Todo mês comparamos o desempenho dos principais índices de renda fixa para você entender não só quem rendeu mais, mas por quê.

Em setembro, o Copom cortou a Selic em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano, diante de uma atividade econômica que desacelerou de forma mais disseminada. A inflação voltou a pressionar, com o IPCA do mês em 0,82%, acima do esperado, e lá fora o Fed subiu os juros, levando os títulos longos americanos às maiores taxas desde os anos 2000. Ainda assim, a curva de juros local fechou, principalmente nos vencimentos mais longos.

O destaque positivo ficou com o IMA-B 5+, que reúne as NTN-Bs de prazo mais longo e foi o maior beneficiado pela queda das taxas, enquanto o IDA-IPCA ficou na lanterna entre os índices de mercado, resultado direto da abertura dos spreads das debêntures incentivadas, que chegaram ao maior nível desde 2024 em meio a resgates nos fundos isentos.

ÍndiceCategoriaO que representa?Rentabilidade no mêsRentabilidade em 12 meses
CDIPós-fixadoReferência para renda fixa conservadora1,03%14,29%
PoupançaPós-fixadoComparativo popular0,65%8,31%
IMA-B 5InflaçãoNTN-Bs com vencimento até 5 anos1,90%14,79%
IMA-B 5+InflaçãoNTN-Bs com vencimento acima de 5 anos4,02%13,18%
IPCAInflaçãoInflação do mês (referência real)0,82%4,58%
IRF-MPrefixadoTítulos prefixados do Tesouro1,97%13,02%
IHFAMultimercadosComparativo com a gestão ativa1,94%10,25%
IDA-DICrédito PrivadoDebêntures pós-fixadas0,96%14,54%
IDA-IPCACrédito PrivadoDebêntures indexadas ao IPCA0,85%5,91%

Pós-fixados: consistência e sem surpresa

O CDI rendeu 1,03% em setembro, acompanhando a Selic, que foi reduzida em 0,25 ponto percentual na reunião do Copom do mês, para 13,75% ao ano. Quem estava alocado em Tesouro Selic ou em CDB de liquidez diária que remunera próximo de 100% do CDI capturou praticamente esse retorno, com baixa exposição às oscilações da curva de juros. LCIs e LCAs podem apresentar remuneração, liquidez e prazos diferentes, portanto não são equivalentes diretos aos produtos que entregam 100% do CDI.

A poupança ficou em 0,65% no período, o que representa 63,11% do CDI. É o pior resultado entre os pós-fixados e segue sendo a alternativa menos eficiente para quem tem acesso a outros produtos de renda fixa. Mesmo entre as opções mais conservadoras, há escolhas mais vantajosas com liquidez equivalente.

IMA-B: a inflação corrente e a curva longa decidiram o resultado

O IMA-B 5 rendeu 1,90% e o IMA-B 5+ rendeu 4,02% no mês. Dois fatores explicam esses números: o IPCA de setembro, de 0,82%, que é o componente de correção monetária dos títulos, e o movimento das taxas longas de juros, que fecharam ao longo do período, com queda em todos os vértices da curva de NTN-B.

O fechamento da curva, apoiado em dados de atividade mais fracos e na expectativa de continuidade dos cortes da Selic, gerou ganho de capital nos papéis de maior prazo, amplificando o retorno além da inflação corrente. Por isso, o IMA-B 5+ rendeu mais que o dobro do IMA-B 5. Nesses momentos, quanto mais longo o vencimento do título ou do fundo, maior o benefício.

Vale ter sempre em mente: títulos indexados ao IPCA não são investimentos sem volatilidade. O retorno real só é garantido se o investidor carrega o título até o vencimento. Antes disso, o preço oscila com a abertura ou fechamento das taxas de mercado, e quanto maior o prazo do ativo, maior essa sensibilidade.

IRF-M: prefixados na corda bamba

O IRF-M, que reúne os títulos prefixados do Tesouro, rendeu 1,97% em setembro. Essa categoria é a mais sensível a expectativas sobre política monetária: quando o mercado projeta que os juros vão permanecer elevados por mais tempo, as taxas dos títulos mais longos tendem a abrir, gerando perda na marcação a mercado. O oposto acontece quando surge sinalização de novos cortes.

Em setembro, o corte da Selic e os dados que confirmaram a desaceleração da atividade reforçaram a expectativa de continuidade do ciclo de cortes, o que aliviou a curva e beneficiou o retorno dos prefixados no período. O DI para janeiro de 2031 caiu 55 pontos-base, para 13,96%, enquanto o vencimento de janeiro de 2027 recuou 5 pontos-base, para 13,56%. No cenário atual, com Selic em 13,75%, inflação projetada acima da meta para 2026 e incertezas fiscais e eleitorais, os prefixados de prazo mais longo seguem carregando um risco elevado de volatilidade no curto prazo.

Crédito privado: o prêmio existe, mas não vem de graça

O IDA-DI, que mede o desempenho das debêntures indexadas ao CDI, rendeu 0,96% no mês, equivalente a 93,20% do CDI. O spread adicional em relação aos títulos públicos existe por uma razão: risco de crédito do emissor. Além disso, o resultado mensal do índice pode ser influenciado pelo movimento dos spreads no mercado secundário. Quando as condições de crédito pioram, os spreads abrem e os preços caem, mesmo sem inadimplência. Em setembro, os spreads dessas debêntures seguiram próximos das mínimas históricas, com abertura mais contida e concentrada nos emissores de menor rating. Esse cenário explica o resultado abaixo do CDI no mês de setembro.

O IDA-IPCA, para debêntures indexadas à inflação, ficou em 0,85%. Aqui, somam-se dois fatores: o risco de crédito e o efeito de duration, já que o comportamento das taxas longas de juros afeta a precificação dessas debêntures no secundário da mesma forma que afeta as NTN-Bs. Em setembro, esses dois fatores puxaram para lados opostos. O fechamento da curva ajudou, mas a abertura dos spreads das debêntures incentivadas pesou mais: o IDEX-Infra, indicador que acompanha esse prêmio, encerrou o mês em 87 pontos-base acima da NTN-B de referência, alta de 44 pontos-base e maior nível desde 2024. O movimento veio de resgates nos fundos isentos, que geraram pressão vendedora sem compradores suficientes nos níveis anteriores, e não de uma piora generalizada na saúde financeira das empresas.

IHFA: a gestão ativa entregou?

O IHFA, índice que agrega os fundos multimercados, rendeu 1,94% em setembro. Ele serve como régua para avaliar se a gestão ativa gerou valor frente à renda fixa mais simples. No mês, o índice ficou acima do CDI, o que reforça o prêmio pelo risco adicional de delegar a alocação a um gestor ativo no período. No acumulado de 2026, porém, o IHFA soma 6,76%, ainda abaixo dos 10,46% do CDI.

Vale o registro: o IHFA agrega fundos com estratégias bastante distintas, como macro, long & short e quantitativo, entre outros, e o resultado de um mês isolado diz pouco sobre a qualidade de uma estratégia. A comparação é útil como referência de contexto, não como critério isolado de decisão.

Destaque do mês

O destaque negativo de setembro foi o IDA-IPCA, que sofreu com a abertura dos spreads das debêntures incentivadas, provocada pela onda de resgates nos fundos isentos. Já o destaque positivo ficou com o IMA-B 5+, beneficiado pelo fechamento das taxas das NTN-Bs mais longas, em meio à desaceleração da atividade e à expectativa de continuidade dos cortes da Selic. Para quem acompanha a renda fixa com regularidade, o resultado de setembro reforça uma lição recorrente: o mesmo movimento de juros pode ter efeitos opostos sobre títulos públicos e crédito privado, porque o prêmio de crédito também oscila e, em alguns meses, pesa mais que a curva.

O que acompanhar em outubro

Três pontos vão definir o humor da curva de juros nas próximas semanas e, consequentemente, o comportamento dos indexados ao IPCA e dos prefixados. O primeiro é o segundo turno da eleição presidencial e os sinais sobre a política fiscal do próximo mandato, que podem ampliar ou devolver parte do fechamento recente da curva.

O segundo é a inflação: a nossa projeção do IPCA para 2026 subiu de 5,0% para 5,1%, e esperamos que a inflação em 12 meses volte a superar o teto da meta no último trimestre, pressionada por alimentos, combustíveis e efeitos do El Niño.

O terceiro é a política monetária, aqui e lá fora: a nossa projeção é de novo corte de 0,25 ponto percentual na Selic em novembro, enquanto a alta dos juros americanos, com os títulos longos nos maiores níveis em mais de 20 anos, limita o espaço para queda das taxas no Brasil.

Este conteúdo é informativo e não constitui recomendação de investimento. Para equilibrar risco e retorno na renda fixa, nós atualizamos continuamente nossas recomendações com os melhores títulos em cada indexador. Acesse agora a nossa Carteira de Renda Fixa e veja as oportunidades do momento.

Elaborado por:

Maria Giulia Soares, CNPI 10023

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