• Eleições: sabemos que elevam a incerteza entre investidores, impactando mercados.
  • Mas você sabia que a média de volatilidade do Ibovespa não é maior do que o normal em anos eleitorais?
  • Como investir nesse cenário? Uma carteira diversificada e sem “trades eleitorais” será sua melhor aliada.
  • Confira o porquê de tudo isso aqui!

Volatilidade: nossa companheira independente das urnas

“As eleições de 2022 serão as mais acirradas da história democrática do país”. Tenho certeza de que ouviremos bastante essa afirmação ao longo do ano.  

Afinal, como você deve saber, em outubro teremos eleições gerais no Brasil – quando serão eleitos o presidente da República, além de governadores, deputados federais e estaduais, e senadores. 

Não há como saber se essa será, de fato, a disputa mais acirrada para o cargo de presidente. Mas uma coisa podemos afirmar: as eleições de 2022 virão acompanhadas de volatilidade nos mercados.

Ou será que não? Será que essa volatilidade esperada pelas eleições é maior do que o normal?

Para a surpresa de muitos, os dados indicam que não.

É verdade que, olhando para os dados históricos desde a redemocratização, os retornos do Ibovespa 12 meses antes das eleições são menores (na média, negativos), enquanto os retornos médios no pós-eleição apresentam performance mais alta, no território positivo. O gráfico abaixo ilustra esse movimento.

O primeiro gráfico do conteúdo demonstra o retorno acumulado do Ibovespa, em média, negativos e positivos antes e depois das eleições presidenciais, desde 1988.

Porém, os dados também revelam que, apesar da fama de agitador, a volatilidade do período eleitoral não é diferente do que já vemos com frequência por aqui.

Ou seja, ao contrário do que muitos podem acreditar, a volatilidade observada na bolsa brasileira não é historicamente maior em períodos eleitorais, quando comparado a tempos “normais”. E sim, é uma companheira constante dos investidores brasileiros.

O que é volatilidade?

É muito comum falarmos de volatilidade no mundo dos investimentos. Mas do que isso se trata, especificamente?

A volatilidade de um ativo se refere à oscilação dos retornos desse ativo, ou seja, o quanto o lucro dado por ele varia dentro de uma janela de tempo. Para analisar isso, avaliamos o quanto subiram e desceram os preços do ativo em relação ao seu valor médio nesse período.

Ativos muito voláteis são aqueles que têm grandes variações de preço em pouco tempo, como criptomoedas.

Volatilidade é também uma medida de risco quando falamos de investimentos — quanto mais volátil, maior a chance de você ter grandes retornos ou grandes perdas (“com grandes retornos vêm grandes volatilidades”).

Um mercado mais volátil pode ter ótimas oportunidades de ganhos, mas é preciso ficar atento aos fundamentos específicos de cada ativo para suavizar a volatilidade e evitar sustos.

Só acredita vendo? Pois bem, dê uma olhada no gráfico abaixo, em que analisamos o nível de volatilidade do Ibovespa antes e depois das eleições federais, desde 1988.

 O segundo gráfico do conteúdo se refere ao gráfico de volatilidade do Ibovespa apresentando valores antes e depois de eleições presidenciais, desde 1988.

As regras do jogo político e econômico

Ok, vimos que a volatilidade acompanha o investidor brasileiro independente do ano corrente. Mas também sabemos que a escolha do principal líder político (seja ele presidente, primeiro-ministro ou cargo similar) é certamente um dos principais eventos socioeconômicos de qualquer país.

E que, por mais distante que possa parecer, o cenário político impacta (e muito) os mercados. Muitas vezes, um acontecimento político está por trás de movimentos como o aumento ou queda de expectativas de juros futuros no mercado de renda fixa, a valorização ou desvalorização da nossa moeda, e mesmo a precificação de ações de empresas listadas na bolsa.

Isso ocorre, pois é no palco político que são determinadas as regras do jogo. Regras como a regulação que impacta diferentes setores, reformas econômicas que tem perspectivas de melhorar (ou piorar) a situação fiscal do país, as próprias regras eleitorais, o pano de fundo de decisões judiciais que impactam empresas e pessoas, e – claro – as leis e regulações que regem o mundo dos investimentos.

A discussão sobre a PEC dos Precatórios que se arrastou ao longo do ano passado, e a consequente mudança na regra do teto de gastos são um exemplo perfeito disso. Por tratarem da base para gastos do governo no longo prazo e impactar a situação fiscal do Brasil, enquanto durou a incerteza sobre o desfecho dessa história (que contamos aqui em detalhes), vimos o real desvalorizar, o Ibovespa sofrer, e a expectativa de juros futuros subir.

E então, após o desfecho, que incluiu criar espaço para o aumento de gastos nos próximos anos, alteramos nosso cenário base para a economia no país. Passamos a esperar uma moeda mais desvalorizada, inflação mais pressionada, juros mais altos, e menor crescimento econômico.

Muito disso por conta do aumento da percepção de risco fiscal e suas consequências. Detalhamos aqui porque o risco fiscal é tão determinante em movimentos de mercado e, consequentemente, nos seus investimentos.

A imprevisibilidade e a incerteza eleitoral

Assim, quando falamos de eleições, estamos falando da incerteza sobre o futuro das regras do jogo. Aqui, independente da predileção política de cada analista e gestor de mercado, entra a palavra mágica que conecta as urnas aos mercados: previsibilidade. Nesse caso, a falta dela.

A falta de previsibilidade sobre o que acontecerá no futuro, e isso inclui um próximo mandato presidencial, impacta diretamente a percepção de risco de agentes de mercado. Em bom português: se você não sabe o que vai acontecer amanhã, como você terá coragem de colocar seu dinheiro em um ativo? Simples: você coloca essa incerteza no preço desse ativo.  

Por isso, falamos na precificação da incerteza eleitoral. Isso nada mais é do que o movimento de investidores tentando se proteger do desconhecido, por meio do desconto no preço daquilo que estão comprando.

A imprevisibilidade também impacta diretamente a economia real. Ou seja, a produção de bens e serviços na economia, o famoso PIB. Isso porque, diante da incerteza que acompanha um ano eleitoral, investimentos produtivos são adiados, empresários ficam cautelosos, consumidores adiam as compras. Assim, a economia é impactada pela mesma sensação de “dúvida sobre o que vem por aí” – voltando, ao fim, para o mercado e para os seus investimentos.

A relação entre o índice de incerteza calculado pela FGV (com base em fatores como variação de projeções econômicas e referências jornalísticas) e o indicador de atividade econômica calculado pelo Banco Central (o IBC-Br, que é uma espécie de proxy mensal do PIB) ilustra bem para essa conexão entre a falta de previsibilidade sobre o cenário político econômico e a atividade econômica.

Como podemos ver no gráfico, na maior parte das vezes, quando um indicador sobe, o outro desce. O comportamento indica que a economia tende a sofrer em momentos de maior incerteza, como na crise político-fiscal que vivemos entre 2014 e 2015, e no início da crise da pandemia de Covid-19.

Ou seja, quanto maior a incerteza, menor o crescimento da economia. É claro que outros fatores certamente impactaram a atividade econômica nesses períodos, como a própria piora da situação fiscal em 2014-15, e as medidas de restrição de mobilidade durante a pandemia. Mas a incerteza certamente contribui para o quadro de piora econômica.

O terceiro gráfico do texto mostra a relação entre o índice de incerteza da economia (da FGV) e o resultado do indicador de atividade econômica, medido pelo Banco Central, desde novembro de 2010.

Como investir em ano eleitoral?

Finalmente, chegamos à pergunta que não quer calar: o que fazer com seus investimentos em anos eleitorais, como o atual.

Para a infelicidade daqueles que esperam uma recomendação eleitoral de investimentos, a resposta é: não faça nada diferente do que você faria em um ano não eleitoral.

Isso não quer dizer que não será preciso cautela nos investimentos ao longo do ano. Pelo contrário, especialmente diante dos desafios que ainda enfrentaremos por aqui e no mundo, como a inflação alta, o desfecho ainda incerto da pandemia, além de um período de alta dos juros no mundo e por aqui – onde esperamos que a taxa Selic atinja 11,50% em março.

Ao mesmo tempo, isso também não quer dizer que você deve modificar sua carteira de investimentos de olho em ganhos extraordinários com “trades eleitorais”. Em nossa filosofia de investimentos, a maior parte do patrimônio não é destinada para especulação no mercado.

Tentar acertar o resultado das eleições e posicionar os investimentos para ganhar com isso (caso estejamos certos) não é uma prática que defendemos.

Preferimos a manutenção de uma carteira diversificada, ajustada para o perfil e objetivos de cada investidor, para que possamos atravessar momentos de (isso sim) elevada incerteza. Assim, nossa alocação recomendada para esse momento, por perfil, é a seguinte:

Finalmente, na tabela abaixo, separamos algumas sugestões de ativos recomendados em cada uma dessas categorias. Vale lembrar que essas recomendações não são as únicas possíveis, mas sim alternativas viáveis selecionadas pelos nossos especialistas para você.

ClasseOpção de investimentoAplicação mínima
Renda fixa pós-fixadaTrend Di Simples FIRFR$100,00
InflaçãoTesouro IPCA 2026R$31,27
Renda Fixa PrefixadaTesouro Prefixado 2025R$31,56
Renda Fixa GlobalTrend High Yield Americano FIMR$100,00
MultimercadoSelection Multimercado FIC FIMR$100,00
Renda variável BrasilCesta de ações “No Stress” Rico
Renda variável InternacionalTrend Bolsa Americana Dólar FIMR$100,00
Renda variável internacional hedgeadaTrend Bolsa Americana FIMR$100,00
AlternativosTrend Commodities FIMR$100,00

Essas incluem ativos de renda fixa atrelados à inflação, fundos imobiliários, ativos internacionais (por meio de instrumentos como BDRs, ETFs ou fundos de investimento), além de nossas seleções de ações com base em análises estatísticas – que você pode conferir aqui.

Para saber mais sobre nossas recomendações de investimentos para esse ano, confira nosso material completo no Onde investir.

Elaborado por:

Paula Zogbi, CNPI 2545

1) Este relatório de análise foi elaborado pela Rico Investimentos, que é uma marca da XP Investimentos CCTVM S.A. (“Rico”) de acordo com todas as exigências previstas na Resolução CVM nº 20/2021, tem como objetivo fornecer informações que possam auxiliar o investidor a tomar sua própria decisão de investimento, não constituindo qualquer tipo de oferta ou solicitação de compra e/ou venda de qualquer produto. As informações contidas neste relatório são consideradas válidas na data de sua divulgação e foram obtidas de fontes públicas. A Rico não se responsabiliza por qualquer decisão tomada pelo cliente com base no presente relatório.

2) Este relatório foi elaborado considerando a classificação de risco dos produtos de modo a gerar resultados de alocação para cada perfil de investidor.

3) O(s) signatário(s) deste relatório declara(m) que as recomendações refletem única e exclusivamente suas análises e opiniões pessoais, que foram produzidas de forma independente, inclusive em relação à Rico e que estão sujeitas a modificações sem aviso prévio em decorrência de alterações nas condições de mercado, e que sua(s) remuneração(es) é(são) indiretamente influenciada por receitas provenientes dos negócios e operações financeiras realizadas pela Rico.

4) O analista responsável pelo conteúdo deste relatório e pelo cumprimento da Resolução CVM nº 20/2021 está indicado acima, sendo que, caso constem a indicação de mais um analista no relatório, o responsável será o primeiro analista credenciado a ser mencionado no relatório.

5) Os analistas da Rico estão obrigados ao cumprimento de todas as regras previstas no Código de Conduta da APIMEC para o Analista de Valores Mobiliários e na Política de Conduta dos Analistas de Valores Mobiliários do Grupo XP.

6) Os produtos apresentados neste relatório podem não ser adequados para todos os tipos de cliente. Antes de qualquer decisão, os clientes deverão realizar o processo de suitability e confirmar se os produtos apresentados são indicados para o seu perfil de investidor. Este material não sugere qualquer alteração de carteira, mas somente orientação sobre produtos adequados a determinado perfil de investidor.

7) A rentabilidade de produtos financeiros pode apresentar variações e seu preço ou valor pode aumentar ou diminuir num curto espaço de tempo. Os desempenhos anteriores não são necessariamente indicativos de resultados futuros. A rentabilidade divulgada não é líquida de impostos. As informações presentes neste material são baseadas em simulações e os resultados reais poderão ser significativamente diferentes.

8) Este relatório é destinado à circulação exclusiva para a rede de relacionamento da Rico. Fica proibida sua reprodução ou redistribuição para qualquer pessoa, no todo ou em parte, qualquer que seja o propósito, sem o prévio consentimento expresso da Rico.

9) SAC. 0800 774 0402. A Ouvidoria da Rico tem a missão de servir de canal de contato sempre que os clientes que não se sentirem satisfeitos com as soluções dadas pela empresa aos seus problemas. O contato pode ser realizado por meio do telefone: 0800-722-3730.

10) O custo da operação e a política de cobrança estão definidos nas tabelas de custos operacionais disponibilizadas no site da Rico: https://www.rico.com.vc/custos. 11) A Rico se exime de qualquer responsabilidade por quaisquer prejuízos, diretos ou indiretos, que venham a decorrer da utilização deste relatório ou seu conteúdo. 

12) A Avaliação Técnica e a Avaliação de Fundamentos seguem diferentes metodologias de análise. A Análise Técnica é executada seguindo conceitos como tendência, suporte, resistência, candles, volumes, médias móveis entre outros. Já a Análise Fundamentalista utiliza como informação os resultados divulgados pelas companhias emissoras e suas projeções. Desta forma, as opiniões dos Analistas Fundamentalistas, que buscam os melhores retornos dadas as condições de mercado, o cenário macroeconômico e os eventos específicos da empresa e do setor, podem divergir das opiniões dos Analistas Técnicos, que visam identificar os movimentos mais prováveis dos preços dos ativos, com utilização de “stops” para limitar as possíveis perdas. 

13) Antes de qualquer decisão, os clientes deverão realizar o processo de suitability e confirmar se os produtos apresentados são indicados para o seu perfil de investidor.