• A inflação atingiu 12,13% em abril, sem dar alívio ao cenário de alta de preços acelerada.
  • Por trás dos preços altos, a guerra russa, lockdowns na China e disseminação em serviços por aqui.
  • Confira o que esperar daqui pra frente e como proteger seu dinheiro da perda do poder de compra.

A inflação medida pelo IPCA, nosso principal indicador de preços ao consumidor, registrou alta de 1,06% em abril. Esse foi o maior resultado para o mês desde 1996, e levou o índice para 12,13% no acumulado em doze meses.

Desde janeiro, o indicador já acumula alta de 4,30%, ultrapassando a meta do Banco Central para o acumulado no ano – de 3,50%.

Desequilíbrios, mais uma vez

O resultado de abril veio acima das expectativas da maior parte dos analistas de mercado, puxado especialmente por produtos industrializados e alimentação. Por trás disso está o cenário de commodities e preços industriais em elevação no mundo, ainda na esteira da guerra russa e, de maneira relevante no último mês, de medidas de lockdown na China.

Como boa parte dos produtos consumidos no mundo passam em algum momento durante sua fabricação pela China, as paralisações na produção, comércio e transporte no país significam uma redução da oferta de diversos produtos e insumos industriais no mundo, além de fretes na lua. Essa dinâmica, como você pode imaginar, joga os preços para cima.

Assim, vemos a alta de preços seguindo em ritmo forte, na mesma tendência que observamos ao redor do mundo. Para se ter uma ideia, a inflação ao consumidor nos Estados Unidos acumula 8,3% em doze meses até abril, o maior nível desde a década de 1980. Já na Europa, o atual patamar de 7,5% é recorde desde a implementação do euro.

Para o dia a dia do brasileiro, o resultado reforça a sensação de perda do poder de compra, que vai além de produtos industriais e alimentos. Reflexo disso é o índice de difusão da inflação, que atingiu 0,78% em abril – sua quarta elevação seguida. Isso significa que a inflação está bastante disseminada entre bens e serviços na economia, não se restringindo a poucos itens (como gasolina, gás de cozinha e alimentos).

O que esperar?

Do lado da economia global, o risco de uma guerra prolongada entre Rússia e Ucrânia se somou aos desequilíbrios nas cadeias de valor impulsionados pela política de Covid-zero na China. Tudo isso, como mencionado, empurrando os preços para cima.

Por outro lado, Bancos Centrais ao redor do mundo já se mostraram prontos para responder ao desafio da inflação alta, subindo os juros e reduzindo estímulos implementados para combater os efeitos a pandemia. Nos Estados Unidos, os juros já começaram a subir, e devem acelerar nos próximos meses.

De maneira simplificada, “menos dinheiro no mundo = menor pressão sobre os preços”.

Por que os juros sobem?

A elevação da nossa taxa básica de juros, a Selic, por parte do Banco Central tem como objetivo controlar a subida dos preços, sendo a base para todas as taxas de juros na economia.

Juros altos encarecem o crédito, ajudam a valorizar a nossa moeda (com maiores juros aqui, atraímos mais de capital estrangeiro), e impactam as expectativas sobre onde estarão os preços no futuro.

Além disso, juros altos também contribuem para a atração de capital estrangeiro ao país. Com mais moeda estrangeira entrando, nossa moeda valoriza – ajudando, assim, na alta de preços internamente.

Te contamos tudo isso em mais detalhes aqui.

Assim, projetamos que a inflação encerre esse ano em 7,40% – uma queda do patamar atual, mas muito acima da meta do Banco Central (de 3,50%). Mesmo assim, os riscos mencionados acima podem fazer com que esse número seja ainda mais alto, próximo de 10%.

Vale lembrar que, mesmo que essa queda da inflação ocorra, isso não significa que os preços vão cair. E sim, que eles passarão a subir mais lentamente (inflação caindo é diferente de deflação!).

Como proteger seus investimentos da alta de preços?

Nesse cenário de inflação alta, proteger os investimentos torna-se mais essencial do que nunca. Títulos indexados à inflação, como o Tesouro IPCA + 2026, debêntures de empresas sólidas com vencimento médio, e fundos de inflação (fundos de investimento que investem em ativos indexados à inflação) são ótimas alternativas. Falamos mais das melhores oportunidades de renda fixa aqui.

Os ativos reais também ficam especialmente interessantes nesse momento.  Esses ativos costumam ter baixa correlação com ciclos econômicos e inflação, como commodities minerais e agrícolas, metais preciosos e criptoativos. Uma alternativa simples para acessar esses investimentos é por meio do eTrend Ativos reais.

Confira todas as nossas recomendações de investimento de acordo com o perfil de investidor no “Onde Investir em maio”.

Elaborado por:

Paula Zogbi, CNPI 2545

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