O ano de 2024 foi marcado pela redução na taxa básica de juros, a Selic.

Será que agora é o momento de sair da renda fixa? Essa é uma dúvida bastante comum entre os investidores em períodos de afrouxamento monetário – ou seja, de queda da nossa taxa básica de juros.

A resposta curta para essa pergunta é: Não. Mesmo diante dos cortes recentes e esperados para os próximos meses, a renda fixa continua não somente atrativa, mas também um componente essencial para carteiras de investimento diversificadas.

A resposta “longa” para essa pergunta te contamos abaixo.

O lado positivo da queda da Selic

Depois de um longo período de Selic bastante elevada, o Banco Central iniciou um processo de redução da nossa taxa básica de juros no segundo semestre de 2023.

Como contamos aqui em detalhes, o objetivo principal da gestão da Selic por parte do Banco Central é controlar a inflação – elevando a taxa quando a inflação está acima do desejado, e reduzindo quando os preços estão subindo mais lentamente.

Assim, conforme a inflação passou a cair gradualmente, após o fim de desequilíbrios causados pela pandemia da Covid-19 e outros fatores (como a eclosão da guerra entre Rússia e Ucrânia e a disparada nos preços de energia no mundo), o Banco Central pôde começar a reduzir a taxa básica de juros por aqui – diminuindo o freio que os juros altos exercem na economia.

Nesse cenário, vimos a Selic cair de 13,75% ao ano em julho de 2023 para 10,5% em maio de 2024 – patamar que deve seguir até, pelo menos, 2025.

Vale destacar que a queda dos juros tende a ser positiva para a economia, se acompanhada de um efetivo controle dos preços. Ou seja, se subir os juros é um remédio amargo contra a “doença” da inflação alta, o processo de redução gradual – sem desencadear a alta dos preços novamente – indica que esse remédio está fazendo efeito.

Os juros em queda, entretanto, impactam diretamente os movimentos de mercado, reduzindo a rentabilidade dos títulos de renda fixa (de maneira geral).

Isso não significa, porém, que a renda fixa deixa de ser atrativa. A começar pelo fato de que as taxas de juros nominais permanecem elevadas e as taxas reais (acima da inflação) continuam em patamares interessantes.

gráfico de atratividade das ntn-b

Além disso, a classe de renda fixa é composta por diferentes tipos de títulos, atrelados a índices distintos e com características distintas – podendo ser explorados por investidores para diferentes momentos e finalidades dentro de uma carteira.

Na seção abaixo, detalhamos como e onde investir em renda fixa em momentos como esse, de queda de juros.

Onde investir em renda fixa com a Selic em queda?

Como falamos, períodos de corte de juros refletem nos rendimentos de ativos de renda fixa, uma vez que a taxa Selic é a base de precificação de todos os produtos desta classe de ativos.

Portanto, para manter patamares interessantes de retorno nestes momentos de queda dos juros, recomendamos aos investidores a ampliação e diversificação das carteiras entre diferentes ativos de renda fixa, incluindo, por exemplo, títulos de crédito privado.

Mas ainda é seguro investir em Crédito Privado?

Antes de responder a esta pergunta, vamos dar um passo atrás e entender o que é crédito privado.

O crédito privado consiste em uma opção de investimento de renda fixa, em que os títulos disponíveis para a compra são emitidos por empresas. Ou seja, são títulos de dívida, e ao aplicar nesse tipo de ativo, o investidor está comprando parte da dívida da empresa.

Exemplos de crédito privado são: debêntures (incentivadas ou não), Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) e Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA).

Riscos do crédito privado

Diferente de outros títulos de renda fixa, títulos de Crédito Privado não possuem cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) e estão suscetíveis aos riscos de mercado, de liquidez e de crédito.

• O risco de liquidez se refere à facilidade para negociações do papel no mercado secundário antes da data de vencimento, no qual um título com poucos compradores pode ser desvalorizado no momento de uma cotação de venda antes do vencimento.

• O risco de mercado está atrelado às oscilações de preço dos títulos que podem ocorrer antes do vencimento, conforme as mudanças de condições macroeconômicas ou do emissor.

• O risco de crédito (conhecido como “calote”), está relacionado ao não recebimento do recurso investido (principal e/ou juros) no caso de um evento de inadimplência do emissor.

Agora sim, uma vez explicado o conceito, vamos responder à pergunta… o cenário para crédito privado no Brasil melhorou?

No Brasil, ainda que o início de 2023 tenha sido marcado pela deterioração das condições de crédito devido a determinados eventos (como o caso de Americanas e Light), o Banco Central destacou a melhora comparativa nos resultados do sistema financeiro a cada trimestre, com perspectiva mais positiva para a rentabilidade dos bancos brasileiros.

Em relação à possibilidade eventos de inadimplência, a entidade destacou que os bancos seguem com provisões adequadas, mas micro, pequenas e médias empresas devem continuar sendo monitoradas

Assim, em nosso entendimento, para 2024 a maior preocupação de crédito continua sendo pessoas físicas/famílias, além das empresas de menor porte. Já as de grande porte, que compreendem a maioria das companhias emissoras de títulos de renda fixa no mercado de capitais, seguem com fundamentos mais positivos.

Por fim, destacamos que nenhum investimento está imune a riscos. Na nossa visão, ainda que haja indicações para um melhor ambiente de crédito, ao se investir em crédito privado, sempre é importante diversificar o portfólio, priorizando empresas high grade (de melhor qualidade de crédito) e prazos alinhados ao seu perfil de investidor e seus objetivos financeiros.

Renda fixa como proteção contra inflação

A renda fixa também pode desempenhar um papel importante na proteção do seu patrimônio contra a inflação ao longo do tempo. Isso é feito por meio dos investimentos atrelados à inflação, conhecidos como “IPCA +” – em que o rendimento estará atrelado tanto a uma taxa prefixada, quanto à variação da inflação no período de vigência do título.

Nesse sentido, vale destacar que, apesar de a inflação estar relativamente comportada, a alta de preços segue um risco no radar – tanto no cenário doméstico, quanto no mundo.

Conclusão

Como vimos, a renda fixa continua desempenhando um papel fundamental em carteiras de investimento diversificadas.

Primeiro, por sua característica de menor volatilidade quando comparada a ativos de maior risco (como ações e fundos de investimento multimercado), equilibrando o risco de carteiras, além de cumprirem o importante papel de reserva de emergência.   

Segundo, por servirem de importante proteção contra riscos inflacionários ainda presentes nos cenários doméstico e global.

Ainda, por ser uma classe de ativos composta por diferentes modalidades de investimento, oferecendo oportunidades distintas em busca de retornos ainda atrativos, como em títulos de crédito privado.

Finalmente, seguimos vendo taxas atrativas para títulos de renda fixa, se comparadas ao histórico recente.  

Ou seja, ativos de renda fixa permanecem atrativos para a composição de uma carteira de investimentos. A categoria ainda atende todos os públicos de investidores, sejam eles mais conservadores, que buscam uma menor volatilidade em seus ativos, ou mais arrojados, que almejam um maior retorno em seu portfólio.

Elaborado por:

Júlia Aquino, CNPI 3607

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