A inflação medida pelo IPCA, nosso principal indicador de preços ao consumidor, registrou alta de 0,28% em novembro de 2023. O resultado mensal levou o índice para 4,68% no acumulado em doze meses, desacelerando em relação a outubro – quando acumulava 4,82%.

Black Friday e eventos climáticos balançam preços no mês

O resultado de novembro veio praticamente em linha com o esperado pela maior parte dos analistas de mercado. Dentre as poucas surpresas (em relação à projeção), observamos preços de produtos de higiene pessoal e alimentos, com os primeiros caindo menos do que o esperado e os segundos se elevando menos do que o esperado.

De maneira geral, o número pode ser lido como neutro, consolidando mais um passo no caminho da desinflação observado nos últimos meses, mas sem sinalizar um movimento mais forte do que o esperado. Em bom português: a queda da inflação está em curso, embora o jogo ainda não esteja ganho.

Exemplo desse movimento é a tendência benigna do índice de difusão – que mede quão disseminada está a inflação entre bens e serviços na economia. Como podemos ver no gráfico abaixo, esse índice vem se mantendo estável/em queda nos últimos meses, caindo para 52% no mês, de 53% em outubro.

Vale destacar que a desinflação é diferente de um período deflacionário – em que os preços efetivamente caem. Assim, a tendência de queda da inflação observada nos últimos meses não significa que não vimos preços de certos bens e serviços específicos subindo.  

Pelo contrário, o mês de novembro foi marcado pelo impacto de eventos climáticos em importantes preços na economia. Para ilustrar, o preço da cebola subiu quase 30% no período, com a produção prejudicada por fortes chuvas em diferentes regiões do país. Já o preço da energia elétrica registrou alta de 1% no mês, explicado em parte pelo acionamento de usinas termoelétricas para sustentar o forte aumento do consumo de energia causado pelas ondas de calor do último mês.

Por outro lado, o mês também contou com impacto significativo de promoções ligadas à Black Friday. Embora menos impactante do que no ano passado em algumas categorias, como em eletrodomésticos e produtos de higiene (que caíram mais durante as promoções de novembro de 2022), a data também derrubou alguns preços nesse ano. Esse foi o caso da categoria “vestuário”, que registrou deflação de 0,35% no mês, com destaque para itens masculinos, como cuecas e agasalhos.

Finalmente, vale destacar o comportamento dos preços no setor de serviços em novembro. Depois de meses mostrando alta mais moderada do que o esperado, a inflação de serviços mostrou certa piora em novembro. Serviços de aluguel de veículos, por exemplo, registraram alta de 8,3% no mês. Dito isso, entendemos que a alta não deve fortalecer-se nos próximos meses, mantendo a tendência relativamente comportada de preços no setor (embora ainda acima da meta de inflação do Banco Central).  

Vale destacar que a inflação no setor de serviços é um dos fatores mais observados pelo Banco Central. Isso porque os preços no setor tendem a ser mais difíceis de controlar uma vez disseminados pela economia, por não serem impactados por movimentos que chamamos de “oferta”, como o clima e a redução ou aumento da oferta de determinada commodity.  

Inflação em linha com esperado reforça redução gradual da Selic

Para o dia a dia dos brasileiros, o processo de moderação da inflação observado nesse ano contribuiu para a melhora da sensação de perda do poder de compra. De fato, a queda da inflação no ano tem contribuído para a elevação do rendimento médio real efetivo dos trabalhadores – que deve ter crescido 4,5% nesse ano.

Com a inflação relativamente comportada, o Banco Central poderia ter espaço para acelerar o ritmo de reduções da taxa Selic – nossa taxa básica de juros. Afinal, o objetivo principal da manutenção de juros elevados é o controle do ritmo de preços.

O resultado desse mês, porém, sinaliza que o jogo contra a inflação ainda não está ganho – apesar de vencidas importantes fases. Preços no setor de serviços ainda relativamente teimosos acima da meta do Banco Central, além de riscos no cenário internacional e doméstico seguem relevantes.    

No âmbito internacional, a recente alta das taxas de juros de longo prazo nos Estados Unidos impõe um desafio relevante para a redução dos juros no Brasil. Isso porque, de maneira simplificada, com retornos mais altos no investimento considerado de menor risco do mundo, investidores tendem a “exigir” maiores retornos em países considerados de maior risco – ou seja, maiores juros.

Já aqui no Brasil, o principal risco segue a deterioração das contas públicas. Afinal, se o governo gastar muito além do que arrecada e sinalizar que seguirá impulsionando a economia, muitos entenderão que os preços seguirão pressionados adiante – influenciando efetivamente o nível da inflação no futuro

A deterioração do risco fiscal também tende a impactar a nossa moeda, uma vez que essa é percebida como mais arriscada. Um real mais desvalorizado adiciona pressão sobre a inflação, uma vez que boa parte do que consumimos e produzimos inclui insumos negociados em dólares ou mesmo produtos importados.

Em resumo, vemos um cenário em que a inflação perdeu força, mas ainda não saiu do radar – nem dos gringos, nem dos brasileiros e nem do Banco Central. Este último optou por continuar o ritmo de reduções da taxa Selic, mas sinalizou que os juros devem seguir em patamares contracionistas ainda por um período considerável – justamente diante do cenário ainda incerto para os próximos meses.

Assim, projetamos que o IPCA encerre 2023 em 4,4%. Para os próximos anos, projetamos uma inflação em patamar levemente mais baixo do que o visto esse ano, mas ainda acima da meta do Banco Central (de 3,00%) – encerrando 2024 em 4,1% e 2025 em 4,0%.

Como se proteger da alta de preços?

Como falamos, embora a inflação esteja perdendo força no Brasil e no mundo, o cenário segue de cautela. Assim, proteger os investimentos contra a alta de preços segue essencial. 

Títulos indexados à inflação, como o Tesouro IPCA + 2032, debêntures de empresas sólidas e com boa classificação de risco, e fundos de inflação (fundos de investimento que investem em ativos indexados à inflação) são ótimas alternativas. Falamos mais das melhores oportunidades de renda fixa aqui. 

Outra classe de ativos que pode ajudar o investidor a se proteger da inflação são os fundos imobiliários. Por serem muitas vezes atrelados a índices de inflação, os FIIs podem ser excelentes aliados do investidor em um cenário ainda cauteloso com a alta de preços.

Aqui te indicamos nossa carteira recomendada de Fundos Imobiliários, gratuita para assinantes Riconnect.

Mas não só de proteção contra a inflação devem viver os investimentos nesse momento. Por isso, selecionamos abaixo algumas sugestões de diferentes ativos recomendados – sempre lembrando da importância da diversificação.

Classe Opção de investimento Opção de investimento2 Mínimo da opção mais acessível
Renda fixa pós-fixada Tesouro Selic 2029 XP TOP FI Renda Fixa Crédito Privado LP R$ 100,00
Inflação Tesouro IPCA+ 2032 com juros semestrais Debenture Engie jul/2026 IPCA+5,5% R$ 50,00
Renda Fixa Prefixada Tesouro Prefixado 2026 CRA Minerva set/2030 11,65% R$ 100,00
Renda Fixa Global Trend High Yield Americano FIM Trend Crédito Global FIM R$ 100,00
Multimercado Selection Multimercado FIC FIM XP Macro FIM R$ 100,00
Renda variável Brasil Carteira Rico11 Selection Ações FIC Ações R$ 100,00
Renda variável internacional Wellington Us BDR Advisory Dólar FIC Ações BDR Nível 1 M Global BDR Advisory Dólar FIC FIA BDR Nível I R$ 500,00
Renda variável internacional hedgeada Trend Bolsas Globais Trend Bolsas Emergentes R$ 100,00
Alternativos Trend Ouro Dólar FIM PVBI11 *restrito R$ 100,00

Vale lembrar que as recomendações sinalizadas na tabela abaixo não são as únicas possíveis, mas sim alternativas viáveis selecionadas pelos nossos especialistas para você.

Confira o detalhe dessas recomendações de investimento de acordo com o seu perfil de investidor no “Onde Investir”.

Elaborado por:

Júlia Aquino, CNPI 3607

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