No dia 05 de novembro de 2024, eleitores dos Estados Unidos irão escolher quem irá assumir a presidência da república para o mandato de 2025 a 2028, além de parte dos membros do Congresso do país.

Tratando-se da escolha do líder da maior economia do mundo, o evento tende a influenciar movimentos de mercado não somente nos Estados Unidos, mas ao redor do mundo todo, incluindo aqui no Brasil – embora os efeitos esperados por aqui sejam bem mais limitados.

Antes de explorar os potenciais impactos esperados do pleito eleitoral, entretanto, vale entender melhor como funcionam as eleições na segunda maior democracia do mundo (atrás apenas da Índia).

Como funcionam as eleições americanas?

Sistema bipartidário

Os Estados Unidos possuem um sistema majoritariamente bipartidário – ou seja, composto por dois partidos políticos: os Democratas e os Republicanos. Os partidos representam duas grandes correntes ideológicas distintas, que evoluíram e se adaptaram às necessidades e aspirações do povo americano ao longo da história.

Existem diversos outros partidos nos Estados Unidos, como o Libertário e o Verde, mas nenhum foi capaz de alcançar o status e a abrangência dos dois principais, não tendo nenhum Presidente sido eleito fora dos dois partidos principais.

Mascotes: Os partidos republicano e democrata são costumeiramente representados por um elefante e um burro, respectivamente. A origem das representações data do período após a guerra civil americana (entre 1860 e 1880), quando o cartunista Thomas Nast popularizou as figuras.

Eleições indiretas e os delegados

Apesar de ser uma democracia presidencialista com sistema legislativo bicameral como o Brasil (ou seja, um sistema que conta com Presidente da República, Senado e Câmara dos Deputados), o sistema político americano conta com outras características que tornam o processo eleitoral no país único e consideravelmente complexo.

Uma das principais características que diferencia o sistema americano é que as eleições para Presidente da República são indiretas. Nesse modelo, cada estado e o Distrito Federal (Washington D.C.) recebe um número de eleitores igual ao seu número total de membros no Congresso (senadores e deputados), totalizando 538 votos.

Para ganhar as eleições, são necessários 270 votos (dos 538 totais).

Mas como é possível apenas 538 votos, dado a dimensão da população americana? Você pode estar se perguntando. O que ocorre é que estes 538 são os chamados delegados, representantes escolhidos pelos partidos políticos estaduais que juntos formam o Colégio Eleitoral.

Serão esses delegados que, indiretamente, elegerão o presidente – em um processo que ocorre em três principais etapas. Detalhamos essas abaixo:

As Eleições Primárias

Antes das eleições (que ocorrem sempre em novembro), os partidos políticos passam por um processo conhecido como Eleições Primárias. As Primárias têm o objetivo de escolher o candidato que irá concorrer à eleição dentro dos partidos, e são realizadas em cada estado, podendo variar em termos de regras e funcionamento.

Em alguns estados, os caucuses substituem as primárias. De maneira simplificada, os caucuses são uma forma similar às primárias para a escolha de candidatos dentro dos partidos, mas com maior participação popular (com a realização de espécies de grandes reuniões públicas) e organizadas pelos próprios partidos (enquanto as primárias ficam a cargo dos governos regionais).

Super terça: o que é?

A Super Terça (Super Tuesday) é um dia em que vários estados realizam suas primárias ou caucuses simultaneamente. Geralmente, ocorre no início de março e é considerado um ponto crucial na corrida presidencial.

Isso porque um grande número de delegados é selecionado nesse dia. Como os delegados são responsáveis por escolher o candidato do partido nas convenções, ganhar delegados Super Terça pode impulsionar um candidato em direção à nomeação do partido.

Além disso, a Super Terça envolve estados de diversas regiões e grupos demográficos. Isso significa que os resultados dessa votação podem fornecer uma indicação inicial de quais candidatos têm mais apoio em todo o país.

Convenções Nacionais

Convenções dos partidos Republicano e Democrata em 2020

Após a realização das primárias e dos caucuses e uma vez que determinam o número de delegados que cada candidato recebe por estado, os partidos realizam convenções para oficializar a indicação de seus candidatos à presidência.

Além disso, a convenção também é um momento para os partidos políticos apresentarem suas plataformas e discutirem questões políticas importantes.

Eleições

Após a escolha dos delegados nas Eleições Primárias, os cidadãos escolhem seus candidatos presidenciais nas urnas no dia da eleição. A partir desse resultado, o candidato vitorioso em cada estado receberá a totalidade dos votos dos delegados correspondentes [1].

Essa dinâmica, em que o vencedor em cada estado recebe a totalidade dos votos de delegados, é chamada de “winner takes all” (o vencedor leva tudo), uma vez que com 50% + 1 dos votos populares na região, o vencedor leva todos os delegados.

Nesse contexto, o resultado de uma eleição presidencial pode ser diferente do que se o pleito ocorresse em um sistema majoritário – como é o caso do Brasil, por exemplo. Ou seja, um presidente pode ser eleito mesmo sem a maioria dos votos populares nos EUA, caso consiga ganhar no número suficiente de estados que totalizem 270 delegados.

Número de delegados por estado

Como foi em 2020?

Em 2020, Joe Biden, concorrendo pelo partido Democrata, assegurou 306 votos no colégio eleitoral, acima dos 270 necessários para se eleger presidente. Donald Trump, candidato pelo partido Republicano e então incumbente, teve 232 votos e não se reelegeu.

Em termos de votos populares (ou seja, a quantidade total de votos totais), Biden obteve 51,3% dos votos.

Swing states: termo utilizados nos Estados Unidos para se referir aos estados em que o resultado das eleições presidenciais é incerto e pode oscilar entre o Partido Democrata e o Partido Republicano. Muitas vezes, são estes os estados que determinam o vencedor da eleição, uma vez que não possuem uma afiliação clara.

Eleições de 2024: o que esperar?

A pré-eleição de 2024 é considerada atípica porque os candidatos já estão virtualmente decididos, tanto no lado Republicano quanto no lado Democrata. Donald Trump e Joe Biden, respectivamente, são considerados favoritos, mas vale notar que ambos tecnicamente ainda disputam a candidatura com outras figuras de seus partidos.

Temas de destaque ao longo da disputa desse ano, que deve ser marcada por intensa polarização e grande uso das redes sociais, devem incluir saúde pública (seguros e preços de remédios), regulação de armas de fogo e aborto.

Processos contra Donald Trump

Como resultado de uma série de acusações que incluem fraude fiscal, envolvimento nos atos de 06 de janeiro de 2021 e armazenamento de documentos oficiais, Donald Trump enfrenta 91 acusações criminais e uma ação civil. Se condenado de algumas das acusações, o presidente poderia ir à prisão.

Vale destacar, entretanto, que não há restrições para que Trump continue buscando a reeleição, uma vez que não a lei americana não contempla a inelegibilidade de candidatos. Detalhe histórico: em 1920, Eugene Debs disputou a presidência da prisão.

Notamos ainda que mais de 30 estados estão avaliando casos sobre retirada do nome de Donald Trump da cédula de votação.

Eleições e investimentos

A aproximação do pleito eleitoral tende a trazer certa volatilidade aos mercados, não somente nos EUA, mas também no restante do mundo. Isso porque, para além do palco político-social, eventos políticos tendem a trazer maior percepção de incerteza e certa aversão ao risco para investidores.

Afinal, é no palco político que são determinadas as regras do jogo. Regras essas que impactam empresas, pessoas e mercados, como reformas econômicas e legislações, além das próprias regras eleitorais e regulações que regem o mundo dos investimentos.

Assim, quando falamos de eleições, estamos falando da incerteza sobre o futuro dessas regras – o que impacta diretamente a percepção de risco de agentes de mercado, que tendem a colocar tal elevação da incerteza no preço de ativos financeiros.  

Dito isso, eleições também não significam, necessariamente, maior volatilidade nos investimentos — especialmente quando falamos de pleitos que ocorrem em outros países.

Historicamente, as eleições presidenciais americanas não parecem ter exercido grande impacto na volatilidade observada na bolsa brasileira, por exemplo, a menos não diretamente. Da mesma maneira, é possível observar historicamente que a disputa presidencial americana também teve pouco efeito na performance do Ibovespa.

Não obstante, vale lembrar que manter uma carteira de investimentos diversificada e em linha com seu perfil de investidor e horizonte de investimento devem seguir o norte da sua estratégia nos investimentos.

Ou seja, não recomendamos modificações bruscas em seus investimentos motivados por receios excessivos de impactos das eleições americanas, tampouco de olho em ganhos extraordinários com “trades eleitorais”.

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Elaborado por:

Júlia Aquino, CNPI 3607

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