• A inflação medida pelo IPCA atingiu 10,06% em dezembro, reforçando desafio dos preços altos.
  • Os juros altos devem ajudar a trazer a inflação para 5,2% no ano que vem.
  • Mas proteger seus investimentos nesse cenário incerto é essencial.
  • Entenda aqui como!

A inflação medida pelo IPCA, nosso principal indicador de preços ao consumidor, registrou alta de 0,73% em dezembro, levando o índice para 10,06% no acumulado em doze meses (o resultado popularmente mais utilizado).

Ou seja, fechamos o ano de 2021 com inflação pouco acima de 10% ao ano – muito acima da meta de inflação do Banco Central para o ano, de 3,75%.

O resultado veio um pouco acima do esperado por nós e pela maior parte dos analistas de mercado, principalmente por conta da “volta” de descontos observados em novembro devido às promoções de Black Friday. Mesmo assim, mostrou uma desaceleração quando comparado ao acumulado em doze meses até novembro – em 10,74%.

Para o dia a dia do brasileiro, entretanto, o resultado mensal não traz grandes diferenças ao que já vinha sendo sentido até aqui. Os preços seguem subindo de maneira acelerada, a exemplo da alta observada nos preços de combustíveis (a gasolina acumulou alta de mais de 47% no ano, enquanto o gás de botijão subiu 37%), corroendo o poder de compra das famílias e aumentando a incerteza da economia como um todo – de consumidores, à investidores e empresários.

Em outras palavras, a inflação pressionada reflete a realidade de que o preço dos bens e serviços seguem sendo uma das principais preocupações do brasileiro.

Por outro lado, um conjunto de fatores internacionais e domésticos devem levar a uma perda de força da aceleração dos preços ao longo desse ano.

O que esperar?

Do lado da economia global, já há sinais de melhora na crise nas cadeias de produção, apesar de a Ômicron ter aumentado a incerteza nessa frente. Ou seja, caso a nova variante da Covid-19 não reverta a situação, custos pressionados como de logística, e materiais básicos como commodities agrícolas e minerais devem começar a perder força.

Ao mesmo tempo, Bancos Centrais ao redor do mundo já se mostraram prontos para responder ao desafio da inflação alta, subindo os juros e reduzindo estímulos implementados para combater os efeitos a pandemia. O exemplo da comunicação recente do Banco Central dos Estados Unidos (como conto em mais detalhes nesse vídeo), que indicou que a alta de juros deve acontecer nos próximos meses por lá, reforça esse movimento.

De maneira simplificada, “menos dinheiro no mundo, menor pressão sobre os preços”.

Enquanto isso, aqui no Brasil, a melhora das condições climáticas (especialmente a volta das chuvas, que amenizam os preços de energia) e das safras (que afetam os alimentos) esperadas para o ano que vem devem ajudar a desacelerar os preços.

Mas os juros em alta devem ser o ator principal. Esperamos que a Selic atinja 11,50% em março, onde deve ficar até no mínimo as eleições.

A elevação da nossa taxa básica de juros, a Selic, por parte do Banco Central tem como objetivo controlar a subida dos preços, sendo a base para todas as taxas de juros na economia. Juros altos encarecem o crédito, ajudam a valorizar a nossa moeda (com maiores juros aqui, atraímos mais de capital estrangeiro), e impactam as expectativas sobre onde estarão os preços no futuro.

Expectativas de inflação

As expectativas dos agentes sobre os preços futuros são um dos principais fatores por trás da disseminação da alta de preços de um bem ou de um serviço pontual, para todos os outros na economia.

De maneira simplificada, isso ocorre quando aqueles que determinam os preços finais para o consumidor (seja um pequeno prestador de serviços de casa ou o dono de uma rede de restaurantes ou fábricas) acreditam que os preços seguirão em elevação rápida, eles não “esperam para ver”, e já reajustam seus preços.

Caso contrário, se acreditarem que a política do Banco Central será suficiente para reverter a pressão sobre os preços, eles não elevarão seus preços em antecipação, por receio de perderem demanda.

Assim, essa verdadeira profecia autorrealizável é um dos principais fatores determinantes da inflação e da política monetária, especialmente no Brasil – um país com histórico inflacionário.

Com isso, devemos ver nosso principal índice de inflação (o IPCA) cair para 5,2% até o final deste ano.

Mas lembre-se! Não espere sentado a queda dos preços, porque com algumas exceções (como energia elétrica), os preços apenas passarão a subir mais lentamente, e não efetivamente cair.

Como proteger seus investimentos?

Nesse cenário de inflação alta, proteger os investimentos torna-se mais essencial do que nunca. Títulos indexados à inflação, como Tesouro IPCA + 2026, debêntures de empresas sólidas com vencimento médio, e fundos de inflação (fundos de investimento que investem em ativos indexados à inflação) são ótimas alternativas. Falamos mais das melhores oportunidades de renda fixa por aqui

Além disso, empresas ligadas ao setor de commodities (que possuem ativos reais, além de receitas dolarizadas) também podem ser boas oportunidades, de acordo com o perfil de risco do cliente. Ainda, por aqui, fazemos uma seleção de empresas brasileiras e internacionais que se destacaram historicamente em momentos de inflação alta.

Elaborado por:

Paula Zogbi, CNPI 2545

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