• Projeções econômicas ajudam a preparar investidores sobre o que esperar adiante.
  • Nesse mês: um mundo onde os juros sobem e trazem receios de que a economia desacelere muito; e um Brasil que cresce mais do que o esperado, com inflação cedendo, mas onde o fiscal segue o principal risco.
  • Confira o que esperar para a economia e como investir em setembro e não seja pego de “calças curtas”.

Não seja pego de calças curtas!

Para quem não segue o mercado tão de perto, pode parecer estranho. Mas, de tempos em tempos, economistas mundo afora se debruçam sobre modelos matemáticos, e constroem projeções para o cenário econômico. Conforme o cenário evolui, eventos acontecem, decisões políticas são tomadas, dados econômicos são divulgados, e essas projeções vão sendo refinadas, revisadas.

Os juros seguirão nessa trajetória? A inflação precisa ser revisada — para cima, para baixo? E o PIB: o país vai crescer como esperávamos há um mês ou dados e acontecimentos mudaram a nossa visão para a atividade econômica? E, claro, a clássica: e o dólar?

Projeções macroeconômicas são importantes para todo investidor pelo motivo principal de ajudar a nos prepararmos para o que vem adiante. Ou seja, não ser pego de “calças curtas”.

Isso não significa que, olhando as projeções, você saberá “o dia exato em que o dólar vai cair para entrar em um fundo internacional ou comprar todo o dinheiro para aquela viagem ao exterior”. Pois isso, infelizmente, será praticamente impossível. E sim, que você entenderá melhor as tendências da economia, que é o principal pano de fundo do cenário financeiro.

Assim, poderá pensar em como adaptar seus investimentos (ou manter tudo como está, se for o caso), pensando no seu perfil de risco e objetivos.

Com isso em mente, detalhamos abaixo nossas principais projeções macroeconômicas para este ano e o próximo.

Onde estamos? O cenário no mundo

Como te contamos em detalhes no Onde Investir desse mês, os principais temas por trás dos movimentos de mercados ao redor do mundo atualmente seguem dois velhos conhecidos de nós, brasileiros, mas nem tanto do mundo desenvolvido: inflação e juros altos.

É verdade que o último mês foi marcado pela perda de força no preço de certas commodities, como o petróleo, permitindo quedas substanciais no preço de combustíveis, além da continuidade da normalização da produção e escoamento de insumos e produtos industriais ao redor do mundo – as famosas cadeias globais de valor. E isso ajudou a trazer um leve alívio aos preços a produtores e consumidores.

Mesmo assim, a inflação segue muito alta para padrões históricos e frente as metas de Bancos Centrais, e a forte elevação de juros se tornou uma realidade irreversível. Com juros subindo nos Estados Unidos, Zona do Euro e outros países desenvolvidos, fica cada vez mais claro que o mundo crescerá menos.

Afinal, juros mais altos têm o objetivo de frear a inflação, mas o efeito colateral é um freio na própria economia.

Enquanto isso, a China segue enfrentando impactos de sua rígida política de covid-zero, além de desafios crescentes no setor imobiliário. Assim, o crescimento do gigante asiático perde força no ano, mesmo com crescentes estímulos fiscais e monetários por parte do governo – que, na contramão do mundo, tem reforçado a queda nos juros.

Nossa economia está crescendo

A atividade econômica aqui no Brasil continua surpreendendo para cima. Ou seja, nosso PIB (o fluxo de tudo o que produzimos de bens e serviços no país) vem crescendo mais do que o imaginado anteriormente.

Uma série de fatores explicam essa performance positiva. A força da reabertura da economia – com atividades voltando ao normal, especialmente no setor de serviços – é um dos principais, puxando também a melhora do mercado de trabalho (desemprego caindo).

Nesse ponto, vale destacar que mais de 70% da nossa economia é composta por serviços, que é também o setor que mais emprega no país. Assim, o crescimento do setor – que engloba desde serviços de transporte e carga, manicures e restaurantes, até bancos – é muito importante para o crescimento da economia do país como um todo.

Além disso, o aumento das transferências do governo às famílias ajuda a impulsionar a renda disponível – ou seja, mais dinheiro para ser direcionado ao consumo. Lembrando que, após a liberação de saques emergenciais do FGTS e adiantamento de benefícios de aposentados na primeira metade do ano, o Congresso aprovou um pacote de gastos sociais válidos até o fim desse ano. Entre eles, o aumento do valor e número de beneficiários do Auxílio Brasil e outros benefícios, como vale gás e auxílio para caminhoneiros.

Nesse cenário, o consumo das famílias tem sido um dos principais motores da economia brasileira. E deve seguir sendo pelos próximos meses, apesar da inflação ainda pressionada e dos juros em alta encarecendo o crédito.

Inflação dá fôlego

Como contamos aqui em mais detalhes, vimos mais uma vez o nosso principal indicador de inflação (o IPCA) registrar deflação no mês. Sim, você não leu errado: os preços caíram. Registrando 8,73% no acumulado em doze meses até agosto, saímos do patamar da inflação de dois dígitos.

Infelizmente, ainda não é hora de estourar a champagne e declarar a morte da inflação por aqui. Isso porque grande parte da queda de preços observada se deu por conta da redução de impostos sobre combustíveis, telecomunicações e energia elétrica.

Mesmo assim, já podemos dizer que o pior da inflação ficou para trás, ao menos por ora. A normalização das cadeias de produção no mundo (como falamos ali em cima), o enfraquecimento do preço de commodities e o próprio efeito dos juros subindo têm ajudado a enfraquecer os preços além da redução de impostos.

Assim, esperamos que a inflação encerre esse ano em 6,1%, e em 5,3% no ano que vem. Mas, como sempre, vale destacar: inflação caindo não significa que os preços irão cair, e sim que eles passarão a subir mais devagar.

Mas risco fiscal segue pedra no sapato

Mas como nem tudo são rosas, a sinalização de que os maiores gastos do governo aprovados para esse ano devem permanecer no ano que vem (não sendo apenas temporários) reacenderam a luz amarela sobre as nossas contas públicas, marcando a volta do conhecido risco fiscal.

Afinal, gastos adicionais não apenas pressionam a inflação atual por meio do aumento da renda e do consumo hoje, como também precisam ser pagos no futuro – com mais dívida, maiores impostos ou mais emissão de “dinheiro” (no caso, inflação).

Esse aumento da percepção de risco também piora as expectativas sobre a inflação no futuro, e enfraquece nossa moeda, que por sua vez bate novamente na inflação.

Para entender esse movimento que chamamos de “pass through” em economia, é só pensar: quanto mais desvalorizada a moeda, “mais dinheiro preciso para importações”, e maior a inflação.

Os juros respondem

Para combater a alta de preços, o Banco Central deve seguir sua política de juros elevados. Como contamos aqui em mais detalhes,o Copom (nosso comitê de política monetária) elevou a taxa Selic mais uma vez em agosto, para 13,75% ao ano.

Diante da inflação ainda pressionada e muita incerteza em torno da trajetória das contas públicas, entendemos que o Copom deve manter a Selic nesse patamar até meados de 2023 – quando deve começar um processo de gradual redução da taxa, chegando em 10,0% no final do ano.

Como resultado dos juros mais altos por mais tempo, um mundo que cresce menos, e maior incerteza fiscal, a economia deve perder fôlego a partir do fim de 2022 – crescendo 1% em 2023.

Aqui, vale lembrar uma das principais formas como os juros impactam a economia: juros altos encarecem o crédito e impactam o endividamento das famílias e empresas, desestimulando o consumo e a economia como um todo. Falamos mais sobre essa relação entre juros e inflação nesse podcast e nesse texto.

Como investir?

Agora que você já está atualizado da nossa visão para a economia nos próximos meses, confira no gráfico abaixo nossas recomendações de investimento atualizadas, de acordo com o seu perfil de investidor, e algumas sugestões de ativos recomendados nesse cenário.

Vale lembrar que as recomendações sinalizadas na tabela abaixo não são as únicas possíveis, mas sim alternativas viáveis selecionadas pelos nossos especialistas para você.

Confira tudo isso em detalhes no nosso relatório “Onde Investir” – acesse aqui o desse mês!

Classe Opção de investimento Aplicação mínima
Renda fixa pós-fixada Trend Di Simples FIRF R$100,00
Inflação Tesouro IPCA 2026 R$31,27
Renda Fixa Prefixada Tesouro Prefixado 2025 R$31,56
Renda Fixa Global Trend Crédito Global FIM R$100,00
Multimercado Selection Multimercado FIC FIM R$100,00
Renda variável Brasil Cesta de ações “No Stress” Rico N/A
Renda variável Internacional Trend Bolsa Americana Dólar FIM R$100,00
Renda variável internacional com hedge Trend Bolsa Americana FIM R$100,00
Alternativos Trend Commodities FIM R$100,00

Elaborado por:

Paula Zogbi, CNPI 2545

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13) Antes de qualquer decisão, os clientes deverão realizar o processo de suitability e confirmar se os produtos apresentados são indicados para o seu perfil de investidor.