Tem uma conta que não costuma aparecer nas planilhas: quanto custa não ser acessível. E, como especialista surda que atua no mercado financeiro, posso dizer que essa conta eu conheço pelos dois lados: o de quem vive a barreira e o de quem analisa a oportunidade que as empresas deixam passar.
Pensa comigo. Segundo a PNAD Contínua 2022 do IBGE, o Brasil tem 18,6 milhões de pessoas com deficiência, cerca de 8,9% da população de 2 anos ou mais, ou algo como 9 a cada 100 pessoas. Quando um produto, uma plataforma ou um conteúdo não é pensado para esse público, o resultado é: uma fatia enorme de clientes em potencial fica de fora. E, no mercado financeiro, enxergar apenas parte do público é uma forma silenciosa de limitar o próprio crescimento.
Agora, a parte boa: o inverso também se comprova em números. A pesquisa Getting to Equal: The Disability Inclusion Advantage, da Accenture com a Disability:IN e a AAPD identificou entre as empresas líderes em inclusão, em média, 28% mais receita, o dobro do lucro líquido e margens de lucro econômico 30% maiores. Na atualização publicada em 2023, as empresas que lideravam os indicadores de inclusão registraram, em média, 1,6 vez mais receita e 2,6 vezes mais lucro líquido do que as demais participantes da pesquisa.
Não é só um gesto bonito. É uma decisão de negócio associada a resultados mensuráveis. E esse padrão fica ainda mais claro quando nós olhamos para as empresas de perto.
O que a análise de empresas mostra
Quando olhamos para empresas que avançam em práticas ESG, aparece um padrão importante: acessibilidade, inclusão e governança passam a ser incorporadas ao dia a dia do negócio, refletindo escolhas que vão além do discurso. Ao incorporar a acessibilidade à jornada digital do cliente, as companhias ampliam seu alcance e fortalecem a resiliência no longo prazo. Mais do que afirmar que diversidade, sozinha, gera lucro, os estudos mostram uma associação consistente entre inclusão e melhor desempenho empresarial.
Fora do balanço, o efeito aparece em um lugar igualmente importante: a relação com o público.
A inclusão que aparece no engajamento
No entretenimento, shows e festivais com interpretação em Libras ampliam o acesso e podem fortalecer a relação das marcas com o público. No streaming e nos vídeos da internet, legendas e audiodescrição beneficiam muito mais gente do que se imagina, inclusive você, que talvez já tenha assistido a um vídeo com o som desligado no transporte público ou na fila do banco. Quando acompanhada por métricas, a acessibilidade também pode se traduzir em retenção e engajamento.
E quando falamos de ESG, o pilar S (Social) tem relação direta com o tema. Marcas acessíveis se destacam porque a inclusão fideliza quem finalmente se sente representado, valorizado e integrado.
Dito isso, vale sair da teoria e mostrar como essa ideia ganha forma dentro de casa.
E na Rico, como esse trabalho acontece?
Aqui, acessibilidade não é assunto de data comemorativa: é conteúdo no ar, disponível o ano inteiro.
A Rico mantém a série Finanças em Libras, com vídeos de educação financeira explicados diretamente em Libras no canal oficial da corretora no YouTube. E o detalhe que faz diferença: na Riconnect, “Finanças em Libras” é uma das categorias fixas de vídeo, ao lado de Primeiros passos, Renda Fixa, Renda Variável e Finanças Pessoais. Ou seja, o conteúdo acessível é tratado como pilar editorial, e não como projeto avulso escondido num canto do site.
Isso coloca a Rico em um grupo ainda restrito de instituições financeiras privadas do Brasil que mantêm uma série educacional dedicada em Libras, em um cenário no qual a oferta de educação financeira nessa língua segue limitada.
E há uma camada desse trabalho que raramente aparece na tela. Muitos termos financeiros não contavam com sinais amplamente consolidados em Libras. Selic, Tesouro Direto e outros conceitos exigiram pesquisa, construção e validação de sinais para que a explicação fizesse sentido. Na minha experiência, ensinar em Libras não é traduzir palavra por palavra: exige cuidado terminológico e didática pensada com a comunidade surda.
Completando o ciclo, existe o FAQ em Libras no site da Rico e o atendimento SAC em Libras, para dúvidas sobre conta, cartão, serviços e investimentos direto na própria língua, sem intermediários.
Nada disso nasceu por acaso. Veio da escuta de quem vive a barreira todos os dias e é essa a diferença entre adaptar um conteúdo e construir um conteúdo pensado para a comunidade surda desde a origem.
O que aprendemos quando a inclusão entra na conta
Acessibilidade não é custo. É investimento inteligente: bom para quem consome, vantajoso para o negócio e transformador para a sociedade.
O dia 26 de setembro é o Dia Nacional do Surdo, data de celebração da identidade surda e também de reflexão sobre as conquistas e os desafios que ainda existem, inclusive no acesso à informação financeira.
Educação financeira só é completa quando chega em todas as línguas. E a Libras é uma delas.
Confira a nossa playlist Finanças em Libras, disponível no canal da Rico no YouTube, com conteúdos sobre organização financeira, reserva de emergência e primeiros passos nos investimentos, tudo em Libras.
Feliz Dia Nacional do Surdo! Que as finanças sejam cada vez mais acessíveis, descomplicadas e para todo mundo.