No final de outubro, a SouthRock Capital, operadora das marcas como Subway, Eataly e Starbucks no Brasil, entrou com um pedido de recuperação judicial alegando uma dívida de R$ 1,8 bilhão. Segundo a empresa, a RJ protegeria financeiramente suas operações e ajudaria na preparação para enfrentar o atual cenário econômico.

Em meio a lojas fechando e discussões sobre quais marcas vão entrar ou não no pedido, entenda como esse evento pode afetar os fundos imobiliários (FIIs) que investem em CRIs da SouthRock:

O que é a SouthRock Capital?

Fundada em 2015 para atuar no segmento de alimentos e bebidas no Brasil, a SouthRock Capital é um fundo de investimento que opera no setor de restaurantes e outros serviços de alimentação e bebidas. Atualmente, é controladora de marcas como Starbucks, TGI Fridays, Subway e Brazil Airports Restaurantes no Brasil.

Por que a SouthRock pediu recuperação judicial?

Durante a pandemia, a empresa enfrentou dificuldades pela redução do fluxo de clientes nas lojas e desvalorização do real em relação ao dólar, que impactou negativamente seu desempenho.

O pedido de recuperação judicial não quer dizer que a SouthRock faliu, e sim busca maneiras de contornar a situação pela qual está passando atualmente. Com base nisso, o juiz determinou que seja realizada uma perícia prévia sobre a documentação apresentada pela empresa para avaliar a possibilidade da companhia se recuperar e quitar dívidas com funcionários, fornecedores e outras partes envolvidas.

O que é recuperação judicial?

A RJ, no jargão do mercado, é um procedimento para que uma empresa possa renegociar suas dívidas ou até suspender pagamentos por um prazo estabelecido, dando a ela tempo para discutir com seus credores qual a melhor alternativa para que tanto eles quanto a companhia passem pela crise em questão. Explicamos mais a fundo esse processo no nosso glossário do caso Americanas.

Quais Fundos Imobiliários têm exposição ao CRI da SouthRock?

Alguns fundos de papel (FIIs que possuem  dívidas de empresas ligadas ao ramo imobiliário) têm exposição à títulos da SouthRock em suas carteiras. É o caso do RZAK11, do IRDM11 e do IRIM11, que investem em certificados de recebíveis imobiliários da empresa.

O que são CRIs?

CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários) são títulos de dívida lastreados em imóveis, geralmente emitidos para financiar transações como construções ou contratos de aluguel de longo prazo. CRIs representam a antecipação de recebíveis, ou seja, o recebimento adiantado de valores futuros vinculados àquele imóvel.

Quem tem um CRI na carteira recebe rendimentos com periodicidade (mensal, semestral ou no vencimento) definida previamente em troca de emprestar seu dinheiro, como acontece com outros títulos de renda fixa. Esses títulos são isentos de cobrança de Imposto de Renda, e geralmente têm um bem ou ativo como garantia.

O Riza Akin (RZAK11) possui três séries de CRIs da SouthRock em seu portfólio: Starbucks III, IV e V. Os títulos representam 6,51% do patrimônio líquido do fundo – atualmente em R$ 814 milhões, de acordo com o último relatório gerencial.

O Iridium Recebíveis Imobiliários (IRDM11) possui exposição ao papel de aproximadamente 0,87%. E o Iridium (IRIM11) também investe no título Starbucks II. Os papéis representam 4,14% do patrimônio líquido de R$ 177 milhões da carteira.

Qual o impacto para os FIIs que tem CRIs da Starbucks?

Inicialmente, o pedido de recuperação judicial indica dificuldades de fluxo de caixa da SouthRock, o que pode impactar no pagamento de rendimentos dos CRIs. Nesse caso, os fundos que possuem o título também teriam seu fluxo de recebíveis afetado, podendo impactar na sua capacidade de pagar dividendos aos cotistas.

Conforme esclarecido pelo time de gestão da Riza, os CRIs em seus portfólios possuem garantias, que protegem os interesses dos cotistas em caso de uma inadimplência. Em meados do ano, os gestores do RZAK11 foram percebendo maiores riscos associados aos títulos e, para mitigá-los, ajustaram suas taxas e aumentaram as garantias. Além disso, o fundo afirma que os três títulos nos quais investe estão 100% adimplentes.

Até o momento, a Iridium ainda não se manifestou quanto ao pedido de recuperação judicial da SouthRock e quais medidas que estão sendo adotadas pela gestão.

A importância da gestão ativa

Na nossa visão, a gestão ativa, acompanhando de perto desenvolvimentos no portfólio do fundo e tomando medidas para reduzir o impacto em caso de inadimplência, é essencial. As securitizadoras (que são quem estrutura o CRI) também tem uma função importante, monitorando e acompanhando o desempenho da empresa emissora do título, além de ter o papel de antecipação para prevenir dificuldades para os investidores do CRI — nesse caso, os fundos.

Qual o impacto para quem investe nesses FIIs?

Para quem investe nos FIIs, é essencial seguir acompanhando os relatórios gerenciais dos fundos, a fim de entender como os gestores estão se comportando e reagindo aos acontecimentos. Entendemos que os gestores do RZAK11, até o momento, têm adotado postura ativa perante o acontecimento, visando menores riscos e prejuízos aos cotistas.

Elaborado por:

Júlia Aquino, CNPI 3607

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