A inflação medida pelo IPCA, nosso principal indicador de preços ao consumidor, registrou alta de 0,26% em setembro de 2023. O resultado mensal levou o índice para 5,19% no acumulado em doze meses, acelerando em relação ao observado em julho – quando o índice registrou 4,16%.

Alimentos seguem em queda, e serviços sinalizam “segunda fase” da desinflação em curso

O resultado de agosto veio um pouco abaixo do esperado pela maior parte dos analistas de mercado – ou seja, uma variação menor da inflação no mês. Em relação a nossa projeção, a surpresa é explicada, em sua maioria, por um repasse menor do que o esperado dos reajustes recentes nos preços de combustíveis implementados em agosto ao consumidor final, e pela forte queda na inflação de “alimentação fora de casa” – no caso, restaurantes.

Embora o IPCA de setembro indique uma aceleração na métrica acumulada em doze meses, a tendência enfraquecimento da inflação segue em curso. Vale lembrar que o resultado em doze meses é impactado pelo que chamamos de “efeito base”, ou seja, pelo patamar dos preços no ano anterior. Nesse caso, reduções de impostos sobre combustíveis, comunicação e outros bens e serviços implementadas no ano passado saem gradualmente da contagem conforme avançamos no ano – elevando, assim, a métrica da variação em doze meses.

No mês, vale o destaque para a continuidade da dinâmica de desinflação do preço de alimentos, incluindo a efetiva queda em alguns itens. Para ilustrar, a categoria “alimentos e bebidas” registrou queda de 0,71% em setembro, com deflação observada em alimentos como legumes, farinhas, frutas e verduras, além de carnes, leites e pescados. Em bom português: a comida está de fato mais barata.

Por trás da queda do preço de muitos alimentos estão questões climáticas e a forte produção, especialmente no Brasil. Para se ter uma ideia, estima-se que a safra de grãos no país cresça mais de 20% nesse ano (comparado a 2022), atingindo outro recorde histórico – com destaque para milho e soja, que servem de insumo para criação de proteína animal, reduzindo também o custo de produção desses alimentos.

Além dos alimentos e da inflação relativamente fraca em bens industriais, o resultado de setembro também trouxe notícias boas sobre os preços no setor de serviços. Para ilustrar, a medida chamada de “serviços subjacentes” – que exclui preços mais voláteis como hotéis, passagens aéreas e tarifas de internet – caiu de 4,1% para 3,6% na variação anual (considerando a média móvel de três meses), se aproximando da meta do Banco Central.   

A inflação de serviços é um dos fatores mais observados pelo Banco Central. Isso porque os preços no setor tendem a ser mais difíceis de controlar uma vez disseminados pela economia, por não serem impactados por movimentos como o clima e a redução ou aumento de oferta de uma commodity.

Ou seja, os preços de serviços parecem estar finalmente variando de maneira mais devagar e reduzindo a inflação em categorias como restaurantes, aluguel e cabelereiros. Para ilustrar, a inflação registrada em setembro na categoria “alimentação fora de casa” foi a quarta menor em 25 anos, diante de salários praticamente estagnados e baixos custos de produção (alimentos).

Inflação comportada no curto prazo, mas riscos seguem no radar

Para o dia a dia dos brasileiros, o processo de moderação da inflação observado nesse ano ajudou a reduzir a sensação de perda do poder de compra. Os resultados vistos nos últimos meses reforçam esse cenário, em que o “primeiro estágio” da desinflação no Brasil, puxado por alimentos e bens industriais, como roupas e eletrodomésticos, foi bem-sucedido.

Para ilustrar essa dinâmica positiva, podemos observar a queda no índice de difusão – que indica a disseminação da inflação entre bens e serviços na economia -, que foi de 53% em agosto para 43% em setembro, após ter atingido níveis acima de 80% no ano passado.

Porém, preços subindo acima da meta da inflação especialmente no setor de serviços ainda remetem certa cautela – embora o resultado dos últimos meses tenha trazido notícias animadoras nesse sentido. Isso significa que o “segundo estágio” de desinflação está em andamento, mas ainda não foi concluído.

Esse estágio que tem maior relação com as expectativas sobre os preços no futuro – que, por sua vez, são fortemente impactados por decisões no âmbito político fiscal. Afinal, se o governo gastar muito além do que arrecada e sinalizar que seguirá impulsionando a economia, muitos entenderão que os preços seguirão pressionados adiante – influenciando efetivamente o nível da inflação no futuro.

Nesse cenário, a piora recente da percepção de risco fiscal no Brasil acende a luz amarela.  

Além disso, riscos de um repique no preço de commodities energéticas no cenário global também suscitam cautela. Impulsionado por cortes de produção por parte de países produtores, o preço do barril de petróleo (tipo Brent) subiu de próximo de US$ 70 em junho para US$ 91 no início de setembro, antes de ceder para próximo de US$ 85 em outubro. Crescentes incertezas geopolíticas no Oriente Médio adicionam pressão o cenário.

Caso um cenário de petróleo mais caro se concretize nos próximos meses, a inflação global pode voltar a subir.

Vale também destacar a recente desvalorização da nossa moeda nos últimos meses, influenciada principalmente por movimentos no cenário global – como contamos aqui em detalhes. Um real mais desvalorizado adiciona pressão sobre a inflação, uma vez que boa parte do que consumimos e produzimos inclui insumos negociados em dólares ou mesmo produtos importados.

Em resumo, vemos um cenário em que a inflação perdeu força, mas ainda não saiu do radar – nem dos gringos, nem dos brasileiros e nem do Banco Central. Esse último optou por continuar o ritmo de reduções da taxa Selic em setembro, mas sinalizou que os juros devem seguir em patamares contracionistas ainda por um período considerável – justamente diante do cenário ainda incerto adiante.

Assim, projetamos que o IPCA siga reacelerando gradualmente até dezembro, encerrando 2023 em 4,8%.

Para os próximos anos, projetamos uma inflação em patamar levemente mais baixo do que o visto esse ano, mas ainda acima da meta do Banco Central (de 3,00%) – encerrando 2024 em 3,9% e 2025 em 4,0%.

Como se proteger da alta de preços?

Como falamos, embora a inflação esteja perdendo força no Brasil e no mundo, o cenário segue de cautela. Assim, proteger os investimentos contra a alta de preços segue essencial. 

Títulos indexados à inflação, como o Tesouro IPCA + 2032, debêntures de empresas sólidas e com boa classificação de risco, e fundos de inflação (fundos de investimento que investem em ativos indexados à inflação) são ótimas alternativas. Falamos mais das melhores oportunidades de renda fixa aqui. 

Outra classe de ativos que pode ajudar o investidor a se proteger da inflação são os fundos imobiliários. Por serem muitas vezes atrelados a índices de inflação, os FIIs podem ser excelentes aliados do investidor em um cenário ainda cauteloso com a alta de preços.

Aqui te indicamos nossa carteira recomendada de Fundos Imobiliários, gratuita para assinantes Riconnect.

Mas não só de proteção contra a inflação devem viver os investimentos nesse momento. Por isso, selecionamos abaixo algumas sugestões de diferentes ativos recomendados – sempre lembrando da importância da diversificação.

Classe Opção de investimento Opção de investimento2 Mínimo da opção mais acessível
Renda fixa pós-fixada Tesouro Selic 2029 CDB Facta Financeira Set/2025 117% do CDI R$ 140,00
Inflação Tesouro IPCA+ 2032 com juros semestrais JGP Debêntures Incentivadas Juros Reais FIC FIM CP R$ 43,86
Renda Fixa Prefixada CRI Assai Jul2027 10,95% *isento CDB Facta Set/2026 13,0% R$ 1.000,00
Renda Fixa Global Trend High Yield Americano FIM Trend Crédito Global FIM R$ 100,00
Multimercado Selection Multimercado FIC FIM XP Macro FIM R$ 100,00
Renda variável Brasil Carteira Rico11 Selection Ações FIC Ações R$ 100,00
Renda variável internacional Wellington Us BDR Advisory Dólar FIC Ações BDR Nível 1 M Global BDR Advisory Dólar FIC FIA BDR Nível I R$ 500,00
Renda variável internacional hedgeada Trend Bolsas Globais Trend Bolsas Emergentes R$ 100,00
Alternativos Trend Ouro Dólar FIM PVBI11 R$ 100,00

Vale lembrar que as recomendações sinalizadas na tabela abaixo não são as únicas possíveis, mas sim alternativas viáveis selecionadas pelos nossos especialistas para você.

Confira o detalhe dessas recomendações de investimento de acordo com o seu perfil de investidor no “Onde Investir”.

Elaborado por:

Júlia Aquino, CNPI 3607

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