• Chegou o dia do esquenta mais esperado do mês: o pré decisão de taxa de juros no Brasil.
  • No menu: mundo com inflação “pra todo lado” e juros subindo, enquanto o risco fiscal volta a assombrar o palco doméstico com redução de impostos sobre combustíveis.
  • Sugestão do chefe: alta de 0,50 pontos percentuais na taxa Selic, atingindo 13,25% ao ano.
  • Como investir nesse cenário? Vem esquentar, que te contamos!

O que você fez nos últimos 45 dias? Trabalhou, passeou, curtiu a família, e investiu de acordo com seu perfil de risco, mantendo a cautela e a diversificação da sua carteira diante da incerteza do cenário atual?

Esperamos que sim, não é mesmo? Mas não estamos aqui para julgar nenhuma decisão ou o comportamento de ninguém no último mês (e meio). E sim, para falar sobre o rumo da nossa taxa básica de juros.

É isso mesmo! Hoje se encerra mais uma reunião do Copom – nosso Comitê de Política Monetária.

Como vocês já devem ter lido aqui na Riconnect, a cada reunião dos diretores do Banco Central do Brasil, o esquenta fica por nossa conta, para que você saia muito bem-informada(o) sobre o que esperar da decisão que afetará a nossa taxa básica de juros, a Selic, e os seus investimentos.

Quer entender mais sobre a taxa Selic? Clique aqui que te contamos!

O Drink da casa: Heatmap do Copom

Tudo começa com nossa visão 360° da economia desde a última reunião do Copom. O que aconteceu de importante na economia do Brasil e do mundo – que impactou, está impactando, e esperamos que impactará a inflação?

Quem leu nossos últimos esquentas, já sabe que tudo isso está ilustrado na tabela abaixo: o famoso heatmap do Copom. Esse mapa de calor, em bom português, serve para ilustrar o que achamos que os diretores do Banco Central estarão olhando enquanto discutem o que fazer com a taxa Selic. Lembrando: sempre com o objetivo principal de controlar o comportamento dos preços.

Quanto mais vermelho (ou quanto mais azul), mais a variável está impactando para pior (ou para melhor, no caso do azul) a perspectiva para o controle da inflação.

Já os curiosos pássaros estampados no alto do mapa indicam uma nomenclatura também curiosa sobre política monetária no mundo: os Hawks (falcões) e os Doves (pombas). Quanto mais vermelho, mais o comportamento do indicador aponta para uma decisão do Banco Central para o lado hawkish; já quanto mais azul, mais o indicador aponta uma decisão para o lado dovish.

Hawkish X Dovish: o que é?

Hawkish – Aparentemente relacionado ao comportamento de soldados na Guerra da Independência dos EUA, a figura de um falcão está associada à coragem, força, rigidez. Em política monetária, faz referência ao comportamento de banqueiros centrais mais preocupados com o controle da inflação, menos lenientes com a alta de preços e o potencial distanciamento de sua meta.

Dovish – Já as pombas são relacionadas a… acho que apenas pombas mesmo, na tranquilidade, de boa esperando seu pãozinho no parque! Em política monetária, as pombas então são associadas a autoridades monetárias mais lenientes com a inflação. Para os quais “um pouquinho de alta de preços não faz mal a ninguém”, mesmo que se distancie da meta almejada.

Vermelho de inflação e risco fiscal

Para entender melhor os números da tabela acima, vale separá-los entre os azuis ou brancos (ou seja, aqueles que reduzem as pressões sobre os preços, ou são neutros) e os vermelhos – aqueles que estão dando um empurrãozinho para os preços seguirem subindo com força.

Como podemos ver, o heatmap desse mês está quase dominado pelo vermelho. Ou seja, a evolução da economia global e doméstica nos últimos 45 dias aponta, na grande maioria, para uma piora no cenário da alta de preços.  

Após certo fôlego entre março e maio, o preço das commodities voltou aos holofotes como um dos principais vilões da inflação, na esteira da guerra entre Rússia e Ucrânia e das medidas de restrição de mobilidade implementadas na China. Para se ter uma ideia, o preço do barril de petróleo subiu de US$ 105 em maio para US$ 123 no meio de junho.

Além disso, a economia doméstica tem se mostrado melhor do que o esperado nesse começo de ano, como detalhamos aqui. Isso pesa para o lado negativo quando se trata de inflação – já que quanto mais aquecida a demanda por bens e serviços, maior a pressão sobre os preços.

Mas o grande destaque, mesmo, ficou para decisões políticas em relação ao preço dos combustíveis no país.  Isso porque, se por um lado as mudanças propostas reduzem a inflação esse ano (com preços menores para gasolina e outros combustíveis), por outro lado elas aumentam a inflação do ano que vem, além de piorar o risco fiscal. Isso porque a zeragem de impostos é proposta como temporária, e reduções permanentes precisarão ser compensadas no futuro de alguma forma – ou com mais dívida, ou aumento de outros impostos.

Ou seja: piora do risco fiscal. Quer entender mais sobre ele? Te contamos aqui!

Finalmente, vale destacar que, apesar da piora do risco fiscal de longo prazo, o real manteve a tendência de valorização. Um câmbio mais valorizado ajuda no controle de preços, já que implica “menos reais” para adquirir o mesmo bem importado, como a farinha que vai no pão e o petróleo negociado em dólares (como todas as outras commodities).  

Como você deve imaginar, isso não será o suficiente para frear a alta de preços (atingindo a meta de 3,5% esse ano e 3,25% no ano que vem) diante de tantos riscos. E o Banco Central sabe disso.

Selic 13,25% amanhã e ajuste final em agosto

Com tudo isso junto e misturado, esperamos que o Banco Central anuncie amanhã uma elevação de 0,50 pontos percentuais na Selic – levando a taxa para 13,25% ao ano, de 12,75% atualmente.

E daqui para frente? Depois de diversas altas consecutivas, o Banco Central está se aproximando do fim do ciclo de elevações da Selic. Afinal, uma Selic acima de 13% ao ano já carrega bastante poder de desaquecimento da economia – com o objetivo de tirar pressão dos preços.

Mas, como a incerteza segue bastante alta especialmente no cenário fiscal doméstico (além do já conturbado cenário global de inflação alta), acreditamos que os diretores manterão as portas abertas para a próxima reunião, em agosto.  

Em resumo: projetamos que a Selic atinja 13,75% ao ano, e siga nesse nível até o início do ano que vem.

Como investir com a Selic em alta?

Independente de acertarmos em cheio o patamar da Selic ou o ritmo de altas definido pelo Copom, a taxa deve seguir alta bom tempo. Aquilo que chamamos de “política monetária contracionista”, em que a taxa Selic desestimula a economia para conter a alta de preços.

Nesse cenário de juros em elevação, a Renda Fixa segue ganhando relevância e atratividade (não que não cansemos de contar para vocês por aqui sobre a importância da diversificação em qualquer período, e de uma boa e segura reserva de emergência). Títulos de renda fixa indexados à inflação ajudarão a proteger seu patrimônio de toda essa incerteza de preços, enquanto títulos pós fixados acompanharão a elevação da taxa Selic – elevando o retorno dos investimentos. Contamos muito mais sobre oportunidades nessa classe de ativos aqui.

Mas, se era verdade que a Renda Fixa não tinha morrido no período de juros baixos, também é verdade que outros investimentos seguem trazendo oportunidades nesse período de juros em elevação e inflação pressionada.

Na bolsa, selecionamos aqui ações de empresas vistas como de alta qualidade, com margem superior aos seus pares, endividamento baixo, crescimento de lucro e a preços atrativos. E aqui, te indicamos nossa carteira recomendada de fundos imobiliários, gratuita para assinantes Riconnect.

Enquanto isso, a classe de ativos conhecida como alternativos também ganha relevância, especialmente os ativos reais – que costumam ter baixa correlação com ciclos econômicos e inflação, como commodities minerais e agrícolas, metais preciosos e criptoativos. Uma alternativa simples para acessar esses investimentos é por meio do eTrend Ativos reais.

Finalmente, mas não menos importante, investimentos internacionais podem trazer tanto diversificação geográfica, quanto de risco. Isso porque ativos dolarizados podem servir de proteção contra uma eventual desvalorização (ainda maior) da nossa moeda, impulsionado por incertezas domésticas.  

Fundos internacionais, BDRs (recibos de ações estrangeiras negociados na B3) e ETFs (fundos negociados na bolsa) são alternativas simples para você acessar investimentos fora do país.

Elaborado por:

Paula Zogbi, CNPI 2545

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