setembro 20, 2019

A nova era no mercado chegou: o que fazer com o dinheiro  

Ricos & Ricas,

Hoje o Rico Matinal está sensacional (o Rico Matinal é um relatório diário escrito pelos analistas Thiago Salomão e Matheus Soares e disponível para todos os clientes da Rico).

Explicamos por que acreditamos que a decisão do Copom marca o início de uma nova era e anunciaremos aos assinantes da Carteira Rico Premium, a recomendação de um ativo que, na nossa humilde opinião, todo investidor deveria ter em uma carteira diversificada neste momento.

Se você ainda não é assinante e não quer perder essa recomendação, clique aqui.

Antes da leitura, não se esqueça que hoje é sexta-feira (alguém esquece disso?), o que significa que é dia de Stock Pickers!

Programa obrigatório principalmente para quem tem ações da Azul, Iguatemi e EzTec. Link do programa está aqui.

A Nova Era no Mercado Brasileiro

Os espectadores do canal da Rico já puderam ver na noite de quarta o Marco Mecchi (gestor da MZK) explicando o que é o ‘hiato do produto’ e por que ele (junto com a deflação mundo afora) pode manter a Selic ainda mais baixa do que os 5,5% atuais e por muito tempo.

E já conseguimos ver esses efeitos nos ativos brasileiros na quinta:

Juros: 5% virou pessimista. QUEDA!

Após já terem caído forte no começo da semana, os contratos de DI Futuro mergulharam na quinta-feira, precificando algo que antes apenas os muito otimistas estimavam: a Selic deve ficar abaixo de 5% ainda em 2019 e deve ficar baixa por muito tempo.

Pegando por exemplo o contrato DI de janeiro de 2021: no final de agosto ele estava em 5,70% (na prática, o mercado esperava que até jan/2021 a taxa de juros média seria de 5,70% ao ano); hoje, esta taxa fechou em 5,05%, chegando a ficar abaixo de 5% durante a quinta.

São quase 70 pontos de queda! Com o mercado todo revendo as contas sobre a taxa de juros na segunda-feira o Boletim Focus (relatório semanal do BC que traz as projeções do mercado) certamente trará uma mediana abaixo de 5% para a Selic de 2019.

O que muda na prática?

Investimentos que acompanham a Selic perderam todo apelo ou, como bem definiu o FinTwit, “o CDI morreu”. Na terça-feira que vem a ata do Copom poderá ser encarada como a missa de 7º dia do CDI.

Abaixo, o comportamento da inflação e as bandas superior e inferior da meta para cada ano: perceba como estamos bem próximo da banda inferior da meta há um bom tempo. À direita, o gráfico da Selic nos últimos anos.

 

Dólar: Fim do carry trade. Mais altas?

Historicamente, bolsa e dólar têm comportamentos opostos (quando um sobe, o outro cai, e vice-versa).

O motivo é pela percepção de risco: se estamos mais otimistas, tomamos mais risco e compramos ativos mais arriscados (como ações), ao passo que abrimos mão de ativos mais defensivos (como o dólar).

Há também o adicional de fluxo: quando o Brasil vai ‘bombar’, bolsa sobe e muitos estrangeiros entram no país para se aproveitar disso – e quando há mais dólares no Brasil, a moeda americana se desvaloriza em relação a nossa.

Mas por ora essa “regra”, que nunca chegou a ser perfeita, tende a ser ainda menos efetiva. E a explicação para isso é o fim do carry trade.

Explicamos: carry trade seria a combinação entre fazer uma posição vendida em moeda com taxa de juros mais baixa e outra comprada em moeda com juro mais alto.

Além da diferença entre os juros, o investidor também lucra com a variação cambial. Se não houver tanta diferença entre as taxas, a operação fica menos rentável.

Na prática: o Brasil, que sempre teve um juro muito alto, sempre foi um país para gringo fazer carry trade e ganhar com essa gorda diferença. Hoje, essa verdade não é mais verdadeira.

Pouco tempo atrás, a Selic estava em 14,25% e o juro americano mais perto de 0%. Hoje, estamos com a taxa em 5,5% e lá fora a taxa está em 1,75%/2,0%. Nem precisa de calculadora pra ver que a gordura diminuiu muito.

Isso significa que o dólar vai continuar subindo?

Já diria André Jakurski: “há formas mais interessantes de se perder a reputação do que tentar adivinhar para onde o dólar vai”.

Mas isso ajuda a explicar por que os juros mergulharam nos últimos dias e o Ibovespa voltou à máxima histórica, mas enquanto isso o dólar seguiu firme e forte e se aproxima cada vez mais dos R$ 4,20 novamente.

O que mudaria essa tendência? Se o estrangeiro começar a ver o Brasil não mais como um “país de carry trade”, mas como um país de investimento de longo prazo.

Em breve, teremos leilões de infraestrutura, privatizações e cessão onerosa. Serão ótimos instrumentos para medir o quanto eles confiam no Brasil para um casamento duradouro – ou se continuaremos sendo apenas um amor de carnaval.

Ibovespa: a salvação é pelo risco. ALTA!

Aqui seremos econômicos nas palavras, pois já temos dito quase que diariamente que vemos a bolsa brasileira como o melhor cavalo para colocar as fichas neste momento.

Mas o fato é que juro baixo por muito tempo é boa notícia para ações, ainda mais se tratando de uma economia que deve iniciar um ciclo de recuperação em breve.

A imagem abaixo, extraída do twitter do @gigzsss, mostra como os fundos de pensão seguem subalocados em ações: embora a quantia em bolsa tenha dobrado de 2015 para 2019, vale dizer que a bolsa ‘dobrou’ nesse período, o que evidencia que esse crescimento em ações não necessariamente deve-se a novos investimentos.

Para você que leu até aqui, obrigado.

Lembrando que o Rico Matinal é um relatório diário disponível a todos os clientes da Rico.