• Aposto que você já ouviu dizer que as ações reagem mal à elevação dos juros.
  • Mas o que isso quer dizer exatamente? Você sabe como funciona essa dinâmica?
  • Confira abaixo os três principais impactos da alta dos juros nas empresas negociadas em bolsa.

(Por: Antônio Sanches e Rebecca Nossig)
A bolsa brasileira valorizou cerca de 12% nos últimos 30 dias, consolidando uma sequência de altas que o investidor não via há algum tempo por aqui. A alta acompanhou o provável fim do ciclo de altas da nossa taxa básica de juros — a Selic, elevada a 13,75% ao ano na último reunião do Comitê de Política Monetária (o Copom).

Falamos mais sobre a alta da taxa Selic aqui.

E se você segue conteúdo de mercado, ou mesmo acompanha com seus investimentos (esperamos que aqui na Riconnect!), deve ter ouvido ao longo dos últimos meses de alta da Selic que a elevação dos juros altos impactam negativamente as ações.

Mas você sabe exatamente qual a relação entre os juros e as empresas da bolsa? A gente te conta logo abaixo!

Os três principais impactos dos juros altos nas ações

Freio na economia

Como contamos aqui em mais detalhes, o Banco Central sobe a taxa básica de juros com o objetivo de frear a inflação. Porém, o efeito colateral dessa alta é um freio na própria economia. Isso ocorre, pois o aumento dos juros básica levam ao encarecimento do crédito para todos (governo, empresas e pessoas), com o intuito de desaquecer a demanda por bens e serviços na economia e reduzir a pressão sobre os preços. Assim, a economia de fato perde o fôlego.

Usando o mercado imobiliário como exemplo, a alta dos juros torna os financiamentos imobiliários menos atrativos, reduzindo a demanda por esses ativos.

Além disso, com juros mais altos, o estímulo a poupar dinheiro tende a impactar a própria oferta de ativos reais, como imóveis. Afinal, se seu dinheiro pode render mais investido sem grandes riscos na renda fixa, por que arriscar-se em um novo empreendimento?

A mesma lógica vale para outros setores da economia, que vai – assim – perdendo força e desaquecendo.

É claro que setores diferentes reagem de maneiras distintas às mudanças na Selic e à própria desaceleração econômica. Bancos e seguradoras, por exemplo, podem aumentar seus spreads (a diferença do que ganham com o que cobram de juros, subtraindo o que pagam) e potencializar sua receita. Porém, caso a desaceleração econômica seja muito forte, isso pode acabar sendo contrabalançado pelo aumento da inadimplência de seus clientes.

Por outro lado, empresas de varejo e de construção civil tendem a ser negativamente afetadas por juros mais altos. É só pensar que compras parceladas passam a doer mais no bolso dos clientes, que passam a evitar gastos menos essenciais.

Assim, o impacto no consumo se reflete no resultado das empresas – que tendem a reduzir seus lucros conforme a economia perde ímpeto.

Atratividade da Renda Fixa

Ainda utilizando imóveis como exemplo, imagine um investidor que possui um apartamento no valor de R$500.000,00 que utiliza para obter renda de aluguéis. Considerando uma média de 0,4% do valor do imóvel para aluguel (como explicamos nesse texto), a receita mensal será de cerca de R$2.000,00, desconsiderando impostos.

Diante do aumento da Selic, e consequentemente o aumento das taxas de títulos de Renda Fixa, esse investidor poderia mudar de ideia. Afina, com o mesmo valor investido no Tesouro Selic (dado a Selic atual de 13,75%) o retorno mensal seria de R$5.396,96, também desconsiderando impostos.

Assim, apesar da possível valorização do imóvel ao longo do tempo, a maior segurança e rentabilidade no curto prazo poderia acabar atraindo o dinheiro do nosso investidor exemplo – e tantos outros.

E esse é um dos motivos do preço das ações serem impactadas quando os juros sobem: o fluxo de dinheiro que migra da renda variável para a renda fixa, considerando o elevado retorno e a menor volatilidade.

Podemos notar esse movimento na captação dos fundos de ações. Como ilustrado no gráfico acima, esses fundos tem enfrentado uma significativa queda na captação líquida (ou seja, são realizados mais resgates do que aportes de investidores) diante da elevação da taxa de juros. Enquanto isso, vemos um aumento na captação de fundos de renda fixa.

Preço justo das ações

Finalmente, mas não menos importante, vamos ao terceiro principal impacto da alta de juros nas ações: o efeito no que chamamos de valuation das empresas – de maneira simplificada, a análise do preço justo de ações de empresas listadas na bolsa.

Mas antes de entrarmos no detalhe sobre isso, vale entendermos um pouco sobre o impacto da taxa de juros no chamado “Custo de Capital”.

O que é custo de capital?

De início, podemos dizer que o Custo de Capital é o valor do dinheiro no tempo, calculado considerando os custos de todas as fontes de recursos de uma empresa – tanto os recursos próprios, quanto os recursos de terceiros (que é o que vamos explicar agora).

Para se financiarem com o intuito de investirem nas próprias operações, as empresas precisam captar recursos. Se não fizerem isso por meio do mercado de capitais, com a emissão de ações, buscam empréstimos.

Essa captação de recursos geralmente é atrelada à taxa de juros corrente do país. Assim, quanto mais alta a taxa de juros, mais caro fica pra essa empresa pegar dinheiro no mercado. Lembra do freio na economia?

E o tal valuation?

O aumento na taxa de juros também tem impacto direto na avaliação por parte de analistas do preço justo de ações. Isso porque o desempenho das ações tende a convergir para esse tal valor justo ao longo do tempo, mas essa estimativa é bastante volátil.

Com maior custo de capital e taxa de juros mais alta, o valor do dinheiro ao longo do tempo se torna mais relevante para o valor final do preço da ação. Em outras palavras, passa a pesar mais na conta.

Assim, quanto maior a taxa de juros, mais prejudicado fica o valuation.

Quem sofre mais? Empresas de valor X crescimento

As empresas mais impactadas por esse efeito costumam ser as empresas conhecidas como “de crescimento”. Elas são conhecidas por essa nomenclatura, por serem empresas que costumam reinvestir nelas mesmas, visando seu crescimento no futuro. É o caso de conhecidas empresas que ainda não geram lucro, mas são avaliadas como tendo grande potencial.

Isso porque, ao analisarmos empresas com essas características, seus fluxos de caixa são olhados no futuro. Afinal, elas prometem os lucros lá! Mas, para conseguirmos mensurar isso no valor de hoje (o que chamamos de valor presente), utilizamos uma taxa de desconto. Essa taxa é a taxa de juros de longo prazo livre de risco.

Se a taxa de desconto – que acompanha a taxa de juros – aumenta, naturalmente sobra menos dinheiro e, assim, menos valor.

Já as empresas conhecidas como “de valor” que são maduras, ou seja, que já geram lucros, geram mais caixa e valor aos investidores hoje. Assim, elas tendem a ser menos impactadas negativamente por essa dinâmica dos juros na análise do seu preço justo.

A bolsa brasileira e a alta de juros no mundo

Para exemplificarmos essa história de impacto dos juros em empresas de crescimento X valor, podemos usar o caso da valorização da bolsa brasileira no início desse ano – diante do início do ciclo de elevação dos juros em grande parte do mundo, especialmente nos Estados Unidos.

Boa parte da nossa bolsa é composta pelos setores de Commodities e Bancos – conhecidos por incluírem empresas de valor. Isso fez com que passássemos a atrair um grande fluxo de capital estrangeiro nos primeiros meses do ano, em busca justamente da exposição à essas empresas.

Enquanto isso, o índice americano S&P 500, que tem uma parte relevante de sua composição alocada em empresas de crescimento, enfrentou uma forte saída de investidores, que buscavam reduzir sua exposição a essas empresas.

Onde investir com a alta de juros?

Apesar do movimento da alta de juros no Brasil, destacamos que a bolsa brasileira continua atrativacomo refletido na alta de mais 12% que vimos no Ibovespa (nosso principal índice acionário) nos últimos 30 dias. Nossas ações seguem relativamente baratas, especialmente quando comparadas às ações de empresas de outros países emergentes ou mesmo ao nosso histórico.

Além disso, o fim do ciclo da alta da Selic começa a abrir o tempo para ações que sofreram com o movimento que explicamos acima – como empresas nos setores de varejo e tecnologia. Afinal, se a alta de juros tende a impactar negativamente ações, especialmente aquelas de crescimento, o fim desse ciclo tende a – no mínimo – afastar esse efeito.

Porém, como as preocupações de curto prazo podem fechar o tempo para investimentos de maior volatilidade, recomendamos posições mais defensivas e menos dependentes de ciclos de crescimento econômico, como em setores como o bancário, elétrico, de saneamento e consumo essencial. 

Por esse motivo, seguimos recomendando uma posição relevante de bolsa brasileira para nossos investidores moderados e agressivos em nossa recomendação por perfil de investidor:

E para investir na bolsa, disponibilizamos gratuitamente todos os meses nossa carteira de ações e BDRs para compor a parcela de renda variável da sua carteira de investimentos. Conheça a Rico11!

O Que é a Rico11?

A Rico11 a carteira de ações e BDRs da Rico, composta por nossas principais estratégias quantitativas:

  • Dividendos
  • Ações que se beneficiam da alta da inflação
  • Ações com baixa volatilidade histórica
  • Estrelas da Bolsa (queridinhas dos especialistas de mercado)
  • Estrelas Ascendentes (Small Caps)
  • Estrelas Globais (BDRs)

A partir dessas seleções, ranqueamos os nomes e selecionamos o top 2 de cada uma para compor a RICO11 todos os meses. O ranking é feito de acordo com as métricas utilizadas para a construção de cada recomendação.

A alocação em cada uma dessas estratégias é definida de acordo com a visão que temos do cenário global de acordo com os seguintes indicadores:

  • Dólar
  • Média do IPCA próiximos 12 meses – Focus
  • VIX
  • Ibovespa
  • PMI Composite Brasil
  • PMI Composite Global

Eles servem aqui como gatilhos — quando o indicador muda de comportamento (para de subir ou cair), ajustamos os pesos das estratégias pertinentes. Assim, buscamos sempre a melhor alocação dado o cenário atual.

Uma das vantagens dessa abordagem é que eliminamos o viés humano: todos os ativos e seus pesos são selecionados seguindo uma metodologia 100% quantitativa, sem decisões subjetivas, a partir de informações públicas e análise de especialistas. Saiba mais aqui!

Elaborado por:

Paula Zogbi, CNPI 2545

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