• A escalada do conflito entre Rússia e Ucrânia preocupa investidores ao redor do mundo;
  • O que fazer nesse momento? Ter calma, não tomar decisões precipitadas ou sair em busca de proteção!;
  • Mas esse não é o primeiro e nem será o último evento geopolítico a mexer com os mercados;
  • Assim, entenda aqui como você pode proteger seus investimentos destas turbulências.

Com a efetiva invasão da Ucrânia por tropas da Rússia, o tema se tornou o principal ponto de preocupação e atenção de investidores ao redor do mundo. Antes da eclosão do conflito, já havíamos te adiantado os principais motivadores do que viria hoje (infelizmente) a se concretizar, detalhando os potenciais impactos na economia e nos mercados – entenda tudo aqui.

Mas, independente do desfecho do atual conflito, sabemos que eventos geopolíticos como esse volta e meia aparecem, muitas vezes motivados por questões territoriais. Quando essas tensões consomem o espaço dos jornais, os mercados globais costumam não responder muito bem – especialmente quando olhamos para bolsas.

Quem investe em renda variável vai entender: geralmente os investimentos em ações são os mais sensíveis a estes momentos, e vemos a sensibilidade cair conforme nos aproximamos da boa e velha renda fixa.

Porém, quanto desses movimentos são relevantes de fato para o longo prazo?

A geopolítica importa no longo prazo?

Essa é a pergunta que devemos nos fazer. Afinal, colocar parte de suas economias em uma empresa é um movimento indicado para o longo prazo, e não apenas para investimentos de curtíssimo período.

E quando olhamos para o longo prazo, a história nos diz que…”não tanto assim”.

Tomando como exemplo a performance do principal índice de ações dos Estados Unidos, o S&P500, desde 1940, podemos ver que: após uma reação inicial negativa em relação a eventos geopolíticos (como invasões e conflitos), em 75% dos casos o índice subiu nos 12 meses seguintes – com uma média de performance de + 8,6%.

Como podemos ver, apesar de uma reação imediata negativa (bastante acentuada, em alguns casos), a recuperação costuma vir logo em seguida. Isso mostra que conflitos são questões seríssimas e que devemos acompanhar com cautela, mas que não necessariamente são relevantes para nossas decisões de investimento, principalmente no longo prazo.

Assim, a primeira lição que tiramos é: o que fazer quando eventos como esse eclodem? Nada! Pois sabemos que o imediato pós crise será tomado por volatilidade, e que mudanças bruscas nos investimentos em momentos como esse tendem a se provar ineficazes.

Diversificar para enfrentar o inesperado

Dito tudo isso, uma boa forma de proteger o seu dinheiro de eventos inesperados como um conflito entre países do outro lado do mundo é a diversificação. Esse é aquele conselho que nunca se torna repetitivo.

Uma carteira adequada ao seu perfil de investimento vai tornar essas oscilações mais “suaves”, ou em linha com as suas expectativas, sem grandes surpresas que possam gerar desespero e tomada de decisões levadas puramente pela emoção.

Diversificar seus investimentos entre mercados, geografias, classes de ativos, e até estratégias de investimento (como as desenhadas por gestores) vai te ajudar a ter uma descorrelação vencedora na sua carteira, reduzindo o risco e aumentando ganhos no longo prazo. Ou seja, quando um ativo na sua carteira estiver caindo, há maiores chances de outro estar subindo – ou, ao menos, estável.

Ativos defensivos

Tá certo! Mas, além da diversificação, não posso fazer nada para me proteger de incertezas como essa?

Essa é uma excelente pergunta! Sim, podemos investir em ativos que possuam características defensivas. Ou seja, que em momentos de estresse de mercado costumam apresentar performances positivas – ou, ao menos, se manter relativamente estáveis.

O primeiro delas e um dos mais polêmicos é o dólar. A moeda lastreada na economia mais robusta do planeta traz um componente de “porto-seguro” para sua carteira.

Em momentos em que os investidores “fogem do risco”, o dólar costuma se valorizar. Mas devemos comprar dólares e guardar debaixo da cama? Não! Aliás, dependendo do montante é até ilegal…

Então seria um fundo cambial de dólar? Exceto se você esteja querendo visitar o Mickey em Orlando e queira fazer uma reserva de dinheiro para gastar por lá, sem perder o poder de compra na moeda americana, também não é a melhor opção.

Investir em ativos dolarizados é a forma mais inteligente de dolarizar sua carteira. Também já te contamos mais sobre isso, basta clicar aqui para conferir.

E o ouro?

O bom e velho ouro também é uma boa forma de proteger sua carteira de investimentos, principalmente no momento atual, em que as commodities tem ganhado bastante força num ambiente mais inflacionário. Ricardo Kazan, sócio e gestor da Legacy Capital, comentou sobre o seu cenário para este ativo no último episódio do Stock Pickers.

Além de ser uma reserva de valor comprovada ao longo de milênios, o ouro é um ativo escasso e deve se beneficiar desse cenário de commodities valorizadas por mais tempo.

A diferença entre o outro e as outras commodities é: a “joia do mercado” costuma ser bem menos volátil do que outros insumos básicos agrícolas e minerais. Assim, provavelmente teremos uma alta mais controlada do ouro do que das demais, mas que ajustada ao seu risco mais baixo, se torna um “cavalo” mais eficiente nesse contexto.

Ah, mas importante lembrar: em momentos de otimismo, proteções são detratoras nos investimentos. Ou seja, tendem a cair. Por isso, sempre olhe para eles na sua carteira como o que ela deve ser: uma proteção ao inesperado.

Elaborado por:

Paula Zogbi, CNPI 2545

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