Todo mês comparamos o desempenho dos principais índices de renda fixa para você entender não só quem rendeu mais, mas por quê.

Julho foi um mês de retornos positivos e disseminados na renda fixa, mas com uma diferença de intensidade entre as classes. A Selic permaneceu em 14,25% ao longo de todo o período, e foi reduzida para 14,00% na reunião do Copom de 5 de agosto, após o fechamento do mês. Os dados de inflação vieram mais favoráveis, com destaque para a desaceleração dos núcleos, com a atividade doméstica refletindo sinais de acomodação.

No exterior, a resiliência da economia americana e a postura cautelosa do Fed levaram à abertura das taxas dos Treasuries em toda a curva. O resultado foi uma curva de juros brasileira mais inclinada: os vértices curtos recuaram acompanhando a expectativa de continuidade dos cortes, enquanto os longos seguiram carregando prêmio associado às incertezas fiscais e ao ambiente externo. O destaque positivo ficou com o IDA-DI, que combinou carrego elevado com compressão dos prêmios de crédito. Na outra ponta, o IHFA foi o único índice da lista no campo negativo.

ÍndiceCategoriaO que representa?Rentabilidade no mêsRentabilidade em 12 meses
CDIPós-fixadoReferência para renda fixa conservadora1,16%14,78%
PoupançaPós-fixadoComparativo popular0,67%8,35%
IMA-B 5InflaçãoNTN-Bs com vencimento até 5 anos1,13%12,89%
IMA-B 5+InflaçãoNTN-Bs com vencimento acima de 5 anos0,12%7,08%
IPCAInflaçãoInflação do mês (referência real)0,07%4,44%
IRF-MPrefixadoTítulos prefixados do Tesouro0,74%12,37%
IHFAMultimercadosComparativo com a gestão ativa-0,30%10,44%
IDA-DICrédito PrivadoDebêntures pós-fixadas1,39%14,99%
IDA-IPCACrédito PrivadoDebêntures indexadas ao IPCA0,68%7,31%

Pós-fixados: consistência e sem surpresa

O CDI rendeu 1,16% em julho e acumula 14,78% em 12 meses. Esse retorno foi entregue com a Selic em 14,25%, patamar que vigorou ao longo de julho. Quem estava alocado em Tesouro Selic ou em CDB de liquidez diária que paga próximo de 100% do CDI capturou praticamente esse resultado sem grande impacto da curva de juros. Vale a ressalva: LCIs e LCAs costumam remunerar um percentual menor do CDI, então não são equivalentes diretos em rentabilidade e em liquidez. O Tesouro Selic, embora bastante estável, também apresenta pequena variação de preço.

A poupança rendeu 0,67% no mês, o equivalente a 58% do CDI, e 8,35% em 12 meses. Podemos lembrar que a poupança é isenta de Imposto de Renda, o que melhora a comparação em base líquida, mas não o suficiente para inverter a conclusão: mesmo depois do imposto, produtos pós-fixados com liquidez diária continuam entregando mais. Para quem tem acesso a uma corretora, a poupança segue sendo a escolha menos eficiente entre as alternativas conservadoras.

IMA-B: o prazo do título fez toda a diferença

O IMA-B 5 rendeu 1,13% e o IMA-B 5+ ficou em 0,12%. Um ponto percentual de diferença entre dois índices que investem no mesmo tipo de papel, a NTN-B, e se distinguem apenas pelo prazo de vencimento. A explicação está no comportamento da curva de juros reais ao longo do mês. No trecho curto, as taxas recuaram: a NTN-B com vencimento em 2029 encerrou julho a 8,27%, contra 8,6% no fechamento anterior. Esse fechamento gerou ganho de marcação a mercado que se somou ao carrego e explica o desempenho do IMA-B 5. No trecho longo, as taxas ficaram estáveis em patamares elevados, com a NTN-B 2035 em 8,1% e a 2050 em 7,7%. Dado ao movimento estável, o índice longo entregou pouco mais do que o carrego do período.

Um detalhe técnico que costuma gerar confusão: o IPCA de 0,07% divulgado em agosto se refere a julho, mas não é o índice que corrigiu as NTN-Bs dentro do mês. A correção monetária desses títulos usa o IPCA com defasagem, combinada com a projeção da ANBIMA para o mês corrente. De qualquer forma, com a inflação movimentando em menor intensidade nos últimos três meses, o retorno de julho veio quase todo do juro real, e não da correção pela inflação.

Vale ter sempre em mente que títulos indexados ao IPCA não são investimentos sem volatilidade. O retorno real contratado só é garantido para quem carrega o papel até o vencimento. Antes disso, o preço oscila com a abertura ou o fechamento das curvas de juros, e quanto maior o prazo do ativo, maior essa sensibilidade. Julho foi uma demonstração clara disso.

IRF-M: prefixados capturaram o trecho curto

O IRF-M, que reúne os títulos prefixados do Tesouro, rendeu 0,74% em julho e acumula 12,37% em 12 meses. Essa é a categoria mais sensível a expectativas sobre política monetária: quando o mercado projeta juros elevados por mais tempo, as taxas dos títulos mais longos tendem a abrir e a marcação a mercado corrói o retorno. O oposto acontece quando ganha força a leitura de que os cortes vão continuar.

Em julho, a curva DI ganhou inclinação. O DI para janeiro de 2027 recuou 19 pontos-base, para 13,81%, refletindo a percepção de que o Copom daria continuidade à flexibilização em agosto, o que de fato aconteceu. Já o DI para janeiro de 2031 avançou 18 pontos-base, para 14,39%, ainda pressionado pelas incertezas fiscais e pelo ambiente externo. Ou seja, o ganho dos prefixados veio concentrado no trecho curto da curva, enquanto os vencimentos longos seguiram sob pressão. Com a Selic agora em 14,00%, os prefixados de prazo mais longo continuam carregando risco elevado de volatilidade no curto prazo, mesmo oferecendo taxas historicamente atrativas.

Crédito privado: o prêmio existe, mas riscos continuam no radar

O IDA-DI, que mede o desempenho das debêntures indexadas ao CDI, rendeu 1,39% no mês, equivalente a 119% do CDI, e lidera o acumulado em 12 meses com 14,99%. Dois fatores explicam o resultado. O primeiro é o carrego, já elevado por conta do próprio CDI. O segundo é a compressão dos prêmios de crédito: o spread do IDEX-DI, excluindo ativos estressados, fechou 11 pontos-base no mês e encerrou julho em 1,61%, abaixo tanto da média histórica de 1,69% quanto da média de 2026, de 1,78%. Quando os spreads fecham, os preços dos papéis sobem, e esse ganho de marcação entra no retorno do índice.

Esse mesmo movimento tem uma leitura menos confortável. Spreads comprimidos significam menos prêmio disponível para quem entra agora, e o retorno excedente em relação ao CDI tende a ficar mais difícil de obter daqui em diante. O spread adicional das debêntures existe por uma razão concreta, que é o risco de crédito do emissor, e é importante ressaltar que ele não desaparece quando o mercado está mais otimista.

O IDA-IPCA, que reúne as debêntures indexadas à inflação, ficou em 0,68%. Aqui somam-se o risco de crédito e o efeito de duration, já que o comportamento das taxas longas afeta a precificação desses papéis no secundário da mesma forma que afeta as NTN-Bs. Nos ativos incentivados, os prêmios oscilaram pouco: o IDEX-Infra encerrou o mês em 36,56 pontos-base sobre a NTN-B de referência, uma abertura marginal de cerca de 2 pontos-base, ainda distante da máxima de 52,42 pontos-base registrada em maio.

IHFA: a gestão ativa entregou?

O IHFA, índice que agrega os fundos multimercados, rendeu -0,30% em julho, único resultado negativo entre os índices acompanhados aqui. Ele serve como régua para avaliar se a gestão ativa gerou valor frente aos índices de renda fixa. No mês, ficou abaixo do CDI, o que significa que o risco adicional de delegar a alocação a um gestor não se converteu em prêmio no período.

Vale o registro: o IHFA agrega fundos com estratégias bastante distintas, de macro a long & short e quantitativo, e o resultado de um mês isolado diz pouco sobre a qualidade de uma estratégia. Em 12 meses, o índice acumula 10,44%. A comparação é útil como referência de contexto, não como critério isolado de decisão.

Destaque do mês

O destaque positivo de julho foi o IDA-DI, que somou o carrego do CDI ao fechamento dos prêmios de crédito e terminou o mês em 119% do CDI. Na outra ponta, o IHFA foi o único índice no campo negativo. A leitura que atravessa o mês é a mesma que aparece na diferença entre IMA-B 5 e IMA-B 5+: com a curva ganhando inclinação, quem estava posicionado no trecho curto capturou o movimento, e quem estava no longo ficou apenas com o carrego.

O que acompanhar no restante de agosto e em setembro

A próxima reunião do Copom acontece em 15 e 16 de setembro, e o comunicado de agosto manteve tom cauteloso, sem sinalizar de forma clara os próximos passos. O IPCA de agosto sai em 11 de setembro e vai mostrar, principalmente, se a desaceleração dos núcleos observada em julho terá continuidade. E o comportamento dos vértices longos, tanto na curva DI quanto na curva de juros reais, segue ligado ao quadro fiscal e ao ambiente externo, impactando no resultado de rentabilidade entre os índices de renda fixa.

Este conteúdo é informativo e não constitui recomendação de investimento. Para equilibrar risco e retorno na renda fixa, nós atualizamos continuamente nossas recomendações com os melhores títulos em cada indexador. Acesse agora a nossa Carteira de Renda Fixa e veja as oportunidades do momento.

Elaborado por:

Maria Giulia Soares, CNPI 10023

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