O Banco do Brasil divulgou o resultado do 1T26 com números mais fracos, mas dentro do esperado em alguns pontos.

O lucro líquido ficou em R$ 3,4 bilhões, com queda relevante em relação aos trimestres anteriores, principalmente por conta do aumento das provisões, as reservas que o banco faz para se proteger contra inadimplência.

Mas o principal ponto não foi o resultado em si, e sim a piora na qualidade do crédito e a revisão das expectativas para o ano.

O que deu certo (e ajudou o resultado)

Mesmo em um trimestre mais difícil, houve alguns destaques positivos:

Receita com crédito ainda forte

A margem financeira, que representa o quanto o banco ganha com empréstimos, cresceu cerca de 15 por cento em relação ao ano anterior, impulsionada principalmente pela carteira de pessoa física.

Ou seja, o banco ainda está gerando receita com crédito, especialmente no varejo.

Crescimento da carteira segue acontecendo

A carteira total chegou a cerca de R$ 1,3 trilhão, com crescimento puxado por pessoa física, principalmente cartão e consignado, além do agronegócio ainda relevante no mix.

Isso mostra que o banco continua expandindo suas operações, mesmo em um ambiente mais desafiador.

O que pesou (e mudou a leitura do mercado)

Aqui está o ponto central do resultado: piora na qualidade do crédito.

Inadimplência está piorando e não só no agro

A inadimplência, ou seja, os atrasos nos pagamentos, segue em alta. Os atrasos mais longos continuam subindo e, mais importante, os atrasos iniciais aceleraram. Isso é relevante porque atrasos iniciais hoje tendem a virar inadimplência maior nos próximos meses.

Ou seja, o que estamos vendo agora pode ser apenas o começo de uma pressão maior à frente.

Pessoa física virou nova fonte de preocupação

Antes, o principal foco de atenção estava no agronegócio. Agora, o alerta também aparece na carteira de pessoa física. O crédito consignado começou a pressionar mais, as carteiras mais recentes passaram a amadurecer e começaram a mostrar inadimplência, e produtos como cartão também contribuíram para a piora.

Esse movimento chama atenção porque esse era justamente o segmento que vinha crescendo com melhor qualidade. Além disso, essa deterioração ocorreu mais rápido do que o esperado, o que aumenta a incerteza sobre os próximos trimestres.

Agro segue pressionado (e com risco à frente)

No agronegócio, o cenário continua mais desafiador. Há aumento nos pedidos de recuperação judicial de produtores e pressão nas margens do setor, com custos mais altos e preços agrícolas mais comprimidos.

Isso impacta o banco de duas formas. Piora a inadimplência e reduz a demanda por crédito novo. Além disso, o cenário para a próxima safra ainda indica continuidade dessa pressão.

Banco aumentou forte a previsão de perdas

Esse foi o ponto mais importante do resultado.

O banco revisou a projeção de custo de crédito de R$ 53 a 58 bilhões para R$ 65 a 70 bilhões, além de reduzir a expectativa de lucro para o ano. Na prática, o banco está indicando que espera mais inadimplência à frente.

Um ponto importante é que essa revisão aconteceu antes do que o mercado imaginava, o que reforça a leitura de que a deterioração do crédito está acontecendo mais rápido do que se esperava.

Geração de lucro caiu, e explica o resultado

Com mais provisões (reserva para perdas), o impacto foi direto:

  • Lucro caiu mais de 50% em relação ao ano passado.
  • ROE (retorno sobre o patrimônio) caiu da faixa de 2 dígitos para cerca de 7%.

Isso significa que o banco está ganhando menos porque precisa se proteger mais contra inadimplência. Além disso, parte relevante do resultado foi beneficiada por efeitos pontuais, o que indica uma qualidade de lucro mais fraca neste trimestre.

Dividendos ainda presentes, mas menores

O banco manteve sua política de distribuição de resultados, com payout (parcela do lucro que o banco distribui aos acionistas na forma de dividendos), próximo de 30%.

No entanto, como o lucro esperado para o ano foi reduzido, o valor distribuído aos acionistas tende a ser menor. Na prática, isso significa que o investidor deve esperar um nível de dividendos mais baixo do que nos últimos anos.

Um banco que já entregou dividend yield de dois dígitos pode agora operar em níveis mais próximos de 5% ao ano.

Nossa visão: piora de crédito e pouca visibilidade no curto prazo

O resultado do Banco do Brasil não trouxe grandes surpresas no curto prazo, mas confirmou uma deterioração mais ampla da qualidade do crédito e um cenário adiante ainda desafiador.

De um lado, o banco ainda mostra pontos positivos, como crescimento de receita, expansão da carteira e capital adequado.

Por outro, a inadimplência está piorando em várias frentes, o agronegócio permanece pressionado, a carteira de pessoa física começou a deteriorar e o próprio banco já reconhece um cenário mais desafiador à frente.

O principal ponto neste momento é que a visibilidade sobre os lucros futuros ficou mais limitada.

Esse fator pesa bastante para o mercado, porque aumenta a incerteza sobre até onde vai a deterioração e quando a qualidade do crédito deve se estabilizar.

Em resumo, o resultado do Banco do Brasil veio em linha com o esperado, mas trouxe um sinal importante. A qualidade do crédito piorou de forma mais ampla e em um ritmo mais acelerado do que o mercado imaginava. O banco já está se preparando para um cenário de maior inadimplência e crescimento sozinho não é mais suficiente. O foco passa a ser qualidade da carteira e controle de risco.

Na nossa visão, esse é um case que exige mais cautela no curto prazo, até termos sinais mais claros de estabilização do crédito.

Análise de preços de Banco do Brasil (BBAS3)

Do ponto de vista técnico, a ação abriu em queda após o resultado, mas mostrou reação ao encontrar uma região importante de suporte, em torno de R$ 19,70.

Vale destacar que o papel já vem em tendência mais fraca há cerca de um ano, desde a divulgação dos resultados do 1T25, quando começaram a aparecer os primeiros sinais de deterioração no crédito. Desde então, a ação passou a respeitar uma faixa de preços mais lateral, com zonas relevantes de suporte em R$ 19,70 e R$ 17,85.

Caso perca o nível atual, a região de R$ 17,85 passa a ser o próximo ponto importante a ser observado. Por enquanto, o ativo conseguiu segurar esse primeiro suporte, mas segue dentro desse movimento lateral de mais longo prazo.

Para quem já está posicionado com visão de longo prazo, não vemos necessariamente um sinal claro de saída neste momento. No entanto, o cenário pede maior cautela, dado que a ação vem apresentando desempenho inferior em relação aos pares e ainda enfrenta um ambiente de baixa visibilidade à frente.

Para operações de curto prazo, essas regiões de suporte podem funcionar como pontos de entrada ou definição de risco. Acima do nível atual, a próxima resistência relevante está em torno de R$ 22,20.

Fonte: Nelogica

Quer saber quais as recomendações do nosso time para este mês? Confira aqui.

Elaborado por:

Bruna Sene, CNPI-T 6928

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