• Mercados amanhecem mistos após a reunião de política monetária dos EUA no dia de ontem decidir manter a taxa de juros;
  • Porém, o discurso do presidente do Fed, Jerome Powell, mostrou aperto na política monetária mais à frente, o que fez o mercado reagir de forma negativa ontem;
  • Ainda não é claro como será o ciclo de alta de juros por lá, mas o mercado passa a esperar 5 altas ao invés de 4 (consenso anterior);
  • Aqui no Brasil, o IPCA-15 veio acima da expectativa do nosso time de economia.

Mercados globais amanhecem sem direção definida ainda digerindo a reunião de política monetária do Fed (Banco Central americano) que ocorreu ontem. Os futuros sobem nos EUA, mas caem na Zona do Euro.

Mas o que rolou no Fomc afinal? Bom, mais uma vez Jerome Powell, presidente do Fed, juntamente de seus companheiros de comitê, decidiu manter a taxa de juros americana no intervalo entre 0% a 0,25% ao ano, ou seja, os Fed Funds seguem zerados. Além disso, o ritmo atual de compra de títulos de dívida do BC americano também foi mantido.

O famoso “manteu”, como gostamos de brincar no mercado financeiro. Porém, apesar da decisão ser considerada estimulante para a economia, o discurso de Powell foi visto como “hawkish“, mais firme em relação a politicas contracionistas e de controle de inflação, causando queda nos mercados no dia de ontem.

No discurso, ficou claro para o mercado que o objetivo é realizar o ciclo de alta de juros sem prejudicar o mercado de trabalho americano e que o Fed deverá mitigar os riscos de uma persistente e alta inflação. Tentativa de conduzir esse movimento causando o mínimo de impacto aos mercados, mas parafraseando nossos amigos da página no Instagram, Faria Lima Elevator, “não há mercado que resista uma alta de juros nos EUA”.

Após tudo isso, o mercado começou a esperar 5 altas na taxa de juros nos EUA, e não mais 4 como era anteriormente. Powell não forneceu pistas adicionais sobre a trajetória de aperto da política monetária, tanto em termos de “timing” quanto de ritmo de elevação dos juros.

Por fim, o Fed reafirmou os planos de encerrar em março o processo de tapering (diminuição das compras de títulos relacionadas à pandemia), mas sugeriu que a redução do seu balanço patrimonial não deve ter início antes de junho, já que discussões sobre este tópico serão realizadas “nas próximas reuniões”. Vamos monitorar esses próximos passos.

Aqui no Brasil, o IPCA-15 (prévia mensal da inflação ao consumidor) apresentou alta de 0,58% entre dezembro e janeiro, resultado muito acima da estimativa do nosso time de economia e da mediana das previsões de mercado. No acumulado em 12 meses, o índice exibiu aumento de 10,2%.

A inflação brasileira segue bastante pressionada, quadro que não deverá ser alterado no 1º trimestre deste ano. A partir do 2º trimestre, por sua vez, antevemos um processo de desinflação gradual na economia doméstica. Projetamos elevação de 5,2% para o IPCA de 2022, após o salto de 10,1% registrado em 2021.

Nas Horas Vagas

Hoje vou utilizar esse espaço para um conselho de um “ex-analista de fundos”. Com o aumento da taxa Selic aqui no Brasil, muitos investidores estão migrando parte de seus investimentos da renda variável e de multimercados para a boa e velha renda fixa.

Sem juízo de valor, mas isso vem promovendo resgates nessas categorias de fundos. Quando isso acontece, um espaço é aberto para que eles venham ao mercado para captar recursos, aliás, muitos destes nomes estavam fechados e sem previsão de reabertura.

O lendário fundo de ações brasileiras, Dynamo Cougar, e o fundo multimercado Verde de Luís Stuhlberger, já anunciaram suas reaberturas. Outros fundos excelentes como esses devem seguir o movimento em breve.

Para todos que possuem horizontes mais longos de investimento, será uma janela interessante de oportunidades nesse sentido. Vale a pena ficar de olho nessas oportunidades!

Elaborado por:

Paula Zogbi, CNPI 2545

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