Todo mês comparamos o desempenho dos principais índices de renda fixa para você entender não só quem rendeu mais, mas por quê.
Agosto foi um mês positivo para todos os índices de investimento acompanhados, mesmo com o IPCA registrando deflação de 0,32%. Indicadores mais benignos de inflação e atividade reforçaram a expectativa de continuidade dos cortes da Selic e favoreceram os vértices curtos da curva de juros. Nos vencimentos mais longos, as incertezas fiscais e a volatilidade das Treasuries limitaram o fechamento das taxas, mantendo a curva mais inclinada.
O destaque positivo ficou com o IMA-B 5+, que avançou 1,81%, seguido pelo IHFA, com alta de 1,61%. Na outra ponta, o IPCA foi o único indicador da tabela no campo negativo. O desempenho dos títulos IPCA+ mostra que a rentabilidade desses ativos não depende apenas da inflação corrente: o juro real acumulado e a marcação a mercado também influenciam o resultado.
| Índice | Categoria | O que representa? | Rentabilidade no mês | Rentabilidade em 12 meses |
| CDI | Pós-fixado | Referência para renda fixa conservadora | 1,09% | 14,63% |
| Poupança | Pós-fixado | Comparativo popular | 0,67% | 8,34% |
| IMA-B 5 | Inflação | NTN-Bs com vencimento até 5 anos | 1,28% | 13,28% |
| IMA-B 5+ | Inflação | NTN-Bs com vencimento acima de 5 anos | 1,81% | 8,84% |
| IPCA | Inflação | Inflação do mês (referência real) | -0,32% | 4,22% |
| IRF-M | Prefixado | Títulos prefixados do Tesouro | 1,04% | 12,06% |
| IHFA | Multimercados | Comparativo com a gestão ativa | 1,61% | 9,98% |
| IDA-DI | Crédito Privado | Debêntures pós-fixadas | 1,09% | 15,03% |
| IDA-IPCA | Crédito Privado | Debêntures indexadas ao IPCA | 1,26% | 7,26% |
Pós-fixados: consistência em um mês de corte da Selic
O CDI rendeu 1,09% em agosto e acumula 14,63% em 12 meses. A Selic foi reduzida de 14,25% para 14,00% na reunião do Copom de 5 de agosto, mas o patamar dos juros continuou garantindo carrego elevado aos pós-fixados. Quem estava alocado em Tesouro Selic ou em CDB de liquidez diária que remunera próximo de 100% do CDI capturou praticamente esse desempenho, com baixa exposição às oscilações da curva de juros. LCIs e LCAs podem apresentar remuneração, liquidez e prazos diferentes, portanto não são equivalentes diretos aos produtos que entregam 100% do CDI.
A poupança rendeu 0,67% no mês, equivalente a 62% do CDI, e acumula 8,34% em 12 meses. A isenção de Imposto de Renda melhora a comparação em termos líquidos, mas não elimina a distância em relação às alternativas pós-fixadas com remuneração próxima do CDI. Para quem tem acesso a uma corretora, a poupança segue sendo a escolha menos eficiente entre as alternativas conservadoras.
IMA-B: a marcação a mercado superou o efeito da deflação
O IMA-B 5 rendeu 1,28% e o IMA-B 5+ avançou 1,81% em agosto. Mesmo com o IPCA registrando deflação de 0,32%, os índices de títulos públicos indexados à inflação tiveram desempenho positivo, com vantagem para os vencimentos mais longos. O resultado mostra que o juro real acumulado e a marcação a mercado tiveram mais peso sobre os índices do que a inflação observada no período.
Indicadores mais benignos de inflação e atividade favoreceram o fechamento das taxas, especialmente nos vértices mais curtos. Na ponta longa, as incertezas fiscais e a volatilidade dos juros americanos limitaram o movimento, mas não impediram o desempenho positivo. Como o IMA-B 5+ apresenta maior duration, pequenas alterações nas taxas podem produzir variações mais intensas nos preços dos títulos, o que ajudou o índice a liderar a tabela em agosto.
Vale lembrar que o rendimento dos títulos IPCA+ não acompanha apenas a inflação divulgada no mês. A correção do valor desses papéis considera o IPCA com alguma defasagem, enquanto o preço também oscila conforme as taxas de juros negociadas no mercado. Por isso, mesmo com a deflação de 0,32% em agosto, os títulos puderam se valorizar com o movimento favorável das taxas. O contrário também pode acontecer: em um mês de inflação positiva, a abertura dos juros pode pressionar os preços e levar a retornos baixos ou negativos.
Vale ter sempre em mente que títulos indexados ao IPCA não são investimentos sem volatilidade. O retorno real contratado só é garantido para quem carrega o papel até o vencimento. Antes disso, o preço oscila com a abertura ou o fechamento das curvas de juros, e quanto maior o prazo do ativo, maior essa sensibilidade.
IRF-M: prefixados capturaram o fechamento da ponta curta
O IRF-M, que reúne os títulos prefixados do Tesouro, rendeu 1,04% em agosto e acumula 12,06% em 12 meses. O índice foi favorecido pelo fechamento dos vencimentos mais curtos, que responderam aos indicadores mais benignos de inflação e atividade e à expectativa de continuidade do ciclo de redução da Selic.
A curva DI, entretanto, não se moveu de forma uniforme. O DI para janeiro de 2027 recuou 19 pontos-base, para 13,62%, enquanto o DI para janeiro de 2031 avançou 9 pontos-base, para 14,48%. A parte curta incorporou maior expectativa de novos cortes de juros, enquanto os vencimentos longos continuaram pressionados pelas incertezas fiscais domésticas e pela volatilidade das Treasuries.
A nossa projeção indica Selic de 13,25% no fim de 2026 e 11,50% no fim de 2027. Esse cenário favorece principalmente a parte curta e intermediária da curva de prefixados, mais diretamente influenciada pela política monetária. Os vencimentos longos ainda apresentam maior exposição aos riscos fiscais e externos.
Crédito privado: carrego elevado, mas prêmios comprimidos
O IDA-DI, que mede o desempenho das debêntures indexadas ao CDI, rendeu 1,09% em agosto, praticamente em linha com o CDI, e acumula 15,03% em 12 meses. O resultado mensal refletiu principalmente o carrego do indexador. No mercado secundário, o spread médio do crédito pós-fixado, excluindo emissores estressados, recuou de 1,61% para 1,53%. O nível ficou abaixo da média histórica de 1,67% e da média de 2026, de 1,72%.
O fechamento dos spreads favorece a marcação a mercado dos papéis que já estão nas carteiras, mas reduz o prêmio disponível para novas alocações. Em agosto, o mercado permaneceu estável, apoiado por um ambiente técnico favorável, pela liquidez e pela captação dos fundos ligados aos grandes bancos. Ao mesmo tempo, os prêmios continuaram pouco atrativos, principalmente entre emissores de melhor qualidade de crédito. Nesse cenário, qualidade, liquidez e preço de entrada seguem mais importantes do que a busca por um retorno adicional pequeno.
O IDA-IPCA, que reúne debêntures indexadas à inflação, rendeu 1,26% no mês e acumula 7,26% em 12 meses. O resultado combina o carrego dos papéis, a correção pela inflação aplicável aos ativos e o efeito da marcação a mercado. Como esses títulos costumam ter prazos mais longos, seus preços também são mais sensíveis aos movimentos das taxas reais de juros.
IHFA: gestão ativa superou o CDI no mês
O IHFA, índice que agrega os fundos multimercados, rendeu 1,61% em agosto, acima do CDI de 1,09%. Foi o segundo maior retorno entre os índices acompanhados, atrás apenas do IMA-B 5+. Em 12 meses, entretanto, o IHFA acumula 9,98%, abaixo dos 14,63% do CDI. A gestão ativa superou o pós-fixado no mês, mas segue atrás no horizonte de 12 meses.
Vale o registro: o IHFA agrega fundos com estratégias bastante distintas, de macro a long & short e quantitativo, e o resultado de um mês isolado diz pouco sobre a qualidade de uma estratégia. A comparação é útil como referência de contexto, não como critério isolado de decisão.
Destaques do mês
O destaque positivo de agosto foi o IMA-B 5+, com alta de 1,81%. O índice foi beneficiado pelo movimento das taxas reais e pela maior sensibilidade dos vencimentos longos à marcação a mercado. O desempenho ocorreu mesmo com deflação de 0,32%, mostrando que o retorno mensal dos títulos IPCA+ não depende apenas da inflação corrente.
Na outra ponta, o IPCA foi o único indicador da tabela no campo negativo. Entre os índices de investimento, todos tiveram retorno positivo, e os menores resultados ficaram com o CDI e o IDA-DI, ambos em 1,09%. Agosto reforçou que, nos títulos marcados a mercado, o comportamento das taxas pode ter mais peso no curto prazo do que o próprio indexador.
O que acompanhar em setembro
A decisão do Copom de 16 de setembro será o principal evento doméstico para a curva de juros. A comunicação do Banco Central deverá ajudar a calibrar as expectativas sobre o ritmo dos próximos cortes. A nossa projeção indica Selic de 13,25% no fim de 2026 e 11,50% no fim de 2027.
A trajetória da inflação também continuará no radar. A nossa projeção para o IPCA é de 5,0% em 2026 e 4,2% em 2027. A continuidade das leituras mais benignas pode favorecer os vencimentos curtos e intermediários, enquanto eventuais surpresas de alta tendem a limitar o fechamento das taxas.
No cenário externo, a curva americana encerrou agosto em níveis elevados: a Treasury de dois anos ficou em 4,34%, a de dez anos em 4,74% e a de 30 anos em 5,24%. A volatilidade dos juros americanos, combinada às incertezas fiscais domésticas, deve continuar influenciando os vencimentos mais longos da curva brasileira.
Este conteúdo é informativo e não constitui recomendação de investimento. Para equilibrar risco e retorno na renda fixa, nós atualizamos continuamente nossas recomendações com os melhores títulos em cada indexador. Acesse agora a nossa Carteira de Renda Fixa e veja as oportunidades do momento.
Elaborado por:
Maria Giulia Soares, CNPI 10023
1) Este relatório de análise foi elaborado pela XP Investimentos CCTVM S.A. (“XP Investimentos ou XP”) de acordo com todas as exigências previstas na Resolução CVM 20/2021, tem como objetivo fornecer informações que possam auxiliar o investidor a tomar sua própria decisão de investimento, não constituindo qualquer tipo de oferta ou solicitação de compra e/ou venda de qualquer produto. As informações contidas neste relatório são consideradas válidas na data de sua divulgação e foram obtidas de fontes públicas. A XP Investimentos não se responsabiliza por qualquer decisão tomada pelo cliente com base no presente relatório.
2) Este relatório foi elaborado considerando a classificação de risco dos produtos de modo a gerar resultados de alocação para cada perfil de investidor.
3) O(s) signatário(s) deste relatório declara(m) que as recomendações refletem única e exclusivamente suas análises e opiniões pessoais, que foram produzidas de forma independente, inclusive em relação à XP Investimentos e que estão sujeitas a modificações sem aviso prévio em decorrência de alterações nas condições de mercado, e que sua(s) remuneração(es) é(são) indiretamente influenciada por receitas provenientes dos negócios e operações financeiras realizadas pela XP Investimentos.
4) O analista responsável pelo conteúdo deste relatório e pelo cumprimento da Resolução CVM nº 20/2021 está indicado acima, sendo que, caso constem a indicação de mais um analista no relatório, o responsável será o primeiro analista credenciado a ser mencionado no relatório.
5) Os analistas da XP Investimentos estão obrigados ao cumprimento de todas as regras previstas no Código de Conduta da APIMEC Brasil para o Analista de Valores Mobiliários e na Política de Conduta dos Analistas de Valores Mobiliários da XP Investimentos.
6) O atendimento de nossos clientes é realizado por empregados da XP Investimentos ou por assessores de investimento que desempenham suas atividades por meio da XP, em conformidade com a Resolução CVM nº 178/2023, os quais encontram-se registrados na Associação Nacional das Corretoras e Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários – ANCORD. O assessor de investimento não pode realizar consultoria, administração ou gestão de patrimônio de clientes, devendo atuar como intermediário e solicitar autorização prévia do cliente para a realização de qualquer operação no mercado de capitais.
7) Para fins de verificação da adequação do perfil do investidor aos serviços e produtos de investimento oferecidos pela XP Investimentos, utilizamos a metodologia de adequação dos produtos por portfólio, nos termos das Regras e Procedimentos ANBIMA de Suitability nº 01 e do Código ANBIMA de Distribuição de Produtos de Investimento. Essa metodologia consiste em atribuir uma pontuação máxima de risco para cada perfil de investidor (conservador, moderado e agressivo), bem como uma pontuação de risco para cada um dos produtos oferecidos pela XP Investimentos, de modo que todos os clientes possam ter acesso a todos os produtos, desde que dentro das quantidades e limites da pontuação de risco definidas para o seu perfil. Antes de aplicar nos produtos e/ou contratar os serviços objeto deste material, é importante que você verifique se a sua pontuação de risco atual comporta a aplicação nos produtos e/ou a contratação dos serviços em questão, bem como se há limitações de volume, concentração e/ou quantidade para a aplicação desejada. Você pode consultar essas informações diretamente no momento da transmissão da sua ordem ou, ainda, consultando o risco geral da sua carteira na tela de carteira (Visão Risco). Caso a sua pontuação de risco atual não comporte a aplicação/contratação pretendida, ou caso existam limitações em relação à quantidade e/ou volume financeiro para a referida aplicação/contratação, isto significa que, com base na composição atual da sua carteira, esta aplicação/contratação não está adequada ao seu perfil. Em caso de dúvidas sobre o processo de adequação dos produtos oferecidos pela XP Investimentos ao seu perfil de investidor, consulte o FAQ. As condições de mercado, mudanças climáticas e o cenário macroeconômico podem afetar o desempenho do investimento.
8) A rentabilidade de produtos financeiros pode apresentar variações e seu preço ou valor pode aumentar ou diminuir num curto espaço de tempo. Os desempenhos anteriores não são necessariamente indicativos de resultados futuros. A rentabilidade divulgada não é líquida de impostos. As informações presentes neste material são baseadas em simulações e os resultados reais poderão ser significativamente diferentes.
9) Este relatório é destinado à circulação exclusiva para a rede de relacionamento da XP Investimentos, incluindo assessores de investimentos da XP e clientes da XP, podendo também ser divulgado no site da XP. Fica proibida sua reprodução ou redistribuição para qualquer pessoa, no todo ou em parte, qualquer que seja o propósito, sem o prévio consentimento expresso da XP Investimentos.
10) SAC. 0800 77 20202. A Ouvidoria da XP Investimentos tem a missão de servir de canal de contato sempre que os clientes que não se sentirem satisfeitos com as soluções dadas pela empresa aos seus problemas. O contato pode ser realizado por meio do telefone: 0800 722 3710.
11) O custo da operação e a política de cobrança estão definidos nas tabelas de custos operacionais disponibilizadas no site da XP Investimentos: www.xpi.com.br.
12) A XP Investimentos se exime de qualquer responsabilidade por quaisquer prejuízos, diretos ou indiretos, que venham a decorrer da utilização deste relatório ou seu conteúdo.
13) A Avaliação Técnica e a Avaliação de Fundamentos seguem diferentes metodologias de análise. A Análise Técnica é executada seguindo conceitos como tendência, suporte, resistência, candles, volumes, médias móveis entre outros. Já a Análise Fundamentalista utiliza como informação os resultados divulgados pelas companhias emissoras e suas projeções. Desta forma, as opiniões dos Analistas Fundamentalistas, que buscam os melhores retornos dadas as condições de mercado, o cenário macroeconômico e os eventos específicos da empresa e do setor, podem divergir das opiniões dos Analistas Técnicos, que visam identificar os movimentos mais prováveis dos preços dos ativos, com utilização de “stops” para limitar as possíveis perdas.
14) Ação é uma fração do capital de uma empresa que é negociada no mercado. É um título de renda variável, ou seja, um investimento no qual a rentabilidade não é preestabelecida, varia conforme as cotações de mercado. O investimento em ações é um investimento de alto risco e os desempenhos anteriores não são necessariamente indicativos de resultados futuros e nenhuma declaração ou garantia, de forma expressa ou implícita, é feita neste material em relação a desempenhos. As condições de mercado, o cenário macroeconômico, os eventos específicos da empresa e do setor podem afetar o desempenho do investimento, podendo resultar até mesmo em significativas perdas patrimoniais. A duração recomendada para o investimento é de médio-longo prazo. Não há quaisquer garantias sobre o patrimônio do cliente neste tipo de produto.
15) O investimento em opções é preferencialmente indicado para investidores de perfil agressivo, de acordo com a política de suitability praticada pela XP Investimentos. No mercado de opções, são negociados direitos de compra ou venda de um bem por preço fixado em data futura, devendo o adquirente do direito negociado pagar um prêmio ao vendedor tal como num acordo seguro. As operações com esses derivativos são consideradas de risco muito alto por apresentarem altas relações de risco e retorno e algumas posições apresentarem a possibilidade de perdas superiores ao capital investido. A duração recomendada para o investimento é de curto prazo e o patrimônio do cliente não está garantido neste tipo de produto.
16) O investimento em termos são contratos para compra ou a venda de uma determinada quantidade de ações, a um preço fixado, para liquidação em prazo determinado. O prazo do contrato a Termo é livremente escolhido pelos investidores, obedecendo o prazo mínimo de 16 dias e máximo de 999 dias corridos. O preço será o valor da ação adicionado de uma parcela correspondente aos juros – que são fixados livremente em mercado, em função do prazo do contrato. Toda transação a termo requer um depósito de garantia. Essas garantias são prestadas em duas formas: cobertura ou margem.
17) O investimento em Mercados Futuros embute riscos de perdas patrimoniais significativos. Commodity é um objeto ou determinante de preço de um contrato futuro ou outro instrumento derivativo, podendo consubstanciar um índice, uma taxa, um valor mobiliário ou produto físico. É um investimento de risco muito alto, que contempla a possibilidade de oscilação de preço devido à utilização de alavancagem financeira. A duração recomendada para o investimento é de curto prazo e o patrimônio do cliente não está garantido neste tipo de produto. As condições de mercado, mudanças climáticas e o cenário macroeconômico podem afetar o desempenho do investimento.
18) ESTA INSTITUIÇÃO É ADERENTE AO CÓDIGO ANBIMA DE DISTRIBUIÇÃO DE PRODUTOS DE INVESTIMENTO.