• 45 dias se passaram, e seguimos falando de inflação alta e juros em elevação.
  • No nosso esquenta preferido, te contamos o que esperar para a decisão do COPOM – aquele que decide os rumos da taxa Selic.
  • No menu: inflação à la very hot, indicando alta da Selic para 12,75% ao ano.
  • Sugestão do chefe para próxima refeição (ou melhor, reunião): deixar as portas abertas para um ajuste adicional em junho.
  • Para seus investimentos? Acompanhamento da casa “Onde Investir” é a melhor pedida.

Entrando e saindo de reuniões sobre os primeiros impactos da guerra entre Rússia e Ucrânia na economia global e no Brasil, e o que esperar dali para frente. Era isso o que eu estava fazendo na data da última reunião do Copom – o Comitê de Política Monetária do nosso Banco Central.

Sim, já vivemos 45 dias desde então, embora os destaques globais tenham seguido muito similares aos analisados há pouco mais de um mês. Isso significa que hoje começa mais uma reunião sobre os rumos da taxa de juros no Brasil.

Como vocês já devem ter lido por aqui, a cada reunião dos diretores do Banco Central do Brasil, o esquenta fica por nossa conta, para que você saia muito bem-informada(o) sobre o que esperar da decisão que afetará a nossa taxa básica de juros, a Selic, e os seus investimentos.

Quer entender mais sobre a taxa Selic? Clique aqui que te contamos!

O Drink da casa: Heatmap do Copom

Tudo começa com nossa visão 360° da economia desde a última reunião do Copom. O que aconteceu de importante na economia do Brasil e do mundo – que impactou, está impactando, e esperamos que impactará a inflação?

Quem leu nossos últimos esquentas, já sabe que tudo isso está ilustrado na tabela abaixo: o famoso heatmap do Copom. Esse mapa de calor, em bom português, serve para ilustrar o que achamos que os diretores do Banco Central estarão olhando enquanto discutem o que fazer com a taxa Selic. Lembrando: sempre com o objetivo principal de controlar o comportamento dos preços.

Quanto mais vermelho (azul), mais a variável está impactando para pior (melhor) a perspectiva para a inflação.

Já os curiosos pássaros estampados no alto do mapa indicam uma nomenclatura também curiosa sobre política monetária no mundo: os Hawks (falcões) e os Doves (pombas). Quanto mais vermelho, mais o comportamento do indicador aponta para uma decisão do Banco Central para o lado hawkish; já quanto mais azul, mais o indicador aponta uma decisão para o lado dovish.

Falcões X Pombas

Hawkish – Aparentemente relacionado ao comportamento de soldados na Guerra da Independência dos EUA, a figura de um falcão está associada à coragem, força, rigidez. Em política monetária, faz referência ao comportamento de banqueiros centrais mais preocupados com o controle da inflação, menos lenientes com a alta de preços e o potencial distanciamento de sua meta.

Dovish – Já as pombas são relacionadas a… acho que apenas pombas mesmo, na tranquilidade, de boa esperando seu pãozinho no parque! Em política monetária, as pombas então são associadas a autoridades monetárias mais lenientes com a inflação. Para os quais “um pouquinho de alta de preços não faz mal a ninguém”, mesmo que se distancie da meta almejada.

O vermelho da preocupação inflacionária

Para entender melhor os números da tabela acima, vale separá-los entre os azuis ou brancos (ou seja, aqueles que reduzem as pressões sobre os preços, ou são neutros) e os vermelhos – aqueles que estão dando um empurrãozinho para os preços seguirem subindo com força.

Como podemos ver, o heatmap desse mês está dominado pelo vermelho. Ou seja, a evolução da economia global e doméstica nos últimos 45 dias aponta, na grande maioria, para uma piora na perspectiva de inflação a frente.

Jogando para a alta de preços

O principal vilão dos últimos meses tem sido o preço das commodities – produtos básicos para consumo final ou insumos industriais, como alumínio e petróleo. Esses preços vêm sendo impulsionados pela guerra entre Rússia e Ucrânia, por envolver dois grandes produtores de commodities e fertilizantes, como contamos nesse vídeo.

Além disso, último mês trouxe outro fator pressionando os preços no mundo: a nova onda de lockdowns na China diante da política de covid-zero no país. Como falamos no Onde Investir de maio, com boa parte dos produtos consumidos no mundo passando pelo país em algum momento de sua fabricação, barreiras à produção e comércio na China significa menor oferta e maior tempo de trânsito de bens ao redor do mundo, o que joga os preços para cima.

Finalmente, a economia doméstica um pouquinho melhor do que o esperado no primeiro trimestre do ano também acaba pesando para o lado negativo quando se trata de inflação – já que quanto mais aquecida a demanda por bens e serviços, maior a pressão sobre os preços. Assim, já vemos a inflação bastante disseminada pela economia.

Ajudando no controle de preços

Vale destacar que alguns (poucos) fatores jogam para o outro lado, como notamos pelos poucos pontos azuis no mapa – que indicam uma redução na pressão sobre os preços de bens e serviços.

Dentre esses fatores benignos podemos notar que finalmente o nível das chuvas não está mais sendo um desafio, confirmando que os preços de energia elétrica devem cair ao longo do ano. Sim, vamos observar deflação nos preços de energia nos próximos resultados de inflação.

Além disso, a nossa moeda valorizou 8% nas semanas depois do último Copom. A apreciação cambial ajuda a segurar a inflação, já que importamos muitos bens e serviços tanto para o consumo final, quanto para produzir outros bens (tipo máquinas), além do fato de que boa parte dos alimentos são negociados em dólar. Porém, nos últimos dias o real voltou aos níveis da última reunião praticamente, em torno de 5 reais por dólar.

Ou seja, esses fatores não devem ser o suficiente para reduzir a inflação e mantê-la na meta do Banco Central – nem de 3,5% nesse ano, nem de 3,25% no ano que vem. E o Banco Central sabe disso.

Selic 12,75% amanhã e porta aberta para junho

Com tudo isso junto e misturado, esperamos que o Banco Central anuncie amanhã uma elevação de 1,0 ponto percentual na Selic – levando a taxa para 12,75% ao ano, de 11,75% atualmente.

E daqui para frente? Com ainda muita incerteza em relação ao cenário internacional (guerra sem sinais de melhora, lockdowns na China), além do contágio dos altos números da inflação hoje sobre as expectativas de inflação no futuro, vemos o Copom deixando as portas abertas para um ajuste adicional na próxima reunião.

Expectativas de inflação: o que são?

As expectativas dos agentes sobre os preços futuros são um dos principais fatores por trás da disseminação da alta de preços de um bem ou de um serviço pontual, para todos os outros na economia.

De maneira simplificada, isso ocorre quando aqueles que determinam os preços finais para o consumidor (seja um pequeno prestador de serviços de casa ou o dono de uma rede de restaurantes ou fábricas) acreditam que os preços seguirão em elevação rápida, eles não “esperam para ver”, e já reajustam seus preços.

Caso contrário, se acreditarem que a política do Banco Central será suficiente para reverter a pressão sobre os preços, eles não elevarão seus preços em antecipação, por receio de perderem demanda.

Assim, essa verdadeira profecia autorrealizável é um dos principais fatores determinantes da inflação e da política monetária, especialmente no Brasil – um país com histórico inflacionário.

Ou seja, ao invés de já sinalizar o que fará de “bate-pronto”, ele pode indicar que ficará no aguardo de dados e acontecimentos na frente global para decidir o que fazer com a Selic.

Assim, vemos a taxa Selic atingindo 13,75% em junho, e ficando em patamar elevado (“na casa dos dois dígitos”) até, no mínimo, meados do ano que vem.

A inflação vai cair?

Como resultado de juros bastante altos, esperamos que a inflação perca um pouco da força no segundo semestre do ano. O crédito mais caro com a Selic mais alta ajudará a reduzir a pressão sobre os preços, assim como a estabilização do preço das principais commodities (mesmo que ainda muito altos), a queda do preço da energia e algumas reduções de impostos implementadas nos últimos meses.

Ao mesmo tempo, estamos vendo um processo de alta de juros e fim de estímulos também em países desenvolvidos, incluindo nos Estados Unidos. Isso deve ajudar no processo de controle da inflação no mundo, que também nos impacta por aqui.

Porém, esse processo não será rápido, especialmente considerando que a alta do juro básico demora por volta de 9 meses a um ano para ser sentida na economia como um todo. Tampouco não terá riscos – com o bom e velho risco fiscal ameaçando desvalorizar nossa moeda novamente (afetando a inflação).

Dito isso, esperamos que a inflação encerre esse ano em 7,4% – ainda muito acima da meta do Banco Central, mas abaixo do patamar atual.  

Como investir com a Selic em alta?

Independente de acertarmos em cheio o patamar da Selic ou o ritmo de altas definido pelo Copom, a taxa deve seguir alta por um bom tempo. Aquilo que chamamos de “política monetária contracionista”, que é quando a taxa Selic é elevada para desestimular a economia e ajudar a conter a alta de preços.

No cenário de juros em elevação, a Renda Fixa segue ganhando relevância e atratividade (não que não cansemos de contar para vocês por aqui sobre a importância da diversificação em qualquer período, e de uma boa e segura reserva de emergência). Títulos de renda fixa indexados à inflação ajudarão a proteger seu patrimônio de toda essa incerteza de preços, enquanto títulos pós fixados acompanharão a elevação da taxa Selic – elevando o retorno dos investimentos. Contamos muito mais sobre oportunidades nessa classe de ativos aqui.

Mas, se era verdade que a Renda Fixa não tinha morrido no período de juros baixos, também é verdade que outros investimentos seguem trazendo oportunidades nesse período de juros em elevação e inflação pressionada.

Clique aqui para saber mais das nossas recomendações para investimentos nesse mês.

Elaborado por:

Paula Zogbi, CNPI 2545

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