Se você investe em ações, ou já pensou em começar, provavelmente já passou por aquele desconforto clássico: comprar na baixa, sem saber quando os preços vão reagir, ou olhar para a bolsa renovando recordes e sentir que já é tarde demais, que tudo está caro.

Atenção: essa sensação, apesar de intuitiva, nem sempre joga a favor do investidor. Isso porque boa parte dos ganhos de longo prazo acontecem justamente em períodos em que o mercado segue renovando máximas, mês após mês.

Nesse cenário, muitos investidores acabam sendo levados pelo “medo de estar de fora” (conhecido em inglês como FOMO – Fear of Missing Out), e passam a comprar apenas quando o mercado já está em alta. O problema é que esse movimento pode levar ao efeito oposto do esperado: entrar tarde demais e acabar perdendo uma parte relevante da valorização, ou até boa parte de todo o movimento.

Diante disso, surge a dúvida: será que investir toda vez que o mercado bater novos recordes traz retorno positivo no longo prazo? Essa foi a pergunta que motivou o estudo, e a resposta surpreendeu.

Para responder essa pergunta de forma objetiva, simulamos essa estratégia nos últimos 15 anos: investir sempre que o índice atinge um novo topo histórico.

Em 15 anos, conseguimos capturar diversos ciclos do mercado brasileiro: o longo período de lateralização¹ da bolsa brasileira entre 2011 e 2017, a crise da Covid em 2020 e a recuperação que veio depois. Adicionalmente, conseguimos capturar o movimento do Índice de Dividendos da bolsa brasileira (o IDIV) desde o início da série histórica: em maio de 2011. Além do Ibovespa e do IDIV, avaliamos também o S&P 500 (principal índice das bolsas americanas).

O resultado é claro: a consistência sempre ganha. Os resultados completos estão longe de um “preto no branco”: em alguns casos a estratégia funciona muito bem, em outros, entrega um desempenho mais moderado. Porém, em todos os índices testados, há um fator que se repete: o investidor que simplesmente aportasse todo mês a partir do primeiro recorde teria saído melhor do que quem esperou o gatilho do recorde para cada compra.