Em meados de março, a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou um projeto de lei que propõe banir o TikTok do país. Antes visto como um fenômeno restrito à Geração Z, o TikTok já provou que vai muito além: segundo uma pesquisa da Pew Research, cerca de 40% dos americanos adultos usam a plataforma frequentemente. Dados de 2023 indicam que a plataforma de vídeos curtos tem mais de 150 milhões de usuários mensais nos EUA.

Com tanta popularidade, um detalhe ganha importância: o TikTok é da empresa chinesa ByteDance e, em meio a disputas econômicas entre EUA e China, a alta adesão ao aplicativo estrangeiro chamou a atenção das autoridades.

O que diz o projeto de lei?

O Protecting Americans From Foreign Adversary Controlled Applications Act (Ato para proteção dos americanos de aplicativos controlados por estrangeiros, em tradução livre) foi apoiado tanto por congressistas republicanos quanto por democratas, e a justificativa que uniu os dois partidos — rivais históricos, e em ano de eleição presidencial — foi a segurança nacional.

A proposta, que agora está nas mãos do Senado, forçaria a ByteDance a vender o TikTok para outra empresa, aprovada pelo governo dos EUA, para seguir funcionando no país. Caso isso não aconteça, a rede social do reloginho seria banida do território americano em até 180 dias.

Não é a primeira vez que o TikTok é banido

Vários países já proibiram que o TikTok seja usado em dispositivos que pertençam ao governo. As Forças Armadas dos EUA proibiram o uso do app pelos seus membros, e a União Europeia, Canadá e Austrália baniram o aplicativo do reloginho dos celulares oficiais.

A Índia é o exemplo mais extremo: em 2021, o país de 1,4 bilhão de pessoas baniu o TikTok e outro 58 aplicativos chineses em uma medida oficial que não mencionou o país, e sim preocupações com segurança de dados e com a privacidade dos cidadãos indianos. Desde então, o governo da Índia vem monitorando a atividade inclusive de empresas de tecnologia americanas com os mesmos argumentos, e os tiktokers migraram para outras plataformas, como YouTube e Instagram.

O problema de 100 bilhões de dólares (e 1 algoritmo)

Mesmo sem presença no país mais populoso do mundo, TikTok é um fenômeno: com apenas 7 anos desde seu lançamento, já é a 5ª maior rede social do mundo — as outras quatro à sua frente (Facebook, YouTube, WhatsApp e Instagram) são americanas e tem pelo menos 6 anos a mais de vida.

A ByteDance é avaliada em US$ 270 bilhões de dólares e, segundo a CNN, só o TikTok valeria cerca de US$ 100 bilhões. Portanto, surge outro problema: que americano compraria a rede social?

Em meio a processos antitruste capitaneados tanto pelo governo americano quanto por legisladores europeus contra grande parte das gigantes de tecnologia, adicionar mais um mega app ao portfólio não parece ser a melhor estratégia para uma Alphabet ou Meta.

Do lado chinês da história, o grande trunfo do TikTok é seu algoritmo, desenvolvido 100% na China — sendo improvável que o país permita a exportação dessa tecnologia inovadora (e que é um diferencial de mercado) em meio a um cenário desafiador de crescimento econômico enfrentado pelo gigante asiático atualmente.

Além disso, a ByteDance já sinalizou que deve fazer o possível juridicamente para que não seja forçada a vender seu maior produto.

Quais são os próximos passos da proposta?

O cenário enfrentado pela proposta de banir o TikTok nos EUA no Senado é mais incerto, com legisladores propondo tanto deixar o texto mais rígido quanto afirmado que ele é inconstitucional.

Por isso, pode ser que ele demore meses até ser votado pelos legisladores, e enquanto isso, governos chinês e americano e a ByteDance devem continuar a se movimentar. A Casa Branca afirma que Joe Biden (Partido Democrata) apoia a medida; Donald Trump (Partido Republicano) já disse anteriormente que que banir a rede social aumentaria a influência da Meta, dona do Facebook, mas não se opõe expressamente à medida.

Em ano de eleições presidenciais nos EUA, e com a China sob os holofotes enquanto busca retomar seu crescimento econômico, vale ficar de olho no que vai acontecer com o TikTok.