proteção contra a inflação devem viver os investimentos nesse momento. Por isso, selecionamos abaixo algumas sugestões de diferentes ativos recomendados – sempre lembrando da importância da diversificação.

ClasseOpção de investimentoAplicação mínima
Renda fixa pós-fixadaTrend Pós-Fixado FIC FIRFR$100,00
InflaçãoTesouro IPCA 2026R$31,27
Renda Fixa PrefixadaTesouro Prefixado 2025R$31,56
Renda Fixa GlobalTrend Crédito Global FIMR$100,00
MultimercadoSelection Multimercado FIC FIMR$100,00
Renda variável BrasilCarteira Rico11N/A
Renda variável InternacionalTrend Bolsa Americana Dólar FIAR$100,00
Renda variável internacional com hedgeTrend Bolsa Americana FIAR$100,00

Vale lembrar que as recomendações sinalizadas na tabela abaixo não são as únicas possíveis, mas sim alternativas viáveis selecionadas pelos nossos especialistas para você.

Confira o detalhe dessas recomendações de investimento de acordo com o seu perfil de investidor no “Onde Investir”.

Elaborado por:

Paula Zogbi, CNPI 2545

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