(Antônio Sanches e Vanessa Naissinger)

Segunda feira, seu despertador toca, mas você tem a opção de se levantar da cama ou não. Afinal, você já vive de dividendos das empresas que investe. Esse é o sonho de muitos investidores, mas será que isso não é bom demais para ser verdade?

A resposta é que sim! E como gostamos de falar aos nossos leitores da Rico, não existe almoço grátis no mercado. Não nos entenda mal, é completamente possível que um investidor consiga acumular patrimônio o suficiente para viver dos seus rendimentos. Porém, diferente do que muitos investidores pensam, os dividendos não são um dinheiro gratuito pago aos acionistas de uma empresa listada na bolsa.

O que são os dividendos?

Dividendos são uma parcela do lucro líquido de uma empresa, distribuída periodicamente aos acionistas, proporcionalmente ao número de ações que eles possuem, como forma de remuneração.

A ideia de realizar esses pagamentos é recompensar os acionistas e atrair novos. “Chamando” mais pessoas para investir, a empresa tende a valorizar na Bolsa.

Primeiro, o Conselho de Administração da companhia verifica se a empresa obteve lucro ao longo do exercício para distribuir uma parte aos acionistas. Caso tenha lucro, a empresa deve deliberar sobre os dividendos a distribuir e, em seguida, anunciar o valor que será distribuído, a data de registro e a data de pagamento. Após essa declaração, a empresa tem a obrigação legal de distribuir parte de seu lucro entre os acionistas.

No pagamento, cada acionista recebe um valor proporcional ao tipo de ação (preferencial ou ordinária) e à quantidade que detém.

O que está por trás do dividendo?

Qualquer empresa que tenha lucro em suas operações, mesmo sem capital aberto em bolsa de valores, questiona a respeito do destino desses recursos. Basicamente, a empresa tem duas opções: distribuir dividendos aos acionistas (sócios) ou reinvestir o valor no próprio negócio. Essa decisão é chamada de “política de dividendos” da empresa.

Há diversos estudos que discutem sobre qual a melhor forma de destinação dos lucros, e um dos mais famosos é a Teoria da Irrelevância dos Dividendos (Modigliani e Miller).

Segundo os autores, o valor da empresa é definido exclusivamente pela sua capacidade de geração de lucros, não tendo importância a política de distribuição (desses lucros) da empresa.

Entretanto, outros autores acreditam que a relação entre distribuição e retenção de lucros é uma decisão que afeta a geração de valor do negócio. Como exemplo, podemos falar da Teoria do Pássaro na Mão, de Gordon e Lintner, que explica que a alta distribuição de proventos é importante, pois é mais seguro possuir o dividendo em conta hoje do que aguardar um potencial ganho futuro por meio da valorização da ação.

Em meio a tantas opiniões, a verdade é que cada investidor possui uma mentalidade e objetivos diferentes ao realizar seus investimentos: tem quem preferira investir pensando em ganhar conforme o preço da ação se valoriza, enquanto outros preferem ver o dinheiro entrando de tempos em tempos na conta em forma de proventos.

Esse comportamento foi identificado pelo o que ficou conhecido como “Efeito Clientela”. O conceito explica o motivo de alguns investidores terem preferência por empresas com alta retenção de lucros e investimentos em projetos que venham gerar crescimento para a companhia, enquanto outros buscam por empresas consolidadas que tendem a distribuir entre os acionistas uma parte maior do lucro.

Em bom português, o dividendo é um dinheiro que pode ser reinvestido na empresa para que ela gere mais valor a longo prazo, ou um dinheiro que pode ser “desinvestido” e entregue de remuneração ao acionista — investidores da empresa, como você e eu. E cada investidor tem sua preferência sobre como obter potenciais lucros com sua parcela dessa empresa.

O que leva uma empresa a distribuir seus lucros?

Os motivos que levam uma empresa a distribuir proventos em vez de utilizar todo seu lucro para reinvestir no negócio são variados. Vamos falar sobre alguns deles:

  • Legislação brasileira: a lei determina que toda empresa listada em bolsa, que registrar lucro, precisa pagar dividendos ao menos uma vez ao ano. O quanto e com que regularidade pagar deve ser detalhado no seu estatuto. Caso o estatuto não defina, a regra é que 50% dos lucros sejam pagos em dividendos, ou 25% para empresas que possuam ações preferenciais. Entretanto, a empresa pode decidir por um valor menor de distribuição, só precisa estar claro em seu estatuto.
  • Dividendo residual: empresas que aderem ao dividendo residual, ao finalizar o exercício fiscal com lucro, analisam todas as oportunidades de investimento e destinam o valor a elas. Caso, após a destinação, ainda sobre um valor do lucro, só então será distribuído aos acionistas. Nessa situação, não faz sentido para a empresa investir o lucro gerado, pois não há projetos que gerem valor para a companhia e para os acionistas.
  • Sinalização: geralmente, o mercado reage positivamente quando uma empresa aumenta a distribuição de proventos, e com isso, a cotação das ações tende a valorizar. O contrário também é verdadeiro: em casos em que uma companhia diminui os valores de dividendos, suas ações podem oscilar negativamente.

Desta forma, as empresas boas pagadoras de dividendos tendem a ser aquelas com um fluxo mais previsível de lucro, dada a maturidade da empresa que opta por remunerar bem o seu investidor ao invés de buscar novos investimentos, já que muitas vezes atingiu uma participação relevante em seu mercado. Exemplo delas são os grandes bancos e empresas do setor elétrico.

Confira a nossa seleção de empresas boas pagadoras de dividendos aqui.

E o que você ganha com uma empresa que reinveste seus lucros?

Ganho por meio da valorização

Como comentado, há quem prefira investimentos que não paguem proventos aos acionistas, mas que possuam um potencial maior de valorização no longo prazo. Algumas empresas que prezam pelo reinvestimento dos lucros podem trazer retornos ainda maiores aos investidores, em comparação com empresas com pagamento recorrente de dividendos.

Em alguns países por exemplo, a legislação não exige um pagamento de dividendos obrigatório quando a empresa apresenta lucro, como é o caso dos Estados Unidos.

Pegando um exemplo desse país, a Amazon, que foi criada em 1994 nunca distribuiu dividendos entre os acionistas, e valorizou cerca de 632% (em reais) desde setembro de 2013. Já a Coca-Cola, que realiza a distribuição dos lucros desde 1987, valorizou “apenas” 269% desde setembro de 2013.

Por outro lado, essas empresas de crescimento tendem a ser mais sensíveis às variações da taxa de juros. Afinal, se a taxa de juros é utilizada como taxa de desconto para o cálculo do preço justo de uma ação— como explicamos nesse texto — quanto maior a taxa de juros, maior será o desconto aplicado nesse lucro que virá apenas no futuro, comparado àquelas empresas que já atingiram uma maturidade financeira.

Reinvestindo os dividendos

Alguns tipos de investimentos não realizam a distribuição de dividendos, como é o caso dos fundos de investimento e ETFs. No caso desses ativos, todo os proventos recebidos são reinvestidos no próprio fundo, criando a bola de neve dos juros compostos e liberando o investidor da necessidade de realizar o reinvestimento.

Para ter uma ideia de qual estratégia tem obtido os melhores resultados nos últimos anos no mercado brasileiro, comparamos dois ETFs representativos: o DIVO11 (fundo que replica o índice de dividendos) e o SMAL11 (fundo que replica o índice de Small Caps da B3 — empresas de capital aberto que possuem valor de mercado entre R$200 milhões e R$2 bilhões. Em outras palavras as menores empresas da bolsa com potencial de crescimento de seu valor de mercado). É importante frisar que algumas Small Caps também pagam dividendos, mas essas empresas têm uma tendência maior de reinvestir seu lucro, prezando o crescimento a longo prazo.

Como pode ser visto no gráfico, as empresas com pagamento recorrente de dividendos têm tido um resultado superior nos últimos anos (e isso tem bastante relação com o mercado brasileiro, no qual os investidores, geralmente, dão preferência ao recebimento dos proventos).

Entretanto, em uma carteira de investimentos com horizonte de longo prazo, o ideal seria diversificar entre empresas que já atingiram a maturidade (para manter a segurança) e empresas com maior potencial de crescimento (visando uma rentabilidade maior). Da mesma forma que não devemos manter grande parte do nosso patrimônio em uma única empresa, ou um setor de mercado específico, é importante que seja encontrado o ponto de equilíbrio entre as estratégias de crescimento e dividendos para possuir uma carteira mais diversificada e protegida.

Empresas não deveriam distribuir dividendos?

Uma empresa que distribui dividendos, geralmente, demonstra um bom sinal ao mercado. Afinal, significa que a empresa apresenta uma certa saúde financeira. Apesar de optar por não reinvestir esse dinheiro em sua própria operação, esse capital distribuído aos seus acionistas serve como uma recompensa aos seus sócios que arriscaram seu dinheiro naquele investimento.

Por outro lado, não podemos esquecer que esse dinheiro retirado da empresa também tem impacto nela mesma e em seu valor de marcado. Além disso, também impacta o patrimônio do investidor, que está sendo “retirado” daquela empresa para o seu saldo em conta.

Por isso, principalmente para aqueles investidores que ainda estão em fase de acumular patrimônio, é crucial o reinvestimento de seus dividendos de acordo com a alocação ideal para o seu perfil de investidor.

Confira aqui nossa recomendação de alocação por perfil no Onde Investir.

Elaborado por:

Paula Zogbi, CNPI 2545

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